Vamos viver

Vamos viver

Estamos vivendo um mundo cheio de mudanças que nos são anunciadas dia a dia. Enquanto a maioria de nós ainda não pode usufruir das redes de celular 5G, já falam dos benefícios da 6G. Computadores quânticos voltaram a ser tema de vários artigos e o Metaverso parece que vai revolucionar as relações entre o mundo físico e o virtual.

Claro que tudo isto ainda é, ou será inicialmente para poucos.  Como todo avanço tecnológico, leva um certo tempo até que a maioria da população possa usufruir. Houve um tempo em que ter uma linha telefônica custava uma fortuna, os primeiros celulares eram proibitivos e as TVs de parede custavam o preço de um carro.

Como tudo neste mundo capitalista em que vivemos, as coisas se resumem entre oferta e demanda. Novos lançamentos começam com pouca oferta e alta demanda. É o momento paradisíaco de todo capitalista, quando ele obtém rapidamente o retorno do seu investimento e depois, quando a oferta aumenta, tudo é lucro.

Isto também vale para o momento em que estamos vivendo. A pandemia mostra perfeitamente a frieza capital do mundo em que vivemos. No começo uma simples máscara custava alguns dólares a unidade! Hoje custam centavos. O mesmo com tudo que se relaciona ao Covid, incluindo aí as vacinas que salvam vidas. Não seria diferente com a desgraça humana.

Se o mundo é assim, temos nossa parcela de culpa. Não importa se vivemos em países democráticos, ditaduras, sob regimes de esquerda ou de direita. A maioria dos seres humanos é consumista e seu desejo por conforto (em todos os sentidos), é igual para todos. O lançamento do último modelo de um aparelho celular atrai multidões. Eventos grandiosos para seu lançamento e pré-vendas do que ainda não chegou ao mercado são anunciadas, as vezes com meses de antecedência, sempre com interessados.

Enquanto tentamos manter o mínimo da vida que tivemos há dois anos atrás, o danado do vírus insiste em nos lembrar quem é o dono do pedaço atualmente. Sem nenhuma vergonha ele vai mudando sua aparência como alguém que troca de roupa, e se faz anunciar com toda pompa que ainda está aqui. Como um vizinho indesejável, ele sabe fazer barulho.

Nem bem acabamos de tomar nossa valiosa dose de vacina e já nos dizem que temos de tomar mais uma dose. Eu tomei a primeira e na sequência a segunda como programado. Então me avisaram que deveria tomar um reforço como terceira dose e agora, como indicado aos maiores de 60 anos, mais um reforço, ou quarta dose. Se continuar assim, serão três doses ao ano, uma a cada quatro meses.

Nada contra continuar tomando picadas de injeção, desde que eu continue prevenindo a doença na sua forma mais grave. As vacinas atuais não previnem totalmente o Ômicron, mas a diferença entre vacinados e não vacinados é grande. Por enquanto, praticamente todos que foram a óbito são não vacinados. Quem se vacinou, tem sintomas leves e passageiros sem sequelas.

Eu continuo fazendo o possível para ser parte do grupo que no futuro vai contar que não ficou doente. Sigo as orientações de vacinação e não saio de casa sem máscara, uso até mesmo para caminhar na rua. Estou trabalhando de casa faz uma semana e pretendo continuar por mais uma ou duas, a depender da situação aqui em Israel. Atualmente nos aproximamos dos 50.000 novos casos ao dia, mas os pessimistas já nos falam de que podemos chegar a 300.000!

Muito já se aprendeu com esta pandemia. Infelizmente ainda não é suficiente, mas para alguém que aprende a dirigir já sentado na direção e acelerando, muito deste aprendizado já ajuda os especialistas e responsáveis na tomada de decisões. O que aconteceu é que se antes o carro andava devagar e permitia um aprendizado mais confortável, agora ele está acelerado a 120 k/h e os experts precisam reagir rapidamente aos percalços do caminho. Eles fazem o que podem.

Estou recebendo notícias de amigos e conhecidos que se infectaram recentemente com esta nova onda. Pessoas vacinadas, que se cuidam e se achavam protegidas. Muitas ainda sem compreender como se contagiaram. O importante é que até aqui, todas elas falam de sintomas leves e plena recuperação. A lição que fica é de que basta dar uma chance ao azar e o pilantra do ômicron te pega! Não vacile.

Em meio a tudo as pesquisas seguem apontando que Lula é líder absoluto em qualquer cenário, com ou sem ômicron, digo, com ou sem qualquer um dos pretensiosos ao cargo. Uma chance muito grande de levar a faixa no primeiro turno. Para que isto não mude, se cuidem, todo voto conta e vamos precisar de todos os votos. Vacinem-se e continue usando máscara.

A dádiva de poder escrever

A dádiva de poder escrever

Pensei no que deveria escrever no primeiro dia de 2022, o ano que não passou. O calendário diz que sim, mas tudo o que vem acontecendo neste ano que passou ainda vai custar a passar.

É verdade que algumas coisas são definitivas, ficamos um ano mais velhos. Perdemos amigos queridos, gente que não vão mais nos dar o ar da sua companhia. A pandemia continua aí, muda o nome da variante, mas é a mesma Covid-19 com uma nova denominação.

Eu acho que todos tivemos bons e maus momentos neste ano que passou. Em outra época recente as comemorações seriam muito mais intensas, muito mais alegres trazendo esperança de dias melhores que imaginamos chegar com a renovação do ano. A gente aguardaria pela virada para abrir a espumante e bater taças com as pessoas queridas, abraçaria até desconhecidos e desejaria de coração um Feliz Ano Novo.

Vivo em um país onde o calendário mostra nesta data a mudança de ano civil, onde não existe feriado e as comemorações são feitas em grande parte por imigrantes de outros países como eu. Os israelenses se juntam pela festa, e ninguém se importa com o trabalho no dia seguinte. Alguns já avisam antes que vão faltar.

A virada de ano é um acontecimento global de fato. Os telejornais mostram os países que já estão em 2022 e todos fazem sua retrospectiva do ano que passou. No que se refere aos que nos deixaram, melhor nem falar. Tivemos menos guerras, mas as tragédias climáticas nos lembraram que este tema continua sendo urgente a ser melhor tratado por nossos políticos.

Neste restinho de ano no Brasil, mais do mesmo. O presidente que não trabalha saiu para passear sem passar a presidência para o vice. Quem já não fazia nada, continuou e quem não apitava nada, continuou também. Nem as inundações na Bahia tiraram o presidente do seu ócio costumeiro. Enquanto milhares de pessoas continuam desabrigadas, ele passeia de Jet-ski da marinha e visita parque de diversão em Santa Catarina, afinal ninguém é de ferro.

Em Israel, no último dia do ano, um assalto espetacular contra uma empresa privada de cofres privados. Assaltantes invadiram o local, amarraram o vigia e saquearam os cofres. Como na maioria deles existia “dinheiro não contabilizado”, acredita-se que pouca gente vá prestar queixa. Alegria de uns, tristeza de outros.

A gente sempre tenta fazer um balanço do que fizemos, nem todos conseguem, nem todos se prestam a isso. Eu Procurei ser solidário com o próximo nos piores momentos, levantar a moral dos companheiros quando tudo parecia perdido, ajudar com uma palavra amiga quem precisava de um agrado e não deixar de escrever. Escrever me faz sentir vivo, ter um propósito.

Todo sábado pela manhã, salvo raras exceções, me sento no computador para escrever meu artigo do final de semana. As vezes já venho com o assunto pronto na minha cabeça, as vezes um comentário sobre algo que passou e eventualmente me sento com a mente limpa, livre para passear por diversos assuntos que vão surgindo como gotas de uma chuva que vai cair.

Espero neste ano que recém nasceu continuar escrevendo e recebendo críticas a cada texto. Sou daqueles que escreve tudo de uma só vez. Em cerca de 30 minutos já coloquei no papel o que tinha para dizer e em seguida publico.  Não sou de ficar mexendo no texto, escrevo de supetão e as palavras vão sendo escritas como se estivesse me escutando falar. Este é o meu estilo.

Hoje o dia amanheceu cinza aqui em Hadera, onde moro. Nuvens cobrem o céu. Já choveu durante a noite, parou e deve recomeçar a qualquer momento. Deixo a vocês que me leem um abraço apertado, um desejo que 2022 seja um ano com muita saúde, amor e solidariedade. Que tenham mais um pouco de paciência, não percam a esperança por dias melhores e comecem a contagem para a mudança. Lula vem aí.

Judeus votando em nazistas, Oy Vey (*)

Judeus votando em nazistas, Oy Vey (*)

Terminada a eleição no Chile me deparei com mais uma comunidade judaica votando em sua maioria em um candidato de direita, ou melhor, de extrema direita. E não só isso, o cara é filho de um nazista. Sim, ninguém tem culpa de ser descendente de um nazista, mas este em especial seguiu em tudo os passos do pai. Para quem não entendeu: houve judeus que votaram em um nazista!

Na eleição brasileira, a maior parte da comunidade judaica votou em Bolsonaro. A parte que não votou nele, eu incluído, avisou com todas as letras se tratar de um fascista. Nada adiantou e até hoje encontramos quem prefira lembrar do que ele disse dentro da Hebraica, não o que escutou de nós fora dela.

Tanto no Chile como no Brasil escutei de boa parte dos que votaram nos candidatos de extrema direita que o faziam porque eles eram simpáticos a Israel, ou por demonstrações do candidato progressista de que eram contra Israel. Isto é uma falácia, ou se preferirem, um sofisma!

Para deixar bem claro, falácia um é argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. Sofisma é um  argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. Em resumo, a razão deles para justificar o seu voto não passa de uma cortina de fumaça para esconder o que realmente são: racistas, misóginos, homofóbicos e indiferentes ao sofrimento humano.

Não é plausível que um brasileiro judeu ou um chileno judeu não se importe com a saúde, a segurança, a economia, a educação etc. de seu respectivo país. Estas coisas que no dia a dia fazem toda a diferença na vida em sociedade e devem constar de um programa de governo. Cada candidato na corrida final tinha o seu. Haddad e Boric com programas de inclusão social e Bolsonaro e Kast com seu Neoliberalismo. Os primeiros preocupados em dividir o bolo com todos, os segundos em ter o bolo somente para quem merece.

Nós judeus somos um povo como qualquer outro. Temos nossos Prêmios Nobel e nossos ladrões, estupradores e assassinos. Temos quem faz e deseja o bem, e os aproveitadores que vivem de fazer o mal. Assim é em todos os países onde nos encontramos como parte da sociedade em geral.

Estes que deixaram de votar em Boric no Chile para votar em um nazista são a expressão máxima de que nós humanos e os judeus em especial não aprendemos nada com a história e que somos capazes de continuar fazendo o mal para outros seres humanos preocupados somente com nós mesmos.

Em um vídeo de uma entrevista em 2019, Boric teria dito na parte do vídeo, onde apresentador lhe pergunta: “Você disse que Israel é um estado genocida, você o mantém? Eu mantenho (…) Todos os países que estão violando tratados internacionais como Israel, China, Arábia Saudita ou Turquia têm que cumprir as regulamentações internacionais, portanto … não importa quanto poder esse país tem. Temos que defender os princípios dos direitos humanos internacionalmente a todo custo, independentemente do governo que esteja no país que é questionado. ”

Fica claro que ele se refere a todos os países que não defendem os direitos humanos. Em outras entrevistas ele inclui Cuba e Venezuela para total desconforto da esquerda, o que motivou uma carta aberta do neto de Allende para ele o criticando neste sentido.

Neste último ano novo judaico, a comunidade chilena enviou para todos os parlamentares um cartão contendo uma mensagem relacionada a sociedade chilena com um pote de mel, símbolo do novo ano. Boric publicou em seu Twitter uma foto da mensagem com o seguinte texto: A Comunidade Judaica no Chile me envia um pote de mel para o Ano Novo Judaico, reafirmando seu compromisso com “uma sociedade mais inclusiva, solidária e respeitosa.” Agradeço o gesto, mas eles poderiam pedir a Israel que devolva o território palestino ocupado ilegalmente. Foi o que bastou para ser taxado de antissemita.

Eu pessoalmente como defensor de um Estado Palestino, me solidarizo com o que pensa Boric, mas vamos convir que sua postagem não foi muito educada, diria até que deselegante para quem recebe um presente e completamente fora de lugar, afinal de contas chilenos não representam Israel, nem mesmo os chilenos judeus.

Com esta mensagem ele deu a boa parte da comunidade judaica chilena a desculpa de que precisavam para votar em um nazista e criou para eles aquela cortina de fumaça que mencionei antes.

Vejam que Boric poderia ter dito qualquer coisa relacionada ao Chile, como um pedido para que os chilenos judeus participem mais ativamente da vida política no pais, que ajudem na construção de uma sociedade mais inclusiva, solidária e respeitosa, mencionada na mensagem. Poderia até mesmo ter aproveitado o momento para desejar um Feliz Ano Novo e pedir votos.

A extrema direita judaica chilena usou das palavras dele para esconderem o fato de que são parte dos chilenos que saúdam Pinochet e tudo o que ele representou, que não se importam com o povo trabalhador e com políticas sociais, são contra direitos iguais para as minorias e acreditam que lugar de mulher é na cozinha. Nem inclusivos e nem solidários, este é o pensamento dos que votaram em Kast.

A extrema direita judaica brasileira vai utilizar argumentos semelhantes para justificarem o que são e os valores que representam. Vão trazer de volta o fato de que Lula ao visitar Israel (o primeiro presidente do Brasil que o fez), teria se recusado em visitar o túmulo de Hertzl (para muitos considerado o pai do sionismo). Não existiu recusa, na verdade a ida ao túmulo não faz parte do protocolo de chefes de estado em visitas a Israel. Nem Trump esteve lá em sua visita ao país

Também vão trazer novamente a tona uma Fake News de que ele mandou dinheiro para o Hamas. O dinheiro foi enviado para a ONU que o utilizou, juntamente com contribuições de outros países para administrar ajuda ao povo palestino de Gaza.

Enfim, a mesma tática de se esconder por trás de uma suposta adoração a Israel, de chamar todo antissionista, ou cidadão favorável a um Estado Palestino de antissemita, como desculpa para seu voto em um novo candidato da direita. No entanto a eleição é no Brasil e são as soluções para os problemas brasileiros que estão sendo discutidos. Manifestações relacionadas a Israel estão fora de propósito.

Independentemente do voto da extrema direita brasileira, Lula vai ser eleito presidente em 2022.

(Oy vey é uma expressão em ídiche que expressa consternação ou exasperação. Também escrito oy vay, oy veh ou oi vey, pode ser traduzida como “oh, ai!” ou “ai de mim!)

Revelações da Guerra de Independência de Israel, o outro lado da moeda

Revelações da Guerra de Independência de Israel, o outro lado da moeda

Semana passada escrevi sofre os massacres cometidos pelo recém criado Exército de Israel e milícias de extrema direita contra a população civil árabe durante a Guerra de Independência. Vamos agora ao outro lado da moeda.

No final de maio de 1948, a fazenda coletiva Yehiam estava sendo bombardeada. Um comboio de ajuda com ajuda médica tentou chegar ao local para socorrê-los. Próximos da vila Kabri foram atacados por milícias árabes. Dos 86 passageiros, apenas 39 sobreviveram. Muitos corpos não puderam ser identificados devido a mutilações dos corpos.

Naqueles dias Jerusalém Ocidental se encontrava sitiada. Um comboio deixou a cidade em 13 de abril de 1948 em direção ao Monte Scopus que abrigava o Hospital Hadassah e o campus da Universidade Hebraica. Era composto de ambulâncias, caminhões com mantimentos, veículos blindados e ônibus transportando médicos, enfermeiras, estudantes de medicina e acadêmicos. No caminho, próximo da vila de Sheikh Jarrah, o comboio passou por uma mina, teve de parar e foi atacado. Os ônibus transportando civis foram metralhados e incendiados deixando 80, dos 105 passageiros, mortos.

Um dia antes do fim do mandato, a fazenda coletiva Kfar Etzion caiu. Entre membros da fazenda e das milícias judaicas da Palmach e do Hish, 242 foram massacrados por combatentes palestinos depois que a batalha havia terminado. Somente quatro escaparam. Nesta mesma zona, outras três fazendas se renderam e seus membros se salvaram graças a intervenção da Legião Jordaniana que os transferiram para campos de prisioneiros na Jordânia. Todas as quatro fazendas foram totalmente destruídas.

São algumas das histórias de uma guerra cruel e sanguinária com atrocidades cometidas por todos os lados envolvidos. Muitas delas como vingança de parte a parte. Para se ter uma ideia, Israel tinha 600.000 habitantes judeus, 6.000 morreram nesta guerra.

Quando nos voltamos para aqueles dias é preciso colocar os fatos dentro do contexto no que se refere aos acontecimentos que são trazidos ao nosso conhecimento. Havia uma guerra por sobrevivência. Uma nação recém formada que graças a ajuda soviética com armas e munições através da então Tcheco-eslováquia, conseguiu vencer 6 exércitos que pretendiam sua aniquilação.

Convém lembrar que em nenhum momento, qualquer dos países árabes que participaram da guerra, pretenderam a criação de um Estado Palestino. Mesmo aqueles que ficaram com parte do território, a Jordânia com a Cisjordânia e o Egito com Gaza, aceitaram que ali fosse criado um Estado Palestino.

Campos de refugiados para a população árabe-palestina que deixaram o território espontaneamente, ou a força, surgiram nos países árabes circundantes. Nunca, em nenhum deles, até os dias de hoje, foi oferecida a cidadania a eles e seus descendentes.

Nada disso, no entanto, serve de consolo para ninguém. A questão palestina permanece viva e somente a criação do Estado Palestino pode reparar estes erros históricos. Não existe outra solução para o problema, mas como chegar a ele tem sido um caminho cheio de obstáculos.

Mesmo passando uma régua no passado, os dias presentes se mostram ainda recheados de ódio e sede de vingança. Neste ano 75 palestinos foram mortos pelas forças de Israel nos territórios ocupados. Uma série de atentados contra civis, cometidos até por menores de idade palestinos tem acontecido quase que semanalmente neste final de ano. É um círculo de violência difícil de ser quebrado.

Na minha opinião, sem uma intervenção internacional, a causa palestina é uma causa perdida. Sem entrar no mérito das consequências disto, eu vejo que a cada dia, menos importa as nações o futuro da população dos territórios ocupados e de Gaza. Nem mesmo os países árabes parecem mais querer se envolver. O planeta enfrenta desafios maiores e urgentes como o Clima e a Pandemia.

Revelações da Guerra de Independência de Israel

Revelações da Guerra de Independência de Israel

Esta semana o jornal Haaretz de Israel, publicou artigo sobre informações de assassinatos cometidos por soldados das forças armadas em 1948 durante a guerra de independência. Os relatos dão uma ideia das atrocidades e do acobertamento que se seguiu.

Até agora o que se sabia dizia respeito a alguns excessos de guerra. Aquilo que os militares costumam chamar de efeito colateral, mas não havia evidências oficiais suficientes que pudessem corroborar o que de fato havia acontecido. Tudo isso começa a ser esmiuçado e o que fica-se sabendo envergonha a todos nós.

Quero deixar claro que não existe guerra limpa. Em todas as guerras do mundo, civis são mortos, prisioneiros são assassinados, roubo, pilhagem e estupros são cometidos. Normalmente a parte vencedora tende a jogar para baixo do tapete os seus crimes de guerra e enaltecer os crimes cometidos pelo lado perdedor.

Os fatos falam por si só e documentos que só agora estão vindo a público descrevem aqueles dias em que Israel lutava contra 6 exércitos árabes para permanecer como nação. Não bastava declarar a Independência, era preciso resistir e sobreviver.

Tradução livre de trechos da matéria:

Em outubro de 1948, duas grandes operações foram lançadas, a Operação Yoav no sul e a Operação Hiram no norte. Em menos de três dias, o exército ocupou a região da Galiléia. Em um período de 30 horas, dezenas de aldeias árabes no norte foram ocupadas e dezenas de milhares de residentes fugiram de suas casas.  Cerca de 120.000 árabes permaneceram da Galiléia, a grande maioria não participou dos combates.

Os relatos de soldados falam de assassinatos de homens, mulheres, idosos e crianças. Na maioria das vezes, eram colocados dentro de uma casa que depois era explodida. Os bens de algum valos eram espoliados.

Em um destes testemunhos, Shmuel Mykonis, membro do Conselho de Estado Provisório em nome do Partido Comunista, relata atos horríveis de terrorismo acontecidos. O relato de Mykonis contornou a censura em tempo real ao enviar uma pergunta ao primeiro-ministro, localizada nos arquivos do Knesset. Em seu apelo a Ben-Gurion, ele exigiu saber sobre atos cometidos, segundo ele, por membros do Irgun (uma milícia de extrema direita): “A. usou uma metralhadora para matar 35 árabes que se entregavam com uma bandeira branca em suas mãos. B. capturou moradores pacíficos – entre eles mulheres e crianças, ordenou-lhes que cavassem um buraco, depois utilizou longas baionetas francesas para os empurrar nele e atirou nos infelizes até que todos fossem mortos inclusive um com um bebê em seus braços C. Crianças árabes de 13 a 14 anos que brincavam com granadas foram todas baleadas.”

Um documento encontrado nos arquivos do Yad Yaari fala sobre um caso desconhecido ocorrido em al-Burj (agora Modi’in). Após a conquista da aldeia, alguns poucos idosos lá  permaneceram. “Três deles, duas idosas e um idoso foram levados para uma casa. Seis granadas de mão foram atiradas para dentro da casa, e mataram o idoso e uma idosa. Eles mataram a terceira idosa com uma arma, depois incendiaram a casa e queimaram o corpos.”

Milhões de documentos dos primeiros anos do país estão armazenados em arquivos do governo e o público não tem acesso a eles. Soma-se a isso a censura em vigor em Israel: nos últimos anos, o Malamav (Comissário de Defesa) tem examinado arquivos em todo o país e ocultado evidências de crimes de guerra, conforme revelado anteriormente na investigação do Haaretz .

A base foi lançada na década de 1980 pelo historiador Benny Morris, que conduziu um estudo pioneiro abrangente nos arquivos. Posteriormente, outros estudos se juntaram, incluindo o trabalho do historiador Adel Manaa, que se especializou em documentação oral e pesquisou o passado dos árabes de Haifa e da Galiléia. Manaa descreveu, entre outras coisas, os esquadrões de execução que massacraram nove residentes de Majd al-Krum durante a Operação Hiram. Publicações adicionais ao longo dos anos gradualmente preenchem o quebra-cabeça que faltava.

Morris contou anteriormente 24 massacres durante a guerra. Hoje já se pode dizer que o número é maior, podendo chegar a várias dezenas de casos. Em alguns deles uns poucos mortos, em outros algumas dezenas, e também há casos em que o número de vítimas ultrapassou cem. Além do massacre em Deir Yassin, que ocorreu em abril de 1948 e causou comoção ao longo dos anos, parece que este triste pedaço da história foi suprimido e afastado do discurso público em Israel.

Entre os massacres proeminentes durante os dias da Operação Yoav e da Operação Hiram estão os eventos nas aldeias de Tslha, Tzafatzaf e Davima. No vilarejo de Tzalha, localizado próximo à fronteira com o Líbano (hoje Kibutz Yaron), a 7ª Brigada executou entre 60 e 80 moradores em uma prática que foi usada várias vezes durante a guerra: concentrar moradores em um prédio do vilarejo e explodi-lo enquanto as pessoas estão dentro.

Na aldeia de Tzafatzaf perto de Safed (hoje Moshav Safsufa), soldados da 7ª Brigada massacraram dezenas de residentes. De acordo com um depoimento, que os homens do MALMB ordenaram que ocultassem ilegalmente, eles “prenderam 52 homens, amarraram-nos uns aos outros, cavaram um fosso e atiraram neles. Mais 10 form mortos. As mulheres vieram, implorando por misericórdia. Foram encontrados 6 cadáveres antigos. Havia 61 cadáveres. Três casos de estupro ”.

Na aldeia de Davima, na região de Lachish (hoje Moshav Amatzia), soldados da 8ª Brigada massacraram cerca de 100 pessoas. Um soldado que testemunhou os acontecimentos  os descreveu a um homem do Mapam: “Não houve batalha nem resistência. Os primeiros ocupantes mataram cerca de 80 a 100 árabes, mulheres e crianças. Eles mataram as crianças enquanto esmagavam seus crânios com varas. Não havia casa sem os mortos. “De acordo com um oficial de inteligência estacionado na aldeia dois dias depois, o número de mortos chegou a 120.”

No que foi publicado na revista “Ner” imediatamente após a guerra por um soldado anônimo, foi dito que o fenômeno de matar pessoas inocentes se espalhou no exército. O escritor contou como um membro da unidade assassinou uma mulher árabe que ficou para trás durante a ocupação da aldeia de Lubia, que se localizava na baixa Galiléia: “Isso virou uma espécie de moda.”  E quando reclamei com o comandante do batalhão sobre o que estava acontecendo e pedi que parasse com essa violência, que não tem justificativa militar, ele deu de ombros e disse: “não há ordem de cima para impedir isso”. E desde então o batalhão está em declínio. “Suas conquistas militares continuaram, mas as atrocidades abundaram.”

Em novembro-dezembro de 1948, quando a pressão da guerra cedeu, o governo aproveitou a oportunidade para discutir os relatos dos massacres, que chegaram aos ministros de várias formas. O exame das transcrições das discussões não deixa margem para dúvidas: a elite política soube em tempo real das atrocidades que muitas vezes acompanharam a ocupação das aldeias árabes.

Embora as atas das reuniões tenham sido abertas para revisão já em 1995, as seções dedicadas ao “comportamento militar na Galiléia e no Negev” – como foram chamadas na agenda do governo – permaneceram censuradas até hoje. A publicação agora é possível após solicitações do Traces Institute for State Archives para divulgar totalmente as discussões do governo de 1949-1948. Mas embora grandes seções tenham sido liberadas para publicação, outras seções permaneceram censuradas. É claro que as referências diretas a crimes de guerra ainda estão entre as seções censuradas. Mas a discussão entre os ministros sobre a investigação ou não dos crimes, que estão ocultos há 73 anos, agora está à disposição de investigadores, jornalistas e cidadãos curiosos.

As conclusões dos comitês criados após a guerra para investigar os excessos e suas recomendações não foram implementadas. Poucos foram julgados e condenados. Mesmo estes poucos que não gostaram do silêncio e do acobertamento e foram condenados por crimes de guerra, finalmente receberam a isenção da punição. Em fevereiro de 1949, um perdão retroativo geral foi concedido para crimes cometidos durante a campanha. Aqui é importante notar que os massacres ocorreram nos dias em que o Judiciário das FDI foi formado.Talvez por isso uma cultura organizacional foi assimilada no exército que facilita a matança de palestinos em condições operacionais.

Uma publicação como esta deveria trazer comoção em qualquer país moderno e democrático dos nossos dias. Não é o que acontece em Israel. Fora o Haaretz, nenhuma outra mídia deu voz as novas descobertas. Existem muitas razões para isso, mas entre elas os mais recentes ataques contra civis judeus. Foram cinco nas últimas duas semanas, dois deles perpetrados por menores de idade.

No último, uma menina palestina de apenas 14 anos, esfaqueou com uma faca de cozinha uma vizinha judia de seu bairro. O ataque aconteceu na rua a luz do dia quando ela empurrava o carrinho de bebê junto com seus dois filhos pequenos.

Os exércitos árabes também cometeram atrocidades durante a guerra, mas este é um tema para outro artigo no futuro.

O Burro

O Burro

A notícia de que Bolsonaro afirmou em uma Live que pessoas no Reino Unido estavam contraindo AIDS depois de receberem duas doses da vacina contra covid-19. “Recomendo que leiam a matéria. “Não vou ler aqui porque posso ter problemas com a minha live”, disse o presidente, foi manchete hoje no site de um dos maiores jornais aqui de Israel, o Maariv.

A notícia fala da recomendação da CPI e agora da determinação do STF em investigar o presidente em vista de tal descalabro. O jornal ainda menciona que Bolsonaro foi o único líder do G-20 a comparecer ao encontro sem estar vacinado. Só faltou dizer que Bolsonaro está sendo chamado de “Noivinha do Aristides”.

Tudo o que já se disse sobre Bolsonaro ainda não explica como ele recebeu 57 milhões de votos. Será que temos esta quantidade de imbecis na população? Podemos crer que toda esta gente acredita nestas baboseiras e por isso o elegeram? Temos mesmo este déficit de inteligência e bom sendo em tanta gente? Sim e não.

Sim, não foi por falta de aviso. Eu e milhares de outros brasileiros esbravejamos nas redes sociais quem era a figura. Fiz um vídeo sobre a civilização e a barbárie que viralizou. Escrevi artigos e postei vários vídeos desenhando quem era Bolsonaro. Outros tantos fizeram a mesma coisa e até mais do que eu. Tudo que ele representava e tudo o que ele faria está lá publicado. Quem votou nele sabia em quem estava depositando seu voto.

Não, nem todo mundo que votou no inepto acreditava no que ele seria capaz. Se o sujeito foi um deputado medíocre, na presidência seria do mesmo naipe e pelo menos a esquerda não voltaria a governar o país. Melhor uma besta de direita do que um professor de esquerda, pensaram muitos deles. E assim foi.

Muito bem, posso aceitar que muita gente se enganou. Não leu tudo o que foi exposto aos quatro ventos. Pensou que não era sério tudo o que estavam apregoando sobre o homem. Confiavam que no poder ele seria comedido nas ações e nas palavras. Fizeram coro com as Fake News e assim chegamos ao que temos hoje como presidente.

Da Internet trago a seguinte adaptação de uma fábula.

Não Discuta com um Burro
O burro disse ao tigre:
– ′′A grama é azul.”.
O tigre respondeu:
– ′′Não, a grama é verde.”.
A discussão aqueceu, então, ambos decidiram buscar um parecer do leão que era o juiz da floresta.
Antes mesmo de chegar aonde o leão estava, o burro começou a gritar de tal modo, que despertou o interesse do gado que insatisfeito comia a grama verde, enquanto assistia aquela cena patética:
– ′′Sua excelência, não é verdade que a grama é azul?!”.
O leão respondeu:
– ′′Certamente, a grama é azul.”.
O burro se apressou e continuou tentando argumentar, porque afinal de contas era burro e seu vocabulário tinha poucas palavras:
– ′′O tigre discorda de mim, me contradiz e me incomoda. Quero que ele se cale e seja castigado!”.
O leão declarou:
– ′′O tigre será punido com 5 anos de silêncio.”.
O burro deu um salto e saiu dali seguido pelo gado eufórico que gritava:
– ′′A grama é azul, a grama é azul!”.
O tigre aceitou a sua punição, mas perguntou ao leão:
– ′′Excelência, por que fui castigado se a grama é verde?”.
O leão respondeu:
– ′′De fato, a grama é verde “.
O tigre insistiu, respeitosamente:
– ′′Então, por que fui punido?”.
O leão respondeu:
– ′′Isso não tem a ver com a grama ser azul ou verde. O castigo aconteceu, porque não é possível que uma criatura inteligente como você, perca tempo discutindo com um burro e, ainda por cima, venha me incomodar com essa pergunta insana.”.
Moral dessa narrativa:
Jamais perca tempo em discussões que não fazem sentido. A pior perda de tempo é discutir com um tolo que não se importa com a verdade, mas apenas com a vitória de suas crenças e ilusões acima de tudo.
Há pessoas que não têm capacidade para compreender, mesmo que muitas evidências e provas lhes sejam apresentadas. Por estarem cegas pelo ego, ódio, vaidade etc., a única coisa que desejam é ter razão acima de todos, mesmo que não a tenham.
Quando a ignorância grita, a inteligência cala. Acredite, a sua paz e tranquilidade valem muito mais.”

Um dos sinais de inteligência, como disse o Leão na Fábula, é não discutir com um burro. Nada o fará mudar de ideia. Não existem argumentos, bom senso e apelos científicos que demovam um burro de acreditar no que quiser. Portanto, esperar de Bolsonaro uma luz a razão, um lampejo de raciocínio, um cintilar de humildade e reconhecimento de algum erro, é crer no impossível, ou seja, é discutir com um burro.

Bolsonaro é o Papai Noel de uma imensa parcela de brasileiros. Eles acreditam que ele seja bondoso, que vai trazer presentes e fazer a vida parecer melhor. Seus filhos são as renas que puxam sua carruagem e ajudam o bom presidente a chegar em todas as casas de seus apoiadores.

Assim como não se pode tapar o sol com uma peneira, a realidade não pode ser escondida de todos. Os fatos falam por si e a popularidade de Bolsonaro é a pior de um presidente em toda história da República. Seus apoiadores já são cerca de 30%, aqueles que rezam sua cartilha e são fascistas de carteirinha. Gente que acha que a TFP – Tradição Família e Propriedade é uma instituição comunista, como comunista são tudo e todos que atacam o presidente.

Na verdade nem é preciso acrescentar mais nada ao que já se sabe de Bolsonaro. Basta deixar o cara falar e ele vai se enforcando sozinho. Raros líderes mundiais lhe cumprimentam. Um pária com quem somente os garçons de eventos internacionais conversam por força da profissão.

Por outro lado, superando todas as adversidades, todas as mentiras, perdas familiares e injustiças, um ex-presidente ressurge para liderar o Brasil. O único nome capaz de trazer o Brasil de volta para o seio das nações respeitadas. Aquele que ainda nem foi eleito, mais já é recebido como chefe de Estado.

O burro, digo, Bolsonaro bem que tentou, mas não conseguiu matar a esperança. Lula vem aí!