Uma tarde qualquer

Uma tarde qualquer!

Estar só, não é o mesmo que solidão.

Quando estou comigo mesma, não me sinto só.

Há um confraternizar com as minhas ideias.

E as linhas que escrevo, são compostas de palavras molhadas pelo néctar do paraíso.

Os pensamentos que possam parecer turvos

Estão cheios de uma clareza particular

Vim de lá, e cá estou.

Aqui me encontro

E contemplo as vidas que passam pela minha frente

Transeuntes, que diante de meus olhos, se tornam indefensos.

Eu os observo, e faço deduções secretas.

Uns tomam um sorvete

Outros saboreiam uma Coca-Cola

Sinto que eles não me veem a degustar esse Chopp

E o trem da vida, corre na velocidade do pensamento.

E imagino o meu cérebro pousado na mesa à minha frente

Pulsando na força das artérias…

Não existe solidão, quando seu cérebro faz tantos registros.

São tantos rostos

Cheio de sonhos desconhecidos

Imagino que neles existam amores não vividos

Mas será que isso importa?

Um bebê agora me sorri

E um homem deixa transparecer um desejo carnal

E esse Chopp encorpado?

Lá vem uma garota, que corre com um sorvete na mão.

São imagens fugazes

E não há tristeza nessa solidão

Apenas fragmentos de despedidas

E lembranças que serão guardadas

Em memórias jamais esquecidas.

Gostar

Gostar…

Palavra tão profunda, tão densa

Do que gosto, não tenho medidas

Gostar é coisa de momento

De tesão

De sentimentos

Eu gosto da vida

Gosto da arte

De permitir que em fumaça se dissipe  o verde

Para então,  conseguir vislumbrar Marte

Eu gosto de sonhar

E navegar em mares desconhecidos

Gosto da luta, porque nela me sinto útil

Da cevada em espuma, que transforma tudo em poesia

Enfim, gostar é saber guardar um amor que se foi

Sem se lamentar

Gostar também é amar sabendo que não é pra agora

Nem pra amanhã

Gostar é manter-se vivo

Na mais pura essência de ser!