por Mauro Nadvorny | 19 jul, 2019 | Comportamento, Mundo, Política
Me chamou atenção atitudes de políticos de 3 países nesta semana. São coisas que me fazem pensar se o Aquecimento Global estaria afetando a humanidade, não apenas na questão do clima, mas na nossa maneira de pensar e de agir em relação ao próximo.
No Brasil, Bolsonaro resolveu que seu filho será o próximo embaixador do Brasil em Washington. Atitude que já faz a imprensa americana se referir ao nosso país como uma República das Bananas. Para quem é mais jovem e não sabe o que isso significa, saibam que foi utilizado nos anos 70 para se referir aos países Latino Americanos onde proliferavam ditaduras e a lei era a dos mais fortes.
Nos EUA, Trump durante um comício em Minnesota disse: “Essas congressistas, seus comentários estão ajudando a alimentar a ascensão de uma esquerda militante perigosa. Tenho uma sugestão para as extremistas cheias de ódio que constantemente tentam dividir nosso país. Elas nunca têm nada de bom para dizer… Sabe o quê? Se não o amam, digo a elas para deixá-lo.” No que foi acompanhado por um coro de apoiadores gritando que as mandem de volta sob seu olhar complacente.
Em Israel, o Ministro da Educação (provisório até as novas eleições), Rafi Peretz, disse em uma entrevista a um canal de TV que era a favor da anexação dos territórios ocupados por Israel. A entrevistadora questionou sobre cidadania e direito a voto, no que ele respondeu, sem estes direitos. Ela então pergunta se não seria um Apartheid, e ele então diz que é complicado. Na mesma entrevista ele sugere a Terapia da Cura Gay e aí o mundo veio abaixo.
Muito provavelmente coisas parecidas devem estar ocorrendo em outros países no que eu já classifico como um Show de Horrores Mundial. Aquela coisa de que se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Tá parecendo um daqueles filmes apocalípticos com um excesso de anticristos.
Para completar a semana, no dia 17, completaram 25 anos do Atentado da Amia (um centro comunitário judeu, a Associação Mutual Israelita-Argentina, que deixou 85 mortos. O ataque foi atribuído ao Irã e ao Hezbollah com a ajuda de políticos argentinos numa linha direta que chegaria à presidência, na época exercida por Carlos Menem. Um atentado hediondo contra pessoas inocentes. Os culpados seguem impunes.
Se somar a isto tudo as últimas revelações da Vaza a Jato e a decisão do Ministro Toffoli de liberar o Flávio Bolsonaro das acusações com provas do COAF, aí só mesmo com Rivotril na veia, ou de canudinho.
Não está fácil viver no Planeta Terra. Principalmente para quem é militante das causas sociais. Parece que o universo resolveu nos sacanear e pegou gosto. É uma notícia pior que a outra sem parar.
Felizmente não há mal que perdure para sempre. Esta fase vai passar, como sempre aconteceu na história da humanidade. Tivemos alguns períodos de escuridão e também de muita luz. Estamos vivendo um pesadelo, mas em breve vamos poder voltar a sonhar.
Poderia escrever diversas páginas para comprovar de que tenho razão, mas não tenho a intenção de convencer os que pensam que não existe solução. Não vale a pena esta discussão. Para vocês eu digo que o tempo é senhor da razão.
Enquanto existirem eleições podemos sair disso pela via democrática. Em Israel elas ocorrem em dois meses, nos EUA no ano que vem e no Brasil dentro de três anos. Para quem já está gritando mais 3 anos com Bolsonaro, eu digo que os americanos, apesar de tudo, estão sobrevivendo ao governo Trump que também é de 4 anos.
Claro que eu gostaria de que Bolsonaro não cumprisse o mandato. Razões para isso não faltam e quem sabe até aconteça. Mas de toda forma ele tem prazo de validade.
Sentindo na pele todos estes retrocessos humanitários, a gente precisa lembrar que a humanidade como um todo avançou muito e que mesmo diante dos piores acontecimentos da história do homem, sobrevivemos e demos a volta por cima. No final a lista de grandes seres humanos é muito maior do que a lista dos piores vilões da humanidade.
Os maus ficaram marcados na história por seus atos, os bons por seus ideais. E foram sempre os grandes ideais que nos fizeram avançar e chegar até aqui. Eles não podem ser destruídos porque se encontram dentro de nós e são passados de geração para geração. O mundo vai ser melhor porque somos nós que semeamos a terra com nossas ideias para um mundo melhor, mais justo e igualitário, aqueles que seguramos as mãos e não abandonamos ninguém no campo de batalha.
Continuamos de pé na luta.
por Mauro Nadvorny | 5 jul, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
A boa da semana foi a homenagem do Exército Brasileiro ao oficial do exército alemão de nome pomposo, Eduard Ernest Thilo Otto Maximilian von Westernhagen, mais conhecido como Otto Maximilian, provavelmente por serem os únicos nomes pronunciáveis em português.
O militar, que havia lutado na II Guerra Mundial pelo Exército Nazista, estava no Brasil fazendo uma espécie de intercâmbio em 1968, quando foi pego e justiçado pela Colina (Comando de Libertação Nacional). Até aí um efeito colateral do combate à ditadura militar.
Não podemos afirmar com certeza absoluta de que pelo fato dele lutar com os nazistas, ter sido ferido em combate com os nazistas e recebido uma medalha de Hitler, o Fuhrer Nazista, que ele fosse nazista. Mas algumas coisas podem ser ditas.
Muitos soldados alemães, que não eram nazistas, desertaram, ou se entregaram as forças aliadas. Não foi o caso dele.
Muitos soldados alemães, que não compactuavam com os nazistas e também foram feridos em batalha, não quiseram ser condecorados, ou jogaram a medalha no lixo. Não foi o caso dele.
Ainda assim, a contragosto, talvez o Otto não fosse um nazista, admito esta possibilidade. No entanto ele lutou por um regime que o Exército Brasileiro combateu e contra o qual 443 pracinhas perderam a vida.
Para quem não percebeu, a homenagem se deu única e exclusivamente pelo fato de que um grupo de esquerda que lutava contra a ditadura militar, matou o soldado alemão. Se o diabo em pessoa tivesse sido morto por um grupo de esquerda naquela época, o Exército brasileiro estaria hoje homenageando o Inferno, simples assim.
Convenhamos que depois do Chefe das Forças Armadas ter batido continência para a bandeira americana, homenagear um suposto nazista que foi inimigo de guerra do Brasil, se torna plausível.
A fruta não cai longe da árvore. Este mentecapto que assumiu a presidência do país foi um militar. Tão ruim que o desligaram por transgressão grave ao Regulamento Disciplinar do Exército. Ainda assim sempre se comportou como aqueles seguranças de festa de aniversário que nunca passaram no concurso para policial. Idolatrava torturadores militares, exaltava a ditadura esse achava o maior milico da tropa.
Mesmo sabedores da vida militar pregressa desta anta, generais aceitaram fazer parte do governo dele se subordinando a um capitão. Quando se olha para isso, compreende-se a homenagem ao Otto. São iguais.
Quem perde com esta sandice são os combatentes brasileiros que tem sua honra manchada, sua importância diminuída, sua memória maculada e sua história achincalhada. Para o Exército Brasileiro fica a imagem de que um soldado inimigo tem mais valor do que os nossos caídos que lutaram contra ele.
Claro que a comunidade judaica também não recebeu esta notícia com muito gosto. Sem entrar no mérito da maior ou menor convicção nazista do Otto, ainda assim ele havia combatido na guerra pela Alemanha Nazista, a mesma que assassinou seis milhões de judeus. Os grupos progressistas pularam da cadeira, e a CONIB (Confederação Israelita do Brasil) emitiu uma nota.
Existe nisso tudo uma enorme ironia. Este governo já chegou a dizer que o nazismo era de esquerda, algo repetido pelo inepto ao visitar o Museu do Holocausto deixando a direção do museu na obrigação de fazer um esclarecimento negando este absurdo. Bem, se o nazismo era de esquerda, logicamente o Otto combateu por um exército de esquerda. Sendo assim, o Exército Brasileiro homenageou um combatente comunista que foi morto por comunistas. Podem rir, é cômico. O mundo Bolsominion é assim mesmo.
Falando sério, o país não tem governo. O que existe é uma caricatura mal desenhada. Ele precisa ser afastado por sua total incapacidade de exercer a presidência. Seus primeiros seis meses são uma tragédia nacional e uma vergonha internacional. Não existe plano para nada, objetivos a serem alcançados, metas a serem atingidas, nada de coisa nenhuma.
Enquanto isso, o Presidente Lula, preso político, de dentro da cadeia, tem mais soluções planos para tirar o país da crise sem prejudicar os trabalhadores, do que todo o ministério governamental.
Pensando bem o único brasileiro feliz nestes dias é o ministro astronauta que vive no Mundo da Lua. Acho que ele está lá escondendo o Queirós.
por Mauro Nadvorny | 14 jun, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Que semana foi esta? O The Intercept na voz de seu cofundador, Glenn Greenwald, conseguiram trazer a luz tudo aquilo que já se sabia, mas ainda não se tinha provas. Ao contrário do Triplex, que havia muita convicção e prova nenhuma, agora se tem os diálogos que mostram de maneira inequívoca o conluio entre Moro e os procuradores da Lava a Jato para condenarem Lula.
Até domingo passado, o que já foi mostrado já serviu para mostrar o que nos aguarda. Se este tira-gosto fez tremer a República, imaginem o que ainda está por vir. Eu imagino e me delicio com isso. Nós que estamos na resistência desde o golpe, e que antes dele sofremos pela injustiça cometida contra Lula, pela primeira vez em muito tempo, podemos sorrir. É aquele sorriso de vitória, de deboche mesmo, de escárnio contra estes golpistas que venderam o país. A hora de vocês está chegando.
O senso de impunidade é o que derruba os corruptos. Chega um momento em que eles se acham tão poderosos, que a lei é para os outros. Vivem em mundo próprio, em uma realidade paralela. Nela são heróis dos simples mortais. Não aquele herói contra a injustiça, mas aquele que se diverte com a capacidade de ingenuidade do povo brasileiro. Aquele que depois de perceber da capacidade intelectual de uma massa que acredita que Lula era dono de um Triplex, compreende que qualquer coisa pode ser aceita como verdadeira, inclusive uma Mamadeira de Piroca.
Vou recordar que o golpe branco no Brasil foi orquestrado dentro do país e recebeu apoio logístico de fora. Dilma não era uma líder simpática, mas a crise não foi culpa dela. A crise começou no dia em que ela foi reeleita e Aécio Neves não aceitou a derrota. Este foi o momento em que entramos no caminho que nos levou até aqui.
Moro foi um achado neste caminho. Um juiz de primeira instância que chegou a Ministro da Justiça e tinha até domingo passado, cadeira garantida no STF. Não se enganem, o cara tem mérito. É incrível como um juiz medíocre como ele, foi aclamado por milhões de brasileiros sob a bandeira da luta contra a corrupção. Percebam que tudo já estava errado. Quem supostamente estava lutando contra a corrupção era o MPF. São eles que supostamente estavam levando a cabo as investigações juntamente com Polícia Federal. Eram eles que supostamente encontraram as provas que levaram corruptos para serem julgados por Moro, que por sua vez, diante delas os condenou. O que faria qualquer juiz que tivesse em mãos provas cabais de culpabilidade.
Tudo estava errado desde o início. O Impeachment da Dilma, todos sabiam que era uma injustiça. Até mesmo os que a derrubaram que de tão constrangidos, ao contrário de Collor, permitiram que ela mantivesse os seus direitos políticos. Mas não bastava calar Dilma, era preciso acabar com o PT e para acabar com o Partido dos Trabalhadores, somente se provando que Lula era corrupto.
Para tentar acabar com o PT, empurraram o país para uma crise econômica sem precedentes. Empresas Multinacionais Brasileiras que faziam concorrência com empresas estrangeiras foram acusadas de corrupção. Não seus donos, as empresas. Eles fizeram a festa das concorrentes levando as empresas brasileiras a bancarrota. O desemprego foi aumentando exponencialmente, chegando hoje a 13 milhões.
Diante do culpado pela crise, o PT, agora era hora de acabar com seu maior nome, o Presidente Lula. Primeiro foi tomada a convicta decisão de que ele era “ladrão”. Sua vida pregressa e corrente, assim como de seus familiares e muitos amigos, foi revirada de cima a baixo. Nada foi encontrado, ou quase nada. Um apartamento que virou um Triplex foi a única coisa que acharam que podia colar. Uma cota de compra de um apartamento com uma cooperativa que quebrou, levando uma construtora, mais tarde envolvida com corrupção, a assumir a obra. Dona Marisa visitou o imóvel, conheceu o que seria um Triplex, e com isso se abriu uma fresta.
A coisa era tão absurda que os próprios desembargadores acharam meio forçado. A ideia era dizer que o tal Triplex era do Lula como pagamento por contratos obtidos por aquela nova construtora junto a Petrobrás.
Sem qualquer prova de que o Triplex era de propriedade de Lula e tendo escrito no processo que não havia relação com os contratos da Petrobrás, ainda assim o condenaram. O tal Triplex era do Lula, Lula era “ladrão” e vai para a cadeia.
Então surge um problema, Lula vai participar das eleições e vai ganhar. Faltava o julgamento de segunda instância no TRF-4. O que seria impossível para o cidadão comum que aguarda anos pela justiça, o tribunal não só adiantou o julgamento para impedir que ele participasse da eleição, como aumentou a pena na medida exata que levaria um cidadão com mais de 70 anos a cumprir sua pena em regime fechado. Somente a leitura do processo demandaria mais tempo para um julgamento real, mas a realidade era outra.
Tenho muita esperança que a troca de favores envolvendo o TRF-4 apareça nas reportagens do The Intercept num futuro próximo. O que eles fizeram não pode ficar impune.
Eu sei que o judiciário foi cúmplice do golpe. Não vou entrar no mérito do que os levou a compactuarem com isso. Jucá já disse com todas as letras, “com Supremo, com tudo”. Acontece que esta casta vive de aparências. Quando vestem aquela toga, se outorgam poderes divinos. Uma mesma lei serve para absolver um amigo, e condenar um inimigo. Tudo é relativo.
Acontece que Moro desnudou a justiça ao fazer justiça com as próprias mãos apertadas com as de Dellagnol. Ele trouxe a luz, o que já se sabia, acontecia nas sombras. E ao fazê-lo ofendeu a todos os juízes do Brasil. Aquela auréola de imparcialidade, de escutar as partes no processo, de fazer justiça de acordo com a lei, tinha de ser preservada. Ela é a base do sistema jurídico, pelo menos no papel. Agora a porca torceu o rabo.
Eu analisei profissionalmente o esclarecimento de Deltan Dallgnol e o resultado pode ser lido clicando aqui. O resultado fala por si mesmo.
A informação comprovada de que um juiz e um promotor se acomunaram para condenar uma pessoa sem provas, foi ironicamente, a melhor notícia que a resistência democrática poderia receber. Antes a gente dizia que havia um Brasil antes do golpe, e outro depois. Hoje podemos dizer que havia um Brasil antes das denúncias e outro que vai surgir depois delas. Finalmente a esperança acordou e sorriu para nós. Obrigado The Intercept.
por Mauro Nadvorny | 10 jun, 2019 | Brasil, Comportamento
A Terra é plana. Esta é a mais recente teoria da conspiração que tem atraído os palermas em geral e os seguidores do imbecil Olavo de Carvalho. São os mesmos que dizem que o homem nunca pousou na Lua e que as vacinas são causadoras de doenças como o Autismo. Em sua grande maioria, diga-se de passagem, eleitores de Bolsonaro que acreditam também no Kit Gay, na Mamadeira de Piroca e mais recentemente, na Igreja do Jesus da Goiabeira.
Segundo os terraplanistas, nosso planeta é um círculo plano parado no espaço e tudo o mais gira ao nosso redor. Com isso, dizem eles, fica provado também a existência de Deus. É o dois por um, aceitou que a Terra é plana, ganha de brinde a existência de Deus.
O que me preocupa com esta gente é que antes do advento da Internet eles viviam espalhados por aí sem se conhecerem. Agora eles não só formam grupos no Facebook, como organizam congressos. Pior, eles se dividem em uma espécie de dois partidos diferentes que trocam acusações entre si.
Eu assisti o documentário da Netflix, Atrás de Curva, que tenta ser imparcial. A coisa fica um pouco monótona lá pelas tantas, mas fui até o fim. O protagonista é um dos líderes do movimento que se chama Mark Sargent. Um sujeito boa praça que aos 49 anos ainda mora com a mãe e vive da venda de penduricalhos relacionados a “planicitude terráquea”.
O cara do outro partido é Math Powerland que acusa o rival de ser um ator financiado pela CIA. E não podia faltar a misteriosa mulher do movimento, Patrícia Steere que arrasta uma asa pro Sargent.
Claro que as explicações de todos eles carecem de qualquer fundamento científico e chega, em muitos momentos, a ser risível. Isso em parte se deve aos cientistas entrevistados que dão a entender que aqueles crentes não passam de imbecis ignorantes. O problema é o tamanho e a quantidade destes imbecis soltos pelo mundo e com direito a voto.
Assim como as Fakenews, as teorias conspiratórias tentam se apegar a uma espécie de narrativa aceitável e possível. Normalmente tentam impor uma dúvida, uma só e, se o incauto aceitar esta possibilidade, tudo o mais passa a fazer algum sentido e deixa de ser uma asneira para se tornar uma realidade. Neste momento o que era uma dúvida se torna uma verdade indiscutível.
Quem lida com as Fakenews estudou muito bem o fenômeno das Teorias Conspiratórias. Se alguém for capaz de aceitar que o homem não pousou na Lua, que tudo aquilo foi filmado em Hollywood, então é capaz de aceitar com até mais facilidade a existência da Mamadeira de Piroca. E por esta mesma via, mostrar que a Culpa é do PT, é como tirar doce de criança.
Normalmente as conspirações envolvem governos e grandes corporações que podem, ou não ser nominadas. O governo é parte de praticamente todas elas, depois a CIA, banqueiros, cientistas e não poucas vezes, os judeus. Vejam que não existe um único nome com quem se possa falar.
Quem aceita estas teorias são pessoas de todo tipo, mas em geral religiosas (nada tenho contra as religiões, ou os religiosos), porque são aquelas que costumam aceitar as mazelas do dia a dia como sendo de provações da sua fé. E quando a razão e o bom senso vêm precedidos pela fé, a teoria assume o ar de algo divino que não se discute e crível. Muitas têm propensão a distúrbios paranoicos. Neste caso, temem o governo, acham que são espionadas pela CIA e algumas até chegam as raias do absurdo de que tem um chip implantado na cabeça ao nascerem.
Acontece, como eu disse acima, que todas elas votam e são uma enorme massa de manobra que vão seguir o líder que for apontado para elas. São aquela manada que se o líder correr e se jogar em um despenhadeiro, elas vão junto. Se pensarmos no Brasil, é algo muito parecido com o que estamos assistindo. Pior, aqui eles são o governo!
Este fenômeno não é exclusivo do Brasil, mas aqui encontrou solo fértil. Temos que estudar profundamente suas causas e encontrar o caminho para superá-lo. Não é tarefa fácil e as soluções não são simples, pelo contrário, muito complexas. A maior dificuldade em se tratar um paranoico é que ele não aceita o seu distúrbio.
Algumas pessoas propõe a paridade de armas. Jogar Fakenews contra Fakenews. Nesta proposta a gente deve criar uma maneira de assumir a liderança da manada e ao invés de se jogar no abismo, levar a manada para um terreno onde possam ser tratadas e reeducadas.
Eu acredito que a gente deva estudar o fenômeno com seriedade e com afinco. Temos de procurar compreender as suas causas, mapear os gatilhos que disparam essas crenças em fatos absurdos e encontrar formas de anular seus efeitos e consequências. Se não começarmos agora, nas próximas eleições tudo vai se repetir.
por Mauro Nadvorny | 24 maio, 2019 | Brasil, Comportamento
A Passarela dos Sem Noção
Nunca me vi como um ensaísta, mas este é o termo correto para aqueles que como eu escrevem expondo suas opiniões, críticas e ideias acerca de temas variados de forma livre e sem regras, sem um estilo definido.
Esta liberdade para escrever me permite expressar sentimentos que ficam guardados por uma semana. Escrevo todas as sextas-feiras quando começa o final de semana aqui em Israel. Por muitos dias fico pensando no que escrever e, não raro, chego ao computador sem qualquer propósito e as palavras começam a ser digitadas dando forma ao texto.
Esta semana fui surpreendido por uma notícia que chamou atenção pelo seu significado, mais do que pelo seu propósito. No Mato Grosso foi realizado um desfile de adoção dentro de um shopping.
Recebeu o nome de “Adoção na Passarela”. Uma das organizadoras do evento foi a Seccional Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) e o Pantanal o Shopping foi a sede. Ambos já emitiram notas se desculpando.
Eu acredito de verdade que os organizadores tinham a melhor das intenções. Existem centenas de crianças aguardando por adoção e pensaram que as colocando em uma passarela teriam visibilidade para conseguirem uma família.
Claro que as pessoas normais entendem da importância da adoção voluntária. Óbvio que nos comovemos ao saber do número de crianças que aguardam uma família e que talvez nunca encontrem. Isso é de cortar o coração. Tudo que for possível em prol delas é válido. Tudo?
Como é que pessoas sensatas concluem que expor crianças já sentimentalmente machucadas em uma passarela que pode, ou não resultar em uma adoção, vai melhorar a situação delas? O que acontece com aquelas que vão voltar para o abrigo?
Pode parecer maldade, mas não há como não relacionar um evento destes com as feiras de escravos, ou desfiles de animais domésticos para adoção. A participação destas crianças, expostas desta maneira, só piora a situação delas a longo prazo.
Vamos imaginar o contrário. Uma feira de pais adotivos. Casais desfilando em uma passarela para crianças escolherem com quem desejam serem adotadas. O que aconteceria com os casais rejeitados?
Talvez se tivessem realizado um evento que proporcionasse aos pais interessados em adoção a conhecerem os abrigos, o sistema legal e finalmente as crianças em um ambiente controlado e supervisionado, o efeito tivesse sido outro.
De toda maneira, o caso nos faz refletir sobre as causas de tantas crianças aguardarem por adoção. São inúmeras e vão desde mães solteiras que entregam seus bebes, até de crianças retiradas de famílias destroçadas onde eram abusadas. Não existe nenhuma boa razão, somente tristeza.
Aquelas que não são adotadas ainda bebês, têm menos chances de conseguirem uma família. As que não são brancas também perdem pontos. Finalmente aquelas com qualquer tipo de necessidade especial, dificilmente vão deixar o abrigo. Esta é a triste realidade com honrosas exceções.
Por isso eu disse logo no inicio que acredito que os organizadores podem ter tido a melhor das intenções, mas foram extremamente infelizes no que fizeram e por isso tantas críticas, inclusive a minha.
Não esperem deste governo nenhuma atitude para melhorar a situação destas crianças. O aumento do desemprego e da pobreza extrema com a fome vai levar mais crianças para o estado de vulnerabilidade crônica e consequentemente para os abrigos. Estas crianças privadas de alimentação correta terão seu desenvolvimento prejudicado para toda a vida e terão suas chances de adoção diminuídas.
A estagnação econômica faz vítimas que não podem se expressar e muito menos se defenderem. Nós precisamos ser suas vozes. Dia 30 de maio todos às ruas.
por Mauro Nadvorny | 17 maio, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Nunca ofenda os estudantes. Principalmente em um país onde eles já saíram as ruas por causa de um aumento de R$ 0,20 centavos na passagem do ônibus. Regra básica para bons entendedores.
As manifestações que se realizaram em todo o Brasil, as primeiras organizadas depois das eleições, mostram que quebrar aquela regra não foi uma boa ideia. Melhor, conseguiram unificar estudantes com professores, pais com filhos, até mesmo quem já foi universitário um dia, todos que compreendem a importância das universidades no desenvolvimento de uma nação.
Primeiro quiseram fechar os cursos de humanas. Depois cortaram verbas essenciais a manutenção das universidades e dos projetos de pesquisa. Quiseram provar que 35 é igual a 3,5 em termos percentuais “chocolatais”. Aí foi demais, a água ferveu.
Eu venho dizendo há tempo que as ruas precisavam ser ocupadas e preciso agradecer ao bando de incompetentes que compõe este governo pela ajuda prestada. É incrível a capacidade deles de irritarem todo mundo.
As ruas de todas as capitais e outras dezenas de cidades foram tomadas por manifestantes. Na minha opinião, ainda de forma tímida. Precisamos do efeito avalanche e ele vai acontecer. Na medida em que novas convocações sejam feitas, mais gente vai se somar e logo teremos números nunca antes vistos no Brasil.
Estamos diante de uma revolução que não utilizará armas de fogo, esta será a Revolução dos Livros. Nenhum país do mundo pode melhorar a vida de sua população se não melhorar o nível da educação para todos os seus cidadãos.
O conhecimento é o pilar do desenvolvimento. Lula percebeu isso desde o primeiro dia como presidente. Não apenas apoiou as universidades existentes, como criou novas. Permitiu que estudantes de baixa renda chegassem a elas. Especializações no exterior com bolsas de estudo, cotas e tudo que era necessário para melhorar o nível dos nossos estudantes, Lula não mediu esforços. Reservou parte da riqueza do Pré-sal para a educação.
Este governo, sem nenhum projeto em nenhuma área, resolveu atacar a ciência, a pesquisa e toda forma de produção de conhecimento. Querem um país de empregados subordinados a classe dominante. Pessoas inteligentes podem se tornar um perigo.
A inépcia dos ministros já é conhecida. Bizarrices e trapalhadas diárias produzem o efeito esperado, economia estagnada, aumento do desemprego, menos segurança nas ruas, queda nas vendas, aumento de falências, fechamento de negócios, enfim tudo em que é possível piorar, estamos liderando.
Contudo faltava uma faísca para dar ignição ao processo de desencantamento amplo, geral e irrestrito. O grito que estava preso nas gargantas foi libertado e o povo gritou, gritou muito, e foi lindo escutar.
As mãos que nunca se soltaram, vieram para as ruas. Os que resistiram ao choque da perda da eleição e nunca desistiram, vieram para as ruas. Os que nunca deixaram de denunciar os descalabros, vieram para as ruas. Enquanto estavam destruindo nosso presente, suportamos a dor, mas quando quiseram destruir nosso futuro, fomos todos para as ruas.
A revolução mal começou, existe um longo caminho a ser percorrido. Cada dia mais gente vai se somar, mais pessoas vão acordar desde pesadelo, mais indivíduos vão dar as mãos. Nossa arma são os livros e com eles vamos recuperar o Brasil para todos os brasileiros.