por Mauro Nadvorny | 15 jan, 2021 | Literatura, Poesia
há uma certa beleza e há encanto
nessas Mulheres que se vestem,
assim, de vermelho e, no entanto,
sem pressa, em prazer, se despem
nos corredores, bibliotecas, Cafés…
e levantam os braços em vitória,
e lutam, e dançam sobre os pés
como quem levita e faz história;
e, quando em preto, há poesia plena
na delicadeza dos toques em vermelho:
porque há luta sem ódio – luta serena,
luta constante de quebrar o espelho:
é vida somente de beleza preto-rubra
e, pois, que eu viva e ela se descubra
sempre, em cada rua, avenida, praça, vila, barro, sol e chuva,
com uma canção de amor – nenhum hino, marcha, ódio e grito
caminhando pelos mesmos sonhos: pra todos, o pão e a uva,
sem qualquer opressão, morte, choro, dor e espírito aflito…
© Pietro Nardella Dellova, 2010
Imagem “Sappho”, 1877 by Charles Mengin
por Mauro Nadvorny | 10 nov, 2020 | Poesia
Vamos falar sobre nascer e morrer
É sobre querer abraçar
Sabendo que é mister deixar ir
É respeitar o livre arbítrio
Ainda que a alma sangre
Como a mãe que se vê impotente diante de um aborto
E ainda ter que sobreviver às lembranças
Resguardando alguma esperança
De um dia, voltar a sorrir
É vivenciar o luto
Sem se permitir uma única lágrima
Enterrar os vivos é como cortar a própria carne
É amputar um órgão
Para salvar a vida.
por Mauro Nadvorny | 6 nov, 2020 | Poesia
Existem entre nós tantas distâncias
Elas são cronológicas, geográficas, sociais e religiosas
Mas os sentimentos desconhecem as regras
Interpõem-se ante as leis e dogmas
Rebelam-se diante dos preceitos e dos preconceitos
E desafiam os valores mais tradicionais
Foi assim que eu te pertenci
Quando simplesmente de chamaste de ”minha”
Um substantivo feminino que indica posse
Talvez, uma simples expressão, sem qualquer outra intenção
Porem fez-me levitar
E o sentimento que eu já suprimia
Agora quer gritar
Insiste em extravasar
Já não sei como disfarçar
Olho para si
E deparo-me com as convenções
E diante do espelho, vejo transbordar as emoções
Se de mim dependesse o ato
Iria envolver-te em meus braços
E na cadência de cada abraço
Entre sôfregos beijos e afagos
Prender-te-ia no meu laço
Nas entranhas do desejo
No fervor dessa lascívia
Para em seguida acolher-te exausto
Em meu corpo pleno de viver.
por Mauro Nadvorny | 13 out, 2020 | Poesia
Ah… se teus ouvidos pudessem saber desse sentimento
Ele é tao parecido com o amor
Porém, não consigo decifrar
É encantamento
Um sentimento ainda indefinido.
Disseram-me que o meu olhar se perde no teu
Temi, por ser tão transparente
Mas o teu sorriso faz-me tremer
A tua gentileza faz-me estremecer
Olhar-te pura ebulição
Turbilhão de emoções
Nada é pequeno
É tudo tão intenso
Ainda que não seja consciente
Tu pouco sabes
Mas, quisera eu contar-te
Sobre esse amor que anda brotando
Que se expande e me invade
E por ele, eu ficaria nessa cidade
Sem pré-conceito
Sem contar a idade
Eu só iria mergulhar na felicidade
E então, eu gostava de te falar desse amor
Que anda a florescer.
por Mauro Nadvorny | 5 out, 2020 | Poesia
E nesse breve silêncio de minhas mãos
Busquei qualquer folha em branco
Em que eu pudesse expressar-me
Mas o branco mostrou-se tão vazio
Era preciso mais…
Então, percebi que necessitava do teu corpo
De poeta para poeta
Transpondo continentes
Rompendo qualquer barreira
E nas linhas de tua anatomia
Em verso ou prosa
Falarei de uma cama
Que nunca será fria
E entre sonhos, delírios e desejos
Escreverei em ti, a minha poesia.
por Mauro Nadvorny | 1 set, 2020 | Poesia
Ela é fugaz
Carente de resoluções
De momentos singelos
Um por de sol
A explosão das cores primaveris
Respirar fundo em frente ao mar
Adormecer e despertar
Sem algemas
Punhos livres
Cabelos ao vento
Tendo apenas sentimentos como documento
Sem hora marcada
Vivendo apenas o momento
Ficar ou ir embora
Seguindo o ciclo lunar
Navegando em acordo com as marés
Perseguindo o sonho
Com a certeza de um novo dia
E que o sol irá raiar trazendo poesia
Não aceito a mão que oprime
Porque sou tudo o que a liberdade define