por Mauro Nadvorny | 17 maio, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Nunca ofenda os estudantes. Principalmente em um país onde eles já saíram as ruas por causa de um aumento de R$ 0,20 centavos na passagem do ônibus. Regra básica para bons entendedores.
As manifestações que se realizaram em todo o Brasil, as primeiras organizadas depois das eleições, mostram que quebrar aquela regra não foi uma boa ideia. Melhor, conseguiram unificar estudantes com professores, pais com filhos, até mesmo quem já foi universitário um dia, todos que compreendem a importância das universidades no desenvolvimento de uma nação.
Primeiro quiseram fechar os cursos de humanas. Depois cortaram verbas essenciais a manutenção das universidades e dos projetos de pesquisa. Quiseram provar que 35 é igual a 3,5 em termos percentuais “chocolatais”. Aí foi demais, a água ferveu.
Eu venho dizendo há tempo que as ruas precisavam ser ocupadas e preciso agradecer ao bando de incompetentes que compõe este governo pela ajuda prestada. É incrível a capacidade deles de irritarem todo mundo.
As ruas de todas as capitais e outras dezenas de cidades foram tomadas por manifestantes. Na minha opinião, ainda de forma tímida. Precisamos do efeito avalanche e ele vai acontecer. Na medida em que novas convocações sejam feitas, mais gente vai se somar e logo teremos números nunca antes vistos no Brasil.
Estamos diante de uma revolução que não utilizará armas de fogo, esta será a Revolução dos Livros. Nenhum país do mundo pode melhorar a vida de sua população se não melhorar o nível da educação para todos os seus cidadãos.
O conhecimento é o pilar do desenvolvimento. Lula percebeu isso desde o primeiro dia como presidente. Não apenas apoiou as universidades existentes, como criou novas. Permitiu que estudantes de baixa renda chegassem a elas. Especializações no exterior com bolsas de estudo, cotas e tudo que era necessário para melhorar o nível dos nossos estudantes, Lula não mediu esforços. Reservou parte da riqueza do Pré-sal para a educação.
Este governo, sem nenhum projeto em nenhuma área, resolveu atacar a ciência, a pesquisa e toda forma de produção de conhecimento. Querem um país de empregados subordinados a classe dominante. Pessoas inteligentes podem se tornar um perigo.
A inépcia dos ministros já é conhecida. Bizarrices e trapalhadas diárias produzem o efeito esperado, economia estagnada, aumento do desemprego, menos segurança nas ruas, queda nas vendas, aumento de falências, fechamento de negócios, enfim tudo em que é possível piorar, estamos liderando.
Contudo faltava uma faísca para dar ignição ao processo de desencantamento amplo, geral e irrestrito. O grito que estava preso nas gargantas foi libertado e o povo gritou, gritou muito, e foi lindo escutar.
As mãos que nunca se soltaram, vieram para as ruas. Os que resistiram ao choque da perda da eleição e nunca desistiram, vieram para as ruas. Os que nunca deixaram de denunciar os descalabros, vieram para as ruas. Enquanto estavam destruindo nosso presente, suportamos a dor, mas quando quiseram destruir nosso futuro, fomos todos para as ruas.
A revolução mal começou, existe um longo caminho a ser percorrido. Cada dia mais gente vai se somar, mais pessoas vão acordar desde pesadelo, mais indivíduos vão dar as mãos. Nossa arma são os livros e com eles vamos recuperar o Brasil para todos os brasileiros.
por Mauro Nadvorny | 9 maio, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Nem todas pessoas se preocupam com a política. Algumas nem se importam com os outros. Aos outros me refiro aqueles além delas próprias. Eu sei, é chato de dizer, mas existem um monte de gente assim.
Entre aquelas que se importam com os outros, e aquelas que compreendem a importância da política, existem os ideológicamente engajados. Pessoas que desejam um mundo melhor. Tudo bem, isso soa como um clichê, se parece com um clichê e portanto é mesmo um clichê. No entanto é aquele tipo de clichê que os que se alinham a esquerda no espectro político compreendem muito bem.
Quando a gente fala de um mundo melhor de se viver, estamos falando de um mundo mais justo, com as mesmas oportunidades para todos, mais humano, que respeita a natureza, os direitos dos animais, que entende os cientistas que falam do aquecimento global, que sabem que a Terra é redonda e principalmente acima de tudo, tem plena consciência de que não existe mamadeira de piroca e nem Kit Gay.
Somos aquele tipo de gente que adora discutir projetos políticos, inclusive projetos diferentes dos nossos. Não temos problema em argumentar e discutir nossos pontos de vista, sempre respeitando o direito de outros discordarem.
O nosso grande problema atualmente é que não temos como contrapor nosso projeto ao outro projeto porque ele não existe. O cara que elegeram presidente não tem projeto nenhum para coisa nenhuma. Não é possível oferecer outra opção, porque a primeira não está acontecendo.
A ação do cara é apenas destruir tudo que foi construído até hoje sem colocar nada no lugar. Não é novidade já que quando estava no exército sua grande ideia foi colocar uma bomba para destruir tudo. Deve ser alguma coisa mal resolvida da infância. Ele devia ser aquele idiota da praia que destruiu nossos castelos de areia.
Existem dois tipos de destruidores, o que destrói por prazer e o que destrói por compulção. Bolsonaro destroi por compulção. O importante é por abaixo sem medir as consequências. Não fosse uns poucos lúcidos que não sei o que estão fazendo neste governo, a destruição já teria atingido níveis muito mais alarmantes. Na verdade eles tentam segurar a onda por um tempo sabendo que não vão ser capazes de fazê-lo para sempre.
Neste quadro, não existe solução senão substituir o presidente. Ele deveria ser declarado incapaz para o cargo. É um elefante numa loja de cristais balançando o rabo e abanando as orelhas. O desastre não é mais uma previsão, é visível, é realidade.
Se o povo não tomar as ruas, o tamanho do buraco vai levar décadas para ser fechado. Só um movimento solidário do campo progressista com aqueles que se arrependeram do voto será capaz de produzir uma mudança de rumo. É o momento de afastar as nossas diferenças, de encontrar o que temos em comum e lutar ombro a ombro pela mudança já.
Preparar a Greve Geral, explicar sua importância em todas as rodas, em todos os lugares é imperativo. A greve será o termômetro da nossa capacidade de aglutinar forças. De unir os movimentos sociais da cidade e do campo, de somar com os estudantes e todos os trabalhadores. Unidos somos fortes.
Nós temos um projeto.
por Mauro Nadvorny | 3 maio, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Muita coisa já foi escrita sobre o Holocausto. Um evento desta magnitude, quando uma máquina estatal foi criada para aniquilar um povo, deixou marcas de todo tipo. Existem heróis e covardes, combatentes e apoiadores, erros e acertos. Tudo já foi escrutinado.
Um acidente da natureza como um terremoto, um tsunami deixam marcas visíveis. Vidas perdidas, casas destruidas, quase o efeito de uma guerra. A diferença é que são eventos naturais e por mais dor e destruição que causem, existe uma explicação, o que se não serve como conforto, ao menos compreendemos a inevitabilidade do que aconteceu.
Quando falamos do Holocausto estamos falando de um evento acontecido em meio a uma guerra mundial. Uma guerra declarada por um país que culturalmente se encontrava em um nível acima da maioria das nações vizinhas. Que possuía um sistema de governo democrático e que supostamente havia aprendido os erros da guerra anterior.
Havia desemprego e uma crise econômica herdada da guerra e dos acordos assumidos com os vencedores. Judeus conviviam em harmonia dentro da sociedade e muitos casamentos mistos aconteciam juntamente com uma boa parcela de assimilação (judeus não praticantes que nem mais se reconheciam como tal).
A Alemanha, apesar da primeira guerra, ainda era um país plenamente desenvolvido. Nada disso foi suficiente para evitar o que aconteceu e a transformação para um sistema militarizado, antidemocrático, xenófobo, homofóbico e antissemita foi uma consequência do desejo do povo alemão daquela época.
Mas foi principalmente o cidadão comum, aliado com uma elite burguesa, que viram naquele líder carismático e pouco simpático, a oportunidade de ascensão social e econômica. Inicialmente não estavam tão preocupados com os judeus. Os socialistas e comunistas eram o principal inimigo. A democracia um regime a ser substituído por um autoritário.
A sociedade alemã fez então a sua escolha, assim como a brasileira o fez agora. Todos os sinais de que era um erro, de que nada deveria substituir a democracia, de que uma nova guerra viria eram visíveis. Nada foi capaz de mudar o destino. A Alemanha sucumbiu ao canto da sereia, as promessas de uma grande nação, de um futuro brilhante, livres do comunismo e também dos judeus. Uma Alemanha de alemães puros.
Hitler se mostrava um orador brilhante. Sua oratória aliada ao magnífico espetáculo cenográfico levava as pessoas ao delírio. Tudo era bem coordenado e muito bem executado para criar o máximo efeito visual possível. E deu certo. Líder nato ele sabia exatamente o que deveria ser feito e executou seu plano metodicamente. As consequências para o mundo em geral e os judeus em particular, foi catastrófica. Sem falar para a Alemanha.
Ao contrário do líder alemão Bolsonaro se fosse um orador, já seria alguma coisa. Para nossa sorte ele nem chega a isso. Elevado a presidência também por uma elite burguesa, ele não tem a menor ideia do que isso representa. Parece o novo rico, um cidadão humilde que ganha na loteria e se torna milionário da noite para o dia. Pode fazer qualquer coisa, mas não tem a menor ideia de como fazer.
Bolsonaro não tem classe para ser presidente do Brasil. Não tem envergadura, não possui as mínimas condições que o cargo exige. Nem sabe o que o cargo significa, o que exige e o que pode fazer como presidente. Está brincando de novo rico.
Usa os filhos como uma extensão de seu cargo. Distribui medalhas para seus amigos. Coloca gente em cargos totalmente fora de suas áreas de atuação e faz do Twitter seu palanque. O cara é um verdadeiro debiloide. Não o digo com a intenção pejorativa que a palavra carrega, mas como forma de definir com mais precisão o tipo de pessoa que ele é.
Felizmente Bolsonaro nunca será um Hitler. Mas em comum possui a mesma arrogância, a mesma fantasia homofóbica, o mesmo discurso de atribuir os males da nação a um grupo específico, no caso o Partido dos Trabalhadores. Ao contrário da besta alemã que subjugou povos para baterem continência a bandeira nazista, Bolsonaro é uma besta que voluntariamente bateu continência a bandeira americana.
Hitler destruiu a Alemanha. Foi o responsável pela divisão do país, de todo o sofrimento causado as nações que se envolveram na guerra e principalmente pelo assassinato de 6 milhões de judeus, entre eles inúmeros familiares meus. O que ele fez é imperdoável.
Bolsonaro vai destruir apenas o Brasil. Diariamente de uma maneira atarantada, ele vai derrubando os pilares das conquistas sociais que ajudaram a diminuir as diferenças sociais, que acabaram com a fome, que levaram a mais educação, que aprimoraram o respeito aos direitos humanos, que tornaram o Brasil um pais respeitado no cenário mundial. Em breve, possivelmente vai cobrar proteção da população como todo bom miliciano.
Nesta data de recordação do Holocausto, não podia deixar de continuar alertando meus leitores das consequências de uma má escolha. A maioria assim o quis e todos vão pagar por ela. Enquanto não for dado um basta, o país vai continuar ladeira abaixo e diferentemente da Alemanha que teve ajuda para sua reconstrução, o Brasil vai custar muito a se recuperar.
por Mauro Nadvorny | 18 abr, 2019 | Comportamento
A comemoração da Páscoa Judaica, o Pessach, ou a Festa da Liberdade, como a chamamos, faz muito que me é complicada. Como comemorar uma festa da liberdade quando nos tornamos opressores de outro povo que luta pela sua?
Esta dicotomia entre alegria e tristeza, certo e errado, liberdade e escravidão me assombram todo ano nesta época e invariavelmente me torno repetitivo escrevendo sobre ela como forma de expiação.
Todo ano repetimos uma história de vida que é passada de geração a geração sobre o valor da liberdade. Eu a escutei de meus avós, de meus pais e passei para minhas filhas. Nunca esquecer que um dia fomos escravos no Egito e lutamos por nossa liberdade e o direito de ser uma nação livre na Terra de Israel.
Não escutei de meus avós, tampouco de meus pais, que nos tornamos um povo colonialista que nega ao Povo Palestino seu direito a uma nação. Eu vivi esta história, aprendi com ela e a passo todos os anos na mesa do Pessach. Justiça tem que ser para todos.
Israel é o Lar do Povo Judeu e isto nunca vai mudar. Somos uma terra de incríveis contrastes e aqui se vive diariamente os problemas de um país de enormes conquistas na ciência e na medicina, por exemplo, e ao mesmo tempo de vergonhosas cenas de um verdadeiro Apartheid.
Não se enganem, Israel não é exatamente uma democracia e dependendo do ângulo que se queira olhar, somos uma verdadeira ditadura. As leis não são iguais para todos os cidadãos, elas são aplicadas de acordo com a cor, religião e nacionalidade. As penas para crimes similares cometidos por cidadãos israelenses são aplicadas conforme estas distinções. Assim, um assassino muçulmano de um cidadão judeu terá uma pena 3 vezes maior do que um cidadão judeu que mate um muçulmano.
É legal que um israelense compre uma terra de um palestino, mas não o contrário. É legal a demolição de casas palestinas construídas a dezenas de anos sem autorização (eles raramente conseguem uma), mas casas de judeus dificilmente serão colocadas abaixo. Terras de proprietários palestinos são expropriadas e nelas se estabelecem novos colonos. Estradas são construídas na Cisjordânia ocupada somente para o trânsito de israelenses. Para os palestinos existem barreiras a cada tantos quilômetros, desvios e bloqueios.
Se alguém estava pensando que o estado só persegue os palestinos, não está a par da política de exceção aos judeus que concordam com o BDS, ou que simplesmente apoiam a ideia de um Estado Palestino, que fazem trabalhos humanitários nos territórios, ou que pedem respeito aos direitos humanos.
Qualquer grupo judaico, ou individuo judeu que apoie o BDS, tem sua entrada barrada no aeroporto. Judeus que vem a Israel fazer trabalhos humanitários são interrogados pelas forças de segurança na sua entrada, e quando não são enviados de volta imediatamente, podem ter pertences como Computadores e celulares apreendidos na sua saída.
Ainda assim, e apesar de todos os reveses que enfrentamos, existem israelense que respeitam e enaltecem o espírito de liberdade do Pessach. Indivíduos e grupos que lutam diariamente para mudar este estado de coisas. Pessoas que fazem a diferença e mostram com o seu sacrifício que o verdadeiro sionismo é o socialista, não este que foi usurpado por fanáticos da extrema direita.
A esquerda israelense vive atualmente seu maior dilema. Permanecer dividida ou se unir em um único partido. Esta união deve ser entre os partidos judaicos, ou finalmente vamos ter um partido que não faça distinção entre judeus e árabes, uma a esquerda formada por cidadãos israelenses de todas as etnias. Um partido que lute pela igualdade de todos os habitantes de Israel.
Por isso, nesta data, quando o direito a liberdade está sendo enaltecido, quando as famílias judaicas estiverem sentadas à mesa lendo a Hagadá de Pessach (a história da saída do Egito), levantem um copo de vinho pela Paz e a Reconciliação com o Povo Palestino pela criação de seu Estado, o que permitirá a Israel continuar sendo um país judaico e democrático, pertencente a todos os seus cidadãos com os mesmos direitos e deveres.
Amém.
por Mauro Nadvorny | 5 abr, 2019 | Brasil, Comportamento, Israel
Não está sendo fácil para os brasileiros que vivem no exterior. Ter que tentar explicar as besteiras que são ditas pelo presidente do país está sendo cada vez mais difícil.
Eu conheço muita gente que defende o fato da história ter sido escrita pelos vencedores para fabricar novas narrativas, até aí algo compreensível. O problema é quando a total falta de conhecimento histórico leva uma criatura a dizer que o Partido Nazista era de esquerda porque tinha “socialista” no nome (Partido Nacional Socialista). Não qualquer criatura, o Presidente do Brasil ao sair de uma visita ao Museu do Holocausto.
O fato de não saber falar outros idiomas é perdoável. A falta de informação sobre o lugar que está visitando, não ter ideia do motivo da construção do monumento onde está depositando uma coroa de flores e não saber a razão deste local ser incluído nas visitas de dignitários estrangeiros, isso é imperdoável.
A situação foi tão vexatória que assim que sua declaração chegou aos canais de mídia, a imprensa israelense que estava fazendo uma cobertura morna, passou a ataca-lo sem piedade. Vídeos de suas declarações homofóbicas e misóginas surgiram nos noticiários das TVs e o próprio Museu do Holocausto foi questionado, acabando por emitir uma nota onde afirmou que a declaração do presidente brasileiro era equivocada.
Existem muitos assassinos da memória, os conhecidos negadores do Holocausto. Pessoas que afirmam que os nazistas não mataram seis milhões de judeus e que as mortes de alguns milhares nos campos de concentração se deveram a doenças e outros fatores naturais.
Estamos agora diante de um novo conceito, o de assassinos da história. Pessoas que tentam reescrever fatos históricos baseados na linguística, na maneira como de denominavam os movimentos envolvidos. Se um deles tem a palavra Democrata no nome, ele é democrata, se tem a palavra Nacional, ele é nacionalista, e assim por diante. Em sendo assim, Socialista no nome, só pode ser de esquerda.
Se para uma pessoa comum isto é um absurdo, imaginem para nós judeus termos de escutar uma barbaridade destas. Ele, o presidente do país, dando uma declaração estapafúrdia em Israel, na porta do Museu do Holocausto, que afirma em seu site ao explicar a frustração do povo alemão após a Primeira Guerra que “junto a intransigente resistência e alertas sobre a crescente ameaça do Comunismo, criou solo fértil para o crescimento de grupos radicais de direita na Alemanha, gerando entidades como o Partido Nazista”.
A visita de Bolsonaro não será lembrada aqui pelo fato de não cumprir sua promessa de mover a embaixada do Brasil para Jerusalém. Tampouco pela abertura do escritório comercial em Jerusalém. Muito menos pela visita não protocolar ao Muro das Lamentações e assinar o livro de visitante a um grupo extremista que deseja derrubar as Mesquitas do Monte do Templo para lá construir o Terceiro Templo de Israel. Nem falar dos acordos de intenção que não servem para nada. O que ficou marcado para os israelenses foi “o que aquele presidente idiota do Brasil disse antes de ir embora”.
Interessante mencionar que as entidades judaicas brasileiras representativas da comunidade ficaram em silencio. Somente os grupos judaicos na resistência emitiram nota de repúdio e escreveram artigos contra tamanho absurdo.
O silêncio das entidades oficiais, Federações e Confederação ao oficialmente se omitirem, ou ressaltando o aspecto positivo de que ele ao menos visitou Israel, mostra bem o lado trágico da nossa história. Não foi muito diferente na Alemanha antes da ascensão de Hitler. O fenômeno do fascismo judaico sempre foi uma mancha negra no nosso passado que volta para nos assombrar.
Felizmente existe o outro lado. Vários grupos de resistência judaica democrática existem neste momento fazendo um trabalho fantástico de oposição a este governo fascista. Cada um contribui à sua maneira. Todos somam diariamente ações de vigília e de esclarecimento sobre os acontecimentos. Eles são o verdadeiro espírito judaico humanista. Assim foi também na Alemanha Nazista.
por Mauro Nadvorny | 1 abr, 2019 | Comportamento
O Grito do Silêncio
Yad Vashem é solo sagrado. Nele está preservada a memória de seis milhões de judeus assassinados pelo Nazismo e seus simpatizantes. Um crime tão hediondo que recebeu um nome único, Holocausto.
O regime nazista foi uma ditadura militar e como todas elas, um regime sanguinário. Nunca existiu um regime militar pacifista. Militares no poder são sempre responsáveis por guerras internas e externas. Milicos são preparados para a vida do quartel, não para controlarem populações civis.
A ditadura militar brasileira não foi diferente. Perseguiu e assassinou seus opositores. Impôs uma censura prévia sobre tudo que podia ser visto, lido ou escutado. Criou a maior dívida externa do Brasil.
Entre aqueles que combateram a ditadura estavam jovens judeus idealistas. Perseguidos, quando capturados foram torturados e mortos por serem de esquerda e lembrados até o fim de que eram judeus.
Entre muitos torturadores, um em especial é lembrado por ter escrito um livro: A Verdade Sufocada – A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça, foi lançado em 2006 e narra principalmente como os militares venceram o que chamam de guerra contra terroristas. Seu autor, o coronel reformado do Exército brasileiro, Carlos Alberto Brilhante Ustra, foi primeiro militar brasileiro condenado por praticar torturas durante a ditadura militar no Brasil.
O que ficou de fora do livro foram suas técnicas de tortura que incluíam inserir ratos e insetos na vagina das prisioneiras. Foi ele um dos torturadores da Presidente Dilma.
As editoras brasileiras se negaram a publicar seu livro e ele teve de ser bancado pela própria família e ficou no esquecimento até que um de seus adoradores passou a mencioná-lo: Jair Bolsonaro, o atual presidente do Brasil em visita a Israel.
Bolsonaro não apenas se refere ao livro como uma obra prima, mas enaltece seu autor e seus métodos de tortura. Claro que ele não unicamente um adorador de torturadores, ele também é racista, homofóbico e misógino.
A pergunta que não pode calar é como Yad Vashem permite a visita de um ser tão desprezível. Sua presença neste solo sagrado envergonha não somente a memória dos seis milhões de judeus que morreram sob o regime militar nazista, mas todos os brasileiros, judeus e não judeus que morreram sob o regime militar brasileiro.
Diante desta situação é que nós vamos estar presentes para que ele saiba que não é bem-vindo pelo povo de Israel. Que uma embaixada em Jerusalém não compra nossa consciência.
Com certeza neste dia será possível escutar o grito do silêncio da vergonha de todos que lá estão eternizados como um símbolo do direito à vida de todo ser humano.
Convocamos a todos que venham amanhã a tarde, 15:30 h para se manifestar contra a presença de Jair Bolsonaro em Yad Vashem.