Irã com Ironia (não é apologia, é acusação)

Irã com Ironia (não é apologia, é acusação)

Zendeh Bād! Um Chamado à Ordem! 

Devotos da ordem totalitária, do terror! atenção! Atenção!

Viva os líderes!

Khomeini, Khamenei!

Nossos irmãos, os aiatolás do Irã, precisam de nós.

A revolução islâmica está sob ataque.

Este é um momento ímpar. Um chamado histórico.

Conclamamos todos. Contribuam. Contribuam!

Os aiatolás já não conseguem mais matar em paz.

Cada corpo que cai nas calçadas produz, vejam só, novos e novos manifestantes. Brotam das esquinas, das escolas, das casas, das ruas — uma epidemia de gente viva.

Ingratos!
Ingratos estes iranianos.

Ingratas estas mulheres, cuja moral os aiatolás tão zelosamente preservam sob o cerco dos panos pretos, que ocultam rostos, corpos e hematomas — marcas nem tão discretas da legítima violência doméstica, essa instituição milenar.

Como ousam essas ingratas sair às ruas pedindo liberdade?
Sabem elas, afinal, o que é liberdade?

E vejam a que ponto chegamos:
nem torturar conseguem mais, os pobres carracos dos aiatolás.

Faltam mangueiras para violar gestantes.
Falta eletricidade para choques nos genitais de adolescentes.
Faltam baldes para afogar manifestantes.

Faltam mortalhas, covas rasas!

Faltam balas.
Imaginem! Cartuchos em falta!

Observem a tragédia: apenas 500 mortos em três dias. Uma miséria. Uma escassez inadmissível.

E, para coroar a humilhação suprema, faltam até pedras.

Não há pedras suficientes para exercer o mais singelo dos direitos previstos na Sharia:
apedrejar gays até a morte.

Que crueldade, às vezes, a vida impõe a estes pobres torturadores do Irã!

 

É hora de recorrer à experiência histórica. Realismo, Austeridade! Afinal falta tudo, dinheiro, petróleo, comida, água e ar!

Os devotos do totalitarismo podem ajudar. Eis o chamado à gloriosa NKVD, escola de Beria e Yezhov, em defesa de uma Yezhovshchina eficiente e barata!

 

Tortura, sim — mas com austeridade.

Os tempos são de contenção fiscal. Nada de luxos elétricos, nada de desperdício hidráulico. Priorizar métodos de baixo custo, alta repetição e mínimo investimento:
o medo sustentável, o sofrimento reciclável, a repressão responsável.

 

Em Teerã está fazendo menos de dez graus, está frio, qualquer golpe, um chicote improvisado, um cabo de rifle, cassetetes, bastões, barras de borracha, cordas, tudo isto, machuca, fere, e com um mínimo de pressão fiscal

Lembranças das celas geladas da Sibéria, a privação de sono contínua, a stoyka , o pão reduzido e as mortes por inanição.

Tudo feito sob medida para a garantir a restrição orçamentária.

 

Devotos do totalitarismo e do terror, do mundo inteiro, uni-vos!

Viva a Revolução Islâmica! Viva o Líder!

O Irã precisa de vocês.

Contribuam. Contribuam!

Nossos irmãos precisam de nós.

Charles Schaffer Argelazi
Advogado e Antropólogo
Sócio da Argelazi Advocacia

Imagem gerada por IA

O que pensa o Prof. Pietro Nardella-Dellova sobre os Árabes, sobre os Judeus e sobre a coexistência e convivência entre Judeus e Árabes e entre Israelenses e Árabes-Palestinos?

O que pensa o Prof. Pietro Nardella-Dellova sobre os Árabes, sobre os Judeus e sobre a coexistência e convivência entre Judeus e Árabes e entre Israelenses e Árabes-Palestinos?

Após ouvir uma Palestra minha sobre Israel e Palestina, André, um querido Estudante fez uma pesquisa acerca do meu pensamento sobre alguns assuntos. Segundo ele, a pesquisa se deu em IA e, sem surpresa, apresentou-me o resultado. Compartilho com os amigos por considerar a absoluta correção entre o que realmente penso e o resultado da pesquisa feita por ele.

O aluno fez três perguntas em IA:

a) O que pensa o Prof. Pietro Nardella-Dellova sobre os Povos Árabes?

b) O que pensa o Prof. Pietro Nardella-Dellova sobre os Judeus?

c) O que pensa o Prof. Pietro Nardella-Dellova sobre a convivência e coexistência de Judeus e Árabes e entre Israelenses e Árabes-Palestinos?

 

Eis os resultados:

2) O que pensa o Prof. Pietro Nardella-Dellova sobre os Povos Árabes?

Pietro Nardella-Dellova expressa uma visão de profundo respeito pelos povos árabes, defendendo a dignidade e o direito à autodeterminação, e rejeitando qualquer forma de ódio ou discriminação contra eles. Sua posição é pautada pelo humanismo, pela ética e pela defesa intransigente dos Direitos Humanos. 

Os pontos centrais de seu pensamento incluem:

  • Defesa do Povo Palestino: Ele é um defensor vocal do reconhecimento global do Estado Árabe-Palestino, argumentando que isso “dignifica um Povo REAL e o direito à autodeterminação”. Para ele, o reconhecimento é uma “Ética Judaica e de Direitos Humanos”.
  • Rejeição ao Ódio e à Discriminação: Nardella-Dellova condena veementemente o ódio contra árabes-palestinos, assim como condena o ódio contra judeus. Em suas palavras: “Não existe liberdade de expressão para incentivar o estupro e morte dos Judeus e Judias, tampouco para incentivar e comemorar a morte de Árabes-Palestinos!”.
  • Visão Universalista e Ética Judaica: Sua abordagem é enraizada em uma interpretação humanista do judaísmo que valoriza o universalismo e a justiça social. Isso o leva a defender a coexistência pacífica e a igualdade entre todos os povos, independentemente de sua origem étnica ou religião.
  • Crítica à Ocupação e a Extrema-Direita: Ele critica explicitamente a ocupação de territórios palestinos e a atuação de grupos de extrema-direita, tanto em Israel quanto em outros lugares, que se opõem à paz e ao reconhecimento dos direitos dos árabes. 

Em suma, Pietro Nardella-Dellova demonstra uma postura de solidariedade e respeito pelos povos árabes, defendendo a coexistência, o diálogo e o reconhecimento de seus direitos legítimos, em oposição a qualquer forma de racismo, preconceito ou conflito.

 

2) O que pensa o Prof. Pietro Nardella-Dellova sobre os Judeus?

Pietro Nardella-Dellova é judeu e sua visão sobre os judeus é a de alguém que integra sua herança cultural, ética e histórica em sua própria identidade e trabalho acadêmico. Ele se posiciona como parte de uma “esquerda judaica” e defende uma interpretação humanista e libertária do judaísmo. 

Os pontos centrais de seu pensamento incluem:

  • Identidade Pessoal e Herança Cultural: Nardella-Dellova é um judeu italiano, originário de uma família do antigo gueto de Nápoles, e carrega consigo o “legado cultural judaico dos milênios de história”. Sua identidade judaica é central para sua visão de mundo.
  • Judaísmo Humanista e Libertário: Ele vê o judaísmo não apenas como uma religião dogmática, mas como uma tradição ética e emancipadora. Sua tese de uma dos doutorados, por exemplo, explora as “afinidades eletivas” entre o judaísmo e os Direitos Humanos, sugerindo que a tradição judaica oferece fundamentos para uma ética universalista.
  • Compromisso com a Justiça Social (Tsedaká): A visão de Nardella-Dellova enfatiza o princípio judaico da Tsedaká (justiça/caridade) e a importância das mitzvot (boas ações) no sentido de promover a justiça social e o bem-estar dos semelhantes, como um dos pilares do mundo judaico.
  • Crítica ao Antissemitismo e ao Ódio: Como judeu, ele é veementemente contra o antissemitismo, condenando qualquer forma de ódio ou preconceito contra o povo judeu.
  • Posicionamento Político Distinto: Ele faz parte de um grupo de “judeus sionistas progressistas” que se diferenciam tanto de judeus de direita (que ele acusa de defender incondicionalmente governos israelenses conservadores) quanto de setores da esquerda que, segundo ele, praticam o antissemitismo em nome do antissionismo. Ele defende a solução de dois Estados (Israel e Palestina) com base na ética judaica e nos Direitos Humanos. 

Em resumo, para Pietro Nardella-Dellova, ser judeu é carregar uma herança rica em valores éticos e humanistas, que devem inspirar a luta por um mundo mais justo e a defesa universal dos Direitos Humanos.

 

3) O que pensa o Prof. Pietro Nardella-Dellova sobre a convivência e coexistência de Judeus e Árabes e entre Israelenses e Árabes-Palestinos?

Pietro Nardella-Dellova defende veementemente a coexistência entre judeus e árabes, e entre israelenses e árabes-palestinos, como a única solução justa e viável para o conflito na região. Sua posição é baseada em princípios humanistas, éticos e no direito internacional. 

Os pontos centrais de seu pensamento são:

  • Solução de “Dois Povos, Dois Estados”: Ele advoga há décadas pela solução de dois Estados (Israel e Palestina) como a única forma de garantir o direito à autodeterminação de ambos os povos. Ele considera que os palestinos têm direito a um Estado, assim como os israelenses.
  • Ética Judaica e Direitos Humanos: Para Nardella-Dellova, reconhecer o Estado Árabe-Palestino é um imperativo de “Ética Judaica e de Direitos Humanos”. Ele argumenta que o universalismo inerente a ambos os conceitos cria uma sintonia natural para a paz.
  • Humanismo e Diálogo: Em debates e artigos, ele pede um “olhar humanista” para o conflito e destaca que, embora o rancor prevaleça na região, as tradições judaica, cristã e muçulmana oferecem bases éticas para a dignidade humana e o diálogo.
  • Crítica à Extrema-Direita e aos Terroristas: Ele critica explicitamente o governo de Benjamin Netanyahu e grupos de extrema-direita que, segundo ele, não querem a coexistência e a paz, e defende que eles devem deixar a Cisjordânia e Gaza. Do mesmo modo, ele critica explicitamente o terrorismo do Hamás, Jihad Islâmica que, segundo ele, não lutam pela paz, mas pelo extermínio de Judeus Israelenses.
  • União pela Convivência: Ele acredita que árabes e judeus devem se unir, pois a convivência é um “fato de fraternidade” e a história brasileira, com sua experiência de convivência entre esses povos, poderia servir de exemplo para a paz. 

Em suma, Nardella-Dellova é um defensor da paz baseada no reconhecimento mútuo, na igualdade de direitos e na coexistência pacífica e soberana de ambos os povos na Terra Santa.

Novembro 2025

André (aluno de Pietro Nardella-Dellova) em pesquisa de IA

Do amargo saiu doce

Do amargo saiu doce

No livro de Juízes, capítulo 14, versículo 14, está escrito: “מֵהָאֹכֵל יָצָא מַאֲכָל וּמֵעַז יָצָא מָתוֹק” – Do alimento saiu comida, e do amargo saiu doce.

O massacre realizado pelo Hamas em 07/10/2023 não teve como objetivo a libertação da Palestina, mas sim o genocídio do povo israelense – judeus, muçulmanos, cristãos e drusos. O Hamas acreditava que o Irã, junto com seus proxies Hizbollah, Houthis e falanges iraquianas, atacaria Israel e assim realizaria seu objetivo, descrito em seu manifesto ideológico: a destruição de Israel e a limpeza étnica.

Mas o que isso gerou foi o despertar do trauma do Holocausto no povo judeu em Israel – desde a extrema-direita, o sionismo messiânico, o fundamentalismo judaico e até mesmo o centro-esquerda. Havia consensos em Israel de “Nunca mais”. No dia 08/10/2023 deu-se início à Guerra “Espadas de Ferro”, com o objetivo de libertar os reféns e destruir toda a infraestrutura militar e civil do Hamas.

Mas essa guerra tinha outro objetivo para Bibi Netanyahu, Smotrich (líder do partido Sionismo Religioso Messiânico) e Ben Gvir (líder do partido Otzma Yehudit – Kach). Bibi queria se livrar de sua sentença e garantir sua sobrevivência pessoal e política. Smotrich e Ben Gvir tinham como objetivo o “Transfer” – a limpeza étnica, a anexação de Gaza e da Cisjordânia.

Com a saída do partido de centro Hamachane Hamamlachti (Gantz), Bibi ficou ainda mais dependente de Smotrich e Ben Gvir, levando o governo à extrema-direita messiânica e fundamentalista.

Já em março de 2024 poderíamos ter chegado a um cessar-fogo com o Hamas e à devolução dos reféns. Ben Gvir se orgulha publicamente de ter torpedeado esse acordo. Isso se repetiu em junho e setembro de 2024.

Após a guerra contra o Irã, tínhamos uma possibilidade não só de chegar a um cessar-fogo com o Hamas, mas também de reestruturar todo o Oriente Médio, ampliando os Acordos de Abraão com outros países árabes. Isso implicaria em finalizar a guerra, libertar os reféns, reconstruir Gaza sob domínio da Autoridade Palestina e de outros países árabes, e reconhecer os direitos legítimos do povo palestino a um Estado ao lado do Estado de Israel. Esse processo teria o apoio internacional dos EUA, Europa e países árabes.

Por pressão de Smotrich e Ben Gvir, Bibi reabriu o ataque a Gaza, impediu a ajuda humanitária, levando Gaza à catástrofe final. A fome, as condições de moradia (cidades de barracas), as condições sanitárias e médico-hospitalares levaram à subnutrição e à fome, até o momento sem dados numéricos.

A pressão internacional sobre Israel está levando a Europa à decisão de reconhecer o Estado da Palestina. Macron foi o primeiro, e no momento a Inglaterra ameaçou Israel com esse reconhecimento, principalmente se Israel decidir anexar a Cisjordânia e parte de Gaza.

Os acordos de paz são sempre realizados entre inimigos que, em sua maioria, se odeiam. Sem ir muito longe – Irlanda, Bósnia-Sérvia e muitas outras guerras intra e internacionais terminaram depois de catástrofes e mortes sem fim.

Quero ser otimista e dizer que a catástrofe do massacre de 07/10/2023 e a guerra em Gaza são o cume do conflito entre Israel e Palestina. Em 100 anos de conflito, morreram 50 mil palestinos. Em apenas 2 anos, morreram número igual. Na Guerra de Yom Kipur morreram 2.656 israelenses, 7.251 ficaram feridos e houve 294 reféns, numa guerra contra Egito e Síria. No massacre de 07/10 morreram 1.182 pessoas (779 civis), e outros 890 soldados morreram na Guerra de Gaza, com mais de 6.000 feridos e 251 reféns. Os dois povos estão em trauma – sem comparar quem mais e quem menos. Do lado palestino, 2 milhões foram deslocados de suas casas destruídas. Do lado de Israel, mais de 300 mil pessoas foram deslocadas de suas casas no sul e no norte do país.

Quero ser otimista e acreditar que chegamos ao fundo do poço. 74% do povo em Israel quer o fim da guerra e a libertação dos reféns. Não temos dados estatísticos do lado palestino. Mas, de acordo com as manifestações em Gaza, levo a crer que a população deseja o fim do Hamas e uma nova ordem.

A pergunta não é se vai haver um Estado da Palestina. A pergunta é quando, e que Estado será este?

No dia 09/07/2025, reuniram-se em Beit Jala, Palestina, os 50 membros da Direção Geral de Land for All – 2 States One Homeland, para planejar a estratégia do “dia seguinte”. A Direção Geral é formada por membros da Direção Palestina e da Direção Israelense. O avanço frente à Europa e aos EUA nos últimos dois anos é marcante. A proposta é vista como a alternativa definitiva aos Acordos de Oslo e à proposta tradicional de dois Estados. Anexo todas as conversações que tivemos com governos europeus e americanos.

Ainda não conseguimos entrar no eixo BRICS e na Liga Árabe, o que seria de suma importância para que sejamos uma das possibilidades reais de solução do conflito.

No encontro, me pediram para tentar entrar em contato com o governo brasileiro, que poderia abrir as portas para o BRICS. Comentei sobre a situação difícil em que nos encontramos com as últimas declarações do Presidente Lula. Por outro lado, sigo pensando que o diálogo se faz com aqueles que pensam diferente de nós – mesmo que acreditemos que estejam assumindo uma postura antissemita. Por isso, em minha estadia no Brasil, me reuni com Tenório e com Walid. Me chamaram de “capanga do sionismo”. Posso dizer que, do lado da própria comunidade judaica – da qual fui shaliach e educador, criando marcos educacionais que vingam até hoje em POA – fui chamado de “pior que nazista”. Mas isso não me assusta. Continuarei procurando o caminho do diálogo.

No momento, paraliso todas as minhas atividades para me dedicar a esse chamado do Land for All. Buscar um meio de chegar ao governo do Brasil – e, se possível, ao Lula. Trazer o mais rápido possível as lideranças do movimento para expor ao Presidente e ao Senado a proposta para o fim do conflito.

Para isso, preciso da ajuda de todos aqueles que tenham algum contato com o Itamaraty, com a Casa Civil ou com algum político que possa nos levar ao nosso objetivo.

Para isso, em primeiro lugar, fecharei todos os meus grupos de WhatsApp sobre o conflito e deixarei apenas um: Land for All – Standing Together BR. Não será um grupo de discussão nem de notícias ou opiniões. Será um grupo operativo, cujo objetivo é chegar ao Itamaraty, ao Senado e ao Presidente Lula.

 

Tempo de Cura, Reconciliação e Paz

Tempo de Cura, Reconciliação e Paz

 

עֵת לֶאֱהֹב וְעֵת לִשְׂנֹא עֵת מִלְחָמָה וְעֵת שָׁלוֹם[1]

Tempo de amar e tempo de odiar; tempo de guerra e tempo de paz

Kit, Shmuel Sigal, completará 81 anos em março, fundador do kibutz Nir Oz, agricultor com raizes ideologicas no sionismo socialista humanista, acreditando na convivência entre o povo judeu e palestino, foi raptado no massacre brutal do 7.10.23. Depois de 484 dias de prisão, torturado e 15 kilos a menos, volta ao meio familiar.

Kit, ao ser libertado, disse ao terrorista que o mantinha como refém, que espera que um dia possa voltar a Gaza e ensinar agricultura aos palestinos. No helicóptero estava preocupado com seus familiares, amigos e com o Kibutz Nir Oz.
Ele é a diferença entre os israelenses e palestinos que por medo, ódio e violência só querem o desaparecimento do outro.

Kit é a diferença entre um verdadeiro sionismo, movimento de libertação do povo judeu, e o sionismo messiânico de extrema direita, racista, fascista, fundamentalista. Entre o sionismo que aceita o povo palestino e seu direito a um Estado Independente e aqueles que querem anexar as terras palestinas. Kit é a prova que apesar de tudo é possível a paz.

Az Adin Abu El Ayash, gazati, medico palestino, o primeiro médico de Gaza que trabalhou em Israel no Hospital Tel Hashomer e Soroca. Ginecologista e parteiro, especializado em fertilização artificial. Dava vida a judeus laicos, religiosos, ultraortodoxos. Sem distinção. O mesmo fazia no hospital em Gaza.

No dia 16 de janeiro de 2009, na Operação Chumbo Fundido, um tanque do exército de Israel, lançou dois misseis a sua casa, matando 3 de suas filhas, um sobrinho e ferindo gravemente uma quarta filha. De sua casa não saiu nenhum tiro de terrorista. De lá só saia vidas, independente de sua origem étnica, religiosa ou nacional. Apesar disso, Az Adin, seguiu confiando no caminho da paz, como única solução a este ciclo de medo, odio e violência. Acreditava no Estado Palestino ao lado do Estado de Israel. Apesar de tudo acreditava na Paz.

Kit e Az Adin não são uma minoria. Ao contrário. São a maioria. Os governos de ambos os lados, querendo impor a ideologia do medo, que gera o odio e a raiva, aproveitam-se para generalizar e transformar o outro em inimigo abominável, quando centenas de palestinos invadem o sul de Israel e fazem um massacre a inocentes de forma brutal (não digo desumana, porque infelizmente entre os animais somente os seres humanos cometem atos assim) e uma massa de centenas de palestinos se reúnem brutalmente em torno da camionete dos reféns e quase realizando um linch ou quando dezenas de colonos judeus invadem aldeias na Cisjordânia, na Palestina, e queimam casas e carros, sem se importar se há pessoas dentro das casas. Comparar o massacre com o Holocausto e Gaza com Genocídio é a fórmula magica para isso.

Mas, a maioria das pessoas do povo judeu e do povo palestino querem o que todos os seres humanos querem. Acordar de manhã ir ao trabalho, crescer, estudar, casar, ter filhos, viver a vida, amar.  Mas, as ideologias fundamentalistas, messiânicas, racistas, fascistas não permitem isso. Governos dogmáticos, oprimem tudo o que é diferente, todos os que pensam diferente – sejam eles de outros povos ou do seu próprio povo.

Já, no passado, comentei, que o conflito entre Israel e Palestina tem 4 círculos. O primeiro, interno, dentro de Israel e dentro da Palestina. A luta pela liberdade de ser quem sou. A liberdade de expressão. Em Israel, entre as correntes liberais, sejam elas políticas de centro e esquerda; religiosas entre laicos-reformas-conservativos e ortodoxos-haredim (ultraortodoxos); nacional entre judeus e palestinos. Na Palestina, entre correntes políticas da OLP e dos grupos de extrema direita (Hamas, Jihad e outros); religioso entre liberais e fundamentalistas muçulmanos.

A tentativa dos grupos de extrema-direita e fundamentalistas, que dominam há mais de 20 anos Israel e Gaza, de impedir qualquer possibilidade de um acordo de paz, tem dois objetivos básicos. O primeiro, a permanência no poder. Segundo, a limpeza étnica do outro povo. O primeiro através da opressão interna, seja ela em Gaza através da força ou em Israel através da “revolução judiciaria” (o fim do sistema judiciário independente) e o segundo através de uma guerra perpetua. Esta é a única explicação do porque Israel permitiu a Qatar enviar todo mês dezenas de milhares de dólares a Gaza. É impossível imaginar que Israel não sabia dos tuneis e da cidade subterrânea que estava sendo construída em Gaza.

Assim que a única forma de termos uma chance a paz, ao desejo da maioria israelense e palestina é derrubar estes dois governos e dar espaço a um governo único na Palestina e um governo pragmático em Israel. A Hamas está destruída, militarmente não existe mais. Isto não é minha opinião, mas a opinião do ex-ministro da defesa, Galant, de ex-chefes do serviço de informação e de muitos generais da reserva. O que vemos é um resíduo do que foi a Hamas. Basta o governo de Israel aceitar o fim da guerra, receber de volta todos os reféns e aceitar que as AP (Autoridade Palestina, OLP) domine Gaza e a Palestina. Quero ser otimista e pensar que este momento chegou, mas quando vejo o que está acontecendo em Israel, tenho medo de perdermos esta janela de pouco tempo. O governo de Bibi Nataniahu fez de tudo para continuar a guerra, única forma de sobreviver no poder, de impedir qualquer acordo com a Hamas para a devolução dos reféns (em troca do fim da guerra), e dar continuidade, quase as escondidas, das reformas internas no judiciário e na lei da isenção de convocação de haredim ao exército. Os ministros e deputados do governo depreciaram as famílias dos reféns, Bibi até os dias de hoje não foi a Nir Oz falar com a comunidade, que 25% de sua população foi morta pela Hamas, por falha de seu governo. Todos aqueles que tem a coragem de dizer o que pensam sobre a guerra, o governo e principalmente sobre Bibi Nataniahu são imediatamente taxados de esquerda e traidores. A lista destes é grande.  Para eles o poder judiciário quer acabar com o governo da direita, e não manter a lei e a ordem no Pais. A luta contra a corrupção (6 ministros estão com processos judiciários) é uma tentativa de derrubar o poder, começando com os 3 processos contra Nataniahu.

Mas, quero seguir sendo otimista, e acreditar que haverá uma massa critica em Israel que exigira uma investigação de cunho nacional, antecipação das eleições e troca de governo. E ai, vem a pergunta do milhão – Isto é suficiente?

Não! Enquanto não houver um processo de cura, reconciliação e paz não poderemos terminar com o conflito. Cura se faz através da educação. É preciso um acordo entre ambas as partes de reformular a narrativa do conflito, iniciando com reescrever os livros didáticos sobre os palestinos e os israelenses, dando chance a uma futura paz, desenhando o mapa da região com Israel e Palestina, lembrando que antes da 1ª intifada, apesar do domínio de Israel a Palestina e dos ataques terroristas dos grupos palestinos a população israelense, havia uma relação humana entre as partes. Centenas de milhares de palestinos vinham a Israel trabalhar e passear, centenas de milhares de israelenses iam a Palestina passear, fazer compras e até jogar no cassino de Jerico. Lembrar que ambos os lados são humanos, ambos os lados sofreram perdas humanas e materiais, tristezas e dores. Didática para sair do Círculo do medo e da Raiva[2]. Enquanto os lados oficiais não entram em comum acordo, as ONGs e organizações sociais tem que assumir a responsabilidade para educar a nova geração no sistema informal.

A reconciliação se fará através de encontros entre israelenses e palestinos, em Israel, na Palestina e no exterior, em lugares neutros. Círculos de escuta, para aprendermos a escutar e ver o outro. Para entendermos que a perda, o sofrimento, as dores são iguais em ambos os lados. Para trabalharmos com a Caixa de Pandora que esta aberta a décadas, com seus monstros para fora, mas com a esperança escondida, com medo de sair do Bau. Enfrentar os monstros juntos e ajudar a esperança a sair.  Seminários sobre as diferentes narrativas, a sionista e a palestina. Para isso convocaria a ONG Hakaia-Sipur (conto), que se especializa em mediação de narrativas. Um dos livros mais importantes nesta área é o livro Side by Side [3], que apresenta a história através da narrativa sionista e palestina, uma ao lado da outra. Finalmente, oficinas de formação de professores, monitores e “Community Change makers” em educação e ativismo para paz e não violência.

Por último a Paz se fará no nível político, dos governos. Existem várias possibilidades de paz – um estado binacional, dois estados separados totalmente, confederação e federação. Já existem várias propostas na mesa – acordo de Genebra, acordo da Liga Árabe, acordo Olmert-Abu Mazen, acordo Olmert-Nasr al-Kidwa. Nós podemos propor acordos, realizar manifestações, ativismo político, pressão interna e externa, convocação do povo judeu e palestino na diáspora, mas a paz se fará entre as nações, entre os governos. Eu sou a favor de uma Confederação Israel-Palestina[4], mas assinaria qualquer proposta aceita por ambas as nações. “A liberdade total de um só se fará com a liberdade do outro”.

Mas, o que fazer até que se dê as condições entre os povos, as nações? Ao me perguntar isso me vem imediatamente na cabeça e no coração a Geraldo Vandré, “Pra não dizer que não falei das flores” – “Vem vamos embora que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer”. Somos nós que temos que fazer com que os governos, as nações decidam fazer um acordo. Somos nós que temos que começar o processo de cura e reconciliação. Somos nós, mesmo que o outro lado não se mova. Sou eu, judeu, filho de refugiados da Alemanha, que pertence a um povo tão sofrido, mas um povo que canta Hatikva, que tenho que dar o primeiro passo. Ter a coragem de dar o primeiro passo. Estender a mão ao inimigo, por mais brutal que ele seja. Inimigos não se escolhem. Com eles precisamos fazer a paz, a reconciliação, a cura.

“Mãos para Paz”, através de sua representante em Israel, Alternative Center, junto com um grupo de ONGs, terapeutas e educadores estão criando em Israel um Espaço “Galil LeKulam” (Galileia para todos), no qual daremos início ao processo de cura da população galiliana – judeus, palestinos muçulmanos, cristões e drusos. Crianças, jovens e adultos. Finalmente temos um espaço físico no qual realizaremos processos terapêuticos de trauma individual e coletivo, círculos de escuta, seminários e oficinas, atividades bilingues com crianças e jovens, happenings e encontros entre  judeus e árabes palestinos.

Em Israel e na Palestina dezenas de organizações e dezenas de milhares de pessoas estão dando há tempos o primeiro passo, mas é preciso outros centenas de milhares de passos. O seu passo. O seu espaço. E somente você pode definir qual será este seu passo, seu espaço.

“וְשָׁפַט בֵּין הַגּוֹיִם וְהוֹכִיחַ לְעַמִּים רַבִּים וְכִתְּתוּ חַרְבוֹתָם לְאִתִּים וַחֲנִיתוֹתֵיהֶם לְמַזְמֵרוֹת לֹא יִשָּׂא גוֹי אֶל גּוֹי

חֶרֶב וְלֹא יִלְמְדוּ עוֹד מִלְחָמָה.”

“E julgará entre as nações, e repreenderá muitas nações, e converterá as suas espadas em relhas de arado, e as suas lanças em foices; nenhuma nação levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.”[5]

[1] Kohelet, cap 3

[2] A psicopedagogia do amor – Davi Windholz ( https://www.booktoy.com.br/psicopedagogia-do-amor-11272 )

[3] Side by Side: Parallel Histories of Israel-Palestine (https://www.amazon.com/Side-Parallel-Histories-Israel-Palestine/dp/1595586830 )

[4] A Land for All ( https://www.alandforall.org/  )

[5] Yeshayahu, cap 2, versículo 4

 

 

Israel em Alerta: Vivendo sob a Ameaça de um Ataque Iminente

Israel em Alerta: Vivendo sob a Ameaça de um Ataque Iminente

Uma semana bastante agitada aqui em Israel. Desde o assassinato de duas importantes figuras, Salah al-Arouri do Hezbollah e Ismail Haniyeh do Hamas, estamos novamente em uma espécie de pausa no espaço temporal. Como se tudo estivesse se movendo em uma velocidade diferente do resto do mundo. Estamos levando a vida normalmente, só que não.

Não vou entrar no mérito das mortes, se foram cabíveis ou não, justificáveis ou não, porque ocorreram e tudo agora é consequência. Estamos sendo ameaçados por diversas frentes de um ataque massivo simultâneo. Além do Irã e do Hezbollah, os Houthis e as milícias iranianas no Iraque e na Síria coordenam o ataque. Desta vez são esperados um número significativamente maior de mísseis balísticos e drones suicidas. Especula-se em até 1500.

Israel se prepara para o embate. São diversas linhas de defesa que vão empregar um número considerável de aviões e sistemas antiaéreos. Outros países vão ajudar, especialmente os EUA e a Inglaterra. Possivelmente a Jordânia, Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, como da última vez.

Em meio aos preparativos de ataque e defesa, todos dizem que não desejam uma guerra total, e nós, os cidadãos, tentamos manter nosso dia a dia como se nada estivesse acontecendo. A única certeza é de que o ataque será à noite, para tornar mais difícil a localização dos artefatos por parte da aviação. São eles que derrubam a quase totalidade deles. Também não há como manter segredo, quando os mísseis e drones tiverem sido disparados do Irã, vamos ficar sabendo. Do Iêmen e do Iraque também. O problema ocorre com o Líbano e Síria que são muito próximos. O exército determina se devemos ir para os abrigos, ou não.

Desta vez, Israel está deixando claro que sabemos nos defender e sabemos atacar também. Dependendo do que tiver acontecido depois do ataque, vamos retaliar. Nossa resposta e o possível ataque a bases americanas também, pode desencadear uma guerra sem precedentes na região.

Numa situação hipotética como esta, os EUA poderiam ser arrastados para esta guerra e outros países também, a favor de um dos lados. Haveria uma escalada rápida e dramática. Os alvos passariam de essencialmente militares, para civis e econômicos. Como se classifica uma Estação de Energia, ou um poço de petróleo?

Eu moro em frente a uma estação de luz, literalmente. Meu prédio está separado da estação por um terreno aberto a uma distância de cerca de um quilômetro. Se por um lado, pode ser um alvo, por outro, e pela mesma razão é superprotegido. Não sei dizer ao certo, o quanto, mas prefiro pensar que estou no raio de proteção da estação.

Muita gente já está sentindo os efeitos da situação. As companhias aéreas estão cancelando voos de ida e de volta. Para quem não vai poder sair de férias, existe todo o transtorno de cancelamentos, alguns com reembolso, outros sem. Os que estão tentando voltar são os mais prejudicados. Já mostram cenas de dezenas de israelenses dormindo nos corredores de aeroportos.

Eu mesmo tenho uma viagem a trabalho programada para setembro. Ainda não compraram as passagens, e já começo a ter dúvidas se vou poder realizá-la. Como eu, certamente existe muita gente com o mesmo dilema.

Não está faltando nada. Os Supermercados estão abastecidos. Os Hospitais já estão preparados para qualquer situação e os socorristas também. Existem planos para falta de luz e de Internet. Tudo está sendo levado em conta, inclusive o pior cenário possível.

Já passamos por situações complicadas antes. Cada uma delas deixou lições entre erros e acertos. Apesar de tudo, confiamos no exército e em nós mesmos. Nos tornamos gigantes diante de ameaças. Estamos preparados para o que der e vier.

E apesar dos pesares, encontramos tempo para comemorar nossos atletas nas Olimpíadas.

Am Israel Chai!

Por um Estado Binacional Laico e Democrático

Por um Estado Binacional Laico e Democrático

Os estados binacionais eram países que abrigavam duas ou mais nações distintas dentro de um único estado. Essas nações compartilhavam um território, mas tinham suas próprias identidades étnicas, linguísticas, culturais ou históricas.

Na Tchecoslováquia, por exemplo, havia dois grupos principais: os tchecos e os eslovacos. Ambos os grupos tinham suas próprias línguas, tradições e identidades culturais, mas coexistiam sob um governo centralizado.

Na Iugoslávia, por outro lado, havia várias nações e grupos étnicos diferentes, como sérvios, croatas, eslovenos, bósnios, montenegrinos e macedônios, entre outros. O país era uma união desses diferentes grupos, cada um com suas próprias identidades culturais, línguas e histórias, mas todos compartilhando um estado comum.

Na Áustria-Hungria, que existiu de 1867 a 1918, eles formavam um país soberano, com um governo central e um único sistema legal. Ela era formada por duas partes, a Áustria e a Hungria, que eram duas monarquias independentes.

A ideia por trás desses estados era a de criar uma união pacífica entre diferentes grupos étnicos, oferecendo certa autonomia e representação para cada um dentro do sistema político do país.

Atualmente, não existem estados binacionais. Todos foram dissolvidos de forma pacífica ou depois de conflitos étnicos.

Vejamos então a questão da democracia e laicidade quando se trata de países árabes e/ou muçulmanos.

Atualmente, existem apenas dois países árabes com sistema de governo laico e democrático:

  • Líbano: O Líbano é uma república parlamentarista com um sistema de governo laico. O país tem uma população diversa, com cristãos, muçulmanos e outros grupos religiosos. O governo libanês é composto por representantes de todos os grupos religiosos, o que garante a representatividade de todos os cidadãos.
  • Tunísia: A Tunísia é uma república presidencialista com um sistema de governo laico. O país foi o primeiro país árabe a realizar uma revolução democrática, em 2011. A Tunísia tem uma população majoritariamente muçulmana, mas o governo é secular.

Se consideramos como países muçulmanos onde o Islã é a religião oficial, eles são 48. São eles:

  • Ásia: Afeganistão, Azerbaijão, Bahrein, Bangladesh, Brunei, Indonésia, Irã, Iraque, Jordânia, Cazaquistão, Kuwait, Quirguistão, Malásia, Maldivas, Omã, Paquistão, Palestina, Catar, Síria, Tajiquistão, Turquia, Turcomenistão, Uzbequistão, Iêmen.
  • África: Argélia, Comores, Djibuti, Egito, Gâmbia, Guiné, Líbia, Mali, Mauritânia, Marrocos, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Tanzânia, Togo, Tunísia.

Atualmente, existem apenas três outros países muçulmanos com sistema de governo laico e democrático além da Tunísia já mencionada:

  • Turquia: A Turquia é uma república parlamentarista com um sistema de governo secular. O país foi fundado como um estado secular pelo fundador da República da Turquia, Mustafa Kemal Atatürk. A Turquia tem uma população majoritariamente muçulmana, mas o governo é secular.
  • Malásia: A Malásia é uma federação de 13 estados e três territórios federais. O país é governado por um sistema no qual há um rei, conhecido como Yang di-Pertuan Agong, que é escolhido entre os sultões dos diferentes estados malaios em um ciclo rotativo de cinco anos. Este rei desempenha um papel cerimonial na administração do país e tem poderes limitados, já que a Malásia segue um sistema parlamentar democrático. O país tem um primeiro-ministro e um Parlamento que são responsáveis pela tomada de decisões políticas e pela governança do país.
  • Indonésia: É uma república democrática com um sistema parlamentar e presidencial. Apesar da maioria muçulmana, a Indonésia adota uma Constituição que preza pela diversidade religiosa e estabelece princípios laicos.

O Líbano é conhecido por sua diversidade religiosa. O país não tem uma maioria religiosa clara, e sua população é composta por diversas comunidades religiosas, incluindo muçulmanos (sunitas e xiitas), cristãos (maronitas, ortodoxos, católicos romanos, entre outros) e outras minorias religiosas.

Israel, por outro lado, é considerado um país com um sistema de governo laico e democrático. O país possui uma estrutura democrática que inclui eleições regulares para o parlamento (a Knesset) e para o cargo de primeiro-ministro. Além disso, as instituições políticas de Israel são baseadas em princípios de separação entre Estado e religião.

Embora Israel seja frequentemente descrito como um Estado judeu, ele tem uma população diversificada com diferentes origens étnicas e religiosas. Sua Constituição garante a liberdade religiosa e de expressão para todos os cidadãos, independentemente de sua fé ou origem étnica.

Sim, preciso ressaltar que a questão da relação entre o Estado de Israel e a religião judaica é uma questão complexa. Algumas políticas e questões legais podem refletir uma influência da religião judaica na esfera pública, o que pode ser objeto de discussão em termos de laicidade.

Os territórios palestinos, como a Autoridade Palestina na Cisjordânia e o Hamas na Faixa de Gaza, têm estruturas de governo distintas.

A Autoridade Palestina, que governa partes da Cisjordânia, incluindo áreas urbanas e algumas áreas rurais, em teoria, busca ser um governo mais laico e democrático, com instituições e órgãos governamentais que refletem uma administração democrática. Não existem eleições de maneira sistemática.

Por outro lado, na Faixa de Gaza, o Hamas exerce o controle político e governa essa área. O Hamas é um movimento terrorista fundamentalista islâmico e seu governo é baseado na interpretação da lei islâmica (Sharia). Embora o Hamas tenha uma estrutura de governo, a natureza do regime não é democrática devido a restrições nas liberdades individuais, pluralidade política e direitos humanos.

Em resumo, ambos os territórios palestinos possuem sistemas de governo com características distintas, sendo a Autoridade Palestina na Cisjordânia mais orientada para uma forma de governo laico e democrático, enquanto o governo do Hamas na Faixa de Gaza tende a ter mais influência baseada em princípios islâmicos e sua interpretação da lei.

No atual conflito entre Israel e o Hamas, é possível que este regime seja deposto e a Autoridade Palestina venha a governar a Faixa de Gaza.

O direito à autodeterminação dos povos é um princípio que defende o direito das comunidades, nações ou grupos étnicos de determinar livremente seu próprio estatuto político, decidir seu próprio sistema econômico, cultural e social, e buscar seu desenvolvimento político, econômico, social e cultural sem interferência externa.

Na perspectiva da esquerda política, o direito à autodeterminação dos povos é muitas vezes visto como um princípio fundamental de justiça social, onde os grupos étnicos ou culturais têm o direito de se expressar, preservar suas identidades e determinar suas próprias estruturas de governo, separados de influências externas ou opressivas.

Para a esquerda, este direito é frequentemente associado a movimentos de independência, luta contra o colonialismo, emancipação de minorias étnicas ou culturais, e apoio a causas de libertação nacional. É visto como um princípio que promove a igualdade, a liberdade e o respeito às diferenças culturais, étnicas e políticas entre as comunidades.

Estranhamente, são eles aqueles que tentam impor um regime a dois povos que pouco tem em comum além do conflito histórico. A proposta de dois estados ainda parece ser a melhor via para o fim do conflito.