por Mauro Nadvorny | 23 ago, 2002 | Sem Categoria
Desde cedo aprendemos o significado do “não”. Fazemos algo de errado e nossos pais nos dizem “não”. É uma forma de nos impor limites e principalmente de nos ensinar a diferenciar o que é certo do que é errado.
Esta lição, talvez a mais importante delas, vai nos acompanhar pelo resto de nossas vidas. É a base de nosso discernimento e forma o nosso bem senso para as atitudes que vamos tomar frente a cada desafio. Com ela também seremos capazes de aceitar ou rejeitar atitudes de terceiros. Normalmente não queremos que os outros façam aquilo que não faríamos.
O problema é que muitas coisas aceitas por certas culturas, são consideradas inapropriadas por outras. Recentemente uma nigeriana foi condenada a morte por apedrejamento pelo fato de ter tido um filho sendo divorciada. Neste caso, segundo a lei islâmica, ela teria cometido adultério. Inaceitável para o nosso bom senso, ela acaba de perder um recurso ante 3 juízes.
Na tradição judaica o divórcio é concedido pelo marido. Caso ele não queira, a mulher fica impedida de retomar sua vida. Na corte rabínica que discute este tipo de procedimento, ela praticamente não tem voz. Difícil de aceitar entre nós, esta é a realidade das mulheres judias religiosas e das que vivem em Israel.
Dentro destas duas sociedades, a religião se mistura com a cultura local. Israel que é considerada a única democracia do Oriente Médio não possui uma constituição. Grande parte dos países árabes ao seu redor também não. A justiça acaba sendo feita com base em leis religiosas ou se tomam àquelas herdadas da época do colonialismo inglês e francês.
Existe um aspecto muito importante que acaba sendo relegado no ambiente conflituoso em que se encontram israelenses e palestinos. Refiro-me ao direito de matar. Quem tem o direito de matar? Quem é que decide os que devem morrer?
No campo palestino temos duas situações. A primeira dos grupos terroristas que baseiam suas decisões aleatoriamente. Morrem os que estiverem ocasionalmente ao lado do homem bomba, passando por uma estrada ou passeando por uma rua.. A segunda, todos aqueles que são considerados “colaboradores”.
No campo israelense também temos duas situações. A primeira é quando o governo determina e o exército executa aqueles que são considerados terroristas. A segunda é quando pessoas que estavam ocasionalmente no local, também são atingidas, ou porque jogavam pedras, ou porque um soldado não sabia que elas podiam estar em determinado local etc.
Quando me pergunto nestes casos o que é certo e o que é errado, penso no princípio básico do direito a vida. Todos nós independentemente de qualquer coisa, temos o direito a viver em paz. Todas as religiões pregam isto. Muitas até proíbem o suicídio. Como então em nome delas se cometem assassinatos? Porque se condena uma mulher a morte por ter tido uma relação sexual? Porque se impede a outra de obter o divórcio?
Como se isto não bastasse, como é possível se chamar a alguém de “Mártir”, quando ele tirando sua própria vida, assassina outras tantas a sua volta? Como aceitar que para cumprir uma ordem de assassinato, se tire a vida de outros que lá estavam por acaso?
Tanto uns como outros acham que tudo isto se justifica. Estamos em guerra, estamos sob ocupação, se tratam de terroristas, efeitos colaterais ocorrem, enfim, o fim justifica os meios. E neste caso os meios são a perda de todo e qualquer bom senso. Qualquer forma de se distinguir entre o que é certo e o que é errado. Um total desprezo ao sofrimento humano.
Quem decide os que vão morrer são os que se calam diante de tamanha barbárie. Os que encontram justificativas morais para matarem inocentes. Os que ajudam a eleger líderes que prometem de um lado paz e segurança e de outro a independência do seu estado, mas que na verdade nos levaram a esta situação. Os que abominam os que pregam a paz e a reconciliação. Os que se consideram acima do bem e do mal, eleitos para decidir sobre a vida acima de Deus.
Ainda assim, tenho de acreditar que nada disso possa ser eterno. A maioria das pessoas é de boa índole. São capazes de relevar e esquecer o passado. São tentadas a arriscar uma chance de paz. Ela não é inalcançável. Pode-se dizer que ainda não está tão próxima quanto gostaríamos mas ainda assim é palpável. Basta continuar acreditando. Eu acredito.
por Mauro Nadvorny | 19 ago, 2002 | Sem Categoria
Finalmente uma luz no fim do túnel. Tangível, ponderada e acima de tudo fruto de uma negociação levada a cabo entre israelenses e palestinos. Estou falando do Plano Gaza Primeiro + Belém.
Mas se isto já era uma boa notícia, saber que Effi Eitam, líder do Partido Nacional Religioso está pensando em retirar seu partido do governo é algo tão bom quanto o plano que hora se implementa.. (Enquanto escrevo estas linhas, espero que ele não tenha desistido. A paz lhe será muito grata.)
O que parecia impossível até a pouco finalmente aconteceu. Ben Eliezer tomou uma decisão política ao invés de mais uma ação militar. Começando por Gaza, onde as forças de segurança palestinas ainda podem ser reagrupadas, juntamente com Belém uma cidade normalmente tranqüila, este plano pode ser o prelúdio de uma esperança real de cessar fogo. Espera-se que em breve Israel possa estar se retirando de toda a área reocupada nos últimos meses.
Mas como de boas intenções o inferno está cheio, precisamos alertar que as coisas não irão melhorar da noite para o dia. O Hamas, a Frente Popular e a Jihad já anunciaram que não vão interromper seus ataques a alvos israelenses. Isto significa que a AP será desafiada a perseguir estes militantes a fim de impedir seus ataques. Uma tarefa nada fácil para um governo que foi incapaz de fazê-lo quando suas forças estavam bem melhor aparelhadas.
O importante é que se busque compreender qual a intenção da AP. Se a sua política for a de impedir o terrorismo, mesmo que o resultado não possa ser 100%, algo já terá mudado. Neste momento não podemos nos deixar levar pelos grupos radicais que consigam de alguma forma furar o bloqueio e cometerem atos de terror. Temos de ter serenidade suficiente para ajudar a AP em seu objetivo e não responder com mais violência.
Tarefa inglória quando um atentado vitima civis inocentes. Temos novamente uma oportunidade de terminar com o ciclo da revanche. Israel precisa ter a grandeza de avançar neste caminho e não se deixar levar por atos e ações que tem a única finalidade de perpetuar o conflito. Os terroristas não podem continuar ditando nosso destino.
Com este gesto estaremos dando inicio a uma grande operação de paz, para se contrapor a todas as operações de guerra que temos visto até aqui. Todos estarão com os olhos voltados para Gaza e Belém. Almejando que o resultado seja aquele esperado por todos nós do Campo da Paz: à volta as negociações.
Estamos todos torcendo para que tudo aconteça conforme se espera. Esta decisão precisa ser levada a sério e ter o apoio de todos que buscam o fim desta barbárie. Somente um cessar fogo trará a todos a certeza de que este é o caminho. A paz passa por negociações e não por balas. A solução é política e não militar.
Saúdo esta iniciativa como a melhor notícia dos últimos tempos. Não nos deixemos levar por todos aqueles que vão tentar torpedeá-la. Eles estão tanto no campo israelense como no campo palestino. Continuam se movendo nas sombras, alimentando-se de nossos medos e de nossos temores. Vão insistir que “o outro lado” não cumpre com sua palavra, que não é confiável. Vão continuar repetindo tudo o que já escutamos e já lemos.
Desta vez não vão receber o apoio que esperam. Basta de incitamento ao ódio e de preconceito. Vamos dar uma chance real à paz. Não propague mensagens racistas de nenhum dos lados. Ajude a promover a reconciliação.
por Mauro Nadvorny | 19 ago, 2002 | Sem Categoria
A tolerância é sem dúvida uma palavra difícil de se conviver. Quem é tolerante? Qual o grau de tolerância que nos satisfaz? Pode-se admitir a meia tolerância? Será que somos capazes de definir quem é, e quem não é tolerante?
Com este dilema na cabeça, comecei a refletir sobre várias questões que me tocam. Tenho duas filhas, será que serei tolerante com quem elas escolham para namorar? E se resolverem casar com um não judeu, será que vou tolerar esta decisão? Um conhecido meu assumiu sua homossexualidade. Será que minha relação com ele vai mudar? Se o convidar a minha casa terei de admitir que ele traga seu companheiro. Se eles se beijarem na frente da minha família, poderei tolerar este gesto?
Já estava me encaminhando para um curto-circuito neural quando me deparei relacionando tolerância com algumas questões do Oriente Médio. Participando da platéia de um debate sobre os Caminhos Para a Paz a poucos dias atrás, recordei que entre os debatedores, um judeu e um palestino, eles também deviam ter se deparado com este mesmo dilema quando se prepararam para falar neste evento. Havia também um padre católico.
De um lado, o debatedor judeu procurou demonstrar as origens históricas do conflito demonstrando nossas relações amigáveis com os árabes ao longo dos séculos. Mostrou de que forma se deu a independência do Estado de Israel e culpou aos países árabes pelo problema dos refugiados palestinos.
De outro, o debatedor palestino procurou demonstrar as mesmas boas relações entre árabes e judeus, e quis demonstrar que os palestinos são hoje a grande vítima deste conflito. Estão sob ocupação, não podem se locomover, suas terras são confiscadas, suas casas destruídas, seus filhos assassinados etc.
O que eles não disseram, ou quiseram omitir (não intencionalmente), foi que a milícia do Stern através do massacre da aldeia de Deir Yassim ajudou em muito para que milhares de palestinos abandonassem suas casas com medo de sofrerem a mesma sorte, tornando-se refugiados. Também não disseram que os atentados terroristas praticados por palestinos contra civis inocentes ao longo de toda sua luta (inicialmente para destruir o Estado de Israel) também não são atitudes de quem se diz uma vítima.
O que deveria ser um debate de propostas para o Caminho Para a Paz, ou seja, uma demonstração de tolerância, trouxe a baila uma aula de intolerância. Não fosse a presença do padre católico e a noite teria sido mais uma batalha entre quem representa o bem e quem representa o mal. Talvez os debatedores não tenham compreendido a intenção dos organizadores, foram mal informados, se deixaram levar pela emoção etc. O fato é que ser tolerante é algo, inicialmente muito doloroso para os principiantes nesta área.
Tolerar significa exorcizar muitos fantasmas que nos atormentam. Às vezes é como ter de engolir um sapo a cada palavra. Não é fácil fazê-lo quando de um lado alguém nos traz as imagens do resultado da explosão de um homem-bomba, e de outro as imagens do enterro de crianças vítimas de uma bomba de uma tonelada jogada sobre elas.
Acredito que a capacidade de tolerar é um exercício diário de paciência e perseverança. É preciso refletir sobre as conseqüências da intolerância para se chegar próximo da tolerância. Estas conseqüências são sempre maiores do que possamos admitir. São trágicas e deixam marcas difíceis de cicatrizar. A intolerância, o fato de não admitirmos que alguém possa estar sofrendo tanto quanto nós, nos leva a crer que somos únicos na nossa dor.
Somente quando percebemos que o outro lado também está sofrendo, e que sua dor não é maior ou menor, mas exatamente igual a nossa, é que podemos afastar o ódio que nos conforta. Quando isto ocorre, então começamos a ser tolerantes. E ao admitir que eles são iguais a nós, o ódio dá lugar à razão. Neste momento nos tornamos melhores.
Para alcançar a paz, palestinos e israelenses tem de reaprender a ser tolerantes. Esquecer o passado de eternas vítimas da história e passar a ser protagonistas de seu futuro. Um passo neste caminho é admitir que todos nós cometemos erros e atrocidades. Isto fará parte do passado. O futuro que vamos construir não será baseado nela. Vamos criar as bases de dois estados para dois povos vivendo em paz lado a lado. Um exemplo único de tolerância em favor da reconciliação.
Evidentemente que isso não será uma tarefa fácil. Nossos fantasmas vão continuar a nos atormentar por muito tempo. Vai ser preciso engolir muitos sapos. Retirar colônias, aceitar compartilhar nossa capital, tudo será muito doloroso. Mas os palestinos vão ter que fazer o mesmo. Acabar com os grupos terroristas e reintegrá-los a sua sociedade, abdicar do direito de retorno de cerca de 3,5 milhões de refugiados para seus antigos lares dentro de Israel também vão causar muita dor.
Nenhum de nós tem diante de si um problema de fácil solução. Mas se cada um tratar de compreender ao outro. Tentar ser a cada dia um pouco mais tolerante, isto se realizará de uma forma menos traumática. Temos de aceitar nosso futuro em comum. Compartilhar da mesma região, onde cada povo em sua terra irá conduzir seu destino. Destino este que vai permanecer interligado até o fim dos nossos dias.
Eu estou me esforçando, tentem fazer o mesmo. Desta forma estaremos construindo um mundo melhor.
por Mauro Nadvorny | 16 ago, 2002 | Sem Categoria
A muito tempo que a esquerda procura saber como foi que o sonho acabou. É claro que muitos ainda acham que ele é possível, mas convenhamos que a parte de poucos lugares, os reveses tem sido maiores do que os sucessos.
Dizem que se o homem não for socialista até os 20 anos é porque não tem coração. Se continuar socialista depois dos 40, é porque não tem cabeça. O problema é que me olho com 44 e continuo me achando socialista. Terei perdido a cabeça?
O fato é que nos últimos anos desde o fim da União Soviética e da queda do Muro de Berlim, que a esquerda ficou totalmente perdida. Quando a poeira baixou, o que se viu foram países totalitários, atrasados, quebrados e o que era pior, o que se dizia com relação à falta de liberdade era totalmente verdade.
Talvez fosse a hora de se fazer um “mea culpa”. No mínimo, de se pedir desculpas pelos erros cometidos e retomar a luta por um mundo melhor, mais justo, humano e com liberdade. A favor da paz e da convivência pacífica entre os povos, apoiando aqueles que estivessem mais próximos destes ideais. Mas o que vemos é totalmente o oposto. A esquerda continua apoiando constantemente o lado errado. Sempre o mais totalitário como Cuba; o mais sanguinário como o Iraque de Sadam Hussein ou a Líbia de Kadafi, o mais retrogrado como a Coréia do Norte, etc.
Recentemente com o recrudescimento do conflito no Oriente Médio, pudemos perceber o quanto a esquerda consegue errar. De um lado Israel um país que foi criado com os votos dos países da cortina de ferro, que sobreviveu a sua independência graças a ajuda de armas da então Checoeslováquia comunista para fazer frente a 7 países árabes que invadiam seu território. Um país que deu ao mundo a experiência do Kibutz, até hoje a única experiência socialista que funcionou. A única nação democrática do Oriente Médio onde os partidos socialistas e comunistas são livres. De outro os palestinos que também tiveram seu país criado em 1947 mas que foi engolido em quase sua totalidade pelo Egito e pela Jordânia, que até 1967 poderiam ter criado sua pátria nos territórios que hoje reclamam: Gaza e Cisjordânia, mas não o fizeram. Um povo cujos irmãos detém a mercadoria mais preciosa do mundo: o Petróleo, mas que nada recebem além do incentivo a se tornarem mártires. Um povo que nunca conheceu a democracia, muito menos a liberdade.
Nestas condições a esquerda mais uma vez escolhe o lado errado. Ao invés de apoiar a convivência pacífica entre os dois povos, apóia um lado só: o palestino. Ao invés de apoiar a paz, apóia a justificativa de homens bomba se explodirem entre civis. Ao invés de incentivar o diálogo, incentiva o anti-semitismo. Age mais uma vez como uma sombra aos ideais humanistas de sua ideologia. Incapaz de enxergar um palmo adiante de seu nariz, aponta o dedo para um culpado: Israel, quando deveria apontar a palma da mão em sinal de parem! Parem israelenses e palestinos de matar gente inocente cujas vidas, perdidas para sempre, nunca mais irão poder fazer parte do mundo melhor que almejamos para toda a humanidade.
Triste esquerda, que durante 50 anos nunca fez nada para melhorar a vida dos refugiados palestinos que espalhados pelos países árabes que os acolheram, levaram uma vida de parias entre seus próprios irmãos. Um povo condenado a viver em campos de refugiados sem direitos de cidadania por parte de nenhum país árabe.
Onde estava a esquerda? Talvez ocupada demais como agora, procurando compreender onde errou. Pelo visto vai seguir procurando por muito tempo como um cachorro que corre atrás de seu próprio rabo,
por Mauro Nadvorny | 15 ago, 2002 | Sem Categoria
Este texto foi lido no último domingo (11/08) na abertura da Hora Israelita transmitido pela Rádio Bandeirantes AM.
A Hora Israelita, conhecido programa de rádio na comunidade, desde a muito se transformou no porta voz dos donos da verdade. Travestidos de rádio-jornalistas, os donos do programa se acham acima do bem e do mal. Usam e abusam do microfone para agredir, incitar ao ódio e demonstrar todo o seu preconceito contra aqueles dos quais discordam.
Isto não é e nunca foi uma política que nos honrasse ou nos engrandecesse. Ao fazerem suas críticas usam de toda a forma de subterfúgios para impedir o direito de resposta. Covardemente impedem toda e qualquer manifestação que não seja coerente com a sua linha política.
Domingo passado fui mais uma vítima desta gente. Não satisfeitos em criticar meu artigo “Não Somos Sharon!” que recebeu aplausos de todos os segmentos da sociedade judaica e não judaica, atacaram a minha integridade dizendo que eu seria um desqualificado.
Ao descer para o nível da agressão pura e simples, pensavam que mais uma vez ficariam impunes. Desta vez, não fui o único que se sentiu ofendido. A Rede Bandeirantes, numa atitude digna dos preceitos de liberdade de imprensa, ordenou a Hora Israelita que me fosse dado o direito de resposta.
Não vou ocupar o tempo dos senhores ouvintes com subterfúgios para devolver a ofensa recebida. Pelo contrário, vou apenas dizer, que assim como eu, milhares de pessoas ao redor do mundo estão solidárias com a busca da paz no Oriente Médio. Todas nós criticamos todos aqueles que se opõe à reconciliação entre o povo judeu e o povo palestino. Por isso não importa de que lado ele esteja, se for contra a paz, nós continuaremos a denunciá-lo.
Conclamo a todos os senhores e senhoras a se juntarem ao Campo Pacifista não aceitando mais o incitamento protagonizado por programas deste tipo. Não permitam que o povo judeu seja associado novamente ao racismo. Somos o povo do livro, um povo solidário, sofrido mas forte para se manter unido por milhares de anos. Temos nossas opiniões mas elas não nos tornam melhores e nem piores do que os outros. O respeito a nossa diversidade ideológica nos engrandece. O desrespeito nos enfraquece.
Por fim, quero desejar a todos aqueles que me enviaram seus cumprimentos pelo artigo, o meu muito obrigado. Espero estar assim, contribuindo para que a paz chegue novamente a nossa amada Israel.
Atenciosmanete,
Mauro Nadvorny
por Mauro Nadvorny | 14 ago, 2002 | Sem Categoria
Quando a paz chegar, e novamente pudermos viajar livremente pela terra santa, vamos poder rever os amigos que ficaram do outro lado da fronteira virtual do ódio. Gente que se conhece a dezenas de anos. Famílias conhecidas que foram separadas pela dor e pelo medo.
Junto com a paz, virão os turistas. Primeiro algumas dezenas. Logo centenas. E por fim milhares de pessoas vão voltar a visitar as belezas desta terra e os lugares santos. Com eles a economia irá voltar a promover postos de trabalho. As pessoas vão voltar a produzir e com o seu suor, trarão riquezas para Israel e para a Palestina.
A reconciliação irá mostrar tudo que temos em comum. Jerusalém será a capital de dois países. Os locais sagrados de cada uma das religiões monoteístas será preservado por pessoas indicadas por ambos os países. A cidade será um exemplo universal de respeito e tolerância para toda a humanidade.
Na primavera, quando cessarem as chuvas, vamos assistir a concertos dos maiores artistas mundiais. Todos virão se apresentar em solidariedade ao nascimento de uma nova era. Um tempo de harmonia. Com a deposição das armas o amor vai estar no ar.
No verão, com a temperatura aumentando, judeus e palestinos junto com os turistas, desfrutarão das praias de Gaza a Naharia. Nesta orla mediterrânea todos serão filhos do sol. Atividades marinhas e muita diversão para todos. Qualquer um será bem vindo.
A noite as ruas ainda estarão fervendo. As pessoas vão poder andar livremente, sentarem-se nas cafeterias, dançar nas boates, respirar o ar da liberdade que vai estar livre e solto pelo ar. A cordialidade de nossos povos vai cativar os visitantes. Ninguém mais vai sentir medo.
Os demais países da região, contagiados por esta felicidade, vão se engajar nesta corrente pela paz. Um grande mutirão pelo pleno reconhecimento de todas as nações da região irá criar o futuro Mercado Comum do Oriente Médio. Mercadorias vão poder transitar livremente e acordos de ajuda nas áreas médicas e de tecnologia propiciarão melhores serviços e progresso para os povos.
Todos os que eram nossos amigos, e todos aqueles que eram amigos deles, agora farão parte do passado. Todos agora nos respeitam como nações que souberam ultrapassar o fosso da discórdia do passado e construir a ponte da reconciliação para o futuro. Judeus e palestinos deixarão de ser povos primos para passarem a viver como povos irmãos.
Neste dia, uns poucos estarão inconformados, alguns extasiados e certamente muitos estarão ausentes. Todos estes seres queridos que estão perdendo a vida nesta violência que vem em ondas. Vítimas insubstituíveis do sentimento mais vil do ser humano: a vingança.
Quantos monumentos serão inaugurados para lembrar este período negro de nossa história? Talvez um. Apenas um único memorial que lembre todas as vítimas. Ali bem junto à fronteira de ambas as nações. Para que num único dia possamos relembrar os dias de vergonha, quando tiramos de nós mesmos nosso direito a vida.
Lá estarão os nomes de bebes, crianças, jovens, velhos, homens e mulheres que não estarão mais entre nós quando este dia tiver chegado.
Ajude a fazer com que este memorial não receba mais nenhum nome. Ajude a fazer deste dia de amanhã, o dia de hoje. Vamos acabar com esta guerra que está matando a todos nós.
Junte-se ao Campo da Paz.