Como se fosse uma terapia
É preciso falar dessa dor que anestesia
Das palavras e atos que dilaceram a alma
Que destroem os sentimentos
Já não chegam lágrimas aos olhos
As lâminas de tuas palavras já não me fazem sangrar
Apenas sinto um frio que invade o meu ser
Como se eu me ausentasse de mim mesma
E observasse tudo como em uma tela
Uma pintura semelhante ao inferno de Dante
Ou A mulher sentada sobre os cotovelos de Picasso
Do sonho ao pesadelo
Do amor ao desencanto
Mas já não existe pranto
Ficaram essas palavras que expresso como se fosse um canto
Um lamento e uma despedida.
14/10/2021
08 de Chesvan, 5782
Existe uma ferida aberta no seio de minha alma Que não para nunca de sangrar Não me causa ira, sequer raiva pelo agressor Só consigo sentir a dor Que dilacera todo meu ser Sinto esvair-se de mim toda a esperança que pode advir do amor Já não enxergo a humanidade Vejo-me cercada de zumbis Seres sem sentimentos Sem a menor capacidade de empatia Se a cama é quente A mesa é totalmente fria Porque os zumbis não enxergam humanos E são incapazes de sonhar e amar Só sabem ferir e matar. 15/10/2020 9 de Chesvan, 5782
Sinto ciúmes de tuas ausências Elas são misteriosas Cheias de silêncios Pré-determinados em acordos em comum Mas ainda sinto as dores Aceitar não garante isenção de sentimentos Calar faz parte do contrato Mas gritar esse amor Pode ser o meu maior ato Sem importar-me em ser patética Afinal, como já dizia o poeta ‘‘Todas as cartas de amor são ridículas’’ Ridículas são todas as expressões de sentimentos Expõem toda a frágil e piegas forma humana Nos reduz ao que somos Meros mortais Seres sentimentais Quem dera fossemos apenas animais Vivendo cada cópula pelos simples instintos Apenas sobrevivendo, e pouco sentindo Mas tudo isso são apenas divagações Pensamentos soltos Ideias fragmentadas E dentro de mim Todas as juras quebradas Jurei não sentir, e sinto… Prometi não amar, e apenas amo! 20 De Tishirei, 5782