Por quem choras Palestina

Por quem choras Palestina

São pessoas como o colunista Sayd Marcos Tenório que afastam qualquer possibilidade de diálogo entre palestinos e israelenses. Suas teses em artigo publicado no Brasil247, recheadas de pérolas antissemitas como: “A ONU aprovou, inclusive com o voto do Brasil, em 1975, a Resolução nº 3.379, que considerou o sionismo uma forma de racismo, mas, em 1991, ela foi revogada por pressão do lobby judeu”, ou seja, os judeus foram capazes de obrigar o mundo a reconhecer que Sionismo não é Racismo. E segue: “Então, se o sionismo é uma ideologia racista e de direita, pode haver um pensamento de esquerda no seu seio?”, para atacar o Sionismo Socialista.

Todo antissemita vive com uma paranoia conspiracionista. Imaginam que nós sionistas socialistas, sionistas de direita e sionistas de todo tipo, somos aqueles caras mencionados nos Protocolos dos Sábios do Sião. Me fazem lembrar um intelectual que depois de ler “Holocausto, Judeu ou Alemão” de Siegfried Elwanger, me disse que era um absurdo tudo aquilo, mas que alguma coisa de verdadeiro devia ter. O que nos leva a Berenice Bento, notória antissemita que tenta fazer todo um exercício psicofilosófico para negar a existência do sionismo socialista, que é claro, tinha de ser mencionada.

De acordo com Sayd, a tragédia palestina tem só um culpado, os sionistas, e só pode ter uma solução, a destruição do Estado de Israel através das forças de resistência palestina. Forças que ele chama de Partidos Armados, uma nova definição na política para grupos armados que atacam civis. Seria como chamar as milícias do Rio de Janeiro, ou o PCC de Partidos Armados.

Mas tem mais antissemitismo na narrativa: “O sionismo é uma ideologia que se apropriou do judaísmo como forma de dar sustentação às suas teses racistas e supremacistas, quando sabemos que nem todos os judeus são sionistas ou apoiam as atrocidades de Israel“. Como assim? Existe Sionismo fora do judaísmo? Claro que nem todos judeus apoiam as atrocidades de Israel, assim como nem todos os palestinos aprovam as atrocidades que foram cometidas pela OLP no passado, e são cometidas pelo Hamas nos dias de hoje.

Segundo Sayd, “O sionismo se baseia na teoria defendida por Herzl no seu livro O estado judeu, de 1896, da existência de um estado nacional judaico independente e soberano no território onde supostamente teria existido o “Reino de Israel”. Para supostamente, eu imagino que ele intencionalmente tenta apagar a história do povo judeu em Israel, que a Bíblia nos relata histórias da carochinha, que todos os historiadores são comprados pelos judeus para contarem mentiras. De verdade, existe o fato de que nunca na história existiu um Estado Palestino.

Para confirmar de que não podem dialogar com a esquerda sionista ele diz: “Essas forças da “esquerda sionista” são responsáveis pela criação do estado de Israel em 1948 e pelos desdobramentos da Nakba (tragédia), pois foram eles que pressionaram a antiga União Soviética a fornecer armas às milícias paramilitares sionistas, como Haganah, Irgun e Stern, por intermédio da Checoslováquia“. De fato, a criação de Israel se deu através da ONU, assim como do Estado Palestino. Deu-se inicio a um conflito armado e um lado saiu vencedor, o Estado de Israel que tinha na época uma maioria parlamentar de esquerda. Mas dizer que a então União Soviética forneceu armas através da Checoslováquia devido a pressão da esquerda sionista é chamar seus leitores de tolos.

Sayd ataca a direita judaica, a esquerda judaica e os judeus em geral. Para ele não existe outro caminho senão o do enfrentamento armado. Poderia ser o porta voz do Hamas. Parece que a esquerda humanista e progressista não se importa quando se referem a destruição de Israel, muito diferente quando se trata de um General Iraniano.

A pergunta que não quer calar é o que de bom existe em um artigo como este. Que proposta de solução para o conflito ele traz? Como seria uma iniciativa de paz entre os dois lados? Quem se sentaria a mesa de negociações para encontrar uma solução definitiva?

Sayd faz o mesmo jogo da direita israelense quando tenta desumanizar a esquerda sionista. A direita trata todos os palestinos como terroristas, ele trata todos os sionistas como iguais, de direita. É incrível como os extremos opostos se tocam.

Eu não preciso que me digam o que sou, ou como devo me definir. Tenho passado, tenho história e sei diferenciar um parceiro para a paz de um antissemita que se passa por antissionista. Os palestinos não merecem a situação em que se encontram. Talvez quando olharem para si mesmos e se perguntarem: “o que fizemos para nos encontramos assim“, comece haver uma luz no final do túnel. Mas enquanto os Sayds continuarem a colocar a culpa nos sionistas, nada vai mudar.

Não é o sionismo que está destruindo a Palestina, são os radicais e extremistas dos dois lados que não permitem aos dois povos uma conciliação e convivência pacífica com dois Estados lado a lado. Vocês sobrevivem do conflito, se alimentam do ódio e são incapazes de aceitar a paz.

Que tal uma Live ao vivo com debatedores sionistas socialistas e vocês?

Meu amigo judeu

Meu amigo judeu

Todo antissemita tem um amigo judeu. É uma característica deles. Se dizem contra o Estado Nazista de Israel, contra os judeus que lá vivem, são sempre antissionistas fervorosos. Os de esquerda em especial não sabem que foi graças as armas fornecidas pela Checoslováquia, um satélite comunista da então União Soviética, que Israel pode vencer a guerra da Independência. Mas isto já é outra história.

Mal acabou mais um conflito entre Israel e Gaza e novamente os antissemitas de plantão fizeram a festa carregando consigo os que de boa fé apoiam um Estado Palestino. Foram 219 mortos em Gaza e 10 em Israel, o suficiente para acusar o Estado Sionista de genocídio. O fato de que desta vez tudo explodiu com o lançamento de foguetes contra Jerusalém, é apenas um detalhe. Que o conflito interessava politicamente o atual governo israelense e o Hamas, outro mero detalhe.

Vejamos entretanto o que está acontecendo no mundo para se ter uma ideia da desproporção dos ataques que inundaram o Twitter com a hashtag  #hitlertinharazão. Sim, muita gente de esquerda que se diz apenas antissionista, ajudou a subir esta hashtag.

De acordo com o Programa Mundial de Alimentos, PMA da ONU, Mais de 31 milhões de pessoas devem enfrentar insegurança alimentar na África Ocidental e Central. Ela pede uma ação imediata para evitar que a falta de comida cause uma situação de catástrofe

A agência alerta que a temporada de escassez vai de junho a agosto deste ano, antes da próxima colheita. Vocês sabiam disso? Estão ajudando a evitar a fome deste contingente humano?

Ainda na África, centenas de moçambicanos estão tentando escapar da violência dos recentes ataques de grupos armados extremistas islâmicos, em Palma. Eles estão encontrando abrigos temporários com apoio do governo de Moçambique, da ONU e parceiros internacionais.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, informou que até a quinta-feira, quase 14 mil pessoas foram cadastradas num Centro de Trânsito e Acolhimento em Pemba, capital da província de Cabo Delgado. As chegadas aumentam a cada dia. Algum antissemita, ou antissionista está apoiando os grupos extremistas islâmicos contra o governo de Moçambique?

Seis anos de conflito no Iêmen já deixaram 80% da população abaixo da linha da pobreza. O país enfrenta a maior crise humanitária do mundo: 66% da população precisa de assistência para sobreviver e 16 milhões de pessoas sofrem com a fome. O conflito armado já matou e feriu mais de 100.000 pessoas. Vocês que atacam os judeus, estão ajudando a população do Yêmen?

Vamos falar de Myanmar. Segundo o El País, “Mergulhado há décadas em várias guerras civis com guerrilhas formadas por minorias étnicas, Mianmar vê aumentarem as possibilidades de um conflito maior ante a espiral de violência e anarquia gerada após o golpe de Estado de fevereiro passado. Com mais de 500 mortos pelos ataques de policiais e militares contra os manifestantes que pedem a volta da democracia, e a fuga de milhares de birmaneses a países como Tailândia e Índia, o país enfrenta um dilema impossível: ou se opor ao Tatmadaw ―o Exército birmanês― ou se render ante os golpistas. A segunda opção tem sido descartada por algumas das guerrilhas mais poderosas da antiga Birmânia, que, em diálogos com o Governo civil na clandestinidade, concordam em se unir para formar um exército federal que possa afastar do poder as forças armadas do general golpista, Min Aung Hlaing.” Onde está a esquerda para apoiar o povo de Mianmar na sua luta por democracia?

E a Síria onde o conflito deixou em 10 anos mais de 380 mil mortos e levou 1,5 milhão de refugiados Sírios a abandonarem o país? Nas eleições presidenciais desta semana, Bashar Al-Assad ganhou com incríveis 95% dos votos. Posso estar equivocado, mas penso não ter visto nenhuma manifestação de qualquer partido político brasileiro, ou de seus líderes contra esta fraude.

Para fechar, que tal a gente falar da Bielorrússia? Lá, Alexander Lukashenko tem sido o seu presidente desde 1994. Em todas as eleições ele ganha sempre com ampla maioria dos votos. Na última, realizada em 2020, venceu com 80% . A população bem que tentou protestar, mas não recebeu nenhum apoio internacional contundente. Esta semana o país voltou as manchetes ao sequestrar um avião da Ryanar para deter um jornalista de oposição e sua companheira. Novamente preciso perguntar aqui quantas manifestações da esquerda contra este ato de terrorismo de estado foram vistas?

Hora de voltar a falar do “Meu Amigo Judeu”. É verdade que existem comunidades judaicas em quase todos os países do mundo, em maior ou menor número. Elas costumam ser organizadas e atuantes em seus países. Os judeus são sempre uma pequena parcela da população, mas parecem representar muito mais do que são de fato. No Brasil são cerca de 100 mil, mas há quem diga que foram eles que elegeram Bolsonaro.

Como todo grupo social, existem judeus de todo tipo: religiosos e laicos; sionistas e não sionistas; de esquerda e de direita; ricos e pobres; torcedores dos mais variados times de futebol; de todos os gêneros; enfim, são iguais a todos os grupos sociais que compõe a sociedade. No entanto, a direita antissemita tradicional e a esquerda antissemita de ocasião enxergam somente o judeu rico que apoia o Estado de Israel que por sua vez estaria cometendo um genocídio contra o Povo Palestino.

Antes de apontarem o dedo para Israel com uma ilação destas, me falem dos Yanomami, dos povos indígenas dizimados por vocês. Amoin Akuká, o último indígena da tribo Juma, morreu aos 86 anos por Covid-19 no início do ano. Milhares de outros indígenas morrem por doenças levadas por garimpeiros que invadem suas terras. Uma tribo inteira deixou de existir. Onde vocês estão enquanto estas coisas acontecem?

Nunca escutei amigos da esquerda me dizerem que tem um amigo índio. Nem que tenham um amigo moçambicano, nem que tenham conhecidos do Yêmen, ou da Síria, tampouco da Bielorrússia. Mas já tive vários que diziam ter “um amigo judeu“, que no caso era eu! Abandonei a amizade de todos eles quando acusaram os judeus pelo genocídio do povo palestino. Uma mentira repetida ao estilo nazista de Joseph Goebbels. E há quem acredite. E de esquerda!

Siegfried Elwanger, o famigerado dono da Editora Revisão dedicada a publicação exclusivamente de literatura antissemita e autor do livro “Holocausto, Judeu ou Alemão:”, em sua defesa no processo em que fui parte contra ele, alegava não ser antissemita e que inclusive tinha “amigos judeus“.

A esquerda antissemita é igual a direita islamofóbica. Muda apenas para quem o preconceito é dirigido. A mesma retórica. O racismo é da natureza humana, não importa a ideologia. Nisto, esquerda e direita, direita e esquerda, são a mesma coisa para quem sofre os ataques. Não existe país no mundo que não sofra deste flagelo.

Para deixar claro: genocídio cometeu a Turquia contra os Armênios com 1,5 milhão de assassinatos. Os Tutsis contra Utus com 800 mil assassinatos em Ruanda. O Kmer Vermelho no Camboja contra seu próprio povo com cerca de 3 milhões de mortos. Os nazistas contra os judeus com 6 milhões de mortos. E mais recentemente, Bolsonaro contra seu próprio povo com 450 mil mortos.

A despeito de tudo, eu sigo acreditando em um futuro Estado Palestino em Gaza e na Cisjordânia. Temos de retomar o diálogo, pois só ele pode trazer a solução para o conflito. A violência só trás mais violência e o ciclo precisa ser quebrado. Precisamos de parceiros para sentar a mesa. Países que não escolhem lado, que não apontam o dedo, que mostrem  o que pode nos unir, não o que nos divide.

Estamos cansados de tudo isso. Não queremos mais seguir enterrando nossos mortos a cada nova batalha de uma guerra que nunca terá um vencedor. Nós israelenses não vamos desaparecer. Eles, os palestinos não vão sumir. Estamos condenados a uma vida em comum, temos uma única escolha a fazer, se ela será em paz, ou em guerra.

A maioria dos dois povos  sempre escolheu o caminho da paz. Então nos ajudem a encontrá-la. Nos mostrem o caminho e permitam que o tempo do ódio fique no passado e o futuro seja de convivência em harmonia para os dois povos.

Talvez semana que vem surja um novo governo em Israel e Bibi finalmente vá para a oposição. Um governo de união nacional com partidos de esquerda, de centro e de direita apoiados por um partido árabe que vai dar sustentação. Se somos capazes de reunir forças tão distintas, tão diferentes, acredito que sejamos capazes de retomar as negociações de paz em um futuro próximo.

Esta é a melhor resposta para vocês e o seu preconceito.

Bibi e o Hamas, mais unidos do que nunca

Bibi e o Hamas, mais unidos do que nunca

Mais uma vez a violência explodiu em Israel. Desta vez o conflito começou em Jerusalém e arrastou o resto do país e Gaza com ele. O que aconteceu agora, diferente das outras vezes é que estivemos muito próximos de ter um governo sem o Likud e seus aliados religiosos.

Os problemas com Gaza são conhecidos. O Hamas governa a região e diferentemente da Autoridade Palestina que governa a Cisjordânia, não aceita a existência do Estado de Israel e se compromete com a sua destruição para a criação do Estado da Palestina.

A cada par de meses o Hamas, ou a Jihad Islâmica, lançam esporadicamente foguetes contra Israel. De tempos em tempos a coisa sai do controle e temos um conflito de maiores proporções, como em 2014.

O ano passado tivemos o verão dos balões incendiários jogados contra Israel, antes disso, as manifestações diárias na linha de fronteira com dezenas de palestinos mortos. A crise com Gaza é constante e a fronteira abre e fecha a todo momento. Israel mantém o território como uma grande prisão a céu aberto.

Israel até agora tinha evitado uma escalada maior de violência, mesmo diante de disparos de foguetes por parte do Hamas ou seus aliados. As respostas aos disparos eram pontuais contra postos de observação e alvos sem grande importância. De repente tudo mudou. Estamos vendo o desenrolar de um novo conflito de grandes proporções.

Para se compreender como chegamos a este ponto é preciso voltar um pouco no tempo. Israel depois de 4 eleições em 2 anos, não consegue formar um governo estável. A proporção de forças de direita e esquerda não permitem. A direita tem mais votos, mas não se acertam entre eles. Bibi criou tantos desafetos que eles, junto com a esquerda, acabam formando um bloco que não permite a Bibi constituir um governo.

Desta vez, ele bem que tentou, mas foi incapaz de juntar uma maioria de pelo menos 61 apoiadores. Precisava incluir um partido de extrema direita radical e obter o apoio de um partido árabe para chegar a 61 mandatos. Algo como tentar misturar água e óleo de soja. Não conseguiu e teve de entregar a incumbência para seu inimigo político, Yair Lapid.

São três partidos de direita que se tornaram desafetos do Likud de Bibi. O Israel Beiteinu de Avigdor Liberman com 7 mandatos, Tikvá Chadashá de Guidon Saar com 6 mandatos e o Iemina de Naftali Bennett com 7 mandatos.  Os dois primeiros prometeram aos seus eleitores, antes das eleições, que não se sentariam com Bibi. O terceiro prometeu aos seus eleitores, antes das eleições, que não se sentaria com Yair Lapid, mas que também não desejavam sentar com o Likud.

Ao receber do presidente a tarefa de tentar formar um governo, Lapid foi em busca de parceiros. Os partidos tradicionais de oposição como o Avodá e o Meretz fecharam com ele. O Kachol Lavan de Gantz também. Isarel Beiteinu e Tikvá Chadashá também se somaram. Faltava o Iemina de Bennett que foi contemplado com a indicação de se tornar Primeiro Ministro por dois anos, cedendo o lugar depois para lapid. Contudo, somados todos os mandados, Lapid chegou a 58. Faltavam pelo menos mais 3.

Começaram as tratativas com o partido Árabe Raam de Mansur Abaas que até pouco tempo fazia parte da Lista Árabe Unida, com seus 4 mandatos. Lapid tratou de aproximar Abaas de Bennett e tudo indicava que o Raam apoiaria o governo de fora em um esquema assinado entre as partes. Os cargos e ministérios já estava sendo divididos e a formação do novo governo era coisa de dias.

Enquanto isso Bibi incitava seus apoiadores a pressionarem Saar e Bennett para não aceitarem fazer parte de um governo de “esquerda”, como são chamados qualquer um que não seja do Likud. Manifestações em frente as casas dos parlamentares eleitos se tornaram uma rotina. Um deles eleito pelo Iemina cedeu e anunciou que não votaria a favor do Governo da Mudança. Ainda assim, com o apoio da Abaas era possível formar a coalizão.

O que vai acontecer a seguir pode parecer uma teoria conspiratória, mas quem conhece Benjamin Netanyahu, sabe que do que ele é capaz para se manter no poder. Bibi é conhecido como um gênio na arte da política, ótimo em prometer, péssimo em cumprir. Não é por nada que ele sobrevive há cerca de 20 anos como primeiro-ministro.

Este ano o final do Ramadan coincidiu com o Dia de Jerusalém, uma comemoração pela unidade da cidade e sua indivisibilidade. Normalmente uma festa com paradas e manifestações nacionalistas xenófobas levadas a cabo pelos partidos de extrema direita e seus apoiadores.

Pouco antes do Ramadan, jovens árabes de Jerusalém começaram a postar no Tik Tok, vídeos onde cometiam algum ato violento contra um judeu, ou grupo de judeus. Empurrões, tapas na cara, derramamento de café, tudo valia para aparecer no aplicativo e logo estes fatos começaram a esquentar os ânimos entre jovens judeus.

A festividade do Ramadan dura um mês quando os muçulmanos jejuam durante o dia. A noite uma janta comemorativa depois das orações e tudo se repete nos dias seguintes. Em Jerusalém as orações são feitas principalmente nas Mesquitas do Monte do Templo. Após a janta, as pessoas se reúnem para confraternizar e não foi diferente em Jerusalém. Porém agora, a polícia começou a intervir chegando a invadir o Monte do Templo com toda violência típica de qualquer polícia do mundo.

Ao mesmo tempo, um longo processo de desocupação de 4 casas no bairro árabe de Sheick Jarrad, em Jerusalém Oriental, chega ao final com a decisão a favor dos demandantes. Sem entrar no mérito, famílias judias moravam e tinham a propriedade das casas neste local antes de 1948. Com a guerra de Independência em 1948, elas foram expulsas e famílias árabes as ocuparam. Em 1967 Israel retoma este território e uma lei israelense passa a aceitar que judeus que possuam certificados de propriedade de terras nestes territórios, possam retomá-los. Cidadãos árabes israelenses que vivem em Israel e foram expulsos de suas casas em Yafo, Tel Aviv, Haifa etc, no mesmo período, mesmo possuindo os certificados de propriedade, não podem pedir a retomada delas.

Para colocar mais gasolina onde já havia fogo, grupos nacionalistas extremistas resolvem se manifestar em Jerusalém e o partido Kahanista monta uma barraca na rua em frente ao local do despejo eminente. Para coroar, a famosa Marcha das Bandeiras é liberada, desde que não passe pelo portão de Shchem na Cidade Velha. Esta marcha lembra em tudo a Marcha de Orange em Belfast na Irlanda, quando grupos protestantes passam por bairros católicos em pura provocação.

O tribunal israelense resolveu adiar a ação de despejo e os kahanistas foram atacados a pedradas e expulsos do local. No entanto, no Monte do Templo, no local das Mesquitas a polícia continuou agindo chegando a invadir El Aqsa atrás de manifestantes.

Tudo o que está acontecendo, tem uma ação da polícia claramente mais violenta contra os grupos de manifestantes árabes. Ela passa a agir de maneira displicente. Parece que a ordem é deixar acontecer e se envolver minimamente quando se trata de judeus contra árabes. Quando se trata do oposto, agir com todo o rigor da lei.

Então o Hamas chega para completar o quadro de violência. Intima Israel a retirar a polícia do Monte do Templo, ou aguentar as consequências. Ao final do ultimato, cumpre o que prometeu e lança a primeira saraivada de foguetes contra Israel, escalonando a violência e acendendo o pavio do conflito.

Os foguetes atirados pelo Hamas são dirigidos as cidades israelenses, ou seja, para matarem civis. Eles têm uma autonomia de quilômetros antes de caírem, não possuem um alvo fixo. O sistema de defesa israelense é capaz de barrar 90% do que é disparado. Os que passam, na maioria das vezes, caem em campos abertos, mas alguns atingem seu propósito. O disparo destes foguetes constitui crime de guerra.

Israel por sua vez também ataca cidades. Com a desculpa de que algum morador é membro do Hamas, ou simpatizante, todo o prédio onde ele reside é destruído. Antes do bombardeio os moradores são comunicados para que deixem o local. Israel já derrubou pelo menos cinco prédios altos deixando centenas de famílias desabrigadas. Isto também constitui crime de guerra.

Bibi a tudo assistia e foi premiado com sua ação belicosa. O Raam se retirou das negociações enquanto durar o conflito e agora Naftali Bennett também deixou as negociações para formação do governo e se reuniu novamente com Bibi. Por enquanto, nem Gantz e nem Saar aceitaram se juntar a ele. Tudo leva a crer que vamos ter novas eleições em novembro.

No entanto, uma outra violência eclodiu em Israel, muito mais destrutiva e nunca vista antes. Nas cidades de população mista de judeus e árabes, grupos de jovens passaram a se enfrentar diariamente. Linchamento, apedrejamento e incêndios de automóveis, casas e sinagogas acontecem sem que a polícia seja capaz de impedir. Reservistas foram convocados para tentar conter os ânimos, sem sucesso até aqui. Esta nova ferida será de difícil cicatrização.

Toda esta violência favorece diretamente a Bibi e ao Hamas. Bibi porque conseguiu impedir a formação do Governo da Mudança, e o Hamas que se destaca como o defensor de Jerusalém e do Estado Palestino, enquanto a Autoridade Palestina permanece longe de intervir no conflito.

Obviamente que este artigo não tem a pretensão de explicar isoladamente tudo o que está acontecendo. É tão somente a opinião de um observador dos fatos mostrando a realidade sob a minha ótica e a minha percepção dos acontecimentos.

Toda violência atrai mais violência. Enquanto Bibi e o Hamas se deleitam em alcançar seus objetivos políticos de poder, os dois povos estão pagando a conta. A crueldade acontece de ambos os lados. Nenhum lado respeita a vida de civis.

Em 3 dias já fui 5 vezes para o abrigo quando as sirenes de aviso de ataque de mísseis tocaram. Quando ela começa a tocar, temos 1,5 minuto para nos abrigar. É o tempo para a queda do foguete. Devemos permanecer 10 minutos no abrigo para ter certeza de que é seguro sair.

Em Gaza o Hamas não construiu abrigos para a população. Eles sabem que Israel não bombardeia diretamente os civis, e as mortes acontecem como eventuais efeitos colaterais. Aparentemente, o dinheiro é investido somente na fabricação de foguetes para matarem civis do outro lado da fronteira.

Espero que esta sandice termine o quanto antes. Que Bibi não consiga formar nenhum governo, mesmo nas próximas eleições. E que o povo palestino perceba que o Hamas não está trazendo nada de bom para eles.

Somos todos seres humanos. Já foram mais de 100 mortes até agora, incluindo mulheres e crianças. Basta de violência.

Tomara possamos conviver em paz com um Estado de Israel e um Estado Palestino lado a lado em um futuro próximo.

 

Novamente o velho

Há certas coisas que parecem mesmo não quererem evoluir. As cenas brutais do conflito Israel-Palestina repetem-se mais uma vez com um quase cânon histórico, um pesadelo repetitivo, um refrão de um mau e inacabado poema humano.
A imutabilidade de sua forma e conteúdo reflete invariavelmente a rigidez da estrutura subjacente que no plano do indivíduo chamaríamos de neurose no modelo freudiano de estudo do inconsciente. No modelo coletivo, embora o termo neurose fosse difícil de aplicar, certamente a análise baseada nos mitos fundadores dessas duas sociedades certamente se aplica.
A história das nações em geral traz no seu passado às vezes não tão longínquo cenas semelhantes e estruturas de pensamento e ação dentro desse padrão. Será difícil encontrar um país moderno que não tenha passado por conflitos das mais variadas formas físicas e temporais, com as mais variadas formas de interferência externa ou como frutos de conflitos internos mal ou não resolvidos. Voltando ao plano do indivíduo, a prática médica nos ensina que os conflitos internos mal sanados levam os indivíduos à doença, à disfunção, e às vezes a desfechos violentos sejam eles auto-inflingidos ou hetero-inflingidos, traduzidos na realidade como sofrimento pessoal, automutilação e eventualmente suicídio por um lado, e por outro lado, as cenas horripilantes que afrontam a dignidade de nossa espécie e que recheiam o noticiário dioturnamente envolvendo feminicídios, homicídios, infanticídios e ataques em massa a escolas e outros agrupamentos de vítimas escolhidas pelo seu peso simbólico e capacidade de gerar terror.
As sociedades, assim como os organismos humanos, adoecem seguindo uma somatória de modelos individuais de patologia, ação e dano. A atual pandemia é um bom modelo de estudo. Talvez metade das mortes pelo coronavírus seja causada por um sistema imunológico disfuncional, onde a “turma do deixa disso” falha ou a turma da “tropa de choque” não tem medida de ação, reproduzindo fielmente os fenômenos do macrocosmo social, seguindo um modelo quase espelho.
A etiologia do conflito Israel-Palestina é de compreensão difícil pela sua complexidade que talvez derive de um sem fim de narrativas em disputa, todas aparentemente válidas, que exigem a resolução de um paradoxo que confronta o ínfimo tamanho do território em que se dá com a significância simbólica que toma nossas almas em mais que óbvia desproporção se comparado com processos de territorialidade, sofrimento e dano infinitamente maiores.
Infelizmente essa complexidade não recebe o devido investimento intelectual por parte de setores da sociedade que terminam por formar juízo por um conjunto de valores carente das devidas ponderações contextuais que deveriam ser aplicadas. Por exemplo, Israel é acusado de ser “genocida” sem se considerar que a população palestina só cresce incessantemente desde o início do conflito em 1948, e também sem se considerar por exemplo, que fosse a guerra de 1973 perdida por Israel teríamos certamente uma guerra de extermínio com medidas reais de genocídio e destruição.
Que Israel e seus últimos governos cometem erros graves na sua política para o conflito é inegável e constrangedor para judeus como eu, que enxergam a existência desse estado como um resgate histórico e simbólico que poderia ter seguido outros caminhos. Mas a grande questão em curso atual é que não foi Israel o único a cometer erros nessa condução, e de um lado, pelo menos, todas as narrativas excluem do radar as brutais disfuncionalidades da sociedade palestina que sustentam no poder, através de meios que aqui consideraríamos ilegítimos, um aparato bélico e um sistema de governo corrupto e que preocupa-se apenas com o status quo em detrimento dos legítimos interesses de seu povo.
O olhar brasileiro, em especial, o da esquerda brasileira sobre o conflito Israel-Palestina poderia se enriquecer pelo estudo profundo das raízes dos conflitos internos brasileiros que levou à eleição de Jair Bolsonaro e que não obstante o amplo espectro de crimes e genocídio praticado não sofre deposição ou sanção minimamente significativa. Outros conflitos crônicos e de territorialidade infinitamente maior, como o recente massacre em Jacarezinho também oferecem oportunidade para uma reflexão sobre como esses fenômenos são difíceis e complexos em sua resolução, estando seus vetores profundamente arraigados em nossa sociedade, desde a viela da comunidade periférica até as mais altas esferas de poder, institucional ou não.
Como judeu de esquerda, confesso-me também constrangido pela postura de setores dos diversos partidos de esquerda brasileiros frente ao conflito Israel-Palestina, que abraçam uma narrativa unilateral sem qualquer ponderação ou crítica sobre os métodos de instituições como o Hamas, Hezbollah e suas conexões externas com outras nações e grupos que explicitamente pregam “apagar Israel do mapa”. Ou, que deliberadamente abraçam a tese indefensável de “extermínio” do povo palestino, que se dotada de mínima realidade seria levado a cabo com facilidade e rapidez entorpecedoras. Deveria sim a nossa esquerda recorrer à sabedoria de quem esteve lá de fato e dedicou-se a estudar de forma isenta a realidade como o deputado Jean Wyllys, ou mesmo o Presidente Lula que sentou à mesa com Ahmedinejad e seus assessores e experimentou as dificuldades locais.
Argumentando com o absurdo para fins meramente ilustrativos, como seria se em um espaço de dois dias a comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, disparasse mais de mil foguetes com bombas sobre os prédios do Leblon e Copacabana? Seríamos capazes de romantizar o ato sob uma narrativa de resistência? Seríamos capazes de nenhuma tentação de reação e neutralização da capacidade bélica daquela comunidade? O que temos visto recentemente diz que não. Por muito menos que mil foguetes com bombas promovemos massacres proporcionalmente ainda mais brutais. O número de vítimas e a brutalidade do recente episódio em Jacarezinho são também constrangedores e nos denunciam como incapazes de promover a paz aqui ou no Oriente Médio, e com este humilde reconhecimento deveríamos quedar-nos silentes, talvez em prece por um mundo melhor onde ninguém se arrogue a estabelecer acusações e culpas estando completamente fora do contexto e repetindo, neuroticamente, os comportamentos determinados também pelos nossos mitos fundadores, por nossas crenças pessoais e eventualmente grupais, o que apenas sustenta o velho onde deveria surgir o novo.

Eleições em Israel, um nó difícil de desatar

O imbróglio das eleições israelenses é uma situação que se repete há dois anos com 4 rodadas. O país parece que vai ter uma quinta em breve. O povo está dividido e os políticos não se entendem.

O sistema israelense é parlamentarista. Os partidos necessitam chagar a 61 cadeiras no parlamento de 120 se quiserem governar. Dada a dificuldade de um único partido alcançar esta marca, eles precisam formar uma coalizão com outros e aí começam os problemas.

O Likud, o partido do primeiro-ministro, continua sendo o mais votado, obteve 30 cadeiras na última eleição. Somados aos dois partidos religiosos que ideologicamente se veem como de direita, chegam a 46 cadeiras. Ele também recebeu o apoio do partido de extrema direita HaTsionut HaDatit (Sionistas Religiosos) que com suas 6 cadeiras dão ao bloco da direita um total de 52 cadeiras.

O segundo partido mais votado, o Yesh Atid (Existe futuro), obteve 17 cadeiras. Somados os partidos que já declaram apoio, o Meretz (Esquerda) e o Avodá (Trabalhista), chegam a 30. Todos são oposição ao Likud.

Esta eleição teve como mote quem era a favor de Bibi (o primeiro ministro e líder do Likud), e quem é a favor da mudança, ou seja, contra ele. Neste bloco além daqueles já mencionados, estão o Kachol Lavan (Azul e Branco) com suas 8 cadeiras, o Israel Beiteino (Israel Nossa Casa) com suas 7 cadeiras, e o Tikvá Chadashá (Nova Esperança), recém formado por dissidentes do Likud, com suas 6 cadeiras. Todos os líderes destes três partidos disseram que não sentariam em um governo liderado por Bibi e juntos chegam a 21 cadeiras.

Se somarmos as cadeiras de todos que se dizem contra o primeiro ministro, eles somam 51 cadeiras, mas não é tão simples assim. Alguns destes partidos são historicamente ligados a direita. Todos já estiveram em governos do Likud e têm uma certa dificuldade em se sentarem com o Meretz e até mesmo com o Avodá de centro esquerda.

Temos ainda três partidos que não foram mencionados e que juntos somam 18 cadeiras, o Iemina (Direita) com 7,  o RAAM (sigla da Lista Árabe Islamita) com 5, e a Reshimá HaMeshutefet (Lista Unida) com 6. Como pode-se ver, o apoio deles para qualquer um dos lados permitiria a formação de um governo. Infelizmente as coisas não são assim tão simples.

Em Israel, tradicionalmente os governos sempre foram formados entre partidos sionistas, o que significa sem a participação dos partidos árabes. Dos três mencionados, somente o Iemina se enquadra como sionista. Acontece que não importa para que lado ele penda, nenhum lado consegue formar governo, ninguém chega a 61.

Diante desta situação, a joia mais cobiçada é o RAAM, um partido árabe religioso que ideologicamente, assim como os partidos religiosos judaicos, tem mais afinidade com a direita e portanto com Bibi. Se ele somar seus votos a este bloco, eles chegam a 58 cadeiras e com o Iemina, a confortáveis 65. O problema é o partido Sionista Religioso que já anunciou que prefere se sentar com o Diabo em pessoa a fazer parte de um governo com um partido árabe que, segundo eles, seria formado por radicais apoiadores do Hamas. Sem a extrema direita, o bloco fica com 59 cadeiras e não forma governo.

Do outro lado o Iemina e o RAAM também são cobiçados. Com eles, o bloco chega a 62 cadeiras e pode formar governo. Mas aqui também temos problemas. Os partidos de direita não aceitam sentar com os partidos de esquerda e com o RAAM, que por sua vez não está confortável em sentar com o Meretz, um partido que não aceita a religião na política.

Temos ainda a Reshimá Ha Meshutefet, a lista árabe que reúne os partidos de centro e esquerda árabes com suas 6 cadeiras. Claro que eles não sentariam em um governo do Likud, mas são uma opção ao RAAM no bloco contra Bibi, desde de que os colegas de direita engolissem este sapo em nome do bem maior, formar um governo sem Bibi.

Todas as cartas estão sobre a mesa. Na política israelense a palavra dada antes das eleições, não é a mesma empregada depois do resultado final. Alianças podem ser desfeitas, inimigos históricos podem se abraçar e velhos companheiros se apunhalarem. Nada é definitivo e vale tudo em nome do poder.

Eleições em Israel

Uma colheradinha sobre mídia israeli e politica, pra quem pensa que só no Brasil acontece.

Depois de passar mais de 2/3 de minha vida na minha amada “Entidade Sionista”, aprendi alguma coisa sobre eleições. Uma delas é não comemorar boca de urna. Você pode ir dormir com Peres e acordar com Bibi. (Veja 1996). Desde então, meus cabelos brancos sempre aumentam entre 91 e 100% da contagem. E um fator importantíssimo nesse momento seria receber analises comedidas, de bom senso e de quem? Da mídia, correto? Mas…

Infelizmente, a mídia israelense simplesmente não cumpre seu dever, ela é bajuladora e se encolhe, confusa e sem noção. Novamente. Começou já ontem com a promoção de uma consciência completamente equivocada, como se os resultados fossem uma “vitória arrebatadora” para Benjamin Netanyahu. Foi assim com os canais de TV, com jornalistas rinocerontes, e tambem na maioria dos sites de notícias e jornais. O problema é que isso é factualmente incorreto. O objetivo declarado de Likud e Netanyahu era chegar a 61 no bloco de direita para formar facilmente uma coalizão, mas isso provavelmente não acontece (supondo que a situação permaneça a mesma depois de contar os envelopes duplos e os votos dos soldados). Netanyahu fracassou nas pesquisas de opinião pública pela terceira vez em menos de um ano para alcançar a maioria da coalizão. Então, o que resta para ele nesse meio tempo? Assumir o controle da consciência do cidadão como se fosse vitorioso, e isso é feito através dos meios de comunicação, cuja grande maioria é submissa, hipnotizada, e serve a ele e à falsa consciência que ele difunde, como se fosse a Torá do Sinai.

O que vemos é obviamente um jogo de consciência e Bibi o joga com arte. Impossível não admirar sua genialidade midiática, funcionou até pra mim ontem, quando a mídia se apressou a afirmar que era uma vitória definitiva e “acachapante”.

Então, quando vi que não havia 61, me lembrei de quem se trata, uma pessoa que se apossa de todo “sucesso” seja relacionado a ele ou não, e todo fracasso ou, no caso aqui, lodo jogado sobre outros é derrota de outros, e ele simplesmente declara isso como fato.

Por exemplo, vimos dois dias antes da eleição, quando declarou que Galant não havia sido eleito chefe de gabinete por causa de Ashkenazi e Barak, para jogar lodo no adversário, quando de fato, o que aconteceu foi que ele não o nomeou por conta do relatório do controlador estatal, e claro, esqueceu-se de mencionar que quase não houve um oficial sequer do Tzahal, do Shaba”k ou do Mossad nos últimos vinte anos que não o criticasse de maneira aguda. Caramba, onde estava a mídia para contestá-lo e coloca-lo em seu lugar?

Quando ele vence a luta com o Kaholavan, “o povo disse o que tinha a dizer”, mas quando o Kaholavan teve maioria, foi “tentativa de derrubar o bloco da direita”. Entendem?

Tudo isso é um jogo que brinca com nossas mentes, e a mídia em seus programas de noticias o ajudam trazendo tudo quanto é groupie sem nenhuma formação jornalística e políticos que dirão que o povo decidiu que não há confiança no Sistema Judiciario, apesar de que por enquanto, de acordo aos resultados atuais,a maioria dos cidadãos decidiu que não quer presentear Bibi com a concessão de imunidade. E o MK Amsalem (likud) ainda declarou que a maioria do povo acredita em Bibi e que é claro que a maioria dos árabes serão contra Bibi, mas “quem se importa com o que eles pensam?”

Tudo uma perfeita produção de falsa consciência, com total apoio da mídia, inclusive de representantes da esquerda que ou cooperam com ele ou ele conseguiu que seus truques funcionassem sobre eles também até esgotá-los.

Porem – se a situação atual (Bibi 35 – Gantz 33 – bloco da direita 58) continuar, a direita e Netanyahu não conquistaram nenhuma vitória, nem mesmo pequena. Eles falharam pela terceira vez na urna e não têm nem maioria e nem governo. Nos países civilizados, os líderes já pagariam por isso com sua cadeira, principalmente se estivessem na situação legal de Netanyahu. Mas em Israel? Bibi é o rei. O rei está nu, mas todo mundo está sob hipnose e não vê nada. O principal é que “a mídia é de esquerda”. Acordem!