Façamos amor por todo este dia, nus (e desnudados) em gozos plurais, multifacetados e libertação plena! Vem, amor!
III
Quando nos cansarmos da cama, faremos amor no sofá, na mesa da cozinha, no corredor, no chão da sala. Vem, amor!
IV
Abriremos nossas pupilas e nossos poros, abençoaremos nossos lábios com nossos próprios corpos, libertaremos nossos fogos e, em urros, voaremos às alturas e, sem trégua, mergulharemos, profundos, em nossos corpos e almas!
V
Lá fora, hoje, meu amor, na rua, há apenas torcida organizada por anencéfalos, e há torcedores drogados carregando suas bandeiras e seus paus, e há repressores, e há reprimidos, e há destruidores da Educação, e há osmóticos, e há repetidores de PowerPoint, e há homofóbicos, e há islamofóbicos, e há banqueiros, e há antissemitas, e há fascistoides, e há nazistas, e há preconceituosos, e há os exterminadores, e há os militaristas, e há machistas, e há psicóticos, e há bipolares, e há espancadores de mulheres, e há autoritários, e há golpistas, e há ignorantes, e há racistas, e há noveleiros, e há midiáticos, e há ressentidos, e há vingativos, e há antidemocráticos, e há os que odeiam, e há egoístas, e há ovelhas, e há curiosos, e há os absolutamente incapazes, e há igrejeiros, e há roubadores de merendas, e há especuladores, e há agiotas, e há roubadores de dízimos, e há escravagistas, e há roubadores de almas e há, por desgraça, a massa assexuada e acrítica, arrastada e centrifugada pelos seus donos! Lá fora, hoje, meu amor, há apenas caixa de gordura e bonecos que marcham!
VI
Vem, amor, vem pra cama!
VII
Vem, amor, vem hoje. A política, meu amor, deixaremos para depois de amanhã, quando se reunirem apenas os esclarecidos, conscientes e libertários!
Sim, sou de Esquerda, porque de Esquerda foram todos os meus patriarcas, de Esquerda foi Moisés, de Esquerda foram os Profetas, de Esquerda foram os maiores Pensadores do Judaísmo e de Esquerda foi aquela parte da minha família que viveu e sobreviveu em ghettos” no sul da Itália, contra todas as opressões, inclusive nazifascsitas.
Sim, sou Sionista, porque Sionistas foram todos os grandes homens e mulheres do Judaísmo por terem, em alto e profundo, uma relação direta de ancestralidade e comunhão com Eretz Israel. Sim, o meu Sionismo não é o mesmo sionismo dos “sionistas” que ocupam e esbulham as terras palestinas, porque o meu Sionismo é pleno de Judaísmo, e o sionismo deles, de ódio e antijudaísmo.
Sim, sou Sionista, e o meu Sionismo pressupõe defender Israel e sua integridade sempre e para sempre. Sim, é o Sionismo do “Am Yisrael Chai”, porque Israel é a melhor coisa que aconteceu nos últimos 2000 anos. Mas, o meu Sionismo não é islamofóbico nem anti-Palestino. É o Sionismo que respeita o Direito Internacional, as Resoluções da ONU e o direito inquestionável dos Palestinos de terem, também, seu Estado e sua independência soberana. Sim, sou Sionista e compreendo, em alto e profundo, que os Palestinos são filhos do mesmo patriarca Avraham.
Sim, sou Sionista, e sou Judeu, e sou de Esquerda, e amo a Torá, os Profetas, os Escritos, o Talmud, o Zohar e tudo aquilo que é fruto da alma e inteligência judias, da caminhada judaica e da experiência do Judaísmo no mundo – nos últimos 4.000 anos.
Hoje, 22/6/2022, Bolsonaro será julgado pelo TSE – Tribunal Superior Eleitoral, e é provável que aquele Tribunal o julgue inelegível. O conjunto de provas é farto, substancial, público, notório, jurídico: Bolsonaro atentou contra a Democracia, colocou em xeque o sistema eleitoral (diga-se, reconhecidamente, interna ou externamente, como sistema exemplar!). articulou, desde a facada (dizem que falsa!), um golpe.
Golpe encabeçado por ele, e promovido por setores neofascistas e atrasados das Forças Armadas, do sistema especulativo financeiro, dos ruralistas de pouco cérebro e muita voracidade destrutiva, da ala “política” mercenária, dos crentes tipicamente malafaístas, de movimentos expressivamente neofascistas (como o MBL, por exemplo!), da mídia especializada em antidemocracia e, também, de grupos repressores da sexualidade (caso para profissionais da área!).
Bolsonaro é o representante de uma direita burra, emburrecida, idiotizante, e que, há muito, abandonou os padrões (liberais) civilizados de economia, religião e política, e inclinou-se, amarrou-se, colou-se e prendeu-se à extrema-direita com ares nazifascistas! Os apoiadores e representados de Bolsonaro, e promotores do golpismo, estão entre a burrice adorniana (repetição de discursos vazios denunciada por T. Adorno) e a fúria hitlerista e mussolinista.
Mas, Bolsonaro, hoje certamente com sua derrota decidida pelo TSE, é um dos representantes desta extrema-direita (que quer se vender apenas como direita liberal). Michel Temer, Sérgio Moro e Fernando Collor são os outros “escolhidos” para representar o que se tem de pior no Brasil – a extrema-direita maquiada de direita democrática.
Michel Temer, um dos artífices do já reconhecidamente golpe contra o Mandato de Dilma Rousseff (só não é reconhecido por quem defendeu, sem qualquer argumento, o próprio golpe!), foi escolhido para dar existência e corpo aos promotores do golpismo. Com ele estavam todos os promotores do golpismo posterior (o golpe dentro do golpe), entre os quais, a ala neofascista dos militares! Braga Netto já estava com Temer, não nos esqueçamos! Mas, Temer foi derrotado, está derrotado, e saiu com os mais baixos índices de popularidade. Sua idade (e ligações) impede sua prisão!
Sérgio Moro, como se sabe, foi “condenado” como juiz suspeito. Era o escolhido pela extrema-direita para ocupar o lugar de Bolsonaro (a saída antecipada do Ministério da Justiça foi teatral, até porque não apenas se manteve ligado a Bolsonaro, como fez campanha e assessoria eleitoral para Bolsonaro). Moro foi “construído” com uma máscara de “herói” contra “corruptos” desde a farsa da Lava-Jato, cujo objetivo era a prática da “lawfare” contra um alvo específico: Lula. Moro está meio vivo, meio morto: zumbi!
Moro foi “construído” pela extrema-direita do mesmo modo que Fernando Collor. O discurso colocado em suas bocas (nada democráticas, honestas ou justas) era contra o comunismo (comunismo?!), contra a corrupção (corrupção?!) etc. Ambos condenados: Moro por suspeição (e há mais investigações em curso que envolvem bilhões na 13ª Vara, assim como denúncias de Tony Garcia e Tacla Duran); Collor, finalmente, por corrupção!
Voltando a Bolsonaro, o último representante dos promotores do golpe dentro do golpe, hoje ele será julgado inelegível pelo TSE. Dezenas de outras investigações seguem, incluindo crimes de genocídio no Tribunal Penal Internacional, o caso das joias sauditas, os bilhões da Caixa, a falsidade das carteiras de vacinação etc. e, finalmente, o golpismo de 8 de janeiro de 2023.
O que há de comum entre Bolsonaro, Temer, Moro e Collor, além da expressa antidemocracia, ódio aos trabalhadores, ataques diretos e indiretos à CF/88, inclinações militares ao golpismo, violência contra a economia, misoginia e corrupção intrínseca? Todos eles são representantes, construídos e mascarados pela extrema-direita (que já foi mais oculta e, hoje, anda à luz do dia e nas mídias desavergonhadas)! Mas, não só. Todos eles representam, com suas condenações políticas, econômicas e jurídicas, a derrota da extrema-direita!
A imprensa–cujo objetivo é reportar os fatos, verificá-los a fim de transmiti-los ao público– e sua liberdade só são garantidas quando não ferem os princípios da ética jornalística. A ruptura desse princípio não pode ficar impune tampouco o veículo que a perpetrou. Dois casos mostram como o abuso da liberdade de imprensa está sendo contido no Brasil. No entanto, a falta de regulamentação das plataformas de mídia digital faz com que canais digitais se transformem em multiplicadores de um fenômeno da contemporaneidade chamado ‘a crise da verdade’.(Hoggan e Kloubert, 2022) Este fenômeno se calca na difusão da distorção dos fatos e tem como consequência a divisão quase pela metade dos indivíduos numa dada sociedade sobre a percepção objetiva e histórica dela. Essa divisão é promovida pela velha máxima de Júlio Cézar “dividir e conquistar”, foi estratégia de Joseph Goebbels durante o nazismo e é ainda utilizada pelos governos de ultradireita para fomentar o ódio e polarizar a população. Isso tem que ser contido.
A Jovem Pan News é um exemplo desse acervo de fake news, propaladas para consolidar o governo de extrema direita de Bolsonaro entre 2018 e 2022. Em 1942, Antônio Augusto Amaral de Carvalho funda a Jovem Pan, uma radiodifusora que hoje faz parte do histórico jornalístico do país, contando com sua expansão em 100 emissoras, entre canais de notícias e plataformas, espalhadas pelo território brasileiro. Dois programas são o carro-chefe da emissora: “Morning Show” e Os Pingos nos Is Estreado em 2012, “Morning Show”, inspirado no formato americano de shows de matinê, no início contava com a com a chefia do jornalista Zé Luiz que um ano após deixou o programa por desavenças com a produção. O “Morning Show” foi progressivamente se transformando em canal proliferador de lorotas quando em 2021 ajudou a impulsionar desinformação sobre a pandemia de Covid-19. O negacionismo sobre os efeitos letais do vírus se deu ao mostrar entrevistas com médicos no YouTube, defendendo drogas sem eficiência comprovada e com críticas ao uso de máscaras. Uma das comentaristas do programa, a influenciadora digital Zoe Martinez, é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por incitar o golpe no dia 08 de janeiro na invasão dos três poderes. Martinez defendeu que as Forças Armadas destituíssem os ministros do Supremo Tribunal Federal. A caribenha naturalizada brasileira cresceu e enriqueceu às custas das plataformas digitais e na alocação de vídeos e comentários contra o comunismo. Sem nenhuma sustentação teórica e sem bases históricas, a influenciadora ratifica o mito de uma falência comunista em Cuba sem apresentar nenhum outro contraponto; produzindo, assim, uma visão tendenciosa sobre esse cenário. Uma pergunta fica. Por que a Jovem Pan só a demitiu quando o MPF foi acionado?
O mesmo aconteceu com os comentaristas da corporação Paulo Figueiredo e Rodrigo Constantino. Figueiredo e Constantino ambos residentes nos EUAs, utilizam o mesmo apelo da primeira emenda constitucional americana para defender a liberdade de imprensa no Brasil e instituir a indecência e antiética jornalísticas. Figueiredo é neto do último presidente militar e ex-sócio de Donald Trump na rede de hotelaria, seguidor do já defunctus guru Olavo de Carvalho. Além do processo de investigação do MPF da Jovem Pan, o ardil é réu de um esquema corrupto apelidado de Operação Circus Máximo em que Figueiredo responde por falcatruas de 20 milhões de reais entre propinas de diretores do Banco de Brasília e a empresa dele na construção da Trump Tower no Rio de Janeiro. De novo, a Jovem Pan só o despediu depois que o MPF se manifestou.
Já Constantino foi taxativo ao afirmar que houve golpe do Supremo Tribunal Federal no resultado das eleições de 2022 que elegeu o candidato Luís Inácio da Silva. Constantino, detentor de uma fortuna de 50 milhões de reais, já passou pela Veja, O Globo, Valor Econômico como colunista e comentarista de economia. Como escritor, seus títulos revelam o perfil de extrema direita na atuação de sua carreira. Um deles é Esquerda Caviar (2014) cujo nome manifesta a posição pejorativa com a qual Constantino trata a oposição no Brasil. Outras produções em palestras denotam a tese central que circunda o seu trabalho, replicando o cerne da ideologia neoliberal no século XXI expressa na seguinte equação: o aumento da produtividade de uma dada sociedade é igual ao aumento da inequidade social, retirando desta sociedade os pobres e idosos. A mesma estratégia da Jovem Pan sobre a demissão se aplica ao infrator.
Tanto em formato radiofônico como digital, Os Pingos nos Is começam com o jornalista Reinaldo Azevedo em 2014, visando oferecer um panorama geral de notícias políticas com comentaristas e críticos. Azevedo, envolvido num suposto áudio comprometedor com a irmã de Aécio Neves, pede demissão em 2017 e o programa se delineia, então, como ultraconservador. Entre 2020 e 2022, Os Pingos nos Is têm em seu quadro os comentaristas Augusto Nunes, Ana Paula Henkel, Guilherme Fiuza e Guga Noblat. Os três primeiros foram responsáveis pela defesa do bolsonarismo, e, diretamente, pelo crescimento do homicídio, feminicídio e de todo potencial destruidor de uma sociedade, corroborado pela fome, miséria, doenças, baixa qualidade na educação, e sistema de saúde pauperizado, etc. Nunes foi demitido porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impedi-o de chamar o atual presidente de “ex-presidiário”. Henkel se demitiu, Fiuza teve seus perfis sociais suspensos por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Guga Noblat, no modelo fake copiado da Fox News americana, tinha o papel mediador no debate, apresentando contra-argumentos aos temas como forma de equilibrar o rol altamente faccioso do show. Pediu demissão da Jovem Pan News em 2022.
Nunes é o exemplo de um extremista latente em que os princípios e atos ultraconservadores se manifestam na medida em haja uma liderança que os avalizam. Com uma carreira longa no jornalismo, Nunes trabalhou como repórter no Estado de S. Paulo e revista Veja, mediou entrevistas no Roda Viva e na TV Cultura, dirigiu as revistas Veja, Época e a Forbes brasileira, os jornais Jornal do Brasil e Zero Hora, for fim, foi amplamente premiado na sua função. No entanto, pelo menos na aparência, sua conduta muda justamente quase um ano após a vitória de Bolsonaro quando Nunes esbofeteia o jornalista Glenn Greenwald ao vivo no show Pânico da Jovem Pan. Greenwald, assumidamente casado com o deputado federal David Miranda e os dois sendo pais adotivos de dois filhos, investigava o imbróglio que colocou o presidente Lula na cadeia. A redação da Pan liberou uma nota se desculpando sobre o comportamento do jornalista. Contudo, nenhuma advertência ou punição mais severa veio da emissora, muito pelo contrário, ela só se pronunciou no momento em que o TSE se manifestou contra a retórica vilipendiosa do jornalista contra Lula.
Surpreendentemente, Fuiza é neto do jurista Sobral Pinto e com uma carreira difusa no jornalismo e na literatura tombou para a ultradireita, defendendo o discurso do ódio e tomando uma postura antidemocrática.
A resposta à negligência da Jovem Pan face à responsabilidade de seus profissionais reside no que é conhecido como capitalismo predatório. Neste sistema, o foco central é o lucro e notadamente o ganho que a veiculação da imagem e da notícia trazem no índice de audiência da corporação comunicativa junto com a influência política e o poder que geram. Neste tipo de comunicação, não cabe nenhum comprometimento ético do profissional e nem da empresa que o representa, muito menos as consequências em que esse veículo produz direto na população (a desinformação elevando o número de vítimas da Covid-19, etc.), ou seja, sua capacidade em provocar mortes. Como representação latente, esta máquina de poder comunicativo funciona conforme a teoria freudiana da psique. O Id social é um depositório das forças inconscientes contra tudo o que é progressista e diferente do padrão de ideias e comportamentos da época e encontra um superego (líder) que lhe escancara a porta para se manifestar. A Jovem Pan serviu de canal para todos aqueles que cultivaram o ódio da diferença se expressarem e só foi barrada agora por pais disciplinadores (STF e TSE). Neste país, precisamos mais desses pais em formas de leis e decretos que impeçam as plataformas digitais de lesionarem a ética com que o jornalismo se compromete. Precisamos desenvolver a consciência de que este é o fio condutor que o capitalismo usa para continuar empreendendo suas desumanidades.
A invasão dos prédios, a onde estão sediados, os palácios dos três poderes, mostra mais uma vez que as instituições da burguesia e seu “monopólio legítimo do uso da força” estão a serviço desta mesma classe social!
Tornou-se patente a omissão das forças de segurança do DF, incluso da guarnição federal que deveria defender o Palácio do Planalto! O que evidencia a necessidade de uma disputa ideológica dos quartéis, controlados pela extrema-direita. Além dos recursos financeiros para os militares, é imperativo que a esquerda tenha uma política autenticamente nacionalista para disputar a hegemonia política que prevalece nos quarteis!
A abolição da escravatura foi apoiada pelos quartéis, a proclamação da república veio dos quartéis, o tenentismo braço militar da revolução de 30, foi outro movimento político dos quarteis. Portanto, reforço aqui minha tese, é necessário disputar a ideologia que hoje predomina nos quarteis!
A prisão de Lula e a deposição de Dilma deveriam servir de ensinamento que não se deve confiar nas instituições da burguesia. Para garantir a defesa do governo Lula e da Democracia apenas a mobilização dos trabalhadores e estudantes nas ruas!
Portanto, não podemos nos iludir com um Parlamento que foi capturado pela extrema-direita, com o STF controlado pela grande burguesia, além de uma grande mídia, porta-voz dos interesses do capital financeiro e do mercado que impulsionou a difamação política de Dilma, Lula e PT. Nem se enganar com o aparato repressivo totalmente condescendente com os golpistas.
A CUT (Central Única dos Trabalhadores), o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-terra), Partido dos Trabalhadores e as demais organizações populares e de esquerda precisam convocar os trabalhadores a se mobilizar para que a luta em defesa de Lula e da Democracia, também paute a revogação de todas medidas neoliberais e de austeridade fiscal impostas pela direita após o golpe de 2016 que depos a então Presidente Dilma.
Amigos! Trabalhadores! Todos às ruas em defesa da Democracia! Todos às praças! Nos braços do povo Lula voltou! Pelos braços do povo ele governará!
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Criador: Tânia Rego/Agência Brasil | Crédito: Fotógrafo/Agência Brasil