Uma apresentação do Judaísmo e Direitos Humanos: um estudo das contribuições judaicas na tessitura dos Direitos Humanos

Uma apresentação do Judaísmo e Direitos Humanos: um estudo das contribuições judaicas na tessitura dos Direitos Humanos

O presente trabalho de Doutoramento acerca do Judaísmo e Direitos Humanos: um estudo das contribuições judaicas na tessitura dos Direitos Humanos tem por objetivo demonstrar o desenvolvimento do Judaísmo como expressão multicultural e universal.

Para isso, faremos o percurso do Judaísmo desde suas origens mesopotâmicas, influenciado pelos vários direitos e culturas, entre as quais especialmente a babilônica antiga, passando pelo que consideraremos aqui o Abraamismo, o Mosaísmo e o Profetismo, respectivamente, o Culto ao Deus dos Pais, a libertação pela Torá e o Culto a um Deus sem nome, e a resistência dos Profetas de Israel ao domínio político e sacerdotal, até uma quase ruptura promovida pelos sábios antigos, entre os quais, Mestres como Hillel, Jesus e outros.

Como expressão multicultural, pretende-se desvelar do Judaísmo sua tradição de religião revelada, reconhecendo-lhe a expressão viva e humana de uma cultura (insisto, caráter multicultural) que veio ao longo do tempo recebendo influências e legados os mais diversos, como, por exemplo, babilônico, arameu, canaanita, egípcio, midianita, africano, grego e romano, influências essas que são de natureza econômica, jurídica, religiosa, militar, filosófica e, por isso mesmo, apresenta-se com uma expressão da humanidade.

E, por ser uma expressão da humanidade, caracteriza-se pelo seu universalismo, em sintonia com a evolução das muitas civilizações, com as quais tem uma estreita sintonia, ora influenciada ora influenciando.

Parto de uma ideia judaica do princípio da responsabilidade social e do princípio criativo do amor, seja pelo próximo ou pelo distante, pelo amigo ou pelo inimigo, nascidos na Antiguidade judaica, mas amadurecidos no Gueto.

Pretende-se demonstrar que o Judaísmo não pode isolar-se ou tornar-se indiferente diante dos desafios do mundo, sobretudo de combate às violências contra a pessoa humana, principalmente aquelas que reduzem a pessoa humana à coisa, à escravização, exploração, intimidação, opressão, exclusão e extermínio, em especial, as violências de domínio religioso, político, e do fascismo e do nazifascismo.

Para tanto, o trabalho demonstrará a incidência das afinidades eletivas entre Judaísmo e Libertação, isto é, Direitos Humanos, ressaltando a tessitura judaica que há na ideia de Direito que corresponda aos anseios de liberdade, igualdade, solidariedade universais e plenitude da vida humana, bem como de suas relações com toda a natureza, na qual a humanidade se encontra.

Pelo conceito de afinidade eletiva o trabalho demonstrará que Judaísmo é uma expressão de evolução da humanidade, mas não a única, sendo que os Direitos Humanos correspondem a algo maior, superior, universal, que recebeu contribuições judaicas, mas não se confunde com Judaísmo.

Mantêm-se, ao final, as duas expressões das experiências humanas em dinamismo vivo, de tal modo que a tessitura de um é também a de outro, a saber, aqueles valores de direito, verdade, justiça e valorização da dignidade da pessoa humana. E, embora a tessitura de um seja a do outro, ambos não entram em fusão, não se misturam para criar uma coisa nova, ou experiência nova.

Judaísmo e Direitos Humanos convivem, em estreita relação de contribuição e defesa, de valores e princípios. A face de um “deus” é deixada para trás na experiência histórica judaica e, assim, supera-se certa monolatria tribal, para alcançar um monoteísmo ético, em função de um “deus” que não tem sequer nome, mas que participa da história, não apenas judaica, mas da humanidade.

O trabalho demonstrará esse especial aspecto de uma divindade para além da tribo ou, apesar da tribo, uma divindade universal, para toda a humanidade, sem uma língua específica, ou bandeira e cultos específicos. 

Mas, como sói acontecer com as divindades meramente tribais, os atores do Judaísmo também pretenderão reduzir essa divindade (sem nome) a cultos sacrificiais ou à área de Templos, como um “deus” particular do Judaísmo.

Por um lado, pretende-se demonstrar como o homem foi liberto das idolatrias dos deuses homens pelo movimento abraâmicos e mosaico, mas, também, como Deus foi libertado dos cultos sacrificiais e do Templo, sobretudo pela clareza e força ética dos Profetas de Israel e, depois deles, como seus herdeiros, dos Mestres do Judaísmo libertário, entre os quais Hillel e Jesus.

Nesse ponto, o trabalho se concentrará em apresentar a mensagem de Hillel e de Jesus como de Rabinos do Judaísmo farisaico, cuja imagem de hipocrisia será contestada firmemente.

Após especificar a trajetória que o tema seguiu para fins deste trabalho e detalhar a evolução do Judaísmo, bem como a libertação do homem e de Deus, apontaremos as influências do Judaísmo para a composição dos sistemas jurídicos, com abordagem cultural, sociológica, jurídica e filosófica, coincidente em vários povos.

O Judaísmo é também, e veremos aqui, Direito. Um Direito que, para além de regras de dominação de uma classe sobre outra, pretende-se como antessala da realização de Justiça. Daí que os conceitos judaicos de Direito (Mishpat) e de Justiça (Tzedek) serão apresentados como inseparáveis. O Direito é o caminho para a concretização da Justiça.

Nesse sentido, finalmente, objetiva-se aqui, apresentar uma contribuição acadêmica para a compreensão do Direito (do e no Judaísmo) assim reconhecido por grandes sociólogos e filósofos.

Também, pretende-se aqui oferecer uma compreensão do Judaísmo como movimento libertário ou libertador sem fim, que se reinventa a cada época, resiste a cada opressão, rompe com imperativos políticos, e continua a alimentar a esperança de milhões de Judeus e de Judias que, graças ao seu Judaísmo multicultural, universal e humanista, continuam sendo, por inteiro, Judeus e Judias pelo mundo.

O Judaísmo e os Direitos Humanos são um para o outro assim como são as vozes de cantores e som dos instrumentos musicais para a partitura, juntos para a finalidade de humanização, mas separados quando às suas identidades específicas.

O Deus sem nome, aqui, pode ser tanto o Compositor quanto o Maestro ou, simplesmente o Público que ouve, assiste, encanta-se, emociona-se com a grandeza da humanidade e, como se espera dele, aplaude em pé!

NOTA:

O texto acima é a Apresentação da Tese JUDAÍSMO E DIREITOS HUMANOS: UM ESTUDO DAS CONTRIBUIÇÕES JUDAICAS NA TESSITURA DOS DIREITOS HUMANOS, defendida na PUC/SP, com apoio da CAPES, e que pode ser lida integralmente ou aproveitada em download também integral no seguinte endereço da Academia . edu:

https://www.academia.edu/71348690/JUDA%C3%8DSMO_E_DIREITOS_HUMANOS_UM_ESTUDO_DAS_CONTRIBUI%C3%87%C3%95ES_JUDAICAS_NA_TESSITURA_DOS_DIREITOS_HUMANOS

© Pietro Nardella-Dellova

Chamada para Submissão de Artigos para Revista de Direito Civil, n. 7, em chave constitucional

Chamada para Submissão de Artigos para Revista de Direito Civil, n. 7, em chave constitucional

A

REVISTA

DE

DIREITO CIVIL

CONSTITUCIONAL

APRESENTA

a

Chamada para Submissão de Artigos

(n° 7, jan./jun. 2022)

PRAZO:

02/03/2022

COORDENAÇÃO:

Prof. Dr. Pietro Nardella-Dellova

 

TEMAS:

Livres, mas relacionados ao Direito Civil, Direito Civil Constitucional, Direito Civil Comparado, Direito Privado Romano, Grego e Hebraico, História do Direito Privado, Direito Civil e Religião, Hermenêutica aplicada ao Direito Civil, Direitos Fundamentais aplicados ao Direito Privado, Direito do Consumidor, Direitos da Personalidade, Pessoas, Bens e Fatos Jurídicos, Obrigações, Contratos, Direitos das Coisas, Direito das Famílias, Sucessões, Direito da Criança e do Adolescente, Aspectos Processuais do Direito Civil, Direito Cambial, Direito Marítimo, Direito Empresarial, Direito Bancário, Títulos de Crédito, Contratos Mercantis, e respectivos. Temas relacionados à crítica do Direito Civil em conexão interdisciplinar (como, por exemplo, sociologia, filosofia, antropologia, psicologia, psicanálise, economia, história, religião, medicina) serão muito bem recepcionados.

 

ORIENTAÇÃO GERAL/FORMAL:

1) LAUDAS

Os Artigos devem ter aproximadamente de 15 a 20/30 laudas, escritos em times Roman 12, com espaço de 1,5.

2) ESTRUTURA PARA O ARTIGO:

Resumo/Abstract: versão em português e inglês (10 linhas em cada versão) com cinco palavras-chave/Keys words; Introdução; Problematização; Tópicos; Conclusão; Referência Bibliográfica; As NOTAS devem ser preferencialmente de rodapé

3) MINICURRÍCULO: (10 linhas)

4) PRAZO

O prazo para submissão dos Artigos: 02 de Março de 2022

5) SUBMISSÃO

Envio para  pietrodellova2014@gmail.com

 

CONSELHO EDITORIAL 2021/2022

Prof.ª Dr.ª Ana Maria Motta Ribeiro (Universidade Federal Fluminense)

Prof.ª Dr.ª Ana Paula Teixeira Delgado (Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro)

Prof. Dr. Antonio Carlos Morato (USP – Universidade de São Paulo)

Prof.ª Dr.ª Carolina Pereira Lins Mesquita (Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Prof. Dr. Claudio Ribeiro Lopes (Universidade Federal do Mato Grosso do Sul)

Prof. Dr. Dalmir Lopes Junior (Universidade Federal Fluminense)

Prof. Me. Elvis Brassaroto Aleixo (Faculdade de Direito Padre Anchieta)

Prof. Dr. Ênio José da Costa Brito (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

Prof. Dr. Ivan de Oliveira Durães (Universidade Brás Cubas, CNPq)

Prof. Dr. José Antonio Callegari (Universidade Federal Fluminense)

Prof. Dr. José Patrício Pereira Melo (URCA – Universidade Regional do Cariri)

Prof. Dr. Lúcio Picanço Facci (UFF/UNESA, Procurador Federal)

Prof.ª Dr.ª Luzia Batista de Oliveira Silva (Programa de Doutorado/Educação USF, CNPq)

Prof.ª Dr.ª Marcia Simoni Fernandes (Ordem dos Advogados do Brasil, SP, GP CNPq)

Prof. Dr. Marcus Fabiano Gonçalves (Universidade Federal Fluminense)

Dr. Massimiliano Verde (Accademia Napoletana)

Prof. Dr. Mauro Alves de Araújo (Faculdade de Direito Padre Anchieta)

Prof.ª Dr.ª Myriam Benarrós (CEUNI/FAMETRO, USP, CNPq)

Prof. Dr. Paulo Roberto Iotti Vecchiatti (Ordem dos Advogados do Brasil, SP)

Prof. Dr. Pietro Nardella Dellova (EMERJ, PUC/SP, UFF, FADIPA, CNPq)

Prof. Dr. Sidnei Agostinho Beneti (Ministro-aposentado do STJ)

Prof. Dr. Wagner de Oliveira (Universidade Estadual de Santa Cruz)

Prof. Dr. Wilson Madeira Filho (Universidade Federal Fluminense)

 

ADVERTÊNCIA

Nossa RDC – Revista de Direito Civil tem publicação semestral e, como sói acontecer com nossa produção, tem, além dos fundamentos dogmáticos e técnicos, também caráter pluralista, com respeito às diversidades culturais, políticas e religiosas, reverência aos valores constitucionais consagrados na Constituição Federal de 1988, defesa inegociável do Estado de Direito, dos Direitos Humanos e Fundamentais, assim como atenção com os princípios do valor social do trabalho, da livre-iniciativa, função social da propriedade, atividade empresarial, cambial, financeira e econômica constitucionais, humanização das obrigações jurídicas, função social do contrato e fundamentos dos núcleos familiares e sucessórios. Não é demais dizer que a RDC aprecia a abordagem dogmática, assim como a zetética, com acento na construção ética, filosófica, histórica e socioantropológica dos Institutos tradicionais de Direito Privado (Empresarial e Civil).

Os textos aqui publicados, suas anotações bibliográficas, seus posicionamentos teóricos, dogmáticos, zetéticos, filosóficos, políticos, culturais e sociais, são de inteira responsabilidade de seus autores e coautores, não refletindo necessariamente o pensamento da Revista, da Coordenação ou da Instituição que a abriga e a publica.

 

EDIÇÕES ANTERIORES

 

Revista de Direito Civil 1 – 1ª edição – jan./jun. 2019

https://revistas.anchieta.br/index.php/RevistaDirCivil/issue/archive?fbclid=IwAR0EO3De318OD57s0Nf6kDVdrpIeR34YxCpcUBz3FV0sTEgr8qNXAR-iQG8

 

Revista de Direito Civil 2 – 2ª edição – jul./dez. 2019

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Revista de Direito Civil 3 – 3ª edição – jan./jun. 2020

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Revista de Direito Civil 4 – 4ª edição – jul./dez. 2020

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Revista de Direito Civil 5 – 5ª edição – jan./jun. 2021

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Revista de Direito Civil 6 – 6ª edição – jul./dez. 2021

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7 de fevereiro de 2022

Prof. Dr. Pietro Nardella-Dellova

(Coordenador da Revista de Direito Civil)

No azul destes céus do rosto risonho

No azul destes céus do rosto risonho

No azul

destes céus do rosto risonho,

rasgados os véus,

eu crio o sonho – o sonho é branco

e um jardim de flores perfumadas,

os amores da amada

(do rosado, às vezes, cor de trigo)

(e ela me envolve em abrigo feito seda clara)

tão rara, tão alva e transparente de fios azuis,

que me guiam ao peito e aos seus rios e risos,

insinuantes e graciosos,

em que sou navegante pelos céus azuis da amada

que vem como brisa,

porque o seu Poeta tem o amor mais doce,

o amor mais puro, o amor mais delicado,

o amor mais inocente,

o amor mais liberto e intenso – amor-suavidade!

E este

amor não me faz pedinte,

não faz de mim

um homem triste,

este amor me faz completo:

um Homem-Poeta!

Sou, então,

homem livre

livre para voar e estar,

e andar:

livre para viver

e receber da natureza a Poesia

e ter

liberdade para respirar

o ar que se me entrega

e não quero destruir notas tais,

maravilhosas.

Sou

homem livre

para pensar

e não pensar

e seguir

o caminho que seguir

e rir com voz alta,

livre para estar

além da pauta…

Sou homem livre

da humana morte

e não espero ser forte

espero

ser.

O amor do Poeta é amor que humaniza

porque

aquela mulher

bebeu do amor,

sentiu

todos os poros

e converteu-se

em Mulher-Poesia

na experiência de terra-céu-encanto….

Adiante estou leve,

pois levo comigo a certeza de que tenhas sido amada,

muito amada, amada plenamente na leveza…

agora, trago-te uma vez mais a gratidão

por ter amado mulher, assim, tão única, tão linda, tão vida…

Vai agora, amor – vou também,

abre bem as tuas asas

e voe como águia nas alturas,

e sejam tantos os mundos,

tantas serão as criações do amor

com a mulher amada,

cujas faces trazem a lua e a descoberta!

© Pietro Nardella-Dellova

Conversa de Corredor, in “A Morte do Poeta nos Penhascos e Outros Monólogos”. São Paulo: Ed. Scortecci, 2009, p. 73-86

Algumas notinhas importantes, porque as baratas não me deixam em paz

Algumas notinhas importantes, porque as baratas não me deixam em paz

Alguém me perguntou se para ser Judeu era necessário conhecer a Torá. Respondi: “é muito bom conhecer a Torá, mas não, não é preciso conhecer a Torá para ser Judeu; é preciso, contudo, não fazer ao outro o que você não quer que façam com você.”

E continuei: “para ser Judeu é preciso ter educação, e saber a diferença entre a sua casa e a casa do outro, ainda que seja uma casa virtual e, assim, na casa alheia fale pouco, não se movimente além do necessário e não dê palpites infelizes.”

E concluí: “os Patriarcas não conheciam a Torá, porque não havia Torá em sua época, mas tinham, e muito, educação, por isso transitavam entre os povos com respeito mútuo.”

Um perfil em quaisquer das redes sociais, é como uma casa (diferente de um grupo de perfis). E, assim, há critérios de etiqueta e educação para se manifestar na casa alheia. Não vá à casa alheia falar besteiras, pois isso demonstra que, além de não ter educação, você deixa, expressa e publicamente claro (e registrado), que é um sem educação!

Nunca debata qualquer assunto com alguém que sabe, sobre o assunto, mais do que você. Limite-se a perguntar e ficar no plano humilde da pergunta, pois o debate pressupõe tanto o conhecimento temático quanto o retórico: sem conhecimento, você se torna um latão barulhento; sem retórica, um ruído ininteligível.

Se, contudo, você se achar na arrogância de debater um assunto que você não domina com um Mestre (e, pior, com um Doutor) deixará publicado ao mundo que você é um asno, um asno arrogante, mas asno, e todo o seu debate parecerá ruído de cascos. Em outras palavras, as redes sociais realmente estão abertas, mas saber quando e com quem debater é sinal de sobrevivência.

Peça licença para entrar, e espere que ela seja dada. Diga “muito obrigado” ao sair, e não cuspa no prato no qual comeu. Lembre-se: você pode ser um asno, mas o mundo não precisa saber disso (guarde esse segredinho só para você...).

Se você tiver dúvida sobre o motor do seu carro, procure um mecânico; sobre construção, um engenheiro; sobre seus direitos, um Advogado; sobre saúde, um médico; sobre vacinas, um imunologista, farmacologista, infectologista (nunca os asnos da internet); sobre livros na biblioteca, uma bibliotecária; sobre sistema elétrico, um eletricista; sobre passaporte, o Consulado; sobre a Ciência do Direito, um Professor de Direito (nunca um Advogado, Promotor, Juiz ou Estagiário, pois estes são operadores do Direito, não Professores); sobre seus demônios internos, um Psicólogo; sobre como plantar, um agricultor; sobre cadáveres, um médico legista; sobre Educação, um Educador; sobre Economia, um economista e; sobre educação, seus pais; sobre Teologia, um teólogo; sobre Ciência da Religião, um cientista da Religião; sobre Israel e Palestina, procure israelenses e palestinos (que tiverem algum grau de conhecimento jurídico, político, geográfico e histórico);

NOTA FINAL

Se você entender tudo isso será bastante para viver bem, entrar em espaços alheios bem, manter-se em espaços alheios bem, sair e deixar aquela impressão de que você pode voltar. Ah, sim, se você entender tudo isso, já será um sinal de que não é um asno arrogante!

© Pietro Nardella-Dellova

Pós-modernidade – acerca da hora e vez dos ratos

Pós-modernidade – acerca da hora e vez dos ratos

Os ratos também ficam em pé, sobrinho!

(Mestre Giovanni, em um encontro)

 

Após tantos milênios em busca da própria humanidade, vencendo déspotas de todo gênero, opressores multifacetados, canibais famélicos, aristocratas perdidos na Ágora, homens-deuses enfurecidos, psicóticos medievais, senhores e reis enlouquecidos, descobridores e colonizadores impiedosos, exploradores de mão-de-obra branca, negra, indígena, amarela, azul e verde, manipuladores e destruidores de vidas e famílias inteiras, religiosos obscenos, mentirosos em cátedras, tribunas, púlpitos e praças, legisladores psicopatas, governantes delinquentes e juízes fúteis, finalmente, nos perdemos.

Após todas as lutas, deixando mitos soterrados, reis comendo a grama entre animais, opressores guilhotinados, religiosos limitados a espaços ínfimos e porões de rezas, nós nos perdemos, tristemente, na mediocridade. E as vitórias se transformaram em lixo, resíduo histórico…

                                                                                 se for

                   de Mengele a podre ossada

que estava no descanso do Embu

                                     desfrutando do silêncio dos mortos,

então, não houve pena a isso.

                                   e se for o corpo que boiava, inerte,

nas águas do canal de Bertioga

                            sem que soubessem tentaram salvar,

então, não houve morte a isso.

                           nada importa, víbora maldita!

se não houve pena à carne disso,

                    e se não houve morte ao corpo disso,

está no abismo, na treva, demônio!

                        onde quisera mandar pessoas outrora

     está queimando diuturnamente

       sem paz.

Após tanta filosofia, tantos debates acadêmicos, tanto progresso econômico, entregamos, por fim, nossas almas para os nazistas e fascistas, sob as bênçãos das cruzes, dos padre-nossos e das políticas ocidentais. E, depois de tanto sangue derramado, em nome da democracia e da liberdade, deixamos que os fabricantes de armas e comerciantes de petróleo dominassem o mundo.

Enquanto parecia ainda ecoarem as vozes de Luther King e Gandhi, entre as linhas de Imagine, fuzilamos milhões de civis, de todas as cores e credos. Enganamos todos e tudo, e quando a grande bolha financeira imobiliária em 2008 criou feridas nos nossos olhos incautos investimos trilhões de dólares para salvar instituições financeiras que nos matam a cada dia, em cada fatura e em cada extrato! 

Então, vem o esgoto:

É

 preciso beber

                        continuamente sem tréguas nem ressacas                         

é preciso fumar todo cigarro e outras drogas,

é preciso drogar-se – a toda hora-

e frequentar todos os bares todas as noites

e fazer sexo em todos os banheiros

(muito sexo, em todas as camas, de todas as casas)

sexo sem limites com todas as mulheres

       e com todos

os homens doentes, pedófilos, sifilíticos,

negros, brancos, amarelos,

tarados, e com todos os burros,

e todos os cães, e todos os cavalos, e todos os porcos!

é preciso devolver

D’US

aos hebreus no deserto!

e ficar livres, para matar, e roubar, e cobiçar,

e mentir, e desonrar, e blasfemar, e idolatrar,

enquanto estes pais e estas mães fizerem crianças de mentira

e em todo canto existirem mentirosos

sejam padres, pastores, pais-de-santo, babalorixás,

gurus, médiuns, profetas, rabinos, missionários, apóstolos, monges, freis,

dizimistas, mulás, sheikhs, ateus, agnósticos,

guias, santos, sectários, fiéis, ovelhas, governos, políticos, empresários,

professores, jornalistas, sindicalistas, juristas, economistas,

médicos, agricultores, empregadores, empregados,

cientistas, estudantes, artistas, filósofos,

escritores, poetas, transeuntes, mendigos:

porque há

m e n t i r o s o s!

porque existe fome, e peste, e ignorância,

porque fizeram de D’us uma coisa,

porque existem favelas violentadas, criminalizadas,

e genocídios, e avareza,

[n e u r ó t i c o s,   p s i c ó t i c o s,  e s q u i z o f r ê n i c o s]

e não há diálogo

nem fogueira

nem estrelas

nem luz

nem sol

nem direito

nem lágrima

nem sorriso

nem afeto

nem amizade

nem trigo nem leite nem Poesia nem teto nem honra nem sangue

  nem legumes nem misericórdia nem justiça nem arroz

     nem tolerância nem feijão

nem coisa alguma: nada!

Quando pensávamos que Geni e o Zepelim se referissem aos desmandos das marionetes militares, descobrimos que servem, tanto quanto, para o baixo clero, alto clero e respectivos. Enquanto ainda falávamos dos cafés impedidos no Largo de São Francisco, descobrimos que centenas de delinquentes, escondidos sob a vestimenta do inspirador nome de Congresso Nacional, por omissão ou por ação, por negligência, imprudência ou imperícia, violavam o pressuposto básico da boa-fé e destruíam, por completo (e por tempo duradouro) o princípio de não causar prejuízo a outrem! Enquanto ensinávamos o sistema jurídico pouco eficaz, os seus criadores usavam o dinheiro público, tirado de forma violenta e indefensável do salário (que nunca será renda!), para o pagamento das viagens (e das orgias) de suas mães, de seus irmãos, de seus correligionários, dos milicianos, dos com-terra, dos palacianos, dos com-castelo, das namoradas e de suas amantes televisivas!

Transformamos um sonho delicado e poético em concreto sufocante, sufocante, sufocante… O sonho e a Poesia foram de graça, espontâneos; o concreto, roubado!

E medimos o amor pelo tamanho da conta bancária e tudo que era sagrado, humanamente sagrado (jamais religiosamente sagrado!) foi coisificado, reificado, reduzido a coisas! E transformamos o corpo em uma imagem distante e vazia. E trocamos o abraço, próximo e intenso, por salas virtuais, grupos virtuais, encontros virtuais, por bonequinhos idiotas que riem sem parar, sem razão e sem verdade. E tudo o que era suor e saliva, perfume e sons da pele, foi deixado em uma tela, e transformado em resíduo cancerígeno e asfáltico! E o que era sábio e inteligente pulverizou-se e perdeu-se entre milhares de livros-lixo em estantes de mercado. Obras inteiras, pagas com o tempo diuturno de estudiosos dedicados, foram esquecidas e substituídas por resumos, sinopses e cópias de esquina. Conduzimos às cadeiras dos antigos mestres da literatura alguns pervertidos esotéricos, alguns senadores hipócritas e donos de redes de televisão, e deixamos passar velhos poetas, ainda que “passarinho”, e os deixamos morrer em algum quarto do Sul.

E as nossas mentes reduziram-se a pó, plástico, imagens e outras invenções noturnas e bestiais!

Rompemos o diálogo, aberto e pontual, profundo e analítico, programático e ético, com os professores de nossos filhos, porque queremos que eles os elogiem, digam algo que legitime nossas condutas indesculpáveis. Porque precisamos de boletins com notas para justificar o preço das escolas e não importa quais os critérios pelos quais se obtenham tais notas, afinal, os fins justificam os meios! Não queremos saber o quanto nossos filhos cresceram por dentro, o quanto se tornaram éticos ou o quanto podem interromper a destruição do planeta – que iniciamos! O mais importante, afinal, é que sejam melhores do que todos os outros, mais fortes, mais sedutores, com celulares mais modernos, que ostentem o poder de bullying sobre todos os outros, como sinal ariano de superioridade. Por isso mesmo, fazemos fila dupla na frente das escolas e buzinamos (às vezes até gritamos!), para que os guardinhas vejam nossos carros, para que os professores vejam nossos carros e para que todos vejam os nossos carros. A escola foi transformada em um curral!

Esquecemos a noção e o conceito de estudo, de pesquisa, de investigação! Rezamos por iluminação, queremos que a divindade nos ilumine! Tornamo-nos asnos religiosos, pelo cérebro e pelo coice.

Queremos títulos, diplomas e certificados de participação em cursos, ainda que tenhamos passado o curso inteiro trocando mensagens ao celular, colando e falando mal uns dos outros (e todos do professor!). Ainda que não tenhamos elaborado uma única questão ou criado uma única ideia original, verdadeiramente original, queremos, mesmo, que o mundo diga que somos instruídos, por isso mesmo investimos nas colações de grau e nos bailes de formatura, nos anéis de formatura (colocados em garras!) e nos álbuns, reais ou virtuais! Por isso mesmo, investimos em becas e togas, para nos cobrirmos e escondermos a vergonha da ignorância e as tendências vampirescas. Não queremos ser esclarecidos, não queremos pensar, não queremos desenvolver nenhum raciocínio crítico.

Não queremos aperfeiçoar nada. Não queremos trabalhar em projeto algum. Queremos o projeto alheio, baixado da internet! Apenas precisamos de uma imagem, de uma fantasia e de uma personagem. Não queremos discutir o direito material, substantivo nem seu sentido nas relações humanas, queremos, apenas, saber como se faz uma petição inicial (para iniciarmos um processo do qual nunca mais nos ocuparemos).

Não queremos explicar a quem nos procura quais sejam os seus direitos, mas queremos que ele saiba profundamente sobre os nossos honorários! Não queremos desenvolver uma inteligência e uma ética social, queremos apenas um emprego público e estável.

Não queremos pagar, queremos apenas receber! Não queremos o café que nos inspira às grandes ideias e projetos, queremos apenas a oportunidade de falar qualquer coisa que seja simplesmente mal da vida alheia. Porque descobrimos, agora, que nada é descartável, mas deletável!

Aliás, precisamos mesmo nos alimentar da maledicência infecciosa, da sujeira que formamos no curral, do pó e do plástico noturnos, do serviço público, do resíduo, da lágrima de quem teve seu direito violado e jamais reparado, das pétalas de flores murchas que entregamos no dia da formatura, do guardinha que esmagamos na porta da escola, dos preservativos usados pelos delinquentes no estupro contra a pobre Geni, da mediocridade e do lixo (ainda que virtual), e das ruínas do Judiciário, usado de forma pessoal, econômica e política, para sentirmos, em plenitude evolutiva, a vida vibrante em nossa longa cauda, escura e escamosa, desprovida de pelos, responsável pelo nosso equilíbrio sobre os varais das roupas socialmente sujas!

A

U

S

        C        

      A  U  S  C  H  W  I  T  Z     

W

I

T

Z

e

venho

de

abismos e profundezas:

do hades onde há ranger de dentes enxofre-resíduo-asfáltico

onde as almas se largam e não há dor nem frio não há sede nem fome,

apenas calor de infernos somados que seca lágrimas remanentes

e as almas se alargam e se espremem

e se dilatam e se transfiguram

e se afiguram a coisas que diluem;

eu

venho

de

lagos-densos-desoxigenados-de-fétidas-misturas-fixas

onde não há coisa alguma

e não se enxerga o azul

e não se ouve qualquer canção

e não se toca com a pele

e não se cheiram perfumes

e

não

se saboreia o mel

a fruta-leite-verdura

apenas,

caindo,

VÊESCUTAAPALPACHEIRARUMINA

o fedor de cadáveres abandonados, o desgosto de abismos

do

delírio-cancro-inserto

n

o

s

coturnos engraxados no ódio.

 Às vezes, agrego pessoas perversas, ignorantes, insensatas e infantis, e as deixo por perto (e com determinadas janelas abertas), por não saber exatamente a diferença entre umas e outras… Às vezes, menciono pessoas perversas, ignorantes, insensatas e infantis, para tentar identificar e diferenciar umas das outras… Às vezes, até elogio pessoas perversas, ignorantes, insensatas e infantis, para que mostrem, em ação ou omissão, as diferenças entre umas e outras… Às vezes, deixo que pessoas perversas, ignorantes, insensatas e infantis se manifestem no meu espaço, para que eu perceba nelas a cor, o peso e o cheiro de sua perversidade, ignorância, insensatez e infantilidade… Às vezes, encontro-me no meio delas, na condição de estudioso e pesquisador, a fim de saber quando e como, umas se transformam em outras!

E

então

D’us

chamou hasatan e lhe perguntou: de onde vieste?

de

rodear

a

terra

(respondeu

hasatan

 sorridente)

 

© Pietro Nardella-Dellova

Fonte: A Morte do Poeta nos Penhascos e Outros Monólogos. SP: Edit. Scortecci, 2009, pp. 276-285

Então, mais história, mais verdade, e menos loucura osmótica (em função do conflito Israel-Hamás de 2014)

Então, mais história, mais verdade, e menos loucura osmótica (em função do conflito Israel-Hamás de 2014)

Tenho lido alguma coisa das muitas coisas (e coisinhas) que se publicam, tanto na Internet quanto em jornais impressos do mundo, da Europa e alguns da América Latina, sobre o conflito (sempre brutal), entre Israel e Hamás. Depois de ler tanto, chego a uma primeira conclusão, aliás, duas:

1) As pessoas do mundo todo, entre as quais, italianos, judeus, árabes e latino-americanos, enfim, as tantas pessoas que se manifestam, das quais li alguma coisa (ou coisinha) nada sabem da História Judaica, História Árabe, Judaísmo e Islamismo, bem como das Línguas hebraica e árabe (e suas variações). Nada sabem sobre os movimentos emancipatórios judaicos e árabes e quase nada sobre o antes e o depois de 1948. A ignorância, nesse caso, é mais nefasta que o conflito atual, pois não apenas mata corpos, mas, sobretudo, cérebros, mentes, corações, consciências e possibilidades de entendimento!

2) Sinto-me um “ausente” ou, como disse Sartre nos anos 60 sobre a questão Israel-Árabe, um “ausente”, pois até agora não tive a predisposição de escrever algo mais científico e histórico, ou mesmo de proferir alguma palestra ou promover algum encontro para tratar do tema, exceto minhas nas aulas de Direito Hebraico, em colaboração com a Cadeira de História do Direito da Faculdade de Direito da USP.

Por um lado, fiquei um tanto ausente, porque quando quis me manifestar em 2009, fui violenta e injustamente atacado por alguns dos meus colegas professores de Direito do Brasil, de certa “agremiação de professores de Direito“, sob o argumento de que eu, enquanto Judeu, não poderia me manifestar, pois havia certo “pertencimento” (argumento usado por eles à época). Estranho, se não posso falar porque sou Judeu, então a oposição a mim é antissemita e nada tem a ver com Israel e Palestina.

Sem desmerecer a pessoa (uma Professora) que usou tal argumento (a quem respeito muito), mas é um argumento flagrantemente pobre (para dizer o mínimo), pois eu, eu mesmo, como Judeu, tenho, junto com Árabes e Muçulmanos, Israelenses ou Palestinos, a legitimidade “a priori“, além do dever, para falar sobre isso. Por outro lado, fui (e sou) muito criticado pela comunidade judaica (mais a brasileira e muito menos a italiana), sob o argumento de que eu, assumidamente anarquista, não teria razão para falar do assunto que envolva “Estado”.

Enfim, o estado de “ausência” neste assunto, apenas contribui para o alargamento da ignorância, da proliferação de juízos miseráveis e, finalmente, para um crescente – e assustador- antissemitismo e islamofobia, observáveis a olho nu em cada postagem ou artigo!
 Resolvi, então, desenvolver ações concretas, ao menos no que respeita ao mundo acadêmico, universitário, incluindo, textos, palestras, grupos e encontros, para esclarecer e lançar algum tipo de referência para ajudar no que mais desejamos, a paz duradoura entre Israelenses e Palestinos. Mas, ainda, tenho dois outros objetivos, a saber, colocar-me contra, frontalmente contra, às falas antissemitas e islamofóbicas (substrato da maioria das manifestações).

Começo aqui, agora, trazendo alguns esclarecimentos (mais adiante, produzirei textos e artigos, bem como organizarei grupos de pesquisa e de estudo e, também, palestras e conferências a este respeito. Também, comecei o contato com vários professores e pesquisadores “do mundo”: judeus, muçulmanos, árabes, não judeus, não árabes etc, para a elaboração de um livro sob minha organização e coordenação com esta temática). Eis, então, alguns esclarecimentos sintéticos:

a) Por “Sionismo“, devemos entender um movimento filosófico, de filosofia política, não religioso, de 1897, cujo objetivo era a emancipação dos judeus que viviam principalmente na Europa, sem segurança. O fim último do “sionismo” era a constituição de um lar judaico, sob a proteção da lei internacional. O que era ideia encontrou um terreno propício no Oriente Médio, em face dos Judeus que lá moravam fazia milênios (são chamados judeus do Eshuv, ou seja, judeus que nunca saíram daquelas terras). O chamado movimento sionista encontrou seu objetivo, concretizando-se no estabelecimento do Estado de Israel, em 1948, com a proteção do Direito Internacional. Desde então não há movimento sionista nem, muito menos Estado “sionista”, a menos que utilizemos esta expressão com muita impropriedade, porque o Estado de Israel é formado, hoje, entre outros, por grupos judaicos, árabes muçulmanos, árabes cristãos, africanos (negros), e drusos. Israel é uma realidade, não um projeto. A menos que utilizemos a expressão “sionismo/sionista” (sem mais sentido) para nos referirmos a grupos radicais da direita israelense (mas, grupos de direita não contam, devem ser combatidos, assim como grupos antissemitas, teocráticos etc!)

b) Antes de 1948, aquelas terras eram chamadas de “Palestina”. Os romanos assim chamaram aquela região “Syria Palaestina”, no século II e. c. (era comum), nome não inventado pelos romanos, mas de origem grega “Philistia” designando uma região que abrangia, no século XII a.e.c. (antes desta era comum) o que hoje vai de Tel Aviv até Gaza. Portanto, uma região dos filisteus (Philistia) que não eram, por sua vez, semitas, ou seja, nem árabes nem judeus. Os filisteus eram originados de Creta e ocuparam vários pontos do Mar Mediterrâneo, incluindo Gaza (todos conhecem o mito de Sansão e Dalila? Dalila era filisteia!). Portanto, Palestina não se refere, até então, a um país ou povo específico, mas a uma região geográfica, administrativa, romana.

c) Antes de 1948, a então região chamada Palestina não era um país, era um lugar, onde existiam judeus, árabes, drusos, ingleses, cristãos, muçulmanos etc. Estava sob “mandato” internacional da Inglaterra. As relações eram entre judeus-árabes-muçulmanos-drusos-cristãos e, como maior número, especialmente, entre judeus e árabes. Não havia Israelenses nem o que chamamos hoje “Palestinos” (como povo). Os judeus viviam comumente em Kibutzim, da agricultura, enquanto os árabes e outros, também, da agricultura familiar.

d) Com a criação do Estado de Israel, houve oposição de todo o mundo árabe. Isso é história, não conversa facebookiana. E, desde logo, guerra entre os recém-nascidos Israelenses e os Árabes (não era guerra entre Israelenses e Palestinos). Por isso mesmo, nesta ocasião, todos os jornais, livros, artigos etc, mencionam apenas o conflito “israelo-árabe”. Após a primeira guerra, de 1948, vencida por Israel contra a coligação Síria-Líbano-Jordânia-Egito-Iraque, começada no dia 15.5.1948, com a invasão destes países, um dia depois da Declaração de Independência de Israel, o conflito passou a ser chamado Israel-Árabe. Também não é mais apropriado (desde os anos 70) utilizar os termos “pan-arabismo ou pan-islamismo”, excetuando os grupos radicais (mas, grupos radicais de qualquer ideologia não contam!)

e) Apenas a partir do final dos anos 60, os árabes da resistência que lá ficaram (ou estavam em campos de refugiados), abandonados pelos países árabes, estes, vencidos em todas as guerras, começaram a ser identificados como árabes Palestinianos. Todos os outros passaram a ser chamados de árabes Israelenses (inseridos nos contexto do Estado de Israel, assim como, drusos israelenses, cristãos israelenses…).

f) A partir dos anos 70, os árabes não israelenses (da Cisjordânia e Gaza), passaram a ser chamados “Palestinos”, e o conflito, não mais Israel-Árabe, mas Israelense-Palestino que se arrastou, de forma sangrenta, pelos anos 70, 80 e 90. Apenas depois de muitas intervenções diplomáticas internacionais, bem como acomodação de Israelenses e Palestinos, começou algum processo de paz objetivando a criação do Estado da Palestina, processo esse, quase sempre interrompido, seja pela direita israelense, seja por grupos radicais palestinos, entre os quais, a OLP e o Hamás. A partir de 90, o conflito não é exatamente (embora seja ainda em certa medida), entre Israelenses e Palestinos, mas, entre Israel e Hamás.

g) Continuarei este esclarecimento mais adiante, em nova oportunidade… Conforme meus textos anteriores, continuo contra a resposta bélica israelense em face dos ataques do Hamás. Considero que haja outros meios, alternativos, de resposta!

© Pietro Nardella-Dellova, 2014

o presente texto foi primeiramente publicado, em 2014, no Blog Café e Direito https://nardelladellova.blogspot.com/2014/07/entao-mai-historia-mais-verdade-e-menos.html

NOTA FINAL DE ATUALIZAÇÃO:

Após esse texto, escrito e publicado em 2014, escrevi outras centenas de textos sobre o assunto, fiz quatro Palestras sobre o Conflito Israel e Palestina: (1)  Na EMERJ – Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro, mediado por uma Juíza de origem árabe, Dra Simone Nacif (disponível no YouTube); 2) Na Faculdade de Direito Damásio de Jesus, São Paulo, com a presença de representantes do Islamismo egípcio; 3) Na Faculdade de Direito da Universidade Nove de Julho, com debate com um Professor de Direito Internacional e, finalmente; 4) Na FURG – Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande, em Mesa com representantes Palestinos). Em 2017, escrevi um livro sobre ANTROPOLOGIA JURÍDICA, em duas edições, 2017 e 2018, dedicando um capítulo inteiro à questão Israel e Palestina, para o qual convidei Palestinos, Ateus e outros para, junto comigo, escrevermos a partir das nossas ideias).