Sentimentos em ebulição

Existem entre nós tantas distâncias

Elas são cronológicas, geográficas, sociais e religiosas

Mas os sentimentos desconhecem as regras

Interpõem-se ante as leis e dogmas

Rebelam-se diante dos preceitos e dos preconceitos

E desafiam os valores mais tradicionais

Foi assim que eu te pertenci

Quando simplesmente de chamaste de ”minha”

Um substantivo feminino que indica posse

Talvez, uma simples expressão, sem qualquer outra intenção

Porem fez-me levitar

E o sentimento que eu já suprimia

Agora quer gritar

Insiste em extravasar

Já não sei como disfarçar

Olho para si

E deparo-me com as convenções

E diante do espelho, vejo transbordar as emoções

Se de mim dependesse o ato

Iria envolver-te em meus braços

E na cadência de cada abraço

Entre sôfregos beijos e afagos

Prender-te-ia no meu laço

Nas entranhas do desejo

No fervor dessa lascívia

Para em seguida acolher-te exausto

Em meu corpo pleno de viver.

Segredos aos Teus Ouvidos

Ah… se teus ouvidos pudessem saber desse sentimento

Ele é tao parecido com o amor

Porém, não consigo decifrar

É encantamento

Um sentimento ainda indefinido.

Disseram-me que o meu olhar se perde no teu

Temi, por ser tão transparente

Mas o teu sorriso faz-me tremer

A tua gentileza faz-me estremecer

Olhar-te pura ebulição

Turbilhão de emoções

Nada é pequeno

É tudo tão intenso

Ainda que não seja consciente

Tu pouco sabes

Mas, quisera eu contar-te

Sobre esse amor que anda brotando

Que se expande e me invade

E por ele, eu ficaria nessa cidade

Sem pré-conceito

Sem contar a idade

Eu só iria mergulhar na felicidade

E então, eu gostava de te falar desse amor

Que anda a florescer.

Entre poetas

E nesse breve silêncio de minhas mãos

Busquei qualquer folha em branco

Em que eu pudesse expressar-me

Mas o branco mostrou-se tão vazio

Era preciso mais…

Então, percebi que necessitava do teu corpo

De poeta para poeta

Transpondo continentes

Rompendo qualquer barreira

E nas linhas de tua anatomia

Em verso ou prosa

Falarei de uma cama

Que nunca será fria

E entre sonhos, delírios e desejos

Escreverei em ti, a minha poesia.

Sobre a vida

Ela é fugaz

Carente de resoluções

De momentos singelos

Um por de sol

A explosão das cores primaveris

Respirar fundo em frente ao mar

Adormecer e despertar

Sem algemas

Punhos livres

Cabelos ao vento

Tendo apenas sentimentos como documento

Sem hora marcada

Vivendo apenas o momento

Ficar ou ir embora

Seguindo o ciclo lunar

Navegando em acordo com as marés

Perseguindo o sonho

Com a certeza de um novo dia

E que o sol irá raiar trazendo poesia

Não aceito a mão que oprime

Porque sou tudo o que a liberdade define

 

 

Saudades de Sampa

Sua face, que tenho de lembrança, o tempo vingou na memoria

Do leite em pote de vidro deixado às portas das casas na infância

Ao som dos canhões emudecidos pelas flores que restaram pelo caminho

Na bola que sela o jogo da vida, mas cala o cárcere subterrâneo que mata

Onde crescem homens e mulheres ecoando distantes navegantes

Por sobre a impotência incandescente, que perpassa a desigualdade social

Em tentáculos que se expandem, como tumores, nódoas sujas de concreto

Respeitemos a morte de quem lhe tiramos a vida, nós, os algozes

A ilusão de um suposto progresso, que encubra um farsesco engôdo

Megalópole, por excelência, me curvo aos seus excêntricos desígnios

Onde faço prumo meus consolos, de muitas recordações registradas

Soubera eu, tampouco não quisera, parte de mim sempre serão.

A liberdade de um rio

Nasci rio

Trago em mim toda essa liberdade

Não conheço fronteiras

Me recuso a ser contida!

Não me traga barreiras

Que castrem os meus sonhos

Que delimitem o que sou

As águas desse rio

Não foram feitas  para cisternas

Se não sabes nadar

Ou sequer, navegar

Que digas um simples adeus

Porque o rio precisa seguir

Mergulhar em mares e oceanos

Espalhando cores diversas

Aromas marcantes

Despertando paixões, ao fazer dueto coma lua

Encantando os amantes

Molhando rostos em forma de chuva

Seguindo o ciclo, ou fazendo curvas

Como orvalho, umedecendo beijos

Molhando os desejos…

E depois de um dia

Corro desfazendo as margens

Desemboco feroz numa cascata

E finalmente me rendo

Ao tanto de amor contigo nessa poesia.