por Mauro Nadvorny | 22 jan, 2003 | Sem Categoria
Estamos a menos de uma semana das eleições em Israel. Desta vez, tudo indica que o resultado será a eleição da causa. Explico: o responsável pelo verdadeiro desastre em que se encontra o país deverá ser reeleito primeiro ministro.
Sharon não pode cumprir nada do que prometeu. Toda sua falácia e arrogância, respaldada durante um bom tempo pelo governo de unidade nacional, não foram capazes de resolver o cerne da questão, o conflito com os palestinos.
Como conseqüência desta política que não sai do lugar e não vai a lugar algum, a economia deteriorou-se. Os países amigos, cada dia se distanciam mais. Vozes que pregam boicotes acadêmicos, futebolísticos, artísticos etc, cada vez encontram mais respaldo. Nada disso parece abalar a popularidade de Sharon.
Escândalos de compra de votos na lista de seu partido, empréstimo fora da lei e o que mais se quiser dizer, não parecem tirar dele a vitória nas próximas eleições. Israel está votando em votar novamente.
Com a perda de cadeiras pelos partidos religiosos, principalmente seu maior aliado o Shas, o acréscimo de mandatos de partidos de centro, e a recusa dos trabalhistas em formarem um novo governo com o Likud, dificilmente ele terá uma base de apoio muito sólida.
O Shinui, que está recebendo uma votação surpreendente, já disse que não fará parte de um governo com os religiosos. Estes por sua vez, não querem nem ouvir falar de laicos ao seu lado. Desta forma, Sharon não terá muito espaço de manobra e assim sendo, seu governo terá uma frágil maioria no parlamento entre 1 e 3 cadeiras. Logo virá a primeira crise e a convocação de novas eleições.
Tudo isto está sendo escrito antes da apresentação das últimas pesquisas. Importante ressaltar que em Israel as pesquisas costumam errar. Portanto não se surpreendam se ao serem abertas às urnas, elas nos apresentem uma alegre surpresa ou um desastre ainda maior do que o aguardado.
Caso o cenário seja de uma vitória do Likud tendo Sharon como primeiro ministro, as condições de ocupação nos territórios devem ser mantidas e/ou vão se tornar ainda pior. Ele não aceita conversar com Arafat e exige mudanças na liderança palestina. Como mantém os territórios sob ocupação e toque de recolher, não se podem realizar eleições que apontem uma nova liderança.
Os palestinos por sua vez, não conseguem uma unidade de ação política. Cada facção age de acordo com os seus interesses. Infelizmente neste momento, eles se revezam na prática de atentados terroristas cujo único efeito é o de assegurar a reeleição de seu algoz.
E é neste clima que amanhã será aberto o III Fórum Social Mundial. Como nas edições anteriores vai se debater sobre a construção de um mundo melhor. Neste mundo, existe a chance do diálogo e da construção de caminhos que levem ao entendimento e a reconciliação entre israelenses e palestinos.
Com este objetivo, o grupo TABA – Coalizão Brasileira pela Paz entre Israel e a Palestina, estará presente na organização de duas oficinas. A primeira para discutir o papel da mídia na apresentação dos fatos e como ela pode ajudar a criar condições para o entendimento. A segunda para discutir como a sociedade civil no mundo inteiro pode participar para ajudar os dois povos a encontrarem uma saída pacífica para o conflito.
Por isso convido a todos aqueles que quiserem participar junto com nossos convidados, destas duas oficinas, a virem a Porto Alegre ajudar a plantar mais esta semente de paz. Seja portador destas idéias em sua comunidade.
Um mundo melhor é possível.
por Mauro Nadvorny | 9 jan, 2003 | Sem Categoria
Assim como Arafat, Sharon é o maior inimigo de si mesmo. Nos últimos dias, as revelações de que teria recebido um empréstimo no valor de 1,5 milhão de dólares de um amigo Sul Africano, fez o que parecia impossível, o Likud despencasse nas pesquisas em Israel.
Durante a campanha das primárias de seu partido, o Likud em 1999, a família Sharon tomou um empréstimo de 1,5 milhão de dólares para fazer frente às despesas. Em garantia, entregou seu rancho. O Banco no entanto, rejeitou a garantia porque o rancho é consignado a família Sharon, mas as terras pertencem ao Estado. Exigiu uma nova garantia ou o dinheiro de volta. A lei proíbe que se aceite dinheiro de fora para campanhas políticas. A família Sharon fez então outro empréstimo num novo banco para saldar a dívida com o primeiro. Em “garantia” depositou o presente do amigo Sul Africano.
O líder do Partido Trabalhista, Amram Mitzna, chamou Sharon de Godfather, e seus filhos de “a família”, numa comparação com o Grande Chefão da máfia americana. O ex-primeiro ministro Ehud Barak disse para um repórter semana passada que “Você não pode disseminar o medo no coração da nação se não contar com colaboradores internos, e os verdadeiros colaboradores com o terror são os líderes do Likud. Eles fizeram a dança do sangue e dançaram sobre ele.”
No dia de ontem, a Suprema Corte de Israel aprovou o pedido de participação nas eleições do partido árabe Balad e dos atuais membros árabes da Knesset, Ahmed Tibi e Azmi Bishara, que tiveram suas candidaturas cassadas por um comitê interpartidário.
Antes desta decisão, a última pesquisa do Jornal Haaretz, após o escândalo do empréstimo, dava a direita uma diferença de apenas uma cadeira. Isto representa uma queda de mais de 10 cadeiras perdidas pela direita. Com a volta dos partidos árabes, pode-se esperar uma eleição disputada voto a voto com uma chance real de a esquerda voltar ao poder.
A direita israelense pretende continuar sua pregação contra o terrorismo sob o chavão de que somente eles podem trazer paz e segurança. Não foi o que aconteceu e o último atentado em Tel Aviv demonstrou claramente o fracasso desta afirmativa. O povo israelense parece estar despertando de um longo período de torpor. A era Sharon trouxe apenas desgraça.
O terror foi e continua sendo combatido como um problema militar. Sharon nunca sentou a mesa de negociações com Arafat. A economia israelense teve o pior desempenho de sua história desde o ano de 1953. O desemprego empurra a cada dia mais famílias para a linha da pobreza. Aumentou o número de cidadãos que estão emigrando. E por fim, sua ética e a moral de seu partido estão sendo contestadas. O partido por permitir que criminosos comprassem lugares na lista do partido, e o próprio Sharon por tentar enganar a lei eleitoral.
Finalmente o lampejo da esperança reapareceu no horizonte. A disputa na qual a direita já fazia a divisão do poder, começa a dar sinais claros de que algo novo está no ar. À esquerda, que pensava enfrentar um poderoso dragão, sente que ele está ferido e existem chances reais de que pode ser vencido.
Todo apoio às forças progressistas. A paz é possível. Agora mais do que nunca.
por Mauro Nadvorny | 6 jan, 2003 | Sem Categoria
Semana passada dei inicio a uma série de três artigos. O primeiro “Que país é este?”, falava dos graves defeitos da democracia israelense, frutos em parte, do longo conflito com seus vizinhos. O segundo “Que povo é este?”, falou de vários problemas que o povo palestino possui e que de certa forma contribuem para a permanência do conflito com Israel.
Agora trago o terceiro e último desta série. Feitas as críticas quero falar olho no olho com todos aqueles que recebem meus artigos, seja através de minha lista direta, seja através de terceiros.
Israelenses e Palestinos são dois povos semitas. A história os coloca como povos primos. Portanto, posso dizer que o conflito ocorre em família. Como tal, nenhum dos dois pode afirmar que tem razão. Nenhum deles é o lado bom. Tanto um, como o outro, possuem graves defeitos. Israel como nação se afasta cada vez mais de uma democracia universal para todos seus cidadãos. Os palestinos como povo se afastam cada vez mais de constituir uma nação.
Israelenses e palestinos sofrem do mesmo temor. Acham que só existe lugar para um povo naquela terra. A simples existência de um, ainda é contestada pelo outro. Se os judeus não são um povo, não devem possuir uma nação. Se os palestinos não constituem um povo, também não podem almejar um Estado. Esta dialética do absurdo, ainda leva muitos incautos e oportunistas a darem crédito para algum dos beligerantes. O que talvez seja um dos maiores responsáveis pela continuidade desta guerra insana.
O fato é que existe lugar para os dois povos naquele mesmo espaço de terra. Todos sabem que o Estado Palestino deverá ser criado na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Jerusalém deverá ser compartilhada como Capital dos dois Estados e o problema dos refugiados deverá ser solucionado de forma a não comprometer a identidade de cada uma das nações. O que se coloca como óbvio, se torna inatingível na prática.
Palestinos e Israelenses simplesmente não confiam uns nos outros. A confiança foi minada por acontecimentos provocados por extremistas dos dois lados. Em Israel, a comunidade de colonos que hoje soma cerca de 200.000 pessoas, acredita na Israel Bíblica e no seu papel divino de não ceder um centímetro da terra dada ao povo judeu por Deus. Os palestinos por sua vez, impulsionados por grupos terroristas e fundamentalistas, acredita que somente pelas armas porão fim a ocupação e libertarão o solo sagrado dos infiéis. Para eles só existe lugar para uma Palestina em todo o território do Mediterrâneo ao Rio Jordão.
O mais triste em tudo isso, é que são justamente estes grupos minoritários que ditam a política de seus líderes. Em Israel, Ariel Sharon curvou-se aos seus desígnios. Não desmantelou as colônias e com isso contribuiu para que os grupos terroristas e fundamentalistas palestinos tivessem maior apoio popular. Nos territórios ocupados sob o ar complacente de Yasser Arafat, estes mesmos grupos agindo de forma indiscriminada contra civis, ajudaram a direita israelense a se perpetuar no poder, prometendo um combate implacável contra o terror, sem se importar com os efeitos colaterais contra civis.
Graças a estas políticas, cerca de 2500 vidas já foram perdidas. As economias estão arrasadas. O desemprego leva um número cada vez maior de famílias para a linha da pobreza. A corrupção graça dentro da AP e cresce entre os militares e políticos israelenses. Tudo em nome da intransigência e da intolerância.
Diante deste quadro, observando que as duas sociedades estão bastante debilitadas, é preciso se empenhar cada vez mais para que elas possam voltar a se entender. As eleições em Israel neste mês já serão um parâmetro do grau de dificuldade que teremos pela frente. Caso a direita saia vitoriosa, o processo de paz vai continuar inerte. Mas se a esquerda voltar ao governo, existem muitas esperanças de um retorno imediato à mesa de negociações.
De qualquer forma acredito do imenso potencial dos dois povos para sobreviverem a estes dias terríveis. Acredito do fundo do meu coração na paz e na reconciliação entre eles. Tenho convicção de este momento vai chegar mais dia, menos dia. Somente com o fim da ocupação e da Criação de um Estado Palestino que conviva lado a lado com Israel, é que o valor a vida e o respeito aos direitos humanos voltarão a ter seu lugar de destaque nesta terra. Cabe a nós prestar nossa solidariedade aos dois povos e exigir deles maior comprometimento para o imediato fim do conflito.
Apesar deste atentado covarde e de seu revide, dêem a vocês uma chance a paz.
por Mauro Nadvorny | 3 jan, 2003 | Sem Categoria
Que povo é este, que nunca foi aceito nos países que os abrigam desde 1948?
Que povo é este, que diversas vezes foi expulso destes países por tentar assassinar o líder do governo?
Que povo é este, que emprega o terror como arma política para ter uma pátria?
Que povo é este, cujos irmãos os utilizam como joguetes ora os apoiando, ora os rejeitando, de acordo com suas conveniências?
Que povo é este, que ensina suas crianças a odiarem outro povo desde pequenas?
Que povo é este, que despreza a vida aplaudindo atos de suicídio, onde jovens se explodem para matar civis inocentes?
Que povo é este, que reverencia aqueles que atiram indiscriminadamente contra civis, inclusive bebês, a pretexto de lutarem por uma causa?
Que povo é este, cuja autoridade não consegue impedir que cada dia mais e mais jovens cometam atos terroristas que distanciam a criação de sua pátria?
Que povo é este, cuja autoridade prende, julga, condena e executa supostos traidores em menos de uma hora?
Que povo é este, que comemora atentados terroristas bem sucedidos contra crianças?
Que povo é este, cujas mães aceitam dinheiro em troca da vida de seus filhos para que se tornem mártires?
Que povo é este, em que a religião é utilizada para justificar estes atos?
Que povo é este, onde grupos terroristas fundamentalistas assumem o papel da assistência social a população?
Que povo é este, onde a corrupção de suas autoridades afasta a comida da boca dos famintos, o remédio dos doentes, o ensino dos analfabetos enviando a ajuda monetária que recebem para contas particulares no exterior?
Que povo é este, cuja liderança não consegue trazer a paz para dar a seu povo uma pátria, porque não fazem o que dizem, e dizem o que não fazem?
Este é o povo palestino. O povo que precisa chegar a um acordo com Israel que ponha fim a ocupação e permita a criação de seu Estado independente. Um povo que está sistematicamente construindo uma sociedade doentia, onde a morte é quem traz felicidade e a vida não tem qualquer valor.
O povo palestino precisa urgentemente de uma pátria. Somente com um Estado Independente serão capazes de curar suas feridas, tratar seus traumas, afastarem seus fantasmas e passar a respeitar a vida e os direitos humanos. Assim poderão construir uma nação democrática onde ela (a vida), possa ser o bem maior.
Os palestinos, lá como aqui, também precisam deixar que a esperança vença o medo.
por Mauro Nadvorny | 2 jan, 2003 | Sem Categoria
Que país é este, que constrói um “muro da vergonha”, quando o mundo inteiro ainda comemora a queda do “Muro de Berlin”?
Que país é este, que ocupa um território por mais de 30 anos, não aceitando todas as resoluções da ONU que pedem sua retirada?
Que país é este, que não anexa estes territórios, e continua submetendo seus habitantes a condições sub-humanas de vida?
Que país é este, que ao impedir a passagem de ambulâncias nestes territórios, leva a morte de bebês e doentes por falta de atendimento médico?
Que país é este, que teve em 2002 o pior desempenho econômico desde 1953, por culpa desta ocupação que o mantêm em estado de guerra há dois anos?
Que país é este, que para combater o terrorismo, costuma assassinar suspeitos, sem qualquer julgamento?
Que país é este, que para eliminar estes suspeitos de terrorismo, desconhece os efeitos colaterais que matam civis inocentes?
Que país é este, que manda para a prisão soldados que se negam a servir nos territórios ocupados porque não querem fazer parte de uma força de ocupação permanente?
Que país é este, cujo primeiro ministro prometeu paz e segurança, mas se nega a negociar a paz?
Que país é este, em cujas primárias para as eleições de janeiro, gangues de criminosos compraram lugares na lista do partido governista?
Que país é este, onde uma comissão interpartidária decide afastar das eleições candidatos árabes?
Que país é este, onde esta mesma comissão permite que um seguidor do proscrito Kach, um grupo racista de extrema direita, seja candidato?
Que país é este, que expulsa uma pacifista inglesa que vem depor num tribunal contra um colono que a agrediu ao testemunhar sua agressão a um palestino?
Este país, é a minha Israel. A única democracia do Oriente Médio.
O ano é novo mas os mesmos problemas permanecem. Nossa missão é não permitir que caiam no esquecimento. Continuar lembrando que a paz é possível e necessária. Lutar para que israelenses e palestinos voltem à mesa de negociações e seguir denunciando os crimes contra os direitos humanos cometidos pelos dois lados.
Que neste ano, lá como aqui, a esperança vença o medo.
por Mauro Nadvorny | 11 dez, 2002 | Sem Categoria
Hanan e Samir nasceram no mesmo dia no Hospital Hadassa de Jerusalém. Um, filho de casal Israelense, outro, de palestinos. No hospital foram tratados da mesma forma. Dentro do Hadassa todos os pacientes são tratados como iguais, e o seu corpo médico tem uma única preocupação: preservar a vida.
Hanan foi recebido em casa com festa em um bairro de Jerusalém. Seus pais há muito esperavam ter uma criança. Era o ano de 1988. Israel ainda estava no Líbano, mas era uma guerra distante.
Samir também foi recebido com muita festa em Hevron. A família preparou um grande banquete para o mais novo membro da hamula. Na cidade a vida era tranqüila, não fosse a presença de colonos judeus a lembrar que viviam sob ocupação.
As duas crianças cresceram vivenciando os fatos, que dia a dia afetariam suas vidas para sempre. Hanan era parte do povo que ocupava um território. Samir vivia sob esta ocupação. Nenhum dos dois entendia ainda de política, mas a vida trataria de ensiná-los. Junto com o seu nascimento, nascia à primeira Intifada que terminaria em 1992.
Em 1993 era assinado o Acordo de Oslo. A tão sonhada paz, parecia próxima. A vida em Israel e nos territórios ocupados recebia uma lufada de otimismo. O entendimento, enfim era possível. Israelenses e Palestinos se propunham a conviver lado a lado, independentes e em harmonia. As crianças já estavam com 5 anos.
Palestinos reconheciam o Estado de Israel, e israelenses o direito deles de terem sua nação livre e soberana. Pela primeira vez surgia um governo palestino conhecido como Autoridade Palestina. Sem dúvida as coisas estavam melhorando muito. Seus pais podiam passear por todo lado, sem serem molestados. Os dois povos pareciam se entender.
Quando chegou a ano de 2000, todos os habitantes da terra saudaram o ano como sendo a virada do século (que de fato seria apenas em 2001). Todos estavam felizes por estarem presentes a uma data tão significativa. Israelenses e Palestinos, mesmo não adotando o calendário da era comum, presenciaram as festividades ao redor do planeta e dos cristãos na Terra Santa.
Hanan e Samir tinham agora 12 anos. De um dia para o outro seu mundo viraria de ponta cabeça. Depois de uma visita ao Monte do Templo realizada por Ariel Sharon, tinha inicio a Segunda Intifada. A esperança foi sufocada, a harmonia esquecida, a convivência pacífica transformada em beligerância, e a paz jogada para um canto escuro.
Samir já com 14 anos compreendeu o que significavam aquela gente estranha que morava em sua cidade, protegida por soldados, e rodeada por tanques. Para poder ir a sua escola, era preciso não haver toque de recolher. Mesmo assim, ao invés de 10 minutos, agora eram necessária 2 horas. Colocaram Postos de Controle entre sua casa e sua escola.
Hanan com a mesma idade já compreendia o significado do medo e da apreensão de seus pais. Principalmente depois de um atentado quando ele, se encontrava na rua. Não queriam que ele tomasse mais o ônibus de sempre. Precisava levar consigo um celular para contatar com eles em qualquer emergência. Passear com os amigos, nem pensar. Nem imaginava que seus pais o incentivariam a jogar vídeo game, ficar assistindo TV, ou ficar no seu computador. Mas isto estava acontecendo com todos os seus amigos.
Samir resolveu participar de uma brincadeira perigosa, atirar pedras nos tanques. Pensava que fazer isso ajudaria a tirar aquela gente que atrapalhava a sua vida. Acertar uma pedra num tanque e depois contar aos amigos, fazia dele uma espécie de herói.
Foi então que tudo aconteceu muito rápido. Samir jogava uma pedra quando um soldado revidou. A bala passou a poucos centímetros sobre sua cabeça, e ele viu pela primeira vez a face da morte de perto.
Em Jerusalém Hanan contrariando sua mãe correu para a parada de ônibus. Não alcançou a tempo, e o ônibus partiu sem ele. Lembra que se sentou resignado na parada quando escutou a explosão. Um homem bomba tinha se detonado, e seu celular tocava sem parar. Pela primeira vez ele viu a face da morte de perto.
Eles tiveram a sorte que outros não tiveram. Milhares de vidas já foram perdidas. Esta na hora de agirmos em favor da paz. Uma paz que impeça que esta barbárie continue. Logo vai haver eleições em Israel e nos territórios. Caso tenha amigos ou parentes lá residindo, peça a eles que votem nos partidos comprometidos com a reconciliação. Faça isso em nome de Hanan, Samir…
Basta de guerra, agora é PAZ.