por Mauro Nadvorny | 21 fev, 2003 | Sem Categoria
O massacre de cerca de 800 civis palestinos em Sabra e Chatila, continua cobrando justiça. O mais recente clamor por ela vem da Bélgica. Neste país, uma corte espera por Sharon. Tão logo ele deixe de ser primeiro-ministro, será julgado por seu envolvimento no ocorrido.
Aqui se abre espaço para muitas discussões. Será que um país tem o direito de julgar alguém por um crime cometido fora de seu território, por alguém que não é cidadão deste país, e cujo crime não foi cometido contra cidadãos deste mesmo país? Teria a Bélgica o direito de julgar criminosos de outras guerras?
Antes de tudo, seria prudente se falar no que aconteceu. Na invasão do Líbano, Israel ocupou uma vasta extensão do país vizinho. Tinha como aliado a Falange Cristã da família Gemaiel, tradicionais inimigos dos palestinos. Dentro do acordo que permitiu a saída de Arafat e de seus guerrilheiros, Israel comprometeu-se a cuidar dos familiares dos guerrilheiros que lá permaneceram.
A Falange pediu autorização para visitar os campos em busca de guerrilheiros remanescentes e de armas. Sharon, que era o responsável pelo acordo, sabia que eles poderiam estar mal intencionados. Mesmo assim permitiu sua entrada. Não se preocupou em enviar tropas para vigiá-los e o resultado foi o massacre de velhos, mulheres e crianças.
A matança durou uma noite inteira e os disparos de armas podiam ser escutados a distância. No entanto, o exército de Israel não interveio, mesmo quando avisado de que algo estava se passando nos campos. Sharon preferiu fazer vista grossa.
O crime de Sharon é portanto de negligência, no mínimo, e co-autoria no máximo. Não foram ordens suas que levaram os falangistas a cometerem o genocídio. Mas por não se importar com o que aconteceu, e permitir que continuasse acontecendo, Sharon tem sua parcela de culpa e deve ser levado a julgamento.
Existem na história recente outros tantos líderes de países que cometeram crimes hediondos. Estes são ditadores como Saddam Hussein, que massacrou a população Curda, ou generais de países africanos etc. Sharon é o primeiro representante de um país democrático que é acusado de participação ativa num massacre. E o que mais me entristece, é que ele seja parte de um povo que viveu o maior genocídio da história recente, o Holocausto.
Pode-se contestar o direito da Bélgica em sua pretensão de se tornar uma Corte Internacional. O que não se pode fazer, é esquecer que as vítimas deste crime, e principalmente os sobreviventes, têm direito a que se faça justiça. E só terá sido feita justiça, quando Sharon e todos os que participaram deste episódio, forem levados a julgamento.
Não se pode mais uma vez pretender esconder os cadáveres sob o argumento tradicional de que se trata de uma conspiração anti-semita, ou de um julgamento político do Estado de Israel. Pelo contrário, temos o dever ético e moral de encorajar o esclarecimento completo do que aconteceu. Havendo culpados, que sejam punidos de acordo com a lei num fórum apropriado.
Somos herdeiros de um grande senso de justiça. Somos um povo que não permite que o mundo esqueça o que fizeram contra nós. Pretendemos ser um exemplo de resistência diante das tentativas de aniquilamento que sofremos ao longo da história. Temos de ser portanto, os primeiros a desejar que os mortos de Sabra e Chatila conheçam a face de todos os seus algozes, mesmo que alguns deles carreguem consigo a Estrela de David.
por Mauro Nadvorny | 14 fev, 2003 | Sem Categoria
Saddam Hussein é um sujeito desprezível. Dirige um país chamado Iraque com mãos de ferro. Ele e seus filhos conduzem o país como donos de uma imensa indústria. Não permitem uma oposição, e esmagam qualquer um que se opor a seu mando. Foram capazes de utilizar armas químicas contra os habitantes Curdos no norte do país, matando indiscriminadamente homens, mulheres e crianças. Foram a duas guerras: uma contra o Irã e outra contra o Kuwait. Mais de um milhão de mortos.
Gosto muito dos Estados Unidos. Principalmente da Flórida e de seus parques temáticos. Fazem com que qualquer um se sinta numa realidade mágica. Por alguns minutos o mundo fica bonito e o fim da história é sempre bom. O bem vence o mal. Saímos de lá renovados e prontos para voltar à dura realidade. Poderia falar de muitas outras coisas boas que eles nos oferecem, mas vale lembrar seu outro lado.
Falar dos americanos implica em lembrar sua obstinação por vencer sempre. Lá não existe lugar para perdedores. A sociedade americana coloca o país acima de tudo e de todos. O que é bom para os EUA não precisa, necessariamente, ser bom para os outros. Neste caso, eles farão o possível para tirarem algum proveito. Na defesa de seus ideais foram capazes de uma Operação Condor que foi responsável pelo desaparecimento e morte de milhares de civis na América Latina.
Os EUA saem em busca de guerras que não ameaçam diretamente suas fronteiras físicas. Assim foi por exemplo, na Guerra da Coréia e no Vietnã. A ameaça era o fantasma comunista. Também investem na luta contra o narcotráfico. Por isso dizem, invadiram o Panamá.
Recentemente com o fim do que era tido como seu contra ponto, a União Soviética, os EUA viram-se como única grande superpotência mundial. Como senhores de um planeta em crise, colocam suas necessidades acima dos interesses dos demais. Por isso não aceitam o Protocolo de Kyoto contra a poluição planetária que beneficiaria as próximas gerações. Este acordo seria prejudicial as suas industrias poluentes e causaria o desemprego de americanos.
Agora querem destituir Saddam Hussein. Não importam os motivos, decidiram que este ditador sanguinário deve ser removido do poder. E como possuem capacidade militar, econômica e tecnológica para isso, tudo indica que os iraquianos que sobreviverem a guerra terão um novo líder em breve.
Para israelenses e palestinos este é mais um ponto de discórdia. Israel que já destruiu uma vez o Reator Nuclear Iraquiano e sofreu um bombardeio indiscriminado de Mísseis Scud durante a Guerra do Golfo, a destituição de Saddam é muito bem vinda. Já os grupos radicais palestinos que recebem ajuda financeira do Iraque para sobreviverem e manter o terrorismo contra Israel, a saída de Saddam vai terminar com uma das fontes de financiamento de seus homens-bomba.
Mas a guerra trará outras implicações para a região. O fundamentalismo que anda na esteira dos demais regimes ditatoriais do Oriente Médio irá se fortalecer. O fanatismo religioso vai receber mais adesões e simpatias, quando os números dos mortos de civis inocentes começarem a serem divulgados. Este efeito colateral é tão previsível e desconsiderado pelos americanos, que seu efeito se fará sentir num curto espaço de tempo com o aumento do terrorismo.
Ser contra esta guerra é ser a favor da vida. Não se pode em nome de um mal, causar um mal ainda maior. Apesar de toda a prepotência do governo americano, a cada dia cresce o número de cidadãos americanos contra a guerra, mesmo com toda a retórica belicista baseada até em plágios de trabalhos estudantis.
Querem que o mundo renuncie as armas atômicas mas mantém um arsenal capaz de destruir a Terra dezenas de vezes. Nem mesmo eles conseguiram até agora, comprovar que o Iraque possua armas de destruição em massa iguais ou similares as suas.
Ser contra a guerra neste momento é apoiar a ONU e tentar igualar as nações que convivem no mesmo planeta. É buscar a diplomacia como forma de resolver os conflitos e permitir o uso da força como último recurso, quando tudo mais tiver fracassado.
Ser contra a guerra é querer que palestinos e israelenses tenham um exemplo de civilidade na solução de seu conflito. Mostrar que a negociação e o respeito às resoluções da ONU, ainda são o melhor meio de se chegar ao entendimento.
Ser contra a guerra não significa prestar apoio a Saddam Hussein, é estar ao lado de um mundo melhor para todos nós, os habitantes da Terra.
por Mauro Nadvorny | 11 fev, 2003 | Sem Categoria
Cena 1: Soldados Israelenses da Ocupação cercam a casa. Com a ajuda de megafones pedem que todos que estiverem nela saiam. Ninguém responde. Rapidamente instalam os explosivos e os detonam. Ao deixarem o local, vizinhos reviram os destroços e encontram o corpo de uma senhora de 65 anos. Ela era surda.
Cena 2: Um Terrorista Palestino entra na casa onde dormiam uma mulher e seus dois filhos pequenos. Ele se dirige ao quarto das crianças. A mãe escuta ruídos e corre para o quarto dos filhos. Ao perceber o homem armado precisa fazer uma escolha e se joga sobre um dos filhos para protegê-lo. O terrorista dispara sua arma matando a todos.
Estas são cenas que estão se tornando comuns no conflito entre israelenses e palestinos. Lembram as atrocidades ocorridas em Sarajevo. Uma cidade dividida pelo ódio e pela intolerância onde as pessoas morriam a esmo atingidas por atiradores. Era difícil andar pelas ruas, mas seus habitantes resistiram.
Os Babilônios, os Romanos e os Alemães tentaram matar a consciência judaica e o seu direito à autodeterminação. Os Jordanianos e os Sírios no passado tentaram, e Israel no presente tenta matar a consciência palestina e seu direito a autodeterminação. Mais de dois mil anos não foram suficientes para acabar com o povo judeu, e é certo que não serão suficientes para acabar com o povo palestino também.
Vivemos um momento surrealista onde assistimos a um filme com o seu final já conhecido. Todos sabem que os dois povos vão viver juntos cada um em seu país com sua capital compartilhada. No entanto, o diretor do filme segue acrescentando cenas de terror que fazem os algozes de Sarajevo corar de vergonha.
A ironia da situação chegou a um ponto tal em que todos parecem concordar com esta obviedade mas são incapazes de se moverem em direção a um entendimento. Esperam por um milagre, ou por uma ação espetacular de grande impacto que cause um choque de lucidez em suas lideranças. A cada dia perdido sem negociações, mais e mais cortejos para enterrar vítimas.
Vivemos momentos difíceis para a humanidade. Uma guerra eminente entre a maior potência do planeta e o Iraque do sanguinário Sadam deve eclodir a qualquer momento. Próximo dali, a Coréia do Norte ameaça construir e jogar Bombas Atômicas conta os EUA, e lamentavelmente eles são capazes de fazê-lo sem se importar para as conseqüências.
Em um cenário global como este, não existe muito espaço para preocupações com israelenses e palestinos. Um conflito que vai fazendo vítimas à conta gotas, comparando-se com o que pode vir a acontecer nos outros, não esta mais comovendo ninguém. E como acontece nestes casos, o mais forte aproveita-se da situação para seguir com sua política de opressão sobre o mais fraco.
Mas em meio a tudo isso, as vozes contra a guerra vão se fazendo ouvir. A cada dia, mais e mais pessoas dizem não. Até mesmo dentro dos EUA, personagens conhecidas do show business vão se somando as fileiras dos que não querem a guerra. O mundo está cansado de soluções brutais para solucionar seus problemas. Basta de Sarajevos.
Desejamos um mundo melhor para todos. Queremos que a vida seja o bem maior da humanidade. Um bem a ser preservado e cuidado, para que as próximas gerações possam receber um planeta livre das guerras e da intolerância de homens contra homens.
por Mauro Nadvorny | 3 fev, 2003 | Sem Categoria
Desde pequeno todos olhamos para o espaço, e nos perguntamos qual o nosso lugar nesta imensidão. Os mais antigos, por não terem respostas, imaginaram que fossemos o centro do universo. Tudo girava em torno de nosso planeta, criado por uma grande divindade. Não foram poucos os que perderam a vida ao questionarem estes fatos.
Olhar para o céu a noite, e deslumbrar-se com todas aquelas estrelas sempre foi fascinante. Perceber que somos um ponto do universo onde existem milhares de galáxias, com milhões de sóis rodeados por bilhões de planetas, aguça o nosso desejo de encontrar vida fora da terra.
Quando viajamos dentro de nosso estado contamos de que cidade somos. Ao viajar pelo Brasil, apontamos de que estado viemos. Pelo mundo dizemos que somos Brasileiros. Mas ao viajar pelo espaço, dizemos orgulhosamente que somos da Terra.
Parede incrível como nossas diferenças vão diminuindo a medida em que saímos de nosso lar. Em minutos Ilan Ramon deixou de ser aquele morador de Beber Ceva em Israel para se tornar um cidadão da Terra. Ele e seus companheiros da última viajem da Columbia morreram como terráqueos.
Este infortúnio que abalou os corações de todos nós, mostra o quanto somos frágeis e que distantes estamos de conquistar nossa maior fronteira, o espaço sideral. Mesmo com toda a tecnologia que já dispomos, com toda a nossa capacidade inventiva e adaptativa, um erro ceifou a vida de sete astronautas. Sete terráqueos que vão ficar para sempre na memória de todos os povos deste planeta.
A conquista do espaço, por mais difícil que seja, vai ser vencida. Já chegamos com uma nave tripulada a Lua, logo estaremos chegando a Marte. Cada passo nesta direção, especialmente quando compartilhado entre diversas nações, como a construção da Estação Internacional, aproxima os habitantes deste planeta. Mostra que somos todos moradores do mesmo lugar. Que nossas diferenças tendem, mais dia menos dia, a desaparecer.
Já sabemos que pertencemos à mesma raça: humana. Não importa nossa cor, nosso aspecto ou nosso sexo, somos todos iguais. Isto por si só já é motivo para procurarmos acabar com nossas guerras e buscar pacificar todos os conflitos que jogam homens contra homens.
Ilan Ramon e seus companheiros nos deixaram várias mensagens. A primeira de que o homem é capaz de qualquer coisa. A segunda de que sua missão não foi em vão. Finalmente a terceira de que nada pode deter o ser humano em sua determinação. Que bom seria se todas elas fossem sempre utilizadas para o bem de toda humanidade.
Quem sabe, se neste momento de profunda consternação, israelenses e palestinos possam se dar conta de que unidos e vivendo em paz, podem construir um mundo melhor. Um mundo sem fronteiras como representou Ilan Ramon. Um mundo onde todos fossem pacíficos habitantes deste planeta azul chamado Terra.
por Mauro Nadvorny | 31 jan, 2003 | Sem Categoria
Tudo o que Sharon mais gostaria neste momento seria um governo de coalizão nacional. Preferencialmente com o Partido Trabalhista (Avodá) e o Partido da Mudança (Shinui). Isto garantiria a ele uma relativa estabilidade parlamentar de 70 cadeiras (em 120). Mais do que este conforto parlamentar, Sharon teria uma coalizão secular (sem os religiosos), e principalmente a legitimidade de estadista.
Depois de assistirmos a 2 anos de intifada, homens bomba, ataques terroristas com retaliações de toda ordem, inclusive com assassinatos seletivos, não podemos aceitar que alguém queira legitimar o continuísmo do conflito.
Nós que lutamos pela volta imediata do diálogo na mesa de negociações, sabemos que Sharon não é um interlocutor da paz. Hoje, quando mais uma vez, Arafat pede a retomada das negociações, escutamos a negativa de Sharon em fazê-lo. Nada mudou. Suas idéias de conquista e ocupação não retrocederam um centímetro.
Sharon terá de governar com os seus. Terá de fazer alianças com os partidos sanguessugas, que em troca de apoio, cargos, poder e dinheiro para suas instituições vão lhe emprestar um voto de confiança. Para estes partidos, não importa a paz. Eles ganham com a guerra.
Sharon sabe do risco que corre em formar uma aliança deste tipo. Porem em se tratando de política tudo é possível. Tudo o que se diz antes e durante as eleições é passado. Agora se trata de barganhar o máximo em troca de apoio. Nesta barganha princípios e ideologias são relevados a um segundo plano em nome da estabilidade, e da eminência de uma guerra com o Iraque.
Ficar na oposição é a única forma dos Trabalhistas recuperarem sua identidade perdida entre o centro e a esquerda, e recuperarem o respeito e a dignidade a muito distanciada de seus apoiadores. O apoio a Sharon, custou muito caro. Repeti-lo será o seu fim. Mitzna sabe disso e antes das eleições disse que não faria parte de uma coalizão liderada por ele. Esperamos que possa cumprir.
Teremos pela frente dias terríveis. Uma nova onda de atentados para vingar as últimas mortes nos territórios é apenas uma questão de onde e quando. A qualquer momento as sirenes das ambulâncias acudindo aos feridos vão se fazer escutar nas ruas de alguma cidade israelense. É o ciclo de violência se retro-alimentando.
Nada disso seria necessário se o resultado das eleições tivesse sido outro. Talvez israelenses e palestinos acreditem que ainda não chegamos ao fundo do poço. Acreditam que com a força das armas ainda podem dobrar a vontade de um ao outro. Não se importam com o sofrimento e as perdas de vidas que se seguirão num banho de sangue e morte de inocentes que logo irá se apresentar.
Se os tempos não podem ser melhores, cabe a nós, homens de bem, continuar na defesa intransigente do direito a vida. Não vamos nos deixar abater com este resultado. Temos ainda muito que fazer. Permaneçamos unidos e atentos por que sempre haverá o dia de amanhã.
Vida curta ao governo Sharon.
por Mauro Nadvorny | 28 jan, 2003 | Sem Categoria
Gostaria antes de tudo de antecipar meus cumprimentos por sua provável re-eleição como primeiro ministro do Estado de Israel. Não posso negar que apesar de teres recebido apenas 25% dos votos do eleitorado, as regras da democracia israelense vão lhe conferir o direito de formar e liderar o próximo governo.
Isto posto, permita-me desejar-lhe um curto mandato. Espero sinceramente que o seu novo governo caia o mais rapidamente possível e que os terríveis dias de sua sanguinária presença à frente do governo israelense sejam esquecidos para sempre.
Não posso me furtar a dizer que seus votos estão contaminados com o sangue das vítimas do conflito. As cédulas que levam sua indicação representam, cada uma, os nomes daqueles que não estão mais entre nós. Sua eleição é um ultraje a suas memórias.
Invadistes a cidade de Gaza com tanques e helicópteros, três dias antes das eleições atirando contra prédios onde residiam civis, sabendo que o efeito colateral desta ação resultaria na morte deles. Homens, mulheres e crianças foram mortos para satisfazer o seu desejo de vingança. Ou será que o seu vil propósito foi o de buscar assegurar mais um ou dois mandatos nesta eleição? A verdade nunca saberemos. Mas para as vítimas isto é o que menos importa.
Sua permanência no poder é uma afronta ao desejo de paz e de reconciliação entre israelenses e palestinos. Sua pregação belicista é um perigo a existência do Estado de Israel. Nunca tivemos tantos atentados e tantas mortes num governo como o seu. Nunca um mentiroso foi re-eleito em Israel. Sua promessa de paz e segurança nunca foi e nunca será cumprida. Precisas do sangue derramado para te manteres no poder.
Tuas atitudes e teus atos são uma vergonha para o povo judeu. Felizmente nem todos nós somos Sharon. A maioria do povo judeu quer a paz e concorda com o estabelecimento de um Estado Palestino. Aceitamos repartir nossa capital com eles, e temos consciência de que devemos buscar uma solução justa para o problema dos refugiados. Parece que ficas surdo a todos nós e tens ouvidos apenas para tuas armas e teus atos de guerra.
Não Sharon, nós não vamos aplaudir tua eleição. Vamos respeitá-la porque ela é fruto de uma ação democrática, mas não vamos te dar trégua. A partir do momento em que as urnas confirmarem tua vitória, saiba que vamos fazer uma oposição digna denunciando todos os dias em todos os fóruns tuas ações criminosas.
O povo judeu é muito mais que tuas idéias de ocupação, confronto, assassinatos e humilhação de um povo. Somos o povo dos Profetas de Israel. Somos o povo que deu ao mundo uma visão universal de humanidade e fraternidade. Somos um povo que respeita e dignifica a vida de todos os seres humanos.
A paz pode estar se distanciando de nós mas não vamos abandonar a esperança. Vamos seguir com ela porque não podes matá-la nem tirá-la de nós. Somos muito mais fortes do que tuas mensagens de ódio.
Somos do Campo da Paz, eternos guardiões da esperança e da transformação do mundo em um lugar melhor para todos. Talvez hoje não possamos comemorar, mas quem sabe amanhã. Porque amanhã será outro dia.
O Povo de Israel Vive!