por Mauro Nadvorny | 19 jun, 2020 | Poesia
Mulher, criança, na poesia de um sonho, abafando seu grito
Calem-se vozes, e escutem seu lamento
É o destino não premeditado, das almas já cansadas
Dos corpos não respeitados, em sua virtude concebida.
Desesperemos, são nossos gritos acumulados pelos tempos
Vividos ao longo da historia, que nos atravessa
Como um punhal, que se corte a carne, ao seu destempero
Emudecendo nossos corpos, relutantes por viver.
Levantemos nosso brado, por sobre o sangue que jorre
Que se valha a pena, a cada corpo mutilado
Rasgarmos a morte por conivencia, na mão de algozes derradeiros
Derrotá-los, destruí-los, e libertarmos nossas vidas encarceradas.
por Mauro Nadvorny | 18 jun, 2020 | Poesia
Quis fazer-te um poema
Mas a vida ainda não era livre
Haviam centelhas de um passado que resplandeciam
Vidas que se cruzavam
Com total ausência de harmonia
Não se pode subestimar as cicatrizes
Quando elas ainda sangram
Compromissos de papel e de honra
Estrada dividida
Entre o querer e o ser
Lacunas entre o ser e o estar
Dúvidas que partem da razão
E o querer se entregar
São nuances de tantos sentimentos
E essas tantas incertezas que trago nesse momento
Seguir só
Ou aceitar a tua mão?
E se amanhã, essa mão, a minha soltar?
por Mauro Nadvorny | 16 jun, 2020 | Poesia
Às vezes o silêncio se faz urgente
Uma dose de introspecção para curar as feridas
O nervo exposto
E uma dor lancinante
Que dilacera a alma
Razão e emoção
Paradoxos que lutam entre si
Pelo domínio do momento
Sem qualquer equilíbrio
E não há chances para argumentos
Busco-te, mas já não estás
O solo firme é inóspito
A paixão traz o delírio da insensatez
E na solidão do meu quarto
Mergulho no mais profundo do meu ser
E já não sei se conseguirei outa vez emergir
Ou se me afogarei para sempre
por Mauro Nadvorny | 11 maio, 2020 | Poesia
Tenho três mulheres
Três rebentos
São três vidas independentes
Seres humanos únicos
Saíram de mim
Às amei, muito antes de às conhecer
Todas são mães como eu
Tão diferentes
Ricas em defeitos
Perfeitas como filhas
Sublimes como mães
Elas são minhas
E eu, espero ser para elas no futuro
Uma lembrança boa
A voz de um ensinamento valioso
A razão de uma existência.
Mas não posso esquecer da quarta
Presente de Hashem
Filha duas vezes
Quiçá, o melhor de mim!
Mas isso, será uma outra história…
Malka Sarah
por Mauro Nadvorny | 25 abr, 2020 | Poesia
Bendita a poesia, núcleo em si, beleza ainda pura
Saio ao Sol, ainda posso, raios me inundam
Deles nem aos menos sei, mas me confronto
Sem saber o nome de meus conflitos.
De que importem paradeiros, são apenas referencias
Estamos cercados pelos mesmos dilemas, ácidos
Penetrando em nossas peles, desafiando nossas almas
E as claridades do Sol que abunde nosso espírito tácito.
Preciso das flores e de uma embriaguez terna, um lindo vermelho
Ou um rosa cálido, e águas para regar, pássaros que voem
Para me lembrar de que a rotina do que sempre existiu
Ainda some uma gota na memoria lúdica dos dias.
Avancem, perpetuem-se, e corram vida afora.
Imutável, na minha resignação estarei, vendo o mundo derradeiro
Da concordia universal ou do não unificado, que de nada valha
As duas faces da mesma moeda só refletem o vazio do caos.
E o infinito toma parte, tece fibra, e se transforma
Somente os dias dirão, das letras que se compõem
As palavras que as tenham, sem ou com linha, e respeito
Virtude, inquietude do destino, traçando a vida ao seu redor.
por Mauro Nadvorny | 21 abr, 2020 | Poesia
Voou como um pássaro
Naquela manhã de abril
Num tempo de restrições
Ela encontrou a liberdade
E não se deixou prender naquela cidade
Onde os sonhos sucumbem
E os sorrisos são esmagados,
Quando as dores transpassam os corações.
Mas, antes de voar, ela cantou sua fé
Também cantou o amor em forma de fado
E fez do fado um hino ao amor
Sobreviveu á sua dor
Fez do amor próprio, ferramenta de resistência
Ela era apenas um arquétipo do passado
Mas sempre soube sorrir
Apesar dos dias estarem nublados!
E naquela manhã de abril…
Ela partiu, voando como um pássaro.