Pierre Proudhon, sua biografia, formação e teoria trilógica da propriedade
Pierre-Joseph Proudhon nasceu em Besançon, França, a 15 de janeiro de 1809. Sendo ele o quinto filho de uma família muito pobre, trabalhou desde pequeno com o pai na fabricação de cerveja e, depois, no pastoreio.[1]
Ao conseguir uma bolsa de estudos, começou sua jornada aos onze anos em um colégio de sua cidade, demonstrando, desde então, grande interesse pela leitura, conjugando a vida de pastor com a escola e fugas para a biblioteca da sua cidade. Mas, quando sua família perdeu as terras e a possibilidade de continuar no pastoreio, teve que se retirar dos estudos para ajudar nas despesas da casa não podendo terminar seus estudos. Em 1827, aos treze anos, é enviado para trabalhar na tipografia dos Gauthier. Desde essa época passou a cultivar a imprensa.
Durante os anos seguintes trabalhou como tipógrafo em Neuchâtel, Marselha e Draguignan, tempo em que, como autodidata, estudou hebraico, latim e grego e, em 1830, resolveu mudar-se para Paris, vivendo na casa do seu amigo Gustave Fallot. Neste tempo completa a leitura da Bíblia e de obras teológicas que, como consequência, desperta-lhe aversão à religião dos teólogos. Em 1833, Proudhon retorna a Besançon para dirigir a tipografia dos Gauthier.
Em 1837, escreve Essai de Grammaire Générale, que lhe traz menção honrosa, e lhe dá condições de se candidatar, em 1838, à pensão Suard (atribuída a jovens pobres da região que tivessem vocação para a carreira de letras ou ciências). Para isso apresenta o texto Candidature a la Pension Suard, recebendo a bolsa.
Em 1839, imprime sua primeira obra importante, De l’Utilité de la Célébration du Dimanche, considerée sous les rapports de l’hygiène publique, de la morale, des relations de famille et de cité. No ano seguinte, 1840, publica a obra que lhe fará conhecido e polêmico, Qu’est-ce que la Propriété? ou Recherches sur le príncipe du Droit et du Gouvernement, por conta da qual quase perde sua bolsa, mas tem que responder diante da Academia de Besançon, anota Giampietro Berti (1982, p. 79).
Em 1842, transferindo-se para Lion, vai trabalhar em uma empresa de transportes marítimos, e publica, em 1843, a sua “De La Création de l’ordre dans l’Humanité”. Em 1845, passa o inverno em Paris, onde Marx o conhece. Em 1846, publica o “Système des Contradictions Économiques ou Philosophie de la Misère”.
Em 1848, participa ativamente da Revolução e se elege Deputado na Assembleia Nacional, momento em que propõe reformas radicais na economia, quando recebe o mote de homem-terror, tanto de socialistas quanto da burguesia. Vota contra a Constituição e, após a eleição de Luiz Bonaparte à presidência, passa a atacá-lo com artigos em jornais, em função dos quais será processado, condenado e encarcerado em 1849. Fica preso até 1852, quando encontrou os socialistas desterrados pelo golpe de 1851. Desde então, Proudhon escreverá várias obras, entre as quais, a Théorie de la Propriété, terminada em 1862, e que será publicada apenas em 1865, após sua morte, que se deu a 19 de janeiro de 1865.
A sua Teoria da Propriedade (Théorie de la Propriété, 1865) é a obra que fecha a trilogia da propriedade, e completa as obras Filosofia da Miséria (Système des Contradictions Économiques ou Philosophie de la Misère, 1846) e sua obra polêmica, O Que é a Propriedade? (Qu’est-ce que la Propriété?, 1840).[2]
No conjunto, sua obra contribuirá, não apenas para a crítica, mas para toda a ciência econômica e social, bem como jurídica. Pontes de Miranda (1972, p. 16), por exemplo, coloca Proudhon como essencial para a crítica da explicação e elaboração do direito, especialmente entre os vários autores da Sociologia e Doutrinas científicas,[3] e Ruy Barbosa (1964, p. 303) utiliza-o elogiosamente em seus textos.[4]
© Pietro Nardella-Dellova. Direito Civil: Relações sobre Coisas, Vol. 3, 2ªedição. São Paulo: Editora Scortecci, 2025, pp. 101-103
NOTAS
[1] Sugerimos a leitura do nosso Pierre Proudhon e sua Teoria Crítica do Direito Civil, Ed. Scortecci, 2021, a fim de se ampliarem a visão e conhecimento da crítica que Proudhon faz ao mau uso da propriedade, bem como da defesa da sua função libertária. Ademais, a obra ajudará a compreender como Proudhon foi utilizado nos Kibutzim judaicos (Israel) desde 1870.
[2] O pensamento de Proudhon sobre a propriedade não pode ser alcançado e compreendido sem a leitura atenta destas obras (que se completam em verdadeira trilogia). Leituras parciais, rasas ou desonestas, ou o desconhecimento de tais obras, levaram civilistas, liberais, socialistas, comunistas, capitalistas etc., a fazerem afirmações infantis, injustas ou desprovidas de fundamento. Neste capítulo, oferecemos o conhecimento total das obras de Proudhon e, assim, contribuir com a teoria da propriedade.
[3] Pontes de Miranda, no Sistema de Ciência Positiva do Direito, de 1922, republicado em 1972.
[4] Ruy Barbosa, na sua Teoria Política, republicado em 1964, comenta, elogiosamente, a obra de Proudhon De la Célébration du Dimanche (1839).
Torá: Bereshit-Israel
Não adianta falar 24hs por dia diante de antissemitas…
Não deixarei de ser Judeu para agradar a antissemitas
Jesus – Judeu e Rabi – não é o outro, mas um Tu no contexto judaico da melhor e mais elevada cultura e estudo
(…)
Jesus não é o outro, mas um Tu no contexto judaico da melhor e mais elevada cultura e estudo. Se a Igreja deve descobrir seu elemento judaico, também a Sinagoga, por seu lado, deve descobrir a importância de Jesus, o Judeu, para o Judaísmo e para o mundo.
Não fosse por outro motivo, seria, ao menos, para o cumprimento da Mitzvá positiva 209, que resume o motivo pelo qual se estabeleceram Sinagogas pelo mundo: “diante dos Eruditos e dos Mestres, te levantarás e honrarás suas faces”!
Se com o termo Mestre devemos reconhecer, não apenas quaisquer pessoas do mundo acadêmico, mas, no contexto judaico quem ensina o Judaísmo, principalmente a Torá e os Profetas, Jesus, então, merece um lugar de honra indiscutível.
O que fez ele? Não apenas confirmou a Torá em sua integridade, mas, também, em consonância ao que fez Hilel, deu os fundamentos do Judaísmo.
O Judaísmo de Jesus, como de outros Mestres de sua envergadura e, antes deles, dos Profetas e Patriarcas, resume-se em uma palavra proferida por Jesus bastante significativa: “ensinarei coisas ocultas desde a fundação do mundo”.
Também foi ele quem esclarecera, depois de confirmar a validade e permanência de toda Torá e dos Profetas, que isso tudo resume-se em dois mandamentos: “amarás o Senhor teu Deus com toda a tua força e amarás teu próximo como a ti mesmo”. Destes dois mandamentos dependem toda a Torá e os Profetas”.
Recuperar Jesus é, por isso mesmo, recuperar aquele Judaísmo de amor que forma a força mais sutil do mundo. Para propor esta substância nas relações principalmente na que respeita à emancipação da pessoa humana.
Talvez consigamos compreender que resgatar Jesus, em ambos os ambientes, bem como sua experiência de vida e a dos seus discípulos imediatos, ou seja, da comunidade primitiva, aproveitando-os para que se lancem luzes, quiçá novas, ajuda na organização social dos tempos atuais, como o Sermão da Montanha já considerado como uma das pérolas do Judaísmo hillelista tanto por Pinkuss, quanto por Walter Rehfeld e J. Guinsburg, todos aqui mencionados.
Sobre o mesmo Sermão da Montanha, disse Gandhi, na obra organizada por Louis Fischer, certa vez: “se naquela oportunidade eu tivesse de enfrentar somente o Sermão da Montanha e minha própria interpretação dele, não hesitaria em dizer: oh, sim, sou cristão… mas, negativamente, posso dizer-vos que muita coisa que passa por cristianismo é uma negação do Sermão da Montanha…” (1984:190)
E com Buber, o filósofo Judeu do diálogo, que compreendeu o pensamento de Jesus como inteiramente formado pelo Judaísmo do amor, não simplesmente por sentimentos que acompanham o amor, que não podem ser confundidos com ele. Este amor judaico é indivisível e clama sua atenção sobre toda a humanidade: “a los sentimientos se los tiene; el amor es un hecho que se produce … el sentimiento de Jesús para con el poseso es otro que su sentimiento para el discípulo bienamado; pero el amor es uno … aquel que toda su vida está clavado sobre la cruz de este mundo porque pide y exige esta cosa tremenda: amar a todos los hombres” (1969:19)
(…)
Pietro Nardella-Dellova. Judaísmo in Judaísmo, Cristianismo e Islam. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2023, p. 116 e segs.