por Mauro Nadvorny | 9 dez, 2002 | Sem Categoria
O último tiro ecoou por toda a região. Depois dele, foi assinado um acordo de paz e as armas silenciaram.
O último tiro foi disparado não se sabe por quem, e causou a última morte do conflito. Poucos se lembram do nome da vítima. Sequer se era israelense ou palestino.
O último tiro, tirou a vida de um ser humano que não pode estar presente as comemorações de paz. Não escutou os hinos nacionais de Israel e da Palestina ao final do encontro. Tampouco pode ver a cena do aperto de mãos transmitido para todo o mundo.
O último tiro ficou esquecido para sempre. Uma vida foi esquecida junto com ele. Pobre ser humano cuja memória apagou-se junto com a bala.
O último tiro marcou ao mesmo tempo o fim e o inicio de uma nova era. O fim de um conflito bárbaro que vitimou desde bebes de poucos meses, até os mais velhos com idade de 95 anos. Mas marcou também o inicio de um tempo de reconciliação que todos pensavam, jamais chegaria.
O último tiro representou a morte indiscriminada dos sonhos e desejos de milhares de pessoas. No entanto foi incapaz de matar a esperança de outros tantos que a protegeram e alimentaram durante toda a guerra.
O último tiro trouxe o fim das batalhas, que lançaram irmãos semitas contra irmãos semitas. Israelenses e Palestinos que tantos tiros dispararam uns contra os outros, deram um basta ao círculo de violência. Todos tiraram o dedo dos gatilhos.
O último tiro fez aparecer o sol sobre a noite escura. Escondeu a tristeza que cedeu lugar à felicidade. Recriou o sorriso nas faces onde residia o choro. Ainda assim fez cair um mar de lágrimas, mas que desta vez eram de felicidade.
O último tiro levou consigo o passado de vinganças e revanches. Agora será possível imaginar um novo mundo. Um mundo melhor para todos os povos do Oriente Médio.
O último tiro partiu sem deixar saudades.
Vamos todos imaginar, mesmo que por alguns instantes, que ao lermos este texto, alguém tenha disparado o último tiro. Se a maioria assim desejar, logo será possível. Eu estava desejando enquanto escrevia e relia. Que tal desejar também?
por Mauro Nadvorny | 28 nov, 2002 | Sem Categoria
É preciso ter estomago para ler os jornais de Israel ultimamente. Se ontem em uma única notícia eu me informava de 5 palestinos mortos, hoje em duas notícias fico sabendo da morte de 9 israelenses (3 no Quênia e 6 em Beit-Shean). O conflito continua cobrando vidas, agora dentro e fora de Israel.
Desta vez li pensando neste fenômeno dos suicidas. Não se tratam exclusivamente de palestinos. No ataque de 11 de setembro nos EUA, eram sauditas, libaneses e marroquinos. Antes deles, japoneses terroristas do Exército Vermelho atacaram o aeroporto Bem Gurion em Tel-Aviv em 1972, sabendo que seriam mortos. Também recentemente, Baruch Goldztein um colono israelense descarregou sua metralhadora contra um grupo de palestinos que vinham rezar na Tumba de Raquel. Sabia que seria morto ao terminarem suas balas. Foi a sua maneira de suicidar-se.
O povo árabe é responsável por um período de grande progresso para toda a humanidade. Foram eles os inventores do telescópio (Abul Hasan), relógio (Kutbi) e escreveram inúmeros tratados de medicina etc. Sob o império Turco-Otomano judeus e cristãos tinham liberdade de credo e conviviam pacificamente. Não podemos achar que todo árabe ou muçulmano seja um terrorista.
Na era moderna, os primeiros suicidas foram os kamikazes japoneses. Pilotos jogavam seus aviões contra navios aliados. Até os dias de hoje, se diz que este ato poderia ser explicado pela doutrina militarista japonesa. Os pilotos aceitavam dar a vida pelo imperador e pela pátria. Por via das dúvidas, o combustível não permitia ao avião retornar a base.
Em algumas situações, soldados partem em missões, chamadas de suicidas devido a sua periculosidade. No entanto, nenhum deles pensa em morrer. Querem completar a missão e voltar para casa.
Os homens bomba que partem para a morte em missões suicidas, são como os kamikazes japoneses. Tem consciência de que vão morrer para completar sua missão. Sua única chance de sucesso, é justamente não voltar para casa. Mas há uma única diferença: os kamikazes saiam em missões militares, e os homens bomba partem, normalmente, em missões de massacres de civis.
Por estes dias, assistimos na televisão uma cena chocante. Uma acompanhante contratada para cuidar de uma senhora de 92 anos, barbarizou a pobre mulher. No mesmo dia, levada para um hospital, não resistiu ao traumatismo craniano e veio a falecer. Todos se perguntaram como era possível um ser humano fazer uma coisa destas com uma idosa de 92 anos!
Devido ao meu trabalho profissional, tenho visto e escutado cenas não menos chocantes. Nesta semana revisando um material apreendido com um pedófilo, vi cenas de homens praticando sexo com crianças de 2, 4 e 9 anos. Que ser humano é capaz de fazer isto com uma criança?
Quem não lembra das cenas de horror em Sarajevo, onde atiradores disparavam contra qualquer um que tentasse atravessar uma rua? Ou as cenas de Tutsis massacrando Hutus? Nem é preciso recordar os campos de extermínio nazistas.
Enfim, acreditem, o ser humano é capaz de praticar qualquer ato contra o seu semelhante. Desta forma, cometer um ato de suicídio a fim de matar o maior número de inocentes começa a ser compreensível.
Jogar um avião repleto de passageiros contra um prédio, um carro carregado de explosivos contra um hotel, explodir-se dentro de um ônibus ou uma cafeteria, são atos com o mesmo denominador em comum: massacrar civis em nome de uma causa.
É praticamente impossível deter um suicida. Somente um serviço de inteligência e informações consegue algum sucesso. Mesmo assim. ao deterem um deles, outros estão sendo formados para o mesmo propósito.
Este tipo de arma cumpre dois papéis. O primeiro é o de causar vitimas, o segundo é o de alimentar o ódio que por sua vez, abastece o sentimento de vingança que então irá criar novos homens bomba.
A única forma de quebrar este circulo vicioso é deter os atos de vingança, que vão fazer com que diminua o ódio, que então não alimentará mais o surgimento de novos homens bomba. Não é uma tarefa fácil, mas tampouco impossível.
Um passo para isso, seria diminuir os pontos de atritos causados hoje pela ocupação. A retirada das colônias e conseqüentemente das forças militares que lá estão para protegê-las, aliviaria sensivelmente a pressão. Este é um passo decisivo para que palestinos e israelenses voltem à mesa de negociações.
O mundo não pode ficar refém de assassinos covardes. Temos de ser mais responsáveis e dignos de nossa posição como seres inteligentes. Sendo capazes de qualquer ato contra nossos semelhantes, que tal um ato de aproximação e paz? Porque não renunciar as armas e decidirmos as diferenças mediante o diálogo?
Alguém tem de dar o primeiro passo. Espero que israelenses e palestinos tenham a grandeza e a honradez para isso. Eu acredito que sim.
por Mauro Nadvorny | 27 nov, 2002 | Sem Categoria
Todos conhecem histórias de famílias que se odiaram por gerações. Eternas inimigas, talvez as mais famosas tenham sido as Montague de Romeu, e Capuleto de Julieta, cuja tragédia mostrou as conseqüências do amor e do ódio.
A tragédia do conflito entre palestinos e israelenses tem muito destes dois componentes. São dezenas de histórias de amor, e de ódio, que se confundem na paisagem dantesca de morte e desolação em que se encontram.
Hoje numa única reportagem do Jornal israelense Ha’aretz, contei referências a 5 palestinos mortos nas últimas 24 horas: 1 em Nablus, 2 em Jenin, 1 em Nassanit e 1 em Askar. Cada um deles perdeu a vida em diferentes circunstâncias que fazem parte da lógica do conflito.
Em outra reportagem, distribuída pela Reuters no dia de ontem, tomei conhecimento de um serviço telefônico que contata israelenses e palestinos. Nele é possível falar com pessoas do outro lado aleatoriamente, ou pré-selecionadas. O mais interessante é o número de palestinos que ligam após cada atentado à bomba em Israel, para se certificar que seus amigos israelenses se encontram a salvo.
Na Noruega, um grupo de mulheres prepara uma mega manifestação de solidariedade aos dois povos. Entre os dias 2, e 20 de Abril, pretendem reunir milhares de simpatizantes pela paz, em caminhadas diárias em Israel e nos territórios ocupados.
Aqui no Brasil, um grupo de pacifistas reunidos no TABA – Coalizão Brasileira Pela Paz entre Israel e a Palestina, não mede esforços para organizar conferências e mesas de discussão durante o III Fórum Social Mundial, que se realizará em Porto Alegre.
Em comum, todos querem contribuir com o fim de um conflito bárbaro que continua ceifando vidas inocentes. Trazer idéias e sugestões para tornar possível a retomada do diálogo e da convivência pacífica entre os dois povos. E acima de tudo, mostrar que eles não estão sozinhos. Que todos nós nos importamos.
A obstinação desta gente, do Campo Pacifista no mundo inteiro, contagia cada dia mais pessoas. Muitos que haviam abandonado o barco da esperança estão voltando. Vários cidadãos que acreditaram na falácia da Sharon e de Arafat, começam a se dar conta do vazio de suas propostas. A cada dia, mais e mais pessoas se unem nesta corrente pela paz.
Qualquer um pode entrar nesta roda, fazer parte desta família, e ajudar na construção deste novo caminho. Participe das diversas atividades como puder. De sua contribuição se alinhando conosco. Cada um é importante. Cada um faz a diferença.
Um novo mundo é possível. A paz está ao alcance de israelenses e palestinos. Vamos ajudar apontando os caminhos até ela.
por Mauro Nadvorny | 21 nov, 2002 | Sem Categoria
O número de túmulos não para de crescer em Israel e nos territórios ocupados. Ontem foram 5 palestinos mortos, entre eles um jovem de 15 anos. Hoje, mais um homem bomba tirou a vida de 11 israelenses, a maioria de jovens a caminho da escola.
Ficar repetindo o repúdio a tais atos e a repulsa que causam, é ser redundante. Culpar uma vez mais Sharon e Arafat por estes crimes, é repetir o óbvio. Dizer que os assassinos estão contribuindo para aumentar o fosso de desilusão entre os dois povos é como escancarar uma porta.
A Morte reina sem concorrência na Terra Santa. Fez deste território sua residência fixa. Não sei qual é sua cota diária de almas, mas acredito que tem tido um sucesso estrondoso ultrapassando todas as expectativas. Nem ela, poderia acreditar que teria tão pouco trabalho. Não precisa lançar desastres naturais, ou semear doenças. Basta despertar e recolher as almas, sem esforço algum.
Neste momento ela, a Morte, tem um dos trabalhos mais fáceis e generosos do mundo. Tem a seu favor companheiros que lhe servem cegamente. Um deles é o Ódio. Este tem sido ovacionado pelas ruas de todas as cidades da região. Ainda hoje, em Jerusalém, numa manifestação espontânea de transeuntes próximos do atentado ao ônibus, pode-se escutar “morte aos árabes”. E nas cidades palestinas sua força se faz presente quando escutamos “morte aos judeus”.
Outra companheira da Morte que tem atuado com uma precisão suíça, é a Vingança. Acho que a Morte lhe deve muitos favores, pois ela tem tido uma atuação invejável no dia a dia do conflito. Fica até mesmo difícil de se dizer qual foi seu último trabalho, mas fica fácil de se dizer qual será o próximo. Israel já comunicou que vai retalhar este ataque.
Em meio a tantos desempregados, tanta gente necessitando trabalhar na região, a Morte continua num emprego vitalício que vai semeando visões apocalípticas. Todas elas associadas ao sentimento de raiva (que desconfio seja mais uma de suas companheiras infiltradas no campo de batalha), que motiva e anima esta carnificina.
Quem será que atua primeiro? Seria a Raiva motivada pelo Ódio que leva a Vingança? Ou talvez, a Vingança atraída pelo Ódio é quem traria a Raiva? Há quem diga que é o Ódio, motivado pela Raiva que sai em busca da Vingança. De todas as formas, quem lucra com isso é sempre a Morte.
Mas é justamente nos momentos de dor e pesar que a Morte mais aparece. É verdade que com uma boa ajuda. Aqui ela semeia hoje o que ira colher amanhã. Ela sabe que o investimento é certo. O resultado serão novas almas.
Diante de um quadro dantesco como este, é preciso buscar forças do fundo do coração para continuar apelando para o entendimento. Cada vida perdida é irrecuperável. Cada alma entregue para a Morte, é um ser humano que se foi. Uma família enlutada.
Para poder se chagar a um entendimento mínimo é preciso vencer a Morte. Impossível? Verdade, ninguém é capaz de vencê-la. Mas somos capazes de enganá-la e de afastá-la por um tempo. Isso já seria um grande passo. Em meio a tanta tristeza é imprescindível se manter firme na defesa da paz e da reconciliação.
Temos de voltar a venerar a vida e a nossa capacidade, como seres humanos, de racionalizar esta barbárie transformando-a numa negação ao caminho sem volta que a Morte tenta nos impingir.
Israelenses e Palestinos são capazes disso, basta quererem.
por Mauro Nadvorny | 17 nov, 2002 | Sem Categoria
Foi mais uma semana sangrenta. Começou com atos de infanticídios que vitimaram Noam e Matam Ohayoun (israelenses) e Hamed al Masri (palestino). Terminou com uma emboscada em Hevrom que vitimou mais 19 israelenses e outros tantos palestinos em várias cidades ocupadas.
Parece a repetição de um filme que roda sem parar. Todos os dias mostrando as mesmas cenas de insanidade que nos remetem a Idade Média. Cada vez mais aprofundando o ódio e o “sagrado” direito a revanche.
Enquanto ficarmos lidando com as conseqüências de cada ato de violência e não atacarmos a causa, isto irá perdurar sabe-se lá por quanto tempo mais. E a causa é uma só: a ocupação e colonização de territórios destinados a se transformarem no futuro Estado Palestino.
Não se discute mais sobre a legitimidade deste direito. O que ainda não sabemos, é quantos túmulos ainda serão necessários para que este fato se torne realidade. Enquanto o governo de Israel e a liderança palestina não se encontrarem para estabelecer um calendário de negociações, massacres e contra-ataques vão continuar ocorrendo. Dezenas, centenas ou talvez milhares de pessoas ainda vão perder a vida, para ao final nos perguntarmos o por que.
Cada lado acha que sua dor é maior. Cada um imagina que não exista com quem conversar. Todos acham que é o outro quem deve dar o primeiro passo. Enquanto civis são massacrados, os militares e os militantes com o beneplácito dos políticos e das lideranças religiosas, prosseguem com sua barbárie. Superam-se uns aos outros com os piores atos de covardia e indecência humana para com o seu semelhante.
O dia a dia deste conflito é a prova de que nem tudo tem limite. Nem mais o assassinato de crianças parece afetar o desenrolar dos acontecimentos. Todos se preocupam em como irão contra atacar. De um lado, Israel planejando novas re-ocupações, quantas casas dinamitar, quantas oliveiras destruir sem se importar, evidentemente com as vítimas do “efeito colateral”; de outro os grupos terroristas planejando como infiltrar novos suicidas, atacar povoados e principalmente, matar o maior número de civis que suas balas e bombas puderem alcançar.
Seria o caos não fosse a resistência pacifista a se manifestar todos os dias. Uma ilha de resistência da sanidade contra tudo e contra todos. A cada ataque, uma voz se ergue para condenar a violência. São milhares de pessoas que não aceitam esta situação e mostram ao mundo que existe uma solução. São aqueles que dizem “Não a Morte”.
Homens e mulheres de todos os credos que em meio a todo o ressentimento existentes entre israelense e palestinos, fazem demonstrações de aproximação. Mesmo correndo risco de vida, colocam-se à frente das armas em atividades de reconciliação. São estes heróis anônimos que mantém vivo a esperança de uma paz que vai chegar.
Graças a estes abnegados pelo fim do conflito, que a dor de muitos encontra apoio. São eles que trazem conforto as vítimas, e tentam amenizar o sofrimento de milhares de famílias que não teriam como receber ajuda humanitária. São eles que encontram forças para sobrepujarem todos os obstáculos, por mais hostis que pareçam, para levar uma palavra de compreensão para o outro lado.
Com a aproximação das eleições, os bárbaros dos dois lados vão procurar infringir o máximo de sofrimento uns aos outros. Pretendem assim eleger o maior número de deputados possível nos respectivos parlamentos. Querem impor a força das armas a força das palavras. O ódio sobre o amor. A guerra sobre a paz.
Por isso, apesar de toda a dor causada pelas últimas mortes, não podemos nos deixar levar por esta gente. Temos que afastar nossos temores para dar lugar à esperança. Uma vez mais temos de acreditar que a paz está a nosso alcance. Ela só depende da vontade dos justos.
Israelenses e palestinos estão destinados a viverem em paz em suas respectivas nações. Estados que serão abençoados por todos os homens e mulheres de boa vontade. Quem viver, verá.
Que a vida preserve a todos.
por Mauro Nadvorny | 11 nov, 2002 | Sem Categoria
Era próximo da meia noite quando um terrorista invadiu o Kibutz Metzer. Cortou a cerca e invadiu a residência mais próxima. Entrou no quarto das crianças e matou a sangue frio Matam de 4 anos, e Noam de 5. Na seqüência assassinou a mãe. Saiu da casa e atirou contra uma visitante e o secretário geral do Kibutz, matando ambos. Este palestino não quis matar apenas estes 5 seres humanos.
O Kibutz Metzer e a Vila Árabe de Meisar vivem fraternamente há 50 anos. Os israelenses de Metzer e os árabes-israelenses de Meisar compartilham o gosto pelo futebol e a troca de conhecimento na agricultura. Até mesmo o sistema de abastecimento de água, está interligado. Numa emergência um lado pode abastecer o outro.
Fundado por membros do Hashomer Hatzair da Argentina, este Kibutz mantém não apenas laços de cooperação com Meisar. Eles acreditam que o seu exemplo de convivência pacífica pode ser seguido. A tragédia que se abateu sobre Metzer trouxe consternação sobre Meisar. Todos estão sofrendo com o que aconteceu. As crianças destes dois lugarejos não aprenderam a odiar.
Quando um grupo terrorista ligado a Al-Fatah de Yasser Arafat, anuncia que o ataque foi perpetrado por um de seus membros, o assombro assume contornos de indignação. Não existem justificativas ou escusas capazes de absolver a responsabilidade de Arafat pelo ocorrido. Mais uma vez ele diz que condena a morte de civis inocentes. Mais uma vez, ele nos dá um tapa no rosto.
O alvo escolhido pelo assassino teve a clara intenção de prejudicar todos os esforços daqueles que pregam o fim da violência. Mas será que a atitude de um único homem, mesmo que apoiado pela organização do presidente da AP, tem o direito de condenar os dois povos a perpetuar o conflito? Será que esta ação e as cenas de vingança (com o pomposo nome de retaliação), vão impedir que os dois povos encontrem um caminho para acabar com o círculo vicioso da guerra?
Acredito que não. Por mais que Arafat e Sharon insistam em manter esta barbárie, os dois povos vão compreender que é preciso acabar com esta tragédia que continua ceifando não apenas a vida de crianças inocentes. Que produz a dor e o desespero destroçando famílias e matando sonhos.
A vingança não trará de volta as quase 3000 vidas já perdidas. Mas à volta das negociações com a retirada das colônias pode ajudar a preservar outros milhares. São vidas de judeus e de palestinos que não querem morrer. São seres humanos que tem direito a uma vida digna em segurança. Cada um em seu estado, lado a lado.
Apesar de mais esta tragédia, as eleições que se aproximam podem mudar o curso desta história. O surgimento de uma nova liderança comprometida com a retomada de negociações é o único caminho viável. Não existe solução militar para o conflito. Militarmente só iremos continuar assistindo a cenas de assassinatos de ambos os lados. Politicamente temos uma saída.
Infelizmente as populações amigas e fraternas de Metzer e Meisar foram atingidas por esta tragédia. No entanto a solidariedade e a amizade entre eles vão sobreviver a ela. Espero que o exemplo deles sirva para demonstrar a todos, que a paz e a reconciliação vão vencer.