Maoz Inon estava preparando o café da manhã para a esposa em sua casa em Binyamina, no norte de Israel, quando seu pai escreveu no grupo da família no WhatsApp às 7h30 da manhã de 7 de outubro de 2023. A mensagem dizia que mísseis estavam caindo e que sons de guerra preenchiam Netiv HaAsara, a comunidade agrícola mais próxima da fronteira com Gaza, onde seus pais moravam.
Maoz ligou imediatamente. Seu pai, Yakovi, de setenta e oito anos, atendeu brevemente. Ele e Bilha, a mãe de Maoz, de setenta e seis anos, haviam trancado a casa e estavam no quarto de segurança. Netiv HaAsara fica a apenas cem metros de Gaza. Maoz pensou que fosse mais um episódio da violência recorrente ao longo da fronteira. Disse aos pais que os amava e que ligaria novamente em breve.
Às 7h40, quando ligou outra vez, ninguém atendeu.
O horror se instalou quando Maoz começou a ver imagens nas redes sociais de terroristas do Hamas invadindo comunidades israelenses na fronteira. Ele e suas três irmãs se reuniram na casa de uma delas, enquanto o irmão mais novo vinha de Londres. No fim da tarde, conseguiram falar com o responsável pela segurança da comunidade, que lhes disse que a casa dos pais havia sido queimada até virar cinzas. Dois corpos foram encontrados dentro.
Os irmãos iniciaram o período tradicional de luto judaico. No segundo dia, a pedido do irmão de Maoz, Magen, divulgaram uma declaração conjunta rejeitando a vingança em nome de seus pais. Foram dos primeiros israelenses a se manifestar publicamente sobre a morte de civis em Gaza.
“A vingança não vai trazê-los de volta e só vai intensificar o ciclo em que estamos presos há mais de um século — o ciclo israelense-palestino de derramamento de sangue, vingança e morte.”
Durante três dias após o assassinato de seus pais, Maoz foi tomado pela dor e pelo sofrimento. Numa noite, chorando enquanto dormia, teve o que ele chama de uma visão: toda a humanidade chorava com ele, suas lágrimas curando feridas, purificando terras ensanguentadas, revelando um caminho para a paz. Ao acordar, soube que aquela era a forma de honrar o legado de seus pais.
A primeira ligação de condolências veio de Aziz Abu Sarah, um ativista palestino pela paz que Maoz conhecia apenas de nome. O irmão de Aziz havia morrido em 1990 em decorrência de ferimentos sofridos numa prisão israelense. Quando Aziz sugeriu que continuassem trabalhando juntos pela paz, Maoz não hesitou.
A colegas que demonstraram incredulidade diante da rapidez com que ele intensificou seu ativismo após perder os dois pais, Maoz disse: “Quando uma pessoa se perde no deserto, ela clama por água. Quando uma pessoa se perde nesse tipo de luto, é normal clamar por paz.”
Desde então, Maoz e Aziz têm viajado o mundo juntos. Em maio de 2024, falaram ao papa Francisco e a doze mil construtores da paz em Verona, na Itália. Receberam uma ovação de pé e um abraço do papa. Um ano depois, encontraram-se com o papa Leão XIV no Vaticano. Em dezembro de 2025, Maoz recebeu o prêmio Champion of Shared Society por seu trabalho em prol da convivência pacífica entre judeus e árabes em Israel.
O livro deles, O Futuro é a Paz: Uma Jornada Compartilhada pela Terra Santa, escrito em coautoria com o ativista palestino Hamze Awawde, tem lançamento previsto para abril de 2026.
Antes de 7 de outubro, Maoz havia passado vinte anos construindo pontes. Em 2005, criou uma pousada na Cidade Velha de Nazaré em parceria com uma família árabe local, com o objetivo de revitalizar a área e servir como plataforma de diálogo intercultural. Mais tarde, fundou a rede Abraham Hostel em Jerusalém, que se tornou a maior cadeia de hostels de Israel.
“Durante 20 anos tive parceiros da Palestina, da Jordânia e do Egito. Eu sei que israelenses e palestinos podem viver juntos porque vivi isso.”
Vinte e três anos antes, e centenas de quilômetros ao sul, em Belém, na Cisjordânia, outra história se desenrolava.
Layla Alsheikh nasceu e cresceu na Jordânia. Estudou contabilidade e gestão empresarial. Em 1999, casou-se e se mudou para Belém, realizando o que chamava de seu sonho de vida: retornar à Palestina.
Na madrugada de 11 de abril de 2002, seu filho Qussay, de seis meses, começou a ter dificuldades para respirar após soldados israelenses lançarem gás lacrimogêneo em sua vila. Layla tentou levá-lo às pressas ao hospital, mas soldados israelenses a impediram de fazê-lo por mais de cinco horas.
Qussay morreu naquela noite por falta de atendimento médico em tempo hábil.
Durante quatorze anos, Layla carregou seu luto em silêncio. Nunca buscou vingança. Nunca contou aos outros filhos como o irmão havia morrido, relutante em arrastá-los para o que chamava de um ciclo de violência.
Em 2016, uma amiga a convidou para uma reunião do Parents Circle–Families Forum, uma organização que reúne famílias israelenses e palestinas que perderam entes queridos no conflito.
A primeira reação de Layla foi: “Você está louca?”
Mesmo assim, ela foi. Na primeira reunião, sentou-se em silêncio, ouvindo outras mães contarem suas histórias: uma mãe que perdeu o filho em um atentado suicida em Jerusalém; uma mãe que perdeu o filho em um bombardeio em Gaza; uma avó que perdeu a neta em um ataque com foguete.
Layla percebeu que todas choravam da mesma forma. Todas tinham o mesmo vazio no peito. Todas acordavam pela manhã e precisavam de alguns segundos para lembrar que aquilo tinha realmente acontecido.
Na segunda reunião, Layla falou. Contou sobre Qussay. Sobre as cinco horas no posto de controle. Sobre segurar o corpo do filho enquanto ele ficava cada vez mais leve em seus braços. Quando terminou, uma mãe israelense atravessou a sala e a abraçou sem dizer uma palavra.
“Uma das mulheres israelenses se levantou e me disse: peço desculpas a você em nome do meu povo. Eu também sou mãe e sinto a sua dor. Ela não sabia que, com essas palavras simples, tinha me trazido de volta à vida.”
Layla voltou para casa e chorou como não chorava havia anos. Mas era diferente. Não apenas dor, havia também um tipo de alívio que ela não conseguia explicar.
Não há indícios de que Maoz e Layla já tenham se encontrado. Eles atuam dentro do mesmo movimento, mas seguem caminhos separados. Maoz viaja o mundo com Aziz, falando para plateias, encontrando papas, escrevendo livros. Layla participa das reuniões do Parents Circle em Belém, senta-se com mães israelenses e se recusa a permitir que a morte do filho sirva de justificativa para que outros filhos morram.
Desde 7 de outubro, as reuniões do Parents Circle tornaram-se mais difíceis. Os membros vivem em mundos distintos, moldados por ambientes midiáticos diferentes. Quase todos os membros palestinos perderam numerosos familiares em Gaza durante a guerra. O governo israelense proibiu o Parents Circle nas escolas, embora muitas escolas tenham desafiado a ordem.
Em um evento recente, alguém perguntou diretamente a Layla como ela conseguia conciliar genocídio e ocupação ao fazer esse trabalho com israelenses.
“Nem tudo eu posso perdoar.”
Ela descreveu suas próprias experiências com a violência de colonos sancionada pelo exército na Cisjordânia. O trabalho do Parents Circle, enfatizou, não exige perdão nem esquecimento. Exige apenas o reconhecimento da humanidade daqueles que estão sentados do outro lado.
Maoz não esqueceu que o Hamas matou seus pais. Layla não esqueceu as cinco horas no posto de controle. Nenhum dos dois perdoou. Mas ambos decidiram que seu luto não será transformado em arma, que sua perda não será usada para justificar mais perdas.
“Durante 60 anos, meu pai foi agricultor. Durante 60 anos, ele semeou trigo nos campos de Israel. E não importava o quão devastador tivesse sido o ano anterior, por enchentes ou por seca. Ele sempre semeava novamente. E eu perguntava: papai, o que você está fazendo? Por que não desiste? Por que não faz outra coisa? E ele sempre me dizia: Maoz, meu filho, o ano que vem será melhor. O ano que vem será melhor. E eu tenho a capacidade de torná-lo melhor.”
Maoz não pode mais semear trigo nos campos do pai. O kibutz ainda está se recuperando. Muitos vizinhos foram embora. Mas ele continua o trabalho em que seus pais acreditavam: construir pontes, conduzir viagens que aproximam israelenses e palestinos, falar para públicos ao redor do mundo.
“A esperança não é um sentimento que eu espero chegar. Eu faço esperança. A esperança é um esforço coletivo, algo que criamos juntos.”
Layla não pode trazer Qussay de volta. Não pode desfazer as cinco horas no posto de controle. Não pode apagar a memória do corpo do filho ficando mais leve em seus braços. Mas ela continua frequentando as reuniões do Parents Circle, continua sentando-se com mães israelenses e continua se recusando a deixar que o trauma defina completamente quem ela é.
Nenhum dos dois acredita que esteja mudando o mundo. Nenhum dos dois tem ilusões de resolver o conflito. Mas ambos fizeram uma escolha: recusam-se a deixar que seu luto se transforme em ódio.
A indignação moral só tem valor quando é universal. Quando se torna seletiva, previsível e dirigida sempre aos mesmos alvos, ela deixa de ser princípio ético e passa a ser instrumento de discriminação.
Em certos casos, mais do que isso: converte-se em manifestação objetiva de racismo.
No Brasil, essa afirmação não é retórica nem provocação ideológica. O Supremo Tribunal Federal já fixou entendimento inequívoco de que o antissemitismo é espécie do gênero racismo. Trata-se de definição jurídica consolidada. Hostilizar judeus — direta ou indiretamente — enquanto grupo identitário, religioso, étnico ou nacional configura racismo, ainda que sob o disfarce de discurso político ou moral. Hostilizar israelenses em função da sua descendência ou origem nacional, diz a lei, também é racismo.
Esse entendimento está expresso na Lei nº 7.716, de 1989, e não comporta ambiguidades interpretativas.
O problema contemporâneo é que esse racismo raramente se apresenta de forma explícita. Ele opera, com frequência, por meio da indignação seletiva.
O padrão é facilmente identificável. Determinados conflitos geram condenações imediatas, linguagem extrema e mobilização diplomática intensa. Outros, igualmente graves – ou até mais letais – , são tratados com silêncio ou cautela retórica.
Desde dezembro de 2025, um massacre em curso no Irã, marcado por repressão estatal violenta, execuções e elevado número de vítimas civis, transcorre praticamente sem reação proporcional do governo brasileiro. Não houve discursos inflamados nem condenações reiteradas. O silêncio é eloquente
Há relatos recentes de execução de feridos ainda deitados em macas hospitalares, além da prisão de médicos e profissionais de saúde cujo único “crime” foi prestar atendimento a manifestantes feridos. Médicos relatam dezenas de milhares de mortos em poucas semanas. Tudo isso ocorre sob a complacência retórica de um governo que insiste em propor o “diálogo”.
Diálogo? Diálogo entre um povo oprimido e massacrado e seus algozes?
É como se Luiz Inácio Lula da Silva propusesse um diálogo entre Alexandre Vannucchi Leme e o coronel Brilhante Ustra enquanto o estudante ainda estava pendurado no pau de arara. Ou um diálogo entre Dilma Rousseff e esse mesmo torturador, entre uma e outra sessão de choques elétricos
Esse comportamento contrasta com a postura adotada em relação a Israel, alvo recorrente de condenações sumárias e enquadramentos morais excepcionais. A diferença de tratamento não se explica por critérios humanitários objetivos. Ela revela a escolha reiterada de um alvo simbólico.
Quando essa seletividade parte do próprio Estado, o problema deixa de ser apenas retórico. A política externa do governo liderado por Luiz Inácio Lula da Silva tem exibido uma assimetria moral persistente: condena-se com dureza um único Estado; relativizam-se ou ignoram-se atrocidades cometidas por outros.
Não se trata de blindar Israel contra críticas legítimas. Criticar políticas e governos quando eles se excedem é próprio do debate democrático. O que não é legítimo é transformar um país e seu povo em exceção moral permanente. Menos ainda é tolerar a exclusão de israelenses, enquanto indivíduos, em ambientes acadêmicos, culturais ou institucionais, com base apenas em sua origem nacional.
Israelenses e judeus passam a ser responsabilizados coletivamente de modo obsessivo e contínuo pelo que um governo de ocasião fez ou deixou de fazer.
Historicamente, o antissemitismo jamais se apresentou como ódio puro e explícito. Sempre se revestiu de justificativas morais: combate ao poder, denúncia ética, causa civilizatória. Hoje, reaparece sob a forma de militância seletiva, onde apenas um povo é permanentemente responsabilizado pelos males do mundo.
Defender civis palestinos é legítimo e necessário. Usar essa defesa como pretexto para demonizar judeus, hostilizar israelenses ou hierarquizar vítimas não é solidariedade — é preconceito.
Quando um governo escolhe quem merece indignação e quem merece silêncio, ele não está defendendo direitos humanos. Está exercendo poder simbólico. E quando esse poder recai sempre sobre a mesma identidade, não há mais espaço para eufemismos.
Um governo que se indigna seletivamente pode reproduzir uma lógica racista.
Chamar isso pelo nome não é exagero.
É precisão jurídica, honestidade intelectual e responsabilidade histórica.
Charles Schaffer Argelazi,
Advogado, Cientista Social e um social-democrata irresoluto
Devotos da ordem totalitária, do terror! atenção! Atenção!
Viva os líderes!
Khomeini, Khamenei!
Nossos irmãos, os aiatolás do Irã, precisam de nós.
A revolução islâmica está sob ataque.
Este é um momento ímpar. Um chamado histórico.
Conclamamos todos. Contribuam. Contribuam!
Os aiatolás já não conseguem mais matar em paz.
Cada corpo que cai nas calçadas produz, vejam só, novos e novos manifestantes. Brotam das esquinas, das escolas, das casas, das ruas — uma epidemia de gente viva.
Ingratos!
Ingratos estes iranianos.
Ingratas estas mulheres, cuja moral os aiatolás tão zelosamente preservam sob o cerco dos panos pretos, que ocultam rostos, corpos e hematomas — marcas nem tão discretas da legítima violência doméstica, essa instituição milenar.
Como ousam essas ingratas sair às ruas pedindo liberdade?
Sabem elas, afinal, o que é liberdade?
E vejam a que ponto chegamos: nem torturar conseguem mais, os pobres carracos dos aiatolás.
Faltam mangueiras para violar gestantes.
Falta eletricidade para choques nos genitais de adolescentes.
Faltam baldes para afogar manifestantes.
Faltam mortalhas, covas rasas!
Faltam balas.
Imaginem! Cartuchos em falta!
Observem a tragédia: apenas 500 mortos em três dias. Uma miséria. Uma escassez inadmissível.
E, para coroar a humilhação suprema, faltam até pedras.
Não há pedras suficientes para exercer o mais singelo dos direitos previstos na Sharia: apedrejar gays até a morte.
Que crueldade, às vezes, a vida impõe a estes pobres torturadores do Irã!
É hora de recorrer à experiência histórica. Realismo, Austeridade! Afinal falta tudo, dinheiro, petróleo, comida, água e ar!
Os devotos do totalitarismo podem ajudar. Eis o chamado à gloriosa NKVD, escola de Beria e Yezhov, em defesa de uma Yezhovshchina eficiente e barata!
Tortura, sim — mas com austeridade.
Os tempos são de contenção fiscal. Nada de luxos elétricos, nada de desperdício hidráulico. Priorizar métodos de baixo custo, alta repetição e mínimo investimento:
o medo sustentável, o sofrimento reciclável, a repressão responsável.
Em Teerã está fazendo menos de dez graus, está frio, qualquer golpe, um chicote improvisado, um cabo de rifle, cassetetes, bastões, barras de borracha, cordas, tudo isto, machuca, fere, e com um mínimo de pressão fiscal
Lembranças das celas geladas da Sibéria, a privação de sono contínua, a stoyka , o pão reduzido e as mortes por inanição.
Tudo feito sob medida para a garantir a restrição orçamentária.
Devotos do totalitarismo e do terror, do mundo inteiro, uni-vos!
Viva a Revolução Islâmica! Viva o Líder!
O Irã precisa de vocês.
Contribuam. Contribuam!
Nossos irmãos precisam de nós.
Charles Schaffer Argelazi
Advogado e Antropólogo
Sócio da Argelazi Advocacia
Não me cansarei!!! Venho, de novo, alertar ao que está acontecendo em Israel e que vocês não conseguem ver ver, talvez porque as mensagens chegam a nós deformadas por parte de ambas as mídias, de ambos os lados, com narrativas de ou nós ou eles, incapacitando a todos de poder ver a complexidade do conflito. Talvez por uma necessidade de defesa contra o antissemitismo atual ou talvez por encarar a verdade que destruiria nosso sonho, nosso ideal sobre o Estado de Israel.
O fato de que a Hamas realizou o maior massacre a judeus desde o Holocausto, que terroristas palestinos realizaram o maior massacre a civis na Austrália, que os palestinos criam fake news, que as mídias as transformam em verdades, não justifica o que este governo fez e está fazendo em Gaza e na Cisjordânia.
Estamos vivendo um momento crucial na história de Israel. Pela primeira vez temos um governo de extrema direita, no qual 25% de seus ministros são religiosos messiânicos, fascistas, 25% são haredim querendo impor leis religiosas a todos e combater o feminismo e a comunidade LGBT+. Os outros 50% dos ministros, pertencentes ao Likud, não são menos extremistas e querem acabar com a liberdade do sistema Judiciário e da Mídia.
Este governo, apesar de ser composto pelos setores mais tradicionais e religiosos da sociedade israelense, estão realizando atos antijudaicos, antissionistas, imorais. De 35 ministros, 15 estão sendo acusados de corrupção, sendo o primeiro deles o 1º ministro, Bibi Natanyahu, Sr. Crime Minister.
Estamos diante de 2 fatos principais. O primeiro pessoal de Bibi Nataniahu, que fez tudo e está fazendo tudo para sobreviver na política, pois caso saia dela , será julgado e incriminado. Há um mês atrás pediu anistia ao presidente, sem reconhecer culpabilidade e sem declarar que deixará o ativismo político. Ou seja, pediu ao presidente que cancele seu julgamento. Estamos diante de mais um ato de corrupção, se não de traição, o Qatargate – os assessores de Bibi Natanyahu, em plena guerra trabalharam para Qatar, recebendo dinheiro. Qatar que sustenta a Hamas e na qual vive a cúpula política da Hamas, em hotéis de 7 estrelas. Esses assessores falsificaram documentos em 2024, que foram usados no artigo no jornal Bild, de maior tiragem na Alemanha,querendo provar assim que a Hamas não quer o acordo de cessar-fogo e retorno dos reféns. Com isso Bibi e seu governo puderam continuar a guerra com a narrativa de que a força é o único meio para a volta dos reféns.
O segundo fator é ideológico. O sionismo judaico messiânico prega o retorno ao Grande Israel, a limpeza étnica. Não ele não prega o genocídio, mas se para haver limpeza étnica é preciso haver genocídio, parte deste governo apoiaria. Assim como o Rabino Eliahu Mali declarou Guerra Santa em Gaza e que temos que matar todos os bebês e crianças, pois serão, no futuro, terroristas. A policia de Ben Gvir, encerrou a investigação de chamada a genocídio.
Precisaria escrever um livro, para descrever as manipulações, mentiras e corrupções que Bibi e seu governo vêm cometendo nestes 3 anos. Mas, meu objetivo vai além disso. Minha intenção é alertar a comunidade de quanto longe nós estamos afastando do judaísmo moderno e de seus valores sejam eles das correntes laicas, humanista, reformistas ou conservadoras. O quanto este governo está se afastando dos valores do sionismo e da carta da independência assinada no ato da declaração do estado de Israel por Ben Gurion. Meu objetivo é alertar a comunidade de que um dos principais fatores da eclosão do antissemitismo é este governo e Bibi Natanyahu. Não o único, mas sem dúvida a calamidade, a opressão em Gaza deu armas nas mãos de antissemitas.
“Não oprimirás o estrangeiro, pois conheces o coração do estrangeiro, visto que fostes estrangeiros na terra do Egito” (Êxodo 23:9) e “Amarás o estrangeiro, porque também tu foste estrangeiro na terra do Egito” (Deuteronômio 10:19).
Em Pessach lemos “Em cada geração, cada pessoa tem a obrigação de se ver como se tivesse saído do Egito”
Ao que parece, a religião “judaica” de Bibi Natanyahi, Ben Gvir, Smotrich, Rav Gafni, Rav Edri e todos os 68 membros da atual coalizão se difere daquela que durante mais de 3000 anos, desde que recebemos a Torá em Har Sinai, pois para eles o estrangeiro tem que ser morto e expulso. .
Em Gaza morreram 70 mil pessoas, 40 mil civis. Gaza foi totalmente destruída, em uma guerra desproporcional, gerada por vingança e por interesses pessoais e ideológicos. Na Cisjordânia todos os dias estão sendo cometidos atos terroristas por colonos judeus, chamados de “Noar Hagvaot” (Jovens das Colinas). Casas e aldeias são incendiadas, plantações arrancadas (principalmente oliveiras, que também é proibido na Tora), mulheres, jovens e idosos são espancados e seus rebanhos roubados. A organização de Rabinos pelos direitos humanos e centenas de voluntários, inclusive eu, vão aos territorios ocupados, a Cisjordania Palestina, para ajudar aos palestinos fazerem a colheita das olivas. Mas, o exercito de Smotrich está impedindo que cheguem ao seu destino.
Smotrich, sendo ministro da Cisjordania, está permitindo e apoiando economicamente a criação de dezenas de colonias ilegais em terras particulares de palestinos.
Este governo, que parte dele passa 24/7 estudando a Tora, parece que sofrem de “invertologia” , isto é a doença de inverter a leitura, lendo assim o texto acima desta forma: Oprimirás o estrangeiro, pois conheces o coração do estrangeiro, visto que fostes estrangeiros na terra do Egito” (Êxodo 23:9) e “Nãoamarás o estrangeiro, porque também tu foste estrangeiro na terra do Egito” (Deuteronômio 10:19).
A inversão de valores judaicos, o fanatismo é descrito em uma palavra – fundamentalismo. Vivemos hoje em Israel, um fundamentalismo judaico, que não aceita nenhuma outra forma de judaísmo, repudiando qualquer religião que não essa na qual eles acreditam. Vocês podem achar que estou exagerando. Convido-os a uma conversa na qual poderei expor as leis que estão sendo impostas atualmente na Knesset, verbas sendo desviadas para as escolas harediot, que não cumprem com a lei e as normas de curriculum, segregação de meninas sfaradiot em escolas de meninas ashkenaziot, leis contra organizações laicas, ataques a organizações anti-religiosas e que lutam pela paz e o estabelecimento de 2 estados, etc.
Israel não está ameaçada pelas forças inimigas, por mais brutais, bárbaras e sanguíneas que sejam. Somos fortes e bem armados para combatê-las. Por mais pacifista que seja, acredito que quando forças asim surgem temos que combate-las com força. Mas existe uma diferença entre usar a força proporcionalmente, humanamente e não nos assemelharmos àqueles que nos atacaram de forma deshumana. Em terra de olho por olho, os povos e os lideres se tornam-se cegos.
Israel está ameaçada pelas forças internas do fundamentalismo judaico. Do fanatismo que tenta destruir a democracia que criamos com tanto esforço durante 77 anos, mais de 100 anos de sionismo. O governo está impondo leis para fragilisar o sistema judiciario, fechando os canais públicos de radio e TV, criando um sistema de censura para o cinema e documentários, retirando apoio economico a produção local que critique o governo, o exercito e a religião.
Milhares de crianças foram mortas nesta guerra, muito mais que milhares de crianças sofrem de pós-trauma em Gaza e em Israel, pelo menos 3000 crianças em Gaza estão mutiladas. Elas não são culpadas pelo fanatismo de ambos os lados.
A.D. Gordon disse “ Não combatam a escuridão, apoderem a luz”. A comunidade judaica no Brasil pode apoderar a luz e em vez de lutar contra a extrema esquerda brasileira e mundial e a extrema direita em Israel, mostrar que existe um outro Israel. Àquele que apoia uma solução de paz, que reconhece os direitos legitimos do povo palestino a um Estado livre, ao lado do Estado de Israel. Judeus sionistas que apoiam os palestinos que queiram viver em paz e que juntos ajudam a reconstrução de Gaza destruida. Judeus sionistas que apoiam projetos como o PIS, Palestine Israel Solidarity, projeto com o objetivo de construir um centro comunitário em Gaza e na Galileia para crianças palestinas e israelenses, judias, muçulmanas, cristãs e drusas. Centros que trarão uma mensagem de paz e reconciliação. Centros que em algum momento falarão entre sí, criando uma corrente de esperança para a nova geração, que até o momento só conheceu o medo, o odio, a violência.
A comunidade judaica pode escolher se faz parte do problema ou da solução. Mas, mais do que a comunidade, você como indivíduo da comunidade, pode tomar a sua própria decisão.
“I can’t sum myself up because it’s impossible to add up a chair and two apples. I’m a chair and two apples. And I don’t add up.”
Clarice Lispector was a Brazilian-Jewish novelist and short story writer. Considered one of Brazil’s most outstanding literary figures, she is internationally acclaimed as one of the greatest women writers of the twentieth century for the singularity of her novels and short stories. She was born this week in 1920.
Pierre-Joseph Proudhon nasceu em Besançon, França, a 15 de janeiro de 1809. Sendo ele o quinto filho de uma família muito pobre, trabalhou desde pequeno com o pai na fabricação de cerveja e, depois, no pastoreio.[1]
Ao conseguir uma bolsa de estudos, começou sua jornada aos onze anos em um colégio de sua cidade, demonstrando, desde então, grande interesse pela leitura, conjugando a vida de pastor com a escola e fugas para a biblioteca da sua cidade. Mas, quando sua família perdeu as terras e a possibilidade de continuar no pastoreio, teve que se retirar dos estudos para ajudar nas despesas da casa não podendo terminar seus estudos. Em 1827, aos treze anos, é enviado para trabalhar na tipografia dos Gauthier. Desde essa época passou a cultivar a imprensa.
Durante os anos seguintes trabalhou como tipógrafo em Neuchâtel, Marselha e Draguignan, tempo em que, como autodidata, estudou hebraico, latim e grego e, em 1830, resolveu mudar-se para Paris, vivendo na casa do seu amigo Gustave Fallot. Neste tempo completa a leitura da Bíblia e de obras teológicas que, como consequência, desperta-lhe aversão à religião dos teólogos. Em 1833, Proudhon retorna a Besançon para dirigir a tipografia dos Gauthier.
Em 1837, escreve Essai de Grammaire Générale, que lhe traz menção honrosa, e lhe dá condições de se candidatar, em 1838, à pensão Suard (atribuída a jovens pobres da região que tivessem vocação para a carreira de letras ou ciências). Para isso apresenta o texto Candidature a la Pension Suard, recebendo a bolsa.
Em 1839, imprime sua primeira obra importante, De l’Utilité de la Célébration du Dimanche, considerée sous les rapports de l’hygiène publique, de la morale, des relations de famille et de cité. No ano seguinte, 1840, publica a obra que lhe fará conhecido e polêmico, Qu’est-ce que la Propriété? ou Recherches sur le príncipe du Droit et du Gouvernement, por conta da qual quase perde sua bolsa, mas tem que responder diante da Academia de Besançon, anota Giampietro Berti (1982, p. 79).
Em 1842, transferindo-se para Lion, vai trabalhar em uma empresa de transportes marítimos, e publica, em 1843, a sua “De La Création de l’ordre dans l’Humanité”. Em 1845, passa o inverno em Paris, onde Marx o conhece. Em 1846, publica o “Système des Contradictions Économiques ou Philosophie de la Misère”.
Em 1848, participa ativamente da Revolução e se elege Deputado na Assembleia Nacional, momento em que propõe reformas radicais na economia, quando recebe o mote de homem-terror, tanto de socialistas quanto da burguesia. Vota contra a Constituição e, após a eleição de Luiz Bonaparte à presidência, passa a atacá-lo com artigos em jornais, em função dos quais será processado, condenado e encarcerado em 1849. Fica preso até 1852, quando encontrou os socialistas desterrados pelo golpe de 1851. Desde então, Proudhon escreverá várias obras, entre as quais, a Théorie de la Propriété, terminada em 1862, e que será publicada apenas em 1865, após sua morte, que se deu a 19 de janeiro de 1865.
A sua Teoria da Propriedade (Théorie de la Propriété, 1865) é a obra que fecha a trilogia da propriedade, e completa as obras Filosofia da Miséria (Système des Contradictions Économiques ou Philosophie de la Misère, 1846) e sua obra polêmica, O Que é a Propriedade? (Qu’est-ce que la Propriété?, 1840).[2]
No conjunto, sua obra contribuirá, não apenas para a crítica, mas para toda a ciência econômica e social, bem como jurídica. Pontes de Miranda (1972, p. 16), por exemplo, coloca Proudhon como essencial para a crítica da explicação e elaboração do direito, especialmente entre os vários autores da Sociologia e Doutrinas científicas,[3] e Ruy Barbosa (1964, p. 303) utiliza-o elogiosamente em seus textos.[4]
[1] Sugerimos a leitura do nosso Pierre Proudhon e sua Teoria Crítica do Direito Civil, Ed. Scortecci, 2021, a fim de se ampliarem a visão e conhecimento da crítica que Proudhon faz ao mau uso da propriedade, bem como da defesa da sua função libertária. Ademais, a obra ajudará a compreender como Proudhon foi utilizado nos Kibutzim judaicos (Israel) desde 1870.
[2] O pensamento de Proudhon sobre a propriedade não pode ser alcançado e compreendido sem a leitura atenta destas obras (que se completam em verdadeira trilogia). Leituras parciais, rasas ou desonestas, ou o desconhecimento de tais obras, levaram civilistas, liberais, socialistas, comunistas, capitalistas etc., a fazerem afirmações infantis, injustas ou desprovidas de fundamento. Neste capítulo, oferecemos o conhecimento total das obras de Proudhon e, assim, contribuir com a teoria da propriedade.
[3] Pontes de Miranda, no Sistema de Ciência Positiva do Direito, de 1922, republicado em 1972.
[4] Ruy Barbosa, na sua Teoria Política, republicado em 1964, comenta, elogiosamente, a obra de Proudhon De la Célébration du Dimanche (1839).