Desde o dia 7 de outubro, quando o conflito com o Hamas assumiu novas dimensões, Israel encontra-se também numa batalha interna — um confronto com as políticas de uma liderança que flerta perigosamente com a extrema-direita. A crítica torna-se imperativa, pois cada decisão política reflete o destino da nação. O reflexo dessas políticas é palpável nas ruas, nos lares e, em especial, na vida daqueles que defendem o país. Os sacrifícios dos soldados, que deveriam ser reverenciados, veem-se comprometidos quando politicamente instrumentalizados por agendas que não contemplam a integralidade do povo israelense.
As políticas de segurança, essenciais à proteção nacional, suscitam questionamentos quando parecem perpetuar um ciclo de violência em vez de buscar soluções duradouras. A prevalência do militarismo sobre o diálogo ameaça a democracia, que é vital para Israel. A atual gestão caracteriza-se por uma retórica que exacerba divisões, fomentando terreno propício para o extremismo, impactando não somente as relações diplomáticas, mas também a coesão social do país. A capacitação e equipamento de colonos, sob a liderança vigente, requerem escrutínio crítico. Quando a segurança serve de justificativa para ações que podem sabotar a paz, é momento para ponderação.
O exército israelense, pilar da soberania nacional, encontra-se numa posição delicada, em que estratégias defensivas podem ser eclipsadas por motivações políticas, maculando o propósito de sua missão. A ala de extrema-direita, fortificada pela administração atual, ignora que o fortalecimento militar não equivale à segurança duradoura. Na ausência de uma visão pacífica, medidas bélicas são apenas soluções temporárias e dolorosas. A política externa deste governo tem fomentado desconfiança entre aliados, corroendo a imagem de Israel como nação comprometida com a paz e o progresso humanitário.
Questiona-se: os líderes israelenses estão tão empenhados na proteção do país quanto aqueles na linha de frente? As estratégias de segurança nacional devem preservar não só o presente, mas também o futuro pacífico almejado. Sob influência da extrema-direita, no entanto, parecem míopes, confinadas ao imediatismo. Onde se esperaria um caminho para a paz, a atual administração pavimenta uma trajetória de resistência e antagonismo, substituindo o diálogo pela força, o entendimento pelo conflito.
Nos discursos acalorados de líderes que deveriam unificar, prevalece um tom divisor, estabelecendo uma dinâmica de “nós contra eles”, deteriorando a unidade interna de Israel. O tratamento das minorias por este governo é alvo de preocupações significativas, demonstrando uma desconexão com os valores de inclusão e respeito. Decisões que favorecem a expansão territorial em detrimento da estabilidade e harmonia deixam a impressão da extrema-direita, marcada por tensão e divisão.
A juventude de Israel, ao observar o cenário vigente, interroga-se sobre o legado que está sendo edificado e que país herdarão. A narrativa adotada pela liderança atual está recheada de contradições, onde a defesa da democracia é proclamada, mas as ações frequentemente a subvertem. É imperioso que as vozes críticas se façam ouvir numa sociedade que preza pela democracia e liberdade. As políticas de Netanyahu e seu círculo devem ser confrontadas com análises criteriosas e manifestações ativas.
O futuro de Israel pende numa balança, com a paz e a segurança de um lado e, de outro, políticas que incitam a divisão e o conflito. A escolha deve inclinar-se pela paz, enquanto ainda há alternativa. A oposição à administração atual emerge tanto externa quanto internamente. Cidadãos conscientes reconhecem a necessidade de segurança, mas também aspiram à justiça e equidade. Famílias anseiam educar seus filhos num ambiente pacífico, não num contexto de perpétuo conflito.
As medidas governamentais relativas aos colonos parecem priorizar a expansão territorial em detrimento da segurança coletiva. A política de assentamentos é um dos tópicos mais críticos e controversos da gestão atual, muitas vezes desconsiderando as consequências a longo prazo para a sociedade israelense. A cada iniciativa para armar e treinar mais colonos, aumenta a inquietação nas comunidades que percebem uma escalada de tensões ao invés de passos em direção à conciliação.
Os sacrifícios dos soldados são desvalorizados quando sustentam políticas que não refletem os valores essenciais de Israel, uma nação forjada na aspiração à paz e resistência à opressão. A extrema-direita, amparada pelo governo de Netanyahu, desloca Israel do papel de líder global em inovação e progresso para uma figura de conflito e divisão. A esperança na paz enfraquece à medida que políticas agressivas e imediatistas predominam na agenda governamental, restringindo o espaço para diplomacia e diálogo.
O silêncio dos que poderiam intervir é ensurdecedor; mais vozes devem se erguer contra estratégias que ameaçam a integridade e o futuro de Israel. Na busca por segurança, não se pode negligenciar os princípios de humanidade e justiça. O militarismo desprovido de consciência segue um caminho sem retorno, normalizando a guerra. Os jovens israelenses, futuros guardiães de um país repleto de potencial, merecem lideranças que vislumbrem além dos conflitos, planejando para uma era de paz e prosperidade.
O nacionalismo exacerbado coloca em xeque a diversidade cultural e religiosa que caracteriza Israel como um mosaico de povos e tradições. O apoio incondicional ao exército e aos que servem é essencial, mas não deve ofuscar a crítica às políticas perigosas do presente. A força de Israel reside não só em seu poderio militar, mas também na solidez de suas instituições democráticas e no respeito às leis internacionais. O mundo observa Israel com apreensão, esperando que a nação reafirme seu compromisso com a paz e a estabilidade regional.
A nação está numa encruzilhada, entre manter-se fiel aos seus ideais fundadores ou ceder ao apelo da extrema-direita. O legado de Israel como uma nação forte, democrática e comprometida com a paz está em jogo.
É numa sala de estar qualquer que a imagem do embaixador de Israel na ONU usando uma estrela de David amarela pousa na tela da televisão. Estou ali, sentado, olhando para aquele símbolo que desperta em mim sentimentos contraditórios, como se a história estivesse sendo retorcida nas mãos do tempo.
A estrela amarela, marcada pela desumanização de uma época, foi utilizada para evocar emoções em relação a conflitos contemporâneos. Mas aqui, nessa mistura de passado e presente, perde-se algo irrecuperável: a dignidade do incomparável.
Esse tecido amarelo carrega o peso de seis milhões de vidas judias exterminadas, de crianças que nunca cresceram, de famílias que nunca mais se reuniram. Usá-la para outra causa, por mais justa que seja, é esvaziar esse peso, é tornar o singular plural, o específico genérico.
Dani Dayan acertou na veia. O homem que guarda as memórias do Holocausto em Yad Vashem apontou a irresponsabilidade do gesto. “Hoje somos donos do nosso destino”, disse ele. Sim, temos um país, temos um exército. O povo judeu já não está à mercê de regimes genocidas. Por que, então, utilizar um símbolo que remete ao desamparo absoluto?
Toda tragédia é uma ferida no tecido da humanidade. Mas nem todas as feridas são iguais, nem todos os cortes são tão profundos. Querer nivelar o Holocausto com outros eventos trágicos é como tentar comparar o oceano com uma lagoa. Ambos têm água, mas a dimensão e o impacto de cada um são imensuráveis.
A bandeira azul e branca que hoje trazemos em nossas lapelas é mais que um pedaço de pano. É um compromisso com a memória, um pacto com a verdade. Ela nos diz que temos a responsabilidade de ser melhores, de fazer melhor. E é esse o símbolo que deve nos representar quando falamos em nome de uma nação que conhece, mais do que qualquer outra, o custo da indiferença e da incompreensão.
Neste momento de reflexão, tenhamos a coragem de respeitar o peso das estrelas, de cada estrela, e entender que algumas tragédias, como o Holocausto, estão além de qualquer comparação. E isso não é uma fraqueza; é um ato de humanidade.
Como gestor, sempre valorizei o conceito de “vantagem competitiva sustentável” de Michael Porter. A ideia é não apenas ser bom, mas ser continuamente bom de uma forma que outros não possam replicar facilmente. E se há algo que o governo atual não tem conseguido manter, é a vantagem na narrativa. Você entende? Tínhamos sido atacados, mais de 1400 pessoas haviam sido mortas de forma completamente imoral e violenta e o governo ficou calado, deixando que o Hamas tomasse o controle da narrativa.
O vácuo na narrativa tornou a vida dos judeus no mundo perigosa. Este governo, por sua inabilidade estratégica, está colocando todos os judeus em risco de vida. E nós estamos aceitando tudo isso? O país, afinal, também é um produto que precisa ser vendido, e não podemos ignorar que perdemos nosso soft power, aceitando essa realidade como um fato consumado.
Nossa liderança, que sempre se vangloriou de sua habilidade em manipular histórias, está agora sendo superada em seu próprio jogo. Mas a luta não se resume apenas a armas e narrativas. Também estamos lutando pela alma de nossa nação, pelo nosso lugar na comunidade global, pela nossa própria identidade. Você entende que estamos deixando um sujeito que está com 3 processos criminais junto com um bando de extremistas de direita e alguns Haredim nos representarem nisso tudo?
Esta é a matéria-prima de nossa essência nacional, o cerne que vai além da mera estratégia e se infiltra em cada ação, cada decisão que tomamos. É a assinatura indelével de nosso caráter coletivo. E agora, mais do que nunca, é imperativo agir para resgatar nossa narrativa, para reclamar aquela “vantagem competitiva sustentável” que se estende além do campo de batalha e permeia a consciência global. Mas para fazer isso, nossas ações precisam ser um espelho de nossos valores, um testemunho vivo do tipo de sociedade que aspiramos ser. A narrativa está lá, pronta para ser tecida, mas primeiro, precisamos ser a matéria digna de tal tapeçaria. Então, quem se habilita?
Parem o mundo que eu quero descer! Eis que a venerada Assembleia Geral das Nações Unidas faz suas escolhas, como um adolescente que pinta o cabelo de azul só para irritar os pais. Ah, sim, a resolução foi aprovada, mas não sem um certo charme teatral.
Tudo muito lindo, todo mundo abraçando a causa palestina como se fosse o último filhote de panda do zoológico. Mas e as 1.400 almas israelenses perdidas para o terrorismo? Ah, esses são apenas detalhes, peças de um quebra-cabeça que ninguém quer montar.
Antes que alguém levante o dedo para perguntar sobre os palestinos inocentes, permita-me um esclarecimento. Esta guerra também é por eles. O Exército de Israel, que muitos pintam como o vilão da história, ainda é o mais ético de todos os exércitos do mundo. São os palestinos que também estão reféns do terrorismo do Hamas. Lembremos de outros momentos na história quando o mundo interveio para salvar populações oprimidas: a intervenção na Bósnia para acabar com o genocídio, ou a luta para depor Saddam Hussein no Iraque.
Então, falamos de vingança? Sim, vingança. Porque cada família que enterrou um ente querido quer mais do que um tweet de condolências. Quer o fim do grupo que transformou suas vidas em um pesadelo. O Hamas tem que ser mais do que derrotado; tem que ser erradicado, eliminado, apagado do mapa como um erro de cálculo, para que nenhum outro fanático tenha a ideia de seguir o mesmo caminho.
Ah, sim, não podemos esquecer a turma que nos trouxe a este fabuloso impasse. Benjamin Netanyahu e seu coro de extremistas estão fazendo uma performance digna de um roteiro mal escrito. Mas, veja bem, a hora do acerto de contas está chegando. Eles pagarão, oh se pagarão, mas no campo de batalha que mais os aterroriza: as urnas. A perda de poder será o seu epitáfio político, a ser lido e esquecido, como se fossem personagens secundários de uma novela ruim. E se a justiça tiver realmente olhos bem abertos, talvez encontrem um novo lar atrás das grades, onde poderão meditar sobre a série de desacertos que protagonizaram.
Então, enquanto você aí, caro leitor, pondera sobre qual lado dessa farsa merece seu aplauso ou sua vaia, lembre-se: há muito mais em jogo do que hashtags e discursos inflamados. Este é o mundo em que vivemos, um palco montado para uma peça sem ensaio. E o final ainda está para ser escrito. Eu, por minha parte, já guardei meu ingresso para o último ato. E você?
Nos encontramos perdidos nos becos do tempo, nas encruzilhadas da história. E então somos confrontados com perguntas que nem a mais sábia das avós poderia responder. O genocídio em Ruanda, em 1994, esse espelho escuro da humanidade, nos faz refletir sobre a vida aqui, a vida agora. Não é uma comparação, é uma reflexão. É como olhar no fundo dos olhos de outra pessoa e ver a si mesmo. Ver o melhor e o pior de nós, lado a lado, separados apenas pelo fio de uma decisão, pelo traço de uma circunstância.
Mas não vamos amenizar o horror de tudo isso. Em Ruanda, vizinhos mataram vizinhos, crianças foram abatidas, mulheres foram submetidas a atos indescritíveis, e famílias inteiras foram dizimadas. Tudo num período de poucos meses. A crueldade foi além da imaginação, como um tapeçaria de pesadelo tecida com os fios mais escuros do impulso humano.
No entanto, a história, essa velha contadora de histórias, também fala de superação. Ruanda, aquele país que viu suas entranhas serem reviradas pelo ódio, encontrou força para se reinventar. Nos tribunais comunitários chamados Gacaca, na economia renascida, na inclusão de gêneros. Há esperança onde antes só existia escuridão.
Agora, um novo capítulo se desdobra diante de nós. Desde 7 de outubro de 2023, a alma de qualquer judeu israelense carrega um peso que não pode ser medido, não pode ser descrito. Mais de 1.400 judeus foram assassinados; crianças decapitadas; sobreviventes do Holocausto feitos reféns; famílias aniquiladas com uma sofisticação de crueldade que desafia a compreensão. Como, então, continuamos a viver? Como dividimos este pedaço de terra com os palestinos após tal atrocidade monumental?
Os humanos são criaturas paradoxais, capazes de amar tão intensamente quanto odeiam, de construir tão facilmente quanto destroem. Palavras de ódio têm diferentes nomes ao redor do mundo: “Itsembabwoko” em Ruanda, anti-semitismo aqui. Mas, por trás dessas palavras, o que temos? O mesmo impulso, o mesmo erro. O mesmo coração que bate, mas não sente.
Diante de tanto sofrimento, de tanta perda, a pergunta não é se devemos continuar a viver com os palestinos, mas como. Como transformamos esse solo encharcado de sangue em terreno fértil para o entendimento? Como fazemos a transição do luto à vida, da raiva ao diálogo, do ódio ao, talvez, amor? A resposta, meu amigo, não está escrita nas estrelas nem nas páginas de algum livro sagrado. Está em cada um de nós, em nossa capacidade de olhar para o abismo e dizer: “não, não desta vez”.
E aqui estamos, em meio ao caos, tentando encontrar um caminho, um sentido, uma resposta. A história nos mostra que é possível, mesmo quando tudo parece perdido. É nossa responsabilidade moral buscar essa possibilidade, por mais distante que pareça. E nessa busca, talvez encontremos não apenas a resposta, mas também a nós mesmos.
Todas as manhãs, desperto ao raiar do dia, um silêncio palpável ainda suspendendo o mundo em quietude. No horizonte, promessas não cumpridas e esperanças não realizadas aguardam como folhas a serem viradas. Caminho com meu cachorro, meu eterno companheiro em momentos de solidão, através de uma paisagem que se anima lentamente com a luz nascente.
Depois, me sento sob a copa generosa de um limoeiro, um monumento natural aos ciclos da vida e do tempo. Ali, embalo um mate, essa infusão amarga que percorreu milhares de quilômetros e séculos para encontrar seu caminho até minha boca. O mate que brota das tradições dos índios guaranis, uma herança etérea que preenche o espaço entre a terra e o espírito.
Então, mergulho em jornais digitais que escancaram as feridas do mundo – guerras, assassinatos, crises, desigualdades, conflitos. Leio o New York Times, The Guardian, Times of Israel, Haaretz, e O Globo. Palavras saltam das páginas, carregadas de pesos e desafios que a humanidade ainda precisa enfrentar. E enquanto a amargura do mate entrelaça-se com a do mundo, eu me encontro em uma meditação silenciosa sobre a complexidade da existência.
Esses são os momentos em que a tristeza e a esperança colidem, onde a amargura não é apenas uma sensação, mas uma forma de absorver e entender a realidade. Porque, no fim das contas, é nesse equilíbrio precário entre a amargura e a beleza que encontramos o sabor da vida. E é em pequenos rituais como este que descubro, dia após dia, a profundidade das simples coisas que nos tornam humanos.
Depois daquela pausa matinal de introspecção, onde o mundo exterior e o interior se cruzam em uma dança delicada, eu me levanto e sigo para a próxima etapa do meu dia: limpar minha casa. E enquanto passo o pano úmido sobre as superfícies e reorganizo os objetos em seu devido lugar, percebo que esse ato de limpeza é mais do que apenas uma tarefa doméstica; é uma forma de preparação.
Como se cada movimento afastasse não apenas o pó acumulado, mas também as incertezas que pairam no ar. As paredes de minha casa ouvem os ecos de minhas inquietações, as quais, por mais que eu tente, nunca desaparecem completamente. Eu limpo como se pudesse varrer para fora da realidade tudo o que temo que possa acontecer — os imprevistos, os acasos, as reversões da sorte que a vida frequentemente guarda.
A esperança, no entanto, nunca deixa de ser um convidado em minha mente. Ela se senta discretamente nos cantos, observando e sussurrando que talvez, apenas talvez, as coisas que imagino em meus momentos mais sombrios nunca cheguem a se concretizar. E assim, nesse ato cotidiano de limpar e organizar, eu encontro mais um momento de equilíbrio; uma forma de estabelecer ordem não apenas no espaço físico que habito, mas também no complexo universo emocional que levo comigo.
Porque, no fim, é isso que esses rituais representam: uma busca contínua pela harmonia em meio ao caos, um desejo insaciável de encontrar paz mesmo quando rodeado por incertezas. E nesse processo, eu continuo a aprender, a cada dia, como viver plenamente mesmo quando a vida insiste em ser imprevisível.