Revolte-se

Pode-se continuar escrevendo sobre a quantidade impressionante de idiotices que este governo nos comtempla no dia a dia. É tanta coisa que as vezes me pergunto se são reais. Como se o que é normal fosse Fake News e vice-versa.

O que eu estou assistindo é um cara que comprou carteira de motorista para presidente dirigindo uma jamanta sem freio ladeira abaixo e ainda ver a família dele, hora ajudando a empurrar, hora querendo tomar a direção.

Se eu que estou fora do Brasil me sinto apavorado com a total e absoluta falta de rumo, planejamento zero e desmantelamento do que funcionava, imagino vocês que vivem este pesadelo diário.

Vejo muita gente divulgando os nomes dos deputados que estão votando a favor da reforma da Previdência pretendida pelo governo. Reforma esta que eles dizem vai salvar o futuro do Brasil como se o nosso presente fosse alguma maravilha. Eu não me surpreendo com estes deputados, são conhecidos pelo que são e ainda vão levar R$ 40,0 milhões em agradecimento. Para gente que rouba metade dos salários de seus funcionários de gabinetes, querem o que?

O que eu acho que temos de divulgar é os nomes dos que ajudam a eleger esta gente. Por incrível que pareça eles são eleitos com os votos de muita gente. Que criaturas são estas que presenteiam ladrões com cargos onde podem se locupletar às custas dos seus eleitores?

Tá tão bizarro que tem gente elogiando a Rede Globo quando fala mal do presidente e praguejando contra ela quando fala a favor da reforma na Previdência. As mesmas pessoas! O que está acontecendo com vocês?

A coisa está tão maluca que já vejo amigos elogiando o Mourão. O Mourão! O general que aceitou ser subalterno do capitão e que não cala a boca. Um vice-presidente que não sabe o seu lugar e não tem a menor ideia do cargo que ocupa. Um sujeito desprezível em um governo caótico. Pelo visto desprezível é uma virtude onde ele se encontra.

Calma, que ainda tem mais. Os filhos do presidente são um caso a parte. Disparam impropérios contra o vice-presidente e fazem rodízio para atacar tudo e todos que supostamente estão contra o pai deles. Usam de um português sofrível e pouco compreensível. Tuitam coisas sem nexo, ou na melhor das hipóteses besteiras contumazes. Uma família em ordem unida.

Vejo a bolsa caindo e o dólar subindo dia a dia. Gasolina a R$ 5,00 reais quando pela metade disso uma dondoca fez um escândalo nacional em um posto. Os empregos sendo perdidos, negócios quebrando e o governo perdoando dívidas de sonegadores amigos. Tudo isso num clima de Alice no País das Maravilhas onde o coelho é o grande intelectual das ações governamentais.

E como não falar do nosso Rasputin, um projeto mal-acabado de filósofo que não serve nem para astrólogo de contracapa de jornal. Este Olavo de Carvalho é a síntese do que estamos vivendo, aquele brasileiro que se dá bem porque é esperto. A personificação da Lei do Gerson. Um medíocre que conseguiu se tornar o guru de um bando de incapazes que foram premiados com bons cargos no governo.

E a nossa justiça? É uma piada pronta. O supremo tribunal da nação resolve determinar investigações sobre quem fala mal dela. Infringem a Constituição que deveriam salvaguardar contra aqueles que tentam usar do seu poder para proveito próprio. É a raposa tomando conta do galinheiro.

Não posso dizer que eu estou incrédulo com o que estou vendo. Tudo isso não começou de uma hora para outra, foi se somando aos desmandos causados desde o Impeachment da presidente Dilma. De lá para cá, todos os limites da lei foram rompidos sem que ninguém pagasse por isso, a não ser o Presidente Lula, que hoje é o um preso político nas mãos de seus algozes.

Como a Índia o Brasil é um país de castas. A casta superior vive das benesses que o estado lhe oferece. E com um povo que aceita calado tudo isso, fica bem mais fácil. Quando saem as ruas não é para reclamar dos que roubam, mas para terem o direito de poder roubar também. Para isso são capazes de adorar um Jesus numa Goiabeira e denunciar mamadeira de piroca enquanto queimam Kits Gay.

Isto não vai terminar bem. A questão é apenas de quanto tempo mais será preciso para a população sair para as ruas e demonstrar sua insatisfação.  Não estou falando dos frustrados com seus votos, estes vão permanecer escondidos atrás de suas panelas. Estou falando dos que sempre foram contra e agora sofrem as consequências como os demais. Despertem!

Só as ruas podem acabar com este tormento e cada dia perdido só vai tornar mais difícil e doloroso a recuperação. É nas ruas que nascem as grandes transformações, onde toda revolução popular começa e termina.

É chegada a hora de ir para a rua revoltar-se.

 

 

A Passarela dos Sem Noção

A Passarela dos Sem Noção

Nunca me vi como um ensaísta, mas este é o termo correto para aqueles que como eu escrevem expondo suas opiniões, críticas e ideias acerca de temas variados de forma livre e sem regras, sem um estilo definido.

Esta liberdade para escrever me permite expressar sentimentos que ficam guardados por uma semana. Escrevo todas as sextas-feiras quando começa o final de semana aqui em Israel. Por muitos dias fico pensando no que escrever e, não raro, chego ao computador sem qualquer propósito e as palavras começam a ser digitadas dando forma ao texto.

Esta semana fui surpreendido por uma notícia que chamou atenção pelo seu significado, mais do que pelo seu propósito. No Mato Grosso foi realizado um desfile de adoção dentro de um shopping.

Recebeu o nome de “Adoção na Passarela”. Uma das organizadoras do evento foi a Seccional Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT) e o Pantanal o Shopping foi a sede. Ambos já emitiram notas se desculpando.

Eu acredito de verdade que os organizadores tinham a melhor das intenções. Existem centenas de crianças aguardando por adoção e pensaram que as colocando em uma passarela teriam visibilidade para conseguirem uma família.

Claro que as pessoas normais entendem da importância da adoção voluntária. Óbvio que nos comovemos ao saber do número de crianças que aguardam uma família e que talvez nunca encontrem. Isso é de cortar o coração. Tudo que for possível em prol delas é válido. Tudo?

Como é que pessoas sensatas concluem que expor crianças já sentimentalmente machucadas em uma passarela que pode, ou não resultar em uma adoção, vai melhorar a situação delas? O que acontece com aquelas que vão voltar para o abrigo?

Pode parecer maldade, mas não há como não relacionar um evento destes com as feiras de escravos, ou desfiles de animais domésticos para adoção. A participação destas crianças, expostas desta maneira, só piora a situação delas a longo prazo.

Vamos imaginar o contrário. Uma feira de pais adotivos. Casais desfilando em uma passarela para crianças escolherem com quem desejam serem adotadas. O que aconteceria com os casais rejeitados?

Talvez se tivessem realizado um evento que proporcionasse aos pais interessados em adoção a conhecerem os abrigos, o sistema legal e finalmente as crianças em um ambiente controlado e supervisionado, o efeito tivesse sido outro.

De toda maneira, o caso nos faz refletir sobre as causas de tantas crianças aguardarem por adoção. São inúmeras e vão desde mães solteiras que entregam seus bebes, até de crianças retiradas de famílias destroçadas onde eram abusadas. Não existe nenhuma boa razão, somente tristeza.

Aquelas que não são adotadas ainda bebês, têm menos chances de conseguirem uma família. As que não são brancas também perdem pontos. Finalmente aquelas com qualquer tipo de necessidade especial, dificilmente vão deixar o abrigo. Esta é a triste realidade com honrosas exceções.

Por isso eu disse logo no inicio que acredito que os organizadores podem ter tido a melhor das intenções, mas foram extremamente infelizes no que fizeram e por isso tantas críticas, inclusive a minha.

Não esperem deste governo nenhuma atitude para melhorar a situação destas crianças. O aumento do desemprego e da pobreza extrema com a fome vai levar mais crianças para o estado de vulnerabilidade crônica e consequentemente para os abrigos. Estas crianças privadas de alimentação correta terão seu desenvolvimento prejudicado para toda a vida e terão suas chances de adoção diminuídas.

A estagnação econômica faz vítimas que não podem se expressar e muito menos se defenderem. Nós precisamos ser suas vozes. Dia 30 de maio todos às ruas.

 

 

A Revolução dos Livros

Nunca ofenda os estudantes. Principalmente em um país onde eles já saíram as ruas por causa de um aumento de R$ 0,20 centavos na passagem do ônibus. Regra básica para bons entendedores.

As manifestações que se realizaram em todo o Brasil, as primeiras organizadas depois das eleições, mostram que quebrar aquela regra não foi uma boa ideia. Melhor, conseguiram unificar estudantes com professores, pais com filhos, até mesmo quem já foi universitário um dia, todos que compreendem a importância das universidades no desenvolvimento de uma nação.

Primeiro quiseram fechar os cursos de humanas. Depois cortaram verbas essenciais a manutenção das universidades e dos projetos de pesquisa. Quiseram provar que 35 é igual a 3,5 em termos percentuais “chocolatais”. Aí foi demais, a água ferveu.

Eu venho dizendo há tempo que as ruas precisavam ser ocupadas e preciso agradecer ao bando de incompetentes que compõe este governo pela ajuda prestada. É incrível a capacidade deles de irritarem todo mundo.

As ruas de todas as capitais e outras dezenas de cidades foram tomadas por manifestantes. Na minha opinião, ainda de forma tímida. Precisamos do efeito avalanche e ele vai acontecer. Na medida em que novas convocações sejam feitas, mais gente vai se somar e logo teremos números nunca antes vistos no Brasil.

Estamos diante de uma revolução que não utilizará armas de fogo, esta será a Revolução dos Livros. Nenhum país do mundo pode melhorar a vida de sua população se não melhorar o nível da educação para todos os seus cidadãos.

O conhecimento é o pilar do desenvolvimento. Lula percebeu isso desde o primeiro dia como presidente. Não apenas apoiou as universidades existentes, como criou novas. Permitiu que estudantes de baixa renda chegassem a elas. Especializações no exterior com bolsas de estudo, cotas e tudo que era necessário para melhorar o nível dos nossos estudantes, Lula não mediu esforços. Reservou parte da riqueza do Pré-sal para a educação.

Este governo, sem nenhum projeto em nenhuma área, resolveu atacar a ciência, a pesquisa e toda forma de produção de conhecimento. Querem um país de empregados subordinados a classe dominante. Pessoas inteligentes podem se tornar um perigo.

A inépcia dos ministros já é conhecida. Bizarrices e trapalhadas diárias produzem o efeito esperado, economia estagnada, aumento do desemprego, menos segurança nas ruas, queda nas vendas, aumento de falências, fechamento de negócios, enfim tudo em que é possível piorar, estamos liderando.

Contudo faltava uma faísca para dar ignição ao processo de desencantamento amplo, geral e irrestrito. O grito que estava preso nas gargantas foi libertado e o povo gritou, gritou muito, e foi lindo escutar.

As mãos que nunca se soltaram, vieram para as ruas. Os que resistiram ao choque da perda da eleição e nunca desistiram, vieram para as ruas. Os que nunca deixaram de denunciar os descalabros, vieram para as ruas. Enquanto estavam destruindo nosso presente, suportamos a dor, mas quando quiseram destruir nosso futuro, fomos todos para as ruas.

A revolução mal começou, existe um longo caminho a ser percorrido. Cada dia mais gente vai se somar, mais pessoas vão acordar desde pesadelo, mais indivíduos vão dar as mãos. Nossa arma são os livros e com eles vamos recuperar o Brasil para todos os brasileiros.

 

 

O projeto

Nem todas pessoas se preocupam com a política. Algumas nem se importam com os outros. Aos outros me refiro aqueles além delas próprias. Eu sei, é chato de dizer, mas existem um monte de gente assim.

Entre aquelas que se importam com os outros, e aquelas que compreendem a importância da política, existem os ideológicamente engajados. Pessoas que desejam um mundo melhor. Tudo bem, isso soa como um clichê, se parece com um clichê e portanto é mesmo um clichê. No entanto é aquele tipo de clichê que os que se alinham a esquerda no espectro político compreendem muito bem.

Quando a gente fala de um mundo melhor de se viver, estamos falando de um mundo mais justo, com as mesmas oportunidades para todos, mais humano, que respeita a natureza, os direitos dos animais, que entende os cientistas que falam do aquecimento global, que sabem que a Terra é redonda e principalmente acima de tudo, tem plena consciência de que não existe mamadeira de piroca e nem Kit Gay.

Somos aquele tipo de gente que adora discutir projetos políticos, inclusive projetos diferentes dos nossos. Não temos problema em argumentar e discutir nossos pontos de vista, sempre respeitando o direito de outros discordarem.

O nosso grande problema atualmente é que não temos como contrapor nosso projeto ao outro projeto porque ele não existe. O cara que elegeram presidente não tem projeto nenhum para coisa nenhuma. Não é possível oferecer outra opção, porque a primeira não está acontecendo.

A ação do cara é apenas destruir tudo que foi construído até hoje sem colocar nada no lugar. Não é novidade já que quando estava no exército sua grande ideia foi colocar uma bomba para destruir tudo. Deve ser alguma coisa mal resolvida da infância. Ele devia ser aquele idiota da praia que destruiu nossos castelos de areia.

Existem dois tipos de destruidores, o que destrói por prazer e o que destrói por compulção. Bolsonaro destroi por compulção. O importante é por abaixo sem medir as consequências. Não fosse uns poucos lúcidos que não sei o que estão fazendo neste governo, a destruição já teria atingido níveis muito mais alarmantes. Na verdade eles tentam segurar a onda por um tempo sabendo que não vão ser capazes de fazê-lo para sempre.

Neste quadro, não existe solução senão substituir o presidente. Ele deveria ser declarado incapaz para o cargo. É um elefante numa loja de cristais balançando o rabo e abanando as orelhas. O desastre não é mais uma previsão, é visível, é realidade.

Se o povo não tomar as ruas, o tamanho do buraco vai levar décadas para ser fechado. Só um movimento solidário do campo progressista com aqueles que se arrependeram do voto será capaz de produzir uma mudança de rumo. É o momento de afastar as nossas diferenças, de encontrar o que temos em comum e lutar ombro a ombro pela mudança já.

Preparar a Greve Geral, explicar sua importância em todas as rodas, em todos os lugares é imperativo. A greve será o termômetro da nossa capacidade de aglutinar forças. De unir os movimentos sociais da cidade e do campo, de somar com os estudantes e todos os trabalhadores. Unidos somos fortes.

Nós temos um projeto.

 

 

 

Um debilóide

Muita coisa já foi escrita sobre o Holocausto. Um evento desta magnitude, quando uma máquina estatal foi criada para aniquilar um povo, deixou marcas de todo tipo. Existem heróis e covardes, combatentes e apoiadores, erros e acertos. Tudo já foi escrutinado.

Um acidente da natureza como um terremoto, um tsunami deixam marcas visíveis. Vidas perdidas, casas destruidas, quase o efeito de uma guerra. A diferença é que são eventos naturais e por mais dor e destruição que causem, existe uma explicação, o que se não serve como conforto, ao menos compreendemos a inevitabilidade do que aconteceu.

Quando falamos do Holocausto estamos falando de um evento acontecido em meio a uma guerra mundial. Uma guerra declarada por um país que culturalmente se encontrava em um nível acima da maioria das nações vizinhas. Que possuía um sistema de governo democrático e que supostamente havia aprendido os erros da guerra anterior.

Havia desemprego e uma crise econômica herdada da guerra e dos acordos assumidos com os vencedores. Judeus conviviam em harmonia dentro da sociedade e muitos casamentos mistos aconteciam juntamente com uma boa parcela de assimilação (judeus não praticantes que nem mais se reconheciam como tal).

A Alemanha, apesar da primeira guerra, ainda era um país plenamente desenvolvido. Nada disso foi suficiente para evitar o que aconteceu e a transformação para um sistema militarizado, antidemocrático, xenófobo, homofóbico e antissemita foi uma consequência do desejo do povo alemão daquela época.

Mas foi principalmente o cidadão comum, aliado com uma elite burguesa, que viram naquele líder carismático e pouco simpático, a oportunidade de ascensão social e econômica. Inicialmente não estavam tão preocupados com os judeus. Os socialistas e comunistas eram o principal inimigo. A democracia um regime a ser substituído por um autoritário.

A sociedade alemã fez então a sua escolha, assim como a brasileira o fez agora. Todos os sinais de que era um erro, de que nada deveria substituir a democracia, de que uma nova guerra viria eram visíveis. Nada foi capaz de mudar o destino. A Alemanha sucumbiu ao canto da sereia, as promessas de uma grande nação, de um futuro brilhante, livres do comunismo e também dos judeus. Uma Alemanha de alemães puros.

Hitler se mostrava um orador brilhante. Sua oratória aliada ao magnífico espetáculo cenográfico levava as pessoas ao delírio. Tudo era bem coordenado e muito bem executado para criar o máximo efeito visual possível. E deu certo. Líder nato ele sabia exatamente o que deveria ser feito e executou seu plano metodicamente. As consequências para o mundo em geral e os judeus em particular, foi catastrófica. Sem falar para a Alemanha.

Ao contrário do líder alemão Bolsonaro se fosse um orador, já seria alguma coisa. Para nossa sorte ele nem chega a isso. Elevado a presidência também por uma elite burguesa, ele não tem a menor ideia do que isso representa. Parece o novo rico, um cidadão humilde que ganha na loteria e se torna milionário da noite para o dia. Pode fazer qualquer coisa, mas não tem a menor ideia de como fazer.

Bolsonaro não tem classe para ser presidente do Brasil. Não tem envergadura, não possui as mínimas condições que o cargo exige. Nem sabe o que o cargo significa, o que exige e o que pode fazer como presidente. Está brincando de novo rico.

Usa os filhos como uma extensão de seu cargo. Distribui medalhas para seus amigos. Coloca gente em cargos totalmente fora de suas áreas de atuação e faz do Twitter seu palanque. O cara é um verdadeiro debiloide. Não o digo com a intenção pejorativa que a palavra carrega, mas como forma de definir com mais precisão o tipo de pessoa que ele é.

Felizmente Bolsonaro nunca será um Hitler. Mas em comum possui a mesma arrogância, a mesma fantasia homofóbica, o mesmo discurso de atribuir os males da nação a um grupo específico, no caso o Partido dos Trabalhadores. Ao contrário da besta alemã que subjugou povos para baterem continência a bandeira nazista, Bolsonaro é uma besta que voluntariamente bateu continência a bandeira americana.

Hitler destruiu a Alemanha. Foi o responsável pela divisão do país, de todo o sofrimento causado as nações que se envolveram na guerra e principalmente pelo assassinato de 6 milhões de judeus, entre eles inúmeros familiares meus. O que ele fez é imperdoável.

Bolsonaro vai destruir apenas o Brasil. Diariamente de uma maneira atarantada, ele vai derrubando os pilares das conquistas sociais que ajudaram a diminuir as diferenças sociais, que acabaram com a fome, que levaram a mais educação, que aprimoraram o respeito aos direitos humanos, que tornaram o Brasil um pais respeitado no cenário mundial. Em breve, possivelmente vai cobrar proteção da população como todo bom miliciano.

Nesta data de recordação do Holocausto, não podia deixar de continuar alertando meus leitores das consequências de uma má escolha. A maioria assim o quis e todos vão pagar por ela. Enquanto não for dado um basta, o país vai continuar ladeira abaixo e diferentemente da Alemanha que teve ajuda para sua reconstrução, o Brasil vai custar muito a se recuperar.

 

 

O Assassino da História

Não está sendo fácil para os brasileiros que vivem no exterior. Ter que tentar explicar as besteiras que são ditas pelo presidente do país está sendo cada vez mais difícil.

Eu conheço muita gente que defende o fato da história ter sido escrita pelos vencedores para fabricar novas narrativas, até aí algo compreensível. O problema é quando a total falta de conhecimento histórico leva uma criatura a dizer que o Partido Nazista era de esquerda porque tinha “socialista” no nome (Partido Nacional Socialista). Não qualquer criatura, o Presidente do Brasil ao sair de uma visita ao Museu do Holocausto.

O fato de não saber falar outros idiomas é perdoável. A falta de informação sobre o lugar que está visitando, não ter ideia do motivo da construção do monumento onde está depositando uma coroa de flores e não saber a razão deste local ser incluído nas visitas de dignitários estrangeiros, isso é imperdoável.

A situação foi tão vexatória que assim que sua declaração chegou aos canais de mídia, a imprensa israelense que estava fazendo uma cobertura morna, passou a ataca-lo sem piedade. Vídeos de suas declarações homofóbicas e misóginas surgiram nos noticiários das TVs e o próprio Museu do Holocausto foi questionado, acabando por emitir uma nota onde afirmou que a declaração do presidente brasileiro era equivocada.

Existem muitos assassinos da memória, os conhecidos negadores do Holocausto. Pessoas que afirmam que os nazistas não mataram seis milhões de judeus e que as mortes de alguns milhares nos campos de concentração se deveram a doenças e outros fatores naturais.

Estamos agora diante de um novo conceito, o de assassinos da história. Pessoas que tentam reescrever fatos históricos baseados na linguística, na maneira como de denominavam os movimentos envolvidos. Se um deles tem a palavra Democrata no nome, ele é democrata, se tem a palavra Nacional, ele é nacionalista, e assim por diante. Em sendo assim, Socialista no nome, só pode ser de esquerda.

Se para uma pessoa comum isto é um absurdo, imaginem para nós judeus termos de escutar uma barbaridade destas. Ele, o presidente do país, dando uma declaração estapafúrdia em Israel, na porta do Museu do Holocausto, que afirma em seu site ao explicar a frustração do povo alemão após a Primeira Guerra que “junto a intransigente resistência e alertas sobre a crescente ameaça do Comunismo, criou solo fértil para o crescimento de grupos radicais de direita na Alemanha, gerando entidades como o Partido Nazista”.

A visita de Bolsonaro não será lembrada aqui pelo fato de não cumprir sua promessa de mover a embaixada do Brasil para Jerusalém. Tampouco pela abertura do escritório comercial em Jerusalém. Muito menos pela visita não protocolar ao Muro das Lamentações e assinar o livro de visitante a um grupo extremista que deseja derrubar as Mesquitas do Monte do Templo para lá construir o Terceiro Templo de Israel. Nem falar dos acordos de intenção que não servem para nada. O que ficou marcado para os israelenses foi “o que aquele presidente idiota do Brasil disse antes de ir embora”.

Interessante mencionar que as entidades judaicas brasileiras representativas da comunidade ficaram em silencio. Somente os grupos judaicos na resistência emitiram nota de repúdio e escreveram artigos contra tamanho absurdo.

O silêncio das entidades oficiais, Federações e Confederação ao oficialmente se omitirem, ou ressaltando o aspecto positivo de que ele ao menos visitou Israel, mostra bem o lado trágico da nossa história. Não foi muito diferente na Alemanha antes da ascensão de Hitler. O fenômeno do fascismo judaico sempre foi uma mancha negra no nosso passado que volta para nos assombrar.

Felizmente existe o outro lado. Vários grupos de resistência judaica democrática existem neste momento fazendo um trabalho fantástico de oposição a este governo fascista. Cada um contribui à sua maneira. Todos somam diariamente ações de vigília e de esclarecimento sobre os acontecimentos. Eles são o verdadeiro espírito judaico humanista. Assim foi também na Alemanha Nazista.