por Mauro Nadvorny | 30 jun, 2020 | Poesia
Depois daqueles dias,
A vida foi diferente,
A ninguém se olhou impunemente,
Nada mais foi como antigamente,
Depois daqueles dias,
Uma morte a menos era a alegria,
A vida se comemorou como alforria,
E o monstro aos poucos desaparecia,
Depois daqueles dias,
Não havia mais fronteira,
O mundo só tinha uma bandeira,
E a vida era a melhor maneira,
Depois daqueles dias,
A desigualdade foi entendida,
A pobreza foi combatida,
E a fome foi vencida,
Depois daqueles dias,
Houve encontro de almas,
E respeito a todas as faunas,
E heróis que receberam palmas,
Depois daqueles dias,
A nova ordem se fez,
A floresta se refez,
E qualquer vida teve vez,
Depois daqueles dias,
O contato era especial,
Olho no olho era essencial,
E o abraço divinal.
por Mauro Nadvorny | 25 jun, 2020 | Poesia
Já não sei lidar com esse silêncio que fica
Quando tu te vais
É difícil ficar longe do teu abraço
Se o aconchego do teu sorriso
Aquece a minha alma
É no teu colo que eu embalo
Os meus melhores sonhos
E do teu olhar eu recebo
Os mais sinceros afagos
Vem amado meu
Recebe-me em teu regaço
Adoça a minha boca com o mel das melhores uvas
Como escreveria Salomão
A tua amada espera-te vestida com as flores do campo
Vem meu amado
E não desperdice esse vinho
Que escorre em meus lábios
Sorve-o, e embriaga-te, no néctar do desejo que guardo para ti
Traduzido na poesia de um beijo.
por Mauro Nadvorny | 19 jun, 2020 | Poesia
Mulher, criança, na poesia de um sonho, abafando seu grito
Calem-se vozes, e escutem seu lamento
É o destino não premeditado, das almas já cansadas
Dos corpos não respeitados, em sua virtude concebida.
Desesperemos, são nossos gritos acumulados pelos tempos
Vividos ao longo da historia, que nos atravessa
Como um punhal, que se corte a carne, ao seu destempero
Emudecendo nossos corpos, relutantes por viver.
Levantemos nosso brado, por sobre o sangue que jorre
Que se valha a pena, a cada corpo mutilado
Rasgarmos a morte por conivencia, na mão de algozes derradeiros
Derrotá-los, destruí-los, e libertarmos nossas vidas encarceradas.
por Mauro Nadvorny | 18 jun, 2020 | Poesia
Quis fazer-te um poema
Mas a vida ainda não era livre
Haviam centelhas de um passado que resplandeciam
Vidas que se cruzavam
Com total ausência de harmonia
Não se pode subestimar as cicatrizes
Quando elas ainda sangram
Compromissos de papel e de honra
Estrada dividida
Entre o querer e o ser
Lacunas entre o ser e o estar
Dúvidas que partem da razão
E o querer se entregar
São nuances de tantos sentimentos
E essas tantas incertezas que trago nesse momento
Seguir só
Ou aceitar a tua mão?
E se amanhã, essa mão, a minha soltar?
por Mauro Nadvorny | 16 jun, 2020 | Poesia
Às vezes o silêncio se faz urgente
Uma dose de introspecção para curar as feridas
O nervo exposto
E uma dor lancinante
Que dilacera a alma
Razão e emoção
Paradoxos que lutam entre si
Pelo domínio do momento
Sem qualquer equilíbrio
E não há chances para argumentos
Busco-te, mas já não estás
O solo firme é inóspito
A paixão traz o delírio da insensatez
E na solidão do meu quarto
Mergulho no mais profundo do meu ser
E já não sei se conseguirei outa vez emergir
Ou se me afogarei para sempre
por Mauro Nadvorny | 11 maio, 2020 | Poesia
Tenho três mulheres
Três rebentos
São três vidas independentes
Seres humanos únicos
Saíram de mim
Às amei, muito antes de às conhecer
Todas são mães como eu
Tão diferentes
Ricas em defeitos
Perfeitas como filhas
Sublimes como mães
Elas são minhas
E eu, espero ser para elas no futuro
Uma lembrança boa
A voz de um ensinamento valioso
A razão de uma existência.
Mas não posso esquecer da quarta
Presente de Hashem
Filha duas vezes
Quiçá, o melhor de mim!
Mas isso, será uma outra história…
Malka Sarah