por Mauro Nadvorny | 25 abr, 2020 | Poesia
Bendita a poesia, núcleo em si, beleza ainda pura
Saio ao Sol, ainda posso, raios me inundam
Deles nem aos menos sei, mas me confronto
Sem saber o nome de meus conflitos.
De que importem paradeiros, são apenas referencias
Estamos cercados pelos mesmos dilemas, ácidos
Penetrando em nossas peles, desafiando nossas almas
E as claridades do Sol que abunde nosso espírito tácito.
Preciso das flores e de uma embriaguez terna, um lindo vermelho
Ou um rosa cálido, e águas para regar, pássaros que voem
Para me lembrar de que a rotina do que sempre existiu
Ainda some uma gota na memoria lúdica dos dias.
Avancem, perpetuem-se, e corram vida afora.
Imutável, na minha resignação estarei, vendo o mundo derradeiro
Da concordia universal ou do não unificado, que de nada valha
As duas faces da mesma moeda só refletem o vazio do caos.
E o infinito toma parte, tece fibra, e se transforma
Somente os dias dirão, das letras que se compõem
As palavras que as tenham, sem ou com linha, e respeito
Virtude, inquietude do destino, traçando a vida ao seu redor.
por Mauro Nadvorny | 21 abr, 2020 | Poesia
Voou como um pássaro
Naquela manhã de abril
Num tempo de restrições
Ela encontrou a liberdade
E não se deixou prender naquela cidade
Onde os sonhos sucumbem
E os sorrisos são esmagados,
Quando as dores transpassam os corações.
Mas, antes de voar, ela cantou sua fé
Também cantou o amor em forma de fado
E fez do fado um hino ao amor
Sobreviveu á sua dor
Fez do amor próprio, ferramenta de resistência
Ela era apenas um arquétipo do passado
Mas sempre soube sorrir
Apesar dos dias estarem nublados!
E naquela manhã de abril…
Ela partiu, voando como um pássaro.
por Mauro Nadvorny | 5 mar, 2020 | Literatura, Poesia
Uma tarde qualquer!
Estar só, não é o mesmo que solidão.
Quando estou comigo mesma, não me sinto só.
Há um confraternizar com as minhas ideias.
E as linhas que escrevo, são compostas de palavras molhadas pelo néctar do paraíso.
Os pensamentos que possam parecer turvos
Estão cheios de uma clareza particular
Vim de lá, e cá estou.
Aqui me encontro
E contemplo as vidas que passam pela minha frente
Transeuntes, que diante de meus olhos, se tornam indefensos.
Eu os observo, e faço deduções secretas.
Uns tomam um sorvete
Outros saboreiam uma Coca-Cola
Sinto que eles não me veem a degustar esse Chopp
E o trem da vida, corre na velocidade do pensamento.
E imagino o meu cérebro pousado na mesa à minha frente
Pulsando na força das artérias…
Não existe solidão, quando seu cérebro faz tantos registros.
São tantos rostos
Cheio de sonhos desconhecidos
Imagino que neles existam amores não vividos
Mas será que isso importa?
Um bebê agora me sorri
E um homem deixa transparecer um desejo carnal
E esse Chopp encorpado?
Lá vem uma garota, que corre com um sorvete na mão.
São imagens fugazes
E não há tristeza nessa solidão
Apenas fragmentos de despedidas
E lembranças que serão guardadas
Em memórias jamais esquecidas.
por Mauro Nadvorny | 21 fev, 2020 | Poesia
Gostar…
Palavra tão profunda, tão densa
Do que gosto, não tenho medidas
Gostar é coisa de momento
De tesão
De sentimentos
Eu gosto da vida
Gosto da arte
De permitir que em fumaça se dissipe o verde
Para então, conseguir vislumbrar Marte
Eu gosto de sonhar
E navegar em mares desconhecidos
Gosto da luta, porque nela me sinto útil
Da cevada em espuma, que transforma tudo em poesia
Enfim, gostar é saber guardar um amor que se foi
Sem se lamentar
Gostar também é amar sabendo que não é pra agora
Nem pra amanhã
Gostar é manter-se vivo
Na mais pura essência de ser!