por Mauro Nadvorny | 11 ago, 2002 | Sem Categoria
Quando o povo palestino deixou de ser conduzido pela Organização para a Libertação da Palestina (um organismo que reunia todos os grupos terroristas que compartilhavam o objetivo da destruição do Estado de Israel), e passou a ter um embrião de um futuro governo na forma da Autoridade Palestina, (abolindo a meta da destruição do Estado de Israel), todos imaginaram que algo havia mudado.
O povo palestino que sofria o estigma de um povo terrorista, fruto de ações comandadas pelas diversas facções que compunham a OLP, pôde finalmente sentir-se como parte de um futuro estado que estava por nascer. Desta vez, sua liderança parecia ter compreendido que o tempo de violência havia chegado ao fim. Era chegada a hora da diplomacia.
Assistir e rever a cena em que Rabin, Peres e Arafat recebem o Nobel da Paz são momentos que trazem lagrimas de intensa emoção a todos aqueles que buscam o fim desta guerra suja. Tudo parecia se encaminhar para o fim desta tragédia.
Israel passou a ajudar a AP depois dos acordos de Oslo, de forma a que se constituísse uma verdadeira autoridade política, administrativa e de segurança. Pela primeira vez, os palestinos tinham seus desígnios ditados por sua própria gente. Podiam pagar impostos, reclamar numa delegacia de polícia, viajar através de seu aeroporto etc. A semente de seu futuro estado estava plantada e florescia.
De uma hora para outra, tudo virou de ponta cabeça. Uma visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo foi o estopim do inicio da segunda Intifada. Uma mera desculpa para algo que já vinha sendo planejado desde há muito tempo. A AP começava a sucumbir frente a OLP. A semente do futuro estado estava sendo arrancada. Quiseram substituí-la por uma planta antiga: a do terror.
A violência passou a ser a nova palavra de ordem. Os grupos terroristas voltaram à cena. Arafat começou a perder o rumo. Como sempre fez, apostou no lado errado. Assim havia feito durante o Setembro Negro, no Líbano, na Tunísia e na Guerra contra o Iraque. O maior líder que o povo palestino já teve, passou a assistir a destruição de toda a infra-estrutura física de seu governo: seu aeroporto, seu porto, suas forças de segurança e finalmente a reocupação dos territórios autônomos. Para cada ataque terrorista que permitia, uma reação de Israel se materializava.
Completamente cego a tudo e a todos, Arafat levou seu povo ao que de pior poderia se esperar. Novamente os palestinos passaram a serem identificados com o terror e como um povo de terroristas. Cada chance de acabar com a violência foi sendo repudiada. Cada celebração de sucesso pelos ataques, secretamente comemorada. Os enterros dos chamados “mártires” mortos em ação, tornaram-se celebrações diárias. A liderança palestina passou a adorar o terror, mais do que a seu Deus. A morte, mais do que a vida. A vingança, mais do que a reconciliação. A guerra, mais do que a paz.
Criou-se assim um circulo vicioso de ódio tão grande, que a razão deu lugar à emoção. Hoje os dois povos não matam mais para poder sobreviver. Vivem para poder matar. Desta forma, não existe mais respeito a ninguém, crianças, jovens, homens mulheres passaram a ser alvos desta insanidade. O que conta é o objetivo final. A morte encontrou abrigo no Oriente Médio.
Agora a política da AP é ditada pelo Hamas e seus congêneres. Completamente desacreditada externamente, a cada dia perde mais apoio internamente. Indícios de corrupção são cada vez mais difíceis de serem negados. Apoio aos grupos terroristas, desrespeito ao judiciário, ações mafiosas de proteção etc, tiram dela qualquer chance de restabelecer a confiança e o respeito.
O povo palestino tem em suas mãos a chance de mudar esta situação. Somente eles podem dar um basta ao terror. Uma única ação em prol da paz pode ser o estopim de uma nova era. Vocês precisam dar a si mesmos esta oportunidade. O desejo de mudar e voltar a ser aceito no seio das nações depende de um único passo na direção certa. Acabem com o terror antes que o terror sepulte por muitos anos todas as suas aspirações.
O Campo da Paz, acredita que a esperança da coexistência de dois povos, dois estados nunca vai morrer. Ela é o que nos mantém firmes no desejo da paz e da reconciliação. Somente por ela é que seguimos clamando para que a carnificina chegue ao fim.
Um mundo melhor é possível. Dêem uma chance a paz.
por Mauro Nadvorny | 9 ago, 2002 | Sem Categoria
O Tsahal (abreviatura de Exército de Defesa de Israel em Hebraico) é um dos exércitos modernos com maiores glorias acumuladas durante sua existência. Foi vitorioso em todas as guerras que participou. Na maioria delas enfrentou a vários exércitos simultaneamente em inferioridade numérica de homens e armamento.
Criado por Bem Gurion logo após a independência, incorporou a suas fileiras militantes das diversas forças que combatiam os Ingleses e lutavam pela criação do Estado. Este exército se tornou um povo em armas. Isto se deve pelo fato de que todo cidadão israelense (com exceção dos árabes e judeus ortodoxos) serve por 3 anos (2 para as mulheres) e depois por cerca de 30 dias ao ano até a idade de 55 anos.
Este exército possui alguns aspectos peculiares que poucos conhecem. Durante o treinamento básico de 6 meses, os recrutas carregam por milhares de quilômetros em revezamento, uma maca com um colega sobre ela. A razão disso é que em Israel nenhuma pessoa que luta pela pátria pode ficar para trás no campo de batalha. Vivo, ferido ou morto todos tem que voltar. Pela mesma razão não existe um monumento ao soldado desconhecido. Não se pode imaginar que quem tenha dado a vida pelo país, seja enterrado sem um nome.
O exército israelense é mundialmente reconhecido por seus feitos não apenas nos campos de batalha. Quem não lembra da Operação Entebe, quando se deslocou até Uganda para salvar os passageiros seqüestrados de um avião?
Este mesmo exército de uma moral de conduta e uma ética militar invejável está mudando. As tropas treinadas para a guerra estão sendo enviadas para ocupar cidades e vilas nos territórios ocupados. Cumprem tarefas de policiais para os quais não tiveram treinamento algum. O resultado disso já está aparecendo.
Mais de dez soldados (entre eles alguns oficiais) estão presos acusados de vender armas, munições e uniformes do exército para terroristas. Alguns inclusive residem nos territórios em colônias que sofreram ataques terroristas.
Dezenas de soldados estão sofrendo processos por acusação de roubo. Ao entrarem nas residências a procura de foragidos ou de armas e explosivos, alguns soldados se apropriam de dinheiro, jóias e objetos de valor que encontram.
Já existem relatos de soldados que cometeram assassinatos a sangue frio. Terroristas (ou acusados de terrorismo) são presos e mortos com a desculpa de que teriam reagido ou tentado fugir. Segundo fontes independentes, eles já estavam dominados e não esboçavam qualquer reação.
Muitas unidades estão sob suspeição de proteger grupos extremistas judaicos acobertando suas ações contra populações palestinas. Em outras existem acusações do recebimento de propinas para permitir a passagem de cidadãos de uma cidade para outra dentro dos territórios.
Já são cerca de 480 soldados os que se recusam a servir nos territórios por dilema de consciência. Nunca houve um número tão elevado de homens desobedecendo a uma ordem militar.
O exército israelense está sendo contaminado pela política de ocupação de Israel. Estes números são ínfimos se comparados ao conjunto das forças. Mas um câncer quando começa em uma única célula do corpo humano, também não representa nada.
O próprio exército brasileiro se recusa a colocar as tropas no combate ao crime porque sabe que elas serão contaminadas. Nenhum exército consegue se manter em zonas de ocupação sem perder sua moral e ética de conduta. Assim foi no Afeganistão para os Russos e está sendo na Tchetchênia.
Esta é mais uma razão para continuarmos a exigir a imediata retirada das tropas dos territórios autônomos, o desmantelamento das colônias, o fim de toda forma de terrorismo palestino e o reinicio das conversações de paz que levem os dois povos a reconciliação.
Não permitam que o exército israelense se transforme numa tropa de mercenários. Tragam os soldados para casa. A paz merece uma chance.
por Mauro Nadvorny | 6 ago, 2002 | Sem Categoria
Desde que escrevi o artigo “Não somos Sharon!, e depois que ele foi publicado pela Zero Hora e distribuído pela Internet através de diversas listas, não paro de receber mensagens com opiniões de todo o Brasil e de Israel”.
Confesso que esta momentânea notoriedade me causou surpresa. Não tinha idéia do poder das palavras. Achava que uma imagem valia mais do que mil palavras, como costumam dizer. Meu texto correu o mundo e as pessoas se manifestaram, em favor, em contra mas colocaram para fora o que sentem. Isto foi recompensador e me leva a manter meu teclado pronto para novos artigos.
A edição online do jornal Haaretz de Israel traz o resultado de uma pesquisa realizada pelo Instituto Para a Paz da Universidade de Tel Aviv. O resultado já foi tema de um artigo que escrevi sob o título “A Vaca Louca”, que trata da aparente disparidade de pensamento, em Israel, em relação ao conflito. Os resultados da pesquisa batem exatamente com o que escrevi: a maioria dos israelenses quer a solução de paz proposta pela esquerda, mas apóia as ações de guerra impostas pela direita.
Quando assumiu o governo de Israel, Ariel Sharon prometeu duas coisas: Paz e Segurança. Seu currículo de soldado alheio aos direitos humanos e brilhante estrategista militar, de fala dura e ameaçadora, deram esperança ao povo israelense de que ele era o homem certo para o cargo.
Suas ações fazem jus a sua reputação: rompeu o acordo de Oslo, invadiu as zonas autônomas, destruiu toda a infra-estrutura da Autoridade Palestina, manteve e permitiu a ampliação das colônias, impôs limites ao deslocamento de palestinos dentro e fora dos territórios, declarou toques de recolher nas principais cidades palestinas, mandou destruir as casas dos parentes de terroristas, ameaça os familiares com desterro, ordenou os assassinatos seletivos, permitiu a morte de civis para matar um líder terrorista etc. Qual o resultado disso? Nenhum. Israel não tem paz e nem segurança.
Claro que todas estas ações foram em retaliação às ações terroristas que se seguiram a sua provocativa visita ao Monte do Templo que desencadeou a 2ª. Intifada. Justificáveis ou não, deixo para que a história julgue. Prefiro ser pragmático e questionar o que mais ele pode imaginar ser possível implementar para que suas palavras se tornem realidade. Como é possível tapar o fosso que ele cavou distanciando a paz e trazendo uma insegurança que já custou à vida a cerca de 600 israelenses e o triplo da de palestinos ?
Ariel Sharon, assim como Yasser Arafat são os responsáveis diretos por esta situação. Mas Sharon parece obsessivamente impelido a levar esta carnificina até o fim de seu governo. O mal causado pelos covardes atentados terroristas só alimentam sua obsessão. E cada atitude punitiva dele contra a população palestina, faz nascer novos terroristas. O Hamas se alimenta de Sharon e Sharon se alimenta do Hamas. É o ciclo da violência matando e dilacerando famílias.
O Campo da Paz, acha que algumas atitudes que só podem ser tomadas pelo Estado de Israel, podem levar a uma trégua. O inicio do desmantelamento de colônias, a saída da Gaza, a permissão de deslocamento e trabalho a milhares de palestinos e à volta às posições ocupadas antes do inicio da Intifada. Todas ou algumas delas podem reascender o desejo de se voltar a dialogar. Cabe a Israel implementá-las.
Os atentados não cessarão da noite para o dia. Não vamos nos iludir. Mas vão acabar quando sua motivação não mais existir. Temos de construir novamente o caminho da paz e da reconciliação. Vão existir muitos percalços ao longo dele. Cabe aos homens que lideram os dois povos, encontrar os atalhos que não permitam a volta da violência e impeçam as ações que lhe serve de combustível.
A paz é possível! Basta, queremos Paz Agora.
por Mauro Nadvorny | 4 ago, 2002 | Sem Categoria
Hoje despertei com a idéia de escrever um artigo sobre dois extremos: pensei em falar dos extremistas islâmicos e dos extremistas judeus. Já tinha em mente o título: Os Extremos se Tocam.
Nestes novos tempos, ao invés de abrir o jornal, liguei o computador. Qual não foi minha surpresa ao me deparar com mais um sangrento atentado cometido por suicidas palestinos com 9 mortos e dezenas de feridos.
Lendo as notícias, fiquei sabendo que o Hamas assumia a responsabilidade pelo ataque. Justificava este crime com a desculpa mais em voga no Oriente Médio atualmente. Revanche.
O que eu tinha em mente ainda na noite anterior, dizia respeito aos grupos extremistas de ambos os lados que mantém atualmente dois povos reféns de sua insanidade. Os loucos estão tomando conta. Mas se isto fosse verdade, como é possível que tanta gente se deixe levar por esta avalanche de ódio e revolta que criou um circulo vicioso de violência cujos elos parecem indestrutíveis?
Assistimos aterrorizado o destino de dois povos serem ditados por extremistas radicais que encontram eco a suas aspirações de destruir um ao outro. De um lado as ruas das cidades palestinas se enchem de pessoas em júbilo pela morte de israelenses. De outro, mostram as pesquisas, que a popularidade do responsável pela manutenção deste estado belicoso continua alta.
Numa situação como esta pode-se começar a fazer uma conta macabra: se Israel for matando 50 palestinos por dia, serão exterminados em um ano 18.000. Para uma população de 2.500,00 bastam 138 anos para que o problema esteja solucionado. E se os palestinos quiserem exterminar Israel? Considerando que resultado desta tragédia até agora, aponta para 1 israelense morto para cada 3 palestinos, a conta seria outra. Se eles eliminarem 17 israelenses por dia, serão 6120 em um ano. Para uma população de 6.000.000, bastariam 980 anos.
Se esta conta, que não levou em consideração o crescimento demográfico das populações mostra que esta tarefa é inexeqüível, então porque seguem agindo desta maneira? O que faz com que o manto negro da morte continue pairando sobre a região? Difícil de compreender, mas não impossível de explicar.
Tanto em Israel como na Autoridade Palestina, o mando do poder está em mãos de homens que não querem a paz. A reconciliação de judeus e palestinos não serve aos seus propósitos. Em Israel, a direita nunca permaneceu no poder em tempos de paz. Ironicamente, foi ela quem alcançou a paz com a primeira nação Árabe, o Egito. Na Autoridade Palestina, o governo inepto e corrupto não se sustentaria num regime democrático que surgiria num ambiente de paz.
E se estamos diante de dois líderes que não querem a paz, não podemos esperar nada mais além da constatação de que as mortes seguirão ocorrendo dia após dia. Um irá atribuir a culpa ao outro. Sharon irá acuras Arafat de ser o responsável pelo terrorismo uma vez que permite que sigam ocorrendo. Arafat irá dizer que Sharon é o responsável porque segue ocupando os territórios palestinos humilhando seus habitantes.
Não podemos continuar assistindo a isto impassíveis. Toda forma de condenação é válida. Os governos de todo o mundo, a ONU e os cidadãos de bem merecem ser escutados. Esta carnificina está nos matando a todos.
Israelenses e palestinos não merecem este destino que lhes está sendo imposto por sua liderança refém dos extremistas. Sharon e Arafat são os responsáveis. Foram eleitos democraticamente para obter um acordo de paz, mas não foram capazes de fazê-lo. Se não são capazes, deixem que outros o façam ou voltem imediatamente a mesa de negociações.
Presenteiem a humanidade com uma boa notícia. Saiam das manchetes sujas de sangue e passem para o noticiário de estadistas.
Exigimos a Paz Agora.
por Mauro Nadvorny | 3 ago, 2002 | Sem Categoria
Em todas as sociedades democráticas existe um amplo espectro de partidos que representam o pensamento do povo. Muitos países chegam a ter partidos que representam segmentos ou minorias.
Israel não é diferente. Da extrema esquerda a extrema direita, existem partidos com os quais a população pode se identificar. Mesmo assim, às vezes, torna-se difícil apontar quem representa o que. Isto se deve ao sistema político vigente: o parlamentarismo. Necessitando de maioria para poder governar, juntam-se partidos de diferentes matizes. No final fica difícil saber quem representa a esquerda, o centro ou a direita dentro do governo.
Na diáspora, quando estabelecidos sob regimes democráticos, os judeus também ocupam todo o espectro político do país. Já tivemos judeus na Arena e o MDB, e hoje temos membros da comunidade no PC do B, PT, PTB, PDT, PPB, PSDB, PMDB etc.
Por outro lado, internamente na comunidade, também comungam com sua identidade ideológica. Temos lideranças comunitárias de esquerda e de direita. Algumas afinadas com os partidos israelenses. Isto é sadio. Esta diversidade ideológica engrandece a todos, pois é justamente da divergência que asseguramos mais acertos do que erros.
Cerca de uma semana atrás escrevi um artigo intitulado: “Não Somos Sharon!”. O jornal Zero Hora achou por bem publicá-lo. Confesso que fiquei honrado em ter mais um artigo meu sendo lido por milhares de pessoas.
Este artigo desmascarava as desculpas de Sharon para o despejo de uma bomba de uma tonelada em um bairro populoso de gaza, que visava atingir um único homem, mas cujo saldo foi a morte de 14 inocentes juntamente com aquele que queriam ver morto.
Meu artigo se somou a centenas de outros escritos por jornais israelenses, americanos, europeus etc. Todos condenando da mesma forma ou mais incisivamente do que eu. No dia seguinte ao ataque, praticamente todos os países do mundo, inclusive o Brasil, o condenaram.
Mas o que mais chama a atenção, é que mesmo com o exército de Israel reconhecendo o erro, muitos judeus ainda continuam achando justificativas para o que foi feito.
Não sei quantos escreveram para os presidentes Fernando Henrique, George Bush, Tony Blair ou para o secretário geral da ONU, Kofi Anan interpelando-os a respeito de sua condenação ao massacre de inocentes, entre elas 9 crianças. Mas sei quantos escreveram a mim.
Vários dias depois da publicação, recebi da Federação Israelita, um pedido para que o artigo, que havia suscitado um grande debate (sic), fosse enviado por seu mail-list juntamente com meu e-mail para resposta. Agradeci a proposta e autorizei.
Cerca de 30% dos e-mails recebidos me cumprimentavam pelo artigo enquanto que 70% condenavam. Entre estes 70%, aproximadamente 50% era lixo resultante de pessoas que utilizavam palavras de baixo calão, chavões agressivos ou que não expressavam opinião alguma, apenas xingamentos. Os outros 20% foram de pessoas que discordavam de forma elegante e educada. Para estas e aquelas que me cumprimentaram, enviei uma resposta.
Tudo isto foi feito de forma privada, ou seja, a cada uma que me enviou sua opinião a favor ou contra de uma maneira civilizada, enviei uma resposta privada. No entanto, uma das opiniões divergentes, a do Psiquiatra Jorge Ignácio, tornou-se uma discussão pública. Minha resposta privada a ele, e as suas a mim, passaram a ser distribuídas no mesmo mail- list.
Sem entrar no mérito de qual o propósito disso, achei por bem dar a esta discussão por concluída. Os motivos que me levam a isso são o fato de o assunto está esgotado e o que se propõe agora o Sr. Jorge Ignácio, é que eu lhe sirva de escada para poder expressar as suas idéias como representante, ou não, da Federação Israelita.
Minha sugestão é de que ele e todo aquele que comunga com suas idéias, façam o que venho fazendo: escrevam. Ponham suas opiniões no papel e enviem para seus amigos, para os jornais etc. Façam com que sua voz seja escutada. Com certeza, vocês irão comprovar que existem muitas pessoas que como vocês, concordam que não existe um povo palestino. E se eles não existem então podemos continuar ocupando e colonizando os territórios. E se por causa desta política existirem insurgentes, eles devem ser eliminados sem direito a um julgamento. Para que possam ser eliminados não importam os meios, mesmo que signifique a morte de inocentes. Esta terra é nossa por desígnios divinos. Está na Bíblia. Portanto todos os não judeus que a ocupam devem ser tratados como invasores. E finalmente quando o primeiro ministro de Israel implementar estas ações, aplaudam e comemorem.
Meus artigos vão continuar atacando a toda forma de violência que traga mais violência. Vou continuar bradando contra os terroristas que atacam civis israelenses da mesma forma e com a mesma intensidade com que não vou permanecer calado enquanto Israel se transforma em um Estado Terrorista. Faço votos que não apenas a Zero Hora, mas que outros jornais os publiquem. Desta forma, mais e mais pessoas vão saber que existem outras formas de se encarar o conflito.
Como membro e apoiador do campo pacifista vou continuar a luta na busca do retorno as conversações que levem a paz e a reconciliação. Este é o meu papel a cumprir. Cumpram vocês os seus.
por Mauro Nadvorny | 1 ago, 2002 | Sem Categoria
Os caminhos da intolerância passam por caminhos tortuosos. Em cada uma das curvas deste caminho ela vai recebendo a adesão de seus congêneres: junta-se a ela o ódio, a raiva, a vingança e o preconceito.
Quando uma bomba explode na Universidade Hebraica, atingindo indiscriminadamente a toda comunidade universitária formada por judeus, árabes e estrangeiros, percebe-se que o alvo, uma vez mais, foi a paz. Esta que anda por um campo aberto de mãos dadas com a tolerância, a compreensão e o respeito ao próximo.
Não existem palavras que expressem toda nossa indignação e repúdio ante mais um ato terrorista de tamanha covardia que tira precocemente a vida de pessoas que tinham todo um futuro pela frente. Nossa resposta continua sendo a nossa voz. Não desistimos de buscar o entendimento e a reconciliação entre os dois povos.
O círculo de violência não exibe sinais de arrefecimento. Pelo contrario, Sharon não tardou em retaliar. O Código de Hamurabi precisa ser respeitado: olho por olho, dente por dente.
O castigo coletivo remonta a milhares de anos atrás. Se um membro de uma tribo cometia um crime, toda a aldeia era destruída e sua população morta. Por crime entenda-se, tudo o que contrariava a lei do mais forte. Nas guerras modernas as forças alemãs, italianas e japonesas também empregaram este método contra os bolsões das resistências nos países ocupados. O método é bastante simples: para cada soldado das forças de ocupação mortos, um número dez vezes maior de civis inocentes eram executados.
O resultado do emprego deste método todos nós conhecemos. A memória dos que foram mortos nestas atrocidades permanecem vivas entre seus povos. Aqueles povos que as cometeram continuam dela se envergonhando até hoje. Muitos dos que as ordenaram continuam sendo cassados para que paguem por este crime.
Quando Sharon propõe o castigo coletivo como método para acabar com o terror, nós sabemos onde isto vai terminar. Toques de recolher por dias seguidos, que impedem as pessoas de saírem de suas casas e conseqüentemente de exercer qualquer atividade; impedimento de se locomoverem de um local para outro e a destruição de casas das famílias e de parentes de terroristas são a ponta deste regime de terror a que eles estão submetidos nos territórios. Nunca foram tão humilhados e nunca tivemos uma onda de atentados tão violentos e seguidos.
O campo pacifista não aceita a tese de que a paz é impossível. Enquanto existirem vozes capazes de, mesmo sob a dor das perdas, clamarem pelo fim da violência, continuará havendo esperança. Esta é a nossa tarefa. Dura, muitas vezes incompreendida, mas acima de tudo necessária.
Os terroristas e os belicistas estão ditando as regras de seu jogo. Estão levando judeus e palestinos a obedecerem a sua tática de luta. Uns explodindo homens bomba entre civis, outros retaliando sobre pessoas inocentes. Ambos alimentando o círculo vicioso da violência.
Mais do que nos questionarmos como isso vai parar, devemos nos perguntar quando é que isto vai terminar. Não tenho uma resposta para estas questões. Acho difícil que alguém as tenha. A única coisa que sei, é de que farei tudo o que puder para que isto pare amanhã na forma de uma volta a mesa de negociações.
Talvez pareça muita presunção de minha parte achar que serei capaz de algo tão difícil. Mas se minha voz alcançar a mente de mais alguém, já terei sido recompensado. Se a nossa voz somar-se a sua, judeu, palestino ou ser humano de qualquer povo, então estaremos no caminho certo. E se cada um trouxer mais alguém para o campo da paz, então um dia eles vão nos escutar bradando Basta de Violência, Paz Agora!
Neste dia alguma coisa será diferente. Quando terroristas e belicistas não encontrarem mais pessoas em caminhos tortuosos, quando todos estiverem em campo aberto, então estaremos pavimentando o caminho da paz e da reconciliação entre o povo judeu e o povo palestino.
Ajude a salvar uma vida quebrando este círculo de violência, junte-se a nós. Não propague mensagens de incitação ao ódio. Vamos mudar esta história porque um mundo melhor é possível.