Somente os dias dirão

Bendita a poesia, núcleo em si, beleza ainda pura
Saio ao Sol, ainda posso, raios me inundam
Deles nem aos menos sei, mas me confronto
Sem saber o nome de meus conflitos.

De que importem paradeiros, são apenas referencias
Estamos cercados pelos mesmos dilemas, ácidos
Penetrando em nossas peles, desafiando nossas almas
E as claridades do Sol que abunde nosso espírito tácito.

Preciso das flores e de uma embriaguez terna, um lindo vermelho
Ou um rosa cálido, e águas para regar, pássaros que voem
Para me lembrar de que a rotina do que sempre existiu
Ainda some uma gota na memoria lúdica dos dias.

Avancem, perpetuem-se, e corram vida afora.
Imutável, na minha resignação estarei, vendo o mundo derradeiro
Da concordia universal ou do não unificado, que de nada valha
As duas faces da mesma moeda só refletem o vazio do caos.

E o infinito toma parte, tece fibra, e se transforma
Somente os dias dirão, das letras que se compõem
As palavras que as tenham, sem ou com linha, e respeito
Virtude, inquietude do destino, traçando a vida ao seu redor.

Amália

Voou como um pássaro

Naquela manhã de abril

Num tempo de restrições

Ela encontrou a liberdade

E não se deixou prender naquela cidade

Onde os sonhos sucumbem

E os sorrisos são esmagados,

Quando as dores transpassam os corações.

Mas, antes de voar, ela cantou sua fé

Também cantou o amor em forma de fado

E fez do fado um hino ao amor

Sobreviveu á sua dor

Fez do amor próprio, ferramenta de resistência

Ela era apenas um arquétipo do passado

Mas sempre soube sorrir

Apesar dos dias estarem nublados!

E naquela manhã de abril…

Ela partiu, voando como um pássaro.

Uma tarde qualquer

Uma tarde qualquer!

Estar só, não é o mesmo que solidão.

Quando estou comigo mesma, não me sinto só.

Há um confraternizar com as minhas ideias.

E as linhas que escrevo, são compostas de palavras molhadas pelo néctar do paraíso.

Os pensamentos que possam parecer turvos

Estão cheios de uma clareza particular

Vim de lá, e cá estou.

Aqui me encontro

E contemplo as vidas que passam pela minha frente

Transeuntes, que diante de meus olhos, se tornam indefensos.

Eu os observo, e faço deduções secretas.

Uns tomam um sorvete

Outros saboreiam uma Coca-Cola

Sinto que eles não me veem a degustar esse Chopp

E o trem da vida, corre na velocidade do pensamento.

E imagino o meu cérebro pousado na mesa à minha frente

Pulsando na força das artérias…

Não existe solidão, quando seu cérebro faz tantos registros.

São tantos rostos

Cheio de sonhos desconhecidos

Imagino que neles existam amores não vividos

Mas será que isso importa?

Um bebê agora me sorri

E um homem deixa transparecer um desejo carnal

E esse Chopp encorpado?

Lá vem uma garota, que corre com um sorvete na mão.

São imagens fugazes

E não há tristeza nessa solidão

Apenas fragmentos de despedidas

E lembranças que serão guardadas

Em memórias jamais esquecidas.

Gostar

Gostar…

Palavra tão profunda, tão densa

Do que gosto, não tenho medidas

Gostar é coisa de momento

De tesão

De sentimentos

Eu gosto da vida

Gosto da arte

De permitir que em fumaça se dissipe  o verde

Para então,  conseguir vislumbrar Marte

Eu gosto de sonhar

E navegar em mares desconhecidos

Gosto da luta, porque nela me sinto útil

Da cevada em espuma, que transforma tudo em poesia

Enfim, gostar é saber guardar um amor que se foi

Sem se lamentar

Gostar também é amar sabendo que não é pra agora

Nem pra amanhã

Gostar é manter-se vivo

Na mais pura essência de ser!