Nova carta aberta a comunidade judaica no brasil

Nova carta aberta a comunidade judaica no brasil

Não me cansarei!!! Venho, de novo, alertar ao que está acontecendo em Israel e que vocês não conseguem ver ver, talvez porque as mensagens chegam a nós deformadas por parte de ambas as mídias, de ambos os lados, com narrativas de ou nós ou eles, incapacitando a todos de poder ver a complexidade do conflito. Talvez por uma necessidade de defesa contra o antissemitismo atual ou talvez por encarar a verdade que destruiria nosso sonho, nosso ideal sobre o Estado de Israel.

O fato de que a Hamas realizou o maior massacre a judeus desde o Holocausto, que terroristas palestinos realizaram o maior massacre a civis na Austrália, que os palestinos criam fake news, que as mídias as transformam em verdades, não justifica o que este governo fez e está fazendo em Gaza e na Cisjordânia.

Estamos vivendo um momento crucial na história de Israel. Pela primeira vez temos um governo de extrema direita, no qual 25% de seus ministros são religiosos messiânicos, fascistas, 25% são haredim querendo impor leis religiosas a todos e combater o feminismo e a comunidade LGBT+. Os outros 50% dos ministros, pertencentes ao Likud, não são menos extremistas e querem acabar com a liberdade do sistema Judiciário e da Mídia.

Este governo, apesar de ser composto pelos setores mais tradicionais e religiosos da sociedade israelense, estão realizando atos antijudaicos, antissionistas, imorais. De 35 ministros, 15 estão sendo acusados de corrupção, sendo o primeiro deles o 1º ministro, Bibi Natanyahu, Sr. Crime Minister.

Estamos diante de 2 fatos principais. O primeiro pessoal de Bibi Nataniahu, que fez tudo e está fazendo tudo para sobreviver na política, pois caso saia dela , será julgado e incriminado. Há um mês atrás pediu anistia ao presidente, sem reconhecer culpabilidade e sem declarar que deixará o ativismo político. Ou seja, pediu ao presidente que cancele seu julgamento. Estamos diante de mais um ato de corrupção, se não de traição, o Qatargate – os assessores de Bibi Natanyahu, em plena guerra trabalharam para Qatar, recebendo dinheiro. Qatar que sustenta a Hamas e na qual vive a cúpula política da Hamas, em hotéis de 7 estrelas. Esses assessores falsificaram documentos em 2024, que foram usados no artigo no jornal Bild, de maior tiragem na Alemanha,querendo provar assim que a Hamas não quer o acordo de cessar-fogo e retorno dos reféns. Com isso Bibi e seu governo puderam continuar a guerra com a narrativa de que a força é o único meio para a volta dos reféns.

O segundo fator é ideológico. O sionismo judaico messiânico prega o retorno ao Grande Israel, a limpeza étnica. Não ele não prega o genocídio, mas se para haver limpeza étnica é preciso haver genocídio, parte deste governo apoiaria. Assim como o Rabino Eliahu Mali declarou Guerra Santa em Gaza e que temos que matar todos os bebês e crianças, pois serão, no futuro, terroristas. A policia de Ben Gvir, encerrou a investigação de chamada a genocídio.

Precisaria escrever um livro, para descrever as manipulações, mentiras e corrupções que Bibi e seu governo vêm cometendo nestes 3 anos. Mas, meu objetivo vai além disso. Minha intenção é alertar a comunidade de quanto longe nós estamos afastando do judaísmo moderno e de seus valores sejam eles das correntes laicas, humanista, reformistas ou conservadoras. O quanto este governo está se afastando dos valores do sionismo e da carta da independência assinada no ato da declaração do estado de Israel por Ben Gurion.  Meu objetivo é alertar a comunidade de que um dos principais fatores da eclosão do antissemitismo é este governo e Bibi Natanyahu. Não o único, mas sem dúvida a calamidade, a opressão em Gaza deu armas nas mãos de antissemitas.

Não oprimirás o estrangeiro, pois conheces o coração do estrangeiro, visto que fostes estrangeiros na terra do Egito” (Êxodo 23:9) e “Amarás o estrangeiro, porque também tu foste estrangeiro na terra do Egito” (Deuteronômio 10:19).

Em Pessach lemos “Em cada geração, cada pessoa tem a obrigação de se ver como se tivesse saído do Egito

Ao que parece, a religião “judaica” de Bibi Natanyahi, Ben Gvir, Smotrich, Rav Gafni, Rav Edri e todos os 68 membros da atual coalizão se difere daquela que durante mais de 3000 anos, desde que recebemos a Torá em Har Sinai, pois para eles o estrangeiro tem que ser morto e expulso.  .

Em Gaza morreram 70 mil pessoas, 40 mil civis. Gaza foi totalmente destruída, em uma guerra desproporcional, gerada por vingança e por interesses pessoais e ideológicos. Na Cisjordânia todos os dias estão sendo cometidos atos terroristas por colonos judeus, chamados de “Noar Hagvaot” (Jovens das Colinas). Casas e aldeias são incendiadas, plantações arrancadas (principalmente oliveiras, que também é proibido na Tora), mulheres, jovens e idosos são espancados e seus rebanhos roubados. A organização de Rabinos pelos direitos humanos e centenas de voluntários, inclusive eu, vão aos territorios ocupados, a Cisjordania Palestina, para ajudar aos palestinos fazerem a colheita das olivas. Mas, o exercito de Smotrich está impedindo que cheguem ao seu destino.

Smotrich, sendo ministro da Cisjordania, está permitindo e apoiando economicamente a criação de dezenas de colonias ilegais em terras particulares de palestinos.

Este governo, que parte dele passa 24/7 estudando a Tora, parece que sofrem de “invertologia” , isto é a doença de inverter a leitura, lendo assim o texto acima desta forma:
Oprimirás o estrangeiro, pois conheces o coração do estrangeiro, visto que fostes estrangeiros na terra do Egito” (Êxodo 23:9) e “Não amarás o estrangeiro, porque também tu foste estrangeiro na terra do Egito” (Deuteronômio 10:19).

A inversão de valores judaicos, o fanatismo é descrito em uma palavra – fundamentalismo. Vivemos hoje em Israel, um fundamentalismo judaico, que não aceita nenhuma outra forma de judaísmo, repudiando qualquer religião que não essa na qual eles acreditam. Vocês podem achar que estou exagerando. Convido-os a uma conversa na qual poderei expor as leis que estão sendo impostas atualmente na Knesset, verbas sendo desviadas para as escolas harediot, que não cumprem com a lei e as normas de curriculum, segregação de meninas sfaradiot em escolas de meninas ashkenaziot, leis contra organizações laicas, ataques a organizações anti-religiosas e que lutam pela paz e o estabelecimento de 2 estados, etc.

Israel não está ameaçada pelas forças inimigas, por mais brutais, bárbaras e sanguíneas que sejam. Somos fortes e bem armados para combatê-las. Por mais pacifista que seja, acredito que quando forças asim surgem temos que combate-las com força. Mas existe uma diferença entre usar a força proporcionalmente, humanamente e não nos assemelharmos àqueles que nos atacaram de forma deshumana. Em terra de olho por olho, os povos e os lideres se tornam-se cegos.

Israel está ameaçada pelas forças internas do fundamentalismo judaico. Do fanatismo que tenta destruir a democracia que criamos com tanto esforço durante 77 anos, mais de 100 anos de sionismo. O governo está impondo leis para fragilisar o sistema judiciario, fechando os canais públicos de radio e TV, criando um sistema de censura para o cinema e documentários, retirando apoio economico a produção local que critique o governo, o exercito e a religião.

Milhares de crianças foram mortas nesta guerra, muito mais que milhares de crianças sofrem de pós-trauma em Gaza e em Israel, pelo menos 3000 crianças em Gaza estão mutiladas. Elas não são culpadas pelo fanatismo de ambos os lados.

A.D. Gordon disse “ Não combatam a escuridão, apoderem a luz”. A comunidade judaica no Brasil pode apoderar a luz e em vez de lutar contra a extrema esquerda brasileira e mundial e a extrema direita em Israel, mostrar que existe um outro Israel. Àquele que apoia uma solução de paz, que reconhece os direitos legitimos do povo palestino a um Estado livre, ao lado do Estado de Israel. Judeus sionistas que apoiam os palestinos que queiram viver em paz e que juntos ajudam a reconstrução de Gaza destruida. Judeus sionistas que apoiam projetos como o PIS, Palestine Israel Solidarity, projeto com o objetivo de construir um centro comunitário em Gaza e na Galileia para crianças palestinas e israelenses, judias, muçulmanas, cristãs e drusas. Centros que trarão uma mensagem de paz e reconciliação. Centros que em algum momento falarão entre sí, criando uma corrente de esperança para a nova geração, que até o momento só conheceu o medo, o odio, a violência.

A comunidade judaica pode escolher se faz parte do problema ou da solução. Mas, mais do que a comunidade, você como indivíduo da comunidade, pode tomar a sua própria decisão.

https://www.youtube.com/watch?v=j-y-zuXYXGA&t=1s&pp=ygUfUElTIHBhbGVzdGluZSBpc3JhZWwgc29saWRhcml0eQ%3D%3D

 

 

Binyamin Netanyahu declarou guerra a Israel

Binyamin Netanyahu declarou guerra a Israel

Há trinta anos, em 4 de novembro de 1995, Binyamin Netanyahu declarou guerra a Israel. Com três tiros disparados contra as costas do sionismo humanista, socialista e pluralista, aquele que buscava a paz e o reconhecimento de que, entre o rio e o mar, deveriam existir dois Estados, Israel e Palestina, foi assassinado Yitzhak Rabin. Com ele, desmoronou o sonho de uma paz justa e duradoura.

O assassinato de Rabin não foi um episódio isolado nem obra de um indivíduo solitário. Tratou-se do resultado de um longo processo de doutrinação de gerações de judeus religiosos, nascidos após 1967 e, sobretudo, depois de 1977. Para compreender plenamente esse processo, é necessário regressar às origens do movimento sionista, no final do século XIX.

A principal vertente do sionismo em seus primórdios, na década de 1890, foi o sionismo socialista. Até a formação do Estado, em 1948, os pioneiros judeus sionistas fundaram os kibutzim e moshavim, o sistema público de saúde, as universidades, o sistema educacional gratuito, o sindicato dos trabalhadores e toda a infraestrutura de um novo país que, até então, era apenas deserto e sonho. Durante cerca de nove décadas, o Partido Trabalhista governou Israel, eleito de forma democrática e representando os ideais fundadores do movimento.

A Guerra dos Seis Dias (1967) e a subsequente conquista da Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza despertaram, entre os setores religiosos e o sionismo revisionista, a reivindicação da anexação e colonização desses territórios. Nas escolas religiosas e, sobretudo, no movimento juvenil Bnei Akiva, a mitzvá[1] le’yashev et ha’aretz (“assentar-se na Terra”) transformou-se no mandamento central do sionismo religioso.

Após a Guerra do Yom Kipur (1973), a comissão de inquérito condenou o governo trabalhista pelo fracasso em prever o conflito. Como consequência, nas eleições de 1977, o Likud, partido da corrente revisionista[2] de direita, venceu as eleições e formou governo com o Partido Sionista Religioso e o partido ultraortodoxo. Desde então, o Likud governou quase de forma contínua, com breves intervalos.

Apesar de sua ideologia revisionista, de extrema direita e favorável ao “Grande Israel” e à anexação dos territórios ocupados, Menachem Begin, líder histórico do movimento terrorista Etzel e posteriormente primeiro-ministro pelo Likud, demonstrava profundo respeito pelo sistema democrático e pela independência do poder judiciário. Quando o rabino Reuven Kahana, líder do partido Kach (precursor e mentor de Itamar Ben-Gvir), subia à tribuna da Knesset, todos os membros do Likud se retiravam em protesto, por se tratar de um partido racista, antidemocrático e de extrema direita. Esse episódio é fundamental para compreender a transformação da direita israelense e a sua situação atual.

Paradoxalmente, foi Begin quem assinou, em 1979, o Acordo de Paz com o Egito, devolvendo todo o Sinai e desmantelando a cidade de Yamit. Criticado por setores da direita e por membros de seu próprio partido, respondeu:

“Sim, a paz exige sacrifícios, mas o pior acordo de paz é melhor do que todas as guerras.”

Em 13 de julho de 1992, Yitzhak Rabin venceu as eleições após 15 anos de hegemonia do Likud. Logo ao assumir, iniciou o processo que culminaria, em 13 de setembro de 1993, na assinatura dos Acordos de Oslo, nos quais Israel e a OLP, sob a liderança de Yasser Arafat, reconheceram mutuamente o direito de ambos os povos à autodeterminação nacional.

Em março de 1993, Netanyahu assumiu a liderança do Likud. A partir de então, unificou a direita, a extrema direita, os partidos do sionismo religioso e os partidos ultra ortodoxos em uma frente única contra o Acordo de Oslo e o governo de Rabin, acusando-o de traição e de colocar em risco a segurança nacional.

As manifestações tornaram-se progressivamente mais violentas. Em 2 de outubro de 1995, rabinos-chefes do judaísmo ortodoxo realizaram, em frente à residência de Rabin, o ritual místico de Pulsa de Nura, clamando por sua morte.

O auge das manifestações ocorreu em 5 de outubro de 1995, na Praça Sion, em Jerusalém, onde líderes do Likud e da direita assistiam, de uma varanda, aos manifestantes que portavam cartazes de Rabin com uniforme nazista e gritavam: “Morte ao traidor!”.

Em 4 de novembro de 1995, movimentos e partidos de centro e esquerda promoveram uma grande manifestação em apoio ao processo de paz, reunindo mais de 300 mil pessoas. Eu estava entre elas. Encerramos o ato cantando Shir LaShalom — o hino da paz e da esperança. Acreditávamos, sinceramente, que a paz estava ao nosso alcance.

Mas, enquanto a esquerda sonhava com reconciliação, a direita conspirava. O clima de incitação ao ódio, legitimado por Binyamin Netanyahu, líderes políticos da direita e da extrema direita e rabinos do sionismo religioso e messiânico, culminou no assassinato de Rabin por Yigal Amir, militante do partido Kach (hoje representado por Otzma Yehudit, de Ben-Gvir). Amir foi o executor, mas a ideologia e o ambiente que tornaram o crime possível foram construídos de cima, pelos líderes políticos e espirituais.

Naquela noite, a democracia israelense foi ferida mortalmente. Netanyahu iniciou um processo de erosão dos valores fundamentais do Estado democrático, judaico, liberal e pluralista, processo que, décadas depois, em 2022, desembocaria nas tentativas de golpe contra o sistema judiciário, a imprensa, a sociedade civil, as minorias e no massacre de 7 de outubro de 2023.

Após o assassinato de Rabin, Netanyahu venceu as eleições de 1996. Perdendo as eleições em 1999, passou 9 anos fora do poder. Nesse período, ocorreu a retirada de Gaza, e em 2007 o Hamas assumiu o controle de Gaza.

Retornando ao poder em 2009, Netanyahu surpreendeu com um tom aparentemente moderado e, em discurso na Universidade Bar-Ilan, reconhecendo, ao menos formalmente, a solução de dois Estados. Pouco depois, no entanto, retrocedeu, afirmando que “nunca haverá um Estado palestino”. A guinada definitiva ocorreu com dois fatores centrais:

  1. A criação, em 2012, do Fórum Kohelet, think tank financiado por setores conservadores israelenses e norte-americanos, responsável por definir a agenda ideológica da direita — incluindo a reforma judicial, a Lei do Estado-Nação e a marginalização do árabe como língua oficial.
  1. O envolvimento de Netanyahu em escândalos de corrupção (casos 1000, 2000 e 4000), que o tornaram refém de seus aliados da extrema direita e dos partidos religiosos.

A partir desse momento, consolidou-se o chamado “Bloco Natural”, que governou Israel por 16 anos, até os dias de hoje, com apenas um breve intervalo (2021–2022). Em 2022, Netanyahu formou o governo mais à direita da história do país, composto por cerca de 25% de ministros oriundos de partidos messiânicos, responsáveis pela colonização da Cisjordânia e defensores da anexação total dos territórios ocupados e da limpeza étnica dos palestinos, e outros 25% dos partidos ultraortodoxos, exigindo leis religiosas e benefícios exclusivos para o setor haredi. Com mais da metade de seu partido radicalizado, Netanyahu formou um governo de caráter fascista, messiânico e fundamentalista, empenhado em consolidar o que denomino “ditadura democrática”.

Essa definição se sustenta nas declarações de vários ministros do atual governo: “Fomos eleitos pelo povo, pela maioria, portanto temos o direito de fazer o que quisermos.”

Durante todo esse período, Netanyahu sustentou uma política de fortalecimento do Hamas, com o objetivo de enfraquecer a Autoridade Palestina e justificar a ausência de um interlocutor para a paz. O governo israelense permitiu que o Qatar transferisse mensalmente milhões de dólares ao Hamas, plenamente ciente de que esses recursos eram destinados a armamentos e túneis. Sua doutrina de “gerenciar o conflito” visava perpetuar o status quo da guerra constante, utilizando o medo como instrumento de dominação política e social.

A dependência de Netanyahu em relação aos grupos de extrema direita provocou uma radicalização da política contra a população palestina da Cisjordânia, enquanto sua submissão aos ultraortodoxos resultou em leis religiosas, isenções militares e privilégios econômicos exclusivos.

A ofensiva contra o Poder Judiciário tornou-se o eixo central de seu governo, uma tentativa deliberada de enfraquecer o Supremo Tribunal da Justiça e eliminar os freios institucionais. O ataque à imprensa, ao sistema educacional, às ONGs de direitos humanos e às instituições civis completou esse quadro de desintegração democrática.

A política de “alimentar o lobo mau” explodiu em 7 de outubro de 2023. O massacre perpetrado pelo Hamas no sul de Israel revelou o fracasso da estratégia de Netanyahu, ou, talvez, sua premeditação. Mesmo ciente do fortalecimento militar do Hamas, o primeiro-ministro nada fez para contê-lo. A pergunta que se impõe é: por quê?

A resposta talvez venha apenas de uma Comissão Nacional de Inquérito, a mesma que Netanyahu hoje tenta impedir, embora tenha exigido uma em 2006, após a Segunda Guerra do Líbano, durante o governo do partido Kadima e do primeiro-ministro Ehud Olmert.

Sob intensa pressão internacional do presidente Donald Trump, Netanyahu encerrou a guerra, ciente de que, ao fazê-lo, teria de enfrentar a Justiça, as eleições e a opinião pública. Imediatamente, a seu mando, ministros iniciaram uma nova guerra interna, tentando abalar as bases do sistema democrático israelense. Este governo mergulhou Israel em um ciclo de guerras internas e externas, corroendo a confiança nas instituições e dividindo profundamente a sociedade.

Hoje, embora as pesquisas indiquem uma clara maioria da oposição (71 cadeiras contra 49 do “Bloco Natural”), o governo insiste em reivindicar um “mandato popular” absoluto, um argumento autoritário travestido de legitimidade democrática.

Para sobreviver, Binyamin Netanyahu declarou guerra a Israel. O primeiro passo foram três tiros. Rabin morreu, mas seu legado não. Somente a união de judeus e árabes em Israel poderá transformar esta guerra em uma vitória da esperança e no cumprimento do legado de Rabin:

A PAZ.

[1] Leis religiosas. Ao total 613 leis como o shabat (proibição de trabalhar no sabado), kashrut (leis alimentares).

[2] Vertente do sionismo de direita a favor do Grande Israel.

Lula, Israel e o debate sobre Gaza:

Lula, Israel e o debate sobre Gaza:

Entre críticas políticas e acusações infundadas de antissemitismo

A recente declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificando como genocídio a tragédia humanitária em Gaza, desencadeou uma onda de críticas e acusações de antissemitismo. Para parte da opinião pública, sobretudo em setores da comunidade judaica brasileira, o presidente teria ultrapassado os limites ao se posicionar de forma tão contundente contra o governo israelense.

No entanto, é fundamental contextualizar tais declarações. O debate sobre as ações de Israel em Gaza não é exclusivo do Brasil, tampouco restrito a líderes estrangeiros. Diversas vozes dentro do próprio Estado de Israel, incluindo ex-primeiros-ministros, generais, intelectuais e líderes religiosos, já expressaram críticas ainda mais duras à condução da política de Benjamin Netanyahu.

O filósofo religioso ortodoxo Yeshayahu Leibowitz, laureado com o Prêmio Israel por Contribuição Vital, já, nos anos 1990, denunciava a conduta dos colonos judeus nos territórios ocupados, comparando-a ao comportamento nazista e cunhando o termo “Yehudonazim” (“judeus nazistas”).

Em 2016, o então vice-chefe das Forças Armadas, hoje líder do Partido Democrático declarou, durante a cerimônia oficial do Dia do Holocausto, que a memória daquela tragédia deveria levar os israelenses a refletir sobre os processos sociais e políticos atuais, identificando neles ecos dos horrores vividos na Europa do século XX.

Ex-líderes políticos também não pouparam críticas. Ehud Barak afirmou que Netanyahu representa um perigo existencial para Israel e que tanto o líder do Hamas, Yahya Sinwar, quanto o ministro Itamar Ben-Gvir parecem atuar como cúmplices em uma estratégia de incitação mútua. Já Ehud Olmert classificou as ações de Israel em Gaza como “crimes de guerra”, acusando Netanyahu de prolongar o conflito por interesse pessoal.

Essas declarações, vindas de figuras centrais da política e da segurança israelenses, mostram que as críticas de Lula não são uma exceção isolada, nem configuram antissemitismo, mas parte de um debate muito mais amplo, existente dentro e fora de Israel.

De fato, mais de um milhão de israelenses têm saído às ruas, todos os sábados, para protestar contra a guerra, exigindo o fim da morte de civis inocentes em Gaza e denunciando a erosão da democracia no país. Não se trata de antissemitismo, mas de oposição a uma política governamental específica. O mesmo vale para Lula.

O papel da diáspora judaica

Entre os argumentos levantados contra a fala do presidente está a ideia de que “os judeus brasileiros não devem se envolver na política israelense”. Essa afirmação, porém, ignora a própria história do sionismo e a relação entre Israel e as comunidades judaicas fora de Israel.

Um dos princípios centrais do judaísmo é Kol Israel arevim zeh bazeh, todos os judeus são responsáveis uns pelos outros. Ao longo de todo o século XX, as comunidades judaicas desempenharam papel decisivo no apoio político, financeiro e moral ao Estado de Israel, incluindo mobilizações em tempos de guerra, programas de voluntariado e participação em congressos da Organização Sionista Mundial.

Nos últimos anos, porém, cresceu a percepção de que o apoio incondicional ao governo israelense precisa ser revisto. Em 2017, foi criado o movimento SISO (Save Israel, Stop the Occupation), que buscava engajar judeus da diáspora na pressão por um acordo de paz e pelo reconhecimento do Estado Palestino ao lado de Israel.

A deterioração política nos últimos três anos, marcada pela ascensão de partidos de extrema-direita, messiânicos e ultraortodoxos, agravou ainda mais a situação. Entre os problemas denunciados estão:

  • o aumento da violência contra palestinos na Cisjordânia;
  • o uso desproporcional da força militar em Gaza;
  • a aprovação de leis discriminatórias contra cidadãos árabes israelenses;
  • a tentativa de reforma judicial que ameaça o equilíbrio democrático do país.

Essas políticas não apenas enfraquecem Israel internamente, como também alimentam o antissemitismo global. Ignorar esse vínculo é fechar os olhos para a realidade.

Responsabilidade ética e histórica

Israel foi fundado como lar do povo judeu, herdeiro da tradição ética e moral dos Dez Mandamentos. O que se vê hoje, contudo, é a corrosão desses valores. Diante disso, todo judeu, em qualquer lugar do mundo, não só tem o direito, mas também o dever de se manifestar.

É necessário deixar claro que Israel não se confunde com seu governo e que os judeus não se confundem com Netanyahu. Cabe às comunidades judaicas no mundo protestar, elaborar manifestos e pressionar contra políticas que configuram crimes de guerra e atentados contra a democracia. Assim como já fazem as comunidades judaicas nos Estados Unidos e na Europa, é hora de a comunidade judaica brasileira demonstrar que a solidariedade ao povo judeu e a Israel não significa submissão a um governo específico.

Albert Einstein resumiu bem essa responsabilidade moral:

“O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que observam sem fazer nada.”

— O terceiro Estado não será destruído pelo fundamentalismo judaico e messiânico, mas por aqueles que se calam ao ver a destruição do Estado judeu democrático.

Do amargo saiu doce

Do amargo saiu doce

No livro de Juízes, capítulo 14, versículo 14, está escrito: “מֵהָאֹכֵל יָצָא מַאֲכָל וּמֵעַז יָצָא מָתוֹק” – Do alimento saiu comida, e do amargo saiu doce.

O massacre realizado pelo Hamas em 07/10/2023 não teve como objetivo a libertação da Palestina, mas sim o genocídio do povo israelense – judeus, muçulmanos, cristãos e drusos. O Hamas acreditava que o Irã, junto com seus proxies Hizbollah, Houthis e falanges iraquianas, atacaria Israel e assim realizaria seu objetivo, descrito em seu manifesto ideológico: a destruição de Israel e a limpeza étnica.

Mas o que isso gerou foi o despertar do trauma do Holocausto no povo judeu em Israel – desde a extrema-direita, o sionismo messiânico, o fundamentalismo judaico e até mesmo o centro-esquerda. Havia consensos em Israel de “Nunca mais”. No dia 08/10/2023 deu-se início à Guerra “Espadas de Ferro”, com o objetivo de libertar os reféns e destruir toda a infraestrutura militar e civil do Hamas.

Mas essa guerra tinha outro objetivo para Bibi Netanyahu, Smotrich (líder do partido Sionismo Religioso Messiânico) e Ben Gvir (líder do partido Otzma Yehudit – Kach). Bibi queria se livrar de sua sentença e garantir sua sobrevivência pessoal e política. Smotrich e Ben Gvir tinham como objetivo o “Transfer” – a limpeza étnica, a anexação de Gaza e da Cisjordânia.

Com a saída do partido de centro Hamachane Hamamlachti (Gantz), Bibi ficou ainda mais dependente de Smotrich e Ben Gvir, levando o governo à extrema-direita messiânica e fundamentalista.

Já em março de 2024 poderíamos ter chegado a um cessar-fogo com o Hamas e à devolução dos reféns. Ben Gvir se orgulha publicamente de ter torpedeado esse acordo. Isso se repetiu em junho e setembro de 2024.

Após a guerra contra o Irã, tínhamos uma possibilidade não só de chegar a um cessar-fogo com o Hamas, mas também de reestruturar todo o Oriente Médio, ampliando os Acordos de Abraão com outros países árabes. Isso implicaria em finalizar a guerra, libertar os reféns, reconstruir Gaza sob domínio da Autoridade Palestina e de outros países árabes, e reconhecer os direitos legítimos do povo palestino a um Estado ao lado do Estado de Israel. Esse processo teria o apoio internacional dos EUA, Europa e países árabes.

Por pressão de Smotrich e Ben Gvir, Bibi reabriu o ataque a Gaza, impediu a ajuda humanitária, levando Gaza à catástrofe final. A fome, as condições de moradia (cidades de barracas), as condições sanitárias e médico-hospitalares levaram à subnutrição e à fome, até o momento sem dados numéricos.

A pressão internacional sobre Israel está levando a Europa à decisão de reconhecer o Estado da Palestina. Macron foi o primeiro, e no momento a Inglaterra ameaçou Israel com esse reconhecimento, principalmente se Israel decidir anexar a Cisjordânia e parte de Gaza.

Os acordos de paz são sempre realizados entre inimigos que, em sua maioria, se odeiam. Sem ir muito longe – Irlanda, Bósnia-Sérvia e muitas outras guerras intra e internacionais terminaram depois de catástrofes e mortes sem fim.

Quero ser otimista e dizer que a catástrofe do massacre de 07/10/2023 e a guerra em Gaza são o cume do conflito entre Israel e Palestina. Em 100 anos de conflito, morreram 50 mil palestinos. Em apenas 2 anos, morreram número igual. Na Guerra de Yom Kipur morreram 2.656 israelenses, 7.251 ficaram feridos e houve 294 reféns, numa guerra contra Egito e Síria. No massacre de 07/10 morreram 1.182 pessoas (779 civis), e outros 890 soldados morreram na Guerra de Gaza, com mais de 6.000 feridos e 251 reféns. Os dois povos estão em trauma – sem comparar quem mais e quem menos. Do lado palestino, 2 milhões foram deslocados de suas casas destruídas. Do lado de Israel, mais de 300 mil pessoas foram deslocadas de suas casas no sul e no norte do país.

Quero ser otimista e acreditar que chegamos ao fundo do poço. 74% do povo em Israel quer o fim da guerra e a libertação dos reféns. Não temos dados estatísticos do lado palestino. Mas, de acordo com as manifestações em Gaza, levo a crer que a população deseja o fim do Hamas e uma nova ordem.

A pergunta não é se vai haver um Estado da Palestina. A pergunta é quando, e que Estado será este?

No dia 09/07/2025, reuniram-se em Beit Jala, Palestina, os 50 membros da Direção Geral de Land for All – 2 States One Homeland, para planejar a estratégia do “dia seguinte”. A Direção Geral é formada por membros da Direção Palestina e da Direção Israelense. O avanço frente à Europa e aos EUA nos últimos dois anos é marcante. A proposta é vista como a alternativa definitiva aos Acordos de Oslo e à proposta tradicional de dois Estados. Anexo todas as conversações que tivemos com governos europeus e americanos.

Ainda não conseguimos entrar no eixo BRICS e na Liga Árabe, o que seria de suma importância para que sejamos uma das possibilidades reais de solução do conflito.

No encontro, me pediram para tentar entrar em contato com o governo brasileiro, que poderia abrir as portas para o BRICS. Comentei sobre a situação difícil em que nos encontramos com as últimas declarações do Presidente Lula. Por outro lado, sigo pensando que o diálogo se faz com aqueles que pensam diferente de nós – mesmo que acreditemos que estejam assumindo uma postura antissemita. Por isso, em minha estadia no Brasil, me reuni com Tenório e com Walid. Me chamaram de “capanga do sionismo”. Posso dizer que, do lado da própria comunidade judaica – da qual fui shaliach e educador, criando marcos educacionais que vingam até hoje em POA – fui chamado de “pior que nazista”. Mas isso não me assusta. Continuarei procurando o caminho do diálogo.

No momento, paraliso todas as minhas atividades para me dedicar a esse chamado do Land for All. Buscar um meio de chegar ao governo do Brasil – e, se possível, ao Lula. Trazer o mais rápido possível as lideranças do movimento para expor ao Presidente e ao Senado a proposta para o fim do conflito.

Para isso, preciso da ajuda de todos aqueles que tenham algum contato com o Itamaraty, com a Casa Civil ou com algum político que possa nos levar ao nosso objetivo.

Para isso, em primeiro lugar, fecharei todos os meus grupos de WhatsApp sobre o conflito e deixarei apenas um: Land for All – Standing Together BR. Não será um grupo de discussão nem de notícias ou opiniões. Será um grupo operativo, cujo objetivo é chegar ao Itamaraty, ao Senado e ao Presidente Lula.

 

Stand With US X Stand Together

Stand With US X Stand Together

Quem é “US”?

Se “US” são os reféns e suas famílias, que estão há mais de 500 dias presos e torturados em Gaza, a SWU deveria chamar as pessoas às ruas e protestar contra o governo.

Se “US” são os soldados e reservistas que já serviram mais de seis meses na guerra em Gaza e no Líbano, a SWU deveria criticar e exigir o fim da Lei de Escape dos Haredim.

Se “US” é a população do sul e do norte, longe de suas casas, moralmente, psicologicamente e materialmente destruída, a SWU deveria exigir do governo de Israel o fim dos acordos econômicos partidários que favorecem apenas os haredim e os colonos na Cisjordânia.

Se “US” é o povo de Israel, que há mais de um ano sofre com esta guerra terrível, a SWU deveria exigir o fim da guerra.

Se “US” fossem os árabes-palestinos cidadãos israelenses, a SWU deveria exigir a intervenção da polícia no mundo do crime nas aldeias e cidades árabes.

Se “US” fossem os palestinos da Cisjordânia, a SWU deveria exigir a intervenção do Exército nos ataques de colonos judeus extremistas às aldeias palestinas, na queima de campos de oliveiras, na matança de rebanhos de carneiros e na limpeza étnica planejada pelo ministro da Cisjordânia, Smotrich.

Se “US” fosse o judaísmo e o sionismo, a SWU deveria exigir o fim deste governo fascista, messiânico e fundamentalista, que tudo o que faz é anti-judaico e anti-sionista. E lembrar que, durante mais de 50 anos, temos dominado terras e oprimido o povo palestino, e que há mais de 40 anos o LIKUD segue no poder, usando a força e a tecnologia para tentar acabar com o terrorismo, sem dar chance ao processo de paz (Liga Árabe, Acordo de Genebra, Acordo Olmert-Abbas), investindo no terrorismo (Bibi permitiu a passagem de centenas de milhares de dólares do Catar ao Hamas), criando muros de separação que, no final, se provaram inúteis. E, finalmente, lembrar que o judaísmo se resume em “veahavta lerecha kamocha” (“e amarás o próximo como a ti mesmo”) e que o sionismo, como movimento de libertação do povo judeu, só triunfará quando outro povo tiver o mesmo direito.

Mas, ao que parece, “US” é o governo. São Bibi Netanyahu, Smotrich, Ben Gvir, Schtruk, Gafni, Edri e muitos outros, cujo único objetivo é a continuidade da guerra – mesmo à custa da vida dos reféns – e a revolução judicial para permanecerem no poder. Por isso, a única coisa que a SWU faz é atacar o Hamas e culpar os palestinos por 55 anos de todos os males existentes em Israel. Falam de terrorismo e mais terrorismo, implantando a ideologia do medo e da raiva, que, no fim, só traz violência.

Stand With Us não está conosco, o povo. Não está com aqueles que lutam pelo verdadeiro judaísmo e sionismo, pelo povo que luta por um Israel melhor e mais justo. Pelo bem de todos, pois “zarim haitem beeretz mitzraim” (“foram estrangeiros na Terra do Egito”).

Por isso, chamo todos os que acreditam em Israel, no judaísmo e no sionismo a “Stand Together”. Porque “Together” significa judeus e palestinos, judeus, muçulmanos, cristãos e drusos, ashkenazim e sefaradim, heterossexuais e homossexuais, homens e mulheres, laicos e religiosos, direita e esquerda.

Somente “TOGETHER” seremos “US”!

https://www.standing-together.org

 

Nós não somos eles

Nós não somos eles

Quão simbólico é que os primeiros corpos que recebemos do Hamas sejam os de um homem idoso, uma mulher e duas crianças — uma de 4 anos e outra com menos de um ano. Os quatro são indefesos, pessoas que não fizeram mal a ninguém. Um homem e uma mulher que cresceram com os valores do kibutz, socialistas, com uma crença na igualdade, na solidariedade e na esperança de paz. Povo da terra. O que chamamos de “Pessoas da bela Terra de Israel”.

Duas crianças que acabaram de começar suas vidas. Inocentes, que não conhecem as palavras guerra, paz, amor ou ódio. Para elas, só existe amor sem palavras.

Ver a cerimônia em Gaza, quando o Hamas, no auge de sua brutalidade, trouxe crianças e bebês palestinos para celebrar o assassinato de crianças e pessoas inocentes, e observar o comboio desses quatro santos, traz-me imediatamente à mente a memória de 1,5 milhão de crianças, milhões de mulheres e idosos que foram assassinados ao longo da história do povo judeu. A consciência coletiva ativa imediatamente os sensores do sistema de sobrevivência. Uma vez fugimos, agora estamos lutando. Ao mesmo tempo, prometemos a nós mesmos não esquecer. Não esquecer que fomos estrangeiros no Egito, que fomos queimados para mudar de religião na Espanha e em Portugal, que em pogroms na Rússia nossas aldeias foram incendiadas e seus habitantes assassinados, que 6 milhões de judeus foram brutalmente mortos nas câmaras de gás na Alemanha. Mas, acima de tudo, não esquecer que não somos eles. Não estamos nos vingando; estamos nos defendendo, estamos pedindo justiça. Não acreditamos em “olho por olho”, porque, se o fizermos, viveremos em uma terra de cegos.

Nós não somos eles. Não estamos devolvendo na mesma medida a barbárie que sofremos em 7 de outubro de 2023. Não nos vingamos. E quem são “eles”? Eles não são chamados de egípcios, espanhóis, portugueses, russos, alemães ou palestinos. Eles fazem parte desses povos. São os mais extremistas, fanáticos, fundamentalistas entre eles, monstros que saíram do mundo animal — porque os animais não fazem o que eles fazem. Animais não matam nem caçam por prazer, não estupram, não cortam membros e festejam, não queimam outros vivos. Não, não são animais. São seres humanos que perderam sua humanidade. E nós não devemos perder nossa humanidade, nosso judaísmo, nosso sionismo. Sim, também temos nossos “eles” — refiro-me aqui a Ben Gvir, Smotrich e similares. Eles não somos nós. Eles não são judeus. Eles não são sionistas. Eles também perderam sua humanidade. Precisamos buscar fundo, entender o que significam as frases “Ame o seu próximo como a si mesmo” e “Nação contra nação não empunhará a espada, nem aprenderão mais a guerra”, e o que precisamos fazer para chegar lá. Pela cura, pela reconciliação, pela paz.

Devemos trabalhar com todas as nossas forças, em todos os lugares, com cada homem e mulher, menino e menina, para mudar a narrativa do medo, do ódio e da guerra para uma narrativa de esperança, amor e paz. Estas não são palavras vazias ou ingênuas. São mantras que devemos recitar todos os dias, como uma oração, para transformar a consciência pessoal e coletiva de nosso povo e do povo palestino. Quando você diz Israel, deve dizer Palestina. Quando diz Palestina, deve dizer Israel. Não é um ou outro. Existe apenas um com o outro. No meio disso, milhões de pessoas, misturadas umas com as outras. Devemos encontrar as forças positivas em ambos os povos e marchar juntos contra o ódio. Caminhar significa, além das palavras, sustentar as palavras, transformar as palavras em discurso, ação e conexão.

Espero que o passo dado por um grupo de pessoas da Galileia para criar um espaço — “Galileia Para Todos: espaço para cura, reconciliação e paz” — ajude a construir um lugar com uma narrativa diferente na Galileia. Espero que tenhamos a energia e a força para influenciar a região, para criar um farol de luz, pequeno, mas capaz de extinguir a escuridão em que vivemos!

Com toda a dor, tristeza e raiva — nós não somos eles! Abençoadas sejam as almas de Oded Lifshitz, Shiri, Ariel e Kfir Bibas.