por Mauro Nadvorny | 6 nov, 2020 | Poesia
Existem entre nós tantas distâncias
Elas são cronológicas, geográficas, sociais e religiosas
Mas os sentimentos desconhecem as regras
Interpõem-se ante as leis e dogmas
Rebelam-se diante dos preceitos e dos preconceitos
E desafiam os valores mais tradicionais
Foi assim que eu te pertenci
Quando simplesmente de chamaste de ”minha”
Um substantivo feminino que indica posse
Talvez, uma simples expressão, sem qualquer outra intenção
Porem fez-me levitar
E o sentimento que eu já suprimia
Agora quer gritar
Insiste em extravasar
Já não sei como disfarçar
Olho para si
E deparo-me com as convenções
E diante do espelho, vejo transbordar as emoções
Se de mim dependesse o ato
Iria envolver-te em meus braços
E na cadência de cada abraço
Entre sôfregos beijos e afagos
Prender-te-ia no meu laço
Nas entranhas do desejo
No fervor dessa lascívia
Para em seguida acolher-te exausto
Em meu corpo pleno de viver.
por Mauro Nadvorny | 13 out, 2020 | Poesia
Ah… se teus ouvidos pudessem saber desse sentimento
Ele é tao parecido com o amor
Porém, não consigo decifrar
É encantamento
Um sentimento ainda indefinido.
Disseram-me que o meu olhar se perde no teu
Temi, por ser tão transparente
Mas o teu sorriso faz-me tremer
A tua gentileza faz-me estremecer
Olhar-te pura ebulição
Turbilhão de emoções
Nada é pequeno
É tudo tão intenso
Ainda que não seja consciente
Tu pouco sabes
Mas, quisera eu contar-te
Sobre esse amor que anda brotando
Que se expande e me invade
E por ele, eu ficaria nessa cidade
Sem pré-conceito
Sem contar a idade
Eu só iria mergulhar na felicidade
E então, eu gostava de te falar desse amor
Que anda a florescer.
por Mauro Nadvorny | 5 out, 2020 | Poesia
E nesse breve silêncio de minhas mãos
Busquei qualquer folha em branco
Em que eu pudesse expressar-me
Mas o branco mostrou-se tão vazio
Era preciso mais…
Então, percebi que necessitava do teu corpo
De poeta para poeta
Transpondo continentes
Rompendo qualquer barreira
E nas linhas de tua anatomia
Em verso ou prosa
Falarei de uma cama
Que nunca será fria
E entre sonhos, delírios e desejos
Escreverei em ti, a minha poesia.
por Mauro Nadvorny | 1 set, 2020 | Poesia
Ela é fugaz
Carente de resoluções
De momentos singelos
Um por de sol
A explosão das cores primaveris
Respirar fundo em frente ao mar
Adormecer e despertar
Sem algemas
Punhos livres
Cabelos ao vento
Tendo apenas sentimentos como documento
Sem hora marcada
Vivendo apenas o momento
Ficar ou ir embora
Seguindo o ciclo lunar
Navegando em acordo com as marés
Perseguindo o sonho
Com a certeza de um novo dia
E que o sol irá raiar trazendo poesia
Não aceito a mão que oprime
Porque sou tudo o que a liberdade define
por Mauro Nadvorny | 25 ago, 2020 | Poesia
Sua face, que tenho de lembrança, o tempo vingou na memoria
Do leite em pote de vidro deixado às portas das casas na infância
Ao som dos canhões emudecidos pelas flores que restaram pelo caminho
Na bola que sela o jogo da vida, mas cala o cárcere subterrâneo que mata
Onde crescem homens e mulheres ecoando distantes navegantes
Por sobre a impotência incandescente, que perpassa a desigualdade social
Em tentáculos que se expandem, como tumores, nódoas sujas de concreto
Respeitemos a morte de quem lhe tiramos a vida, nós, os algozes
A ilusão de um suposto progresso, que encubra um farsesco engôdo
Megalópole, por excelência, me curvo aos seus excêntricos desígnios
Onde faço prumo meus consolos, de muitas recordações registradas
Soubera eu, tampouco não quisera, parte de mim sempre serão.
por Mauro Nadvorny | 10 ago, 2020 | Poesia
Nasci rio
Trago em mim toda essa liberdade
Não conheço fronteiras
Me recuso a ser contida!
Não me traga barreiras
Que castrem os meus sonhos
Que delimitem o que sou
As águas desse rio
Não foram feitas para cisternas
Se não sabes nadar
Ou sequer, navegar
Que digas um simples adeus
Porque o rio precisa seguir
Mergulhar em mares e oceanos
Espalhando cores diversas
Aromas marcantes
Despertando paixões, ao fazer dueto coma lua
Encantando os amantes
Molhando rostos em forma de chuva
Seguindo o ciclo, ou fazendo curvas
Como orvalho, umedecendo beijos
Molhando os desejos…
E depois de um dia
Corro desfazendo as margens
Desemboco feroz numa cascata
E finalmente me rendo
Ao tanto de amor contigo nessa poesia.