As lições da Dra. Nise Yamaguchi

As lições da Dra. Nise Yamaguchi

O patético depoimento da Dra. Nise Yamaguchi na CPI da COVID-19 ocorrido ontem no senado é uma síntese de rara riqueza sobre o período que vivemos. Muito mais que um retrato do movimento dos discursos disrutptivos dos quais o atual governo é useiro e vezeiro, consolida-se mesmo como o discurso intempestivo de uma época onde o ego exercia influência desproporcional no progresso de carreira de um profissional da medicina. Explico. Venho de uma formação que marcou um final de era na medicina, era na qual as condutas médicas que levavam alguém à fama, não obstante a diversidade de talentos que a profissão exige e que passam longe do puro conhecimento científico, era a famosa “experiência pessoal” ou “opinião” sobre o assunto. Advogando em defesa da hoje tão temida “opinião”, assevero que opinião é uma categoria intelectual que faz uma escolha dentro de um campo de validade construída por diversos níveis de conhecimento sobre um assunto, e não aquele juízo que para sua admissibilidade exige o solapamento de todo o edifício conceitual e experimental prévio, que é o que aqui chamamos de discurso destrutivo.
Confesso que durante o curso médico cheguei a bater continência ao modelo egóico de conhecimento e prática médica, mas ao mesmo tempo, acuso o aparelho formador (que ultrapassa as fronteiras das escolas médicas) de não me prover o ferramental necessário para que o personalismo pudesse ser identificado e removido dos radares do conhecimento. Posteriormente, na pós-graduação que fiz na área de Histologia na USP pude me alimentar dos alicerces filosóficos e metodológicos da produção científica, e ainda mais posteriormente, já no início do meu amadurecimento como médico aos tardios 16 anos de formado, comecei a estudar e aprender sobre a medicina baseada em evidências, à qual dirigi muitas críticas ainda válidas (não à sua natureza, mas ao seu mau uso), mas que sem a menor sombra de dúvida é o norte de qualquer profissional de saúde que assim queira ser chamado.
De fato, a capacidade da medicina baseada em evidências de prover respostas precisas e definitivas é pequena como uma formiga e lenta como um mastodonte. Mas uma vez que a pergunta correta e metodologicamente bem organizada obtém uma resposta, os céus fazem uma festa, da qual, ainda que na condição de míseros mortais, podemos participar e desfrutar.
Mas há lugar para festas também no inferno, quando determinadas criaturas em determinadas circunstâncias, como a da atual pandemia de COVID-19 e o atual pandemônio político resolvem dar lugar às forças atávicas das falsas e frágeis mitologias que na realidade são meras idolatrias, como bem lembra o Prof.Dr. Ricardo Timm de Souza em sua magistral obra “Crítica da razão idolátrica”, que recomendo a todos.
O momento atual foi propício para que túmulos de um passado de pedestais que muitas vezes serviram mais como cadafalsos aos seus imponentes e eretos próceres se revirassem e fizessem assim ressurgir sob as vestes da farsa esses verdadeiros zumbis que hoje protagonizam o discurso destrutivo que parece exercer mesmo um efeito hipnótico e bestificante sobre seus portadores. Sim, por que duvido que cada um de nós tenha uma boa teoria sobre o que faz pessoas como a Dra. Nise Yamaguchi, que carrega o peso de tradições de sua própria cultura familiar e étnica, da Universidade de São Paulo, do Hospital Albert Einstein e talvez de outras que eu aqui desconheça mas não menos respeitáveis, derrapem na curva da estrada da vida nas proximidades de seu ápice e exponha ao mundo a ridícula cena de rolar montanha abaixo, colidindo com todo o tipo de obstáculo no caminho, deixando um rastro de pedaços e partes tão miseravelmente reduzidos que talvez ao mais experimentado perito não permita identificar o que ali aconteceu.
A questão fundamental a ser aprendida no momento, é que pessoas com esta incrível capacidade propriamente pornográfica de expor suas entranhas mentais existem, e ocupam espaços que não conseguiram se proteger de um “vírus” ardiloso e oncogênico (homenageando aqui a especialidade da nossa “homenageada”) transportado nos seus cérebros. O cenário de barbárie atual, bem análogo ao quanto produzido na década de 1930 na Alemanha, jamais seria possível sem esse “vírus” dormente em segmentos da sociedade, que de tempos em tempos e em lugares diferentes do planeta desperta do seu túmulo como o mito do vampiro e põe em ação o arquétipo do sedutor sugador de sangue humano.
A Dra. Nise nos alerta para o fato de que a ciência e as instituições não bastaram, nas últimas 4 décadas pelo menos, que comigo foram compartilhadas em termos de tempo e lugar na profissão médica, para vacinar a sociedade contra tipos egóicos que na hora certa e lugar certo irão se agarrar a algo que nossa consciência moral mediana nos mantém bem distante para alcançar a fama e o poder. E a falta dessa “vacina”, por sua vez, é certamente por ação deliberada de um grande movimento negacionista anterior cujas sementes agora frutificam. Mas são frutos de árvore podre.
Meu amigo judeu

Meu amigo judeu

Todo antissemita tem um amigo judeu. É uma característica deles. Se dizem contra o Estado Nazista de Israel, contra os judeus que lá vivem, são sempre antissionistas fervorosos. Os de esquerda em especial não sabem que foi graças as armas fornecidas pela Checoslováquia, um satélite comunista da então União Soviética, que Israel pode vencer a guerra da Independência. Mas isto já é outra história.

Mal acabou mais um conflito entre Israel e Gaza e novamente os antissemitas de plantão fizeram a festa carregando consigo os que de boa fé apoiam um Estado Palestino. Foram 219 mortos em Gaza e 10 em Israel, o suficiente para acusar o Estado Sionista de genocídio. O fato de que desta vez tudo explodiu com o lançamento de foguetes contra Jerusalém, é apenas um detalhe. Que o conflito interessava politicamente o atual governo israelense e o Hamas, outro mero detalhe.

Vejamos entretanto o que está acontecendo no mundo para se ter uma ideia da desproporção dos ataques que inundaram o Twitter com a hashtag  #hitlertinharazão. Sim, muita gente de esquerda que se diz apenas antissionista, ajudou a subir esta hashtag.

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, PMA da ONU, Mais de 31 milhões de pessoas devem enfrentar insegurança alimentar na África Ocidental e Central. Ela pede uma ação imediata para evitar que a falta de comida cause uma situação de catástrofe

A agência alerta que a temporada de escassez vai de junho a agosto deste ano, antes da próxima colheita. Vocês sabiam disso? Estão ajudando a evitar a fome deste contingente humano?

Ainda na África, centenas de moçambicanos estão tentando escapar da violência dos recentes ataques de grupos armados extremistas islâmicos, em Palma. Eles estão encontrando abrigos temporários com apoio do governo de Moçambique, da ONU e parceiros internacionais.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, informou que até a quinta-feira, quase 14 mil pessoas foram cadastradas num Centro de Trânsito e Acolhimento em Pemba, capital da província de Cabo Delgado. As chegadas aumentam a cada dia. Algum antissemita, ou antissionista está apoiando os grupos extremistas islâmicos contra o governo de Moçambique?

Seis anos de conflito no Iêmen já deixaram 80% da população abaixo da linha da pobreza. O país enfrenta a maior crise humanitária do mundo: 66% da população precisa de assistência para sobreviver e 16 milhões de pessoas sofrem com a fome. O conflito armado já matou e feriu mais de 100.000 pessoas. Vocês que atacam os judeus, estão ajudando a população do Yêmen?

Vamos falar de Myanmar. Segundo o El País, “Mergulhado há décadas em várias guerras civis com guerrilhas formadas por minorias étnicas, Mianmar vê aumentarem as possibilidades de um conflito maior ante a espiral de violência e anarquia gerada após o golpe de Estado de fevereiro passado. Com mais de 500 mortos pelos ataques de policiais e militares contra os manifestantes que pedem a volta da democracia, e a fuga de milhares de birmaneses a países como Tailândia e Índia, o país enfrenta um dilema impossível: ou se opor ao Tatmadaw ―o Exército birmanês― ou se render ante os golpistas. A segunda opção tem sido descartada por algumas das guerrilhas mais poderosas da antiga Birmânia, que, em diálogos com o Governo civil na clandestinidade, concordam em se unir para formar um exército federal que possa afastar do poder as forças armadas do general golpista, Min Aung Hlaing.” Onde está a esquerda para apoiar o povo de Mianmar na sua luta por democracia?

E a Síria onde o conflito deixou em 10 anos mais de 380 mil mortos e levou 1,5 milhão de refugiados Sírios a abandonarem o país? Nas eleições presidenciais desta semana, Bashar Al-Assad ganhou com incríveis 95% dos votos. Posso estar equivocado, mas penso não ter visto nenhuma manifestação de qualquer partido político brasileiro, ou de seus líderes contra esta fraude.

Para fechar, que tal a gente falar da Bielorrússia? Lá, Alexander Lukashenko tem sido o seu presidente desde 1994. Em todas as eleições ele ganha sempre com ampla maioria dos votos. Na última, realizada em 2020, venceu com 80% . A população bem que tentou protestar, mas não recebeu nenhum apoio internacional contundente. Esta semana o país voltou as manchetes ao sequestrar um avião da Ryanar para deter um jornalista de oposição e sua companheira. Novamente preciso perguntar aqui quantas manifestações da esquerda contra este ato de terrorismo de estado foram vistas?

Hora de voltar a falar do “Meu Amigo Judeu”. É verdade que existem comunidades judaicas em quase todos os países do mundo, em maior ou menor número. Elas costumam ser organizadas e atuantes em seus países. Os judeus são sempre uma pequena parcela da população, mas parecem representar muito mais do que são de fato. No Brasil são cerca de 100 mil, mas há quem diga que foram eles que elegeram Bolsonaro.

Como todo grupo social, existem judeus de todo tipo: religiosos e laicos; sionistas e não sionistas; de esquerda e de direita; ricos e pobres; torcedores dos mais variados times de futebol; de todos os gêneros; enfim, são iguais a todos os grupos sociais que compõe a sociedade. No entanto, a direita antissemita tradicional e a esquerda antissemita de ocasião enxergam somente o judeu rico que apoia o Estado de Israel que por sua vez estaria cometendo um genocídio contra o Povo Palestino.

Antes de apontarem o dedo para Israel com uma ilação destas, me falem dos Yanomami, dos povos indígenas dizimados por vocês. Amoin Akuká, o último indígena da tribo Juma, morreu aos 86 anos por Covid-19 no início do ano. Milhares de outros indígenas morrem por doenças levadas por garimpeiros que invadem suas terras. Uma tribo inteira deixou de existir. Onde vocês estão enquanto estas coisas acontecem?

Nunca escutei amigos da esquerda me dizerem que tem um amigo índio. Nem que tenham um amigo moçambicano, nem que tenham conhecidos do Yêmen, ou da Síria, tampouco da Bielorrússia. Mas já tive vários que diziam ter “um amigo judeu“, que no caso era eu! Abandonei a amizade de todos eles quando acusaram os judeus pelo genocídio do povo palestino. Uma mentira repetida ao estilo nazista de Joseph Goebbels. E há quem acredite. E de esquerda!

Siegfried Elwanger, o famigerado dono da Editora Revisão dedicada a publicação exclusivamente de literatura antissemita e autor do livro “Holocausto, Judeu ou Alemão:”, em sua defesa no processo em que fui parte contra ele, alegava não ser antissemita e que inclusive tinha “amigos judeus“.

A esquerda antissemita é igual a direita islamofóbica. Muda apenas para quem o preconceito é dirigido. A mesma retórica. O racismo é da natureza humana, não importa a ideologia. Nisto, esquerda e direita, direita e esquerda, são a mesma coisa para quem sofre os ataques. Não existe país no mundo que não sofra deste flagelo.

Para deixar claro: genocídio cometeu a Turquia contra os Armênios com 1,5 milhão de assassinatos. Os Tutsis contra Utus com 800 mil assassinatos em Ruanda. O Kmer Vermelho no Camboja contra seu próprio povo com cerca de 3 milhões de mortos. Os nazistas contra os judeus com 6 milhões de mortos. E mais recentemente, Bolsonaro contra seu próprio povo com 450 mil mortos.

A despeito de tudo, eu sigo acreditando em um futuro Estado Palestino em Gaza e na Cisjordânia. Temos de retomar o diálogo, pois só ele pode trazer a solução para o conflito. A violência só trás mais violência e o ciclo precisa ser quebrado. Precisamos de parceiros para sentar a mesa. Países que não escolhem lado, que não apontam o dedo, que mostrem  o que pode nos unir, não o que nos divide.

Estamos cansados de tudo isso. Não queremos mais seguir enterrando nossos mortos a cada nova batalha de uma guerra que nunca terá um vencedor. Nós israelenses não vamos desaparecer. Eles, os palestinos não vão sumir. Estamos condenados a uma vida em comum, temos uma única escolha a fazer, se ela será em paz, ou em guerra.

A maioria dos dois povos  sempre escolheu o caminho da paz. Então nos ajudem a encontrá-la. Nos mostrem o caminho e permitam que o tempo do ódio fique no passado e o futuro seja de convivência em harmonia para os dois povos.

Talvez semana que vem surja um novo governo em Israel e Bibi finalmente vá para a oposição. Um governo de união nacional com partidos de esquerda, de centro e de direita apoiados por um partido árabe que vai dar sustentação. Se somos capazes de reunir forças tão distintas, tão diferentes, acredito que sejamos capazes de retomar as negociações de paz em um futuro próximo.

Esta é a melhor resposta para vocês e o seu preconceito.

De saco cheio estamos nós

Nesta sexta-feira, pela enésima vez, o capitão genocida se arrogou o direito de criticar, com palavras de baixo calão, um instrumento legal de um outro Poder, no caso o Legislativo. Alguém disse que o presidente deve respeitar a independência dos Poderes ? Ora, ele não tem a menor ideia do que isso venha a ser. Ele só entende a linguagem do « eu faço o que quero », como uma criança mimada. O inominável voltou a atacar, como sempre nas redes sociais (onde é mais fácil escrever em razão de um número limitado de palavras), a CPI da Covid, respondendo aos membros da Comissão que criticaram medicamentos rejeitados categoricamente pela Organização Mundial da Saúde : a cloroquina e a ivermectina, dos quais o presidente da República, que nunca frequentou uma aula de primeiros socorros, transformou-se em garoto propaganda. Para ele, de nada servem seis estudos científicos internacionais, que reuniram mais de 6 mil pacientes, concluirem que os medicamentos não trazem benefícios no tratamento da Covid 19.

Desde julho do ano passado, a OMS informa que o antimalárico não tem nenhum efeito positivo contra o coronavirus, sem falar dos efeitos secundários perigosos, que podem inclusive levar à morte. Mais recentemente, o painel de especialistas do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes da OMS foi ainda mais claro, rejeitando o uso da hidroxicloroquina no tratamento preventivo da Covid e dando por encerrados os testes com o medicamento.

Mesmo assim, o fascista que se instalou no Planalto insiste : « Não encham o saco ! » ; médico e paciente são livres para escolher como querem se tratar.

Como responder a essa asneira sem tamanho ? Então se um oncologista decide tratar seu paciente com câncer no fígado com Novalgina, tem todo o direito. E se o paciente morrer ? E daí, médico não é coveiro, não é mesmo ?

Quinta-feira o capitão já tinha defendido novamente o uso da hidroxicloroquina, chamando de « canalhas » os que se opõem à sua prescrição e afirmando que a CPI é mera « xaropada ».

Um dia antes, nesse circo de horrores, o presidente rasgou uma vez mais a Constituição diante do olhar impassível do Procurador Geral da República, Augusto Aras, cúmplice do genocida, para ameaçar o STF e publicar um decreto para impedir que governadores e prefeitos fechem o comércio ou limitem a atividade durante a pandemia. Afirmou que não aceitaria contestação dos tribunais. Acusou o ministro Luis Roberto Barroso de ter feito “politicalha” ao mandar o Senado instalar a CPI, embora sabendo que errado estava o presidente da Câmara Alta, que para proteger o capitão empurrou com a barriga a abertura da Comissão de Inquérito, cujo pedido preenchia todos os requisitos constitucionais. Errado estava Rodrigo Pacheco e não o STF, que confirmou a decisão de Barroso por 10 votos contra 1.

Dizem alguns que Bolsonaro é como o cão, que ladra mas não morde. A verdade não é bem assim, mesmo se as declarações insanas têm o objetivo de animar a sua base política. O país vive em clima de queda de braço permanente e, enquanto não é governado, as pessoas, dezenas de milhares de pessoas, vão morrendo feito moscas.

Face à tragédia, a solução proposta é a privatização do SUS, ou seja do alicerce da saúde pública no Brasil.

O único compromisso do presidente é consigo mesmo, com a sua ninhada e com a promessa de tudo destruir à sua passagem. É a política da terra arrasada. Dentro desta lógica, nessa mesma quarta-feira, investiu contra a China, nosso maior parceiro comercial e principal fornecedor de insumos para vacinas.

“É um vírus novo, disse, ninguém sabe se nasceu em laboratório ou por algum ser humano [que] ingeriu um animal inadequado. Mas está aí. Os militares sabem que é guerra química, bacteriológica e radiológica. Será que não estamos enfrentando uma nova guerra?”

O presidente brasileiro parece não ter se dado conta de que Donald Trump perdeu as eleições, continua a repetir o discurso anti-China do ex-ocupante da Casa Branca. Para tanto, é apoiado pelo filhote Eduardo, aquele do hambúrguer, e pelo ex-chanceler olavista Ernesto Araújo, dois arautos da guerra contra Pequim.

Bolsonaro fechou a semana ignorando as regras sanitárias e gerando aglomeração com motoqueiros em Brasília; estava sem máscara e disse que pretende realizar atos semelhantes em outras cidades. Como se a CPI realmente não passasse de mera “xaropada”.

Por ter provocado aglomeração, o líder da extrema-direita portuguesa, André Ventura, está sendo investigado e poderá ser condenado a 4 anos de prisão.

Fora do Brasil, Jair Bolsonaro é visto como o pior mandatário do mundo na gestão da pandemia, título concedido pelos jornais e cientistas mais conceituados. Nesse início de maio, o Parlamento Europeu debateu a gestão da pandemia pelo presidente brasileiro, taxada de “necropolítica, negacionista e irresponsável”.

“Por ação ou omissão, a necropolítica de Bolsonaro constitui um crime contra a humanidade que deve ser investigado”, disse em plenário o eurodeputado espanhol Miguel Urbán Crespo, aplaudido por seus pares.

Artigos são publicados diariamente na grande imprensa, que nada tem de esquerdista, escritos por gente estupefata com o inferno dantesco em que se transformou o país.

O que muitos não conseguem entender, sendo portanto incapazes de explicar, é por que o presidente tem o apoio incondicional de um terço do eleitorado. O correspondente da Deutsch Welle no Brasil, como bom jornalista, passou um ano entrevistando pessoas que votaram em Bolsonaro, para explicar o fenômeno aos seus seguidores. Mas finalmente baixou os braços e confessou : – Decidi parar de falar com bolsominions ; não aguento mais, é uma loucura !

De fato, a visão que o Brasil projeta hoje é deplorável. Em 43 anos de vida na França jamais vi nada igual. Na Europa, a opinião (até entre alguns políticos de extrema-direita) é que Jair Bolsonaro e sua gangue são psicopatas perversos, dignos de usar camisa-de-força, de serem interditados. Não se consegue compreender o que acontece, nem a passividade popular e muito menos ainda a atração exercida pelo « mito », que com a ajuda de pastores evangélicos, olavistas, militares, milicianos, empresários do tipo Havan, formou uma verdadeira seita em torno de si, recriação do Templo do Povo do reverendo Jim Jones.

Para a loucura do presidente parece não caber interdição e sim cadeia, onde deverá terminar os seus dias caso sobre um resquício de Justiça após a sua passagem.

Minha intuição diz que seu grande sonho nunca foi se tornar presidente da República (o que exige um mínimo de preocupação com o Brasil), mas ser comandante-em-chefe das forças armadas, que em várias ocasiões afirmou lhe pertencerem. Autoritário, candidato a ditador, adorador da tortura, ele quer mandar, certo de que o Brasil é uma caserna e os brasileiros, seus soldados. Saboreia a revanche da sua expulsão do Exército. Os únicos livros que folheou na vida foram para os exames da Academia de Agulhas Negras. A Constituição, só segurou na hora da transmissão da faixa presidencial. E olhe lá! Aposto que nunca abriu.

Um dos poréns é que os militares próximos do presidente cabularam a aula magna da Academia Militar sobre os direitos e deveres em tempo de guerra, fazendo com que passasse batida a Convenção de Genebra. Formaram-se portanto sem saber que até no conflito armado há regras. Os soldados da ativa e de pijama que circulam pelo Palácio desconhecem limites e consideram que a palavra do comandante é lei, mesmo que contrária à própria lei. “Manda quem pode, obedece quem tem juízo”; plagiando o general ex-ministro da Saúde. Nesse universo não reina a força da lei, impera a lei da força, sobretudo contra pretos e pobres.

Natural portanto que com Bolsonaro os gastos militares tenham superado os da ciência e da diplomacia. O Ministério da Defesa gastou 572 milhões de reais com ações da pasta e das Forças Armadas na pandemia. Os gastos militares superam as despesas do governo federal com ciência e tecnologia, segurança pública, direitos humanos e diplomacia no combate à Covid-19.

Bolsonaro declarou guerra à ciência, à medicina e à vida. Ao invés de ter o vírus como alvo, declarou guerra ao STF, guardião do Direito, Poder que tem ousado desafiar a sua autoridade para fazer cumprir a Carta Magna e a lei, do direito dos índios a comer durante a pandemia e terem vagas em hospitais públicos à abertura da CPI da Covid no Senado.

A chacina do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, que completou a semana, é corolário dessa ideologia: 27 favelados mortos, acusados de tráfico. Bolsonaro, desde o primeiro dia de seu mandato, defendeu o excludente de ilicitude, abrindo caminho ao uso da força letal indiscriminada pelos policiais. Assim, protegidas pela palavra presidencial, as polícias (seriam milícias?) abrem fogo e matam ao arrepio da lei, contra o que estabeleceu o STF. Há um ano, o Supremo determinou limites para ações de policiais nas comunidades durante a pandemia. Em vão.

O massacre, que incluiu execuções sumárias de acordo com testemunhas, embora cometido pela polícia civil do Rio de Janeiro se insere na ideologia de morte pregada pelo Executivo federal. Ordem de prisão é coisa do passado, a regra é atirar para matar. A polícia entra na casa de uma família, vê uma pessoa deitada, desarmada, e metralha.

Bolsonaro criou a figura da “pena de morte informal”, sem necessidade de condenação.

Na operação, quatro habitantes da favela foram presos e torturados. Mas preferiram não relatar as agressões aos médicos do Instituto Médico Legal, pois ao contrário dos procedimentos, os policiais permaneceram na sala enquanto os peritos trabalhavam. Depois, foram encaminhados para o presídio de Benfica, sem direito à audiência de custódia, muito embora obrigatória. O laudo da perícia das drogas apreendidas tampouco seguiram as normas legais. Nada mais normal, pois afinal, como diz o vice-presidente general, « É tudo bandido ! » Ou como diz o capitão, “traficantes que roubam e matam”; ambos referindo-se, obviamente, sem nenhuma prova, aos favelados mortos. Dos 27 mortos, apenas 3 eram alvos de mandado de prisão.

Para eles, bandidos são os manifestantes presos por chamarem o genocida de genocida, Rodrigo Pilha, torturado por agentes penitenciários, os mineiros detidos, falsamente acusados de terem atirados ovos nos bolsominions. Ou ainda os trabalhadores sem terra, que Bolsonaro (no dia da chacina) recomendou o assassinato, ao comemorar a autorização para que os fazendeiros possam circular armados dentro de seus latifúndios e atirar para matar sem somação: ”Se encontrar o ilícito lá mete fogo, porra!”

« Algo está errado » ; replicou o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, reclamando a abertura de investigações imparciais internacionais sobre Jacarezinho. « O uso da força deve ser o derradeiro recurso, o combate à criminalidade precisa ser equilibrado e proteger a população. »

Palavras ao vento…Gato escaldado, o Alto Comissariado não confia na objetividade das autoridades brasileiras, incapazes de levar adiante uma investigação imparcial. Com toda razão.

Na visão bolsonarista de mundo, a vida (dos outros) não tem importância. E se o outro for preto e pobre, menos ainda. No combate ao crime como na luta contra o coronavirus, 420 mil mortes após o início da pandemia, o fascista mor não muda uma vírgula em sua forma de ser e de agir. O que faz de seus seguidores, cúmplices.

A chacina do Jacarezinho e a morte de milhares de vítimas da “política sanitária” são duas faces da moeda bolsonarista.

O fato de que 30 % ou mais sigam cegamente o « mito » e estejam prontos a reelegê-lo diz muito sobre quem somos. Dezenas de milhões de brasileiros parecem ter se despido da aparência humana para abraçar o que de pior marcou a humanidade : de Mussolini a Hitler, passando pelas Cruzadas, pela Inquisição, pela escravidão. Outros 30 % estariam dispostos a ficar em cima do muro, como os poloneses de Cracóvia, que fingiam não ver o que acontecia do outro lado da cerca de arame farpado que os separavam dos fornos crematórios (certamente mal cheirosos) de Auschwitz.

Isso me leva a pensar que trazemos em nós o que há de mais abjeto. Um dia a sociologia explicará esse desatino. Hoje, o que vemos não faz sentido. Na pandemia foram os pobres que mais perderam empregos e renda, as crianças que ficaram sem merenda nem estudos, os que mais morreram de Covid sem direito sequer a oxigênio, que foram as principais vítimas dos preços que subiram 29% nos alimentos básicos. Mesmo assim, segundo o DataFolha, a decepção com Bolsonaro é muito maior entre os mais ricos. Quase um terço dos pobres considerariam o governo Bolsonaro bom ou ótimo.

Machismo, racismo, homofobia, autoritarismo, discriminação de gênero, revolta contra o “sistema”, fundamentalismo religioso, medo do futuro e necessidade do herói salvador, talvez sejam um início de explicação para essa mixórdia fétida em que nos transformamos.

O mundo implora para que o Brasil comece enfim a combater seriamente a pandemia, usando os utensílios científicos à disposição, abandonando definitivamente os kits, os falsos tratamentos preventivos. Nós parecemos não estar nem aí, mesmo se a estratégia de Bolsonaro, ou falta de, venha a deixar caminho livre à circulação do vírus e a consequente multiplicação de variantes, sob pena de colocar em perigo o resto do planeta.

Agimos na pandemia da mesma maneira irresponsável como fazemos contra o aquecimento climático ; dando de ombros, tentando jogar a nossa parcela de culpa sobre os ombros de terceiros, que insistem em não colaborar com alguns bilhões de dólares.

A diferença agora é que o mundo começa a acordar e rechaçar a chantagem de Bolsonaro, Salles e o rebanho.

No dia 29 de abril, uma equipe internacional publicou um estudo alarmante na revista Nature Climate Change: nos últimos dez anos a Amazônia brasileira rejeitou mais gás carbônico do que absorveu.

Segundo os cientistas, esse dado constitui uma mudança maior e inédita na história da humanidade. Por causa da atividade humana, a Amazônia, que fornecia 20% do oxigênio do planeta, está literalmente morrendo. E nós com ela.

O que fazer antes que seja tarde demais, que tenhamos atingido o “point de non retour”? Por onde começar?

Num primeiro momento, ambientalistas, economistas, e políticos europeus sensibilizados com a causa ecológica propõem o abandono imediato do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. Por duas razões:

Antes de mais nada porque não se assina um acordo com um país cujo dirigente viola os direitos humanos e não dá a mínima para os seus próprios engajamentos ambientais. Depois, porque o conteúdo desse acordo é em si uma catástrofe climática, que de acordo com um estudo dirigido pelo economista Stefan Ambec irá acelerar o desmatamento da Amazônia em ao menos 25% nos próximos seis anos, ou seja, de 30 mil quilômetros quadrados de floresta por ano. Isso sem falar na destruição da biodiversidade, explosão das emissões de gazes de efeito estufa, ameaça sobre as populações autóctones e morte de camponeses e pequenas plantações.

Em outras palavras, o acordo provocaria um etnocídio acompanhado de um ecocídio, razões pelas quais Jair Bolsonaro já é acusado no Tribunal Penal Internacional de Haia.

O capitão, encurralado e pressionado, reage da única maneira que sabe: desrespeitando tudo e todos, xingando, dando porrada pra’ tudo quanto é lado. O império da lei, o Estado de Direito, não faz parte da sua definição de Democracia, que começa e termina na eleição. Eu ganhei, logo eu mando. Genocida, nazifascista, um dia responderá por seus crimes, mesmo que um terço do Brasil seja cúmplice da matança e da destruição.

Como disseram os eurodeputados, Bolsonaro não é apenas um perigo para o Brasil, é o inimigo número 1 do mundo

República das Bananas com orgulho

“Nada é impossível de mudar. Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar”,  Bertolt Brecht

Terrorismo de estado é o que melhor define o que aconteceu no Jacarezinho. A polícia em nome do estado, executou 28 cidadãos, entre eles 3 que tinham contra si, mandados de prisão. Ao que parece, todos os demais foram vítimas de uma vingança pela morte de um policial no inicio da operação.

A operação levada a cabo, mesmo com as restrições impostas pela justiça durante a pandemia, mostram que no Brasil a lei não é igual para todos. Enquanto o presidente e o Véio da Havan podem passear de moto sem o uso obrigatório de capacetes se divertindo em meio as valas de mais de 400.000 brasileiros que perderam a vida pelo Covid, cidadãos são impunemente assassinados por quem deveria protegê-los em meio a uma operação policial. Enquanto a Casa Grande se diverte, o andar de baixo é massacrado.

O Brasil vai se desnudando e mostrando sua verdadeira face de uma bela República das Bananas. Este estereótipo de país Latino Americano, cujo termo foi criado pelo cronista americano O. Henry, data de 1904 e foi atribuído a Honduras, se refere a um país politicamente instável, submisso a um país rico e governado por um corrupto e opressor. Este é o Brasil de hoje.

Em qualquer país civilizado, onde vigora o estado de direito, os responsáveis pelo que aconteceu já estariam presos. Uma comissão externa da polícia estaria criada para investigar o que aconteceu e recomendar punições e formas de evitar sua repetição. Nenhuma sociedade civilizada pode aceitar menos do que isso.

Não existe justificativa para o ocorrido. Existe sim o exemplo de outros massacres policiais como o do Carandiru em 1992, que resultou na morte de 111 detentos. Aqui também ocorreu o Terrorismo de Estado, quando detentos sob a custódia do estado são mortos em uma verdadeira chacina.

O Brasil é hoje um dos locais para o qual a maioria dos países criou restrições de viagem, seja para receber brasileiros, seja de proibição de visitas por parte de seus cidadãos. A falta de enfrentamento da pandemia por parte do governo central, o descontrole geral com a vacinação, tornam o país um pária internacional.

Se não bastasse o mundo assiste, atônico, o presidente confrontar e hostilizar o maior parceiro econômico, a China, que por acaso também é o maior fornecedor dos insumos para as vacinas, o que mostra a intenção de manter o genocídio com a média de mais de 2.000 mortes por dia levando em breve a triste marca de meio milhão de mortos.

Agora a isto se somam as cenas chocantes do resultado de uma tragédia anunciada. No bastião do bolsonarismo, na terra das milícias, do maior número de governadores acusados por corrupção, vem a pior notícia. O Rio de Janeiro é terra sem lei e sem ordem.

Diante de tudo o que está acontecendo não deixa de ser interessante a postura da oposição e do povo em geral. A incapacidade de se organizar manifestações contra o governo, de exigir os merecidos cuidados com a vacinação e exigir a punição por um massacre destes, é surpreendente.

Nos EUA a morte de um cidadão negro pela polícia resulta em manifestações que duram semanas. Na Colômbia a tentativa de criar uma lei que prejudicaria as classes menos favorecidas levou o povo as ruas em todo o país. Nenhum povo pode se acovardar diante de uma injustiça.

Infelizmente o brasileiro é atualmente um povo de plastas. Se sujeita a todo tipo de exploração, de espoliação, de subjugação e de injustiças, sem se indignar. Quando muito se dá o trabalho de dizer o que pensa em suas redes sociais.

As ruas por enquanto são daqueles que no dia do trabalhador, afrontam a democracia exigindo uma ditadura militar com Bolsonaro. Eles são a voz do Brasil de hoje, os únicos que se organizam e se manifestam.

É deles o brado que um dia foi nosso combatendo a ditadura, “Longe vá temor servil, ou ficar a pátria livre ou morrer pelo Brasil”. Neste caso, livre de nós que somos seu temor.

Um país esgotado e no fundo do poço

Muita gente deve estar se perguntando o que acontece depois do STJ ter confirmado que Moro nunca poderia ter julgado Lula, e mesmo que o tenha feito, ser declarado um juiz parcial, a pior acusação a um magistrado.

A primeira vista parece um contrassenso. Se primeiro foi declarado que os casos envolvendo o ex-presidente não poderiam ter sido julgados em Curitiba, tudo o que seguiu a este fato perde a validade. No entanto a suprema corte fez questão de julgar os atos cometidos pelo ex-juiz também. Sábia decisão.

Moro perseguiu Lula para impedir a sua candidatura e assim abriu caminho para a chegada ao poder de Bolsonaro a quem serviria mais tarde como Ministro da Justiça. Isto ainda não foi mérito de julgamento ainda. Moro se locupletou de suas decisões, algo nunca visto antes na jovem democracia brasileira.

O que foi decidido confirmou o que já se sabia e vinha sendo denunciado há muito tempo. Ainda assim, tem gente inconformada, e com alguma razão dizem que Lula não foi absolvido de seus crimes. As decisões do que aconteceu em Curitiba foram anuladas e os processos foram remetidos para Brasília onde ele pode se tornar novamente réu e se julgado, vir a ser condenado.

Claro que esta possibilidade existe, mas esquecem o principal, o que foi decidido depois da anulação foi a perseguição a Lula que se deu sem a preocupação em apresentar provas. Lula foi primeiro condenado, depois julgado. Bastaram convicções para colocá-lo na prisão. Assim sendo, se os processos forem recebidos, existe a possibilidade de sequer serem levados a julgamento.

É preciso lembrar que os lavajatistas se vangloriavam pela condenação em segunda instância pelo TRF-4. Lá, em tempo recorde, Lula teve confirmada sua condenação e teve sua sentença precisamente aumentada para cumprir pena de prisão. Estes 3 desembargadores tiveram participação ativa no conluio e não podem ficar impunes. Eles serviram a mesma quadrilha e seus atos deram legitimidade aos atos de Curitiba.

Quando o STF diz que Moro foi parcial, está mandando um sinal claro a quem vier a receber as denúncias. Existem provas cabais no processo? Ele aponta os crimes cometidos e a ligação do acusado com  eles sem sobra de dúvida? Enfim, a denúncia está consubstanciada de maneira a permitir uma acusação formal? Em outras palavras, existe a possibilidade concreta das denúncias não serem aceitas.

Todas as pesquisas eleitorais colocam Lula em primeiro lugar de preferência se as eleições fossem hoje, não importa contra quem. O povo lentamente começa a se dar conta de que foi ludibriado. Induzido a acreditar numa farsa, boa parte da população acreditou que aquele grupo de procuradores realmente desejava livrar o Brasil da corrupção e colocar os corruptos na cadeia, começando por quem diziam ser o master criminoso nacional.

Acrescente a isso uma boa campanha de marketing baseada em Fake News bancada pelos setores empresariais e divulgadas pela mídia conservadora, as vezes de fato, as vezes fazendo vista grossa pelas correntes de WhatsApp, e o resultado foi avassalador. O projeto de afastar Lula e destruir o PT foi quase alcançado. Estiveram muito próximos de alcançar seus objetivos.

O que talvez não contassem, é que aquele Meme que dizia que haviam colocado um idiota na presidência, mas não precisava ser tão idiota, era real. Mesmo sabendo do passado de Bolsonaro, acreditaram que os fins justificavam os meios. O resultado é que aquele idiota se mostrou um total inepto e levou o país ao fundo do poço. Incapaz de exercer o cargo para o qual foi eleito, é uma caricatura de si mesmo, um zumbi com a faixa de presidente caminhando sem rumo.

Claro que os terraplanistas e adeptos de teorias conspiratórias vão seguir louvando o que chamam de mito. Nada os fará desistir de seguir seu líder. Eles são como o ajudante de Drácula. Seguem cegamente o mestre não importa o quanto ele os use e humilhe, nunca vão deixar se enganar pelos comunistas que desejam retomar o poder. Sim o Brasil foi comunista, pouca gente sabia disso, mas aí já é outra história.

A esperança no Brasil pegou Covid

Existem momentos na história onde não somos capazes de prever o futuro. Muitas empresas pagaram caro por isso, algumas devido a sua arrogância, outras devido a sua burrice mesmo.

São muitos exemplos desta falta de bom senso, ou como queiram chamar. Lembram das empresas de Máquinas de Escrever antes dos computadores? Antes disso mais longe no tempo, as empresas de transporte que utilizavam carruagens com a chegada dos veículos movidos a motor. E os fabricantes de filmes para máquinas de fotografia, de toca-discos, e por aí vai. Todos insistiram que seus negócios eram eternos.

A cegueira de muito empresários levou a ruína suas empresas e com elas o desemprego de milhares de trabalhadores. A história está recheada de exemplos e ainda assim até os dias de hoje, muita gente se recusa a aprender com o passado repetindo os mesmos erros.

O mundo hoje disponibiliza informações para todos. A Internet permitiu que qualquer ser humano, praticamente em qualquer ligar do planeta, acesse a rede para obter informações e ensinamentos que antes eram restritos a poucos. Hoje com um celular nas mãos e um acesso a rede, podemos explorar o mundo todo.

Quando falamos de pandemias, a maior delas a Gripe Espanhola, está lá para nos ensinar do que um vírus é capaz. Foram milhões de mortos, uma tragédia mundial com a qual quase, ou nada aprendemos. Repetimos os mesmos erros. Sabemos como devemos nos comportar, ainda assim, deixamos a desejar.

Aprendemos muito neste ano que passou. Temos conhecimento sobre o que enfrentamos, o que pode ser feito e o que não deve ser feito. Cada país fez suas apostas no enfrentamento e com isso temos clareza com relação ao que deu certo e ao que fracassou. Todos são unânimes em alguns aspectos.

Primeiro o óbvio que é o uso de máscaras, distanciamento social e higiene. Estas três regras ajudaram todos os países do mundo no combate ao Covid-19. Depois temos o Lockdown, o fechamento da atividade econômica com a população impedida de circular. Este meio se mostrou eficaz para reduzir o fator “R” (o número de novas infecções causadas por uma pessoa infectada), e consequentemente reduzir o número de novos doentes. Por último a aplicação das vacinas, a única maneira de prevenir a doença.

Em paralelo sabemos que não existe tratamento medicamentoso preventivo. Para os mais antigos, é como se tomar Vitamina C, prevenisse a gripe, como quiseram nos fazer crer no passado. Também sabemos os percentuais de casos que vão se tornar graves e, infelizmente o número dos que vão a óbito.

Todas estas informações permitem aos países que dispões de um comitê de crise, municiar as autoridades com o que deve ser feito, seja lançar mão do Lockdown, de aumentar o número de leitos de UTI, de disponibilizar respiradores e estoque de oxigênio, e obviamente a compra de vacinas.

A importância de vacinar a população no menor prazo de tempo possível é essencial para reduzir a circulação do vírus e as consequentes mutações. A ciência sabe que todo vírus se adapta. Sua mutação normalmente aumenta sua capacidade de driblar as defesas humanas se tornando mais letal. Quanto antes ele é combatido, menor o número de mutações. As novas mutações do Covid-19 fazem dele um vírus mais agressivo, mas infeccioso e que agora é capaz de atacar crianças também.

Como eu comecei escrevendo, houveram momentos na história em que decisões mal calculadas levaram a ruína de negócios centenários. Não foi diferente com o Covid-19. O número de mortos poderia ter sido menor em muitos países se tivessem tomado as medidas necessárias que levassem a um menor impacto causado pelo vírus. Felizmente, quase todos eles, a exceção do Brasil entre as grandes nações, aprenderam a lição e mudaram sua tática de enfrentamento da pandemia. Aprenderam com seus erros e corrigiram suas ações.

O que o mundo assiste hoje, e o que os brasileiros estão vivendo é o inicio da perda de controle e o colapso dos hospitais na sua capacidade de receber e tratar novos pacientes com a falta de UTIs. Os médicos já devem estar escolhendo quem vai morrer e quem vai ter uma chance de tratamento. A mesma coisa aconteceu na Itália no ano passado, mas is italianos aprenderam da pior maneira a não menosprezar o vírus e outros países não repetiram o mesmo erro.

Com a circulação livre do vírus devido a falta de vacinas, o consequente aumento de mutações pode tornar as vacinas existentes ineficazes no Brasil. Uma tragédia anunciada em um país onde não existe um comitê nacional de crise e o Ministro da Saúde é um milico que não sabe sequer como abrir um bandeide.

Se o Brasil não decretar um Lockdown nacional de pelo menos 3 semanas, se não aumentar muito o ritmo da vacinação, o país vai conhecer sua maior tragédia humana em tempos e paz de sua história. Uma carnificina de total responsabilidade de seu presidente, o único entre os países do G20 a não ter se vacinado e continuar negando a importância da vacinação.