por Mauro Nadvorny | 25 out, 2005 | Sem Categoria
(e o nazista venceu)
O processo contra Elwanger foi intenso, longo e doloroso. Todos nós do Movimento Popular Anti-Racismo colocamos nosso tempo e disposição na luta por sua condenação exclusivamente movidos por um ideal. Nunca buscamos agradecimentos ou qualquer tipo de recompensas.
Durante o processo, que a bem da verdade foi provocado por nós, mas movido pelo Ministério Público tendo a mim, representando o Mopar, e a Federação Israelita do RS como assistentes de acusação, tivemos momentos de trabalhos em conjunto e momentos de divergências.
No entanto, ao final do julgamento, quando foi finalmente alcançada a condenação do nazista, a FIRGS publicou um jornal onde não obstante autoproclamar-se como única entidade a trabalhar na sua condenação utilizou um artigo para atingir desnecessariamente a honra de membros do MOPAR.
Solicitamos o direito de resposta, o que nos foi negado. Pedimos uma retratação e nos mandaram procurar nossos direitos. Como última alternativa entramos na justiça pedindo uma reparação contra a jornalista responsável pelo jornal, conforme exige a lei. Nunca solicitamos qualquer pagamento em dinheiro, e o propósito sempre foi o de buscar a reparação da verdade sobre o caso Elwanger.
Na defesa da jornalista responsável pelo jornal atuou Helena Noiman Santana, juntamente com seu pai Hélio Noiman Santana, responsável pela assessoria jurídica da FIRGS. Julgado o mérito, a justiça decidiu que fomos de fato ofendidos, mas que a ofensa não merecia reparação. Mais do que isso determinou o pagamento de R$ 14.000,00 (catorze mil reais) para Helena e Hélio, nenhum centavo a jornalista e nenhum centavo aos advogados dela que não quiseram receber seus honorários. Mas o que mais surpreende é o fato de Helena renunciou a causa antes do seu término. Ao saber do resultado na justiça entrou com uma ação de cobrança penhorando meus bens em consignação ao pagamento.
Nesta situação estamos diante de uma enorme ironia: os únicos que pretendem ter um ganho financeiro com a condenação de Elwanger serão eles, nossos detratores já que o artigo em questão foi escrito, dizem, por Hélio Noiman Santana. Como nos parece estarmos diante de uma grande injustiça, e a fim de preservar nossa dignidade e a correção de todos nossos atos no caso, informo aos amigos que não pretendo pagar e prefiro ir para a cadeia. Assim sendo, para que a ironia do destino seja completa e para alegria do nazista serei eu a única pessoa a ser realmente presa no caso Elwanger.,
Assim termina este capítulo da luta contra o racismo. O condenado livre, e o denunciante preso.
PS: quem desejar se manifestar, por favor, envie e-mail para a Federação Israelita do RS: firgs @firgs.com.br aos cuidados de seu presidente: Abrahâo Finkestein.
por Mauro Nadvorny | 8 out, 2005 | Sem Categoria
Venho acompanhando com atenção as opiniões a favor e contra a proibição do comércio de armas e munição no Brasil. Acho que muita gente vem fazendo o mesmo e gostaria de expressar aqui o que penso sobre isso.
Uma arma não custa barato. É um produto que legalmente poucos podem adquirir. Em se tratando de homens de bem existem dois tipos de pessoas que possuem hoje armas em nosso país: os ricos que podem se dar a este luxo por que dispõe dos meios para isso, e os que adquirem no comércio ilegal por falta de condições. Mesmo assim representam talvez um ou dois por cento da população.
Os fora da lei vão continuar adquirindo armas por seus próprios meios, seja através de contrabando, seja roubando ou comprando no comércio ilegal. O plebiscito não vai fazer nenhuma diferença para eles.
Resta pensar que diferença fará para nós, a maioria da população que não anda armada e não pensa em comprar uma arma.
A primeira pergunta que me fiz foi quando é que li em um jornal a última vez em que um cidadão de bem, que possuía uma arma, conseguiu impedir um crime, por que atirou no marginal. Não pude localizar no tempo próximo, portanto acredito que faça muito tempo. Entretanto me lembrei de inúmeros episódios em que donos de mercados tentaram reagir ao assalto e foram mortos ou feridos pelos assaltantes.
A segunda pergunta que me fiz foi quando é que li em um jornal a última vez em que um adolescente foi morto ou ferido por arma de fogo de um amigo, sobre crimes passionais e outros do gênero. Imediatamente me lembrei de inúmeros episódios de acidentes que vitimaram jovens que haviam apanhado a arma do pai, ou de um parente, causando uma tragédia.
Fazendo uma conta simples de cabeça, acredito que foram muito mais acidentes com armas, além de casos de fatalidades por brigas e desavenças que vitimaram pessoas inocentes, que aqueles em que alguém matou um agressor em legítima defesa.
Seria fantástico um mundo sem armas, mas isso é uma utopia ainda distante. No entanto cada passo nesta direção me parece um passo de civilidade. Acredito que ao impedir o comercio de armas, estaremos dando um passo adiante no caminho de nos tornarmos seres humanos melhores.
Infelizmente o mundo não vai mudar tão rapidamente. Seres humanos com perturbação de conduta vão continuar nascendo e existindo. Pessoas vão continuar sendo assaltadas e assassinadas. Os psicopatas não se perguntam se suas vítimas estão, ou não armadas antes de agirem, tampouco os bandidos. Por isso precisamos de leis para reger nosso comportamento e de policiais para afastarem da sociedade aqueles que não se submetem a elas.
Eu já me decidi. Se puder contribuir de alguma forma para salvar uma única vida, vou fazê-lo. Por isso voto SIM.
Não tenho a pretensão de convencer quem quer que seja a concordar com minha opinião. Quero apenas contribuir com a discussão e deixar que cada um julgue por si mesmo como votar. Deixo aqui uma pequena contribuição de um velho pacifista cansado de guerra.
por Mauro Nadvorny | 10 set, 2005 | Sem Categoria
Um dos grandes símbolos da resistência democrática á ditadura Argentina, foram as Mães da Praça de Maio. Há mais de vinte anos elas se reúnem todas as quintas-feiras para pedir justiça: que devolvam os desaparecidos, ou seja, que lhes seja devolvido o que a ditadura lhes tomou, os corpos de seus entes queridos.
Estas manifestações repetitivas semanalmente chamam atenção pela persistência destas mulheres, pelo seu inconformismo e mais do que tudo pela necessidade de manterem viva a esperança. Faça chuva ou faça sol, lá estarão elas clamando por justiça até que a encontrem.
Uma nova Praça de Maio está surgindo na Cisjordânia. Ela fica na pequena aldeia de Bil’in que fica próxima dos assentamentos de Kiryat Sefer e Matityahu que estão lentamente se apropriando de suas terras. Todas as sextas-feiras a população da aldeia juntamente com ativistas do campo da paz israelenses, e internacionais, promovem uma manifestação pacífica contra a construção do muro que vai separar a aldeia das terras de cultivo que ainda restam. Ela tem inicio com uma concentração na Praça de Bil’in de onde se dirigem para o local da construção do Muro de Separação.
Assim como as Mães da Praça de Maio, os manifestantes da Praça de Bil’in pedem por justiça: não aceitam o confisco de suas terras para a expansão de assentamentos israelenses, e principalmente não querem que a construção do Muro de Separação retire o sustento de sua população, as terras nas quais eles plantam a gerações.
As manifestações em Bil’in vem sendo o centro da resistência a ocupação na Cisjordânia e chama a atenção pela forma não violenta de clamarem por seus direitos. Elas ocorreriam sem nenhum problema não fosse a decisão do governo de Israel de não permitir que continuem ocorrendo. Para isso, a polícia e o exército vêm tomando a aldeia de assalto impondo aos seus habitantes toque de recolher, e tentando impedir que manifestantes de fora cheguem ater eles, decretando a aldeia território militar fechado.
Todo este aparato não consegue impedir que ocorram as manifestações que acabam em atos de violência e prisões arbitrárias. Muitas destas ações foram filmadas e demonstraram em juízo que os manifestantes foram atacados com força desproporcional e às vezes até com extrema violência. Vários militares já foram condenados por mentirem alegando terem sido atacados primeiro.
Nesta última sexta-feira, dia 9 de setembro não foi diferente. Cerca de 300 pacifistas foram a Bil’in se somar aos seus habitantes na manifestação semanal. O exército tentou impedir sua aproximação, mas ainda assim a maioria conseguiu chegar até a aldeia que se encontrava sob ocupação. Ao se dirigirem a Praça de de Bil’in foram violentamente atacados com bombas de gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha. Alguns jovens passaram a jogar pedras e pelo menos um soldado fez disparos com balas verdadeiras.
Entre os manifestantes israelenses estava Uri Avnery, ex-membro do parlamento israelense (Knesset) que neste dia comemorou 82 anos. Várias pessoas foram presas, mas apenas uma delas permanece detida. Chama-se Abdalah Abu Rahme, um dos líderes dos manifestantes de Bil’in, conhecido por sua devoção a manifestações pacíficas contra a ocupação e a construção do Muro de Separação.
A história se repete. Muitas de suas manifestações foram reprimidas pela polícia, até com o uso de violência. Muitas mães da Praça de Maio foram presas e até assassinadas. Nada fez com que elas desistissem.
Muitos manifestantes da Praça de Bil’in também têm sido presos. As manifestações também estão sendo reprimidas com violência, mas não conseguem impedi-las por que nas duas praças o que se pede é por justiça.
por Mauro Nadvorny | 7 set, 2005 | Sem Categoria
O dia sete de setembro me traz lembranças de infância. Lembro que minha escola desfilava na avenida e o sonho de todos nós, os pequenos, era um dia fazer parte da banda.
Muitos anos se passaram e antes de crescer os desfiles das escolas terminaram nem sei por que. Restaram apenas os desfiles militares.
Todo dia sete de setembro somos recebidos por uma enxurrada de artigos do mais extremo eufanismo a mais eloqüente crítica social. Acho que tudo é válido, afinal são duas formas de patriotismo.
Para não deixar passar esta data em branco curtindo apenas o feriado de sol, que para os gaúchos é uma raridade histórica, achei que seria interessante compartilhar algumas questões que estão na pauta do dia.
Uma delas é a nossa tremenda dificuldade em repartir renda. A diferença entre ricos e pobres é abissal. A discrepância de salário entre o mais pobre e o mais rico é colossal. Isto torna o progresso quase inatingível, ou melhor, alcançado por muito poucos e faz do Brasil uma terra de desiguais.
A lógica de que quanto maior o salário, maior o poder aquisitivo, que por sua vez aumenta a produção industrial, que com isso aumenta o emprego trazendo consigo mais serviços que fazem com que o estado arrecade mais e forneça melhores condições de vida para todos, parece inatingível.
Não fosse apenas isso, a gente ainda é levado a cabresto para acreditar que existe um mar de corrupção no governo Lula, coisa que até agora ninguém conseguiu provar, mas que exige a punição de culpados de um crime inexistente.
Tudo o que se provou até o momento foi a existência de um caixa 2 dentro do PT. Também está provado que o dinheiro veio de empréstimos legais realizados por Marcos Valério e suas empresas, para a seguir serem repassados a inúmeras pessoas pelos mais variados motivos. Portanto o único crime comprovado até aqui é o de caixa 2, o mesmo realizado pelo PSDB de Minas Gerais, e o mesmo que é feito, provavelmente pela imensa maioria dos vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores de todas as legendas.
O que estão tripudiando é o fato de que o PT que se dizia o baluarte da ética e da honestidade ter feito isso também. Claro que visto assim, todos os que um dia acreditaram nesta possibilidade se sentem traídos. Mas o interessante é que são apenas estes a se sentirem assim. Todos os que votaram contra dizem o mesmo. Então alguma coisa está errada.
A mídia está fazendo um desserviço ao país. Colocam manchetes do tipo “Dirceu sabia de tudo”, para a seguir ao longo do texto explicarem que alguém disse que escutou alguém falar que Dirceu deveria saber. Isto é de uma irresponsabilidade inominável.
Uma coisa é se mostrar cabalmente, como no caso Maluf, que um valor saiu da contabilidade da empresa Mendes Júnior para a conta de um doleiro. O mesmo valor saiu da conta dele e entrou numa conta no exterior em nome de Paulo Maluf. Isto está correto.
Muito diferente de se falar em corrupção sem provar coisa alguma. Se achincalhar o nome de pessoas sem comprovar nada. Contribuir para que delegados e promotores públicos coloquem a público depoimentos dados em processos que buscam esclarecer fatos e pó fazerem parte dos autos de um processo deveriam ser sigilosos. Ninguém mais respeita a lei e somos todos levados a acreditar que cada um destes depoimentos são a expressão da verdade.
A oposição no Congresso Nacional escolheu Severino para presidir a câmara contrariando um processo histórico que dava este cargo ao partido com a maior bancada. Ele era o máximo até dizer uma das maiores verdades: não existe “mensalão”. Foi o que bastou para tentarem derrubá-lo de qualquer maneira. De íntegro passou a corrupto. Sem ainda qualquer prova de que tenha cometido uma ilegalidade decidiram que ele deve ser cassado.
Estamos diante de uma era McCarthy O período de caça aos comunistas nos EUA nos anos 50, onde pessoas eram acusadas por qualquer coisa que tenham dito que elas disseram. Bastava uma testemunha apontar alguma cosia e imediatamente aquela pessoa era declarada uma comunista sofrendo todo tipo de conseqüência. Não era preciso provar nada, bastava parecer que era.
O Brasil precisa se pensar maior. O cidadão brasileiro precisa exigir que a justiça seja igual para todos. Ninguém pode ser exposto à execração pública sem provas. A polícia, o Ministério Público tem a obrigação de zelar pelos direitos do cidadão de inocência até que se prove ao contrário. Esta é uma condição de civilidade e de cidadania imprescindível para o nosso pleno desenvolvimento como uma nação plena.
por Mauro Nadvorny | 30 ago, 2005 | Sem Categoria
Há cerca de dois meses a revista Veja estampou na sua capa o rosto do Deputado Roberto Jefferson, tendo como pano de fundo o funcionário dos correios Maurício Marinho recebendo uma propina (dizem de R$ 3.000,00 reais, mas eu não sei quem contou).
De lá para cá estamos assistindo a uma enxurrada de delações transmitidas por todos os meios de comunicação numa guerra nunca antes vista por quem trará o anúncio de mais uma maracutaia, a maior de todas, a pior de todas, aquela capaz de derrubar um ministro, ou quem sabe o presidente da nação.
Por razões profissionais aprendi nos últimos anos duas importantes lições. A primeira de que nem tudo é o que aparenta ser. A segunda, de que existe uma grande diferença entre fatos e versões.
Estamos vivendo um momento único. Não, não é o fato de termos descoberto que até o PT seria capaz de fazer o que os outros partidos sempre fizeram. Refiro-me ao fato de que estamos diante de uma das maiores lavagens cerebrais nunca jamais vistas. Estamos diante de uma alucinação coletiva. Todos falam de supostos acontecimentos como se eles tivessem ocorrido e aguardam a punição dos culpados, como se culpados houvessem de algo que sequer foi provado sua ocorrência.
Alguém já se parou para pensar que os congressistas estão fazendo papel de polícia, promotores de jornalistas e jornalistas de juízes? E a polícia? Bem, a polícia está tentando trabalhar, mas não querem que ela cumpra o seu papel. Polícia deve correr atrás de ladrão de galinhas. Investigar congressistas é coisa séria, uma vez que eles fazem parte de uma casta especial que dá a eles fórum privilegiado.
Roberto Jefferson ficou magoado ao não ter sido defendido pela base aliada daquela insinuação feita pela Veja. Convenhamos, aquilo foi o mais puro jornalismo marrom. Sou 100% favorável à liberdade de imprensa, mas sou 1000% favorável à responsabilidade de imprensa. O que a Veja fez nos remete ao caso da Escola de Base quando a imprensa acabou com a ida de um casal acusando-os de molestarem sexualmente as crianças da escola. Tudo isso simplesmente dando voz a conclusões irresponsáveis do delegado do caso. Para demonstrar todo o seu desprezo, Roberto Jefferson anunciou ao país a existência de um pagamento mensal feito pelo PT para a compra de deputados do PP e do PL. Não de alguns deputados, mas de toda a bancada. Mais do que isso deu nome ao boi, chamou de “mensalão”. Foi o que bastou para que uma onda de indignação tomasse conta de toda a nação, apenas para ficar na rima.
Analisei as palavras de Roberto Jefferson com a Tecnologia de Análise de Voz israelense com a qual trabalho. Ele realmente acreditava no que dizia (na verdade no que o ex-presidente do PTB, José Carlos Martinez havia contado a ele), mas isto não prova que o PT pagava as bancadas do PP e do PL mesadas de qualquer tipo. É mais ou menos como analisar um sujeito que diz ter sido abduzido por um disco voador. A análise pode comprovar que ele está dizendo a verdade. Isto prova que ele realmente acredita ter estado num disco voador, mas de maneira alguma prova a existência deles.
A vitória de um trabalhador para a presidência do Brasil não foi suportada por muita gente. Nem de longe somos um país de maioria socialista, sequer de esquerda. Lula chegou lá por seu mérito, muito mais do que pelo de seu partido. Tanto assim que não fez maioria absoluta no Congresso e alianças com outros partidos foram à única forma de poder governar. Simples e pragmático. Qualquer coisa diferente disso seria o mesmo que entregar a presidência ao segundo colocado.
Roberto Jefferson armou a fogueira e a mídia se encarregou de mantê-la acesa jogando constantemente gasolina. Congressistas do PFL (aquele partido de Antonio Carlos Magalhães que há pouco tempo tentou fraudar as votações alterando os resultados no painel eletrônico) e do PSDB (cujo governo de Fernando Henrique Cardoso quase quebrou o país), associados a partidos da esquerda raivosa como o PSOL viram sua chance de vencerem as próximas eleições. O Congresso Nacional virou um antro de Franciscanos maculados pela presença de petistas corruptos.
Criam-se CPIs e CPMIs. A primeira delas com um nome esplendoroso: Comissão Parlamentar Mixta de Inquérito dos Correios. Seu propósito era investigar a ocorrência, ou não, de fraudes nos correios. Mas como ficar focado num sujeito que aceitava migalhas de propina acusando o PTB de ser o grande beneficiado se o povo ficara conhecendo a Marcos Valério? Impossível ficar passível a tamanho clamor popular. O homem era o trem pagador de todo o caixa 2 do PT, e é óbvio, o cara que pagava o “mensalão”. Por que perder tempo com uma picuinha dos correios se agora existia um vilão maior? Passaram a investigar a tudo e a todos.
Azar o deles, criaram a CPI do “Mensalão”. De uma hora para outra, congressistas passaram a serem vistos diariamente na TV falando para milhões de telespectadores. Alguém pode mensurar o que vale um discurso de 12 minutos interrompido apenas pela obrigação de se fazer uma pergunta para aquele criminoso? Sim todos aqueles intimados ou convidados a depor foram tratados devidamente como culpados de todas as acusações, ou não?
Que organização de Direitos Humanos permitiria que suspeitos fossem interrogados durante 14 horas seguidas? Que tribunal no mundo aceitaria qualquer coisa dita num interrogatório levado a cabo por mais de 30 interrogadores implacáveis durante tanto tempo seguido? Como se permite isso num país dito civilizado? Quem de nós aceitaria prestar um depoimento numa delegacia que fosse transmitido pela TV? Quem e nós aceitaria depor ao Ministério Público se nosso depoimento fosse tornado público no minuto seguinte ao seu término? Como é possível a mídia publique ou mostre na TV evidências entregues pela polícia que sequer foram comprovadas? Lembrem da Escola de Base…
Vivemos um momento singular. Todos os atos de governo sejam na esfera municipal, estadual ou federal, são controlados pelos respectivos Tribunais de Contas. Existe ainda a Controladoria Geral da União. Cabem a estes funcionários públicos, sim somos nós que os pagamos, aprovarem, ou rejeitarem as contas e fiscalizarem as compras. Eles têm a lei e a experiência para fazer este trabalho. Eles têm as condições de trabalho para comprovarem quando uma licitação é fraudulenta. Eles sabem quando existe malversação do dinheiro público. Pelo menos imaginávamos que sim. Se tudo o que diz a mídia for verdade, então estamos diante do maior descalabro da história republicana. Nunca tantos funcionários públicos foram tão incompetentes.
Existem verdades incontestáveis, são os fatos. Marcos Valério tomou dinheiro dos Bancos Rural e BMG. Ele distribuiu este dinheiro a dezenas de pessoas enviadas por Delúbio Soares, tesoureiro do PT. Nenhum banco do mundo empresta dinheiro para alguém cujo avalista tem um patrimônio milhares de vezes menor do que o valor do empréstimo. Então se criam as versões. Delúbio precisava de dinheiro para saldar as campanhas. Ele pede para Marcos Valério fazer alguns pequenos empréstimos de cerca de 50 milhões de reais nos quais se coloca como avalista e pede a ele que distribua este dinheiro da forma como ele ordenar. Marcos Valério, uma pessoa de uma ingenuidade ímpar faz tudo o que seu amigo de alguns dias, Delúbio pede, por que ele é um cara legal, e afinal de contas ele pediu como amigo e disse a ele que devolveria. Mas este filme já não foi visto antes? Marcos Valério não foi o mesmo ator da campanha de Eduardo Azeredo do PSDB para o Governo de Minas? Então estamos diante do “Mensalão 2”, ou “Mensalão, o retorno”.
Nossos investigadores eleitos desculpem, nossos congressistas eleitos solicitam milhares de documentos aos bancos envolvidos e de quebra a todas as instituições que possam ter algum envolvimento também. Não sei quantas árvores foram derrubadas em vão para produzir todos aqueles volumes que lá permanecem para serem analisados por alguém. Como a TV não transmite este tipo de tarefa, com certeza vão arrumar alguém para fazê-lo, contratando talvez uma empresa de auditoria ou chamando outros funcionários públicos para tão enfadonha tarefa que pode, isso sim, demonstrar a existência dos crimes alegados de forma cabal.
Enquanto isso tudo vai passando diante de nossos olhos, nobres deputados declaram diariamente a existência incontestável do famigerado “mensalão”. Já não se pergunta mais que estava recebendo para que. Qualquer um que tenha tido a infeliz idéia de ter estado naquela agência do Banco Rural em Brasília recebendo, ou enviando um preposto para receber alguma quantia, é um canalha. Qualquer nome numa lista, qualquer CPF é prova disso.
Tudo isso não pode ter sido uma obra de dois trapalhões, Marcos Valério e Delúbio Soares. Até Roberto Jefferson sabe disso. O homem que teria sido o grande mentor, o grande estrategista não poderia ser ninguém menos do que José Dirceu. E tudo não ficaria muito melhor com o tempero de um ministro envolvido? Então se acrescente Antonio Palloci.
Analisei as falas de ambos e pude constatar que nenhum deles está envolvido com as acusações que lhes imputam. Antes de tudo não encontrei nenhuma confirmação da existência do “mensalão” de Roberto Jefferson. Todos os que negaram terem conhecimento da sua existência não estavam mentido.Dirceu não tem nada a ver com Marcos Valério e as suas aventuras com Delúbio Soares. Palloci não recebia 50 mil mensais da Leão Leão em Ribeirão Preto quando era prefeito.
O que afinal de contas está acontecendo? Infelizmente muito pouco. O PT foi apanhado fazendo aquilo que sempre criticou. Seu secretário geral aceitou um carro de presente, não qualquer um, uma Land Rover do presidente de uma empresa que presta serviços para a Petrobrás. Seu tesoureiro aceitou dinheiro de bancos, sabe-se lá em troca de que vantagens. Os membros da base aliada fizeram uma lambança com este dinheiro todo. Alguns provavelmente quitaram dívidas de campanha enquanto outros suas dívidas pessoais e alguns, ambas dívidas.
Quem deve ser punido? O presidente Lula por que deveria saber de tudo o que acontece? Alguém sabe de tudo o que acontece na sua própria casa? Eduardo Azeredo disse que não sabia dos empréstimos de Marcos Valério por que tinha outros afazeres como candidato a governador. Mas Lula tinha que saber. Ele não estudou, tinha que saber. Ele não nasceu em berço de ouro, tinha que saber. Ele perdeu um dedo trabalhando, tinha que saber. Enfim, ele não pode ser candidato novamente, ele tinha que saber.
Vivemos num país de ironias. Enquanto um doleiro é condenado a 25 anos de cadeia por enviar divisas para o exterior, um jornalista respeitável, Antonio Pimenta Neves, réu confesso do assassinato de sua companheira Sandra Gomide aguarda em liberdade a mais de cinco anos pelo seu julgamento. Este fato, que não é isolado demonstra bem o que é a nossa justiça.
Aqueles que deveriam criar as leis que não permitissem tamanhas aberrações estão por demais ocupados em criar versões para casos de polícia. O país se vê refém de uma briga de comadres que insistem em culpar sem provas a qualquer preço os envolvidos em sabe-se lá o que. Alguém vai ter de pagar por isso. Agora dizem que nada vai terminar em Pizza, como se houvesse uma obrigação de se encontrar culpados de algo que não conseguem comprovar sequer ter acontecido. Enquanto eles procuram em quem jogar a culpa, nós seguimos sustentando com o nosso trabalho a tudo isso. Sim por que todo este tempo perdido em frente às câmaras de TV é pago com o nosso dinheiro. Todo este tempo trocado pela análise de temas relevantes, como a reforma política que poderia ajudar a prevenir falcatruas eleitorais, está sendo desperdiçado.
Sabem o que isso significa? Que para poderem realizar o verdadeiro trabalho para o qual nós os elegemos, vão precisar abrir mão de algum período de férias e receber salários dobrados para apreciar tais matérias. Pense bem quando votar nas próximas eleições.
Seguramente não sou o dono da verdade. Aprendi, no entanto que num sistema judicial justo, mais vale cinco culpados soltos que culpar um único inocente. Todos nós precisamos aprender que a justiça precisa ser igual para todos e exigir a extinção de fóruns especiais. Quem comete qualquer tipo de crime deve ser investigado pela polícia. Se for julgado e culpado, deve então receber condenação pertinente. Nunca faça julgamentos precipitados com base em versões e suposições. Não se deixe levar pelos apelos da mídia. Lembre-se ela precisa vender para sobreviver.
por Mauro Nadvorny | 28 ago, 2005 | Sem Categoria
O eterno círculo de violência se mostra ativo mais uma vez. Semana passada, numa ação militar Israel tentou prender um terrorista e acabou tirando a vida dele juntamente com a de mais cinco civis em Tul Karem. Hoje, um terrorista suicida se explodiu em Beer Sheva ferindo dois guardas, um gravemente que luta por sua vida enquanto escrevo este artigo.
Somente os ingênuos imaginavam que a retirada de Gaza fosse trazer os dois lados a mesa de negociações. Somente os idiotas imaginavam que a retirada dos colonos fosse impedir novas ações de violência.
A saída de Gaza ainda não surtiu efeito algum. Sharon já colocou muito mais colonos na Cisjordânia, do que retirou de Gaza. O cerne da questão, a criação de um Estado Palestino dentro das fronteiras de 67 continua sendo negada. Enquanto isto não acontecer, nunca haverá paz na região.
O Estado Palestino precisa ser viável e trazer condições de desenvolvimento para seus habitantes. Somente com o crescimento do emprego os palestinos poderão deslumbrar um futuro, e com isso deixarem de lado o fundamentalismo islâmico que para muitos é sua única fonte de sustento, seja através de ajuda financeira, seja através da doação de alimentos para a subsistência de suas famílias.
Sharon está diante de um impasse. Pode dar um grande passo em direção a Paz e com isto escrever seu nome no Hall dos Estadistas Mundiais, ou olhar para traz e continuar exigindo da AP que atue contra os extremistas, como se tivessem condições de fazê-lo.
Sharon pode escolher entre a vida e a morte de milhares de pessoas. Se prosseguir buscando um acordo, sem se deixar cegar pelos atentados terroristas, vai estar garantindo o direito a vida de muitos israelenses e palestinos. Se optar por fechar a porta e aguardar que os terroristas se extingam, vai estar convidando a morte a ceifar vidas inocentes.
Nunca gostei de Sharon, e nunca escondi isso. Minha opinião sobre ele não mudou. No entanto o fato de ter realizado um passo importante na solução do conflito me é o bastante para parabenizá-lo. Agradeço em nome da todos os que lá tombaram cujas almas seguramente agora vão poder descansar. O cumprimento em nome daqueles que finalmente vão poder experimentar a liberdade de viverem sem a presença de um exército de ocupação. De se locomoverem livremente dentro de suas fronteiras. De terem de volta suas terras roubadas e entregues a colonos de outro país.
As feridas da retirada logo vão estar saradas. Além de uns poucos milhares de fanáticos, a maioria dos israelenses apoiou a saída de Gaza. O levante das massas ficou unicamente nos devaneios de um grupelho extremista que até o último momento aguardou por uma providência divina. Pelo visto, até mesmo Deus discordou deles.
As coisas logo vão voltar ao que eram antes. Todos precisam tocar suas vidas. Nós do campo da paz vamos continuar lutando por uma solução global que permita aos dois povos se reconciliarem e se desenvolverem sem guerras.
Colonos da Cisjordânia, vocês tem que sair!