por Mauro Nadvorny | 31 mar, 2019 | Brasil, Comportamento, Israel
Não em nosso nome
Se você concorda que todo ser humano nasce igual, você é contra Bolsonaro.
Se você concorda que homens e mulheres têm os mesmos direitos, você é contra Bolsonaro.
Se você concorda que todos merecem receber as mesmas oportunidades, você é contra Bolsonaro.
Se você concorda que não é o gênero, mas o caráter do individuo o que realmente importa, você é contra Bolsonaro.
Se você concorda que a tortura é um crime contra a humanidade, você é contra Bolsonaro.
Não é uma questão ideológica, não se trata de esquerda ou de direita. Ser contra Bolsonaro é respeitar nossa diversidade e ter a consciência de que podemos viver em harmonia como seres humanos que chegamos ao mundo e partimos dele da mesma forma.
Como judeus temos uma responsabilidade com a humanidade. Somos o povo mais antigo na Terra. O povo do livro, aquele que trouxe ao mundo os 10 Mandamentos, as primeiras leis conhecidas pelo homem.
Nossa história é pautada por grandes acontecimentos, alguns de grande alegria, outros de imensa tristeza. Nenhum deles impediu que chegássemos aos dias de hoje em nossa terra. Aqui estamos para dizer ao mundo que o Povo de Israel Vive. E aqui vivemos com toda nossa bagagem ancestral de conhecimento e lições de vida.
Infelizmente algumas destas lições, as vezes parecem esquecidas e é preciso relembrá-las. Podemos ter pontos de vista diferentes, maneiras distintas de alcançar os mesmos objetivos, mas nunca podemos deixar de acreditar que somos o povo que deve ser um Farol de Luz para a humanidade.
A presença de Jair Bolsonaro em Israel é uma ofensa a todo ser humano, judeu ou não. Sua visita a Yad Vashem é ainda pior e não condiz com o que este lugar representa. Este presidente do Brasil enaltece a Ditadura Militar Brasileira que perseguiu, torturou e matou jovens de esquerda lembrando a cada um deles de que eram judeus. Entre eles: Ana Rosa Kucinski Silva, Mauricio e André Grabois (pai e filho), Chael Schreier, Gelson Reicher, Pauline Philipe Reischtuhl, Vladimir Herzog e Yara Iavelberg.
Quando nosso primeiro ministro se acerca deste tipo de líder para tentar obter exclusivamente mais uma embaixada em Jerusalém, temos de nos questionar se ele realmente nos representa. Para ele os fins justificam os meios, e apertar a mão de um ser tão desprezível como este, serve aos seus objetivos particulares de se perpetuar no poder.
Nenhum poder é eterno, os governantes passam e as nações permanecem. No entanto, são nossos governantes atuais que trocam afagos e sorrisos, cada qual com a sua agenda. A de Bolsonaro é agradar aos seus parceiros evangélicos que sonham com uma Israel convertida ao cristianismo para permitir a volta do seu Messias, Jesus Cristo.
O Brasil é muito maior que Bolsonaro, o que ele representa e aqueles que o apoiam. Nós todos que amamos a liberdade, a democracia e o respeito aos direitos humanos, estamos unidos em todo o mundo contra o fascismo. Nossa união é a nossa voz e ela jamais será calada.
Um mundo melhor é possível e somos aqueles que apontam o caminho. Somos a esperança que não morre, a alegria da vida, a beleza do ser humano. Nós somos o futuro.
Somos persistentes, somos obstinados, nunca desistimos porque somos movidos por amor ao próximo. Nossa unidade é consequência do que de melhor representamos no mundo. Nossa força é perene e nossa causa é justa.
Nós israelenses de origem brasileira que voltamos para nossa casa em Israel não esquecemos o Brasil. Não nos permitimos abandonar o povo brasileiro nas mãos deste presidente com ideais fascistas e chamamos a todos os cidadãos de Israel para que se manifestem contra a sua presença.
Jair Bolsonaro você é uma Persona Non Grata em Israel.
por Mauro Nadvorny | 29 mar, 2019 | Brasil, Israel, Política
Bolsonaro em Israel
Bolsonaro vem aí. Neste domingo chega a Israel para uma curta visita. Na verdade, é um gasto de dinheiro público para nada já que vamos ter eleições para o parlamento dia 9 de abril e, em tese, seu amigo Bibi pode não ser reeleito para primeiro ministro.
Estamos também em meio ao problema de Gaza. As coisas esquentaram novamente depois que um segundo foguete foi lançado contra o centro do país “por engano”. Desta vez tropas e tanques de guerra estão posicionados na fronteira e os ministros de extrema direita querem sangue.
Nem a troca da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém ele vai anunciar. Ao que tudo indica vai dizer que o Brasil terá um Escritório Comercial na cidade. Bibi vai ter que se contentar com esta notícia.
Várias manifestações estão sendo agendadas por onde ele passar. Orgulhosamente participo da organização de algumas e posso dizer que além de brasileiros e latino americanos, muitos israelenses vão estar presentes.
Aqui em Israel, aqueles mais politizados sabem da nossa história de uma ditadura militar, da injusta condenação do Presidente Lula, do golpe contra a Presidente Dilma e da desgraçada eleição de Bolsonaro. Até mesmo o assassinato de Marielle é do conhecimento e indignação aqui.
Preciso explicar que em Israel o voto não é obrigatório. O parlamento possui 120 cadeiras e o presidente escuta todos os partidos eleitos em quem eles apoiam para primeiro ministro. Quem tiver recebido 61 ou mais apoios tem a incumbência de tentar formar o governo. Ou seja, nem sempre o partido com mais deputados eleitos formará o governo.
Basicamente existem 4 blocos de afinidades. O primeiro é formado pelos partidos árabes com os quais nenhum partido judaico aceita se coligar. Uns usam a desculpa de que não são sionistas e outros dizem descaradamente por serem árabes.
Temos também os religiosos. Estes partidos costumavam ser o fiel da balança em vários governos e por conta deles, por exemplo, até hoje não temos transporte público aos sábados. Geralmente eles querem a pasta da educação para garantirem dinheiro para as suas escolas. Graças a eles, quem se dedica ao estudo da Torá não precisava servir ao exército. Esta lei está para ser reformada.
Depois temos o bloco da direita e a extrema direita. Este é o bloco liderado pelo Likud, o partido de Bibi, ou do Bibi. Ele é quem carrega o partido nas costas e sem ele podem vir a ser um partido com muito menos representatividade.
Finalmente o bloco de centro e esquerda. A esquerda em Israel, como conhecemos, tem hoje o Meretz com uma representatividade em torno de 5 cadeiras. O centro esquerda é o Avodá, ou o que restou do Partido Trabalhista israelense. Dependendo da pesquisa eleitoral vai receber entre 5 e 10 cadeiras.
Em toda eleição surge um novo partido chamado de centro. Este ano temos o Azul e Branco, o partido dos generais. É incrível como os generais de pijama adoram entrar para a política. Cada partido tem o seu. Seu líder, Beny Gantz é chamado de esquerda pelo Likud e de direita pelo Avodá. Vale tudo por um voto.
As pesquisas de opinião em Israel são um caso a parte. Cada uma mostra números totalmente diferentes uma da outra. Alguns determinados partidos passam a cláusula de barreira em uma pesquisa, em outra não. Partidos ganham e perdem cadeiras diariamente. Percentual de erro de algumas delas é de mais de 4%. Este percentual muda uma eleição.
Atualmente o partido Azul e Branco deve ser aquele mais votado, mas não necessariamente quem vai formar o governo. Hoje teriam junto com os partidos de centro esquerda e esquerda algo em torno de 42 a 48 mandatos. Vão precisar do apoio dos partidos árabes com quem dizem que não conversam e dos religiosos que dizem que não sentam com eles. Isso, antes da abertura das urnas, depois passa a ser uma mesa de negociações.
Bibi teria o apoio natural de toda a direita e dos religiosos. Basicamente é o seu governo de hoje. O problema é que com um número de 61 ou 62 mandatos. Foi por conta deste baixo número de apoio que ele convocou novas eleições.
Alguns falam de um governo de coalizão nacional entre os maiores partidos. No momento eles se acusam uns aos outros de ladrões, traidores, incompetentes, fanáticos etc. Passada a eleição vem a realidade e o desejo do poder costuma falar alto. Meu desafeto de hoje pode ser meu melhor amigo amanhã, afinal a política é a arte de engolir sapos. Tudo é possível.
Sim, comecei este artigo falando do Bozo e preciso acabar informando aos que me leem que na minha opinião a visita dele a Israel é só para ter mais tempo de brincar no Twitter. De prático mesmo não espero nada. Pelo visto a presença, ou ausência dele no Brasil, dá no mesmo. Um inepto na presidência.
por Mauro Nadvorny | 18 mar, 2019 | Brasil, Comportamento, Israel
O que é isso companheiro?
Eu achava que era à direita a principal fabricante de Fake News, aquelas do tipo Kit Gay e Mamadeira de Piroca. Qual não foi a minha surpresa ao saber que um companheiro aqui do Brasil 247, também é afeito a elas.
Na última sexta-feira, dia 15 de março, no programa Leo ao Quadrado, Leonardo Stoppa destilou sandices contra Israel. Instigado pelo Leonardo Attuch para falar sobre a visita do Embaixador de Israel a Bolsonaro, provavelmente para tratar da visita que fará ao país no final do mês, veio a questão da transferência da embaixada e daí em diante o que se viu foi uma avalanche de asneiras.
Antes de tudo, quero deixar bem claro em alto e bom tom, que sou radicalmente contra o governo de extrema direita de Israel. Concordo com praticamente todas as acusações que lhe são feitas e atribuo a ele a perda da solidariedade internacional que Israel conquistou a duras penas para sobreviver como nação. Quem acompanha minha coluna no Brasil 247 sabe do meu combate também ao atual governo brasileiro.
Dito isso, quero enfatizar que defendo Israel como defendo o Brasil. O fato de estarmos submetidos a um governo fascista, não significa que alguém tenha o direito de atacar o país, ou o seu povo. Falemos mal do governo, detonemos com o seu presidente, mas nunca a nação. Os governos, felizmente são passageiros.
Voltando ao companheiro Stoppa, é sabido e notório sua ignorância a respeito de Israel. Não é a primeira vez que ele ataca o país com toda sua eloquência. Desta vez, no entanto, ele foi a beira da insanidade. Afirmou que Bolsonaro está a mando do sistema financeiro, de Israel, do serviço de inteligência israelense e dos algoritmos dos Estados Unidos.
Companheiro, sério isso? Nós que estamos na mesma trincheira precisamos escutar tanta baboseira junta? Eu imagino que tu tenhas em mãos todas as provas destas informações. Não me venha com teorias conspiratórias. Estou falando de atas de reuniões do tal Sistema Financeiro, de áudios e vídeos de agentes da inteligência de Israel, e sei lá o que dos tais algoritmos americanos. Sim, porque sem estas provas, você está abaixo do nível do Kit Gay e da Mamadeira de Piroca.
Companheiro, você tem alguma ideia do mal que estas afirmações fazem a nossa causa? Elas são tão ridículas que parecem coisas ditas por uma criança. Estas besteiras fortalecem a direita e somam argumentos aqueles que dizem que a esquerda é antissemita e antissionista. Seria este o seu caso?
Eu sinceramente preciso entender qual é exatamente o teu propósito com estas Fake News. Me explique, por favor, se é o desejo de atacar a esquerda judaica em especial. Se é o teu antissemitismo se manifestando acima da razão ideológica. Talvez o teu manifesto antissionismo que te sobe a cabeça. O que é que te passa na cabeça quando inventas estas tolices?
Para sua informação, a importância do Brasil hoje para Israel é zero. O Bibi não se importa se a próxima embaixada em Jerusalém seja do Togo, ou do Brasil. Ele só sabe contar números. O Brasil não tem a mínima importância comercial para Israel e todas as empresas israelenses que quiseram fazer negócios com o Brasil, já o fazem há muitos anos. A mudança do voto brasileiro na ONU não tem significado nenhum e se acontecer, se soma a outra meia dúzia de países sem influenciar ninguém. Aqui em Israel as pessoas em geral gostam do país, da sua música e do seu futebol. Se este louco mudar a embaixada para Jerusalém será para agradar os evangélicos e não para agradar o Bibi, que diga-se de passagem, corre o risco de perder as eleições em 9 de Abril.
Eu entendo porque sou atacado pela direita em geral e a judaica em particular. É uma questão de bom sendo da parte deles, afinal eu os ataco da mesma maneira por uma questão de bom senso da minha parte. Temos visões opostas, ideologias que nos dividem e conceitos de mundo irreconciliáveis.
Mas quando sou atacado por fogo amigo, isso dói muito. Quando a gente pensa que está ombro a ombro na mesma luta e descobre que o companheiro ao lado te odeia, isso é uma facada nas costas. Pior ainda, quando este amigo municia o inimigo em comum.
Desde as eleições eu não soltei a mão de ninguém. Perdemos, foi muito doloroso. Foram-se parentes, amigos queridos e uma decepção estratosférica. Quem viveu intensamente aqueles dias sabe do que estou falando e dos sentimentos envolvidos. Pela primeira vez, desde então, eu estou disposto a soltar a mão de alguém, a tua mão companheiro, se não te retratares.
Espero que tenhas a honradez de admitir que passastes do ponto. Que aquilo foi um equívoco a luz do momento. Que encontres as palavras certas para explicar o inexplicável, ou que soltes a minha mão.
por Mauro Nadvorny | 15 mar, 2019 | Brasil, Comportamento
Nos Estados Unidos, um homem abriu fogo em uma fábrica em Illinois e deixou 6 mortos.
No Brasil, dois rapazes abriram fogo dentro de uma escola em Suzano e deixaram 10 mortos.
Na Nova Zelândia, pelo menos 3 suspeitos foram detidos depois de abrirem fogo contra duas mesquitas e deixarem 49 mortos.
Em Israel, o primeiro ministro disse que Israel não é todos seus cidadãos, somente dos judeus.
Na Polônia, um jornal fez uma reportagem de capa ensinado como identificar judeus.
Tudo que foi lido até aqui aconteceu nos últimos 30 dias e poderia ser o resumo do que a direita é capaz, ou em outras palavras, como a direita faz mal ao nosso mundo.
No caso americano, se trata de mais um episódio do acesso e posse livre de armas que o país insiste em manter, graças, especialmente ao apoio incondicional do Partido Republicano.
No Brasil se trata de dar voz aos desejos do novo presidente. Os jovens apoiadores dele e da direita resolveram cometer o tipo de crime que se tornou comum nos Estados Unidos.
Na Nova Zelândia se trata de um crime de islamofobia levado a cabo por participantes de um grupo radical de supremacia branca de extrema direita.
Em Israel se trata do primeiro ministro respondeu a uma apresentadora de TV que disse em um post nas redes sociais que todos os cidadãos de Israel são iguais, judeus, árabes, drusos etc.
Na Polônia um ex-candidato ao parlamento polonês escreveu um artigo onde ensina seus leitores como identificar um judeu por suas características, modo de vida, gestos etc.
O fascismo se torna uma ameaça global a humanidade. Vidas não importam, o capital vem antes de tudo e se torna o único caminho capaz de trazer felicidade. Felicidade a uns poucos, é verdade, mas quem está contando?
Neste sentido, o nacionalismo exacerbado, a xenofobia, o racismo e formas de preconceito passam a ser não somente aceitos, mas incentivados como uma maneira de resolver problemas sociais e econômicos que o capital é incapaz de solucionar por conta de suas contradições intrínsecas.
Infelizmente este quadro de tristeza, de crimes covardes contra pessoas indefesas vai se alastrando mundo afora. Felizmente os regimes de direita são incapazes de manterem entre si cooperações econômicas sustentáveis por muito tempo. Normalmente, este tipo de acordo é sempre leonino e um dos lados se beneficia em detrimento do outro. Isso tem prazo de validade.
O capitalismo é implacável. Existe o forte e o fraco, o opressor e o oprimido. Meritocracia é o seu mantra e o paraíso é somente para aqueles que souberam se aproveitar do sistema em benefício próprio.
A universidade é para poucos. A riqueza é o prêmio para os escolhidos e dele devem usufruir somente aqueles verdadeiramente merecedores. Deste bolo comem poucos e as massas cabem as migalhas.
Neste projeto não existe lugar para o diferente, para o fraco, para o outro. Empatia é palavrão e solidariedade um crime. Imposto é para os pobres e o destino deles é permanecerem na base da pirâmide alimentando os que estão no topo, jamais ascendendo ao lugar de cima.
Um metalúrgico nordestino presidente da nação que ousou subverter esta ordem está preso há quase um ano. Preso sem provas do cometimento de qualquer crime, e ainda assim condenado.
Nos privaram de sua presença e de seu lugar como presidente do Brasil. Votos não lhe faltariam se tivesse disputado a eleição. Eles o mantêm encarcerado fisicamente, mas não puderam calar sua voz, nem suas ideias. Ele tudo suporta e não se abate.
Lula está presente e seu projeto para o Brasil vai vencer esta escuridão em que nos encontramos. Um país de oportunidades iguais para todos vai renascer porque o que o neoliberalismo é incapaz de destruir é a nossa capacidade de manter viva a chama da solidariedade onde apesar de tudo o que estamos sendo obrigados a passar, ninguém soltou a mão de ninguém.
Sou um idealista inveterado. Sei que vamos encontrar os meios para deixar este mundo um lugar harmonioso de se viver para as próximas gerações. Com paciência e a nossa perseverança na luta, vamos construir um mundo melhor.
por Mauro Nadvorny | 8 mar, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
A Natureza dele
Novos tempos em que o vice-presidente da nação precisa ficar o dia todo explicando que a fala do presidente foi mal compreendida. E tem que fazer isso todos os dias!
Aos poucos parece que o país começa a se acostumar que elegeu um incompetente para o cargo. Muitos de seus eleitores estavam convencidos que aqueles discursos preconceituosos eram coisas de campanha. Que o que ele defendeu no passado, como ser contra a reforma da previdência, por exemplo, era sério. Ops, não era.
Durante a campanha eu e muitos companheiros passamos horas fazendo vídeos e postando mensagens explicando a verdadeira natureza do coiso. Dissemos com todas as letras que o sujeito era um energúmeno, um troglodita que não tinha a menor capacidade de ser presidente do país. Tentamos explicar aos mais humildes que estavam criando um monstro que se voltaria contra eles mesmos. Até a fábula do sapo e do escorpião eu contei. O escorpião pede ao sapo que o leve para o outro lado do Rio. O sapo diz que não o fará porque não quer ser picado mortalmente. O escorpião argumenta que se fizer isso os dois morrem. Então o sapo concordou e no meio da travessia sente a picada mortal. Antes de morrer pergunta ao escorpião porque ele fez isso e escuta sua resposta: desculpe, mas é a minha natureza.
Infelizmente fomos vencidos pelas fake news. Preferiram acreditar nas Mamadeiras de Piroca e Kits Gay. Agora nós todos somos obrigados a aguentar um ignorante que passa o dia nas redes sociais postando uma merda atrás da outra. E quando achamos que não podia ser pior, eis que ele se supera e nos surpreende com uma merda maior ainda.
A verdade é que ele está só começando. Provavelmente vamos ter saudades quando ele só postava besteiras já que com o tempo vai piorar muito. A pergunta é quem vai presidir o país enquanto o cara eleito fica arrumando intrigas nas redes sociais. O cargo parece que continua vago.
Se o chefe do clã já é um incapaz, o que dizer de sua prole. Já repararam que eles não o chamam de pai? Se referem a ele somente como Bolsonaro, mas se tratam por seus nomes. Que família esta. Nunca tivemos uma família eleita para governar o país desde os tempos da monarquia.
Diferentemente das fake news do filho de Lula, aquelas do tipo ser dono da Friboi (e deve ter gente acreditando nisso até hoje), os filhos do incapaz são investigados por crimes mesmo. O Flávio, por exemplo, amissímo de milicianos, parece que recebia pelo menos a metade do salário dos que trabalhavam para ele. Usava o Queirós para arrecadar e fazer os depósitos na sua conta.
O filho de Lula foram procurar para tentar encontrar alguma coisa criminosa, não acharam nada e por isso inventaram até um carro de ouro de sua propriedade. Já Huguinho, Zézinho e Luizinho nos brindam diariamente com suas estrepolias. As vezes parecem mandar mais do que o Pato Donald.
E nesta semana de carnaval quando tudo parecia ser apenas Festa de Momo, que as pessoas estavam apenas brincando e se divertindo, eis que o maldito posta no seu Twitter um vídeo com cenas chulas. Uau, o chefe da nação expondo ao mundo inteiro seu ponto de vista sobre o nosso Carnaval, uma festa mundialmente conhecida que atrai turistas de todo lugar.
Repórteres internacionais que acompanham presidentes das nações de todo o planeta acharam inicialmente que poderia ser um erro, uma conta hackeada, um assessor que exagerou, qualquer coisa, menos que fosse um post do Chefe da Nação Brasileira. E era dele mesmo.
E lá estava o vídeo de um homem massageando seu ânus com o dedo e depois tomando um banho de urina. Visível para crianças, seus seguidores de todas as cores e para o mundo todo ver. Nem o presidente das Filipinas, o tresloucado Rodrigo Duterte seria capaz de uma proeza destas. E olha que o cara também é maluco de atar. Que mico.
O buraco parece não ter fundo e a cada dia caímos mais um pouco neste abismo que se transformou o Brasil. Sou um cara otimista, mas hoje não vejo luz no fim do túnel. Espero, talvez em breve, quando finalmente o povo sair as ruas para dar um basta ao nosso martírio e o Congresso tirar esta coisa do cargo, assistir ele descer a rampa do palácio. Quem sabe neste dia a gente escute algo do tipo: não fiz nada diferente do qual vocês não tivessem conhecimento desde o princípio. Essa sempre foi a minha natureza.
por Mauro Nadvorny | 25 jan, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Quando o Estado de Direito não existe, a sociedade como um todo se torna refém de um regime de exceção cujo poder está alheio aos princípios constitucionais e a lei se torna uma mera referência legal para perseguir seus opositores e perpetuação do regime.
Quem pensou que eu me referia a Venezuela, se enganou. Me refiro ao Brasil, onde não existe mais estado nem direitos. O que aconteceu com Jean Wyllys não é a ponta do Iceberg. É o Iceberg saindo fora d’água.
Um parlamentar eleito ter que deixar o país por falta das garantias constitucionais ao seu direito ao exercício do cargo por temos a sua vida escancara para o mundo o que está acontecendo no país. Com sua atitude, que muito nos entristece, Jean está dizendo em alto e bom tom: socorro!
Creio que uma vez resolvida a situação na Venezuela, o Brasil tem tudo para ocupar o seu lugar. Talvez não cheguemos aos níveis de verdadeiro desespero econômico que passam seus cidadãos com mais de dois milhões deles já tendo abandonado o país. Mas é certo de que com este governo e esta justiça atual, aquilo que conhecemos como democracia, direitos constitucionais, cidadania etc, deixarão de existir tal.
A esquerda precisa urgentemente reavaliar sua atuação neste novo cenário. Não é preciso muito conhecimento político para perceber que não haverá uma paridade de armas neste Congresso e tudo será feito de forma a mostrar clara e indubitavelmente quem são os novos donos do poder. Aos amigos a complacência e a benesse, aos inimigos o rigor do estatuto.
Já se nota uma guerra nos bastidores dos serviçais midiáticos. A rede de comunicação hegemônica não aceita ser relegada ao lugar que antes ocupavam seus concorrentes. Não são mais eles os donos de entrevistas exclusivas, tampouco os que recebem em primeira mão, ou com exclusividade as melhores notícias. Ainda esperneia mostrando que é capaz de colocar o dedo nas feridas da família real, mas também mostra o quanto pode ser subserviente se o rei assim o desejar, desde que lhe dê de volta seu lugar ao sol.
Para quem ainda não percebeu a gravidade da situação, eu sugiro abrir bem os olhos enquanto é tempo e podemos acessar informações livremente. Até isso pode mudar em breve e as informações disponibilizadas serão aquelas que agradam ao poder. Existem meios de bloquear sites e serviços na Internet e inúmeros regimes totalitários, ou muito próximo disso, já o fazem. Todos têm uma boa desculpa para isso.
A ida deste energúmeno a Davos foi risível de um lado, mas trágico de outro. O cara fez um discurso de mensagem de WhatsApp, ou de Twitter, como queiram. Fugiu da imprensa como o Diabo foge da cruz e seu melhor momento foi convidar todo mundo para passar férias no Brasil. Eis aí de presente cenas para filmes de comédia.
Eu não gosto de fazer prognósticos, aquelas previsões do que vai acontecer. Prefiro fazer uma leitura do que está acontecendo e mostrar onde isso pode levar. Desta maneira, ainda é possível tentar reverter alguns avanços fascistas e montar trincheiras para as batalhas que virão.
Nem tudo é só desgraça e o Carnaval está chegando. Nossa maior festa popular onde ainda é possível expressar nossa arte e nossa alegria. Esta é uma verdadeira festa do povo e todos ainda podem participar sem preconceito. Tomara continue assim.