Algumas lições sobre o que é Sionismo de Esquerda (aos que querem aprender)

Algumas lições sobre o que é Sionismo de Esquerda (aos que querem aprender)

Antes de mais nada: escrevo este breve artigo não aos antissemitas que odeiam os judeus gratuita e irracionalmente, como qualquer racista o faz em relação à sua vítima escolhida. Escrevo este texto aos que querem aprender na vida, aos que querem entender coisas que ainda não entendem, aos eternos aprendizes, como eu.

O grupo ‘Judias e Judeus Sionistas de Esquerda’, do qual faço parte com grande orgulho e alegria, além de agressões de todos os tipos vindo dos antissemitas de Direita e de Esquerda (que são praticamente idênticos quando se trata de ódio aos judeus), vem sendo também acusado de ser algo “fantasioso”. Algo que não seria real, que seria inventado ou mesmo criado artificialmente com propósitos de interesse próprio.

Equivoca-se completamente quem pensa assim. O bom é que na vida nada é maior do que a verdade e a realidade que se mostra escrita nas páginas dos dias. A realidade sobre o Sionismo de Esquerda (assim como o de Direita) é que ele é um movimento que sempre existiu – desde o início da proposta sionista.

Mas o que é Sionismo afinal? Bem, já que nas bocas dos brasileiros esta palavra é repetida praticamente como um mantra de ódio, cabe aqui esclarecer:

Ser Sionista é acreditar que o povo judeu tem o direito de possuir um Estado soberano e independente na região do Oriente Médio. A princípio é isso. A partir disto, desdobram-se variações de Sionismo – sobretudo o dualismo de ideologia política entre Direita e Esquerda. E o que diferencia crucialmente o Sionismo de Direita e o de Esquerda é que o de Direita enxerga hoje este direito de Israel de uma maneira brutal que atropela os direitos dos palestinos. Já o de Esquerda é oposto: considera o direito de existência de Israel e da mesma forma o direito de existência de um Estado Palestino. Também soberano e independente. Direitos Humanos e igualdade para ambos os povos. É uma concepção humanista que se aplica ao conceito Sionismo.

Desta forma, nós Sionistas de Esquerda lutamos desde sempre contra as ocupações ilegais de Israel na Cisjordânia. Contra leis discriminatórias que a Direita israelense impõe em Israel. Contra qualquer violação de Direitos Humanos contra os Palestinos. Da mesma forma que lutamos contra o terrorismo árabe que assassina há tantos anos judeus da mesma forma que soldados judeus assassinam palestinos.

Assim, para os que se apressam a criticar e dizer que somos só “fachada”, vamos aos fatos. E os fatos são que nós não somente somos reais, mas também somos presentes e ativos dentro do parlamento israelense. E dentro da coalizão do governo, não da oposição. Possuímos representação através de dois partidos: o Meretz (do qual faço parte) e o Avodah. O Meretz (o que se traduz como ‘energia’, ‘dinamismo’, ‘vigor’) foi fundado em 1992 e é o partido mais à Esquerda. E o Avodah (que significa ‘trabalho’) é o partido trabalhista, fundado em 1968. São partidos social-democratas, comprometidos com a solução de dois estados (Israel e Palestina), com políticas verdes, Democracia, Justiça Social e Direitos Humanos.

Enfim, estes dois partidos que representam o Sionismo de Esquerda (às vezes chamado também de Sionismo Trabalhista ou de Sionismo Socialista), possuem ao todo13 cadeiras no governo de coalizão de 61, ou seja, um quinto do governo e um décimo do parlamento como um todo. São os únicos partidos que possuem tanto judeus quanto árabes entre os seus políticos. Sim, judeus e árabes juntos, unidos no mesmo partido, trabalhando e lutando lado a lado. E este é o maior retrato do Sionismo de Esquerda.

Neste exato momento, dos 13 deputados, dez são judeus e três árabes. Embora três em 13 pareça pouco, não é. O esforço em ultrapassarmos mares de ódio vindo tanto de extremistas judeus quanto de extremistas árabes e elegermos três árabes em partidos judaicos foi e é hercúleo. Além do mais, três em 13 corresponde a cerca de 23%, que é a porcentagem de árabes israelenses em Israel, ou seja, a representatividade está alinhada à realidade do país.

Há também outro detalhe importante sobre o qual nos orgulhamos: dos 13 deputados(as), a maioria absoluta é feminina: oito mulheres e cinco homens. A força das mulheres judias e árabes em conjunto em nome de um futuro melhor. Um exemplo ao mundo.

Enfim, enquanto os antissemitas de plantão seguem vociferando e destilando seu veneno contra nós Sionistas de Esquerda, continuaremos trabalhando e atingindo os grandes resultados que vimos atingindo sobretudo nos últimos anos. Este é nosso rosto: partidos que possuem judeus e árabes juntos, dirigidos sobretudo por mulheres, representando nossas causas no parlamento de Israel e lutando para atingirmos a vitória maior com a qual sonhamos desde que nos conhecemos por gente: a Paz entre Israel e Palestina.

Por fim, só um breve esclarecimento específico sobre o grupo brasileiro ‘Judias e Judeus Sionistas de Esquerda’: ao contrário do que já nos xingaram – de “grupelho sem relevância” e coisas semelhantes, somos um grupo de professores, ativistas, articulistas e pensadores que estão reunidos para representar o braço brasileiro deste movimento mundial que é o Sionismo de Esquerda. Se fôssemos poucos e se não tivéssemos relevância, não teríamos conquistado o que conquistamos até aqui, como a presença política no parlamento de Israel.

Além disso, ou poderia falar de diversas instituições mundiais Sionistas de Esquerda que são ativas comunitariamente há décadas. Mas isto fica para um próximo artigo.

Enfim, podem nos xingar, ofender, agredir e mentir sobre nós o quanto quiserem. Nós não desapareceremos. Pelo contrário: estaremos cada vez mais presentes, afinal a luta pela causa Israelense-Palestina – que sim, vemos como uma só – faz parte da essência de nossas existências. O caminho a ser trilhado ainda é longo e árduo. Mas seguiremos sempre em frente.

Uma apresentação do Judaísmo e Direitos Humanos: um estudo das contribuições judaicas na tessitura dos Direitos Humanos

Uma apresentação do Judaísmo e Direitos Humanos: um estudo das contribuições judaicas na tessitura dos Direitos Humanos

O presente trabalho de Doutoramento acerca do Judaísmo e Direitos Humanos: um estudo das contribuições judaicas na tessitura dos Direitos Humanos tem por objetivo demonstrar o desenvolvimento do Judaísmo como expressão multicultural e universal.

Para isso, faremos o percurso do Judaísmo desde suas origens mesopotâmicas, influenciado pelos vários direitos e culturas, entre as quais especialmente a babilônica antiga, passando pelo que consideraremos aqui o Abraamismo, o Mosaísmo e o Profetismo, respectivamente, o Culto ao Deus dos Pais, a libertação pela Torá e o Culto a um Deus sem nome, e a resistência dos Profetas de Israel ao domínio político e sacerdotal, até uma quase ruptura promovida pelos sábios antigos, entre os quais, Mestres como Hillel, Jesus e outros.

Como expressão multicultural, pretende-se desvelar do Judaísmo sua tradição de religião revelada, reconhecendo-lhe a expressão viva e humana de uma cultura (insisto, caráter multicultural) que veio ao longo do tempo recebendo influências e legados os mais diversos, como, por exemplo, babilônico, arameu, canaanita, egípcio, midianita, africano, grego e romano, influências essas que são de natureza econômica, jurídica, religiosa, militar, filosófica e, por isso mesmo, apresenta-se com uma expressão da humanidade.

E, por ser uma expressão da humanidade, caracteriza-se pelo seu universalismo, em sintonia com a evolução das muitas civilizações, com as quais tem uma estreita sintonia, ora influenciada ora influenciando.

Parto de uma ideia judaica do princípio da responsabilidade social e do princípio criativo do amor, seja pelo próximo ou pelo distante, pelo amigo ou pelo inimigo, nascidos na Antiguidade judaica, mas amadurecidos no Gueto.

Pretende-se demonstrar que o Judaísmo não pode isolar-se ou tornar-se indiferente diante dos desafios do mundo, sobretudo de combate às violências contra a pessoa humana, principalmente aquelas que reduzem a pessoa humana à coisa, à escravização, exploração, intimidação, opressão, exclusão e extermínio, em especial, as violências de domínio religioso, político, e do fascismo e do nazifascismo.

Para tanto, o trabalho demonstrará a incidência das afinidades eletivas entre Judaísmo e Libertação, isto é, Direitos Humanos, ressaltando a tessitura judaica que há na ideia de Direito que corresponda aos anseios de liberdade, igualdade, solidariedade universais e plenitude da vida humana, bem como de suas relações com toda a natureza, na qual a humanidade se encontra.

Pelo conceito de afinidade eletiva o trabalho demonstrará que Judaísmo é uma expressão de evolução da humanidade, mas não a única, sendo que os Direitos Humanos correspondem a algo maior, superior, universal, que recebeu contribuições judaicas, mas não se confunde com Judaísmo.

Mantêm-se, ao final, as duas expressões das experiências humanas em dinamismo vivo, de tal modo que a tessitura de um é também a de outro, a saber, aqueles valores de direito, verdade, justiça e valorização da dignidade da pessoa humana. E, embora a tessitura de um seja a do outro, ambos não entram em fusão, não se misturam para criar uma coisa nova, ou experiência nova.

Judaísmo e Direitos Humanos convivem, em estreita relação de contribuição e defesa, de valores e princípios. A face de um “deus” é deixada para trás na experiência histórica judaica e, assim, supera-se certa monolatria tribal, para alcançar um monoteísmo ético, em função de um “deus” que não tem sequer nome, mas que participa da história, não apenas judaica, mas da humanidade.

O trabalho demonstrará esse especial aspecto de uma divindade para além da tribo ou, apesar da tribo, uma divindade universal, para toda a humanidade, sem uma língua específica, ou bandeira e cultos específicos. 

Mas, como sói acontecer com as divindades meramente tribais, os atores do Judaísmo também pretenderão reduzir essa divindade (sem nome) a cultos sacrificiais ou à área de Templos, como um “deus” particular do Judaísmo.

Por um lado, pretende-se demonstrar como o homem foi liberto das idolatrias dos deuses homens pelo movimento abraâmicos e mosaico, mas, também, como Deus foi libertado dos cultos sacrificiais e do Templo, sobretudo pela clareza e força ética dos Profetas de Israel e, depois deles, como seus herdeiros, dos Mestres do Judaísmo libertário, entre os quais Hillel e Jesus.

Nesse ponto, o trabalho se concentrará em apresentar a mensagem de Hillel e de Jesus como de Rabinos do Judaísmo farisaico, cuja imagem de hipocrisia será contestada firmemente.

Após especificar a trajetória que o tema seguiu para fins deste trabalho e detalhar a evolução do Judaísmo, bem como a libertação do homem e de Deus, apontaremos as influências do Judaísmo para a composição dos sistemas jurídicos, com abordagem cultural, sociológica, jurídica e filosófica, coincidente em vários povos.

O Judaísmo é também, e veremos aqui, Direito. Um Direito que, para além de regras de dominação de uma classe sobre outra, pretende-se como antessala da realização de Justiça. Daí que os conceitos judaicos de Direito (Mishpat) e de Justiça (Tzedek) serão apresentados como inseparáveis. O Direito é o caminho para a concretização da Justiça.

Nesse sentido, finalmente, objetiva-se aqui, apresentar uma contribuição acadêmica para a compreensão do Direito (do e no Judaísmo) assim reconhecido por grandes sociólogos e filósofos.

Também, pretende-se aqui oferecer uma compreensão do Judaísmo como movimento libertário ou libertador sem fim, que se reinventa a cada época, resiste a cada opressão, rompe com imperativos políticos, e continua a alimentar a esperança de milhões de Judeus e de Judias que, graças ao seu Judaísmo multicultural, universal e humanista, continuam sendo, por inteiro, Judeus e Judias pelo mundo.

O Judaísmo e os Direitos Humanos são um para o outro assim como são as vozes de cantores e som dos instrumentos musicais para a partitura, juntos para a finalidade de humanização, mas separados quando às suas identidades específicas.

O Deus sem nome, aqui, pode ser tanto o Compositor quanto o Maestro ou, simplesmente o Público que ouve, assiste, encanta-se, emociona-se com a grandeza da humanidade e, como se espera dele, aplaude em pé!

NOTA:

O texto acima é a Apresentação da Tese JUDAÍSMO E DIREITOS HUMANOS: UM ESTUDO DAS CONTRIBUIÇÕES JUDAICAS NA TESSITURA DOS DIREITOS HUMANOS, defendida na PUC/SP, com apoio da CAPES, e que pode ser lida integralmente ou aproveitada em download também integral no seguinte endereço da Academia . edu:

https://www.academia.edu/71348690/JUDA%C3%8DSMO_E_DIREITOS_HUMANOS_UM_ESTUDO_DAS_CONTRIBUI%C3%87%C3%95ES_JUDAICAS_NA_TESSITURA_DOS_DIREITOS_HUMANOS

© Pietro Nardella-Dellova

Parashà Terumà: le tre mizvot di questa parashà

Parashà Terumà: le tre mizvot di questa parashà

E parlò il l’Eterno a Moshè dicendo: Parla ai figli dIsraele e prendano per Me un offerta; da ogni uomo che ne abbia la volontà prenderete la mia offerta.’” (Esodo XXV, 1-2)

La spiegazione è da ogni uomo’ e non da ogni donna, poiché da una donna che abbia marito non prendono i tesorieri della Zedakkà una cosa grande così come è insegnato alla fine del trattato di Bavà Kammà (119a). E nel primo capitolo del trattato di Shekalim questo verso viene riferito allofferta dei mezzi sicli, e le donne ed i bambini non offrono i mezzi sicli.” (Meshech Cochmà in loco).

Da questa settimana intraprenderemo, a D. piacendo, un ciclo di Parashot che ci accompagneranno nella costruzione del Santuario. Saranno Parashot piene di pesi e misure, di materiali e progetti architettonici. Da questo punto di vista sono senza dubbio Parashot la cui comprensione, persino nel senso piano del testo, richiede uno sforzo sicuramente maggiore rispetto ai grandi prodigi delle prime Parashot dell’Esodo. Ma il compito dell’ebreo è quello di scavare nella Torà, capirne il senso e capire ciò che Essa richiede da noi. La sfida è appunto capire come la prima delle Dieci Parlate, ‘Proprio Io Sono’ ha lo stesso valore del verso ‘e la sua concubina si chiamava Reumà’.

Gli arredi del Santuario, lo si è detto più volte in queste nostre derashot, non sono dei semplici oggetti: essi nascondono il piano di D. per il mondo e descrivono in maniera minuziosa i nostri rapporti orizzontali e verticali.

Già negli scorsi anni abbiamo ad esempio affrontato una stranissima mizvà: quella del divieto di rimuovere i ‘badim le aste con le quali si trasporta l’Arca.

Il Sefer Hahinuch codifica tre mizvot nella nostra Parashà: la costruzione del Santuario, l’obbligo di ordinare il Pane della Presentazione sulla Tavola nel Santuario e la proibizione di rimuovere i badim appunto.

Il Meshech Cochmà propone un interessante simbologia. L’Arca rappresenta certamente la Torà e quindi il Talmid Chacham, il Dotto. I badim, le aste, sono coloro che sostengono economicamente i Saggi. Per questo spiega il Meschech Cochmà il Talmud asserisce (TB Yomà 72b) che l’ordine viene dato al singolare (a Moshè, Deuteronomio X,10) mentre l’esecuzione avviene al plurale (Esodo XXV,10). Da qui il Talmud impara che coloro che abitano nella stessa città di un Saggio hanno l’obbligo di sostenerlo economicamente. Dunque le aste sorreggono l’Arca e non devono mai dipartirsi da essa a testimoniare che mai deve venir meno il sostegno materiale del pubblico al Saggio.

Ed ecco che questo sostegno non deve essere necessariamente funzionale, ossia legato all’eventualità che il Saggio sia in difficoltà, esso è piuttosto strutturale, così come le aste sono a sostegno dell’Arca anche quanto questa è nel Santo dei Santi e non deve essere mossa. Idealmente l’Arca è in movimento, poiché la Torà lo è. Ed ancora, così come impariamo che in realtà è l’Aron che sostiene i leviti che lo caricano a spalla e non viceversa (TB Sotà 35a), allo stesso modo è il Saggio che sostiene spiritualmente coloro che lo assistono e che provoca il loro arricchimento, giacché questi amministrano degnamente quanto loro affidato da D..

Per questo lo Yerushalmi (Sotà 7,4) insegna che una persona che non ha studiato né insegnato e non è neppure osservante ma sostiene i Dotti anche se non ha molti mezzi finanziari, riceve la benedizione Divina.

Ed è notevole che l’esempio che porta il Meshech Cochmà è Todos Ish Romi. Quel Todos di Roma, che inviava della mercanzia ai Saggi in maniera che si alimentassero di essa (TJ Pesachim cap.7). È lo stesso Todos ci insegna il senso profondo della piaga delle rane e che permette ancora oggi a noi romani l’eccezione della carne arrostita la sera di Pesach.

Spiega il sefer Hachinuch che gli arredi del Tempio hanno una loro forma ideale e l’Arca è completa quando ha le aste. Esse non sono funzionali, sono strutturali. Sono parte integrante. Non servono a trasportare l’Arca, servono a trasportare coloro che trasportano l’Arca, così come è il Saggio a sostenere coloro che lo sostengono.

Ed ancora il Mesech Cochmà paragona questo alla nota opinione del Maimonide circa l’accensione della Menorà. (Mizvà 25).

Secondo il Maimonide il nucleo della mizvà è la preparazione dei lumi, il pulirli, il prepararli e nell’accendere quelli che si sono spenti. Ossia il preparare i lumi coincide con l’accenderli. Il Maimonide sposta la nostra attenzione. Non è la luce dell’accensione, quella che testimonia la presenza di D. a contare, è il processo di preparazione fatto dall’uomo. E per questo ciò avviene di giorno, per insegnarci che così come di giorno non servono lumi così Iddio non necessita della nostra luce ma ci insegna un processo di preparazione e di miglioramento. Così come la preparazione dei lumi è parte principale della loro accensione, così il sostenere i Saggi è parte integrante del loro studio.

Lo stesso Meschech Cochmà sottolinea come diverso sia invece l’approccio nei confronti del trasporto della Tavola del Lechem Hapanim, il Pane della presentazione.

La Torà ci comanda, proprio nella nostra Parashà, circa la presentazione ogni Shabbat di dodici pani freschi sulla Tavola del Signore. I pani della settimana precedente vengono mangiati dai Coanim. La Tavola è posta alla destra di colui che entra nell’Edificio del Tempio di fronte alla Menorà che è invece alla sinistra.

Anche la Tavola ha delle aste per essere trasportata ma queste non debbono obbligatoriamente rimanere attaccate ad essa. Tuttavia anche la Tavola, rimane un oggetto itinerante, mobile.

Ciò si evince da un’affascinante discussione alla fine del trattato di Chagghigà (26b) circa la possibilità per la Tavola di divenire impura. Tutti gli arredi del Santuario venivano infatti immersi in un mikwe dopo le feste a causa della sospetta impurità di coloro che venivano al Tempio, degli ignoranti tra di loro.

I Saggi ammonivano i Sacerdoti, che entravano ogni giorno dopo la presentazione dell’incenso a prostrarsi all’interno del Santo, di non toccare la Tavola. Infatti se si fosse resa impura la Tavola si sarebbe squalificato il Pane su di essa, cosa miracolosamente mai avvenuta come si impara nel trattato di Avot.

Il problema è che un oggetto di legno che non si muove mai non prende impurità ed in linea di principio la Tavola non si dovrebbe mai muovere giacché la Torà utilizza la parola tamid, sempre, per indicare la sua presenza dinanzi al Signore. Il Talmud in loco ci insegna che i Coanim alzavano però la Tavola durante le feste per mostrarla al popolo che era nel cortile del Tempio dicendo loro ‘Guardate quanto siete cari dinanzi al Luogo’. Rabbì Jeoshua ben Levi spiega che ciò che il popolo vedeva era che il pane era ancora caldo come nel momento in cui era stato cotto.

Ed infatti i Saggi insegnano che quando i Coanim lo mangiavano una settimana dopo la cottura era ancora fresco. Secondo un’altra versione riportata da Rashì i Coanim non si limitavano ad alzare la Tavola senza uscire dal Santo, essi portavano la Tavola in processione nel Cortile proprio per far vedere il pane caldo al popolo in pellegrinaggio. Questo non contrasterebbe con il fatto che la Tavola era sempre dinanzi al Signore. Capiamo allora che l’Ammonimento di non toccare la Tavola non è solo per i Coanim ma anche per il popolo che si trovava nel cortile (Rambam Hilchot Mischav Umoshav 11,11 e Mishnè LeMelech in loco).

Dunque la Tavola si muove e muovendosi può ricevere impurità rituale.. Per questo bisogna stare attenti.

Rabbì Eliau Gutmacher spiega che ciò avveniva proprio nelle feste perché il popolo aveva compiuto un grosso atto di fiducia nel lasciare i propri beni incustoditi e salire a Jerushalaim in pellegrinaggio. Il mostrare il Pane era il simbolo del fatto che così come Iddio custodiva il pane e non lo lasciava freddare né guastare, così proteggeva i beni del popolo.

Se dunque il concetto chiave della trasportabilità dell’Arca è il sostegno economico ai Saggi, il concetto chiave del trasporto della Tavola è la sua condizione di possibile impurità.

Questa è forse la risposta del Meshech Cochmà alla domanda aperta dalle Tosafot circa la condizione che gli arredi avevano nel deserto quando venivano comunque trasportati sempre. In questo senso, spiega il Meshech Chochmà, l’Arca non si muove dal Santissimo ma è concettualmente in movimento perché non si creda che la Torà ha raggiunto il suo obbiettivo, essa è un processo continuo. La Tavola invece si trasporta fisicamente anche per mostrarla al pubblico.

Questa condizione della Tavola, che rappresenta gli alimenti di Israele, è particolarmente interessante. Il problema di fondo che hanno i Saggi nelle ultime pagine di Chagghigà è appunto come relazionarsi con la maggior parte del popolo che è ignorante e poco ligia alle mizvot. Fino a quanto ci si può fidare di loro per quanto riguarda la purità?

Ed il richiamo è evidente. La materialità deve essere usata al servizio di D. Il non plus ultra della materialità è la Tavola del Pane del Santuario. Ma può ricevere impurità. La materialità ci può sopraffare. È necessario usare nei confronti della purità dei nostri mezzi economici un’attenzione maggiore persino rispetto allo studio.

Il problema dei Chachamim è il problema di chi cerca di capire cosa si può fare con delle tasse della comunità che derivano da redditi da lavoro fatto di Shabbat. Come si fa a tenere unita una comunità fatta di dotti e di ignoranti?

Sono problemi aperti che richiedono una grossa attenzione. Non solo dobbiamo fare di più per essere aste dell’Arca per i Saggi, ma dobbiamo stare attenti a non rendere impura la Tavola.

Dopo essersi affrontati aspramente Rabbì Jochannan e Resh Lakish dicono entrambi ‘Quando cè il Bet Hamikdash laltare espia per luomo, [adesso che non cè] la sua tavola espia.’ (TB Chagghigà 27A)

Oggi che il mondo del Santuario vive solo nelle pagine di Ghemarà che Israele studia, è la Tavola dell’ebreo il suo altare e la Casa il Suo Santuario.

Capiamo allora il riferimento iniziale del Meshech Cochmà al fatto che non si accettano offerte sostanziose dalle donne. La Ghmarà spiega appunto che si accettano solo quelle cose per le quali è evidente l’accordo del marito, il frutto del lavoro di lei, o cose di poco valore.

È straordinario il nostro Sforno che commenta il famoso accompagnamento delle donne da parte degli uomini quando portavano le offerte (Esodo XXXV,22) dicendo che gli uomini andarono con le donne perché non si accetta dalle donne una cosa di valore. Ossia per permettere alle donne di portare cose di valore gli uomini andarono con loro a testimoniare il loro consenso. Ma si capisce da qui che l’iniziativa è delle donne.

Uomo e donna hanno funzioni diverse e complementari nella Casa d’Israele che è oggi il Santuario del Signore. Non sempre, abbiamo visto, colui che crede di portare porta realmente. Così apparentemente sembrerebbe mortificante per la donna non poter disporre di volontà propria per fare zedakà. In vero, come per l’Arca è la Torà a sostenere i leviti così in realtà è la donna che viene mantenuta dal marito a sostenere quest’ultimo poiché, come insegnano i Maestri, il benessere economico dell’uomo dipende dall’onore che questi dà a sua moglie.

La Torà non vuole che la donna non dia, vuole che l’uomo sia costretto ad andare con lei ed imparare come ci si dedica al prossimo. Come ci si dedica al Santuario.

Ed eccoci allora alla terza delle mizvot della Parashà quella di costruire il Santuario. Ebbene, forse, secondo quanto detto da Rabbi Jochannan e Resh Lakish, costruendo una nuova casa ebraica oggi si può in qualche modo rimediare alla impossibilità di costruire il Santuario.

L’invito è dunque quello di capire che la casa ebraica è un Santuario, che deve essere luogo di incontro per Saggi e per bisognosi e soprattutto un luogo nel quale dimori sempre la pace.

Shabbat Shalom

Jonathan Pacifici  z”l

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Fonte:  Shemot/Esodo 25,1 – 27,19 e http://www.archivio-torah.it/jonathan/1962.pdf

Testo Ebraico con traduzione italiana di Samuel David Luzzatto (1872 https://www.academia.edu/70417826/PARASHA_TERUMA_testo_Ebraico_con_traduzione_italiana_di_Samuel_David_Luzzatto_1872

Parashà Terumà: commento di Dante Lattes https://www.academia.edu/70331404/PARASHAT_TERUMA_commento_di_Dante_Lattes

Somos judeus de esquerda

Somos judeus de esquerda

Por Jean Goldenbaum, Mauro Nadvorny, Michel Gherman, Milton Blay, Nelson Nisembaum e Pietro Nardella Dellova

Palestinos nos veem como inimigos, judeus de direita, que defendem incondicionalmente os governos israelenses conservadores, nos acusam de traição, e os nossos próprios irmãos de esquerda  têm dificuldade em nos entender. Em nome do antissionismo, por vezes escorregam para o antissemitismo. E isso é o mais doloroso.

Dói ver grupos de um partido de esquerda queimarem a bandeira de Israel em nome do socialismo, um chargista comparar os palestinos aos judeus gazeados de Auschwitz, um colega jornalista escrever que não existe “solução para a crise no Oriente Médio que não inclua o fim do Estado de Israel”, a mídia progressista abrir espaço para pessoas que vomitam seu ódio aos judeus. Dói ver nossas lideranças condenando o bombardeio de Gaza por solidariedade aos familiares das vítimas palestinas, sem uma palavra sequer sobre as famílias israelenses, sobre o necessário reconhecimento de Israel e de uma paz justa, com dois Estados dentro de fronteiras seguras.

Somos judeus progressistas.

Nosso posicionamento é transparente, não hesitamos quando se trata de combater o presidente brasileiro e seus asseclas nazifascistas, de denunciar as consequências nefastas do neoliberalismo, de denunciar o extremismo de direita que se espalha pelo mundo, de defender a justiça social, a democracia e os direitos humanos. Não há discussão possível, somos límpidos e pensamos merecer ser tratados como tal. No entanto, a cada vez que o assunto é Israel, o olhar dos outros muda. De repente somos apontados, dedo acusatório em riste, por enxergarmos no conflito médio-oriental uma situação muito mais complexa do que a dicotomia fácil que coloca o carrasco, Israel, contra a vítima, palestinos, maus de um lado, bons do outro. Isto é maniqueísmo.

Não somos torcida uniformizada. Somos todos, ou quase, a favor de uma solução de dois Estados, vivendo lado a lado em paz e segurança, conforme o estabelecido pela ONU em 14 de maio de 1948, em sessão presidida por Osvaldo Aranha. Nenhum de nós quer o extermínio do povo palestino. Ao contrário, queremos ver os seus direitos a uma terra, a uma nação, reconhecidos.

Amos Oz, o escritor pacifista israelense, descreveu este processo como sendo um divórcio contencioso, penoso porém necessário.

É verdade que hoje a solução de dois Estados parece um sonho quase impossível, tanto assim que alguns defendem a criação de um Estado binacional. Na prática talvez ainda mais impossível. Na Cisjordânia vivem cerca de 430 mil colonos israelenses em 132 assentamentos. Mesmo assim, vale citar André Malraux, para quem em política só a utopia é verdadeiramente interessante. É ela que deve guiar nossas ações.

Essas colônias são ilegais pela lei internacional. Em pelo menos sete ocasiões, desde 1979, o Conselho de Segurança da ONU reafirmou que elas são “uma violação flagrante do direito internacional”.

Não é possível continuar indefinidamente como está.

Os judeus de esquerda militam pela paz, muitos fazem ou fizeram parte do movimento Paz Agora, pela coexistência, por um lar para uns e outros. Quando uma bomba explode num ônibus escolar israelense, choram as crianças mortas, da mesma forma como choram as crianças de Gaza, vítimas dos bombardeios de Tsahal. Para qualquer mãe a morte de um filho é uma perda irreparável, seja ela israelense ou palestina. A dor no peito é a mesma.

Nos meios progressistas, frequentemente Israel é chamado de Estado genocida. O que os governos israelenses efetivamente não são.  Não se pode comparar o que acontece na região com o genocídio tutsi em Ruanda, o armênio pelos turcos, o de Samudaripe, no Camboja, o massacre de Srebrenica, o extermínio dos índios, nem sequer com as vítimas da “imunidade de rebanho” arquitetada pelo governo federal.

Israel não é um Estado genocida, mas isso não impede que seja um país colonizador de terras que não lhe pertencem pelo direito internacional, um pais expansionista, em nome de um pseudo destino bíblico .

Com Ariel Sharon, Israel deu o passo que faltava para privilegiar a segurança em detrimento da paz. As negociações foram quase abandonadas e a solução de dois Estados arquivada. Foram implantadas colônias populosas na Cisjordânia, para onde seguiram milhares de fundamentalistas religiosos e extremistas de direita, tornando impossível a imprescindível continuidade territorial palestina.

Israel é responsável e culpado. Sua atitude, indefensável. As colônias têm de cessar e as negociações precisam ser retomadas. Só que aqui entra uma questão fundamental: quem seriam os interlocutores ? Os palestinos estão divididos, o Fatah, que controla a Cisjordânia e a Autoridade Palestina, não dialoga com o Hamas, que tem o poder em Gaza. O Fatah reconhece o direito de Israel à existência, enquanto o Hamas, em seus estatutos, jura combater Israel até o seu desaparecimento do mapa. Do lado israelense, a população se  acomodou com a situação relativamente estável, com conflitos episódicos que os sucessivos governos de direita consideram administráveis. É sintomático o fato ocorrido durante um recente confronto com o Hamas. Enquanto os aviões israelenses bombardeavam o prédio ocupado pela imprensa internacional, em Gaza, os habitantes de Tel Aviv estavam nas ruas festejando a vitória no concurso Eurovision,  como se a população israelense estivesse vacinada contra a guerra.

Durante mais de dez anos, o status quo foi conveniente tanto para Ismael Haniyeh quanto para Benyamin Netanyahu e agora o é para Naftali Bennet (que tem se mostrado ainda mais à direita que seu predecessor).

Então surge alguém dizendo que se Israel é colonizador é porque seu lugar não é ali, no Oriente Médio. E assim entramos na intrigante questão do ovo e da galinha. Quem nasceu primeiro? Quem estava lá antes?

Os judeus foram expulsos daquela região? Sim, ali foi escrita parte da história de seu povo, fato que justifica amplamente o retorno e a decisão da comunidade internacional, de consciência pesada por ter fingido que não via o holocausto. Na Antiguidade Oriental (Oriente Médio), os hebreus, também chamados judeus ou israelitas, habitavam Canaã (território do atual Estado de Israel). As raízes do judaísmo estão ali, fincadas naquele solo. Isso ninguém pode negar.

No entanto, os palestinos ali estavam nos séculos XIX e XX, tendo sido expulsos de suas casas, de suas terras, famílias foram separadas, muitos tornaram-se refugiados. Originalmente, os palestinos se estabeleceram em uma área entre a Jordânia e o atual Estado de Israel. A dominação deste território, que no fim do século XIX contava com cerca de 500 mil habitantes, remete à crise do Império Otomano, que anteriormente controlava a região.

As colônias agrícolas de palestinos começaram a ser fundadas no ano de 1862.

Isso tampouco se pode negar.

Muitos judeus europeus, influenciados por pensadores do final do século XIX, começo do XX, pensaram em se assimilar, inspirados nos valores da Revolução Francesa, que pregava a igualdade de direitos para todos. Até mesmo o jovem Theodore Herzl (antes de se tornar o pai do sionismo político) chegou a defender a conversão ao cristianismo, antes de se dar conta, ao cobrir o caso do capitão Dreyfus, acusado de espionagem por ser judeu, que o antissemitismo não tinha sido abolido na “pátria” dos direitos humanos.

O jornalista israelense Ari Shavit, em Minha Terra Prometida, descreve magistralmente esse nó que está no cerne do conflito israelo-palestino. Os dois povos têm razão e, assim sendo, não há solução satisfatória. Por isso, as concessões precisam ser imensas, mexendo em sentimentos profundos de injustiça. Porém, assim deve ser.

Os palestinos sofrem ainda mais por verem seus ex-amigos árabes lhes virarem as costas. Hoje, os habitantes, sobretudo de Gaza, só podem contar com os apoios do Qatar e do Irã xiita, este interessado em se impor como líder regional em contraposição à Arábia Saudita wahabita. Teerã financia o Hezbollah, no Líbano, o Hamas e a Jihad Islâmica, movimentos armados que nunca aceitaram a partilha da região nem a existência de Israel.

A tragédia palestina também é político-religiosa, na medida em que o Hamas tentou impor a sharia, a lei islâmica estrita, em que meninas e meninos não podem frequentar as mesmas escolas, as mulheres não têm seus direitos nem sua segurança reconhecidos, são vítimas da violência doméstica, o desemprego entre as mulheres chega a 71 %, muitas meninas são obrigadas a se casar ao chegar à puberdade, homossexuais são presos.

Os moradores de Gaza são miseráveis, têm eletricidade duas horas por dia, o desemprego atinge metade da população, só 10 % têm acesso à água potável e, para piorar ainda mais, o Hamas acusa a Autoridade Palestina de se aliar à Israel e Egito no bloqueio à Faixa.

Muitas doações da União Europeia para obras de infraestrutura são desviadas para outros fins.

Israel é responsável pela situação em Gaza? Claro que é, mesmo se os seus soldados saíram de lá em 2005. Mas não é o único. Uma análise objetiva (na medida que isso é possível) deve responsabilizar todos os integrantes do puzzle, inclusive lideranças palestinas, algumas das quais acumularam fortunas de origem nem sempre transparente.

Israel é um país segregacionista? Sim, os árabes não têm os mesmos direitos dos judeus, mesmo se um partido árabe israelense, muçulmano, hoje faça parte da coalisão governamental. Há de se reconhecer que existe uma espécie de apartheid em Israel.  Prova, como se necessário fosse, que Israel não é para amadores e não deva ser visto com olhos apaixonados da arquibancada de um Fla X Flu.

Somos judeus de esquerda. Talvez seja difícil para quem não o é entender por que Israel é fundamental para nós, e ainda por cima somos majoritariamente pouco religiosos, ateus ou agnósticos, cem por cento laicos (conceito diverso de ateu, e que significa dizer: somos a favor do Direito, e não da Religião, organizando a política e a estrutura do Estado, aliás, do Direito dando a todos, religiosos e irreligiosos, a faculdade de viver em pluralismo e diversidade), muitos casados com não judeus.

Israel é criticável e criticado. Porém, que o seja “só” por seus erros, que não são poucos.

Israel é o nosso seguro de vida. Estamos intimamente convencidos de que se Israel desaparecer, como querem os antissionistas, nós também desapareceremos, mais cedo ou mais tarde. Por quê? Porque sempre foi assim; a história nos ensina. Todos conhecem a Shoá e seus 6 milhões de judeus assassinados. O que alguns talvez não saibam – ou finjam não saber, é que a perseguição aos judeus é muito, muito anterior a Hitler. Historicamente, o judeu é o «outro», o bode expiatório, que deve ser discriminado, varrido do mapa.

Os judeus fazem questão de ter seu próprio país porque passaram milênios ameaçados de extermínio.

Israel não nasceu da necessidade de celebrar ser judeu, mas do direito de existir sem perseguição.

Nunca os judeus foram tão assimilados quanto no primeiro terço do século XX, na Alemanha; deu no que deu.

Somos ao todo 14 milhões de judeus, representando 0,2% da população mundial. O mínimo que se pode dizer é que o barulho é desproporcional ao que representamos. E isso tem nome: antissemitismo.  Com certeza, cada um de nós tem histórias a contar sobre atos de discriminação sofridos durante a vida, relembrando que somos todos, sem exceção, filhos, netos, bisnetos de refugiados, de perseguidos, de expulsos.

Muitos migraram da Europa central e do leste para o Brasil, após a Primeira Guerra, vítimas dos pogroms na Europa.

“Meus avós”, conta o Blay, “migraram da Polônia e Bessarabia para o Brasil, após a Primeira Guerra, vítimas dos pogroms na Europa. Paula, minha avó, quase moribunda, num gesto de derradeira vontade fez questão de se naturalizar brasileira, pois não queria ir embora polonesa, como filha de um país antissemita. Uma de suas irmãs, que queria muito estudar, negou-se a partir de Cracóvia, obteve no mercado negro uma carteira de identidade como prostituta e assim pode prosseguir os estudos, o que lhe era negado como judia. Acabou morrendo em Auschwitz, a poucos quilômetros da escola, antes da existência de Israel.”

Casos como este pontuam a nossa história.

Nosso papel, como progressistas, é tentar restabelecer a verdade e a justiça.  Sem concessões, reconhecer os direitos, deveres e sofrimentos de todos – judeus e muçulmanos, palestinos e israelenses. Sem exceção. Em nome de nossa integridade, temos o direito de ser reconhecidos dessa maneira, antes de mais nada pelos companheiros com quem dividimos valores e para quem a fístula do antissemitismo ainda é – infelizmente – um abcesso a ser extraído.

Parashat Mishpatim – La legge sociale di Israele

Parashat Mishpatim – La legge sociale di Israele

Questa Parashà (Esodo/Shemot XXI – XXIV) ci presenta, in sintesi, le linee fondamentali della legislazione sociale ebraica. Ho detto le linee fondamentali perché molti principi e molte leggi riguardanti i rapporti tra uomo ed uomo, tra l’ebreo ed il suo fratello o tra l’ebreo ed il nato fuori d’Israele, sono riprese e svolte ampiamente in altre parti della Torà. Non c’è forse capitolo della legge d’Israele, sul quale la Torà maggiormente insista, come quello che ha per oggetto i rapporti ed i legami di convivenza tra gli uomini e non poteva essere altrimenti.

La Torà è la legge di vita, è la legge di giustizia e di amore, è legge che predica e promuove l’amore e la giustizia tra gli uomini: nessun altro argomento quanto questo, poteva costituire il perno della Torà. Ne è riprova il fatto che questo corpo di legislazione sociale segue immediatamente la promulgazione dei Dieci Comandamenti, ai quali, anzi il testo biblico si ricollega.

Questa Parashà si apre infatti con le parole: “E queste sono le leggi che porrai d’innanzi a loro”. Osservano i nostri Maestri: “come le prime (cioè i Dieci Comandamenti) sono state promulgate dal Sinai così queste sono state promulgate dal Sinai”, la congiunzione (e) indica il nesso tra le due sezioni bibliche. La legislazione sullo schiavo apre la serie delle norme sociali d’Israele. Come mai? Una parte della vita sociale che nelle civiltà antiche e quelle classiche occupava l’ultimo rango nella scala dei valori qui è innalzata al primo posto. I nostri Maestri ne danno una sapiente e profonda spiegazione appoggiata ad un verso biblico. Parlando della scrittura delle tavole su cui sono scolpiti i Dieci Comandamenti, il sacro testo dice: “E la scrittura era la scrittura di Dio incisa sulle tavole” (Esodo XXXII – 15).

Charuth ‘al ha-luchoth“, ma la parola ebraica “charut (incisa) può leggersi “cherut” che significa “libertà“; libertà dunque osservano i Maestri, era scritto sulle tavole, libertà è il principio dei Dieci Comandamenti, libertà è il postulato per l’adempimento della Torà. Quando, infatti, si tratta di stabilire il principio dello Shabbat, la Torà non solo vi comprende lo schiavo, ma giustifica quella fondamentale istituzione col ricordo della schiavitù egiziana, affinché l’ebreo ritornando col pensiero alla semplicità della sua natura umana, senta più da vicino Dio, così come lo sentirono gli antichi padri durante il servaggio in Egitto e la successiva liberazione. Ma come l’ebreo libero, così anche lo schiavo che, al pari di lui, è sostanzialmente libero, deve celebrare lo Shabbat, perché lo Shabbat è appunto il giorno della libertà dello spirito. Questo spiega perché la nostra Parashà cominci col trattare delle leggi relative allo schiavo.

Del resto, se noi scorrendo la Parashà, nella varietà e molteplicità degli argomenti in essa trattati, ne trascegliamo alcuni tra i più salienti, non tarderemo ad accorgerci come gli esseri che, al pari degli schiavi, possono essere ritenuti più indifesi ed i più deboli nella scala sociale, sono quelli a cui la Torà volge le sue cure e dei quali raccomanda massimamente la protezione. Questi esseri sono i poveri, gli orfani, le vedove, sono anche gli stranieri che la Torà vuole siano parimenti protetti ed amati. 

Quando noi leggiamo certi passi della Torà che si riferiscono a queste categorie di persone, noi avvertiamo un senso di commozione: vi sono in quei passi delle sfumature del sentimento che, appunto perché tali, sembra strano incontrare in un codice di leggi. “Se avrai preso in pegno la coperta del tuo compagno, prima del tramonto gliela restituirai, ché essa forse, è la sola coperta per il suo corpo: con che si coprirà? e se egli esclamasse a Me, Io l’ascolterei, perché clemente Io sono (Es. XXII, 25-26).

Nessuna legislazione antica o moderna è arrivata a far vibrare così le corde della pietà e del sentimento, nessuna legislazione ha eretto la carità o l’amore verso il prossimo a principio di legge o di vita, nessuna raccomanda di non portare odio o rancore al prossimo o al nemico, di rispettarne la proprietà e in certi casi di aiutarlo; nessuna proclama il rispetto e la protezione dell’orfano e dello straniero e di tutti quelli che sono rimasti senza legge e senza protezione.

Che se v’ha una legislazione o una dottrina, una religione o una fede che ripetano questi principi e questi divini comandi, che parlino così al cuore degli uomini, esse non possono che ispirarsi alla Torà d’Israele, a quella Torà che come ha dato i Dieci Comandamenti agli uomini, così agli uomini ha tracciato per sempre i solchi dell’amore e della giustizia, di quell’amore e di quella giustizia, che ancora attendono di essere realizzate nella convivenza umana.

Rav Riccardo Pacifici  z”l – Discorsi sulla Torà

LA LEGGE SOCIALE DI ISRAELE http://www.archivio-torah.it/ebooks/discorsiRP/RP18.htm

Um cântico humano de Shabat, para antes e depois do acendimento das velas

Um cântico humano de Shabat, para antes e depois do acendimento das velas

Estávamos em Sankt Gallen, Suiça, e precisávamos, naquele dia em especial, acender nossas Velas de Shabat, e nos alegrarmos um pouco uns com os outros. Vieram, àquele encontro de Shabat, algumas das crianças, algumas mulheres e alguns dos homens.

Não foi possível mais que alguns cânticos, algumas preces sem muita formalidade, um kidush com uma mesa italiana, mais propriamente napolitana, com vinho, doces, fritellas, muitas fritellas e, durante e ao final, um cuidadoso abraço. Disse-lhes:

Cuidem-se, amigos e amigas, cuidem-se na alma, no espírito, no corpo e nas relações interpessoais! Cuidem de seus sentimentos, emoções, sensibilidade, inclinações, músicas. Cuidem de seus estudos, criatividade, universidade, pesquisas. Cuidem de terem bons amigos e amigas, sejam bondosos, digam sempre uma palavra de estímulo, evitem e não entrem em lashon hará (língua para o mal), procurem viver em paz com seu ex-marido, com sua ex-esposa, com seu ex-patrão e seus familiares, em harmonia com os membros da sua Comunidade, amizade profunda com os seus alunos e professores, colegas de trabalho, com seus vizinhos, com seus funcionários domésticos, com os guardas do condomínio, com os guardas da cidade, com as autoridades (até onde for possível), com os comerciantes, com seus Rabinos, com sua filha e com seu filho…

Ecco! Alma-espírito-corpo e relações interpessociais! Não percam tempo com questões menores, assuntos rasteiros, observações infelizes, tratamentos melancólicos,  reclamações, vitimismos, “estórias” familiares, mau humor, críticas, pensamento fantasioso e contabilidade excessiva…

Caminhem leves e soltos! Avancem leves e soltos! Vivam leves e soltos! Estudem leves e soltos! Trabalhem leves e soltos! Sejam mãe, pai, filho, filha, irmão, irmã, colegas, leves e soltos! Sejam ex-mulher, ex-marido, desempregado, empregado, leves e soltos! Sejam estudantes leves e soltos! Comam, bebam, corram, leiam, respirem, sejam filhos, filhas, sejam irmãos, irmãs, sejam professores, professoras, alunos, trabalhadores, bancários, advogados, funcionários públicos, liberais, sejam amigos e amigas, LEVES E SOLTOS!

A vida passa em um piscar de olhos! Não há tempo para não viver. Não há tempo para não serem leves e soltos. E ajudem quem puder. Cada pessoa, cada mulher, cada homem, cada jovem, cada criança, cada ancião, cada aluno, cada professor, enfim, cada ser humano, é um mundo indevassável, desconhecido e impenetrável!

Cada um de nós tem suas experiências pessoais, suas frustrações, suas tristezas, seus desesperos e suas indecisões. Tudo isto é absolutamente normal e humano.

Devemos ser capazes de “atos de bondade”. Fazendo assim, criaremos brasas vivas, criaremos ambientes alegres e festivos, determinaremos uma amizade duradoura com nossos filhos e daremos a eles a impressão, a certeza e a consciência de que compensa ser homem, de que compensa ser mulher, enfim, de que compensa ser pessoa, de que compensa viver e ser feliz, leves e soltos!

O mais importante, queridos e queridas, não é apenas suplantar o deserto, como nossos pais fizeram entre o Egito e Canaã, mas, principalmente, não perder nossa humanidade, nossa capacidade de fazer o bem, nossa capacidade de honrar, de respeitar, de viver em companhia uns dos outros, de simplesmente não desejar o mal ao outro.

O mais importante é viver cultivando o jardim que está dentro de cada um de nós.

Shabat Shalom!

© Pietro Nardella-Dellova.

A MORTE DO POETA NOS PENHASCOS E OUTROS MONÓLOGOS. Editora Scortecci, 2009, pp 317 e segs