Depois daqueles dias

Depois daqueles dias,

A vida foi diferente,

A ninguém se olhou impunemente,

Nada mais foi como antigamente,

Depois daqueles dias,

Uma morte a menos era a alegria,

A vida se comemorou como alforria,

E o monstro aos poucos desaparecia,

Depois daqueles dias,

Não havia mais fronteira,

O mundo só tinha uma bandeira,

E a vida era a melhor maneira,

Depois daqueles dias,

A desigualdade foi entendida,

A pobreza foi combatida,

E a fome foi vencida,

Depois daqueles dias,

Houve encontro de almas,

E respeito a todas as faunas,

E heróis que receberam palmas,

Depois daqueles dias,

A nova ordem se fez,

A floresta se refez,

E qualquer vida teve vez,

Depois daqueles dias,

O contato era especial,

Olho no olho era essencial,

E o abraço divinal.

Amado

Já não sei lidar com esse silêncio que fica

Quando tu te vais

É difícil ficar longe do teu abraço

Se o aconchego do teu sorriso

Aquece a minha alma

É no teu colo que eu embalo

Os meus melhores sonhos

E do teu olhar eu recebo

Os mais sinceros afagos

Vem amado meu

Recebe-me em teu regaço

Adoça a minha boca com o mel das melhores uvas

Como escreveria Salomão

A tua amada espera-te vestida com as flores do campo

Vem meu amado

E não desperdice esse vinho

Que escorre em meus lábios

Sorve-o, e embriaga-te, no néctar do desejo que guardo para ti

Traduzido na poesia de um beijo.

Aos Homens Que Sangram Nossos Corpos Femininos

Mulher, criança, na poesia de um sonho, abafando seu grito
Calem-se vozes, e escutem seu lamento
É o destino não premeditado, das almas já cansadas
Dos corpos não respeitados, em sua virtude concebida.

Desesperemos, são nossos gritos acumulados pelos tempos
Vividos ao longo da historia, que nos atravessa
Como um punhal, que se corte a carne, ao seu destempero
Emudecendo nossos corpos, relutantes por viver.

Levantemos nosso brado, por sobre o sangue que jorre
Que se valha a pena, a cada corpo mutilado
Rasgarmos a morte por conivencia, na mão de algozes derradeiros
Derrotá-los, destruí-los, e libertarmos nossas vidas encarceradas.

Quid

Quis fazer-te um poema

Mas a vida ainda não era livre

Haviam centelhas de um passado que resplandeciam

Vidas que se cruzavam

Com total ausência de harmonia

Não se pode subestimar as cicatrizes

Quando elas ainda sangram

Compromissos de papel e de honra

Estrada dividida

Entre o querer e o ser

Lacunas entre o ser e o estar

Dúvidas que partem da razão

E o querer se entregar

São nuances de tantos sentimentos

E essas tantas incertezas que trago nesse momento

Seguir só

Ou aceitar a tua mão?

E se amanhã, essa mão, a minha soltar?

Melodia de Sentimentos

Às vezes o silêncio se faz urgente

Uma dose de introspecção para curar as feridas

O nervo exposto

E uma dor lancinante

Que dilacera a alma

Razão e emoção

Paradoxos que lutam entre si

Pelo domínio do momento

Sem qualquer equilíbrio

E não há chances para argumentos

Busco-te, mas já não estás

O solo firme é inóspito

A paixão traz o delírio da insensatez

E na solidão do meu quarto

Mergulho no mais profundo do meu ser

E já não sei se conseguirei outa vez emergir

Ou se me afogarei para sempre

 

Dia das Mães

Tenho três mulheres

Três rebentos

São três vidas independentes

Seres humanos únicos

Saíram de mim

Às amei, muito antes de às conhecer

Todas são mães como eu

Tão diferentes

Ricas em defeitos

Perfeitas como filhas

Sublimes como mães

Elas são minhas

E eu, espero ser para elas no futuro

Uma lembrança boa

A voz de um ensinamento valioso

A razão de uma existência.

Mas não posso esquecer da quarta

Presente de Hashem

Filha duas vezes

Quiçá, o melhor de mim!

Mas isso, será uma outra história…

 

Malka Sarah