por Mauro Nadvorny | 2 ago, 2014 | Israel, Oriente Médio
Escutamos a exaustão que o Hamas é um grupo terrorista que ameaça destruir Israel, o que está em seus estatutos e portanto não há dialogo possível. Dito assim, quem não seria simpático a Israel?
O Hamas já lançou mais de 3.000 foguetes contra a população civil de Israel. Como não ser simpático ao legítimo direito de defesa?
Se alguém estivesse em coma e acordasse com estas notícias, certamente pularia da cama para se alistar e ajudar a defender a única democracia do Oriente Médio, o lar nacional dos judeus tão perseguidos durante a história e agora diante de um inimigo implacável.
Tudo o que foi dito é verdade, mas apenas um aparte dela. O que não é dito, aquilo que é omitido propositadamente, manipulado como algo que deve ser menosprezado, é a origem de tudo isso.
Se o que estamos assistindo hoje, estivesse acontecendo há 47 anos atrás, hordas de voluntários de todo o mundo estariam chegando a Israel para ajudar no esforço de guerra. Milhares de judeus, e não judeus estariam levando sua solidariedade a Israel. Na verdade foi justamente o que aconteceu em 1967.
Ainda em 1973, na guerra de Yom kipur, quando Egito e Síria nos atacaram durante os festejos do dia mais sagrado do calendário judaico, o Dia do Perdão, recebemos ajuda. As laranjas precisavam ser colhidas, os homens estavam nas frentes de batalha, então milhares de voluntários acudiram Israel.
Desde então, lentamente um processo de ocupação teve inicio. Um kibutz aqui, uma colônia ali e hoje cerca de 400.000 colonos judeus ocupam terras palestinas na Cisjordânia. O mundo assistiu e consentiu enquanto os palestinos através da OLP executavam atos terroristas para tomarem de volta não somente a Cisjordânia, mas toda Israel para a criação de seu estado.
As coisas mudaram, a OLP reconheceu Israel e se dispôs a aceitar seu Estado na Cisjordânia e em Gaza. Israel não mudou. Ano a ano, mais colônias, mais usurpação de terras, mais exigências intermináveis. Desta vez o mundo não se calou e as mesmas hordas que acorreram a Israel para ajudar, agora pedem que Israel se retire dos territórios e permita a criação do Estado Palestino.
Israel se retirou de Gaza em 2005. Uma retirada unilateral, ou seja, sem nenhum acordo, sem negociação. Gaza foi se transformando em uma terra de ninguém. Em 2007, o Hamas expulsou o Fatha e tomou o poder. Uma resposta ao golpe do Fatah na Cisjordânia depois de terem ganho as eleições.
Desde então um território com 1,8 milhão de habitantes em 360 Km quadrados foi transformado em uma prisão a céu aberto . Nada entra, nada sai. Ninguém, entra ninguém sai. Seja por terra, mar ou ar sem o consentimento de Israel. Assim começaram os túneis.
O Hamas tem um braço armado e um braço político. Assim como o IRA na Irlanda. A Inglaterra negociou com o Ira, portanto não seria nenhuma afronta a dignidade se Israel negociar com o Hamas.
Vamos ser honestos. Esta guerra é como colocar um anão para lutar com o Minotauro no Octagonal. O Hamas não tem a menor capacidade de ameaçar Israel. Sim eles já jogaram mais de 3000 foguetes. Qual foi o estrago? Quantas mortes? Claro que nenhum país, por mais pacífico que seja vai suportar ataques diários destes sem reagir. Mas como reagir?
Uma maneira seria atacar a causa de tudo isso, a ocupação dos Entrar em negociações que levem a criação do Estado Palestino. Outra é despejar bombas de 1 tonelada sobre esta área densamente populosa, matar mais de 1600 pessoas, 80% civis e entre eles cerca de 300 crianças (e os números continuam subindo).
Infelizmente Israel fez a sua escolha. Deste governo eu não poderia esperar nada diferente. Seus pares não acreditam que ocupam os territórios, eles habitam o que nos foi dado por Deus.
Eu espero que desta vez o mundo não se omita. Que as pessoas não se omitam. Que ao calar dos canhões todos pressionem por negociações já! De outra forma, o cronômetro da Senhora Morte será ligado e será só uma questão de tempo para o próximo conflito.
por Mauro Nadvorny | 1 ago, 2014 | Israel, Oriente Médio, Sem Categoria
O que pareceu um alento, um cessar fogo de 72 horas com negociações marcadas para acontecer no Cairo, se dissipou em 2 horas. Os dois lados se acusam de terem violado os termos acertados, o que provavelmente significa que ambos têm razão e ninguém falou sério em parar as hostilidades.
O número de vítimas não para de crescer, principalmente o de civis palestinos. Além da perda de vidas, a destruição material é imensa. Os dados apontam que 25% da população de Gaza não terá para onde voltar quando as armas silenciarem.
Do lado israelense, além de 3 civis, agora já são 61 soldados que perderam a vida e um desaparecido. Israel diz que ele foi aprisionado, mas o Hamas nega.
Eu creio que já estamos assistindo ao fenômeno da revanche. O soldado desaparecido fazia parte de um grupo de três soldados atacados por um suicida. Dois morreram, e o terceiro por não ter sido encontrado, acredita-se que tenha caído em mãos do Hamas. Acontece que não mais somente o Hamas e a Jihad Islâmica que estão combatendo. Pessoas sem filiação a qualquer grupo estão se somando a luta para vingarem seus mortos. Logo vão aparecer mais suicidas. Não é mais o Hamas que defende Gaza, é a sua população que luta pela vida.
Israel vai ganhar esta guerra perdendo. Afirmação estranha, mas é o cenário mais provável. Militarmente a vitória vai ser incontestável ara onde se quiser olhar. A maioria dos túneis, senão em sua totalidade, serão destruídos. O inimigo terá sofrido um número de baixas considerável em combatentes, e a perda de armamento de difícil e lenta reposição.
No mais, a vitória será do Hamas. Com a finalização do número de vítimas civis, principalmente de mulheres e crianças e a destruição de milhares de moradias, os tribunais serão inundados por pedidos de condenação por crime de guerra e indenizações, cujo resultado desta vez, pode ser bastante doloroso para Israel.
Mais ainda. O fim do bloqueio a Gaza, principal demanda do Hamas poderá ter de ser atendida, ou os túneis voltarão a ser construídos um a um. E ainda é preciso lembrar que no cenário político, são poucos os países que ainda apoiam Israel incondicionalmente. Na ONU o quadro é desolador.
Existe também o componente sociológico oriundo desta guerra. De um lado o aumento formidável do antissemitismo. Todo judeu passou a ser um israelense e como Israel é visto como o agressor, nós judeus estamos recebendo a parte que nos toca. No entanto, nunca se viu antes as comunidades judaicas tão divididas como agora. Se antes qualquer atitude agressiva de Israel era compreendida como um ato de sobrevivência contra um mundo árabe que desejava sua destruição, agora não mais. O número de judeus que declaram “não em meu nome”, cresceu exponencialmente. Não são judeus que passaram a apoiar o Hamas, mas judeus que disseram que não aceitam este massacre desproporcional.
De outro, o fenômeno da xenofobia israelense. Pacifistas, membros de partidos de esquerda e árabes em geral passaram a ser hostilizados e agredidos fisicamente sob o olhar complacente da polícia. É verdade que foram anunciadas algumas prisões, mas a falta de leis que impeçam o racismo se faz ais do que necessária. Uma lei que impeça além destes grupos fascistas continuarem agindo, que autoridades se pronunciem incitando a sociedade contra as minorias.
Agora nos resta torcer para que as lições das falhas deste cessar fogo tenham sido absorvidas e sirvam para balizar um novo entendimento que proporcione uma nova trégua. Uma parada que permita aos diplomatas fazerem seu trabalho enquanto a população dos dois lados possa ter uns dias de alívio.
por Mauro Nadvorny | 25 jul, 2014 | Comportamento, Israel, Oriente Médio
Ninguém nasce odiando. O ódio é ensinado, aprendido e propagado. Infelizmente são os seres humanos que ensinam outros seres humanos a odiar.
Como o ciúme, o ódio cega a razão. A pessoa fica incapacitada de sentir simpatia, empatia ou qualquer sentimento racional pela outra.
O ódio vai desde um simples, não me importo com o que lhe aconteça, até o desejo de que o outro morra.
Assim, em maior, ou maior grau ele se acomoda e gera todo tipo de disfarce moral para justificá-lo.
Ninguém no mundo moderno, mais do que nós judeus, conhecemos o ódio. Sofremos agressões, humilhações, perda de direitos, expulsões e a morte. Foram 6 milhões somente no Holocausto.
Todos mortos por serem judeus.
Sendo assim, parece estranho, para dizer o mínimo, que judeus propaguem o ódio. Não é o que acontece.
Assistimos nas ruas de Israel centenas de pessoas se manifestarem com palavras de “Mavet la Haravim – Morte aos àrabes”. Claro que são uma minoria, evidentemente que são uns idiotas etc, mas não é isso o que importa. O que surpreende é não haver punição. Muitas destas pessoas postaram em suas páginas do FB mensagens com estas palavras. Não existe lei contra isso.
Ao contrário de Israel, no Brasil onde também é livre a manifestação do pensamento, é crime o incitamento ao ódio racial Talvez esta seja uma lição que Israel pudesse aprender deste “anão diplomático”
No Brasil condenamos um editor de livros revisionistas. Em Israel, autoridades propagam o ódio racial e ficam impunes. Talvez a luta para criminalizar o racismo devesse ser aprendida com este parceiro irrelevante.
Claro que não somos perfeitos no Brasil. Também podemos aprender muito com Israel, mas definitivamente enxergar as coisas dentro de sua real proporcionalidade não é uma delas. Se Israel acha perfeitamente normal a morte de mais de 800 palestinos, sendo 155 crianças (e seguem contando) de um lado, e 35 soldados e dois civis do outro, esta não é a perspectiva brasileira.
Algumas guerras podem ter sua justificativa para iniciar, mas seguramente todas têm sua hora para encerrar. Esta na hora de Israel do alto de sua diplomacia que possui o apoio incondicional de um único país no mundo se dar conta que a hora é agora.
O ódio está se espalhando como fogo em palha e já está chegando as portas dos lares judaicos do mundo afora. Todos vamos pagar o preço.
por Mauro Nadvorny | 29 ago, 2006 | Israel, Oriente Médio
Sou brasileiro, sionista-socialista e fui contra esta guerra, por princípios pacifistas. No entanto, sou obrigado a responder à sua mensagem dirigida ao Paz Agora – Brasil porque me sinto ultrajado diante de tantas inverdades.
O ato público “contra o massacre no Líbano e na Palestina”, realizado na Cidade Universitária (USP), Campus do Butantã, foi sim um ato racista e desrespeitoso para com a vida humana. Não foram apenas libanesas as vítimas deste conflito. Existiram vítimas israelenses também.
Sua mensagem esconde o que realmente aconteceu. O conflito teve inicio devido a um ataque de extremistas libaneses contra o Estado de Israel. As primeiras vítimas desta guerra foram 8 soldados israelenses, e dois sobreviventes do ataque encontram-se ainda desaparecidos, supostamente em mãos destes extremistas.
Eu só posso compreender as razões para a realização de um ato, que levou em conta apenas as vítimas humanas de um lado, como sendo a prática desonesta hedionda de atribuir pesos e valores diferentes às vidas humanas. Atitude incompatível para uma Universidade, e, mais ainda, quando parte de setores ditos progressistas.
O ato convocado por sua pessoa como tendo um “sentido humanitário” (protestar contra o massacre da população civil do Líbano e da Palestina, especialmente crianças e idosos ), continha também um sentido político: o de condenar o ataque injustificado a um Estado soberano, reconhecido pela comunidade internacional, pelo exército israelense – infinitamente mais poderoso que seus adversários – apoiado pelos Estados Unidos da América. “, Os termos propostos neste Ato recebem o meu total repúdio e confirmam a natureza racista do mesmo. Todo estado soberano tem direito a defender sua população, não tendo sido o ataque ao Líbano um ato injustificado.
A intenção de misturar deliberadamente o conflito palestino com o que aconteceu no Líbano, demonstra sua total falta de conhecimento sobre o que ocorre naquela região. Ela tem como única razão de existir a deliberada intenção de trazer à tona uma grande tragédia histórica, para justificar seu ato racista.
O Exército de Defesa de Israel é reconhecido como um dos melhores exércitos do mundo. Isto não serve de glória e nem de consolo para os que ficaram nos campos de batalha. Israel foi obrigado a se defender desde o dia da sua Independência.
A operação no Líbano foi uma estupidez. Coisa de generais que enxergam apenas mapas. Pessoalmente, fui contra a forma escolhida para responder ao ataque de extremistas libaneses contra Israel. O uso excessivo da força trouxe como conseqüência o que os milicos chamam de “efeitos colaterais” e nós , pacifistas, de perdas humanas injustificáveis. Eu, diferente do senhor, lamento por todas as vidas humanas perdidas, israelenses e libanesas.
A resposta dos extremistas libaneses não foi menos cruel. O despejo diário de centenas de mísseis sobre a população civil israelense é da mesma forma, condenável. As perdas em vidas civis dentro de Israel foram minoradas graças à existência de abrigos antiaéreos construídos para proteger a população devido as guerras em que o país foi atacado. Entretanto, não encontrei, em sua missiva, uma única menção ao bombardeio diário, com foguetes que poucos exércitos do mundo têm, contra civis, e as perdas humanas decorrentes dele. Civis dos dois lados morreram. A guerra foi conscientemente criminosa pelos dois lados. Lembre-se, Professor, de que as vidas humanas são todas preciosas. As lágrimas das mães libanesas são as mesmas das mães israelenses.
Sua retórica relativa ao Hezbollah, “organização de profissão islâmica – que não é considerada uma organização terrorista pelo Brasil ” demonstra bem o caráter manipulador dos fatos aos quais, intencionalmente, o senhor lança mão ao longo de sua missiva.
– Por que não disse que em nenhum estado democrático do mundo existe uma força militar que não seja o exército constitucional?
– Por que não disse que esta organização tem como princípio a destruição do Estado de Israel?
– Por que não disse que o método encontrado por eles para libertarem presos foi à invasão do território israelense e que esta não foi à primeira vez?
– Por que não disse que este grupo armado é um Estado dentro do Estado libanês, com leis e órgãos próprios?
– Por que não disse que este grupo de resistência resiste, acima de tudo, a se submeter às leis do Estado libanês e depor as armas?
– Por que não disse que eles são apoiados pela Síria, uma ditadura de pai para filho, que assassinou o ex – primeiro ministro Hariri , e pelo Irã, uma ditadura de Aitolás, que está desafiando a ordem mundial para construir armas atômicas?
– Por que não disse que Israel se retirou até o último centímetro do Líbano em 2000, conforme resolução da ONU, e que o minúsculo território conhecido como “Fazendas de Shebaa” nunca pertenceu ao Líbano e fazem parte do território sírio ocupado?
O panfleto do SINTUSP foi sim uma publicação racista. Apregoar a destruição do Estado de Israel é uma afirmativa que atinge a todos os defensores da liberdade e setores progressistas judaicos ou não, sionistas ou não.
O Estado de Israel é um fato. Trazer a baila se deveria ou não ter sido criado é uma discussão inócua que mascara, unicamente, o racismo de sua missiva. Atribuir sua criação como uma forma do mundo se desculpar pelo Holocausto é uma ofensa ao povo judeu, em geral, e às vítimas, em particular. A luta pelo restabelecimento do Lar Nacional Judaico nunca deixou de existir durante toda a diáspora judaica. Este lar só poderia ser estabelecido onde ele sempre existiu.
Quando o senhor afirma que “Desde então, as fronteiras desse Estado – dito democrático, mas na verdade confessional, e atualmente dirigido por uma casta religiosa e militar reacionária; dotado de um exército e de um poder de fogo (incluídas centenas de ogivas nucleares) totalmente desproporcionais ao seu tamanho geográfico, demográfico ou econômico, isto devido ao apoio institucional e multifacetado dos EUA – essas fronteiras se expandiram constantemente, em relação àquelas da resolução original da ONU, que legitimou a sua criação. ” omite, propositadamente, que esta nação é a única democracia da região. Esquece de dizer que todas as eleições em Israel são livres, e delas participam todos os cidadão israelenses de todas as etnias que se fazem representar no parlamento em partidos livres. Esquece, também, que Gaza e Cisjordânia estiveram nas mãos do Egito e da Jordânia, respectivamente, até 1967, territórios que então poderiam ter sido oferecidos aos palestinos para a criação de seu Estado.
Quando menciona que “O balanço histórico é que o Estado sionista, em todas as suas versões políticas (de direita, de esquerda, de centro ou, como hoje, de coalizão esquerda-direita-centro) só sobreviveu e sobrevive com base no massacre permanente dos povos da região “, não conta que em todas as guerras em que Israel se viu envolvido, foi atacado primeiro por seus vizinhos. Esquece convenientemente de mencionar quais os massacres e a que povos da região.
Sim, caro professor, é um crime contra a verdade constatar “que o Estado sionista só conseguiu e consegue se viabilizar como um ghetto militarizado, odiado por todos os povos da região?”, se não for mencionado o fato de que já existem relações diplomáticas entre Israel e Egito e Israel e Jordânia, e que o próprio povo palestino em sua maioria aceita o Estado de Israel e é favorável a um acordo de paz que crie um Estado Palestino ao seu lado..
“Será crime defender o direito de todos os palestinos retornarem às suas terras e lares, das quais foram violentamente expropriados de 1948 em diante? ” Sim, será, se não mencionar que centenas de milhares de judeus foram expulsos dos países árabes e tiveram suas propriedades confiscadas. Sim, se não contar que esta população de refugiados palestinos, em sua imensa maioria foi chamada a abandonar seus lares para que os exércitos árabes pudessem jogar os judeus ao mar. Sim, será crime, se não contar que em todos os países árabes onde esta população palestina se estabeleceu, foi e é tratada, até os dias de hoje, como refugiados por seus irmãos árabes. Sim será crime se não observar que esta opção de defender este retorno é totalmente inexeqüível.
“Será crime, será anti-semitismo, pensar e defender a opinião de que, nessas condições, somente um Estado único, laico e democrático, em que coexistam populações árabes e judaicas, em todo o território da Palestina histórica, ofereceria uma saída de fundo ao drama histórico desses povos? Não, isto não é crime. Isto é apenas uma opinião sem fundamento e sem amparo na realidade. É uma proposta que nenhuma liderança do povo palestino e nem do povo israelense sequer mencionam.
Em contrapartida ao seu devaneio, defendido por um punhado de desconhecidos, sem apoio algum de qualquer liderança representativa séria, entendo, assim como a maioria dos dois povos , que a única alternativa na região é o estabelecimento de um Estado Palestino nas fronteiras de 1967. Um Estado democrático que conviva em paz com o Estado de Israel.
O senhor tem razão quando afirma que esta sua opinião, apenas, não pode servir para qualificá-lo como “racista, anti-semita ou, pior ainda, de constituir um chamado ao extermínio do povo judeu. ” É o conjunto de suas afirmações e, principalmente, o conjunto de suas omissões, que nos permitem qualificá-lo como tal.
Veja bem: é verdade que “Foi uma Assembléia Geral da ONU, com presença de mais de 150 Estados soberanos, que condenou o sionismo (não o judaísmo, claro) como “uma forma de racismo”. Sim, mas seria importante que tivesse mencionado que aquela Assembléia se deu sob a avassaladora pressão de dezenas de países árabes exportadores de petróleo tirando proveito do poder econômico dos petrodólares por eles acumulados no primeiro choque do petróleo que deixou o mundo aos seus pés. É também verdade, mas o senhor esqueceu de completar, que a mesma Assembléia geral da ONU revogou mais tarde esta resolução. Mas isto o senhor precisa omitir.
É fato que “uma minoria da esquerda judia lutou e luta bravamente em Israel contra a guerra: organizou manifestações importantes em Tel Aviv e até em Haifa, no próprio decorrer das hostilidades.”, da qual tenho orgulho em fazer parte. No entanto, ela não é uma minoria judia, ela é uma minoria israelense, composta de cidadãos israelenses, judeus e não judeus.
Por fim, caro professor, quero esclarecer que a luta contra a injustiça é uma luta de todos os setores progressistas de todos os países do mundo. E nela diferentemente da sua pessoa, nos solidarizamos tanto ao povo israelense, quanto aos povos palestinos e libanês nos seus anseios pela liberdade, independência e respeito aos direitos humanos.
Da mesma forma a luta contra todo tipo de racismo e discriminação é uma luta de toda humanidade em respeito à raça humana.
De fato “Só haverá paz se houver justiça e respeito aos direitos de todos os povos, no Médio Oriente e no mundo todo”. Comece, portanto, a respeitar o meu povo.
por Mauro Nadvorny | 21 abr, 2003 | Israel, Oriente Médio
No dia em que meu povo comemora sua libertação da escravidão no Egito, numa mensagem ao mundo da importância da liberdade para todos os seres humanos, achei que escrever algumas linhas sobre Rachel Corrie, seria a melhor forma de enviar a todos uma mensagem de paz.
Esta jovem americana de apenas 23 anos foi assassinada por um soldado israelense que esmagou seu corpo com um trator (http://indybay.org/news/2003/03/1583823.php) . Corrie, membro do grupo Movimento de Solidariedade Internacional (com o povo palestino), tentava impedir que uma casa fosse derrubada. Postada em frente ao trator, ela pedia ao motorista que parasse. Mesmo vendo que havia um ser humano em frente a sua máquina, o motorista passou sobre ela uma vez, e mais uma quando deu ré.
Era 16 de março em Raffiah (Gaza), e a tropa de ocupação recebeu a ordem de destruir mais uma casa. Estes atos são comuns nos territórios como forma de punição coletiva. Uma família cujo membro é acusado de terrorismo, ou de colaboração com terroristas tem sua casa demolida. Muitas abrigam mais de uma dezena de pessoas, uma vez que Israel impede a construção de moradias palestinas em muitas localidades.
Ao tomarem conhecimento de que mais uma casa estava para ser derrubada, um grupo de 7 pessoas do MSI se dirigiu até o local. Corrie de posse de um megafone postou-se em frente ao trator. Os demais membros do grupo ficaram mais atrás. Durante umas duas horas, o grupo conseguiu impedir o avanço do trator. Mas em um determinado momento, o motorista usou a escavadeira para jogar entulhos e areia sobre Corie. Em seguida passou sobre ela duas vezes. O que até então era uma demonstração de resistência pacífica, se tornava uma tragédia.
A morte desta jovem me faz lembrar minha própria juventude. Como sionista e socialista queria que todos os judeus emigrassem de volta para Israel. Achava que o mundo seria melhor se todas as nações fossem socialistas e via no Kibutz a consagração do sonho de que era possível construir uma sociedade onde o homem não explorasse o próprio homem.
Durante a ditadura militar no Brasil simpatizava com grupos estrangeiros como os Montoneros (Argentina) e os Tupamaros (Uruguai). Participava do movimento estudantil contra a ditadura brasileira e tinha em Guevara o herói da luta pela libertação dos povos.
O mundo deu muitas voltas e de todo aquele ideal, hoje resta o sionismo e o socialismo. O kibutz não deu certo, os Montoneros e Tupamaros não existem mais, a ditadura brasileira foi vencida e Guevara ficou para trás.
Por isso, quando vejo jovens como Rachel Corrie, abandonado suas vidas para se dedicarem ao seu ideal de proteger o povo palestino da ocupação israelense, me vejo a 30 anos lutando pelos ideais que eu acreditava. A diferença é naquela época combatíamos ditaduras que oprimiam sues povos restringindo nossa liberdade e nosso direito de livre expressão. Estes jovens que lá estão, tentam preservar vidas num lugar ocupado pelo exército de um país democrático que priva a liberdade de todo um povo, como foi a sua, privada no Egito como escravos, e em outras nações de várias formas ao longo de sua história.
Rachel Corrie deu sua vida pelo ideal da liberdade dos povos. Foram apenas 23 anos que deixam uma lição para os que desejam que a paz e a reconciliação se tornem realidade para israelenses e palestinos.
Nada vai impedir que este dia chegue. No seu lugar, e com o seu ideal, ficamos todos nós.
Que o brilho da liberdade traga paz e esperança para um mundo melhor.
por Mauro Nadvorny | 11 jul, 2002 | Israel, Oriente Médio
Existem várias maneiras de se promover à guerra, mas apenas uma para se promover a paz: discutindo-se entre inimigos para que se tornem, um dia, amigos.
Aparentemente simples, o fato é, que para se chegar a isso é preciso trilhar um longo caminho. Alguns povos conseguem um atalho, quando são forçados por uma grande potência a aceitarem a paz. Um exemplo mais recente pode ter sido a paz imposta a antiga Iugoslávia depois de assistirmos horrorizados, a chamada limpeza étnica, que matou milhares de pessoas.
No Oriente Médio, apesar de todo o horror dos homens bombas, e da humilhante situação de milhares de palestinos submetidos a infindáveis toques de recolher, pelo exército de ocupação israelense, nada parece se encaminhar para uma solução imposta por uma força externa.
Resta portanto, como única alternativa, que os povos envolvidos encontrem uma maneira de quebrar o círculo vicioso de violência. Se a solução não é militar, algo que todos já concordaram, então porque não são retomadas as negociações?
Sob o ponto de vista israelense, sabemos que o país vive a plenitude democrática com suas instituições funcionando, sua economia se debilitando, e a vida seguindo apesar dos transtornos causados pela Intifada. Já do lado palestino, com uma pseudo-democracia, suas instituições funcionando de forma precária, com a vida restrita até para transitarem dentro de suas próprias cidades e sua economia arrasada a vida está muito difícil.
Poderia-se então imaginar que deveria existir um interesse mínimo de ao menos se buscar interlocutores capazes de compreender que alguns passos devem ser dados em favor do entendimento. Não faltam em Israel interlocutores para a paz. Mas no campo palestino, eles são poucos e suas vozes normalmente ficam sufocadas. Neste sentido, torna-se incompreensível que Israel persiga a Sari Nusseibeh, da Universidade Al Quds.
Nusseibeh foi um dos que assinaram o recente manifesto de intelectuais e líderes palestinos pedindo o fim dos atentados contra civis israelenses. Mesmo que a direita veja defeitos e enxergue muito pouco nesta atitude, o manifesto foi o estopim de uma nova forma de encarar o conflito por parte de palestinos que podem vir a se tornar interlocutores sérios para promover a paz.
Quando se espera que o governo israelense contribua para que estas vozes sejam escutadas nos territórios, ele ajuda a calá-las. Contribui de forma indireta com as forças mais obscuras do radicalismo terrorista. Retira delas a oportunidade de demonstrarem para seu povo que existe uma via alternativa ao terrorismo.
Mesmo o que parece um absurdo a primeira vista, ajuda a explicar porque o Campo da Paz não acredita que o governo Sharon tenha interesse numa solução que leve a criação de um Estado Palestino. Esta política perversa de executarem terroristas (e supostos terroristas), ao mesmo tempo em que não permite o surgimento de novas lideranças nacionalistas, visa única e exclusivamente a manter o status quo existente. Os palestinos terão de se contentar com sua autonomia limitada e total dependência de Israel para continuarem sobrevivendo.
Sharon está transformando os territórios num novo Líbano. Esta ocupação segue aos mesmos princípios de que uma determinada terra é necessária para segurança nacional. No Líbano foi uma extensão de cerca de 10 km. Aqui parece que todos os territórios são importantes para esta política de ocupação por segurança.
O Líbano custou centenas de vidas que lá pereceram. O que foi que ganho em troca destas vidas? Nada, absolutamente nada. Esta ocupação está custando outras centenas de vidas. O que estão ganhando com isso? A lista é longa: isolamento internacional, desemprego, queda nas exportações, quebra de empresas, acirramento dos conflitos internos, propostas de leis racistas etc.
Conclamamos ao povo israelense e ao povo palestino a não desistirem de buscar a paz. Apesar de todas as dificuldades, os que reconhecem que o destino dos dois povos é o de conviver em dois estados lado a lado, precisam contar com nosso apoio.
O Campo da Paz não se intimida. Vamos continuar denunciando todas as tentativas de obstrução ao caminho da reconciliação. Nossa voz vai se fazendo escutar cada vez mais por pessoas de bem.
Esta barbárie está nos matando a todos.Paz Agora!