por Mauro Nadvorny | 31 mar, 2019 | Brasil, Comportamento, Israel
Não em nosso nome
Se você concorda que todo ser humano nasce igual, você é contra Bolsonaro.
Se você concorda que homens e mulheres têm os mesmos direitos, você é contra Bolsonaro.
Se você concorda que todos merecem receber as mesmas oportunidades, você é contra Bolsonaro.
Se você concorda que não é o gênero, mas o caráter do individuo o que realmente importa, você é contra Bolsonaro.
Se você concorda que a tortura é um crime contra a humanidade, você é contra Bolsonaro.
Não é uma questão ideológica, não se trata de esquerda ou de direita. Ser contra Bolsonaro é respeitar nossa diversidade e ter a consciência de que podemos viver em harmonia como seres humanos que chegamos ao mundo e partimos dele da mesma forma.
Como judeus temos uma responsabilidade com a humanidade. Somos o povo mais antigo na Terra. O povo do livro, aquele que trouxe ao mundo os 10 Mandamentos, as primeiras leis conhecidas pelo homem.
Nossa história é pautada por grandes acontecimentos, alguns de grande alegria, outros de imensa tristeza. Nenhum deles impediu que chegássemos aos dias de hoje em nossa terra. Aqui estamos para dizer ao mundo que o Povo de Israel Vive. E aqui vivemos com toda nossa bagagem ancestral de conhecimento e lições de vida.
Infelizmente algumas destas lições, as vezes parecem esquecidas e é preciso relembrá-las. Podemos ter pontos de vista diferentes, maneiras distintas de alcançar os mesmos objetivos, mas nunca podemos deixar de acreditar que somos o povo que deve ser um Farol de Luz para a humanidade.
A presença de Jair Bolsonaro em Israel é uma ofensa a todo ser humano, judeu ou não. Sua visita a Yad Vashem é ainda pior e não condiz com o que este lugar representa. Este presidente do Brasil enaltece a Ditadura Militar Brasileira que perseguiu, torturou e matou jovens de esquerda lembrando a cada um deles de que eram judeus. Entre eles: Ana Rosa Kucinski Silva, Mauricio e André Grabois (pai e filho), Chael Schreier, Gelson Reicher, Pauline Philipe Reischtuhl, Vladimir Herzog e Yara Iavelberg.
Quando nosso primeiro ministro se acerca deste tipo de líder para tentar obter exclusivamente mais uma embaixada em Jerusalém, temos de nos questionar se ele realmente nos representa. Para ele os fins justificam os meios, e apertar a mão de um ser tão desprezível como este, serve aos seus objetivos particulares de se perpetuar no poder.
Nenhum poder é eterno, os governantes passam e as nações permanecem. No entanto, são nossos governantes atuais que trocam afagos e sorrisos, cada qual com a sua agenda. A de Bolsonaro é agradar aos seus parceiros evangélicos que sonham com uma Israel convertida ao cristianismo para permitir a volta do seu Messias, Jesus Cristo.
O Brasil é muito maior que Bolsonaro, o que ele representa e aqueles que o apoiam. Nós todos que amamos a liberdade, a democracia e o respeito aos direitos humanos, estamos unidos em todo o mundo contra o fascismo. Nossa união é a nossa voz e ela jamais será calada.
Um mundo melhor é possível e somos aqueles que apontam o caminho. Somos a esperança que não morre, a alegria da vida, a beleza do ser humano. Nós somos o futuro.
Somos persistentes, somos obstinados, nunca desistimos porque somos movidos por amor ao próximo. Nossa unidade é consequência do que de melhor representamos no mundo. Nossa força é perene e nossa causa é justa.
Nós israelenses de origem brasileira que voltamos para nossa casa em Israel não esquecemos o Brasil. Não nos permitimos abandonar o povo brasileiro nas mãos deste presidente com ideais fascistas e chamamos a todos os cidadãos de Israel para que se manifestem contra a sua presença.
Jair Bolsonaro você é uma Persona Non Grata em Israel.
por Mauro Nadvorny | 18 mar, 2019 | Brasil, Comportamento, Israel
O que é isso companheiro?
Eu achava que era à direita a principal fabricante de Fake News, aquelas do tipo Kit Gay e Mamadeira de Piroca. Qual não foi a minha surpresa ao saber que um companheiro aqui do Brasil 247, também é afeito a elas.
Na última sexta-feira, dia 15 de março, no programa Leo ao Quadrado, Leonardo Stoppa destilou sandices contra Israel. Instigado pelo Leonardo Attuch para falar sobre a visita do Embaixador de Israel a Bolsonaro, provavelmente para tratar da visita que fará ao país no final do mês, veio a questão da transferência da embaixada e daí em diante o que se viu foi uma avalanche de asneiras.
Antes de tudo, quero deixar bem claro em alto e bom tom, que sou radicalmente contra o governo de extrema direita de Israel. Concordo com praticamente todas as acusações que lhe são feitas e atribuo a ele a perda da solidariedade internacional que Israel conquistou a duras penas para sobreviver como nação. Quem acompanha minha coluna no Brasil 247 sabe do meu combate também ao atual governo brasileiro.
Dito isso, quero enfatizar que defendo Israel como defendo o Brasil. O fato de estarmos submetidos a um governo fascista, não significa que alguém tenha o direito de atacar o país, ou o seu povo. Falemos mal do governo, detonemos com o seu presidente, mas nunca a nação. Os governos, felizmente são passageiros.
Voltando ao companheiro Stoppa, é sabido e notório sua ignorância a respeito de Israel. Não é a primeira vez que ele ataca o país com toda sua eloquência. Desta vez, no entanto, ele foi a beira da insanidade. Afirmou que Bolsonaro está a mando do sistema financeiro, de Israel, do serviço de inteligência israelense e dos algoritmos dos Estados Unidos.
Companheiro, sério isso? Nós que estamos na mesma trincheira precisamos escutar tanta baboseira junta? Eu imagino que tu tenhas em mãos todas as provas destas informações. Não me venha com teorias conspiratórias. Estou falando de atas de reuniões do tal Sistema Financeiro, de áudios e vídeos de agentes da inteligência de Israel, e sei lá o que dos tais algoritmos americanos. Sim, porque sem estas provas, você está abaixo do nível do Kit Gay e da Mamadeira de Piroca.
Companheiro, você tem alguma ideia do mal que estas afirmações fazem a nossa causa? Elas são tão ridículas que parecem coisas ditas por uma criança. Estas besteiras fortalecem a direita e somam argumentos aqueles que dizem que a esquerda é antissemita e antissionista. Seria este o seu caso?
Eu sinceramente preciso entender qual é exatamente o teu propósito com estas Fake News. Me explique, por favor, se é o desejo de atacar a esquerda judaica em especial. Se é o teu antissemitismo se manifestando acima da razão ideológica. Talvez o teu manifesto antissionismo que te sobe a cabeça. O que é que te passa na cabeça quando inventas estas tolices?
Para sua informação, a importância do Brasil hoje para Israel é zero. O Bibi não se importa se a próxima embaixada em Jerusalém seja do Togo, ou do Brasil. Ele só sabe contar números. O Brasil não tem a mínima importância comercial para Israel e todas as empresas israelenses que quiseram fazer negócios com o Brasil, já o fazem há muitos anos. A mudança do voto brasileiro na ONU não tem significado nenhum e se acontecer, se soma a outra meia dúzia de países sem influenciar ninguém. Aqui em Israel as pessoas em geral gostam do país, da sua música e do seu futebol. Se este louco mudar a embaixada para Jerusalém será para agradar os evangélicos e não para agradar o Bibi, que diga-se de passagem, corre o risco de perder as eleições em 9 de Abril.
Eu entendo porque sou atacado pela direita em geral e a judaica em particular. É uma questão de bom sendo da parte deles, afinal eu os ataco da mesma maneira por uma questão de bom senso da minha parte. Temos visões opostas, ideologias que nos dividem e conceitos de mundo irreconciliáveis.
Mas quando sou atacado por fogo amigo, isso dói muito. Quando a gente pensa que está ombro a ombro na mesma luta e descobre que o companheiro ao lado te odeia, isso é uma facada nas costas. Pior ainda, quando este amigo municia o inimigo em comum.
Desde as eleições eu não soltei a mão de ninguém. Perdemos, foi muito doloroso. Foram-se parentes, amigos queridos e uma decepção estratosférica. Quem viveu intensamente aqueles dias sabe do que estou falando e dos sentimentos envolvidos. Pela primeira vez, desde então, eu estou disposto a soltar a mão de alguém, a tua mão companheiro, se não te retratares.
Espero que tenhas a honradez de admitir que passastes do ponto. Que aquilo foi um equívoco a luz do momento. Que encontres as palavras certas para explicar o inexplicável, ou que soltes a minha mão.
por Mauro Nadvorny | 15 mar, 2019 | Brasil, Comportamento
Nos Estados Unidos, um homem abriu fogo em uma fábrica em Illinois e deixou 6 mortos.
No Brasil, dois rapazes abriram fogo dentro de uma escola em Suzano e deixaram 10 mortos.
Na Nova Zelândia, pelo menos 3 suspeitos foram detidos depois de abrirem fogo contra duas mesquitas e deixarem 49 mortos.
Em Israel, o primeiro ministro disse que Israel não é todos seus cidadãos, somente dos judeus.
Na Polônia, um jornal fez uma reportagem de capa ensinado como identificar judeus.
Tudo que foi lido até aqui aconteceu nos últimos 30 dias e poderia ser o resumo do que a direita é capaz, ou em outras palavras, como a direita faz mal ao nosso mundo.
No caso americano, se trata de mais um episódio do acesso e posse livre de armas que o país insiste em manter, graças, especialmente ao apoio incondicional do Partido Republicano.
No Brasil se trata de dar voz aos desejos do novo presidente. Os jovens apoiadores dele e da direita resolveram cometer o tipo de crime que se tornou comum nos Estados Unidos.
Na Nova Zelândia se trata de um crime de islamofobia levado a cabo por participantes de um grupo radical de supremacia branca de extrema direita.
Em Israel se trata do primeiro ministro respondeu a uma apresentadora de TV que disse em um post nas redes sociais que todos os cidadãos de Israel são iguais, judeus, árabes, drusos etc.
Na Polônia um ex-candidato ao parlamento polonês escreveu um artigo onde ensina seus leitores como identificar um judeu por suas características, modo de vida, gestos etc.
O fascismo se torna uma ameaça global a humanidade. Vidas não importam, o capital vem antes de tudo e se torna o único caminho capaz de trazer felicidade. Felicidade a uns poucos, é verdade, mas quem está contando?
Neste sentido, o nacionalismo exacerbado, a xenofobia, o racismo e formas de preconceito passam a ser não somente aceitos, mas incentivados como uma maneira de resolver problemas sociais e econômicos que o capital é incapaz de solucionar por conta de suas contradições intrínsecas.
Infelizmente este quadro de tristeza, de crimes covardes contra pessoas indefesas vai se alastrando mundo afora. Felizmente os regimes de direita são incapazes de manterem entre si cooperações econômicas sustentáveis por muito tempo. Normalmente, este tipo de acordo é sempre leonino e um dos lados se beneficia em detrimento do outro. Isso tem prazo de validade.
O capitalismo é implacável. Existe o forte e o fraco, o opressor e o oprimido. Meritocracia é o seu mantra e o paraíso é somente para aqueles que souberam se aproveitar do sistema em benefício próprio.
A universidade é para poucos. A riqueza é o prêmio para os escolhidos e dele devem usufruir somente aqueles verdadeiramente merecedores. Deste bolo comem poucos e as massas cabem as migalhas.
Neste projeto não existe lugar para o diferente, para o fraco, para o outro. Empatia é palavrão e solidariedade um crime. Imposto é para os pobres e o destino deles é permanecerem na base da pirâmide alimentando os que estão no topo, jamais ascendendo ao lugar de cima.
Um metalúrgico nordestino presidente da nação que ousou subverter esta ordem está preso há quase um ano. Preso sem provas do cometimento de qualquer crime, e ainda assim condenado.
Nos privaram de sua presença e de seu lugar como presidente do Brasil. Votos não lhe faltariam se tivesse disputado a eleição. Eles o mantêm encarcerado fisicamente, mas não puderam calar sua voz, nem suas ideias. Ele tudo suporta e não se abate.
Lula está presente e seu projeto para o Brasil vai vencer esta escuridão em que nos encontramos. Um país de oportunidades iguais para todos vai renascer porque o que o neoliberalismo é incapaz de destruir é a nossa capacidade de manter viva a chama da solidariedade onde apesar de tudo o que estamos sendo obrigados a passar, ninguém soltou a mão de ninguém.
Sou um idealista inveterado. Sei que vamos encontrar os meios para deixar este mundo um lugar harmonioso de se viver para as próximas gerações. Com paciência e a nossa perseverança na luta, vamos construir um mundo melhor.
por Mauro Nadvorny | 8 mar, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
A Natureza dele
Novos tempos em que o vice-presidente da nação precisa ficar o dia todo explicando que a fala do presidente foi mal compreendida. E tem que fazer isso todos os dias!
Aos poucos parece que o país começa a se acostumar que elegeu um incompetente para o cargo. Muitos de seus eleitores estavam convencidos que aqueles discursos preconceituosos eram coisas de campanha. Que o que ele defendeu no passado, como ser contra a reforma da previdência, por exemplo, era sério. Ops, não era.
Durante a campanha eu e muitos companheiros passamos horas fazendo vídeos e postando mensagens explicando a verdadeira natureza do coiso. Dissemos com todas as letras que o sujeito era um energúmeno, um troglodita que não tinha a menor capacidade de ser presidente do país. Tentamos explicar aos mais humildes que estavam criando um monstro que se voltaria contra eles mesmos. Até a fábula do sapo e do escorpião eu contei. O escorpião pede ao sapo que o leve para o outro lado do Rio. O sapo diz que não o fará porque não quer ser picado mortalmente. O escorpião argumenta que se fizer isso os dois morrem. Então o sapo concordou e no meio da travessia sente a picada mortal. Antes de morrer pergunta ao escorpião porque ele fez isso e escuta sua resposta: desculpe, mas é a minha natureza.
Infelizmente fomos vencidos pelas fake news. Preferiram acreditar nas Mamadeiras de Piroca e Kits Gay. Agora nós todos somos obrigados a aguentar um ignorante que passa o dia nas redes sociais postando uma merda atrás da outra. E quando achamos que não podia ser pior, eis que ele se supera e nos surpreende com uma merda maior ainda.
A verdade é que ele está só começando. Provavelmente vamos ter saudades quando ele só postava besteiras já que com o tempo vai piorar muito. A pergunta é quem vai presidir o país enquanto o cara eleito fica arrumando intrigas nas redes sociais. O cargo parece que continua vago.
Se o chefe do clã já é um incapaz, o que dizer de sua prole. Já repararam que eles não o chamam de pai? Se referem a ele somente como Bolsonaro, mas se tratam por seus nomes. Que família esta. Nunca tivemos uma família eleita para governar o país desde os tempos da monarquia.
Diferentemente das fake news do filho de Lula, aquelas do tipo ser dono da Friboi (e deve ter gente acreditando nisso até hoje), os filhos do incapaz são investigados por crimes mesmo. O Flávio, por exemplo, amissímo de milicianos, parece que recebia pelo menos a metade do salário dos que trabalhavam para ele. Usava o Queirós para arrecadar e fazer os depósitos na sua conta.
O filho de Lula foram procurar para tentar encontrar alguma coisa criminosa, não acharam nada e por isso inventaram até um carro de ouro de sua propriedade. Já Huguinho, Zézinho e Luizinho nos brindam diariamente com suas estrepolias. As vezes parecem mandar mais do que o Pato Donald.
E nesta semana de carnaval quando tudo parecia ser apenas Festa de Momo, que as pessoas estavam apenas brincando e se divertindo, eis que o maldito posta no seu Twitter um vídeo com cenas chulas. Uau, o chefe da nação expondo ao mundo inteiro seu ponto de vista sobre o nosso Carnaval, uma festa mundialmente conhecida que atrai turistas de todo lugar.
Repórteres internacionais que acompanham presidentes das nações de todo o planeta acharam inicialmente que poderia ser um erro, uma conta hackeada, um assessor que exagerou, qualquer coisa, menos que fosse um post do Chefe da Nação Brasileira. E era dele mesmo.
E lá estava o vídeo de um homem massageando seu ânus com o dedo e depois tomando um banho de urina. Visível para crianças, seus seguidores de todas as cores e para o mundo todo ver. Nem o presidente das Filipinas, o tresloucado Rodrigo Duterte seria capaz de uma proeza destas. E olha que o cara também é maluco de atar. Que mico.
O buraco parece não ter fundo e a cada dia caímos mais um pouco neste abismo que se transformou o Brasil. Sou um cara otimista, mas hoje não vejo luz no fim do túnel. Espero, talvez em breve, quando finalmente o povo sair as ruas para dar um basta ao nosso martírio e o Congresso tirar esta coisa do cargo, assistir ele descer a rampa do palácio. Quem sabe neste dia a gente escute algo do tipo: não fiz nada diferente do qual vocês não tivessem conhecimento desde o princípio. Essa sempre foi a minha natureza.
por Mauro Nadvorny | 23 fev, 2019 | Comportamento, Mundo
Destas ironias da vida, foi um Poeta Alemão chamado Guido von List, quem em 1920, por ocasião da fundação do Partido Nacional-Socialista, mais conhecido como Partido Nazista, quem teve aceita a sugestão de utilizar a suástica solar como símbolo do partido.
Nazismo vem do termo National Sozialistische, que juntando eles chamavam de Partido Nazi, e daí deriva o termo nazista e seu símbolo como ficou conhecido, a Suástica Nazista.
Esta semana, um cemitério judaico na França foi profanado com a pichação de suásticas em cerca de 80 lápides. Uma ação vergonhosa e covarde.
Os judeus têm uma aversão óbvia por este símbolo nazista, afinal foram 6 milhões de vítimas na segunda guerra e se alguém quer provocar um judeu, é só colocar uma suástica na sua frente.
Esse ódio aos nazistas, no entanto, parece não ser compartilhado pelas populações dos muitos países que também sofreram nas mãos deles. Isto de uma certa forma, não deixa de ser surpreendente.
A França, por exemplo, teve cerca de meio milhão de vítimas entre civis e militares. No final da guerra viveu uma grava crise social, política e econômica iniciando um longo processo de reconstrução de toda infraestrutura destruída.
Seria, portanto, esperado, que os franceses fossem mais sensíveis ao símbolo maior do nazismo que ocupou e arrasou seu país. As imagens das tropas nazistas desfilando no Champs Elysee sob o Arco do Triunfo em uma Paris enfeitada de suásticas é uma marca vergonhosa difícil de ser esquecida.
Ao que parece a maioria dos franceses não se sente ofendida quando suásticas são colocadas diante de seus narizes como se o que aconteceu com a geração da guerra, não lhes diga respeito.
O mesmo acontece em outros países europeus. Pior, em muitos deles, partidos com a mesma ideologia nazista prosperam e ganham mais cadeiras nos respectivos parlamentos a cada eleição. Assim como a suástica foi o símbolo nazista, eles também possuem um símbolo de maneira similar.
Em cada país ocupado pelos nazistas, existiram colaboracionistas. Locais que viram na ocupação uma maneira de se darem bem na vida. Eram eles que apontavam onde haviam judeus. Nem todos o faziam por alguma recompensa, grande parte era por prazer e afinidade ideológica.
O antissemitismo já existia em maior, ou menor grau na Europa muito antes de Hitler. A única diferença é que ele teve a ideia de apresentar e executar uma solução final. Perdeu a guerra, mas ainda assim o antissemitismo continuou.
Dizem que a extrema direita é antissemita e a extrema esquerda antissionista. Como os extremos se tocam, existe um campo cinza entre eles onde as coisas se confundem.
O antissemita não é necessariamente um extremista, muito pelo contrário. Em geral é uma pessoa comum com família, cachorro e temente a Deus. Ele trabalha, passeia com sua família e seu cachorro e vai a missa aos domingos. Ele acha que os judeus dominam o mundo. Todos os jornais e redes de televisão estão nas mãos dos judeus. Os bancos, então, nem se fala. Todo banqueiro é judeu. Um bom cristão não pode aceitar isso.
Na imaginação do antissemita, se Hitler matou tantos judeus, alguma coisa de mal eles fizeram para merecê-lo. Ele não sabe exatamente o que, mas deve ser algo muito grave.
É justamente este tipo de pessoa que serve de massa de manobra para os extremistas. Aqueles que espalham Fake News. Foram eles que disseminaram a história de que na Páscoa Judaica os judeus matavam crianças cristãs para utilizarem o sangue delas na receita do Matzá, o pão ázimo que é comido nesta festividade. Esta Fake News causou a morte de milhares de judeus.
Este mesmo tipo de gente é quem cria e dissemina nos dias de hoje histórias de Kit Gay e Mamadeira de Piroca com o objetivo de causar ódio a uma parcela da população, no caso aqueles que são de esquerda. O método é o mesmo. A crença dos incautos também.
A história do meu povo está repleta de lições de como se comporta parte da população que é suscetível a este tipo de informação. Nunca acabou bem para nós, nem para nossos algozes.
O Brasil está sendo liderado por este tipo de gente que soube muito bem dominar os meios de informação a seu favor. Eles têm um objetivo, sabem onde querem chegar e o custo disso. A conta, como sempre, não são eles que vão pagar.
por Mauro Nadvorny | 29 jan, 2019 | Comportamento, Israel
Tenho percebido que para muita gente a ficha ainda não caiu. O fato de que bandeiras de Israel foram utilizadas abertamente em favor do candidato que ganhou as eleições é um fato nunca antes acontecido. Não lembro em todos os anos de vida no Brasil de uma unica eleição onde bandeiras de Israel fossem utilizadas politicamente.
Este fato traz consigo o que pode vir de bom, mas principalmente o que vem de ruim. A superexposição de judeus como apoiadores dele e de Israel como suporte a sua candidatura e política de governo já está trazendo consequências.
Na minha opinião, por enquanto os ataques se fazem contra Israel, logo mais vão começar contra os judeus e não deve demorar muito.
As charges que atacam Israel, não tem cunho antissemita, ainda, e quem está fazendo esta conexão serve aos propósitos do atual governo de extrema-direita de Israel. Foi este governo quem criou a conexão antissionismo com antissemitismo da mesma maneira que os árabes fizeram com racismo e sionismo na ONU.
Eu como israelense, me sinto muito mal com charges que atacam Israel. No entanto não posso tapar o sol com a peneira e fingir que não mostram a dura realidade dos anos de ocupação dos territórios. Posso dizer que são inapropriadas ao momento, que são de mau gosto etc. A realidade continua a mesma.
Na minha opinião, não são os chargistas os nossos inimigos. Nossos inimigos continuam sendo aqueles que apoiaram este fascista e não se importando, e até incentivando o uso político da bandeira de Israel para atrair votos de judeus e evangélicos.
Sempre estivemos presentes nas eleições brasileiras como brasileiros judeus. Desta vez acharam que nossa participação deveria ser como judeus brasileiros e o preço começa a ser cobrado. E vai sair caro.
As críticas feitas em nada diferem das críticas feitas por organizações judaicas e israelenses que são a favor de uma solução de dois estados. Seriam todas elas antissemitas?
Várias organizações também são a favor do BDS como forma de pressão para alcançar um acordo de paz. Seriam todas antissemitas?
O instituto Simon Wiesenthal é um antro de direita. Não me surpreende que coloquem o Latuf como um dos 10 maiores antissemitas do mundo. Me surpreende alguém acreditar nisso. Para eles até o Soros é um antissemita.
Israel perdeu apoio internacional há muitos anos. Os crimes que são cometidos diariamente nos territórios com a ocupação de terras palestinas é o combustível que alimenta esta onda antissionista e não o antissemitismo como eles querem que acreditemos. É isso que eles querem que seja verdade para encobrir o que acontece lá.
Juntem isso com a superexposição que tivemos nos últimos meses e o resultado não podia ser outro. Lamentável, porém previsível.
Acho que é hora de baixar os ânimos e a discussão passional. Precisamos de mais bom senso, pé no chão e pensar em saídas para este clima que só vai se acirrar sob pena de ficarmos totalmente isolados pela direita e pela esquerda. Muita calma nesta hora.