O Terror Chegou ao Paraíso

O atentado ocorrido em Bali reforça o sentimento de que a maldade humana não tem limites. Tampouco encontra páreo no mundo animal. Uma bomba anônima tirou a vida de 187 pessoas inocentes de várias nacionalidades, entre elas a de brasileiros. Deixou cerca de outras 300 feridas. Ninguém assumiu a autoria deste crime.

Para mim que venho comentando a situação do conflito no Oriente Médio a vários meses, retratando o horror da barbárie que envolve israelenses e palestinos, assistir as cenas de Bali pela TV, trazem de volta o sentimento de repulsa aos assassinos responsáveis por cada morte lá ocorrida.

Quando a criminalidade alcança níveis insuportáveis, a população passa a apoiar propostas de Pena de Morte. Quando a democracia não consegue resolver a situação de caos, a população passa a dar ouvidos aos apelos de uma ditadura. A nossa autodefesa e o nosso sentimento de autopreservação costumam falar mais alto do que a razão.

No momento em que o terror passa a atacar indiscriminadamente em todos os lugares, vai se tornando cada vez mais difícil se condenar atitudes de força. Este é o caso do ataque programado por Bush ao Iraque. As pessoas deixam de se importar com as prováveis perdas de civis iraquianos em nome do combate ao terror. Ficam cegas ao sofrimento de todo um povo em nome de sua própria segurança.

O Campo Pacifista não apóia a Sadam Hussein ou seu regime ditatorial. Existem muitos outros como ele. Pode-se falar da Coréia do Norte ou de Cuba apenas como exemplos. No momento, a maior potência do planeta afirma que Sadam possui armas de destruição em massa. Mesmo sem apresentar provas irrefutáveis, está determinada a derrubá-lo. É justamente neste ponto que discordamos de Bush.

Acreditamos que a força é a última arma a ser utilizada.. Não aceitamos que uma nação tome a si a tarefa de patrulhar o planeta e apontar quem são os bons e quem são os maus. Todas as nações têm o direito de se expressar e para isso o melhor fórum ainda é a ONU. Mesmo com todas as suas dificuldades, este organismo reúne a quase totalidade dos países do globo terrestre. É preciso dar uma chance aos diplomatas e negociadores. Somente quando tudo isto tiver falhado, então cabe a ONU determinar as medidas cabíveis no interesse da maioria das nações. Até mesmo o uso da força.

Acabar com o terror sem acabar com a democracia é uma tarefa árdua. Como atacar aqueles que se valem dos valores mais caros de liberdade para tentarem destruí-la? Como realizar tal empreitada sem retroceder nos direitos civis? Qual pode ser o limite que devemos nos impor ao tratar com terroristas?

Todas estas questões nos levam a refletir sobre o papel de cada um de nós na construção de um mundo melhor. Quando condenamos os ataques terroristas perpetrados por grupos palestinos, ou ações de terrorismo de Estado perpetradas por Israel, colocamos a todos no mesmo patamar. Não podemos fazer concessões quando se atacam pessoas inocentes.

O mundo que desejamos não é um mundo em guerra ou de discórdia. Todas as diferenças devem ser resolvidas através do diálogo. Exemplos disso não faltam. A Europa acabou com suas guerras. A China recuperou Macau e Hong Kong sem disparar um tiro. O Líbano está sendo reconstruído.

Para poder se chegar a um entendimento são necessárias certas premissas: todos têm razão; é preciso relevar; não se pode trazer o rancor para a mesa de negociações; a paz se conquista com o entendimento e a confiança se constrói com a reconciliação.

Por isso, é neste momento em o terror continua atacando e a guerra do Iraque parece inevitável, que conclamo a todos a dizerem NÃO.

NÃO AO TERROISMO!
NÃO A GUERRA!

Meus sentimentos de pesar a todas as famílias enlutadas.

O Grito Que Não Quer Calar

(Uma Carta Aberta a Yasser Arafat e Ariel Sharon)

Já somos 300 crianças que a sua guerra matou. A maioria de nós são palestinas, 230. Outras 70 são israelenses. Muitas não sabem porque estão aqui. Foram retiradas repentinamente dos braços de suas mães ou dos carrinhos de bebes onde se encontravam.

Cada uma de nós tinha uma família. É verdade que alguns de nossos pais também vieram conosco, mas em geral somos órfãos. Perdemos tudo. Nossa família, nossos irmãos, nossos amigos e principalmente nosso direito à vida. A gente não pediu para vir ao mundo. Também não pedimos para sermos retirados dele com tamanha violência.

É difícil descrever o que uma bala faz ao entrar em nossos corpos. Também é estranho descrever o gosto que uma bomba deixa em nós. Tudo acontece muito rápido. A gente está respirando o ar da infância e no momento seguinte somos tragados pelo ar da maldade dos homens.

Os que já sabiam falar dizem que a dor é a mesma. Fica um tremendo vazio e tudo desaparece como que por encanto. Não importa a idade. Dias, meses ou anos. Vocês mataram o nosso e o seu futuro. Liquidaram vidas que ainda estavam se formando, e outras que recém haviam se formado. Ao nos matar, vocês assassinaram a si próprios.

Aqui onde estamos não existe dia ou noite. Não existe o céu e a terra. Não escutamos o barulho do mar ou dos animais. Nunca mais vamos poder ser tocados. Nunca mais vamos receber amor. A sua guerra nos atirou no silencio. O único ruído por aqui são das lágrimas que caem sem parar. São rios de lágrimas de 300 crianças que ninguém mais verá.

Nós não temos mais a chance de nos tornarmos adultos. Não vamos poder fazer nada para que nenhuma outra criança continue vindo para cá. Alguns dizem que se fosse para nos tornarmos adultos como vocês, então foi melhor termos sidos enviados para este lugar. Nenhum de nós deseja ser igual a vocês. Vocês foram o nosso último e pior pesadelo.

Aqueles que se explodiram, ou que atiraram com suas armas para nos enviar para cá são a conseqüência de sua teimosia. Vocês são a razão. Por sua culpa somos hoje apenas fotografias e lembranças na mente dos que ainda se recordam de nós. Vocês perderam toda a humanidade que um dia tiveram. Não podemos aceitar que seres humanos permitam que crianças sejam assassinadas em nome de sua guerra suja.

Vocês falam de paz, de segurança, de pátria e de justiça. Tudo o que sabem fazer é a guerra que mata e destrói a tudo e a todos. Vocês dividem irmãos, semeiam o ódio e a sede de vingança. Adoram a revanche e se vangloriam de seus atos. Saibam que estamos aqui por sua causa. Os que morreram por seus atos agora estão todos aqui no mesmo lugar. Somos todos iguais em nosso sofrimento. Uma só família. As vítimas de sua insanidade.

Um dia isto vai terminar. Nossos povos vão viver em paz lado a lado. Vão ser uma só família. Vão se lembrar destes dias terríveis com homenagens a nós. Não queremos que sintam pena do que nos aconteceu. Não queremos ser um nome em um memorial. Não aceitamos que continuem usando nossa memória para desculpar suas atitudes.

Queremos que parem de mandar mais crianças para este lugar. Que sequem os rios de lágrimas e que possamos encontrar a nossa paz. Paz que só virá quando vocês tiverem a grandeza de terminarem incondicionalmente com esta barbárie. Neste dia vamos poder finalmente descansar, e saber que nosso grito atravessou todas as dimensões, para chegar ao coração de israelenses e palestinos.

Este é o grito que não quer calar. O grito das crianças assassinadas por culpa de uma guerra sem vencedores. Que sua voz ecoe em todos os cantos de Israel e da Palestina. Que alcance os corações das pessoas e as faça refletir por um minuto que a paz e a reconciliação é possível. Que possa unir a todos em um minuto de silencio por elas que se foram para sempre. E por fim, que traga em um minuto a esperança de um mundo melhor para todo o sempre.

Em Nome das Vítimas

Meu nome é Yoram. Cheguei há poucos dias. Minha última lembrança é de estar olhando pela janela do ônibus. Depois veio um grande vazio e súbito me vi aqui. Ainda estou atônico com o que aconteceu. Percebi que outros que estavam comigo, chegaram ao mesmo tempo que eu.

Nasci em Israel. Minha família está aqui a muitas gerações. Tinha a idade do meu país. Estava casado com dois filhos. Um deles servindo no exército. A situação econômica estava me preocupando muito. Desde o inicio da segunda Intifada, as coisas haviam piorado. Meu negócio no centro de Tel Aviv já não ia bem. A queda no turismo estava sendo muito prejudicial aos negócios. Pela primeira vez tive de despedir dois empregados. Não sei o que farão agora sem mim.

Eu tinha muitos amigos árabes e palestinos. Nossas famílias costumavam se visitar durante as festas. Éramos amigos porque até onde podíamos lembrar, nossos avós e nossos pais o foram. Da mesma forma nossos filhos o são. Com toda esta confusão já fazia algum tempo que não nos falávamos. Vez por outra eu ligava pelo telefone perguntando se necessitavam de alguma coisa. Sempre me diziam para não me preocupar que tudo logo passaria e as coisas voltariam a ser como eram antes.

Ao andar por aqui encontrei um palestino de nome Mohamud. Conversamos e percebemos que daqui para frente tudo seria diferente. Eu nunca fui muito ligado à política. O que sempre me importou foram às propostas para melhorar o país. Achava que não era preciso anexar os territórios. Prestei durante muitos anos meu serviço militar anual em Tul-Karem.
Adorava o café com hortelã e o mingau doce feito com leite de cabra. Sempre achei que Israel poderia prosperar sem precisar manter os palestinos sob ocupação.

O meu nome é Mohamud. Cheguei por estes dias. A última coisa que lembro é a de estar andando pelo centro de Gaza.. Escutei o som de um helicóptero e em seguida um som como o de um assobio. Depois foi um grande vazio e me vi aqui. Não compreendo porque eu. Sei que todos os dias chegam outros. Acho que não deveria ter escolhido aquele dia para buscar emprego.

Nasci em Gaza. Minha família está aqui a muitos anos. Contam muitas histórias sobre ela. Dizem que vieram do que hoje é Yafo. Ajudaram a muitos refugiados judeus que chegavam à Palestina quando os Ingleses ainda estavam por lá. Acreditavam que seria criado um único país para judeus e palestinos. Veio a guerra e eles tiveram de deixar sua casa. Tiveram sorte de não ter ido parar num campo de refugiados. Em Gaza receberam ajuda das muitas famílias de judeus que haviam ajudado.

Eu estava desempregado a mais de um ano. Tinha acabado de me casar e minha esposa estava grávida de nossa filha. Com o inicio da Intifada os israelenses passaram a acreditar que todos os palestinos poderiam ser terroristas e me impediram de continuar trabalhando em construções. Eu tinha muitos contratos. Minha família nunca perdeu o vínculo com a Palestina.

Quando andava por aqui encontrei um israelense de nome Yoram. Começamos a conversar e percebemos que no lugar onde estávamos não havia mais retorno. Todos os nossos seres queridos, nossa família, amigos, tudo com o que sonhamos tinha se acabado para sempre.

Nem eu nem ele nos importávamos com a política. Eu achava que tudo isso ia acabar logo. Os líderes encontrariam uma fórmula para se entenderem e a vida poderia voltar ao normal. Achava que finalmente meu povo teria seu país e finalmente eu poderia dizer com orgulho, sou cidadão da Palestina. Eu era a favor de dois estados mas como a maioria de nós, não era atuante em nenhum grupo político.

Nunca mais voltaremos a olhar o mar. Nem o céu azul do mediterrâneo. Nossa terra agora é parte do passado que ficou para trás. Da mesma forma o somos nós. Sabemos a falta que faremos para nossas famílias mas não existe nada que possa nos levar de volta. Fomos mais duas vítimas desta guerra que está matando a todos nós.

Não sabemos do que nos culpam. Apenas não digam que estávamos na hora errada, no lugar errado. Porque lá era o nosso lugar e a hora era aquela. Talvez a hora de termos tido um minuto a mais para gritar bem alto: Parem com esta guerra. Queremos viver livres como cidadãos de dois estados. Em paz para curarmos as feridas e nos reconciliarmos. Vocês nos tiraram nossas vidas mas não destruíram nossa esperança. Ela é maior do que vocês.

Lamentamos por cada um que chega por aqui. Eles são o resultado de seu fracasso como líderes. Eles são a expressão de sua incompetência para terminar com esta barbárie. Não permitam que mais vidas sejam ceifadas em nome de sua teimosia.

Escutem ao menos o pranto dos que não podem mais estar presentes entre vocês. Negociem já, e tragam aos que ainda vivem a paz, agora.

Indiferença

A semana que passou nos brindou com mais atos de violência perpetrados pelos dois lados. Dois palestinos se explodiram em meio a civis israelenses, e Israel arrasando o QG da Autoridade Palestina, matou civis que protestavam contra o cerco a Arafat.

O fato novo é que Israel decidiu calar de uma vez tanto a radicais e moderados no campo palestino. Novamente foram fechados os escritórios de Sari Nusseibeh, presidente da Universidade de Al-Quds em Jerusalém Oriental. Mais uma vez, o Dr. Nusseibeh recebe o tratamento que Sharon dispensa aos palestinos que oferecem uma solução política para o conflito.

Tudo indica que Sharon já fez a sua opção. Aguarda pelo inicio da guerra contra o Iraque. Acredita que os palestinos irão apoiar novamente Sadam Hussein. Com isto poderá agir livremente com sua opção militar. Tentará consolidar a ocupação e destruir o sonho de dois estados vivendo em paz lado a lado. Pretende mostrar ao mundo que os palestinos continuam apoiando o terror. Portanto sua guerra contra eles é tão legítima como a dos americanos contra o Iraque.

Talvez isto não passe de uma visão pessimista do que ainda está por acontecer. Os fatos apontam para isso mas a realidade pode ser outra. A dinâmica dos acontecimentos podem levar a outro desfecho. Torço por isso por ser um otimista inveterado, mas não podemos nos iludir. Tudo está se encaminhando para a perpetuação do conflito. Não há solução política se avizinhando. Uma das razões disso tem nome: a indiferença.

O que está acontecendo é que a indiferença parece estar tomando conta da situação. Ninguém mais parece se importar com as mortes diárias de civis israelenses e palestinos. O mundo parece estar se cansando desta situação e as notícias repetitivas de assassinatos mútuos já não dizem mais nada. Parecem notícias velhas de pessoas que não querem se entender e preferem o auto-extermínio através de atos de terror que ceifam vidas e acirram o ódio, ao inicio de negociações que levem a paz e a reconciliação.

Assim sendo, todos perdem. Perdemos nossa credibilidade frente às nações e somos taxados de criminosos por todos. Palestinos por se utilizarem ações terroristas contra civis israelenses. E israelenses por utilizarem o terrorismo de estado contra os palestinos. A cada dia novas vítimas da mesma velha idéia. Aquela que acredita que um lado, mais cedo ou mais tarde, vai ceder a legítima demanda do outro. E nesta espera obstinada por quem vai ceder primeiro, mais de 2.600 vítimas não vão estar presentes quando este dia chegar. Mas o pior é que este dia nunca vai chegar. Não se trata de ceder, trata-se de compreender. Somos dois povos com o legítimo direito de viver em paz nas terras de nossos antepassados.

A indiferença para nossa tragédia vai fazendo de nós seres insensíveis à dor do próximo. Nos preocupamos exclusivamente com a nossa dor, como se ela fosse única e causada somente pelo outro. Deixamos de perceber que a dor está sendo causada única e exclusivamente por culpa de uma liderança incapaz de renunciar as armas. São eles, Sharon e Arafat que neste momento nos infligem uma guerra que está matando a todos nós. Sua incapacidade de renunciar ao rancor e a revanche de anos de beligerância, nos levam a acreditar que o outro é que tem a culpa pela situação, quando na verdade todos nós somos culpados pela situação em que nos encontramos.

O mais dramático nisso tudo, é que esta indiferença esta arruinando todos os preceitos éticos e morais nos quais estão baseados os alicerces de nossas religiões. Esta indiferença que está fazendo com que não mais nos importemos com o que acontece uns com os outros, e que faz com que está barbárie seja aceita como algo natural, vai levando os dois povos a descrença na justiça e na solidariedade. Se palestinos e israelenses se mostram indiferentes com o seu futuro comum, então nenhuma outra nação vai se importar conosco.

Por isso que nós do campo pacifista somos importantes. Não nos deixamos contaminar pela indiferença e somos antes de tudo a diferença. Somos os que continuam bradando do fundo de nossos corações para que parem a matança e nos devolvam a esperança. Somos o baluarte da razão sobre a paixão; do amor sobre o ódio; da tolerância sobre o preconceito; e da reconciliação frente o rancor.

Não sou indiferente. Eu me importo.
A paz é possível, faça você também a diferença.

Eles Não Desistem

Escrevo estas linhas ainda sob a dor e o impacto de mais dois atentados cometidos por homens bomba palestinos. Outra vez a covardia destas ações vitimaram 7 inocentes. O círculo de violência toma novo fôlego. Os inimigos da paz festejam seus atos insanos.

Em 30/08, ao escrever um artigo intitulado “Caminho Para a paz’, comentei sobre o fato de que nada estava sendo feito em favor do entendimento por parte de Israel. Dizia que as incursões cirúrgicas continuavam vitimando civis, e concluía que persistindo esta situação, novos atentados eram uma questão de tempo. Lamentavelmente foi o que aconteceu.

Nestas 6 semanas de relativa calma, o único movimento israelense foi o plano “Gaza + Belém Primeiro”, que não se sustentou pela absoluta falta de coordenação entre as forças de segurança dos dois lados. Sem estes encontros, para planejar os aspectos de segurança, o plano ruiu. Vale recordar que dois anos atrás, palestinos e israelenses patrulhavam em conjunto estas áreas.

Pelo lado palestino, foram marcadas eleições para o seu parlamento em janeiro de 2003. Arafat mais uma vez pediu o fim dos atentados contra civis em Israel. Mas como das outras vezes, suas palavras não conseguem se transformar em ações.

Como resultado dos dois últimos atentados, o exército israelense voltou a invadir os prédios dos escritórios da AP em Ramalah. Destruiu quase todos os prédios que ainda restavam exigindo a rendição de cerca de 20 homens procurados que estariam recebendo guarita no local. Mais violência, mais destruição e mais mortes.

Se tudo isso não bastasse para estragar o feriado Farroupilha, comemorado no dia de hoje no RS, tive o desprazer de receber uma mensagem dirigida a mim e outros membros do campo pacifista, acusando-nos de culpados pelos atentados e de sermos colaboracionistas. A mensagem escrita por um membro do Kibutz Bror Chail, traz a tona os ares de intolerância e ódio que vitimaram Itzhak Rabin. Segundo ele, depois de questionar porque o movimento pacifista não toma atitudes contra o terror diz textualmente… “Porque se calam? Onde está a sua dignidade, sua imparcialidade, sua honestidade? Esta é a paz que vocês pregam, a paz da liquidação e do extermínio de Israel.”

Esta gente em nada se difere dos grupos terroristas. Ambos lutam pela solução do aniquilamento de um lado como única forma de sobrevivência do outro. Os dois não aceitam a convivência pacífica entre os dois povos, nem mesmo a solução de dois estados lado a lado. Para eles, a violência se justifica. Sua luta é pretensamente pela justiça e pela liberdade de seus povos. Na verdade justificam apenas seus desejos de vingança e de revanche.

A direita radical israelense não aceita os palestinos como um povo. Sua própria identidade nacional é questionada. São jordanianos, árabes de outras nacionalidades etc. Os palestinos não existem e portanto esta terra é somente do povo judeu, assegurado por Deus. E neste pensamento, até mesmo a Jordânia nos pertence.

Eles acreditam que almejar a convivência com um povo inexistente, sob a sua ótica é ameaçar a existência do Estado de Israel. Na sua visão, condenar a violência e a morte de civis, de qualquer lado, é ser colaboracionista.

Realmente sou colaboracionista da paz e da reconciliação. Colaboro com o que posso para que os dois povos encontrem o caminho do entendimento. Repudio com toda veemência todas as atitudes de palestinos e israelenses que levem a mais mortes, destruição e desentendimento. Jamais vou me colocar ao lado dos que pregam a violência como meio de atingir seus objetivos escusos. Daqueles que pregam o ódio de irmãos contra irmãos.

Incapazes de atingir suas metas, deliciam-se com atentados e assassinatos de civis. Lançam homens como bombas, ou tanques com seus canhões para matar indiscriminadamente. As lideranças palestinas e israelenses, estão ambas comprometidas com a guerra.

O mundo precisa escutar a voz dos que já não podem mais gritar. A voz de mais de 2.600 vítimas perdidas nesta barbárie. Não se pode apoiar quem perdeu a razão. Esta é a guerra entre dois povos que perderam a razão.

Parem a matança, tragam de volta a esperança.

Apesar de Tudo

Há poucos dias forças de segurança do governo de Israel divulgaram uma decisão de se anexar unilateralmente a Tumba de Raquel a soberania israelense. Segundo os acordos de Oslo, este local deveria ficar numa Área A, sob controle total da Autoridade Palestina. Mais tarde, por pressão dos partidos religiosos, esta área passou a ser considerada como Área C, sob controle total de Israel. Agora, com planos para tornar o local como parte de Jerusalém, envolvendo a construção de estradas de acesso, Israel mais uma vez, vai de encontro às convenções internacionais e decide anexar território conquistado em guerra.

Quando religião e política se misturam, pode-se ter certeza de que as conseqüências não serão boas. É evidente que todos devem ter acesso aos lugares sagrados para suas religiões. Ninguém pode ser impedido de rezar de acordo com as suas crenças. Isto não significa, no entanto, que uma crença deva submeter às outras aos seus ditames. Quando um local é sagrado para mais de uma religião, uma negociação pode encontrar os meios de satisfazer a ambas. Isto já existe no Monte do Templo e em várias igrejas cristãs de Jerusalém.

A questão aqui é o quanto o atual governo depende dos partidos religiosos para se manter no poder. Mais do que isso, até onde ele está disposto a ceder para estes partidos. Toda vez em que preceitos religiosos ditaram políticas de governos, o saldo foi de guerras, morte e destruição.

Por outro lado, tivemos notícia de que Foguetes Kassam 3 foram disparados da Faixa de Gaza para Israel. Estes foguetes têm o poder de destruição pouco maior do que uma granada. Esta última versão tem um alcance de cerca de 8 km. Sua utilização é exclusivamente para terrorismo. Como não pode ser teleguiado, uma vez lançado sua queda é sempre em locais incertos. Caindo em regiões habitadas ele causa mortes indiscriminadas.

Todo o esforço para implementar o Plano Gaza + Belém Primeiro foi comprometido. A condenação do terror contra civis feitas por Arafat, de nada serviu. As forças do quanto pior melhor, continuam ditando a política na região. O serviço de segurança palestino não consegue impedir o terrorismo. Com isto, o exército israelense volta a entrar em cena e destrói Metalúrgicas e Oficinas que podem servir como locais de fabricação e montagem destes foguetes.

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Ao menos momentaneamente a ameaça de invasão eminente do Iraque parece estar afastada. Com a autorização para a volta dos inspetores de armas da ONU, que irão inspecionar instalações do país, Sadam Hussein ganha um pouco mais de prazo para salvar sua pele. Os EUA terão de aguardar o trabalho da ONU para decidir qual o próximo passo. Isto não vai impedir que a máquina de guerra continue se movimentando. Bush está decidido a derrubar Sadam, o que ele precisa agora é apenas de outro motivo.

Recentemente eu dizia que esta guerra seria péssima para a reconciliação entre israelenses e palestinos. Não mudei de opinião. Mas quanto a Sadam, confesso que o mundo seria um lugar melhor de se viver sem a presença dele à frente de um país. No entanto, está mais do que na hora de fazer com que a ONU assuma seu papel frente a estas e outras questões que envolvem a sobrevivência da vida humana no planeta. Os EUA não podem receber o papel de polícia mundial. Desta vez, a voz das nações venceu o primeiro round.

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Passado o Dia do Perdão Judaico (Yom Kipur), e tendo sido zerado os acontecimentos do ano que passou, mais uma vez se enchem de esperança os corações de todos aqueles que almejam a paz e a reconciliação. Talvez agora, possamos convergir para o entendimento, guardar as armas e ver nossas lideranças sentarem-se novamente a mesa de negociações. Não faltam razões e motivos para que isto não aconteça. A paz é possível e está novamente a nosso alcance. Cabe a nós, homens e mulheres de boa vontade, somarmos forças e nos unirmos no objetivo de torná-la uma realidade.

Cada um a sua maneira pode fazer algo. Uns escrevendo artigos em favor da paz, outros conversando e ajudando a divulgar ações de paz. Outros não divulgando e cortando correntes que buscam difamar aos dois povos. Programas de computador que incitam ou defendem o ódio não merecem ser espalhados. Tampouco apresentações que defendem a um ou a outro em nome de razões históricas e/ou religiosas, mas que inevitavelmente tentam demonstrar que o outro lado não tem direito a sua autodeterminação.

A partir de hoje, ajude a divulgar mensagens que mostrem que um mundo melhor é possível. Dois povos vivendo em paz lado a lado. Este é o único caminho.