No outro dia, chegamos bem cedo aos arredores da Provincia di Napoli, bem perto do nosso antigo Quartiere Ebraico e da antiga Sinagoga Scuola (Ah, a Sinagoga Scuola!). Fomos entrando e meu filho vendo aquelas construções antigas, outras modernas, com flores nas janelas iluminadas pelo sol da manhã. Já havia alguma movimentação pelas ruas e ele ficou com os olhos arregalados por chegarmos ali. Deixamos, então, o carro em determinado lugar, e saímos caminhando pela Via Appio Claudio e Piazza della Republica. Meu filho olhava tudo em redor, aqueles terraços com roupas penduradas no alto, parecendo cantinas a céu aberto, quando atravessamos a Via Giambattista Vico, meu filho parou, emocionado, e disse-me:
– Babbino, estou sentindo aquele mesmo perfume do meu nonno neste lugar – que saudade!
Abracei-o sem dizer nada, e fomos a um bar, próximo ao Castello Baronale,pois aquele momento exigia mais um caffè na Piccola Caffetteria, e nas mesinhas da calçada, deixando o frágil sol sobre nossos rostos, porque estava muito frio, pedimos nosso macchiato.
Meu filho é de expressão aberta, e se está aborrecido vê-se em sua face, e quando alegre, seus olhos verdes brilham, sua pele fica iluminada e o sorriso fica estampado! Ele estava com os olhos vívidos, a face iluminada e o sorriso marcadamente estampado, e seu café à mão, olhando-me profundamente e vocalizando ‘O Paese d’ ‘o Sole. Pus meu café sobre a mesa e minha mão sobre seu ombro:
– Ecco figlio, das sementes que plantamos, recebi flores, árvores e frutos! Porém, a maior alegria é tê-las plantado, porque a vida fica por conta da simplicidade e vale mais, bem mais, que a existência. A vida é Poesia e música, caminho, encontro, planícies, ar. A existência é poema e barulho, estrada, distância, labirinto, gases sufocantes. E a violência feita contra um ser, qualquer ser, é feita contra todos e contra o Eterno!
O amor é mesmo semear atos de bondade! A sabedoria é nunca chamá-las de semente! E o coração é o universo onde a vida é privilegiada com Shalom. Ali não há gritos, mortes, violação – somente música, e serenidade, e lealdade, e afeto, e delicadeza! Se eu falhar, filho, não importa. Faça do seu coração o lugar com terra boa, e deixe flores nele, de todas as que se encontrarem, com variados perfumes e cores. Mas, não morra entre elas! Faça caminhos delineados, com pedras que durem e espalhe muitas placas, placas grandes, imensas, expressivas, em todos os cantos:
AQUINÃOSEMATA!
Caminhos largos para pessoas, porque, afinal, um jardim não é sem pessoas. E não se aborreça se elas criarem passagens entre flores, de terra socada apenas, para irem e virem, e estarem, porque essa é a vida de ser humano, abrir passagens – mas, não destruir o jardim. Não queira mais que isso! As borboletas e anjos ficam por conta do Eterno.
Transforme a vida numa casa, mas não use material descartável. Ela deve durar e trazer saudades, deve deixar lembranças, lançar raízes profundas e dar frutos. Abra janelas em todas as direções e erga um teto alto, que acompanhe o telhado, a fim de ter bastante ar e música espalhada como unção e bênção humanas.
Na casa, filho, tenha poucas coisas – mais pessoas. Nenhum negócio e muitos encontros. Entre coisas, prefira as simples, rústicas e duradouras. Entre pessoas, as plenamente humanas. E, entre elas, as mulheres, especialmente as que cheiram Poesia e possam ser chamadas “bênção de D’us”, pois os seus sentidos são desenvolvidos mais que em pessoas, o seu cheiro é mais agradável e quando abrem a boca, levam os Poetas para todos os mundos.
E não se esqueça do café – ele é vital. Feito, nunca por empregadas, em coadores de pano, e servido, nunca para apressados, em xícaras pequenas de ferro esmaltado. Tudo deve ser demoradamente vivido e visto, cheirado, degustado, escutado, falado e compreendido – nunca amanhã! Por isso, a sua casa deve ser o encontro de pessoas boas, coração e música, muita música! E Poesia, muita Poesia!
Deixe pra fora aquele que coisifica e faz do mundo um manicômio, da floresta um deserto, do rio uma privada química, do humano um escravo, de um Rabi um ídolo, dos lugares sagrados um mercado. Deixe para fora o que pisa em formigas, o que pesca por esporte, o que mantém cachorro na corrente e não lhe tira os carrapatos, o que atira contra aves, sobretudo, os que matam pequenos passarinhos ou os exibem em gaiolas – com estes nem cumprimentos! Deixe fora, quem amaldiçoar crianças (sobretudo, no ventre) e desprezar idosos (inclusive aos asilos) e se chamar geração espontânea.
Deixe fora o que ama hambúrguer e o necrófago – que fotografa e filma demais, incessante e desesperadamente, e o que se põe à mesa como que diante do cocho – e ama maledicências e lashon hará, e ama celular e noites de Internet, e ama carros, e dinheiro, o necrófilo que ama fita pornô, principalmente, pedófilos, ainda que virtuais.
Aliás, deixe fora o que ama qualquer coisa e despreza o humano e o Eterno, sobretudo, o íncubo opressor, preconceituoso, prepotente, corporativista, agiota, banqueiro, latifundiário, traficante, legalista, pedófilo, sádico, mercenário, imperialista, nazista, fascista, antissemita, terrorista, torturador, carrasco (e qualquer vampiro e parasita) e, ainda, o súcubo covarde, invejoso, voyeur, masoquista, fanático, racista (negro ou branco), monarquista, republicano caffellatte, getulista, militarista, antiético, traidor, que abraça e ri o riso odontológico, sem razão, e não olha nos olhos. O mentiroso, carlista, malufista, congressista (e qualquer hospedeiro e escória da humanidade).
E, deixe para fora, também, aquele, com ou sem anel – angustiado, que espia e ama falar (bem ou mal) da vida alheia, seja em casamento, reunião de pais e mestres, formatura, churrasco, encontro eleitoral, beneficente e orgiástico, aniversário, dia das mães, dia dos pais, natal, ano novo, reunião pedagógica ou velório, esteja no cabeleireiro e Câmara, sinagoga, mesquita, templo e terreiro, SPA, clínica e academia, condomínio e favela, avião, ônibus, elevador, escada, portão, porta e janela, corredor e sala de espera, mercado e escola, boteco, clube, novela, TV, jornal, revista, Internet e ordem secreta (e qualquer maledicente em qualquer viela escura e sufocante da sociedade).
E deixe, também, o que ama flores – e outras coisas indizíveis de plástico, diplomas pendurados, relação solitária, artificial, virtual e via telefone, e o que suga o tempo alheio, a vida alheia, principalmente, de seus familiares, e o que não paga pensão alimentícia, e o que transforma uma mulher bonita em bibelô e trofeuzinho ou escrava e zumbi. Porque esses falam de mulher como de uma coisa ou ser inferior – ah, filho, este é o pior! É tão imbecil e inútil que não acredita em amor de pupilas, lábios, pão e umbigo; não acredita em Poesia, música, suor, intimidade e comunhão! E não sabe nem acredita que haja múltiplos vôos femininos. Para ele – que tranca a adega, o vinho é para negócios, ostentação e frescura. E não para ungir o umbigo e a boca de uma mulher. Este jamais leu cada uma das linhas do Cântico dos Cânticos nem sabe coisa alguma da Criação e, menos ainda, da Creação!
Então, abra a sua casa para poetas, músicos e mulheres-Poesia. Homens, só os de caráter humano, moderados na Torá e nos Nevi’im, porque a luz está (e virá com eles) e não criarão obstáculos para o seu crescimento diante do Eterno. Hai capito? Porém, não seja impiedoso, tenha misericórdia daquele que desconhece o céu, a terra, o mar, o inferno e o paraíso, e nunca perdeu o sono, nem contou estrelas, nem parou diante da lua, nem se deixou à brisa e nunca viu anjos e demônios nem olhou o vazio, nem riu à toa, nem chorou à toa, nem xingou à toa, e nunca viu uma casinha no campo vazia e abandonada, nem pôs as mãos à boca diante de uma cama e de um espelho antigos, nunca possuiu asas de arcanjo ou de inseto, para voar sobre oceanos nem quis escalar montanha alguma. Ele desconhece o material de que a alma é formada. Misericórdia, filho! Ele é insípido porque não amou nem foi amado, ainda!
Va bene, figlio mio, va bene, não é tudo! Por agora descanse, e quando estiver diante do Eterno, cubra-se com seu Talit e Kipá. E quando estiver com sua família, ponha sobre a sua mesa o pão feito em casa. Rasgue-o com as mãos, as mesmas que tocam a Mezuzá – nunca com faca. O pão puro sem as injustiças! O pão sem a liberdade de outrem, nem a fome, a cárie ou a privação de outrem, nem a nudez ou a dignidade de outrem, nem a opressão sobre outrem, nem a tristeza ou dor de outrem. O pão sem o corpo, a alma, o espírito e as afeições de outrem, nem o sangue ou a vida de outrem. A mesa deve ser simples. O seu pão, suado. E as suas mãos, filho, justas!
Pietro Nardella-Dellova, Ao Figlio e la Piccola Caffeteria, in A Morte do Poeta nos Penhascos e Outros Monólogos. São Paulo: Editora Scortecci, 2009, p. 35)
Faz alguns anos eu até discutia “academicamente” os conceitos de antissemitismo e antissionismo como diferentes em vários aspectos. Atualmente, porém, foco, não no conceito, mas na pessoa ANTISSIONISTA e, vejo que 99,9% das vezes trata-se de uma pessoa ANTISSEMITA.
O termo SEMITA (embora possa se referir aos povos semitas) foi cunhado para o JUDEU, e, assim, o ANTISSEMITA e ANTISSEMITISMO designam, independentemente do seu étimo, apenas um ANTIJUDEU e um ANTIJUDAÍSMO!
O termo SIONISMO jamais poderia ser utilizado no singular, pois há vários movimentos sionistas que vão da Esquerda anarquista e originalmente kibutziana, até a ortodoxia religiosa ou simplesmente um modus político. O antissionismo é, não apenas uma oposição ao Estado de Israel, mas uma oposição ao POVO DE ISRAEL e seu legítimo direito de ter e manter um Estado.
NOTAS:
1. Defender Israel não é, e nunca será, defender o governo de Israel, muito menos, o de Netanyahu e seu grupo schifoso!
2. Defender Israel não é, e nunca será, pretender esmagar Palestinos. Os Palestinos têm igual direito a um Estado!
3. Ser sionista legítimo, histórico e digno, é buscar a construção de uma Pátria para Judeus. Isso nunca pressupôs destruir Árabes ou, hoje, Palestinos. Há outros “sionismos”, inclusive “evangélicos”, absolutamente desprezíveis.
4. O sionismo HISTÓRICO se fortaleceu exatamente para se opor ao ANTISSEMITISMO e ganhou energia e foco na luta ANTINAZISTA e ANTIFASCISTA (nazismo e fascismo são regimes de EXTREMA-DIREITA).
5. Assim, quando um grupo de políticos Israelenses (tendo Netanyahu à testa) adota o modus da extrema-direita são eles que se tornam realmente “antissionistas” e, em boa medida, também, “antissemitas”. No primeiro caso, se colocam contra o sionismo histórico; no segundo, contra o Judaísmo essencial. Por quê? Porque o Sionismo histórico e o Judaísmo não têm nada a ver com extrema-direita.
6. Sigo sendo SIONISTA (HISTÓRICO!!!!). Sigo sendo JUDEU (daquele Judaísmo dos Patriarcas, de Moisés, dos Profetas, de Hilel, de Luzzatto, de Landauer, de Buber, de Primo Levi, de Heschel etc). Sigo sendo sionista histórico, judeu e defensor de DOIS ESTADOS para DOIS POVOS: ISRAEL E PALESTINA!
Sim, sou de Esquerda, porque de Esquerda foram todos os meus patriarcas, de Esquerda foi Moisés, de Esquerda foram os Profetas, de Esquerda foram os maiores Pensadores do Judaísmo e de Esquerda foi aquela parte da minha família que viveu e sobreviveu em ghettos” no sul da Itália, contra todas as opressões, inclusive nazifascsitas.
Sim, sou Sionista, porque Sionistas foram todos os grandes homens e mulheres do Judaísmo por terem, em alto e profundo, uma relação direta de ancestralidade e comunhão com Eretz Israel. Sim, o meu Sionismo não é o mesmo sionismo dos “sionistas” que ocupam e esbulham as terras palestinas, porque o meu Sionismo é pleno de Judaísmo, e o sionismo deles, de ódio e antijudaísmo.
Sim, sou Sionista, e o meu Sionismo pressupõe defender Israel e sua integridade sempre e para sempre. Sim, é o Sionismo do “Am Yisrael Chai”, porque Israel é a melhor coisa que aconteceu nos últimos 2000 anos. Mas, o meu Sionismo não é islamofóbico nem anti-Palestino. É o Sionismo que respeita o Direito Internacional, as Resoluções da ONU e o direito inquestionável dos Palestinos de terem, também, seu Estado e sua independência soberana. Sim, sou Sionista e compreendo, em alto e profundo, que os Palestinos são filhos do mesmo patriarca Avraham.
Sim, sou Sionista, e sou Judeu, e sou de Esquerda, e amo a Torá, os Profetas, os Escritos, o Talmud, o Zohar e tudo aquilo que é fruto da alma e inteligência judias, da caminhada judaica e da experiência do Judaísmo no mundo – nos últimos 4.000 anos.
Antes de mais nada: escrevo este breve artigo não aos antissemitas que odeiam os judeus gratuita e irracionalmente, como qualquer racista o faz em relação à sua vítima escolhida. Escrevo este texto aos que querem aprender na vida, aos que querem entender coisas que ainda não entendem, aos eternos aprendizes, como eu.
O grupo ‘Judias e Judeus Sionistas de Esquerda’, do qual faço parte com grande orgulho e alegria, além de agressões de todos os tipos vindo dos antissemitas de Direita e de Esquerda (que são praticamente idênticos quando se trata de ódio aos judeus), vem sendo também acusado de ser algo “fantasioso”. Algo que não seria real, que seria inventado ou mesmo criado artificialmente com propósitos de interesse próprio.
Equivoca-se completamente quem pensa assim. O bom é que na vida nada é maior do que a verdade e a realidade que se mostra escrita nas páginas dos dias. A realidade sobre o Sionismo de Esquerda (assim como o de Direita) é que ele é um movimento que sempre existiu – desde o início da proposta sionista.
Mas o que é Sionismo afinal? Bem, já que nas bocas dos brasileiros esta palavra é repetida praticamente como um mantra de ódio, cabe aqui esclarecer:
Ser Sionista é acreditar que o povo judeu tem o direito de possuir um Estado soberano e independente na região do Oriente Médio. A princípio é isso. A partir disto, desdobram-se variações de Sionismo – sobretudo o dualismo de ideologia política entre Direita e Esquerda. E o que diferencia crucialmente o Sionismo de Direita e o de Esquerda é que o de Direita enxerga hoje este direito de Israel de uma maneira brutal que atropela os direitos dos palestinos. Já o de Esquerda é oposto: considera o direito de existência de Israel e da mesma forma o direito de existência de um Estado Palestino. Também soberano e independente. Direitos Humanos e igualdade para ambos os povos. É uma concepção humanista que se aplica ao conceito Sionismo.
Desta forma, nós Sionistas de Esquerda lutamos desde sempre contra as ocupações ilegais de Israel na Cisjordânia. Contra leis discriminatórias que a Direita israelense impõe em Israel. Contra qualquer violação de Direitos Humanos contra os Palestinos. Da mesma forma que lutamos contra o terrorismo árabe que assassina há tantos anos judeus da mesma forma que soldados judeus assassinam palestinos.
Assim, para os que se apressam a criticar e dizer que somos só “fachada”, vamos aos fatos. E os fatos são que nós não somente somos reais, mas também somos presentes e ativos dentro do parlamento israelense. E dentro da coalizão do governo, não da oposição. Possuímos representação através de dois partidos: o Meretz (do qual faço parte) e o Avodah. O Meretz (o que se traduz como ‘energia’, ‘dinamismo’, ‘vigor’) foi fundado em 1992 e é o partido mais à Esquerda. E o Avodah (que significa ‘trabalho’) é o partido trabalhista, fundado em 1968. São partidos social-democratas, comprometidos com a solução de dois estados (Israel e Palestina), com políticas verdes, Democracia, Justiça Social e Direitos Humanos.
Enfim, estes dois partidos que representam o Sionismo de Esquerda (às vezes chamado também de Sionismo Trabalhista ou de Sionismo Socialista), possuem ao todo13 cadeiras no governo de coalizão de 61, ou seja, um quinto do governo e um décimo do parlamento como um todo. São os únicos partidos que possuem tanto judeus quanto árabes entre os seus políticos. Sim, judeus e árabes juntos, unidos no mesmo partido, trabalhando e lutando lado a lado. E este é o maior retrato do Sionismo de Esquerda.
Neste exato momento, dos 13 deputados, dez são judeus e três árabes. Embora três em 13 pareça pouco, não é. O esforço em ultrapassarmos mares de ódio vindo tanto de extremistas judeus quanto de extremistas árabes e elegermos três árabes em partidos judaicos foi e é hercúleo. Além do mais, três em 13 corresponde a cerca de 23%, que é a porcentagem de árabes israelenses em Israel, ou seja, a representatividade está alinhada à realidade do país.
Há também outro detalhe importante sobre o qual nos orgulhamos: dos 13 deputados(as), a maioria absoluta é feminina: oito mulheres e cinco homens. A força das mulheres judias e árabes em conjunto em nome de um futuro melhor. Um exemplo ao mundo.
Enfim, enquanto os antissemitas de plantão seguem vociferando e destilando seu veneno contra nós Sionistas de Esquerda, continuaremos trabalhando e atingindo os grandes resultados que vimos atingindo sobretudo nos últimos anos. Este é nosso rosto: partidos que possuem judeus e árabes juntos, dirigidos sobretudo por mulheres, representando nossas causas no parlamento de Israel e lutando para atingirmos a vitória maior com a qual sonhamos desde que nos conhecemos por gente: a Paz entre Israel e Palestina.
Por fim, só um breve esclarecimento específico sobre o grupo brasileiro ‘Judias e Judeus Sionistas de Esquerda’: ao contrário do que já nos xingaram – de “grupelho sem relevância” e coisas semelhantes, somos um grupo de professores, ativistas, articulistas e pensadores que estão reunidos para representar o braço brasileiro deste movimento mundial que é o Sionismo de Esquerda. Se fôssemos poucos e se não tivéssemos relevância, não teríamos conquistado o que conquistamos até aqui, como a presença política no parlamento de Israel.
Além disso, ou poderia falar de diversas instituições mundiais Sionistas de Esquerda que são ativas comunitariamente há décadas. Mas isto fica para um próximo artigo.
Enfim, podem nos xingar, ofender, agredir e mentir sobre nós o quanto quiserem. Nós não desapareceremos. Pelo contrário: estaremos cada vez mais presentes, afinal a luta pela causa Israelense-Palestina – que sim, vemos como uma só – faz parte da essência de nossas existências. O caminho a ser trilhado ainda é longo e árduo. Mas seguiremos sempre em frente.
O presente trabalho de Doutoramento acerca do Judaísmo e Direitos Humanos: um estudo das contribuições judaicas na tessitura dos Direitos Humanos tem por objetivo demonstrar o desenvolvimento do Judaísmo como expressão multicultural e universal.
Para isso, faremos o percurso do Judaísmo desde suas origens mesopotâmicas, influenciado pelos vários direitos e culturas, entre as quais especialmente a babilônica antiga, passando pelo que consideraremos aqui o Abraamismo, o Mosaísmo e o Profetismo, respectivamente, o Culto ao Deus dos Pais, a libertação pela Torá e o Culto a um Deus sem nome, e a resistência dos Profetas de Israel ao domínio político e sacerdotal, até uma quase ruptura promovida pelos sábios antigos, entre os quais, Mestres como Hillel, Jesus e outros.
Como expressão multicultural, pretende-se desvelar do Judaísmo sua tradição de religião revelada, reconhecendo-lhe a expressão viva e humana de uma cultura (insisto, caráter multicultural) que veio ao longo do tempo recebendo influências e legados os mais diversos, como, por exemplo, babilônico, arameu, canaanita, egípcio, midianita, africano, grego e romano, influências essas que são de natureza econômica, jurídica, religiosa, militar, filosófica e, por isso mesmo, apresenta-se com uma expressão da humanidade.
E, por ser uma expressão da humanidade, caracteriza-se pelo seu universalismo, em sintonia com a evolução das muitas civilizações, com as quais tem uma estreita sintonia, ora influenciada ora influenciando.
Parto de uma ideia judaica do princípio da responsabilidade social e do princípio criativo do amor, seja pelo próximo ou pelo distante, pelo amigo ou pelo inimigo, nascidos na Antiguidade judaica, mas amadurecidos no Gueto.
Pretende-se demonstrar que o Judaísmo não pode isolar-se ou tornar-se indiferente diante dos desafios do mundo, sobretudo de combate às violências contra a pessoa humana, principalmente aquelas que reduzem a pessoa humana à coisa, à escravização, exploração, intimidação, opressão, exclusão e extermínio, em especial, as violências de domínio religioso, político, e do fascismo e do nazifascismo.
Para tanto, o trabalho demonstrará a incidência das afinidades eletivas entre Judaísmo e Libertação, isto é, Direitos Humanos, ressaltando a tessitura judaica que há na ideia de Direito que corresponda aos anseios de liberdade, igualdade, solidariedade universais e plenitude da vida humana, bem como de suas relações com toda a natureza, na qual a humanidade se encontra.
Pelo conceito de afinidade eletiva o trabalho demonstrará que Judaísmo é uma expressão de evolução da humanidade, mas não a única, sendo que os Direitos Humanos correspondem a algo maior, superior, universal, que recebeu contribuições judaicas, mas não se confunde com Judaísmo.
Mantêm-se, ao final, as duas expressões das experiências humanas em dinamismo vivo, de tal modo que a tessitura de um é também a de outro, a saber, aqueles valores de direito, verdade, justiça e valorização da dignidade da pessoa humana. E, embora a tessitura de um seja a do outro, ambos não entram em fusão, não se misturam para criar uma coisa nova, ou experiência nova.
Judaísmo e Direitos Humanos convivem, em estreita relação de contribuição e defesa, de valores e princípios. A face de um “deus” é deixada para trás na experiência histórica judaica e, assim, supera-se certa monolatria tribal, para alcançar um monoteísmo ético, em função de um “deus” que não tem sequer nome, mas que participa da história, não apenas judaica, mas da humanidade.
O trabalho demonstrará esse especial aspecto de uma divindade para além da tribo ou, apesar da tribo, uma divindade universal, para toda a humanidade, sem uma língua específica, ou bandeira e cultos específicos.
Mas, como sói acontecer com as divindades meramente tribais, os atores do Judaísmo também pretenderão reduzir essa divindade (sem nome) a cultos sacrificiais ou à área de Templos, como um “deus” particular do Judaísmo.
Por um lado, pretende-se demonstrar como o homem foi liberto das idolatrias dos deuses homens pelo movimento abraâmicos e mosaico, mas, também, como Deus foi libertado dos cultos sacrificiais e do Templo, sobretudo pela clareza e força ética dos Profetas de Israel e, depois deles, como seus herdeiros, dos Mestres do Judaísmo libertário, entre os quais Hillel e Jesus.
Nesse ponto, o trabalho se concentrará em apresentar a mensagem de Hillel e de Jesus como de Rabinos do Judaísmo farisaico, cuja imagem de hipocrisia será contestada firmemente.
Após especificar a trajetória que o tema seguiu para fins deste trabalho e detalhar a evolução do Judaísmo, bem como a libertação do homem e de Deus, apontaremos as influências do Judaísmo para a composição dos sistemas jurídicos, com abordagem cultural, sociológica, jurídica e filosófica, coincidente em vários povos.
O Judaísmo é também, e veremos aqui, Direito. Um Direito que, para além de regras de dominação de uma classe sobre outra, pretende-se como antessala da realização de Justiça. Daí que os conceitos judaicos de Direito (Mishpat) e de Justiça (Tzedek) serão apresentados como inseparáveis. O Direito é o caminho para a concretização da Justiça.
Nesse sentido, finalmente, objetiva-se aqui, apresentar uma contribuição acadêmica para a compreensão do Direito (do e no Judaísmo) assim reconhecido por grandes sociólogos e filósofos.
Também, pretende-se aqui oferecer uma compreensão do Judaísmo como movimento libertário ou libertador sem fim, que se reinventa a cada época, resiste a cada opressão, rompe com imperativos políticos, e continua a alimentar a esperança de milhões de Judeus e de Judias que, graças ao seu Judaísmo multicultural, universal e humanista, continuam sendo, por inteiro, Judeus e Judias pelo mundo.
O Judaísmo e os Direitos Humanos são um para o outro assim como são as vozes de cantores e som dos instrumentos musicais para a partitura, juntos para a finalidade de humanização, mas separados quando às suas identidades específicas.
O Deus sem nome, aqui, pode ser tanto o Compositor quanto o Maestro ou, simplesmente o Público que ouve, assiste, encanta-se, emociona-se com a grandeza da humanidade e, como se espera dele, aplaude em pé!
NOTA:
O texto acima é a Apresentação da Tese JUDAÍSMO E DIREITOS HUMANOS: UM ESTUDO DAS CONTRIBUIÇÕES JUDAICAS NA TESSITURA DOS DIREITOS HUMANOS, defendida na PUC/SP, com apoio da CAPES, e que pode ser lida integralmente ou aproveitada em download também integral no seguinte endereço da Academia . edu:
“E parlò il l’Eterno a Moshè dicendo: ‘Parla ai figli d’Israele e prendano per Me un offerta; da ogni uomo che ne abbia la volontà prenderete la mia offerta.’” (Esodo XXV, 1-2)
“La spiegazione è ‘da ogni uomo’ e non da ogni donna, poiché da una donna che abbia marito non prendono i tesorieri della Zedakkà una cosa grande così come è insegnato alla fine del trattato di Bavà Kammà (119a). E nel primo capitolo del trattato di Shekalim questo verso viene riferito all’offerta dei mezzi sicli, e le donne ed i bambini non offrono i mezzi sicli.” (Meshech Cochmà in loco).
Da questa settimana intraprenderemo, a D. piacendo, un ciclo di Parashot che ci accompagneranno nella costruzione del Santuario. Saranno Parashot piene di pesi e misure, di materiali e progetti architettonici. Da questo punto di vista sono senza dubbio Parashot la cui comprensione, persino nel senso piano del testo, richiede uno sforzo sicuramente maggiore rispetto ai grandi prodigi delle prime Parashot dell’Esodo. Ma il compito dell’ebreo è quello di scavare nella Torà, capirne il senso e capire ciò che Essa richiede da noi. La sfida è appunto capire come la prima delle Dieci Parlate, ‘Proprio Io Sono’ ha lo stesso valore del verso ‘e la sua concubina si chiamava Reumà’.
Gli arredi del Santuario, lo si è detto più volte in queste nostre derashot, non sono dei semplici oggetti: essi nascondono il piano di D. per il mondo e descrivono in maniera minuziosa i nostri rapporti orizzontali e verticali.
Già negli scorsi anni abbiamo ad esempio affrontato una stranissima mizvà: quella del divieto di rimuovere i ‘badim’ le aste con le quali si trasporta l’Arca.
Il Sefer Hahinuch codifica tre mizvot nella nostra Parashà: la costruzione del Santuario, l’obbligo di ordinare il Pane della Presentazione sulla Tavola nel Santuario e la proibizione di rimuovere i badim appunto.
Il Meshech Cochmà propone un interessante simbologia. L’Arca rappresenta certamente la Torà e quindi il Talmid Chacham, il Dotto. I badim, le aste, sono coloro che sostengono economicamente i Saggi. Per questo spiega il Meschech Cochmà il Talmud asserisce (TB Yomà 72b) che l’ordine viene dato al singolare (a Moshè, Deuteronomio X,10) mentre l’esecuzione avviene al plurale (Esodo XXV,10). Da qui il Talmud impara che coloro che abitano nella stessa città di un Saggio hanno l’obbligo di sostenerlo economicamente. Dunque le aste sorreggono l’Arca e non devono mai dipartirsi da essa a testimoniare che mai deve venir meno il sostegno materiale del pubblico al Saggio.
Ed ecco che questo sostegno non deve essere necessariamente funzionale, ossia legato all’eventualità che il Saggio sia in difficoltà, esso è piuttosto strutturale, così come le aste sono a sostegno dell’Arca anche quanto questa è nel Santo dei Santi e non deve essere mossa. Idealmente l’Arca è in movimento, poiché la Torà lo è. Ed ancora, così come impariamo che in realtà è l’Aron che sostiene i leviti che lo caricano a spalla e non viceversa (TB Sotà 35a), allo stesso modo è il Saggio che sostiene spiritualmente coloro che lo assistono e che provoca il loro arricchimento, giacché questi amministrano degnamente quanto loro affidato da D..
Per questo lo Yerushalmi (Sotà 7,4) insegna che una persona che non ha studiato né insegnato e non è neppure osservante ma sostiene i Dotti anche se non ha molti mezzi finanziari, riceve la benedizione Divina.
Ed è notevole che l’esempio che porta il Meshech Cochmà è Todos Ish Romi. Quel Todos di Roma, che inviava della mercanzia ai Saggi in maniera che si alimentassero di essa (TJ Pesachim cap.7). È lo stesso Todos ci insegna il senso profondo della piaga delle rane e che permette ancora oggi a noi romani l’eccezione della carne arrostita la sera di Pesach.
Spiega il sefer Hachinuch che gli arredi del Tempio hanno una loro forma ideale e l’Arca è completa quando ha le aste. Esse non sono funzionali, sono strutturali. Sono parte integrante. Non servono a trasportare l’Arca, servono a trasportare coloro che trasportano l’Arca, così come è il Saggio a sostenere coloro che lo sostengono.
Ed ancora il Mesech Cochmà paragona questo alla nota opinione del Maimonide circa l’accensione della Menorà. (Mizvà 25).
Secondo il Maimonide il nucleo della mizvà è la preparazione dei lumi, il pulirli, il prepararli e nell’accendere quelli che si sono spenti. Ossia il preparare i lumi coincide con l’accenderli. Il Maimonide sposta la nostra attenzione. Non è la luce dell’accensione, quella che testimonia la presenza di D. a contare, è il processo di preparazione fatto dall’uomo. E per questo ciò avviene di giorno, per insegnarci che così come di giorno non servono lumi così Iddio non necessita della nostra luce ma ci insegna un processo di preparazione e di miglioramento. Così come la preparazione dei lumi è parte principale della loro accensione, così il sostenere i Saggi è parte integrante del loro studio.
Lo stesso Meschech Cochmà sottolinea come diverso sia invece l’approccio nei confronti del trasporto della Tavola del Lechem Hapanim, il Pane della presentazione.
La Torà ci comanda, proprio nella nostra Parashà, circa la presentazione ogni Shabbat di dodici pani freschi sulla Tavola del Signore. I pani della settimana precedente vengono mangiati dai Coanim. La Tavola è posta alla destra di colui che entra nell’Edificio del Tempio di fronte alla Menorà che è invece alla sinistra.
Anche la Tavola ha delle aste per essere trasportata ma queste non debbono obbligatoriamente rimanere attaccate ad essa. Tuttavia anche la Tavola, rimane un oggetto itinerante, mobile.
Ciò si evince da un’affascinante discussione alla fine del trattato di Chagghigà (26b) circa la possibilità per la Tavola di divenire impura. Tutti gli arredi del Santuario venivano infatti immersi in un mikwe dopo le feste a causa della sospetta impurità di coloro che venivano al Tempio, degli ignoranti tra di loro.
I Saggi ammonivano i Sacerdoti, che entravano ogni giorno dopo la presentazione dell’incenso a prostrarsi all’interno del Santo, di non toccare la Tavola. Infatti se si fosse resa impura la Tavola si sarebbe squalificato il Pane su di essa, cosa miracolosamente mai avvenuta come si impara nel trattato di Avot.
Il problema è che un oggetto di legno che non si muove mai non prende impurità ed in linea di principio la Tavola non si dovrebbe mai muovere giacché la Torà utilizza la parola tamid, sempre, per indicare la sua presenza dinanzi al Signore. Il Talmud in loco ci insegna che i Coanim alzavano però la Tavola durante le feste per mostrarla al popolo che era nel cortile del Tempio dicendo loro ‘Guardate quanto siete cari dinanzi al Luogo’. Rabbì Jeoshua ben Levi spiega che ciò che il popolo vedeva era che il pane era ancora caldo come nel momento in cui era stato cotto.
Ed infatti i Saggi insegnano che quando i Coanim lo mangiavano una settimana dopo la cottura era ancora fresco. Secondo un’altra versione riportata da Rashì i Coanim non si limitavano ad alzare la Tavola senza uscire dal Santo, essi portavano la Tavola in processione nel Cortile proprio per far vedere il pane caldo al popolo in pellegrinaggio. Questo non contrasterebbe con il fatto che la Tavola era sempre dinanzi al Signore. Capiamo allora che l’Ammonimento di non toccare la Tavola non è solo per i Coanim ma anche per il popolo che si trovava nel cortile (Rambam Hilchot Mischav Umoshav 11,11 e Mishnè LeMelech in loco).
Dunque la Tavola si muove e muovendosi può ricevere impurità rituale.. Per questo bisogna stare attenti.
Rabbì Eliau Gutmacher spiega che ciò avveniva proprio nelle feste perché il popolo aveva compiuto un grosso atto di fiducia nel lasciare i propri beni incustoditi e salire a Jerushalaim in pellegrinaggio. Il mostrare il Pane era il simbolo del fatto che così come Iddio custodiva il pane e non lo lasciava freddare né guastare, così proteggeva i beni del popolo.
Se dunque il concetto chiave della trasportabilità dell’Arca è il sostegno economico ai Saggi, il concetto chiave del trasporto della Tavola è la sua condizione di possibile impurità.
Questa è forse la risposta del Meshech Cochmà alla domanda aperta dalle Tosafot circa la condizione che gli arredi avevano nel deserto quando venivano comunque trasportati sempre. In questo senso, spiega il Meshech Chochmà, l’Arca non si muove dal Santissimo ma è concettualmente in movimento perché non si creda che la Torà ha raggiunto il suo obbiettivo, essa è un processo continuo. La Tavola invece si trasporta fisicamente anche per mostrarla al pubblico.
Questa condizione della Tavola, che rappresenta gli alimenti di Israele, è particolarmente interessante. Il problema di fondo che hanno i Saggi nelle ultime pagine di Chagghigà è appunto come relazionarsi con la maggior parte del popolo che è ignorante e poco ligia alle mizvot. Fino a quanto ci si può fidare di loro per quanto riguarda la purità?
Ed il richiamo è evidente. La materialità deve essere usata al servizio di D. Il non plus ultra della materialità è la Tavola del Pane del Santuario. Ma può ricevere impurità. La materialità ci può sopraffare. È necessario usare nei confronti della purità dei nostri mezzi economici un’attenzione maggiore persino rispetto allo studio.
Il problema dei Chachamim è il problema di chi cerca di capire cosa si può fare con delle tasse della comunità che derivano da redditi da lavoro fatto di Shabbat. Come si fa a tenere unita una comunità fatta di dotti e di ignoranti?
Sono problemi aperti che richiedono una grossa attenzione. Non solo dobbiamo fare di più per essere aste dell’Arca per i Saggi, ma dobbiamo stare attenti a non rendere impura la Tavola.
Dopo essersi affrontati aspramente Rabbì Jochannan e Resh Lakish dicono entrambi ‘Quando c’è il Bet Hamikdash l’altare espia per l’uomo, [adesso che non c’è] la sua tavola espia.’ (TB Chagghigà 27A)
Oggi che il mondo del Santuario vive solo nelle pagine di Ghemarà che Israele studia, è la Tavola dell’ebreo il suo altare e la Casa il Suo Santuario.
Capiamo allora il riferimento iniziale del Meshech Cochmà al fatto che non si accettano offerte sostanziose dalle donne. La Ghmarà spiega appunto che si accettano solo quelle cose per le quali è evidente l’accordo del marito, il frutto del lavoro di lei, o cose di poco valore.
È straordinario il nostro Sforno che commenta il famoso accompagnamento delle donne da parte degli uomini quando portavano le offerte (Esodo XXXV,22) dicendo che gli uomini andarono con le donne perché non si accetta dalle donne una cosa di valore. Ossia per permettere alle donne di portare cose di valore gli uomini andarono con loro a testimoniare il loro consenso. Ma si capisce da qui che l’iniziativa è delle donne.
Uomo e donna hanno funzioni diverse e complementari nella Casa d’Israele che è oggi il Santuario del Signore. Non sempre, abbiamo visto, colui che crede di portare porta realmente. Così apparentemente sembrerebbe mortificante per la donna non poter disporre di volontà propria per fare zedakà. In vero, come per l’Arca è la Torà a sostenere i leviti così in realtà è la donna che viene mantenuta dal marito a sostenere quest’ultimo poiché, come insegnano i Maestri, il benessere economico dell’uomo dipende dall’onore che questi dà a sua moglie.
La Torà non vuole che la donna non dia, vuole che l’uomo sia costretto ad andare con lei ed imparare come ci si dedica al prossimo. Come ci si dedica al Santuario.
Ed eccoci allora alla terza delle mizvot della Parashà quella di costruire il Santuario. Ebbene, forse, secondo quanto detto da Rabbi Jochannan e Resh Lakish, costruendo una nuova casa ebraica oggi si può in qualche modo rimediare alla impossibilità di costruire il Santuario.
L’invito è dunque quello di capire che la casa ebraica è un Santuario, che deve essere luogo di incontro per Saggi e per bisognosi e soprattutto un luogo nel quale dimori sempre la pace.
Shabbat Shalom
Jonathan Pacifici z”l
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Fonte: Shemot/Esodo 25,1 – 27,19 e http://www.archivio-torah.it/jonathan/1962.pdf
Testo Ebraico con traduzione italiana di Samuel David Luzzatto (1872 https://www.academia.edu/70417826/PARASHA_TERUMA_testo_Ebraico_con_traduzione_italiana_di_Samuel_David_Luzzatto_1872
Parashà Terumà: commento di Dante Lattes https://www.academia.edu/70331404/PARASHAT_TERUMA_commento_di_Dante_Lattes