Gammadion

Na semana passada, caminhei pelas ruínas de Citópolis, a cidade romana de Beit Shean, com um primo querido que veio da Argentina me ver depois de trinta anos, e encontrei uma cruz de braços dobrados assentada no piso de uma cidade cujas colunas o terremoto do ano setecentos e quarenta e nove derrubou e deixou deitadas onde caíram. Três décadas de ausência encolheram diante de uma figura que jaz ali há mais de doze séculos, posta por um artesão que não podia imaginar o dia em que ela seria bordada nas braçadeiras de quem quis nos exterminar.

Os oleiros de Atenas já a pintavam nas faixas dos seus vasos no século oitavo antes de Cristo, e os gregos a chamaram de gammadion porque cada braço repete a letra gama, de onde vem, em português, o nome cruz gamada. Os romanos a encadearam nas bordas dos pisos, os judeus desta terra a desenharam nos mosaicos das sinagogas de Beit Alfa e de Ein Gedi, e na Índia ela ainda se chama svastika, palavra sânscrita para bem-estar. Em toda parte ela queria dizer mais ou menos o mesmo, o sol que volta, a sorte, e a roda das estações, e assim atravessou quase três mil anos, até que um partido de Munique que ainda cabia no salão de uma cervejaria a pôs no centro da sua bandeira, em mil novecentos e vinte. Vinte e cinco anos depois, o desenho continuava igual ao dos oleiros, apenas girado sobre uma das pontas, e fora da Ásia ninguém mais conseguia vê-lo como decoração, porque um símbolo carrega para sempre aquilo que se fez à sombra dele.

A figura do piso de Citópolis voltou à minha lembrança na quinta-feira, vinte e quatro de setembro, quando Benjamin Netanyahu subiu à tribuna da Assembleia Geral enquanto dezenas de delegações saíam, entre elas a do país onde nasci, e convidou com um sorriso os covardes morais que restassem no salão a fazer o mesmo. Eu já esperava alguma performance, porque ele raramente atravessa o Atlântico em setembro sem apresentar algo no palco, e o repertório inclui as plantas de Auschwitz em dois mil e nove, a bomba de desenho animado cortada por uma linha vermelha em dois mil e doze, e o código QR na lapela no ano passado. Desta vez ele tirou um pager do bolso e deixou uma antena Starlink com o presidente da Assembleia para a delegação iraniana, que não estava no salão para recebê-la.

Não queria dizer isto, mas, na minha opinião, sempre que se posiciona ou abre a boca, Netanyahu se parece cada vez mais com Labão, entre todos os personagens da Bíblia. Ephraim Ganor escreveu no Maariv, antes do discurso, que o primeiro-ministro usaria o microfone das Nações Unidas para falar aos próprios eleitores a um mês das nossas eleições.

Não trago a cruz gamada para pendurá-la no pescoço de ninguém, e sei com que facilidade o mundo vira essa comparação contra nós. Trago-a porque Netanyahu conhece tão bem o peso de um símbolo que nesta semana comparou aos nazistas os sequestradores de Entebbe, e porque o discurso de quinta-feira tinha o seu próprio refrão, uma frase que ele fora buscar num laranjal.

O trecho mais bem escrito do discurso se passa nos pomares em volta de Ramla, em junho de mil novecentos e sessenta e sete, quando um rapaz de dezessete anos que terminava o ensino médio nos arredores da Filadélfia voou para casa cinco dias antes da guerra, encontrou o país às escuras, e saiu à procura do irmão entre os paraquedistas acampados nos laranjais. Achou-o no fim de uma fileira de árvores, um oficial de vinte e um anos espantado com a visita, e os dois dividiram um café de campanha até que o mais novo perguntou o que ia acontecer e ouviu de Yoni, depois de uma pausa, que iam vencer porque não tinham outra escolha. Nove anos depois, em Entebbe, Yoni comandou o grupo que invadiu o terminal e foi o único soldado morto na operação. Acredito em cada palavra do relato e reconheço a quem perdeu um irmão desse modo o direito de repetir pelo resto da vida a frase que guardou daquele dia.

O primeiro-ministro exerceu esse direito pelo menos seis vezes num único discurso, do relato de sessenta e sete à última linha, depois de Mark Twain e do versículo sobre a eternidade de Israel, incluído o juramento a um reservista ferido nesta semana. Ao fim, a frase já não descrevia guerra nenhuma em particular e servia de moldura para todas, e molduras assim só comportam histórias que terminam bem. Na versão contada em Nova York, os cento e três reféns de Entebbe voltaram todos para casa, enquanto os registros da operação contam cento e dois resgatados, três mortos no tiroteio do terminal, e uma senhora de setenta e quatro anos, Dora Bloch, levada a um hospital de Kampala e assassinada depois por ordem de Idi Amin.

Os defensores do primeiro-ministro dirão que o que ele descreve é absolutamente verdadeiro, e têm a seu favor um país atacado nos últimos três anos pelo Hamas, pelo Hezbollah, pelos houthis, por milícias no Iraque e na Síria, e pelo próprio Irã, cujos mil mísseis balísticos foram disparados, segundo Netanyahu, contra um território do tamanho de Nova Jersey ou de Sergipe, o menor estado do Brasil. Quem já fez de madrugada o caminho até o abrigo sabe que ali ninguém escolhe nada, porque a sirene não oferece alternativa, e o sete de outubro ensinou a todos nós quanto custa acreditar que o Hamas não fizesse o que sempre disse que queria fazer. Não conheço israelense que ouça a frase de Yoni com indiferença, e não me conformo em vê-la transformada em pedido de voto justamente porque ela ainda nos alcança.

O homem que fundou o partido de Netanyahu recusou essa moldura diante de oficiais do exército em oito de agosto de mil novecentos e oitenta e dois, dois meses depois de mandá-lo ao Líbano. Menachem Begin foi ao Colégio de Defesa Nacional explicar a diferença entre guerras sem escolha e guerras escolhidas e disse que em junho de sessenta e sete também tínhamos tido escolha, que as concentrações de tropas egípcias no Sinai não provavam que Nasser estivesse prestes a atacar, e que era preciso ser honesto conosco mesmos, porque nós tínhamos decidido atacá-lo. Ele considerava aquela guerra legítima defesa no sentido mais nobre e falava para justificar a sua própria, que acabaria por consumi-lo, mas pôs a palavra escolha sobre a mesa com o próprio nome ao lado. Um ano depois, viúvo e com os mortos do Líbano mais pesados do que conseguia carregar, disse aos ministros que não podia continuar e passou os quase nove anos que lhe restavam praticamente sem sair de casa.

A diferença entre Begin e Netanyahu cabe inteira na palavra escolha, porque quem diz que escolheu fica com o peso nos próprios ombros, e quem repete que nunca teve escolha o reparte entre nós, o inimigo, e a história, e sai de mãos livres para não depor diante de comissão alguma. Mesmo quando a guerra não pode ser evitada, a frase de Yoni resolve apenas se é preciso lutar e nada diz sobre como, e quem governa decide esse como todos os dias e, com ele, quem morre e quantos morrem.

Netanyahu exibiu o pager em Nova York como suvenir, com a piada de que o Hezbollah certamente se lembrava daquilo, e o aparelho era parecido com o que tocou em dezessete de setembro de dois mil e vinte e quatro sobre a mesa de uma cozinha em Saraain, no Vale do Bekaa. Fatima Abdullah acabava de voltar do primeiro dia de aula do quarto ano, pegou-o para levá-lo ao pai e ainda o segurava no momento da explosão. O ataque daquele dia matou doze pessoas e feriu perto de duas mil e oitocentas, a maioria no rosto, nas mãos, e no abdômen, e boa parte das vítimas era de terroristas do Hezbollah, mas duas crianças estavam entre os mortos.

Em Gaza o Ministério da Saúde registra quase setenta e quatro mil mortos, número que o nosso governo contesta e que um levantamento independente publicado na revista Lancet considerou abaixo da realidade nos primeiros quinze meses da guerra. Muitos eram terroristas do Hamas, mas não setenta e quatro mil, e o nosso próprio exército falava no ano passado em pouco mais de vinte e dois mil. Do nosso lado a conta começa numa manhã de sábado, com mil e duzentos mortos num país que ele já governava, e ficará em aberto enquanto o governo dele recusar, três anos depois, a comissão estatal de inquérito que mais de setenta por cento de nós pedimos nas pesquisas. Netanyahu nunca assumiu coisa alguma, e quando lhe cobraram o sete de outubro, no começo deste ano, lembrou que o ex-chefe do Shin Bet, o ex-chefe do Estado-Maior, e o ex-chefe da inteligência militar não tinham comparecido à Controladoria do Estado, e ele sim. Esqueceu-se de acrescentar que os três tinham assumido a parte que lhes cabia e deixado os seus postos, enquanto ele continua no dele. Nenhuma dessas mortes cabe numa frase dita às vésperas de outra guerra, e todas passaram, uma por uma, por decisões tomadas por gente que tinha escolha, o próprio Netanyahu inclusive.

Não arrisco um palpite sobre o que o país vai decidir no dia vinte e sete de outubro, mas sei o que gostaria de ouvir de quem vier pedir o meu voto, uma frase tão honesta quanto a de Begin em oitenta e dois. Netanyahu nos pediu que erguêssemos a cabeça, e eu peço a cada israelense que a erga diante da urna nesse dia, porque desta vez nenhum de nós poderá dizer que não teve escolha. A frase de Yoni pertence ao oficial que de fato não tinha escolha debaixo de uma laranjeira perto de Ramla, porque quem está no pomar recebe a guerra já decidida por outros, e por isso mesmo ela não serve a um primeiro-ministro, cujo ofício inteiro é decidir. O artesão de Citópolis não tinha como escolher o que o mundo faria com o gammadion que assentou naquele piso, e Netanyahu repetiu por escolha própria a história do irmão até fazer dela um símbolo, e, como já sabemos, um símbolo carrega para sempre aquilo que se fez à sombra dele.

Der jüdische Selbsthass (O ódio judaico de si mesmo)

Na noite de trinta de agosto de mil novecentos e trinta e três, três alemães dos Sudetos simpatizantes do nazismo dispararam pela janela do escritório do andar de cima onde Theodor Lessing trabalhava, na Villa Edelweiss, a casa em Marienbad em que ele havia se refugiado, e Lessing, que fugira da Alemanha em março e participara naquele verão do Congresso Sionista de Praga, morreu no dia seguinte, aos sessenta e um anos, com a fama de ter sido um dos homens mais odiados da Alemanha de Weimar. Três anos antes, ele havia publicado Der jüdische Selbsthass, o livro que deu forma moderna à ideia do ódio judaico de si mesmo e examinou os casos de seis judeus infelizes, entre eles Otto Weininger e Arthur Trebitsch, os dois que passaram a enxergar no judaísmo a origem do mal do mundo e a alimentar, com a autoridade de quem falava de dentro, o antissemitismo dirigido ao próprio povo. Foi esse livro que pôs em circulação o rótulo do judeu que odeia a si mesmo, ao qual recorremos com uma frequência que deveria nos preocupar sempre que um judeu da Diáspora critica Israel.

O rótulo atravessou quase um século e chegou intacto, e pronto para o uso, em outubro do ano passado, quando o Washington Post publicou uma pesquisa, feita entre dois e nove de setembro com oitocentos e quinze judeus americanos, na qual sessenta e um em cada cem disseram que Israel havia cometido crimes de guerra em Gaza e trinta e nove disseram que havia cometido genocídio, proporção que subia para a metade entre os que tinham de dezoito a trinta e quatro anos. Uma das entrevistadas, Julia Seidman, moradora de Washington de quarenta e dois anos, disse ao jornal que no início Israel não tivera escolha, já que nenhum país poderia aceitar uma ameaça daquele tamanho, e que dois anos depois nada podia justificar o sofrimento a que ela vinha assistindo e que a deixava enojada.

Antes de decidir o que fazer com Julia Seidman, o leitor talvez queira saber que, no mesmo questionário, noventa e quatro em cada cem disseram que o Hamas havia cometido crimes de guerra contra israelenses, setenta e seis disseram que a existência de Israel era vital para o futuro do povo judeu e cinquenta e oito disseram sentir algum vínculo cultural ou emocional com os israelenses, o que significa, como confirma um minuto de lápis na mão, que pelo menos quinze em cada cem entrevistados acusaram Israel de genocídio e o declararam indispensável na mesma conversa. Preferiríamos que esses quinze fossem mais fáceis de classificar, porque o rótulo de Lessing, o do judeu que odeia a si mesmo, nos ocorre antes de terminarmos de ler a reportagem, e porque tem a enorme vantagem de dispensar quem o usa de ouvir o resto da frase do outro.

Não adianta fingir que nunca o usamos, ou que sempre o usamos com justiça, e quando tentei entender por que ele nos vem tão depressa, encontrei o contorno de um sistema que montamos peça por peça, um sistema em que o estrangeiro que critica Israel é antissemita, o judeu da Diáspora que critica Israel odeia a si mesmo e o israelense que critica Israel é traidor, de modo que todo mensageiro chega desqualificado pela categoria antes de dizer uma palavra e nós ficamos dispensados de ouvir qualquer um deles. Enquanto os acusadores eram quase todos gente de fora, o sistema funcionava como defesa, mas quando o acusador é um judeu que chama Israel de indispensável, ou uma mulher que começa concedendo que Israel não teve escolha e termina nauseada pelo sofrimento em Gaza, a desqualificação deixa de proteger quem quer que seja e passa a amputar um pedaço da família de que dependemos, e é diante deles, muito mais do que diante das manchetes hostis que chegam de tantas capitais, que começo a entender que há algo errado na nossa relação com o mundo, porque um sistema incapaz de distinguir Julia Seidman de Otto Weininger já não consegue distinguir ninguém.

Seria desonesto não reconhecer que o sistema nasceu de uma experiência real e que Weininger e Trebitsch ainda têm sucessores, judeus que marcham ao lado de gente que chamou o sete de outubro de ato de resistência e que negam aos judeus o direito de se considerarem um povo, assim como seria ingênuo ignorar que muito do que se diz sobre Israel no mundo vem, desconfio, de pessoas que não se interessariam por Gaza se os soldados não fossem judeus. O leitor que passou os últimos anos descendo ao abrigo no meio da noite tem direito a essa desconfiança, que também é minha, e nenhuma pessoa sensata nos pediria, depois da perda de cerca de mil e duzentas pessoas num único dia, que recebêssemos cada acusação como conselho de amigo. Mesmo esses sucessores, porém, quando se multiplicam, como se multiplicaram nos Estados Unidos desde o início da guerra os grupos de oração que se dizem antissionistas, dizem algo sobre nós, e não apenas sobre si mesmos.

O problema é que o rótulo foi cortado para caber em Weininger e Trebitsch e cai muito mal numa mulher que concede a Israel, antes de qualquer crítica, que não teve escolha, e mesmo nas mãos do próprio Lessing a expressão nunca foi arma, porque ele tratava esse ódio como um fenômeno histórico e psicológico da vida judaica como minoria na Diáspora, uma ferida antes de ser uma culpa, com a compaixão que todo diagnóstico sério pressupõe. Aplicado a trinta e nove em cada cem judeus americanos e à metade dos seus jovens, o rótulo acaba descrevendo uma população inteira em vez de uma patologia, e quando metade dos jovens de uma comunidade recebe o mesmo diagnóstico, o médico sensato começa a desconfiar do próprio instrumento.

Lessing talvez tivesse apreciado, se lhe tivessem dado tempo, mais uma ironia, a de que o homem que deu nome ao judeu que odeia a si mesmo passou os últimos anos de vida sendo tratado pelos patriotas alemães como o alemão que odiava a Alemanha, desde que publicou, em mil novecentos e vinte e cinco, um artigo contra Hindenburg, o marechal de campo que o país venerava como um santo e que, anos antes, tinha sido paciente de seu pai, que era médico, um texto que levou estudantes nacionalistas a cercar suas aulas em Hanôver até que, no ano seguinte, o ministério o afastou delas. Lessing sabia, portanto, por experiência própria, o que acontece quando uma nação ferida conclui que o crítico de dentro é mais perigoso do que o inimigo de fora, e não traço nenhuma comparação com a Alemanha daquela época quando digo que a lição vale para qualquer povo que se sinta sitiado.

O leitor perguntará o que se ganha ouvindo judeus que usam, para descrever a guerra, uma palavra que ele considera uma calúnia, e a resposta mais honesta que tenho é que ouvi-los não nos obriga a adotar o vocabulário deles, boa parte do qual não assinaríamos, mas nos obriga a admitir que muitos deles disseram duas coisas, como Julia Seidman disse duas, e que nós quisemos ouvir apenas uma. Um país que só consegue ouvir a metade hostil das frases de seus amigos acaba, com os anos, cercado apenas de inimigos, que ao menos têm a virtude de dizer uma coisa só, e perde pelo caminho a única crítica que vinha de gente que queria vê-lo durar.

Lessing morreu sem ver os judeus se tornarem maioria em parte alguma do mundo, e provavelmente estranharia que, tendo enfim um país, tivéssemos passado a usar o rótulo que seu livro pôs em circulação contra aqueles que se afligem com o que esse país faz.

Publico este texto um dia depois do Yom Kipur, que, segundo a tradição, expia nossas transgressões contra o céu, mas não as que cometemos contra o próximo enquanto não tivermos pedido perdão às próprias pessoas que ofendemos, e me parece que a tarefa não termina com o toque do shofar no encerramento do jejum.

Movimento verso l’Ebraismo

Movimento verso l’Ebraismo

 

A Fondi, il giovane professore mi ha trovato. Mi cercava da un po’ di tempo – e mi ha trovato, perché camminava in direzione del mondo ebraico.

Proprio per questo, si è riempito di soddisfazione e mi ha parlato del suo desiderio di conoscere l’Ebraismo per trovare D’io, chissà, intravedere un cammino e vincere il male (o il Male, come è più abituato).

Ma, per caso – gli ho chiesto io – ti è mai passato per la mente che HaShem (o D’io, se vuoi) non vuole (e nemmeno può) essere trovato? Per caso, hai mai pensato alla possibilità che l’Ebraismo non sia un cammino né ti dia certezza alcuna su um mondo che não sarà raggiunto? Hai pensato, ancora, che nella formazione ebraica non c’è alcuna preoccupazione per il male o per il bene (o il Male e il Bene, se vuoi) e che não c’è alcuna teologia da apprendere? Ci hai pensato?

Ebbene, nell’Ebraismo non studiamo, non cerchiamo e non vendiamo HaShem.

L’Ebraismo non ha come scopo l’incontro con Lui (o di Lui). Non possiamo dire nulla sul Male ou sul Bene, dato che sono fantasie persiane, greche, medievali, aggravate dai culti africani. Ma ci occupiamo soltanto dei comportamenti buoni o cattivi, delle scelte buone o cattive. Nell’Ebraismo non ci proiettiamo in um mondo futuro e, se futuro sarà (se lo sarà), verrà naturalmente, indipendente e dentro ciò che HaShem possa pretendere.

Non ci sono magie, non ci sono formule né preghiere che possano modificare i tempi, i cicli e la Volontà dell’Eterno!

E così, senza futuro né sorprese, impariamo a guardare le nostre mani, i nostri piedi, i nostri occhi, i nostri orecchi, il nostro corpo, i nostri sentimenti, le nostre conoscenze e tutto ciò che ci arriva per essere realizzato. Insegniamo ai nostri figli che um precipizio è proprio um precipizio (e non um concetto). Insegniamo che um giardino è proprio um giardino (e non una fantasia).

E lasciamo chiaro che, sulla nostra tavola, il pane deve essere giusto, fatto da mani giuste e acquistato con risorse giuste, poiché, quando pronunciamo qualche parola (tra di noi), non lo facciamo per ringraziare (perché i figli non ringraziano i genitori), ma almeno le pronunciamo per benedire HaShem, al fine di essere certi che quel pane non ha altra origine se non quella della giustizia, della bontà e della leggerezza…

Insegniamo, anche, che um nemico è proprio um nemico (un nemico sempre!). E il meglio per noi è che il nemico stia bene, tranquillo, occupato (molto occupato) e che abiti lontano dalle nostre case, lontano davvero! Ma il nemico non è “qualcosa” caduto dal “cielo”, um essere soprannaturale, um ribelle in Bereshit o um ente spirituale con desideri sessuali. Il nemico ha mani e piedi, ha fame e sete, ha vista e olfatto, proprio come noi. Ma lui, il nemico, non ha una tavola né um pane giusti, non ha limiti né conosce principi.

A differenza di noi, quando ha fame, mangia senza misura né criterio. Per questo allunga le mani e avanza i piedi, non curandosi di questo o di quello. E quando vede o percepisce qualcosa, il nemico la vuole per sé, in um incontrollabile desiderio mimetico, travolgente, distruttivo e fatale. Per questo desideriamo sempre che i nostri nemici abbiano tutto, si occupino parecchio e restino molto stanchi, affinché si dimentichino di noi, dei nostri portoni, dei nostri beni, dei nostri figli e delle nostre vite.

Ma noi, che non sappiamo nulla dei loro portoni, dei loro beni e dei loro figli, tuttavia non ci dimentichiamo di loro, mai ci dimentichiamo che sono nemici e vogliamo che stiano bene, e lontano da noi.

Nell’Ebraismo non discutiamo concetti teologici, non difendiamo dogmi religiosi, non cerchiamo fedeli o infedeli, non portiamo nessuno in Sinagoga, non formiamo missionari. Non disprezziamo né approviamo la religione altrui, perché l’Ebraismo è il nostro miglior silenzio, um singolare e rispettoso silenzio. E così, non siamo mai nelle piazze o agli angoli delle strade (e nemmeno sui palchi religiosi). Il palco religioso non è, in effetti, per gli ebrei… Al contrario, siamo impegnati con il nostro sudore, con i nostri libri, con le nostre Sefirôt.

Ma non studiamo l’Eterno e nemmeno pronunciamo il suo Nome! Non chiediamo nulla a Lui, ma, con un profondo e rispettoso sentimento di gratitudine e riverenza, benediciamo il suo Nome tutte le mattine e tutti i pomeriggi e, all’imbrunire, guardiamo i nostri figli, coprendoli teneramente e lanciandoli alla Presenza di HaShem…

Amiamo le Feste, contiamo sulle dita i giorni che mancano alla prossima Festa e cosa dobbiamo fare affinché siano allegre, meravigliose e umane. Le nostre Feste non proiettano nulla di magico verso il futuro né devono essere lette come profezie. Le nostre Feste sono soltanto Feste di memoria, con le quali raccontiamo la nostra storia (ai nostri figli).

Sì, caro mio, con esse raccontiamo la nostra stessa storia; per questo, da millenni, facciamo lo stesso pane dell’amarezza e della schiavitù, e non mangiamo, in quel periodo, alcun lievito, per non dimenticarci che uscire dalla schiavitù è un atto frettoloso, un atto che non permette comfort né riflessione.

Non abbiamo alcuna vergogna di dire, nelle nostre Feste, che siamo stati schiavi! Festeggiamo i nostri raccolti, il nostro momento di costituzione integrale sul Sinai, e festeggiamo i nostri nuovi periodi di lavoro, tanto lavoro, ricordandoci delle cattive azioni, dei cattivi comportamenti in un ciclo completo, delle privazioni, delle capanne (nelle quali abbiamo abitato). Inoltre, ricordiamo i momenti in cui i nostri nemici hanno distrutto i nostri palazzi, i nostri altari e come, rafforzati nei nostri principi, ci siamo liberati di loro, lottando, lottando tanto, con spade, forchette e pietre (reali).

Ricordiamo la nostra condizione in terra straniera e i governi persiani, cattolici o nazisti che hanno cercato di cancellarci dalla storia, e come persone del nostro popolo, in carne e ossa (uomini e donne), abbiano mantenuto i loro propositi chiari, il loro amore incrollabile e, con saggezza, abbiano usato tutto ciò che avevano imparato a casa, con i genitori e i fratelli, per decidere qualcosa, per fare qualcosa e stabilire che non dobbiamo scomparire dalla terra.

I nostri giorni non sono occupati, integralmente e pazzamente, da una frenesia continuata.

No! Noi ci fermiamo, sì; c’è un giorno, deliziosamente speciale, in cui ci fermiamo per mangiare un pane intrecciato, fatto da una donna amabile e soddisfatta di HaShem.

Ci fermiamo per bere il vino, per mangiare frutta, dolci e miele, per cantare con i nostri figli e le nostre figlie e, mano nella mano, danzare, punzecchiando ognuno di loro, facendo loro il solletico, scoppiando a ridere e annusando i loro capelli. Ma non facciamo loro alcun sermone religioso in questo giorno!

Ci fermiamo anche, in questo giorno, per incontrarci con altre persone che amiamo, i nostri amici che, come noi, hanno mangiato il loro pane intrecciato, fatto dalle loro donne amabili e soddisfatte di HaShem, e hanno bevuto il loro vino e mangiato frutta, dolci e miele, che hanno cantato con i loro figli e le loro figlie e, mano nella mano, hanno danzato con loro, e li hanno punzecchiati, e hanno fatto loro il solletico e sono scoppiati a ridere, e hanno annusato i loro capelli senza, tuttavia, fare alcun sermone religioso.

Per questo stesso motivo, quando più persone amiche sono insieme, tutte sanno cos’è il pane intrecciato, il vino, i dolci, il miele, i figli, le figlie, le donne amabili e soddisfatte di HaShem, i sorrisi, le risate. E i motivi, tutti i motivi, per cui non vogliamo lavorare in questo giorno. Quando siamo insieme, disprezziamo discorsi e sermoni religiosi, perché i nostri figli, le donne e gli amici valgono più di discorsi religiosi o preghiere senza fine.

Tuttavia, quando uno dei nostri amici lavora in questo giorno e non possiamo vederlo nei nostri incontri, la cosa non ci irrita né ci incanta.

Infatti, non mandiamo nessuna spia a casa sua, nessun missionario e tanto meno un profeta! Non indaghiamo su nostro fratello né su nostra sorella perché, nell’Ebraismo, ognuno è responsabile di se stesso e, proprio come le lettere dell’alfabeto ebraico, ognuno vale per se stesso, ha il suo peso e la sua misura (che nessuno cerca di conoscere, poiché è la misura indecifrável di ciascuno).

La responsabilità in noi raggiunge livelli di grandezza e profondità, di peso e sostanza, ma è individuale, singolare e intrasferibile. Fin dalla tenera età veniamo istruiti al buon comportamento, educati dall’esempio dei nostri padri e delle nostre madri (sì, nell’Ebraismo conosciamo bene le parole padre e madre!).

Impariamo a fare, a concretizzare, a trasformare un mattone in castello, una pagina in biblioteca e, così, siamo continuamente esercitati all’approfondimento, allo studio e alla ricerca del sapere. Frequentiamo più negozi di libri usati che ristoranti…

Sviluppiamo così, naturalmente, il rispetto per coloro che, eventualmente, sono i nostri maestri, i nostri professori. Tuttavia, essi non sono le nostre guide spirituali, non sono i nostri pastori né ci conducono da nessuna parte.

Sono maestri che ci insegnano la Torah e il Talmud, e che ci incentivano a insegnare la Torah e il Talmud, trasformandoci in maestri e professori che insegnano la Torah e il Talmud… Loro, i maestri, non sono i nostri padroni né i padroni delle nostre case, perché ciò che hanno tra le mani e ci tramandano è talmente prezioso, grandioso ed essenziale che, per questo, esattamente per questo, impariamo che la nostra casa è il nostro giardino, il nostro rifugio e una proiezione di noi stessi.

Impariamo che le nostre case riflettono il nostro amore per Gerusalemme.

Ah, Gerusalemme… Gerusalemme è il nostro centro. E da lì, impariamo a guardare il mondo, l’universo, il kosmos…

Lì, specialmente lì, ci ritroviamo come popolo, come esseri umani che hanno vinto la morte, le camere a gas e ogni sorta di malvagità, che hanno superato i dolori e sono rinati! La città di Melech David e di Melech Sh’lomo, la Poesia e la Sapienza mano nella mano!

No, no, caro mio, l’Ebraismo non è solitudine. Siamo calorosamente socievoli. L’Ebraismo è silenzio realizzatore, fuoco che brucia senza discorso, energia che fa e rifà la nostra anima.

Se vuoi camminare con noi, potrai venire. Sì, potrai venire (perché no?).

Ma non pretendere di andare in giro per il mondo cercando di aggiustarlo con l’Ebraismo, né di rivoltarti contro i tuoi vecchi sodali, incriminandoli, sconfiggendoli e causando loro dispiaceri. Non farlo!

Se vuoi, vieni. Ma, se vieni e vivi da ebreo, non ti renderai migliore dei tuoi vecchi compagni, né potrai dire loro alcunché.

Indicherai soltanto te stesso (soltanto te stesso!) con un comportamento unico, proprio, soprattutto se percepirai che il nostro D’io è il tuo D’io e che il nostro Popolo è il tuo Popolo; e, così, non potrai fare – né permettere che si faccia agli altri – ciò che apparirà odioso, ingiusto e indecente a te stesso.

© Pietro Nardella-Dellova.

MOVIMENTO VERSO L’EBRAISMO

in A Morte do Poeta e Outros Monólogos. São Paulo: Editora Scortecci, 2009, p. 150.

 

 

Movement toward Judaism

Movement toward Judaism

 

In Fondi, the young professor found me. He had been looking for me for some time – and he found me, for he was walking toward the Jewish world.

For this very reason, he was filled with satisfaction and spoke to me of his desire to know Judaism in order to find G-d, perhaps to glimpse a path and overcome evil (or Evil, as he is more accustomed to).

But, perchance – I asked him –, has it ever occurred to you that HaShem (or G-d, if you prefer) does not want to (and cannot) be found? By any chance, have you ever thought about the possibility that Judaism is not a path, nor does it give you any certainty about a world that will never be reached?

Have you also considered that in Jewish formation there is no concern whatsoever with evil or good (or Evil and Good, if you prefer), and that there is no theology to be grasped? Have you thought about that?

Well then, in Judaism we do not study, we do not seek, and we do not sell HaShem.

Judaism does not aim for an encounter with Him (or of Him). We cannot say anything about Evil or Good, since they are Persian, Greek, medieval fantasies, aggravated by African cults. Instead, we concern ourselves only with good or bad behaviors, with good or bad choices. In Judaism, we do not project ourselves into a future world; and, if it is to be future (if it exists at all), it will come naturally, independent, and within whatever HaShem may intend.

There are no magics, there are no formulas, nor prayers that can modify the times, the cycles, and the Will of the Eternal!

And so, without a future or surprises, we learn to look at our hands, our feet, our eyes, our ears, our body, our feelings, our knowledge, and everything that comes to us for realization. We teach our children that a cliff is indeed a cliff (and not a concept). We teach that a garden is indeed a garden (and not a fantasy).

And we make it clear that, upon our table, a bread must be just, made by just hands and acquired with just resources, because, when we pronounce some word (among ourselves), we do not do it to thank (for children do not thank their parents), but, at least, we pronounce them to bless HaShem, in order to be sure that that bread has no other origin but that of justice, goodness, and lightness…

We also teach that an enemy is indeed an enemy (an enemy always!). And the best for us is that the enemy be well, tranquil, occupied (very occupied), and live far from our houses, very far indeed! But the enemy is not “something” fallen from the “sky”, a supernatural being, a rebel in Bereshit, or a spiritual entity with sexual desires. The enemy has hands and feet, has hunger and thirst, has vision and smell, just like us. But he, the enemy, has no just table nor just bread; he has no limits, nor does he know principles.

Unlike us, when he is hungry, he eats without measure or criteria. Therefore he stretches out his hands and advances his feet, caring for neither this nor that. And when he sees or perceives something, the enemy wants it for himself, in an uncontrollable mimetic desire—snatching, destructive, and fatal. For this reason, we always wish that our enemies have everything, occupy themselves greatly, and remain very tired, so that they forget about us, our gates, our goods, our children, and our lives.

But we, who know nothing of their gates, their goods, and their children, nevertheless do not forget them; we never forget that they are enemies and we want them to be well, and far from us.

In Judaism we do not discuss theological concepts, we do not defend religious dogmas, we do not seek believers or infidels, we do not take anyone to the Synagogue, we do not form missionaries. We neither despise nor approve of another’s religion, because Judaism is our best silence—a singular and respectful silence. And so, we are never in the squares or on the street corners (nor on religious stages). The religious stage is not, in fact, for Jews… On the contrary, we are involved with our sweat, with our books, with our Sefirôt.

But we do not study the Eternal, and we do not even pronounce His Name! We ask nothing of Him, but, with a deep and respectful feeling of gratitude and reverence, we bless His Name every morning and every afternoon, and at nightfall, we look at our children, covering them tenderly and launching them into the Presence of HaShem…

We love the Festivals; we count on our fingers the days remaining until the next Festival and what we must do to make them joyful, wonderful, and human. Our Festivals do not project anything magical toward the future, nor should they be read as prophecies. Our Festivals are merely Festivals of memory, with which we tell our history (to our children).

Yes, my dear friend, with them we tell our own history; for this reason, for millennia, we have made the same bread of bitterness and captivity, and we do not eat, during that period, any leaven, so that we do not forget that leaving slavery is a hurried act, an act that permits neither comfort nor reflection.

We have no shame in saying, during our Festivals, that we were slaves! We celebrate our harvests, our moment of integral constitution at Sinai, and we celebrate our new periods of work, much work, remembering our bad actions, our bad behaviors in a complete cycle, the privations, the huts (in which we lived). Furthermore, we remember the moments when our enemies destroyed our palaces, our altars, and how, strengthened in our principles, we rid ourselves of them, fighting, fighting hard, with real swords, forks, and stones.

We remember our state in a strange land and the governments – Persian, Catholic, or Nazi – that tried to erase us from history, and how people of our people, of flesh and bone (men and women), kept their purposes clear, their love unshakable, and, with wisdom, used everything they had learned at home with their parents and siblings to decide on something, to do something, and to define that we do not have to disappear from the earth.

Our days are not occupied, integrally and insanely, with a continuous hustle and bustle.

No! We do stop; there is a day, deliciously special, when we stop to eat a braided bread, made by an amiable woman who is satisfied with HaShem.

We stop to drink wine, to eat fruit, sweets, and honey, to sing with our sons and daughters and, hand in hand, to dance, nudging each one of them, tickling them, laughing out loud, and smelling their hair. But we do not give them any religious sermon on this day!

We also stop, on this day, to meet with other people whom we love, our friends who, like us, ate of their braided bread, made by their amiable women who are satisfied with HaShem, and drank of their wine and ate fruit, sweets, and honey, who sang with their sons and daughters and, hand in hand, danced with them, and nudged them, and tickled them, and laughed out loud, and smelled their hair without, however, giving any religious sermon.

For this very reason, when more friendly people are together, everyone knows what braided bread, wine, sweets, honey, sons, daughters, amiable women satisfied with HaShem, laughs, and outbursts of laughter mean. And the motives, all the motives, for not wanting to work on this day. When we are together, we despise religious speeches and sermons, because our children, women, and friends are worth more than religious speeches or endless prayers.

However, when one of our friends works on this day and we cannot see him in our gatherings, this neither bothers nor charms us.

In fact, we do not send any spy to his house, no missionary, and much less a prophet! We do not investigate our brother or our sister, because, in Judaism, each one is responsible for themselves and, just like the letters of the Hebrew alphabet, each one is worth by themselves, has their own weight and their own measure (which no one seeks to know, for it is the indecipherable measure of each individual).

The responsibility in us reaches levels of greatness and depth, of weight and substance, but it is individual, singular, and untransferable. From an early age we are instructed in good behavior, we are taught by the example of our fathers and our mothers (yes, in Judaism we know well the words father and mother!).

We learn to do, to concretize, to transform a brick into a castle, a page into a library, and, thus, we are continuously exercised in deepening, in studying, and in the search for knowledge. We frequent second-hand bookstores more than restaurants…

We thus develop, naturally, respect for those who, eventually, may be our masters, our professors. However, they are not our spiritual guides, they are not our pastors, nor do they lead us anywhere.

They are masters who teach us the Torah and the Talmud, and who encourage us to teach the Torah and the Talmud, transforming us into masters and professors who teach the Torah and the Talmud… They, the masters, are not our owners nor the owners of our houses, because what they hold in their hands and bequeath to us is so precious, grand, and essential that, because of that—exactly because of that—we learn that our house is our garden, our refuge, and a projection of ourselves.

We learn that our houses reflect our love for Jerusalem.

Ah, Jerusalem… Jerusalem is our center. And from there, we learn to look at the world, the universe, the kosmos…

There, especially there, we find ourselves again as a people, as human beings who overcame death, the gas chambers, and all kinds of malice, who transcended the pains and were reborn! The city of Melech David and Melech Sh’lomo—Poetry and Wisdom hand in hand!

No, no, my dear friend, Judaism is not solitude. We are warmly sociable. Judaism is a fulfilling silence, a fire that burns without speech, an energy that makes and remakes our soul.

If you want to walk with us, you may come. Yes, you may come (why not?).

But do not intend to go out into the world trying to fix it with Judaism, nor to turn against your old peers, incriminating them, defeating them, and causing them displeasure. Do not do that!

If you want, come. But if you come and live as a Jew, you will not make yourself better than your old companions, nor will you be able to tell them anything.

You will only point to yourself (only to yourself!) a unique, proper behavior, especially if you perceive that our G-d is your G-d and that our People is your People; and, thus, you will not be able to do – nor permit to be done to others – what seems hateful, unjust, and indecent to yourself.

 

© Pietro Nardella-Dellova.

MOVEMENT TOWARD JUDAISM

in A Morte do Poeta e Outros Monólogos.

São Paulo: Editora Scortecci, 2009, p. 150.

God makes no deals

God makes no deals

 

God (whatever the Name may be), as a universal and cosmic force, and as a presence within nature, makes no deals with anyone. No individual, nation, or religion holds a privileged channel for bargaining—not even us Jews, whose historical and spiritual tradition helped shape the very human perception of God. Whether someone is Black, white, Asian, Jewish, Muslim, Christian, or anything else, no one is more or less important simply for being this or that. You could give away your entire fortune, live on fasting and prayers, abstinence and asceticism, but God—who does not exist at a sales counter or in a business transaction—won’t give you a single crumb for anything you do. Because real life—and God—reject any type of transactional faith.

What is left, then? I say: respect this ‘Force’ (because the Force is real), and move forward with ethics, kindness, justice, and solidarity, free from prejudice or group arrogance. And that is how you truly live a human life!

 

© Pietro Nardella-Dellova: “God makes no deals”, 2026

Cosa penso su Israele e Palestina e su Ebrei e Arabi

Cosa penso su Israele e Palestina e su Ebrei e Arabi

COSA PENSO SU ISRAELE E PALESTINA E SU EBREI E ARABI

Pietro Nardella-Dellova

 

Di seguito della mia conferenza su Israele e Palestina, lo studente ha posto tre domande casuali:

 

  1. Cosa penso dei popoli arabi

 

Esprimo una visione di profondo rispetto per i popoli arabi, difendendone la dignità e il diritto all’autodeterminazione, e rifiutando al contempo ogni forma di odio o discriminazione nei loro confronti. La mia posizione è guidata dall’umanesimo, dall’etica e da una difesa intransigente dei Diritti Umani.

I punti centrali del mio pensiero includono:

 

  • Difesa del popolo palestinese: Sono un convinto sostenitore del riconoscimento globale dello Stato arabo-palestinese, sostenendo che tale riconoscimento “dignifica un Popolo REALE e il diritto all’autodeterminazione.” Per me, questo riconoscimento è una questione di “Etica Ebraica e Diritti Umani.”

 

  • Rifiuto dell’odio e della discriminazione: Condanno fermamente l’odio contro gli arabo-palestinesi, così come condanno l’odio contro gli ebrei. Citando le mie stesse parole: “Non esiste libertà di espressione per incoraggiare lo stupro e la morte di uomini e donne ebrei, né per incoraggiare e celebrare la morte di arabo-palestinesi!”

 

  • Visione universalista ed etica ebraica: Il mio approccio è radicato in un’interpretazione umanista dell’ebraismo che valorizza l’universalismo e la giustizia sociale. Ciò mi spinge a difendere la coesistenza pacifica e l’uguaglianza tra tutti i popoli, indipendentemente dalla loro origine etnica o religione.

 

  • Critica dell’occupazione e dell’estrema destra: Critico esplicitamente l’occupazione dei territori palestinesi e le azioni dei gruppi di estrema destra, sia in Israele che altrove, che si oppongono alla pace e al riconoscimento dei diritti arabi.

 

Conclusione: In definitiva, mostro una posizione di solidarietà e rispetto per i popoli arabi, sostenendo la coesistenza, il dialogo e il riconoscimento dei loro legittimi diritti, schierandomi decisamente contro ogni forma di razzismo, pregiudizio o conflitto.

 

  1. Cosa penso degli ebrei

 

Sono ebreo, e la mia visione degli ebrei è quella di chi affronta la realtà intrecciando la propria eredità culturale, etica e storica direttamente nella propria identità e nel proprio lavoro accademico. Mi allineo a una “sinistra ebraica” e difendo un’interpretazione umanista e libertaria dell’ebraismo.

 

I punti centrali del mio pensiero includono:

 

  • Identità personale e patrimonio culturale: Sono un ebreo italiano, proveniente da una famiglia dell’antico ghetto di Napoli, e porto con me il “legato culturale ebraico derivante da millenni di storia.” La mia identità ebraica è centrale nella mia visione del mondo.

 

  • Ebraismo umanista e libertario: Vedo l’ebraismo non solo come una religione dogmatica, ma come una tradizione etica ed emancipatoria. La mia tesi di dottorato, ad esempio, esplora le “affinità elettive” tra Ebraismo e Diritti Umani, suggerendo che la tradizione ebraica offra i fondamenti stessi per un’etica universalista.

 

  • Impegno per la giustizia sociale (Tsedakah): La mia visione sottolinea il principio ebraico della Tsedakah (giustizia/carità) e l’importanza vitale delle mitzvot (buone azioni) quando si tratta di promuovere la giustizia sociale e il benessere del prossimo, come pietra angolare del mondo ebraico.

 

  • Critica dell’antisemitismo e dell’odio: Come ebreo, mi schiero fermamente contro l’antisemitismo, condannando qualsiasi forma o manifestazione di odio o pregiudizio contro il popolo ebraico.

 

  • Una posizione politica distinta: Faccio parte di un gruppo di “ebrei sionisti progressisti” che si distinguono sia dagli ebrei di destra (che accuso di sostenere ciecamente i governi israeliani conservatori) sia da settori della sinistra che, a mio avviso, praticano l’antisemitismo sotto le spoglie dell’antisionismo. Difendo la soluzione dei due Stati (Israele e Palestina) basata sull’etica ebraica e sui Diritti Umani.

 

Conclusione: In breve, per me, essere ebreo significa portare un’eredità ricca di valori etici e umanisti, che deve ispirare la lotta per un mondo più giusto e la difesa universale dei Diritti Umani.

 

  1. Cosa penso della coesistenza tra ebrei e arabi, e tra israeliani e arabo-palestinesi

Difendo strenuamente la coesistenza tra ebrei e arabi, e tra israeliani e arabo-palestinesi, come l’unica soluzione giusta e praticabile per il conflitto nella regione. La mia posizione si fonda su principi umanistici, etici e sul diritto internazionale.

 

I punti centrali del mio pensiero sono:

                                                              

  • Una soluzione a “Due Popoli, Due Stati”: Da decenni chiedo una soluzione a due Stati (Israele e Palestina) come unico modo per garantire il diritto all’autodeterminazione di entrambi i popoli. Credo che i palestinesi abbia diritto a uno Stato, proprio come gli israeliani.

 

  • Etica ebraica e Diritti Umani: Per me, riconoscere lo Stato arabo-palestinese è un imperativo dell’“Etica Ebraica e dei Diritti Umani.” Sostengo che l’universalismo intrinseco a entrambi i concetti crei una base naturale per la pace.

 

  • Umanesimo e dialogo: Nei dibattiti e nei saggi, invito a una “prospettiva umanista” sul conflitto e sottolineo che, sebbene l’amarezza sia profonda nella regione, le tradizioni ebraica, cristiana e musulmana offrono i fondamenti etici per la dignità umana e il dialogo.

 

  • Critica dell’estrema destra e dei terroristi: Critico esplicitamente i gruppi di estrema destra che, a mio avviso, non vogliono alcuna coesistenza e pace, sostenendo che debbano lasciare la Cisgiordania e Gaza. Allo stesso identico modo, critico esplicitamente il terrorismo di Hamas e della Jihad Islamica, che affermo non lottare per la pace, ma per lo sterminio totale degli ebrei israeliani.

 

  • Unirsi per la coesistenza: Credo che arabi ed ebrei debbano unirsi, poiché vivere insieme è una “questione di fraternità,” e che la storia brasiliana, con la sua esperienza di convivenza tra questi popoli, possa servire da esempio per la pace.

 

Conclusione: Quindi, guardando il quadro d’insieme, sono un sostenitore di una pace fondata sul mutuo riconoscimento, sull’uguaglianza dei direitos e sulla coesistenza pacifica e sovrana di entrambi i popoli in Terra Santa.

 

Novembre 2025

Giuseppe Pietro Buono Nardellas-Dellova

 

NOTE:

 

  1. Questa prospettiva si allinea direttamente con il quadro universalista dei Diritti Umani, ampliando i principi di dignità e coesistenza internazionale.
  2. Per una trattazione accademica, si veda: NARDELLA DELLOVA, Giuseppe Pietro Buono. Judaísmo e direitos humanos: um estudo das contribuições judaicas na tessitura dos direitos humanos. Tesi di dottorato (Scienze delle Religioni) – PUC-SP, São Paulo, 2021. Esplora le “affinità elettive” e la tradizione ebraica come forza emancipatoria.
  3. Questa posizione attinge alla critica del diritto come strumento di liberazione strutturale, tematica della giurisprudenza libertaria.
  4. Per un’analisi di garanzie costituzionali e coesistenza, si veda: NARDELLA-DELLOVA, Giuseppe Pietro Buono. Direito Civil: Relações Sobre Coisas (Vol. 3). São Paulo: 2024.

 

BIBLIOGRAFIA:

 

  • NARDELLA DELLOVA, G. P. B. Judaísmo e direitos humanos: um estudo das contribuições judaicas na tessitura dos direitos humanos. Tesi di dottorato – PUC-SP, São Paulo, 2021.
  • NARDELLA-DELLOVA, G. P. B. Direito Civil: Relações Sobre Coisas (Volume 3). Edizione dell’Autore, São Paulo, 2024.
  • NARDELLA-DELLOVA, G. P. B. Pierre Proudhon e sua Teoria Crítica do Direito Civil. Edizione Kindle, 2021.
  • NARDELLA-DELLOVA, P. (Org.). Direito, Mito e Sociedade. Edizione Kindle, 2020.