por Richard Klein | 20 fev, 2020 | Brasil, Comportamento, Literatura, Livro
Queridos futuros leitores,
Samba Perdido é um livro que acompanha duas buscas por identidade. A primeira é a minha enquanto filho de um sobrevivente do holocausto e de uma judia Londrina na colorida Zona Sul carioca dos anos sessenta, setenta e oitenta. A segunda é a de uma geração que atravessou a ditadura militar para depois enfrentar uma das piores crises econômicas que o país já viveu. As páginas que aparecerão pingadas em capitulos neste blog, são uma homenagem a esses meus companheiros de viajem.
Por uma perspectiva pessoal, semi-estrangeira, tentei dar um depoimento fiel da festa que foram os anos setenta no Rio de Janeiro e da ressaca que veio depois, nos anos oitenta. Vivi a época intensamente, o que me fez arrogar a escrever um livro de memórias. No pano de fundo destes acontecimentos estava o nascimento do mais longo ciclo democrático que já aconteceu no Brasil. O livro está repleto de anedotas, “causos” e reflexões. Devido a meu passado de violeiro e ao clima daqueles tempos, o leitor encontrará um viés musical percorrendo a narrativa.
Aqui cabem três agradecimentos especiais. O primeiro vai para Oliver Marshall, autor e historiador da Kings College de Londres. Talvez graças ao seu parentesco com o autor Austríaco, depois radicado no Brasil, Stephan Zweigg, resolveu me apadrinhar e editar o livro original em inglês, Lost Samba. O segundo agradecimento vai para o tradutor Evandro Veiga, fiel e competente escudeiro na aventura quixotesca de reescrever o livro na língua em que foi vivido. O terceiro vai para meu amigo de longa data, o falecido Fred Gouveia, que editou o a versão em português, e que, por ter passado por experiências parecidas, trouxe mais vida ao escrito. Acima de tudo, estes três me fizeram acreditar no projeto.
Mais do que um relato pessoal em um Brasil que está em risco de extinção, Samba Perdido é um depoimento universal sobre o que acontece quando trilhamos caminhos em territórios desconhecidos e das descobertas que fazemos ao nos abrirmos para o que o universo nos oferece. Embora tenha começado a escrevê-lo quando morava em Jerusalém, este não é um livro sobre judaísmo, mas certamente é um livro sobre um judeu. Ele versa sobre a dança da vida, sobre pessoas – e do que elas têm a oferecer – independentemente da engrenagem em que estão imersas.
Finalmente, gostaria de fazer o quarto agradecimento a Mauro Nadvorny por me oferecer este espaço, lhe mandar um grande abraço e lhe dar parabéns por esta iniciativa de desenvolver uma narrativa diferente para nossa comunidade no Brasil.
Espero que curtam o livro, amor fraternal,
Richard
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por Mauro Nadvorny | 19 fev, 2020 | Brasil, Comportamento, Justiça, Política
SHABAT SHALOM, PAPA FRANCISCO!
Sou judeu e pouco tenho a ver com isso. Mas por ser judeu humanista e universalista não posso deixar de comentar algumas coisas.
Ver católicos revoltados com o Papa por ter recebido Lula no Vaticano é realmente algo inusitado.
Espera-se de um católico (que conheça minimamente a Paixão de Cristo) e outras partes da Bíblia que tenha capacidade de refletir sobre o conceito de pecado, crime, condenação, e sobre o Jesus histórico ou o Jesus homem.
Espera-se de um católico que conheça o fato de que nenhum idiota chega ao papado. Que para sentar-se no trono de São Pedro há de se comer muitos pães amassados pelo diabo. É muita formação, muita informação, muita disciplina, muita continência, muita capacidade. Inclusive sobre leis.
Como judeu, eu poderia até ficar verde de raiva e de sede de vingança contra a Igreja Católica. Mas meu tempo e lugar é outro. O Papa Francisco também está em outro tempo e lugar. Temos a felicidade e o privilégio de poder vê-lo à frente do Vaticano, pedindo perdão pelos erros do passado e lutando para corrigir os atuais.
Assim, é difícil imaginar-me como católico e não me sentir verdadeiramente intimado a uma reflexão profunda sobre o fato de o Papa Francisco receber Lula. Se sou católico observante e conhecedor da Igreja e do Papa, sou obrigado a rever meus conceitos e ideias preconcebidas sobre Lula quando o Papa o recebe. Na realidade, quando o Papa recebe Lula, ele convida todos os católicos que não gostam do Lula a fazer isso. Afinal, tenho que ter como pressuposto fundamental que o Papa tem conhecimentos, experiências e uma capacidade que eu não tenho.
Se como católico, coloco-me acima do Papa, é por que nunca fui católico. Não aprendi nada. Estou condenando uma pessoa simplesmente por que outras o condenaram. Isto, a Bíblia chama de “fofoca”. E penaliza gravemente, especialmente aos judeus, uma vez que este regramento é da Torá, ou Pentateuco, parte das Bíblias cristãs e judaicas.
O Papa sabe que boa parte da Lava-a-Jato é fofoca. O Papa sabe o que é LAWFARE e está protestando contra isso. Para tomar esta posição, ele, além de ser muito sábio e corajoso, está muito bem assessorado. Muito melhor do que pseudocatólicos hidrofóbicos e ignorantes.
Eu saúdo o Papa Francisco! Muito obrigado pela sua coragem!
por Mauro Nadvorny | 19 fev, 2020 | Brasil, Comportamento, Política
O PADRÃO MUDOU. CHIC É SER DESONESTO.
O assim chamado filósofo Luiz Felipe Pondé brinda-nos hoje, com seu artigo na Folha/UOL, com uma verdadeira ode ao pseudoevangelismo que assola o Brasil, defendendo a política pública proposta pela Ministra Damares, que é a da abstinência sexual como forma de prevenção de gravidez precoce e outras questões de impacto social.
Pondé defende que as igrejas evangélicas formam um poderoso vetor de organização social, que na sua descrição, “adiar a vida sexual, principalmente das meninas de classes sociais vulneráveis, é uma ferramenta comportamental de grande uso para evitar a gravidez indesejada, a violência contra a mulher, filhos abandonados que migram para o crime”.
Alega ainda que diante da “falência total do estado” as igrejas vem sendo ferramentas de organização de vidas”, e que “tem alunas que contam que seus pais, evangélicos, mantiveram-nas afastadas do destino mais comum de suas amigas, o de envolverem-se com traficantes que logo são assassinados e deixam filhos órfãos”.
Ele apoia a política de Damares, em síntese.
Como assim? Pode um professor de filosofia de nível universitário, pós-graduado e titulado, defender uma política pública sobre a qual, confessadamente (pela equipe da Ministra Damares) não há evidência científica alguma sobre sua eficácia?
Pode um professor de filosofia aceitar que o tipo de neopentecostalismo praticado no Brasil seja uma boa (e única, a julgar pelo seu texto) forma de se preencher os vazios do estado?
Pode um professor de filosofia induzir seus leitores a acreditar que a simples repressão moralista e vazia de valores sociais estruturantes é capaz de diminuir a violência contra a mulher, logo em um momento em que, associado ao crescimento do neopentecostalismo brasileiro, a violência contra a mulher e os feminicídios crescem epidemicamente?
Pode um professor de filosofia tentar convencer seus leitores com uma absurda visão racista que o crime nasce nas classes mais vulneráveis, quando vemos a violência miliciana crescente e oriunda de ex-oficiais e graduados das polícias?
Amigas e amigos, estamos diante de uma das maiores fraudes intelectuais já vista por estas paragens. Sabemos muito bem que a violência contra a mulher (e também contra os LGBTI) é na maior parte originária do moralismo de fundamento neopentecostal (não exclusivemente) que por sua vez fomenta a sociedade patriarcal machista e intolerante. A visão de mundo provida por boa parte destas igrejas forma pessoas limitadas a um tipo de visão de mundo em detrimento de outras, restringindo assim, especialmente so jovens, o acesso a experiências e diálogos com outros setores do conhecimento e com formas de amadurecimento psicológico, social e político.
Não se trata aqui de promover ódio contra a religião ou de negar seu valor como forma de organização social e cultural. Trata-se de combater a visão de que a religião e seus valores, em um dado momento de uma nação é a única forma (e como já disse, sem demonstração científica) de combater certas mazelas da sociedade, bem como combater a visão racista e restrita sobre a origem de nossos males.
O pior de tudo, a sociedade está engolindo este tipo de fraude e ainda paga por ela. Parece que a desonestidade intelectual passou a ser um valor capitalista, definitivamente.
por Mauro Nadvorny | 19 fev, 2020 | Brasil, Comportamento
Não sei se eram todas, mas existiam escolas judaicas no Rio sob autogestão. Comissões de pais cuidavam da administração, avaliavam a concessão de bolsas de estudo, debatiam linhas pedagógicas. E não apenas as chamadas progressistas, que o faziam por convicção ideológica. O Colégio Hebreu Brasileiro, na Tijuca, com suas tintas conservadoras, era gerido pelos pais de alunos, entre eles o meu. As candinhas diziam, cala-te boca !, que, depois das reuniões, rolava uma cervejinha no bar da esquina, uns tremoços talvez, ninguém era de ferro. A espelunca guardava os segredos daqueles homens castigados por vidas sem poesia.
Num carnaval triste, manhã tão tristonha manhã, o coração do Grande não suportou os pesos que carregava. Disse adeus e foi-se embora. Atônitos, descobrimos o valor que davam ao seu trabalho voluntário, para o qual sacrificava parte da vida afetiva. O Colégio resolveu, então, homenageá-lo. Inauguraram um retrato na secretaria, daqueles bem comportados, meu pai olhando para um infinito que jamais alcançou. O Menino, então, teve uma visão.
O prego onde seria pendurada a imagem começou a se mexer. No início, não acreditou. Coçou os olhos, apurou a vista, mas o metal insistia em se mover, de início lentamente, depois mais atrevido. O mais estranho é que ninguém percebia. Muitos anos depois, lendo o poeta Manoel de Barros, soube que o olho vê, a lembrança revê, a imaginação transvê. Os solenes apenas viam. O Menino teve seu momento transviado.
O prego-libélula ficou à deriva por muitos anos. Silencioso, mas desejante. À espera do porto de outro olhar. E ele chegou. O colégio foi demolido, móveis e documentos velejaram para o exílio e as cinzas, os homens pensaram outras raízes. Um dia, visitei a diretora do colégio onde ganhei maioridade religiosa (que perdi quase em seguida). Divulgava uma videoteca com grande valor pedagógico, oferecida sem custo a todos os colégios judaicos do Rio. Sinal de uma patologia grave, ninguém se interessou. Ao reconhecer meu sobrenome, a diretora pediu que aguardasse um pouco e se retirou para uma saleta contígua. Voltou de lá com uma moldura, que me ofereceu. Antes de identificá-la, percebi um leve movimento, que logo se transformou num voo arisco. Era meu prego-libélula, que, finalmente livre do metal, se aninhou numa folha de mangueira. E partiu em busca de outros Meninos.
Virei a moldura. Era ele, Zissi, meu Velho, que, agora, deixara de procurar o infinito e se satisfazia em achar meus olhos. Podia, enfim, compartilhar sua indiscutível solidão. Saímos por aí, acordando de um sonho estranho, coração de vidro e corte. Coloquei a moldura no meu pequeno altar doméstico, recorte de lembranças que degelam a cada dia. Ali, eu cuido das nossas feridas, dos nossos desassombros. E sou feliz. Somos felizes.
O argentino Alberto Manguel, falando sobre o ato de ler, garantiu que, em meio a um monte de livros, haverá sempre um que está à nossa espera, quietinho, escrito, sabe-se lá como, pensando em nós. Circuitos misteriosos que dão sabor à vida. Buscar esta beleza, em imagens ou letras, é, parafraseando Manoel de Barros, uma solenidade de amor.
por Mauro Nadvorny | 15 fev, 2020 | Brasil, Comportamento, Política
Os membros do atual governo não têm mais a menor vergonha em dizer para que tipo de gente eles governam e quais são seus objetivos em relação a classe social para a qual se importam. Quando Guedes diz que o dólar baixo só serve para a felicidade das domésticas, que podiam ir para a Disney, me vem a lembrança a foto daquela menina nos ombros do pai, em uma manifestação contra a Dilma, segurando um cartaz, onde dizia que não estava podendo viajar para Disney.
Relembrando aqueles dias, também me volta a memória a foto de um casal com um carrinho de bebe sendo empurrado por uma doméstica, também em uma manifestação contra a Dilma. Fica claro, para mim ao menos, de que aqueles manifestantes dominicais da classe média e alta, toda de verde amarelo da seleção, foram as ruas como grande massa de manobra. E continuam com seu comportamento de gado até os dias de hoje.
Quando o governo se propõe a deixar de construir escolas, vejo que finalmente batemos no fundo do poço, ou em outras palavras, chegamos de maneira clara e objetiva, onde eles queriam estar. Quem precisar de educação, que pague por ela. O mesmo vai acontecer em breve com a saúde e depois com a segurança. Tudo privatizado a serviço de quem puder pagar pelo serviço.
Nesta mesma direção, vamos ter as mesmas políticas nos estados e municípios. Quer que a sua rua, ou o seu bairro seja patrulhado por policiais, pague por isso. Precisa de saneamento na sua rua, pague por isso. Iluminação pública, pague por isso. O lixo precisa ser retirado, pague por isso. No seu bairro as pessoas podem pagar? Que bom, sua vida será ótima, mas não saia dele e não vá para os lugares onde as pessoas não podem pagar.
O Brasil solidário, o Brasil de todos, aquele que tinha saído do mapa da fome, que investiu em educação, saúde e segurança com respeito aos direitos humanos, acabou! Ele está realmente sob nova direção e ela aponta para o neoliberalismo assentado na meritocracia. Os bancos sempre lucraram, mas agora seus lucros vão superar todas as expectativas. E quando isso acontece, é sinal de que a Casa Grande está feliz.
O dólar alto significa que exportadores estão podendo vender mais para fora. O mesmo dólar que antes comprova um Kg de carde brasileira, agora compra dois. Tudo ficou mais barato para ser mandado para fora do país.
Por outro lado, o dólar alto, causa um grande problema para os importadores. Não é de produtos supérfluos que estou falando, para eles o governo compensa baixando os impostos. O problema são as máquinas, insumos para a indústria, medicamentos e tudo aquilo de que necessitamos para modernizar nosso parque industrial e tecnológico.
Vamos aos poucos voltar a ser exportadores de commodities e importadores de manufaturados, exatamente onde estávamos há 50 anos atrás. O terceiro mundo está recebendo o Brasil de volta ao seu lugar. Todo o esforço para desenvolver o país e melhorara a qualidade de vida da população está sofrendo um enorme retrocesso.
Estamos perdendo também nossas melhores mentes. Pesquisadores, engenheiros, médicos e cientistas estão abandonando o país. Este processo silencioso de profissionais gabaritados e brilhantes em seu campo de atuação em direção a outros países, tem um custo enorme para o desenvolvimento do país.
Quando vejo pesquisas de opinião afirmarem que Bolsonaro ganharia as eleições contra qualquer oponente, se elas fossem realizadas hoje, me pergunto o que está faltando para este povo se dar conta do que está acontecendo. Qual o nome desta apatia generalizada que tomou conta da população que permanece fiel a este governo? É como aceitar que eles devem estar fazendo alguma coisa muito boa, estão certos em tudo e por isso a felicidade geral da nação.
Eu sei que nada acontece até depois do Carnaval. Que somente em março começa o ano realmente, mas o que já aconteceu até aqui é desanimador. A esquerda não consegue mobilizar a militância que não consegue mobilizar as massas. Aqui de fora, lamento ter de dizer, o que se enxerga é que eles, não somente venceram as eleições, como estão sendo muito bem sucedidos em seu planejamento de poder.
Nem mesmo a imprensa e jornalistas, achincalhados diariamente, menosprezados e agredidos pelo presidente, reagem de maneira condizente. Vergonhosamente se omitem, ou se muito, se contentam em dizer que o presidente está errado, que foi muito feio o que ele fez, ou que esperam que ele compreenda a necessidade de serem imparciais… Covardes!
Obviamente que resistimos. Nós que colocamos nossa cara a tapa, nós que não nos calamos e fazemos nossa voz chegar longe nas redes sociais. Que denunciamos e mostramos a realidade do que está acontecendo. Aqueles que não soltaram a mão de ninguém e não saíram da trincheira. Nós que nunca vamos deixar de ser a consciência do povo mais humilde. Estamos aqui!
Use a sua voz, ajude a denunciar, mostre o que está sentindo, seja mais um a lutar por um Brasil mais solidário e mais igualitário. Nos dê a sua mão.
por Mauro Nadvorny | 7 fev, 2020 | Brasil, Comportamento, Política, Protesto
Como não amar estas duas mulheres? Seus nomes combinam e suas atitudes são uma luz que nos norteia neste momento de tantas trevas no mundo. Mulheres de atitude que nos dão uma injeção de ânimo quando as assistimos confrontando os poderosos.
Greta Thumberg nasceu em Estocolmo, na Suécia e tem hoje 17 anos. Militante pelo clima, esta jovem tocou na consciência dos líderes mundiais. Disse na cara deles o que nunca quiseram escutar. Colocou neles a culpa pelo que está acontecendo hoje, e principalmente pelo futuro do planeta que está ameaçado pela falta de atitudes contundentes para interromper o aquecimento global.
Petra Costa é de Belo Horizonte, brasileira, hoje com 36 anos. Cineasta, ela procura fazer filmes que documentam a realidade vivenciada por ela mesma. Vem de uma família de esquerda e foi marcada pela perda de sua irmã mais velha que cometeu suicídio. Petra é também uma militante das causas femininas como o direito ao aborto. Seu mais recente filme, Democracia em Vertigem foi o escolhido para representar o Brasil no Oscar.
A indicação foi duramente criticada pelo governo atual e seus apoiadores porque retrata o golpe que derrubou a presidente Dilma e os acontecimentos que se seguiram e levaram a eleição de Bolsonaro. Depois de atacarem o filme, atacaram a própria Petra que pode mostrar ao mundo como seu filme fez jus a indicação. A história continua na vida real.
Tanto Greta como Petra, são uma inspiração para todos nós. Elas provam que o mundo continua extremamente preconceituoso em relação as mulheres com atitudes. Seus agressores expressam toda sua inconformidade com o fato delas, como mulheres, serem bem sucedidas em suas atividades e terem sido capazes de mobilizar tanta gente a seu favor. Tentam detratá-las de todas as maneiras possíveis, mas só conseguem com que tenham mais e mais apoiadoras e apoiadores. Quando atacadas elas demonstram seu valor e sua coragem enfrentando a tudo e a todos.
Existem muitas outras mulheres como elas. Talvez desconhecidas do grande público, elas estão presentes na resistência contra o fascismo. Basta se olhar para as mídias que acompanham os grandes acontecimentos. Seja nas manifestações ao redor do mundo por mais liberdades, por mais justiça, seja no engajamento por questões sociais, e claro na luta contra este governo no Brasil, lá estão elas. Na maioria das vezes na linha de frente.
No Grupo “Resistência Democrática Judaica”, nos coletivos “Judeus pela Democracia” do RJ e de SP, e no coletivo “Judias e Judeus com Lula”, elas estão presentes em grande número. E fazem bonito, engajadas e atuantes. Nos partidos de esquerda, lá estão elas, sempre vibrantes e contundentes nas suas atitudes.
Quanto orgulho de poder presenciar este momento tão importante na história. Por mais que o fascismo tenha sido capaz de se estabelecer pela via democrática em tantos países, já é possível escutar a voz da mudança e ela é feminina. São as mulheres que vão ajudar a devolver o fascismo para a lixeira de onde ousaram sair. São as mulheres que vão salvar o clima no planeta.
Assistir pela TV a Nancy Pelozi rasgar o discurso do Donald Trump não tem preço. Mais uma vez, foi uma mulher que lavou a nossa alma. Quem entre nós não gostaria de ter feito o que ela fez? Quem vai lembrar do que Trump discursou depois disso. A imagem dela ficou para a história.
Que bom saber que elas estão ao nosso lado na resistência. Todos os dias incomodando a extrema direita com novas ações e novas proposições. Sua presença é tão intimidadora para certas pessoas, que tentaram calar uma voz assassinando Marielle. O tiro saiu pela culatra e serviu somente para trazer outras milhares de Marielles para a luta.
Companheiras, continuem fazendo o que fazem de melhor, nos apontando sempre o caminho. Vocês são fantásticas, vocês são a revolução.