Pierre Proudhon, sua biografia, formação e teoria trilógica da propriedade

Pierre Proudhon, sua biografia, formação e teoria trilógica da propriedade

Pierre-Joseph Proudhon nasceu em Besançon, França, a 15 de janeiro de 1809. Sendo ele o quinto filho de uma família muito pobre, trabalhou desde pequeno com o pai na fabricação de cerveja e, depois, no pastoreio.[1]

Ao conseguir uma bolsa de estudos, começou sua jornada aos onze anos em um colégio de sua cidade, demonstrando, desde então, grande interesse pela leitura, conjugando a vida de pastor com a escola e fugas para a biblioteca da sua cidade. Mas, quando sua família perdeu as terras e a possibilidade de continuar no pastoreio, teve que se retirar dos estudos para ajudar nas despesas da casa não podendo terminar seus estudos. Em 1827, aos treze anos, é enviado para trabalhar na tipografia dos Gauthier. Desde essa época passou a cultivar a imprensa.

Durante os anos seguintes trabalhou como tipógrafo em Neuchâtel, Marselha e Draguignan, tempo em que, como autodidata, estudou hebraico, latim e grego e, em 1830, resolveu mudar-se para Paris, vivendo na casa do seu amigo Gustave Fallot. Neste tempo completa a leitura da Bíblia e de obras teológicas que, como consequência, desperta-lhe aversão à religião dos teólogos. Em 1833, Proudhon retorna a Besançon para dirigir a tipografia dos Gauthier.

Em 1837, escreve Essai de Grammaire Générale, que lhe traz menção honrosa, e lhe dá condições de se candidatar, em 1838, à pensão Suard (atribuída a jovens pobres da região que tivessem vocação para a carreira de letras ou ciências). Para isso apresenta o texto Candidature a la Pension Suard, recebendo a bolsa.

Em 1839, imprime sua primeira obra importante, De l’Utilité de la Célébration du Dimanche, considerée sous les rapports de l’hygiène publique, de la morale, des relations de famille et de cité. No ano seguinte, 1840, publica a obra que lhe fará conhecido e polêmico, Qu’est-ce que la Propriété? ou Recherches sur le príncipe du Droit et du Gouvernement, por conta da qual quase perde sua bolsa, mas tem que responder diante da Academia de Besançon, anota Giampietro Berti (1982, p. 79).

Em 1842, transferindo-se para Lion, vai trabalhar em uma empresa de transportes marítimos, e publica, em 1843, a sua “De La Création de l’ordre dans l’Humanité”. Em 1845, passa o inverno em Paris, onde Marx o conhece. Em 1846, publica o “Système des Contradictions Économiques ou Philosophie de la Misère”.

Em 1848, participa ativamente da Revolução e se elege Deputado na Assembleia Nacional, momento em que propõe reformas radicais na economia, quando recebe o mote de homem-terror, tanto de socialistas quanto da burguesia. Vota contra a Constituição e, após a eleição de Luiz Bonaparte à presidência, passa a atacá-lo com artigos em jornais, em função dos quais será processado, condenado e encarcerado em 1849. Fica preso até 1852, quando encontrou os socialistas desterrados pelo golpe de 1851. Desde então, Proudhon escreverá várias obras, entre as quais, a Théorie de la Propriété, terminada em 1862, e que será publicada apenas em 1865, após sua morte, que se deu a 19 de janeiro de 1865.

A sua Teoria da Propriedade (Théorie de la Propriété, 1865) é a obra que fecha a trilogia da propriedade, e completa as obras Filosofia da Miséria (Système des Contradictions Économiques ou Philosophie de la Misère, 1846) e sua obra polêmica, O Que é a Propriedade? (Qu’est-ce que la Propriété?, 1840).[2]

No conjunto, sua obra contribuirá, não apenas para a crítica, mas para toda a ciência econômica e social, bem como jurídica. Pontes de Miranda (1972, p. 16), por exemplo, coloca Proudhon como essencial para a crítica da explicação e elaboração do direito, especialmente entre os vários autores da Sociologia e Doutrinas científicas,[3] e Ruy Barbosa (1964, p. 303) utiliza-o elogiosamente em seus textos.[4]

© Pietro Nardella-Dellova. Direito Civil: Relações sobre Coisas, Vol. 3, 2ªedição. São Paulo: Editora Scortecci, 2025, pp. 101-103

NOTAS

[1] Sugerimos a leitura do nosso Pierre Proudhon e sua Teoria Crítica do Direito Civil, Ed. Scortecci, 2021, a fim de se ampliarem a visão e conhecimento da crítica que Proudhon faz ao mau uso da propriedade, bem como da defesa da sua função libertária. Ademais, a obra ajudará a compreender como Proudhon foi utilizado nos Kibutzim judaicos (Israel) desde 1870.

[2] O pensamento de Proudhon sobre a propriedade não pode ser alcançado e compreendido sem a leitura atenta destas obras (que se completam em verdadeira trilogia). Leituras parciais, rasas ou desonestas, ou o desconhecimento de tais obras, levaram civilistas, liberais, socialistas, comunistas, capitalistas etc., a fazerem afirmações infantis, injustas ou desprovidas de fundamento. Neste capítulo, oferecemos o conhecimento total das obras de Proudhon e, assim, contribuir com a teoria da propriedade.

[3] Pontes de Miranda, no Sistema de Ciência Positiva do Direito, de 1922, republicado em 1972.

[4] Ruy Barbosa, na sua Teoria Política, republicado em 1964, comenta, elogiosamente, a obra de Proudhon De la Célébration du Dimanche (1839).

 

Jesus – Judeu e Rabi – não é o outro, mas um Tu no contexto judaico da melhor e mais elevada cultura e estudo

Jesus – Judeu e Rabi – não é o outro, mas um Tu no contexto judaico da melhor e mais elevada cultura e estudo

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Jesus não é o outro, mas um Tu no contexto judaico da melhor e mais elevada cultura e estudo. Se a Igreja deve descobrir seu elemento judaico, também a Sinagoga, por seu lado, deve descobrir a importância de Jesus, o Judeu, para o Judaísmo e para o mundo.

Não fosse por outro motivo, seria, ao menos, para o cumprimento da Mitzvá positiva 209, que resume o motivo pelo qual se estabeleceram Sinagogas pelo mundo: “diante dos Eruditos e dos Mestres, te levantarás e honrarás suas faces”!

Se com o termo Mestre devemos reconhecer, não apenas quaisquer pessoas do mundo acadêmico, mas, no contexto judaico quem ensina o Judaísmo, principalmente a Torá e os Profetas, Jesus, então, merece um lugar de honra indiscutível.

O que fez ele? Não apenas confirmou a Torá em sua integridade, mas, também, em consonância ao que fez Hilel, deu os fundamentos do Judaísmo.

O Judaísmo de Jesus, como de outros Mestres de sua envergadura e, antes deles, dos Profetas e Patriarcas, resume-se em uma palavra proferida por Jesus bastante significativa: “ensinarei coisas ocultas desde a fundação do mundo”.

Também foi ele quem esclarecera, depois de confirmar a validade e permanência de toda Torá e dos Profetas, que isso tudo resume-se em dois mandamentos: “amarás o Senhor teu Deus com toda a tua força e amarás teu próximo como a ti mesmo”. Destes dois mandamentos dependem toda a Torá e os Profetas”.

Recuperar Jesus é, por isso mesmo, recuperar aquele Judaísmo de amor que forma a força mais sutil do mundo. Para propor esta substância nas relações principalmente na que respeita à emancipação da pessoa humana.

Talvez consigamos compreender que resgatar Jesus, em ambos os ambientes, bem como sua experiência de vida e a dos seus discípulos imediatos, ou seja, da comunidade primitiva, aproveitando-os para que se lancem luzes, quiçá novas, ajuda na organização social dos tempos atuais, como o Sermão da Montanha já considerado como uma das pérolas do Judaísmo hillelista tanto por Pinkuss, quanto por Walter Rehfeld e J. Guinsburg, todos aqui mencionados.

Sobre o mesmo Sermão da Montanha, disse Gandhi, na obra organizada por Louis Fischer, certa vez: “se naquela oportunidade eu tivesse de enfrentar somente o Sermão da Montanha e minha própria interpretação dele, não hesitaria em dizer: oh, sim, sou cristão… mas, negativamente, posso dizer-vos que muita coisa que passa por cristianismo é uma negação do Sermão da Montanha…” (1984:190)

E com Buber, o filósofo Judeu do diálogo, que compreendeu o pensamento de Jesus como inteiramente formado pelo Judaísmo do amor, não simplesmente por sentimentos que acompanham o amor, que não podem ser confundidos com ele. Este amor judaico é indivisível e clama sua atenção sobre toda a humanidade: “a los sentimientos se los tiene; el amor es un hecho que se produce … el sentimiento de Jesús para con el poseso es otro que su sentimiento para el discípulo bienamado; pero el amor es uno … aquel que toda su vida está clavado sobre la cruz de este mundo porque pide y exige esta cosa tremenda: amar a todos los hombres” (1969:19)

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Pietro Nardella-Dellova. Judaísmo in Judaísmo, Cristianismo e Islam. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2023, p. 116 e segs.

 

Prefácio ao livro Pierre Proudhon e sua Teoria Crítica do Direito Civil: Anarquismo, Teorias da Propriedade e Kibutzim

Prefácio ao livro Pierre Proudhon e sua Teoria Crítica do Direito Civil: Anarquismo, Teorias da Propriedade e Kibutzim

Pierre Proudhon e o Direito Civil sob o olhar de Pietro Nardella-Dellova: Prefácio ao livro Pierre Proudhon e sua Teoria Crítica do Direito Civil: Anarquismo, Teorias da Propriedade e Kibutzim

 

O anarquismo, cuja teoria revisitada por Pietro Nardella-Dellova, embasa o primeiro capítulo do presente livro, é certamente inerente ao pensamento socialista e imponderável quando colocado ao lado de qualquer pensamento econômico neoliberal, com o qual contrasta: é luz solar que afasta vampiros e combate o vampirismo da exploração.

Conforme destaca Nardella-Dellova, o embrião do anarquismo, enquanto ideia, origina-se nos debates das aulas de Sócrates, entre seus discípulos Antístenes e Platão e, posteriormente, entre suas respectivas Escolas. Antístenes funda a Escola dos Cínicos (em referência a Cinosarges, ginásio onde funcionava a sua Escola), um pouco menor que a Escola de Platão, à qual se opunha publicamente. A Escola de Antístenes ficou conhecida como sendo a Escola da filosofia dos trabalhadores gregos, enquanto a de Platão, excessivamente aristocrática. No mesmo cenário grego, igual tensão já se havia observado anteriormente entre a poesia camponesa e libertária de Hesíodo e a poesia aristocrática de Homero, assim como entre a escola libertária e feminina da poeta Saphos e as Escolas patriarcais atenienses. Posteriormente, verificaram-se embates filosóficos, sobretudo, entre Epicuro, criador da Escola chamada Jardim de Epicuro, caracteristicamente libertária e internacionalista, em face das Escolas tradicionais fundadas em Atenas, entre as quais a platônica. Nardella-Dellova aponta, também, as características “anarquistas” entre os Judeus de Jerusalém no primeiro século, principalmente entre os fariseus e essênios, contra a imposição dos saduceus, detentores do controle dos serviços religiosos do Templo, e contra a ocupação romana. Os sábios Hillel e Jesus de Nazareth são, de acordo com Nardella-Dellova, duas dessas figuras libertárias, contestadoras e “anarquistas” daqueles tempos.

Entretanto, o anarquismo, enquanto pensamento orgânico de caráter filosófico, desenvolveu-se somente na Europa em resposta aos desdobramentos da Revolução Francesa, e como repercussão do Iluminismo, tendo em Pierre Proudhon seu maior expoente, aliás, chamado de pai do anarquismo. O anarquismo é, nesse sentido, parceiro crítico e ilustre do socialismo, como força teórica e prática. Porém, defendendo “a outra” alternativa de superação, foi colocado em permanente debate antagônico com os socialistas, entre os quais, Marx e Engels. Assim como o pensamento dos seus contendores, o anarquismo proudhoniano erguia-se como fórmula histórica contrária a tudo que a sociedade moderna burguesa erigia.

As ideias do anarquismo, mais do que seus próprios formuladores do século XIX, perduram e repercutem até hoje na academia e nas ruas, algumas vezes até de modo inconsciente. Nesse livro, Nardella-Dellova lança luzes sobre o anarquismo como teoria crítica, desfazendo conceitos e preconceitos, e desconstruindo visões distorcidas e equivocadas. Sob a construção do pensamento anarquista se erguem sólidas plataformas, entre as quais: (1) a luta contra a exploração do homem pelo homem como modo de produção que se estrutura no princípio legal da propriedade privada enquanto direito definidor e separador dos homens; (2) a defesa da possibilidade do desenvolvimento de uma sociabilidade humana em direção a formas libertárias, autonomistas, que se oponham a padrões autoritários (de autoridade!), projetos de domesticação e regimes de controle em geral estimulados por direções burocráticas em forma de Estado e; (3) a defesa da capacidade racional e afetiva do homem e em sua punção libertária.

As evidências empíricas de experiências sociopolíticas nesse paradigma são escassas e raramente estudadas de modo substantivo até porque em geral requerem grande erudição para responder a seus adversários do passado e do presente. E porque é absolutamente necessário esclarecer, com excelência, suas bases e fundamentos para que se possa compreender o significado do anarquismo até nossos dias, sobretudo quando deparamos com o avanço do conservadorismo e do neofascismo, características do poder neoliberal hegemônico, do qual o estágio do capitalismo neoextrativista tanto necessita, chegando mesmo, como se verifica nos dias atuais, às raias do genocídio e do necropoder como formas de controle social para ampliar sua ganância ao mesmo tempo em que submete e escraviza corpos fragmentados ampliados como massa de miséria, e para esconder os destroços que gera contra o ambiente e a natureza.

O livro PIERRE PROUDHON E SUA TEORIA CRÍTICA DO DIREITO CIVIL, de Pietro Nardella-Dellova, é esse sopro de conhecimento erudito e jurídico, que poderá ajudar nossas esperanças libertárias a serem mais bem consideradas e compreendidas. Nardella-Dellova, Professor e Pesquisador de Direito Civil Constitucional e de Filosofia do Direito há muitos anos, recupera academicamente, no segundo capítulo do livro, as obras proudhonianas, em especial as três nas quais Proudhon trata da Propriedade: Qu’est-ce que la Propriété? ou Recherches sur le príncipe du Droit et du Gouvernement (de 1840), Système des Contradictions Économiques ou Philosophie de la Misère (de 1846), Théorie de la Propriété (de 1862, publicada em 1865), e as apresenta, primeiramente para contrapor-se, com objetividade, aos preconceitos jurídicos dos repetitivos Manuais de Direito Civil, e, concomitantemente, como elemento teórico para a construção proudhoniana de uma teoria trilógica da propriedade.

Proudhon é um pensador-chave para questionar a suposta condição privada como essência civilizatória. Nas obras acima citadas, respectiva e trilogicamente, Proudhon: (1) denuncia o droit d’aubaine (expressão intraduzível que indica o direito ao roubo); (2) desvela a miséria criada pela visão estritamente burguesa da propriedade “sagrada”, e; (3) apresenta uma possível e nova função libertária da propriedade (para muito além da hoje conhecida função social da propriedade).

Além disso, não é pouco que Nardella-Dellova, cultor da alta Doutrina do Direito Civil e dos valores constitucionais do Estado Democrático de Direito, traga para o seu debate a crítica que Pontes de Miranda, grande civilista, também faz acerca da Propriedade, ou seus elogios, na linha de Ruy Barbosa, sobre o pensamento científico de Pierre Proudhon. Do mesmo modo, aproveita a visão refinada e crítica de Orlando Gomes, referência no Direito Civil e no Direito do Trabalho, em oposição flagrante à visão dogmaticamente estreita de Clóvis Beviláqua, Washington de Barros Monteiro, Luiz da Cunha Gonçalves, Carvalho Santos e de outros civilistas.

Finalmente, no terceiro capítulo desta obra, Nardella-Dellova nos oferece um olhar, a partir da filosofia judaica anarquista dos proudhonianos Gustav Landauer e Martin Buber, do pensamento judaico crítico de Hannah Arendt e da pesquisa presencial conhecida como Kibutz e a Entidade Cooperativa (1964) de Waldirio Bulgarelli (antigo Professor de Direito Privado da Faculdade de Direito da USP), sobre a experiência original dos Kibutzim judaicos como utopia/topia judaico-anarquista, mutualista e proudhoniana, fato muito escassamente documentado e pouco valorizado. À vista do mundo, os Kibutzim foram sendo avaliados como erro enquanto a ênfase deveria estar no processo constituinte do Estado de Israel, em sentido contrário, balizado por um modelo cada vez mais estatista e centralizado, onde outras formas de governança coletiva, como as kibutzianas, foram sendo sufocadas. O livro nos sugere considerar a burocracia autocrática estatal e a pressão do Mercado em tensão com os Kibutzim anarquistas (registre-se, o autor diferencia-os entre Kibutzim judaicos, de 1870 a 1948, e Kibutzim israelenses, a partir de 1948), e nos deixa em suspense e na vontade de retomar essa mesma utopia/topia para, inclusive, ponderar as causas dos vários conflitos e questões regionais. Esse livro muda nosso olhar sobre a história e sobre a liberdade humana, e já por isso me parece extraordinário!

 

 

 

 

To the son in the Piccola Caffetteria (Pietro Nardella-Dellova)

To the son in the Piccola Caffetteria (Pietro Nardella-Dellova)

The following day, we arrived very early in the outskirts of the Province of Napoli, very close to our ancient Jewish Quarter and the old Synagogue-School (Ah, the Synagogue-School!). We entered, and my son looked at those buildings, some ancient, others modern, with flowers in the windows illuminated by the morning sun. There was already some movement in the streets, and his eyes were wide with amazement at having arrived there. We left the car in a certain place and began to walk along Corso Appio Claudio and Piazza della Repubblica. My son looked all around, at those terraces with clothes hanging high, like open-air cellars; when we crossed Via Giambattista Vico, my son stopped, moved, and said to me:

— Babbino, I am smelling the exact same scent of my grandfather in this place — what nostalgia!

I embraced him without saying a word, and we went to a bar near the Baronial Castle, because that moment demanded another coffee in LA PICCOLA CAFFETTERIA; and at the tables on the sidewalk, letting the fragile sun rest on our faces, for it was very cold, we ordered our macchiato.

My son has an open expression: if he is displeased, you can see it on his face; when he is happy, his green eyes shine, his skin brightens, and a smile is stamped across his face! He had vivid eyes, an illuminated face, a strikingly stamped smile, and his coffee in hand, as he looked deeply at me and intoned ‘O Paese d’ ‘o Sole. I placed my coffee on the table and put my hand on his shoulder:

— Here, son, from the seeds we planted, I have received flowers, trees, and fruits! However, the greatest joy is having planted them, because life belongs to simplicity and is worth more, far more, than existence. Life is Poetry and music, journey, encounter, plains, air. Existence is poem and noise, road, distance, labyrinth, suffocating gases. And the violence committed against one being, any being, is committed against all and against the Eternal!

Love is truly sowing acts of kindness! Wisdom is never calling them seeds! And the heart is the universe where life is privileged with Shalom. There are no cries, deaths, violations there — only music, serenity, loyalty, affection, gentleness! If I fail, son, it does not matter. Make your heart a place of good earth and let there be flowers, of all kinds that can be found, of various scents and colors. But do not die among them! Make delineated paths, with stones that endure, and scatter many signs, large signs, immense, expressive signs, in every corner:

NO KILLING HERE!

Wide paths for people, because, after all, a garden does not exist without people. And do not be displeased if they create pathways between the flowers, of mere trodden earth, to go, come, and be, because this is the life of the human being, opening pathways — but not destroying the garden. Do not wish for more than this! The butterflies and the angels belong to the Eternal.

Turn life into a house, but do not use disposable material. It must endure and generate nostalgia, leave memories, strike deep roots, and bear fruit. Open windows in all directions and raise a high roof that follows the ceiling, so as to have enough air and music diffused like human unction and blessing.

In the house, son, keep few Things — more people. No business and many encounters. Among Things, prefer those that are simple, rustic, and durable. Among people, those who are fully human. And, among them, women, especially those who smell of Poetry and can be called a “blessing of God,” since their senses are more developed than in other beings, their scent is more pleasant, and when they open their mouths, they lead poets toward all worlds.

Do not forget coffee: it is vital. Prepared, never by maids, in cloth filters; and served, never to the hurried, in enameled iron cups. Everything must be deeply lived and seen, smelled, tasted, heard, spoken, and understood — never tomorrow! For this reason, your house must be the gathering of good people, heart and music, much music! And Poetry, much Poetry!

Leave outside the one who commodifies and makes a madhouse of the world, a desert of the forest, a chemical sewer of the river, a slave of the human, an idol of a Rabbi, a market of sacred places. Leave outside the one who tramps on ants, the one who fishes for sport, the one who keeps a dog on a chain and does not remove its ticks, the one who shoots birds; above all, those who kill small birds or display them in a cage — with them, not even a greeting! Leave outside the one who curses children (especially in the womb), despises the elderly (including those in nursing homes), and calls themselves a spontaneous generation.

Leave outside the one who loves the hamburger and the necrophage — who photographs and films too much, incessantly and desperately; the one who sits at the table as if before a trough; the one who loves slander and lashon hara; the one who loves the cell phone and internet nights; the one who loves cars and money; the necrophile who loves porn videos and, above all, pedophiles, even virtual ones.

In fact, leave outside the one who loves any things and despises the human and the Eternal; above all, the oppressive, prejudiced, arrogant, corporatist, usurious nightmare, the banker, the landlord, the trafficker, the legalist, the pedophile, the sadist, the mercenary, the imperialist, the Nazi, the Fascist, the antisemite, the terrorist, the torturer, the executioner (and every vampire and parasite); and, furthermore, the cowardly, envious succubus, the voyeur, the masochist, the fanatic, the racist (black or white), the monarchist, the café-au-lait republican, the neo-Fascist, the Hitlerite, the Mussolinian, the militarist, the anti-ethical, the traitor who embraces and laughs that dental laugh, without reason, and does not look you in the eye. The liar, the vile parliamentarian, and every parasite and dregs of humanity.

 And leave outside, also, the one, with or without a ring — anxious, who spies and loves to talk (well or poorly) about the lives of others, whether at a wedding, at a school-family meeting, at a graduation, at a barbecue, at an electoral, charitable, or orgiastic gathering, at a birthday, for Mother’s Day, Father’s Day, at Christmas, on New Year’s Eve, at a pedagogical meeting, or at a funeral; whether at the hairdresser or in Parliament, in the synagogue, in the mosque, in the temple, in a SPA, in a clinic or in the gym, in a condominium or in a shantytown, on a plane, on a bus, in an elevator, on the stairs, at the front gate, at the door or at the window, in corridors and waiting rooms, at the market or at school, in the tavern, at the club, in soap operas, on TV, in newspapers, in magazines, on the Internet, or in a secret order (and every slanderer in any dark and suffocating alley of society).

And leave outside, too, the one who loves flowers — and other unspeakable things — of plastic, hung diplomas, solitary, artificial, virtual, and over-the-phone relationships; the one who sucks the time of others, the life of others, mainly of their own family members; the one who does not pay alimony and the one who turns a beautiful woman into a trinket, a trophy, a slave, or a zombie. Because they speak of a woman as a thing or an inferior being — ah, son, this is the worst! He is so imbecile and useless that he does not believe in the love of pupils, lips, bread, and navel; he does not believe in Poetry, in music, in sweat, intimacy, and communion! And he does not know nor believe that there are multiple feminine flights. For him — who bars the cellar — wine is for business, ostentation, and vanity, and not to anoint the navel and the mouth of a woman. He has never read a single line of the Song of Songs, nor does he know anything about Creation!

So, open your house to poets, musicians, and women-Poetry. Men, only those of a human character, moderate in the Torah and the Nevi’im, because the light is (and will come with them) and they will not create obstacles to your growth before the Eternal. Do you understand? However, do not be merciless; have mercy on the one who ignores heaven, earth, the sea, hell, and paradise; who has never lost sleep, nor counted the stars, nor stopped before the moon, nor abandoned themselves to the breeze; who has never seen angels and demons, has never looked into the void, nor laughed for nothing, nor cried for nothing, nor sworn for nothing; who has never seen a small cottage in the countryside empty and abandoned, nor brought their hands to their mouth before an ancient bed and mirror; who has never possessed the wings of an archangel or an insect to fly over oceans, nor wished to climb any mountain. He ignores the matter of which the soul is formed. Mercy, son! He is tasteless because he has not yet loved nor been loved!

All right, my son, all right, that is not all! For now, rest, and when you are before the Eternal, cover yourself with your Tallit and your Kippah. And when you are with your family, place homemade bread upon your table. Break it with your hands, the same hands that touch the Mezuzah — never with a knife. Pure bread, without injustices! Bread without the freedom of others, nor the hunger, privation, or deprivation of others, nor the nakedness or dignity of others, nor oppression over another’s person, nor the sadness or pain of others. Bread without the body, soul, spirit, and affections of others, nor the blood or life of others. The table must be simple. Your bread, earned by sweat. And your hands, son, righteous!

(Pietro Nardella-Dellova, Al Figlio nella Piccola Caffetteria, in A Morte do Poeta nos Penhascos e Outros Monólogos. São Paulo: Editora Scortecci, 2009, p. 35)

Presentation of Pietro Nardella-Dellova (Giuseppe Pietro Buono Nardella-Dellova)

Presentation of Pietro Nardella-Dellova (Giuseppe Pietro Buono Nardella-Dellova)

Pietro Nardella-Dellova (Giuseppe Pietro Buono Nardella-Dellova) is a Poet, Writer, Professor, and Researcher of Jewish and Italian descent, originating from the Ghetto/Quartiere Ebraico di Fondi, Italia Meridionale (Latina e Napoli). For this very reason, he carries within himself the Jewish cultural legacy of millennia of pilgrimage and the libertarian cultural legacy of Neapolitans throughout the world. His first job, as a young boy, was at a letterpress printing shop (which he refers to as a “magical place”)—an experience that marked him as a Writer for life, as it was there, in his spare time, that he began playing with the letters in the type cases, exploring various typefaces, composing, and creating his first poems.

He is a Professor who has dedicated three decades to Civil Law, a productive Author, an untiring Researcher, an intense Poet, and a supportive friend through long and inspiring academic and literary journeys. I met him in 2016 when, in the face of the deconstruction of public policies in Education and Health and the assault on the values of the Democratic State under the Rule of Law, he courageously stood up, with ethical and legal authority, in defense of Democracy and the Constitution, against necropolitics and neofascist movements that were gaining strength through the violation of constitutional values. He possesses the authority to combat anti-democratic forces and to teach Law, Philosophy, Human Rights, Education, Judaism, the Science of Religion, Literature, Poetry, and Civil Law through a constitutional and human rights framework—a highly relevant approach in light of the constitutionalization of Private Law, the overcoming of the public/private dichotomy, and its humanizing impact. His work in defense of the human person constitutes the democratic and constitutional ethics of a constant struggle against the commodification of Education and the Law.

Pietro Nardella-Dellova is a member of the Accademia Napoletana per la Cultura e Lingua di Napoli, under the presidency of Doctor Massimiliano Verde, from Napoli; he is a faculty member of the Cátedra Libre por la Cultura de Nápoles at the Universidad Nacional de La Plata, in Argentina; he created, in New York, the Gruppo Martin Buber for dialogue between Israelis and Palestinians; he was a co-author with Paolo Filippi, together composing dozens of songs in Italian (Paolo was Sicilian and Pietro, Neapolitan), uniting the two cultural forces of Sicily and Napoli. He developed Jewish Education studies at the Hebrew University of Jerusalem, Israel, and taught at the Universidade de São Paulo and the Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro; he is the director of the Journal of Civil Law [RDC] and coordinator of the International Civil Law Conferences. He was a contributor to St. Thomas University, Miami, USA, delivering a lecture against Human Trafficking. As a scholarship recipient, he researched and defended the doctoral thesis Judaism and Human Rights at the Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, where he currently also develops research on Religion, Politics, and Neofascism. He collaborates with the Massoret Jewish Cultural Center. He is completing the bilingual book Philosophy of Law and Politics (English and Italian). He is a peer reviewer for the International Journal of Latin American Religions (Editor-in-Chief: Frank Usarski, Ph.D.), a journal that publishes original research articles, interviews, conference reports, and book reviews.

In addition to this new Direito Civil – Relações sobre Coisas, Vol. 3 (2026), which we now celebrate, he is the author of Direito Civil – Relações Sucessórias, Vol. 5 (2025); Direito Civil – Relações Familiares, Vol. 4 (2024); Direito Civil – Relações Obrigacionais, Vol. 2, 2ª ed. (2025); Judaísmo, Cristianismo e Islam (Ed. Vozes, 2023); Direito Civil – Teoria Geral do Direito Civil, Vol. 1 (2023); Direito Civil-Constitucional (2023); Filosofia e Direitos Humanos (2023); Direito Constitucional: uma introdução (2022); Introdução ao Direito das Sucessões (2025); Introdução ao Direito de Família (2024); Introdução aos Direitos Reais (2023); Introdução ao Contrato e Responsabilidade Civil (2022); Introdução ao Direito das Obrigações (2022); Introdução à Teoria Geral do Direito Civil (2022); Pierre Proudhon e sua Teoria Crítica do Direito Civil (2021); Judaísmo e Direitos Humanos (PUC/SP, 2020); Direito, Mito e Sociedade (2020); Antropologia Jurídica (2018); Uma Reflexão Sobre Direitos Humanos e Refugiados (2017); Para Além do Direito Alternativo (2016); Alternativas Poético-Políticas ao Direito (2014); A Crise Sacrificial do Direito (USP, 2000); A Palavra como Construção do Sagrado: Estudo de Osman Lins (PUC/SP, 1998); and the poetry books: A Morte do Poeta nos Penhascos e Outros Monólogos (2009); Adsum; No Peito and Amo. He has published hundreds of articles. He is the creator and coordinator of the RDC – Revista de Direito Civil.

In short, the author of this new poetry book POIESISInflessioni anarchiche e un po’ di poesia nell’ombelico della donna amata / Inflexões anárquicas e alguma poesia no umbigo da mulher amada / Anarchic inflections and some poetry in the navel of the beloved woman (trilingual edition: Italian, Portuguese, and English)—thinks the Law with liberty, autonomy, and detachment, offering us a cure for ignorance. His interlocutors, students, and readers recognize his profound, unsettling, and challenging work, because his vast scientific and human production and contribution indelibly mark his life and trajectory.

Prof. Dr. Luzia Batista de Oliveira Silva
Author, Poet, CNPq Researcher
Ph.D. in Education, FE/USP; Master in Philosophy, PUC/SP.
Post-Doctorate in Social Sciences and Anthropology, PUC/SP.
Post-Doctorate in Philosophy, University of Burgundy, Dijon/FR.

Insigne Professore Giuseppe Pietro B. Nardella-Dellova: Lettera dall’Accademia Napoletana – Dott. Massimiliano Verde

Insigne Professore Giuseppe Pietro B. Nardella-Dellova: Lettera dall’Accademia Napoletana – Dott. Massimiliano Verde

Lettera dall’Accademia Napoletana: Insigne Professore Giuseppe Pietro B. Nardella-Dellova – Dott. Massimiliano Verde

Chiar.mo Professore, l’Accademia Napoletana, si onora di incontrare tra le eccellenti personalità che la compongono, Dott. Giuseppe Pietro Buono Nardella-Dellova, Professore di Diritto Civile, Filosofia del Diritto e Diritti Umani, di Scienze umanistiche, Avvocato e insigne Giurista, Poeta, Filosofo.

Ill.mo Professore, da anni impegnato per la promozione dell’immenso patrimonio socioculturale napolitano, in Italia e nel mondo in ossequio alla millenaria civiltà napolitana, in senso multidisciplinare ma sempre per la tutela dei diritti umani e non da ultimo, in questo senso per il dialogo israelo-palestinese.

Insigne Professore Nardella-Dellova, le Sue numerose pubblicazioni scientifiche, di taglio civile-costituzionale, antropologico-giuridico, filosofico e sociologico, la Sua poetica sensibilità libertaria, costituiscono uno scibile ineludibile per noi tutti, anche nel Suo ruolo di coordinatore, tra molto altro, della Rivista di Diritto Civile (São Paulo), di professore di Diritto Civile e Filosofia del Diritto nella Scuola Superiore della Magistratura (Rio), e di co-cordinatore del Gruppo Interreligioso e Interculturale per il Dialogo Ebraico, Musulmano e Cristiano e i Diritti Umani (Medio Oriente, Italia, Israele, Brasile e Stati Uniti).

Esimio Professore Giuseppe Pietro, il Suo continuo e straordinario impulso alla rivalutazione verace, scientifica e progressista di Napoli, faro giuridico e umanistico universale, fanno di Lei un instancabile agente di eventi internazionali tutti a favore, come nella migliore tradizione napolitana, dell’incontro pacifico e nell’elaborazione vivifica e magnifica e dei migliori elementi della cultura mondiale.

Per l’Accademia Napoletana è un vanto collaborare con Lei, Professore Nardella-Dellova e lo scrivente, presidente della stessa, esprime con commozione l’ossequio per Lei, fratello napolitano che in ogni occasione non viene mai meno con la Sua anima squisitamente napolitana nel portare avanti la vera essenza della napolitanità, ovvero la semplice, unica, profondissima qualità de ‘o ssapé campà!

I nostri attestati di stima e ringraziamenti perpetui, per Ella, caro Mestre, Chiar.mo Prof. Avv. Dottore Giuseppe Pietro Buono Nardella-Dellova. Tuo amico affezionatissimo ed eternamente riconoscente.

Napoli, 31 luglio, 2025

Dott. Massimiliano Verde

Presidente dell’Accademia Napoletana

Dottore in Scienze Politiche, Università degli Studi di Napoli l’Orientale; Presidente del Gruppo Internazionale di Studi e Ricerche Scientifiche e Culturali “Accademia Napoletana”, dedicato alla tutela e alla promozione del patrimonio linguistico e socioculturale di Napoli e dell’Italia Meridionale.