por Mauro Nadvorny | 10 nov, 2002 | Sem Categoria
Pode-se falar sobre várias facetas do conflito palestino-israelense. Ao final, invariavelmente é preciso se falar da causa: a ocupação. Fugir deste tema é continuar tapando o sol com a peneira.
Todas as ações e reações desenvolvidas pelos dois lados têm a mesma origem. Israel ocupa militarmente e politicamente um território conquistado em guerra. Todas as convenções internacionais proíbem o ocupante de tomar ações que tragam prejuízos a população civil, e não é preciso lembrar o que está sendo feito para proteger 200 mil colonos ilegais nos territórios.
Existe uma falácia absurda de que a ocupação é a única forma de proteger o país contra o terrorismo. Isto talvez sirva para os incultos ou religiosos fanáticos que acreditam que Deus nos passou recibo de todas aquelas terras, incluindo a Jordânia. Mas não convencem a mais ninguém. Qualquer pessoa isenta que leia sobre a origem do conflito, vai chegar a conclusão óbvia de que a permanente ocupação é a causa do atual conflito.
Até poucos anos, quando praticamente a totalidade da liderança palestina pregava a destruição do Estado de Israel e a sua substituição por um Estado Palestino, era compreensível a visão militarista de defesa da integridade do país. Esta visão, dizia então, que era necessário preservar estes territórios, a fim de não permitir o surgimento de mais um país inimigo junto a nossas fronteiras. Pior, um país inimigo que pretendia a nossa destruição e negava-se a aceitar nosso direito de existir.
Como tudo na vida, o tempo tratou de mostrar que este espírito destrutivo não traria resultado algum para o povo palestino. Seu líder passaria o resto de sua vida batendo em ponta de faca. Seu povo ficaria destinado a continuar como parias nas sociedades dos países que os acolheram, inclusive Israel.
Mas novamente o tempo, o senhor da razão, mostrou que o até então impensável era possível. A grande maioria do povo palestino, e de sua liderança, abdicou da destruição do Estado de Israel. Ao invés de sua substituição por um Estado Palestino, concordou na criação desta nova nação nos territórios ocupados. Dois estados para dois povos, este foi o compromisso pragmático e realista.
Parece lógico, simples e perfeitamente compreensível que a permanência dos assentamentos nos território destinados ao Estado Palestino, significa um entrave intransponível para a paz. O terrorismo de hoje não é o mesmo dos anos 60, 70 e 80. Seu objetivo não é mais a destruição do estado de Israel, como querem nos vender a direita israelense. O terrorismo de hoje é causado pela ocupação. Nada o justifica. Ações contra civis são crimes contra a humanidade. No entanto, o terrorismo palestino e o terrorismo de estado se fazem presentes neste momento de forma igual.
A ocupação trouxe, e continua trazendo conseqüências que vão custar longos anos para serem reparadas. Desde problemas psicológicos de toda ordem passando por problemas sociais e culminando nos econômicos. Os dois povos estão sofrendo um empobrecimento sem precedentes. Em Israel mais de um milhão de pessoas estão vivendo em condições de pobreza. Nos territórios, onde a situação é ainda pior, não fosse a ajuda de organizações internacionais, estaríamos diante de uma catástrofe humanitária.
Diante do quadro de eleições que vão ter lugar nos próximos meses, nos territórios e em Israel, o tema da ocupação irá tomar a ordem do dia nas discussões e propostas de todas as lideranças políticas. Inevitável que se apresente o preço que todos estão pagando pela insistência em se manter colonos em terras ocupadas.
Esta chaga que corrói a moral e a ética do povo judeu precisa ter fim. Chegou a hora de políticos responsáveis virem a luz do dia fazerem a mea culpa e proporem soluções viáveis que levem a paz. Com ela, e a reconciliação, ambos os povos poderão voltar a desenvolver-se sócio, político e economicamente.
Fala-se muito no resultado das pesquisas que apresentam um quadro sombrio de vitória dos partidos da direita israelense, e o conseqüente prolongamento e acirramento do conflito. É possível. Mas vale lembrar que de acordo com as pesquisas Begin jamais teria sido eleito e Shimon Peres teria vencido Bibi. Portanto ainda é muito cedo para se fazer previsões.
Todos os homens de bem tem um importante papel a desempenhar. Ajudar a palestinos e israelenses para que eleja homens e mulheres comprometidos com uma solução justa que ponha fim à barbárie e traga a paz.
Eu conclamo a todos, judeus, palestinos e amigos dos dois povos, para que escrevam a seus amigos e parentes que lá vivem, palavras de apoio. Que desejem a eles um voto comprometido com o fim do estado de beligerância. Um voto que comprometa o fim da ocupação e dos atos de terrorismo.
Votem agora por uma chance a paz.
por Mauro Nadvorny | 4 nov, 2002 | Sem Categoria
Hoje, 4 de novembro faz 7 anos desde o assassinato de Itzhak Rabin. Para mim, neste dia teve inicio a Intifada. Foi quando a paz e a esperança de convivência pacífica, acordada em Oslo, foi ferida de morte por um israelense chamado Igual Amir.
Rabin combatia o terrorismo como se não existissem os acordos de paz. Da mesma forma, empenhava-se para cumprir os acordos como se não existissem terroristas. Infelizmente os que o seguiram não aprenderam esta singela lição.
Os governos seguintes de Peres, Nathaniau, Barak e Sharon foram uma sucessão de trapalhadas e descumprimento dos acordos assinados. A semente da intifada plantada pela bala assassina de Igal Amir, floresceu no ano 2000. A visita de Sharon ao Monte do Templo apenas retirou o manto sobre ela.
Nunca na história da humanidade pudemos ser observadores diários de uma explosão de ódio e intolerância previsível até mesmo pelo mais alienado dos espectadores. Cada ato de violência é seguido de outro. Aplica-se o Código de Hamurabi ao pé da letra. O círculo vicioso se retro-alimenta com o desejo de vingança, e assim está até os dias de hoje.
Também está claro que ninguém pode afirmar que com Rabin as coisas teriam sido diferentes. Podemos, isso sim, dizer que com seus sucessores foi um desastre. Israel foi se isolando cada vez mais, sua economia florescente se abalando com os indicadores econômicos indicando recessão com desemprego, e o país se deixando levar cada vez mais para a direita intolerante.
Finalmente o governo Sharon, que prometia paz e segurança, perde agora seu maior partido de apoio. Justamente seu rival histórico que aceitou uma coalizão de unidade nacional, abandonou o governo. Sharon terá que decidir se convoca novas eleições ou se alinha mais à direita com partidos xenófobos ultranacionalistas.
Acredito que o melhor caminho seja a antecipação das eleições. Já disse isto antes. É o momento das forças políticas se reacomodarem. Na esquerda poderia surgir um novo partido social-democrata que englobaria entre outros, o Meretz e a dissidência do Partido Trabalhista. Na direita, o embate entre Sharon e Nathaniau traria conseqüências imprevisíveis.
Este é o momento em que o país terá de fazer uma profunda reflexão sobre o seu papel político na região, seu futuro como nação democrática e como a única pátria judaica no mundo.
O país tem diante de si enormes desafios. Todos eles implicam na necessidade de viver em paz com seus vizinhos. Sua integração na região, a construção e manutenção de uma sociedade democrática, e principalmente sua condição de única nação judaica, tornam o fim do conflito a única opção para estas realizações.
A tragédia do assassinato de Rabin se faz sentir até os dias de hoje. Ninguém mais como ele, percebeu o quanto a criação do Estado Palestino é a condição para a própria sobrevivência do Estado de Israel, e não a razão para o seu desaparecimento.
Infelizmente ele não está mais entre nós. Tampouco seus ensinamentos são levados em conta. Por isso, a chance de novas eleições em Israel e nos territórios, traz novas esperanças. Talvez a grande discussão que farão os dois povos, determine o surgimento de lideranças comprometidas com a pacificação e a reconciliação, como queria Rabin.
por Mauro Nadvorny | 30 out, 2002 | Sem Categoria
Finalmente o Partido Trabalhista está deixando a coalizão de unidade nacional que deu sustentação a Ariel Sharon durante 20 meses. Depois de uma longa discussão a respeito do orçamento 2003, a falta de um acordo com respeito à divisão de fundos para as colônias, cidades em desenvolvimento e os kibutzim, fizeram com que Bem- Eliezer anunciasse a saída do governo.
Pessoalmente acho que este é um grande dia. Principalmente se as eleições forem antecipadas para o inicio do ano que vem. Desta forma, teremos eleições nos territórios e logo em seguida em Israel. Novamente a paz terá uma chance.
Já há algum tempo eu vinha batendo na tecla das eleições. Dizia da importância de se submeter à vontade popular, os desígnios deste conflito. Finalmente os dois povos terão a si, o direito da escolha entre continuar o estado de guerra elegendo líderes que se opõe à paz, ou dar uma chance ao entendimento e a reconciliação.
Desde já se podem prever as tentativas de agravar o conflito por parte dos grupos radicais. De um lado os colonos farão o possível para tornar a vida dos palestinos nos territórios um inferno. Vão continuar a roubar as colheitas, incendiar árvores e basicamente se recusar a sair de qualquer posto ou colônia, seja ela legal ou não. De outro, os grupos radicais palestinos vão tentar provocar o maior número de atentados possíveis. Novamente vamos assistir a ondas de homens bomba se explodindo entre civis.
Um clima como este, certamente manterá no poder as forças que se opõe a paz. Tanto palestinos, como israelenses elegeriam aqueles que prometem sonhos e ilusões. Uns vão garantir a verdadeira paz com segurança e outros um Estado Palestino Independente e soberano. Infelizmente nada disso irá acontecer.
Para forçar uma mudança real no rumo dos acontecimentos, somente uma mudança de atitude. Nenhum dos povos pode permitir que as minorias radicais continuem ditando a política. É preciso conscientizar as populações de que toda atitude destrutiva deve ser condenada e rejeitada por todos. Somente isolando-se os grupos minoritários que se opõe a dois estados para dois povos, será possível afastar a direita do poder em Israel, e a liderança corrupta palestina da AP.
O Campo Pacifista terá muito trabalho pela frente. Estas eleições poderão decidir o fim da carnificina, ou o aumento descontrolado da violência. Milhares de vidas poderão ser poupadas se os dois lados conseguirem afastar seus fantasmas e seus temores, elegendo partidos comprometidos com uma solução pacífica e negociada.
As primeiras pesquisas que ainda refletem o clima de intransigência apontam a vitória esmagadora das forças conservadoras. Isto pode ser revertido com muito esforço de parte a parte. Para isso, todas as pessoas de bem podem cooperar. Basta procurarem apoiar os esforços dos grupos e partidos que lutam pela paz negociada e denunciar todos os crimes cometidos pelos dois lados.
Os dois povos precisam compreender que esta guerra está matando a todos nós. Portanto todos estamos a favor do fim da barbárie marcada pelo circulo vicioso do ódio e da revanche.
Novas eleições reascendem as esperanças de um mundo melhor para israelenses e palestinos. Dêem uma chance a paz.
por Mauro Nadvorny | 21 out, 2002 | Sem Categoria
Ao aguardar 24 horas para comentar a desocupação de Hevat Gilad, deparo-me com uma triste notícia: um atentado contra um ônibus no norte de Israel, vitimou 8 civis e deixou dezenas de feridos. Mais uma barbárie que se soma a tantas outras. Meus respeitos às famílias por suas perdas.
Hevat Gilad talvez entre para a história. Pode ser que seja a primeira colônia (ilegal) desmontada pelo governo de Israel. Neste caso, o exército agiu de acordo com a lei. Retirou cerca de 1000 manifestantes, a maioria colonos de direita, que tentaram resistir ao desmantelamento. O confronto deixou cerca de 30 feridos.
Pela primeira vez em muito tempo, gostaria de cumprimentar o governo pela sábia decisão. Espero que esta tenha sido a primeira de uma série que só terminará quando todos os colonos tiverem sido retirados e todas as colônias desmanteladas.
Esta colônia inexpressiva teve um grande simbolismo. De um lado a determinação da direita radical em assumir o “direito inalienável” do povo judeu a grande Israel. De outro o Campo Pacifista que enxerga nas colônias um entrave às negociações de paz.
Seria muita ingenuidade achar que o governo israelense esteja incorporando as idéias pacifistas e que pretenda desmantelar todas as colônias ilegais, e posteriormente as ilegais. Mas um recado acaba de ser dado. O governo vai cumprir suas decisões, mesmo que para isso seja necessário o uso da força. Até então, o uso dela estava restrito a repressão de atividades pacifistas.
O que aconteceu tem muito a ver com a disputa pelo poder dentro do partido trabalhista. Ben Eliezer que pretende concorrer à indicação de líder do partido, resolveu dar uma demonstração de força para saciar a ala “pomba” do partido. Se o resultado lhe favoreceu ainda não sabemos. Por hora, estamos felizes que finalmente um pequeno passo tenha sido dado.
Mesmo que o carro bomba que explodiu ao lado do ônibus não tenha uma relação direta com Hevat Gilad, não se pode esconder o fato que este atentado será explorado pela direita como uma prova de que a cada passo que Israel retrocede, os palestinos avançam com o terror. De nada irão servir as explicações que lembrem os recentes massacres de Rafia e Gaza. A dinâmica do Oriente Médio se move rapidamente em direção às revanches e vinganças.
Mais uma vez, os radicais comemoram sua vitória. Até parece que a Jihad coordenou esta ação com os colonos. Não fosse impossível, diria que uns estão ajudando aos outros. Novamente alimentaram o circulo vicioso do ódio. A conseqüência esperada e desejada por eles, será a paralisação da retirada das colônias (os colonos agradecem) e a retomada das ações de agressões contra civis (os radicais agradecem), que elevam a espiral da violência e reprimem o Campo Pacifista (a direita agradece).
Talvez fosse o momento do governo israelense e da AP tomarem medidas que surpreendam a todos nós. O governo israelense poderia surpreendentemente dizer que não irá se deixar intimidar por estas ações e manter o desmantelamento das colônias. A AP poderia nos surpreender e reprimir os responsáveis por mais este crime, tomando ações que levem ao desmantelamento das redes terroristas.
Se cada lado tivesse uma ação positiva, seria possível quebrar este circulo vicioso de ataques e revanches. Os radicais de ambos os lados receberiam um recado claro de que suas ações não serviriam mais para balizar as atitudes bélicas das autoridades. Desta forma, se daria um grande passo rumo ao entendimento, abrindo o caminho para o retorno a mesa de negociações.
por Mauro Nadvorny | 18 out, 2002 | Sem Categoria
Mais uma operação com a assinatura de Sharon deixa 8 palestinos mortos em Gaza. Mais uma vez civis, entre eles crianças, são atingidos pela incompetência do exército israelense. Logo o exército com os preceitos éticos e morais mais elevados do mundo, segundo o próprio Sharon teria dito ao presidente Bush.
A cada dia fica mais clara a intenção de Sharon em manter o estado de guerra indefinidamente. A razão disso é muito simples. Com um acordo de paz ele não permaneceria no poder um dia sequer. A economia está em frangalhos. O país está ficando a míngua. Investidores internacionais fogem de Israel. Produtos israelenses começam a ser boicotados nos mercados europeus.
Sharon precisa da guerra, assim como Arafat precisa do Hamas. A manutenção de Arafat no poder acontece unicamente por sua liderança na condução de seu povo rumo a um Estado Palestino. No dia em que surgir o Estado, Arafat ficará desempregado, e sem o poder. O Hamas mantém o terrorismo, logo não haverá paz.
O conflito hoje a despeito de todas as soluções apresentadas, permanece pela obstinação de dois líderes pelo poder. Sacrificam seus povos numa guerra bárbara e sanguinária em nome do poder. Fazem tudo para fomentar o ódio e assim se manterem em suas cadeiras rodeados pelo poder.
Já não é mais possível disfarçar o que ocorre nos territórios. Os colonos que mantinham o exército a seu serviço, agora desrespeitam até mesmo o ministro da defesa, quando reocupam terras de onde haviam sido retirados. Na verdade tudo não passa de um lindo teatro. O exército finge que retira os colonos, e os colonos fingem que o exército não os mandou sair de fato de Chavat Gilad.
Como se a subserviência do exército aos colonos não fosse suficiente nos territórios, em Gaza uma desastrada operação faz com que 3 tiros de tanque sejam disparados diretamente conta casas no acampamento de refugiados de Ráfia. Segundo fontes palestinas tiros para o alto foram disparados durante um funeral, como é de costume. Os soldados imaginando que estavam sendo o alvo, resolveram abrir fogo disparando com um tanque de guerra. Como não se pode confirmar qual das duas versões é a verdadeira, fica-se apenas com o resultado: mais civis mortos através de uma retaliação desproporcional por parte do exército israelense.
O Hamas, como faz habitualmente, já ameaçou vingar as mortes. Pode-se esperar por atentados em algum lugar a qualquer momento. Mais vítimas civis.
Quem ganha e quem perde com estas ações? Os grandes vencedores são Sharon e Arafat. Sharon porque finge que mantém a segurança de Israel, e Arafat porque finge que vai alcançar um Estado para o povo palestino. Mas os maiores perdedores somos todos nós. O povo israelense e o povo palestino. Todos perdem porque acreditam nestes líderes.
Cada dia perdido tem um nome. O nome deste dia leva todas as letras dos mortos pelo terrorismo de ambos os lados. As vezes ele é mais comprido que no dia anterior, outras vezes menos. Mas não passa um dia sequer em que ele não tenha algumas letras. São letras de nomes de homens, mulheres e crianças atingidas pelo apego ao poder destes líderes.
Tudo isto vai passar porque não perdemos a esperança. Depois de cada dia perdido surge um novo dia e com ele se renovam nossas forças para que ele seja o dia do fim da guerra. Talvez amanhã, ou depois de amanhã, mas com certeza logo chegará.
por Mauro Nadvorny | 17 out, 2002 | Sem Categoria
Lá vai ela, linda passeando por todos os lugares. Sua beleza é indescritível e varia aos olhos e mentes de cada um. Tem a cor do arco-íris que desejarmos. Possui uma áurea que a eleva acima de tudo e de todos.
Quando penso nela sinto o conforto que ela proporciona não apenas a mim, mas a todos os homens e mulheres espalhados pelo planeta. Cada um de nós vê nela uma oportunidade. Será que isso significa que nos aproveitamos de forma egoísta de tudo o que ela é capaz? Não sei, mas creio que não. Ela sabe disso e não se importa.
Sua bondade alcança a todos. Não importam suas crenças, ela não faz distinção de credo, cor, sexo etc. Nenhum preconceito em sua alma. Por isso poderia se dizer que ela é uma das poucas unanimidades para todos os homens. Em qualquer idioma sabemos como invocá-la.
Pode-se ser um crente em Deus, ou um completo ateu. Nela qualquer um acredita.
Às vezes me vejo questionando se não é por ela que continuamos a viver. Com certeza continuamos sobrevivendo dia após dia por sua intervenção. Nem todos a desejam. Muitos até gostariam de vê-la desaparecer. Tentam de todas as formas afastá-la de nós. A culpam por nossos fracassos e dizem que por causa dela perdemos a razão.
Eu penso que eles estão errados. Podemos fracassar uma, duas, mil vezes que ela sempre estará conosco ao nosso lado. Sempre terá uma palavra de conforto e irá tentar nos devolver o ânimo necessário para mais uma tentativa. Se ela é incapaz de desistir, então em nome dela temos o dever de seguir tentando.
Quando finalmente atingirmos nosso objetivo, não pensem que ela irá nos abandonar. Ela é como o ar que respiramos. Sempre vai estar presente porque todos os dias temos novos desafios a enfrentar. Alguns tão simples que ela nem chega a intervir. Outros tão complexos que até ela deve se cansar. Se isto acontece, não demonstra. Permanece firme porque tudo na vida tem uma solução.
Com ela somos capazes de dobrar o improvável, alcançar o inexpugnável, conquistar o inatingível, e realizar o impossível. Não existe nada que não possa ser resolvido quando ela está presente. Ela afasta de nós o cansaço, a tristeza e o desânimo.
O que seria de nós sem ti, sempre linda e maravilhosa a nos iluminar o caminho, mesmo na pior das escuridões. Tua infinita compaixão por nós faz com que a vida tenha um sentido. Tu és soberana no reino da paixão.
Por isso fica comigo e com todos nós que acreditamos na paz e na reconciliação entre israelenses e palestinos. Segue vertendo tua energia em nossos corações para que possamos vencer juntos todas as adversidades. Continua mantendo nossos corações unidos em ti, minha amada e doce Esperança.