Aos Homens Que Sangram Nossos Corpos Femininos

Mulher, criança, na poesia de um sonho, abafando seu grito
Calem-se vozes, e escutem seu lamento
É o destino não premeditado, das almas já cansadas
Dos corpos não respeitados, em sua virtude concebida.

Desesperemos, são nossos gritos acumulados pelos tempos
Vividos ao longo da historia, que nos atravessa
Como um punhal, que se corte a carne, ao seu destempero
Emudecendo nossos corpos, relutantes por viver.

Levantemos nosso brado, por sobre o sangue que jorre
Que se valha a pena, a cada corpo mutilado
Rasgarmos a morte por conivencia, na mão de algozes derradeiros
Derrotá-los, destruí-los, e libertarmos nossas vidas encarceradas.

Quid

Quis fazer-te um poema

Mas a vida ainda não era livre

Haviam centelhas de um passado que resplandeciam

Vidas que se cruzavam

Com total ausência de harmonia

Não se pode subestimar as cicatrizes

Quando elas ainda sangram

Compromissos de papel e de honra

Estrada dividida

Entre o querer e o ser

Lacunas entre o ser e o estar

Dúvidas que partem da razão

E o querer se entregar

São nuances de tantos sentimentos

E essas tantas incertezas que trago nesse momento

Seguir só

Ou aceitar a tua mão?

E se amanhã, essa mão, a minha soltar?

Melodia de Sentimentos

Às vezes o silêncio se faz urgente

Uma dose de introspecção para curar as feridas

O nervo exposto

E uma dor lancinante

Que dilacera a alma

Razão e emoção

Paradoxos que lutam entre si

Pelo domínio do momento

Sem qualquer equilíbrio

E não há chances para argumentos

Busco-te, mas já não estás

O solo firme é inóspito

A paixão traz o delírio da insensatez

E na solidão do meu quarto

Mergulho no mais profundo do meu ser

E já não sei se conseguirei outa vez emergir

Ou se me afogarei para sempre

 

Dia das Mães

Tenho três mulheres

Três rebentos

São três vidas independentes

Seres humanos únicos

Saíram de mim

Às amei, muito antes de às conhecer

Todas são mães como eu

Tão diferentes

Ricas em defeitos

Perfeitas como filhas

Sublimes como mães

Elas são minhas

E eu, espero ser para elas no futuro

Uma lembrança boa

A voz de um ensinamento valioso

A razão de uma existência.

Mas não posso esquecer da quarta

Presente de Hashem

Filha duas vezes

Quiçá, o melhor de mim!

Mas isso, será uma outra história…

 

Malka Sarah

 

 

Somente os dias dirão

Bendita a poesia, núcleo em si, beleza ainda pura
Saio ao Sol, ainda posso, raios me inundam
Deles nem aos menos sei, mas me confronto
Sem saber o nome de meus conflitos.

De que importem paradeiros, são apenas referencias
Estamos cercados pelos mesmos dilemas, ácidos
Penetrando em nossas peles, desafiando nossas almas
E as claridades do Sol que abunde nosso espírito tácito.

Preciso das flores e de uma embriaguez terna, um lindo vermelho
Ou um rosa cálido, e águas para regar, pássaros que voem
Para me lembrar de que a rotina do que sempre existiu
Ainda some uma gota na memoria lúdica dos dias.

Avancem, perpetuem-se, e corram vida afora.
Imutável, na minha resignação estarei, vendo o mundo derradeiro
Da concordia universal ou do não unificado, que de nada valha
As duas faces da mesma moeda só refletem o vazio do caos.

E o infinito toma parte, tece fibra, e se transforma
Somente os dias dirão, das letras que se compõem
As palavras que as tenham, sem ou com linha, e respeito
Virtude, inquietude do destino, traçando a vida ao seu redor.

Amália

Voou como um pássaro

Naquela manhã de abril

Num tempo de restrições

Ela encontrou a liberdade

E não se deixou prender naquela cidade

Onde os sonhos sucumbem

E os sorrisos são esmagados,

Quando as dores transpassam os corações.

Mas, antes de voar, ela cantou sua fé

Também cantou o amor em forma de fado

E fez do fado um hino ao amor

Sobreviveu á sua dor

Fez do amor próprio, ferramenta de resistência

Ela era apenas um arquétipo do passado

Mas sempre soube sorrir

Apesar dos dias estarem nublados!

E naquela manhã de abril…

Ela partiu, voando como um pássaro.