por Mauro Nadvorny | 3 jun, 2010 | Sem Categoria
Por Mauro J. Nadvorny Desde a malfadada ação de Israel contra os barcos de ajuda humanitária que tenho ficado calado. Mesmo diante de sentimentos de perplexidade, tristeza, raiva e compaixão, permaneci quieto.Esperei até o dia de hoje aguardando que todos falassem e expusessem suas opiniões. Mais, esperei que a poeira baixasse aguardando por algum novo desdobramento, uma nova revelação. Esperei para ver estampado nos noticiários o material bélico que Israel mostraria haver encontrado em meio a ajuda humanitária. Uma prova qualquer irrefutável que pudesse minimamente justificar tamanha estupidez. Nada apareceu.Atacar um comboio humanitário da forma como foi planejado permite se falar em premeditação de mortes. Exércitos são treinados para matar, mesmo que sob o eufemismo de “exército de defesa”, todo soldado aprende que é melhor atirar antes e perguntar depois. Portanto enviar uma tropa treinada na arte de matar para atacar navios de civis sabidamente compostos de pacifistas rancorosos com Israel, foi premeditar o desastre da operação com a consequente morte de inocentes. Para completar o que já era terrível, foi realizá-la em águas internacionais.Dizer que os soldados foram atacados e atiraram para defender suas vidas é menosprezar nossa inteligência. Todas as cenas filmadas de dentro e de fora dos navios mostram tropas armadas atacando um barco com ajuda humanitária. Mostram soldados totalmente desorientados em confronto com civis. Homens sem nenhuma orientação tática de como enfrentar aquela situação. Manifestações de civis são contidas por tropas policiais treinadas neste tipo de trabalho. Muitas vezes os manifestantes fazem uso de paus, pedras e até coquetéis Molotov, nem por isso policiais fazem uso de armas de fogo. Qualquer investigação independente vai chegar a uma única conclusão: a tomada de navios com ajuda humanitária em águas internacionais agravada com a morte de inocentes, é um ato de pirataria.Sou obrigado a voltar no tempo para dizer que nada disso teria acontecido se não fosse mantido o bloqueio de Gaza. Uma ação sem sentido algum, ineficaz e totalmente imprópria sob a lei internacional que proíbe o castigo coletivo. Mas Israel é reincidente em matéria de desprezo as leis internacionais. O ataque recente a Gaza com o massacre de centenas de civis mostra que o atual governo do país acha que se encontra acima dos direitos e obrigações que todos os países democráticos impõe a si próprios.O governo de Israel conseguiu mais uma vez unir nossos inimigos e somar a eles nosso últimos amigos. O mundo não é povoado somente de anti-semitas. O mundo é cada vez mais formado por pessoas que se importam. Pessoas que desejam um mundo melhor para todos. Pessoas que não aceitam que um milhão e meio de pessoas permaneçam confinadas numa imensa prisão territorial sem ajuda alguma e impedidas de reconstruírem seus lares, seus hospitais, suas fábricas etc. São homens e mulheres que participam hora de uma luta para salvar um animal em extinção, hora para enviar ajuda para quem sente fome.Os jornais israelenses são unânimes em afirmar que o bloqueio não serviu para nada. Quer Israel goste, ou não o Hamas está lá para ficar. Por mais odiosos que possam ser para alguns, o regime do Hamas foi legitimamente eleito pelo povo palestino. Ganhou, mas não levou e deu no que deu.Em meio a toda esta situação ninguém lembrou de Gilad Shalit. O soldado esquecido. Uma vergonha nacional. Todos os esforços são feitos para impedir que ele seja libertado. Até mesmo os melhores negociadores de países amigos estão desistindo. Toda vez que se chega a um entendimento o governo de Israel impõe novas condições que impedem um desfecho feliz. Uma lição para os futuros soldados, não se deixe capturar vivo quando estiver servindo ao seu país, ou passe os melhores anos de sua vida numa prisão em terra estranha.Dias tristes para Israel e para todos nós, judeus humanistas que se importam com o caminho paranóico de enfrentamento que o atual governo impôs ao país. O primeiro-ministro foi a TV para anunciar o triunfo da operação que impediu que o Irã conseguisse abrir um porto de terrorismo em Gaza. Israel mais uma vez salvou o mundo! Quem não acreditar não acredita em Papei Noel, Coelhinho da Páscoa, e principalmente não credita em Nethanyau porque é um verdadeiro anti-semita.Ao menos em meio a tanta insensatez muitas vozes contra mais este ato de barbárie se fizeram escutar em Israel. Mais e mais israelenses estão colocando o dedo em suas consciências e percebendo que existem limites para quem deseja viver em paz no seio dos povos do mundo. Que nas próximas eleições, sejam a maioria.
por Mauro Nadvorny | 2 abr, 2007 | Sem Categoria
Diante do lamentável fato ocorrido com o Sobel, vejo manifestações de todo tipo circularem pela Internet numa velocidade que só mesmo estes tempos de hoje podem permitir.
De um lado, o bom humor judaico e não judaico fazendo graça do ocorrido. De outro os antisemitas de sempre impondo a condição de ladrões a todo povo judeu em geral, e a Sobel em particular.
Acima de tudo vejo as correntes de solidariedade que vem de todas as direções e que fazem de Sobel uma das pessoas mais queridas da comunidade. E não faltam razões para isso, ao menos aparentemente.
Talvez o caso mais emblemático de todos seja o de Vladimir Herzog. Assassinado pela ditadura, Sobel não permitiu que ele fosse enterrado como suicida (versão dos assassinos), e literalmente peitou os milicos.
Sobel tem também a seu fazer um brilhante trabalho ecumênico, principalmente na aproximação da igreja católica com o judaísmo.
Tudo isso não apaga o fato de que ele furtou algumas gravatas de lojas em Miami. Para alguém como ele, a única explicação condizente será cleptomania. Como esta não é uma doença que se adquire da noite para o dia, me atrevo a dizer que a doença era de conhecimento de seus amigos mais próximos e nunca tratada com a devida importância.
Pessoalmente não guardo boas recordações de Sobel. Durante minha militância em movimento juvenil certa vez durante a ditadura, acompanhamos uma família que fazia Aliá cujos filhos eram nossos companheiros, até o aeroporto. Fomos com faixas e bandeiras de Israel para nos despedir. Lá estavam alguns proeminentes membros da comunidade que horrorizados com nossa festa queriam que enrolássemos as bandeiras de Israel. Passados poucos dias, Sobel veio ao estado fazer uma palestra. Lá estávamos nós para ver e escutar o grande rabino. Ao final o acontecido no aeroporto foi questionado e a resposta dele: porque não portar também bandeiras do Brasil? Contado de forma muita resumida e trazido para os dias de hoje, sem dúvida parece ter pouca importância, mas na época foi um balde de água fria numa juventude sionista.
Durante o caso Elwanger também não guardo boas recordações de Sobel. Ciente de todas as dificuldades que o Movimento Popular Anti-racismo enfrentava, nunca se envolveu. Lá estavam judeus e negros unidos contra um nazista e ainda tendo de lutar contra as forças da comunidade judaica que tentavam impedir uma ação contra o ressurgimento do neonazismo.
Mesmo depois de encerrado o caso, foi incapaz de se manifestar em defesa de uma organização não judaica que até hoje tem dois membros acionados na justiça a pagar custas de um processo que moveram em nome da honra.
A mim, sempre ficou a nítida impressão de um Sobel que gosta de holofotes, muito mais do que uma pessoa realmente comprometida com um mundo melhor. Um sujeito esquisito, egocêntrico cujo nome adquiriu muito mais respeito do que a importância de suas atitudes, até esta semana.
Contudo me permito ainda lamentar o que está acontecendo. Deixando de ser egoísta talvez, ou mesquinho, me rendo ao fato de que seu passado representou um marco importante pata a restauração da democracia no Brasil e para o diálogo judaico-cristão.
Não vou assinar nenhuma lista de solidariedade, esperando a compreensão de quem chegou até aqui, mas desejo a ele que se recupere plenamente tratando de seu distúrbio e que futuramente tenha um pouco mais de humildade para com todos que o cercam e admiram.
Não é minha atenção ferir suscetibilidades e tampouco abrir uma linha de discussão. Respeito a todas opiniões contrárias e peço apenas que tratem a minha como mais uma dada entre tantas.
por Mauro Nadvorny | 29 ago, 2006 | Israel, Oriente Médio
Sou brasileiro, sionista-socialista e fui contra esta guerra, por princípios pacifistas. No entanto, sou obrigado a responder à sua mensagem dirigida ao Paz Agora – Brasil porque me sinto ultrajado diante de tantas inverdades.
O ato público “contra o massacre no Líbano e na Palestina”, realizado na Cidade Universitária (USP), Campus do Butantã, foi sim um ato racista e desrespeitoso para com a vida humana. Não foram apenas libanesas as vítimas deste conflito. Existiram vítimas israelenses também.
Sua mensagem esconde o que realmente aconteceu. O conflito teve inicio devido a um ataque de extremistas libaneses contra o Estado de Israel. As primeiras vítimas desta guerra foram 8 soldados israelenses, e dois sobreviventes do ataque encontram-se ainda desaparecidos, supostamente em mãos destes extremistas.
Eu só posso compreender as razões para a realização de um ato, que levou em conta apenas as vítimas humanas de um lado, como sendo a prática desonesta hedionda de atribuir pesos e valores diferentes às vidas humanas. Atitude incompatível para uma Universidade, e, mais ainda, quando parte de setores ditos progressistas.
O ato convocado por sua pessoa como tendo um “sentido humanitário” (protestar contra o massacre da população civil do Líbano e da Palestina, especialmente crianças e idosos ), continha também um sentido político: o de condenar o ataque injustificado a um Estado soberano, reconhecido pela comunidade internacional, pelo exército israelense – infinitamente mais poderoso que seus adversários – apoiado pelos Estados Unidos da América. “, Os termos propostos neste Ato recebem o meu total repúdio e confirmam a natureza racista do mesmo. Todo estado soberano tem direito a defender sua população, não tendo sido o ataque ao Líbano um ato injustificado.
A intenção de misturar deliberadamente o conflito palestino com o que aconteceu no Líbano, demonstra sua total falta de conhecimento sobre o que ocorre naquela região. Ela tem como única razão de existir a deliberada intenção de trazer à tona uma grande tragédia histórica, para justificar seu ato racista.
O Exército de Defesa de Israel é reconhecido como um dos melhores exércitos do mundo. Isto não serve de glória e nem de consolo para os que ficaram nos campos de batalha. Israel foi obrigado a se defender desde o dia da sua Independência.
A operação no Líbano foi uma estupidez. Coisa de generais que enxergam apenas mapas. Pessoalmente, fui contra a forma escolhida para responder ao ataque de extremistas libaneses contra Israel. O uso excessivo da força trouxe como conseqüência o que os milicos chamam de “efeitos colaterais” e nós , pacifistas, de perdas humanas injustificáveis. Eu, diferente do senhor, lamento por todas as vidas humanas perdidas, israelenses e libanesas.
A resposta dos extremistas libaneses não foi menos cruel. O despejo diário de centenas de mísseis sobre a população civil israelense é da mesma forma, condenável. As perdas em vidas civis dentro de Israel foram minoradas graças à existência de abrigos antiaéreos construídos para proteger a população devido as guerras em que o país foi atacado. Entretanto, não encontrei, em sua missiva, uma única menção ao bombardeio diário, com foguetes que poucos exércitos do mundo têm, contra civis, e as perdas humanas decorrentes dele. Civis dos dois lados morreram. A guerra foi conscientemente criminosa pelos dois lados. Lembre-se, Professor, de que as vidas humanas são todas preciosas. As lágrimas das mães libanesas são as mesmas das mães israelenses.
Sua retórica relativa ao Hezbollah, “organização de profissão islâmica – que não é considerada uma organização terrorista pelo Brasil ” demonstra bem o caráter manipulador dos fatos aos quais, intencionalmente, o senhor lança mão ao longo de sua missiva.
– Por que não disse que em nenhum estado democrático do mundo existe uma força militar que não seja o exército constitucional?
– Por que não disse que esta organização tem como princípio a destruição do Estado de Israel?
– Por que não disse que o método encontrado por eles para libertarem presos foi à invasão do território israelense e que esta não foi à primeira vez?
– Por que não disse que este grupo armado é um Estado dentro do Estado libanês, com leis e órgãos próprios?
– Por que não disse que este grupo de resistência resiste, acima de tudo, a se submeter às leis do Estado libanês e depor as armas?
– Por que não disse que eles são apoiados pela Síria, uma ditadura de pai para filho, que assassinou o ex – primeiro ministro Hariri , e pelo Irã, uma ditadura de Aitolás, que está desafiando a ordem mundial para construir armas atômicas?
– Por que não disse que Israel se retirou até o último centímetro do Líbano em 2000, conforme resolução da ONU, e que o minúsculo território conhecido como “Fazendas de Shebaa” nunca pertenceu ao Líbano e fazem parte do território sírio ocupado?
O panfleto do SINTUSP foi sim uma publicação racista. Apregoar a destruição do Estado de Israel é uma afirmativa que atinge a todos os defensores da liberdade e setores progressistas judaicos ou não, sionistas ou não.
O Estado de Israel é um fato. Trazer a baila se deveria ou não ter sido criado é uma discussão inócua que mascara, unicamente, o racismo de sua missiva. Atribuir sua criação como uma forma do mundo se desculpar pelo Holocausto é uma ofensa ao povo judeu, em geral, e às vítimas, em particular. A luta pelo restabelecimento do Lar Nacional Judaico nunca deixou de existir durante toda a diáspora judaica. Este lar só poderia ser estabelecido onde ele sempre existiu.
Quando o senhor afirma que “Desde então, as fronteiras desse Estado – dito democrático, mas na verdade confessional, e atualmente dirigido por uma casta religiosa e militar reacionária; dotado de um exército e de um poder de fogo (incluídas centenas de ogivas nucleares) totalmente desproporcionais ao seu tamanho geográfico, demográfico ou econômico, isto devido ao apoio institucional e multifacetado dos EUA – essas fronteiras se expandiram constantemente, em relação àquelas da resolução original da ONU, que legitimou a sua criação. ” omite, propositadamente, que esta nação é a única democracia da região. Esquece de dizer que todas as eleições em Israel são livres, e delas participam todos os cidadão israelenses de todas as etnias que se fazem representar no parlamento em partidos livres. Esquece, também, que Gaza e Cisjordânia estiveram nas mãos do Egito e da Jordânia, respectivamente, até 1967, territórios que então poderiam ter sido oferecidos aos palestinos para a criação de seu Estado.
Quando menciona que “O balanço histórico é que o Estado sionista, em todas as suas versões políticas (de direita, de esquerda, de centro ou, como hoje, de coalizão esquerda-direita-centro) só sobreviveu e sobrevive com base no massacre permanente dos povos da região “, não conta que em todas as guerras em que Israel se viu envolvido, foi atacado primeiro por seus vizinhos. Esquece convenientemente de mencionar quais os massacres e a que povos da região.
Sim, caro professor, é um crime contra a verdade constatar “que o Estado sionista só conseguiu e consegue se viabilizar como um ghetto militarizado, odiado por todos os povos da região?”, se não for mencionado o fato de que já existem relações diplomáticas entre Israel e Egito e Israel e Jordânia, e que o próprio povo palestino em sua maioria aceita o Estado de Israel e é favorável a um acordo de paz que crie um Estado Palestino ao seu lado..
“Será crime defender o direito de todos os palestinos retornarem às suas terras e lares, das quais foram violentamente expropriados de 1948 em diante? ” Sim, será, se não mencionar que centenas de milhares de judeus foram expulsos dos países árabes e tiveram suas propriedades confiscadas. Sim, se não contar que esta população de refugiados palestinos, em sua imensa maioria foi chamada a abandonar seus lares para que os exércitos árabes pudessem jogar os judeus ao mar. Sim, será crime, se não contar que em todos os países árabes onde esta população palestina se estabeleceu, foi e é tratada, até os dias de hoje, como refugiados por seus irmãos árabes. Sim será crime se não observar que esta opção de defender este retorno é totalmente inexeqüível.
“Será crime, será anti-semitismo, pensar e defender a opinião de que, nessas condições, somente um Estado único, laico e democrático, em que coexistam populações árabes e judaicas, em todo o território da Palestina histórica, ofereceria uma saída de fundo ao drama histórico desses povos? Não, isto não é crime. Isto é apenas uma opinião sem fundamento e sem amparo na realidade. É uma proposta que nenhuma liderança do povo palestino e nem do povo israelense sequer mencionam.
Em contrapartida ao seu devaneio, defendido por um punhado de desconhecidos, sem apoio algum de qualquer liderança representativa séria, entendo, assim como a maioria dos dois povos , que a única alternativa na região é o estabelecimento de um Estado Palestino nas fronteiras de 1967. Um Estado democrático que conviva em paz com o Estado de Israel.
O senhor tem razão quando afirma que esta sua opinião, apenas, não pode servir para qualificá-lo como “racista, anti-semita ou, pior ainda, de constituir um chamado ao extermínio do povo judeu. ” É o conjunto de suas afirmações e, principalmente, o conjunto de suas omissões, que nos permitem qualificá-lo como tal.
Veja bem: é verdade que “Foi uma Assembléia Geral da ONU, com presença de mais de 150 Estados soberanos, que condenou o sionismo (não o judaísmo, claro) como “uma forma de racismo”. Sim, mas seria importante que tivesse mencionado que aquela Assembléia se deu sob a avassaladora pressão de dezenas de países árabes exportadores de petróleo tirando proveito do poder econômico dos petrodólares por eles acumulados no primeiro choque do petróleo que deixou o mundo aos seus pés. É também verdade, mas o senhor esqueceu de completar, que a mesma Assembléia geral da ONU revogou mais tarde esta resolução. Mas isto o senhor precisa omitir.
É fato que “uma minoria da esquerda judia lutou e luta bravamente em Israel contra a guerra: organizou manifestações importantes em Tel Aviv e até em Haifa, no próprio decorrer das hostilidades.”, da qual tenho orgulho em fazer parte. No entanto, ela não é uma minoria judia, ela é uma minoria israelense, composta de cidadãos israelenses, judeus e não judeus.
Por fim, caro professor, quero esclarecer que a luta contra a injustiça é uma luta de todos os setores progressistas de todos os países do mundo. E nela diferentemente da sua pessoa, nos solidarizamos tanto ao povo israelense, quanto aos povos palestinos e libanês nos seus anseios pela liberdade, independência e respeito aos direitos humanos.
Da mesma forma a luta contra todo tipo de racismo e discriminação é uma luta de toda humanidade em respeito à raça humana.
De fato “Só haverá paz se houver justiça e respeito aos direitos de todos os povos, no Médio Oriente e no mundo todo”. Comece, portanto, a respeitar o meu povo.
por Mauro Nadvorny | 21 jul, 2006 | Sem Categoria
Como se posicionar diante do fato consumado que está acontecendo no Líbano, tem sido algo que me atormenta nos últimos dias. De um lado a paixão com toda minha solidariedade com amigos, parentes e concidadãos de Israel que estão sofrendo sob o impacto de centenas de mísseis que caem a toda hora no norte do país. De outro a razão que me faz pensar o que tudo isso significa.
Claro que Israel foi provocado. Teve seu território invadido, soldados mortos e dois seqüestrados para servirem de moeda de barganha numa futura troca de prisioneiros. Claro que Israel respondeu como qualquer estado soberano o faria, despejando toda sua força e capacidade militar para demonstrar que não aceitou o que ocorreu como uma ação isolada e inconseqüente.
Nenhuma das superpotências está em condições de condenar Israel. A Rússia por exemplo, que pede apenas que Israel se contenha um pouco mais, destruiu Grozny, a capital de Chechênia, quando invadiu aquela república em 1999, e deixou em ruínas o que restou do território. O que fez a França na Argélia não difere muito e poderia seguir enumerando um a um cada país e suas respectivas atitudes pouco civilizadas cometidas nos anos recentes
A crise do Líbano me faz recordar do imenso lamaçal que Israel se envolveu em 1992. O país é constituído por comunidades que praticamente vivem como estados dentro de um estado. Cada comunidade, xiita, cristã ou druza, além é claro dos refugiados palestinos, possui sua própria milícia e obedecem aos seus respectivos clãs antes de acatar ordens do governo central. Uns são pró-sírios, outros não. O sul de Beirute por exemplo, assim com o sul do Líbano é território do Hizbolláh. Nem a polícia e nem o exército libanês podem entrar lá sem autorização.
A guerra civil libanesa entre 1975 e 1990 esgotou o país e o submeteu ao jugo da Síria que ocupou militarmente a maior parte do país. Se de um lado conseguiu o fim das hostilidades, de outro subjugou o país como se fosse uma província sua.
O Líbano é um legítimo saco de gatos, sem nenhuma intenção depreciativa. O que podemos esperar de um país que não tem forças sequer para impor a lei na sua própria capital? Este é o fato importante. Não adianta se dizer que o Hizbolláh faz parte do governo, que o ataque partiu do território soberano libanês etc. Tudo isto é pura falácia. O governo libanês mal governa a si mesmo. Presidente pró-sírio não se entende com o primeiro ministro anti-sírio. O parlamento pende de um lado para o outro. E enquanto isso políticos são assassinados por agentes sírios sem que ninguém, seja preso ou acusado. Esta é a realidade.
A resposta israelense ao ataque sofrido se voltou contra todo o Líbano. Em minha opinião, má estratégia, mas quem sou eu para discutir isso com os generais? As bombas estão vitimando membros do Hizbolláh, simpatizantes e até mesmo seus inimigos históricos. Alguém deve saber o está fazendo. E talvez um dia eu seja obrigado a reconhecer que tinha razão, mas por enquanto acho que algo está errado.
Vamos supor que minha cegueira pacifista não seja capaz de compreender que esta brilhante estratégia de destruir toda a infra-estrutura do país a fim de esmagar os terroristas esteja correta, e digamos que dentro de algum tempo, depois de milhares de baixas e duas economias em ruínas, o exército israelense consiga acabar com o último terrorista e liquidar com todo o seu armamento até a última bala. Quanto tempo vai levar para que a Síria e o Irã reponham tudo isso? Um mês? Um ano? Não importa, eles vão repor e tudo vai voltar ao que era antes. Com uma diferença, as vidas perdidas nunca mais vão receber uma nova chance.
Quando leio artigo de Amos Oz a favor da guerra, vejo o Shalom Hachshav (Paz Agora) paralisado, percebo que alguma coisa diferente aconteceu. A honra militar, a dignidade do exército foi ferida com aquele ataque palestino que seqüestrou um soldado e se cobriu de vergonha e raiva incontrolada quando outros dois foram seqüestrados pelo Hizbolláh. Foi a gota d’água que fez derramar uma avalanche de ataques e contra ataques sem fim aparente.
Tomemos como exemplo por alguns instantes o que está ocorrendo em Gaza. Israel prendeu parlamentares do Hamas, militantes de todas as facções, vem bombardeando e matando militantes e civis, arrasando com o que restava da infra-estrutura civil, dividindo a região e ainda assim não trouxe o soldado de volta para casa. Por que seria lógico imaginar que no Líbano seria diferente?
Esta parece que vai ser mais uma guerra daquelas em que todos saem perdendo. Perdem as famílias que tem seus filhos entregues em caixões. Perdem aquelas que são atingidas por disparos, ou que perdem seus locais de trabalho, ou que são obrigadas a abandonar suas casas. Perdem os dois países com a destruição e a perda econômica com o custo dia da guerra.Todos perdem tudo até mesmo a razão quando se olhar para trás e se perceber que nenhum dos objetivos foi alcançado.
Resta portanto responder ao que todos os que chegaram até aqui estão se perguntando: o que deveria ter sido feito? Esta é uma pergunta cuja resposta se torna totalmente irrelevante. A grande questão é o que pode ser feito agora. Para esta questão eu tenho a dizer que devemos apoiar as iniciativas diplomáticas exeqüíveis, ou sejam, aquelas que levam em conta a realidade dos acontecimentos. Neste sentido um cessar fogo ainda não é plausível.
Acredito que a solução passa por uma ação de compromisso entre os dois países e forças estrangeiras sob o auspício da ONU ou da OTAM. Uma força capaz de impor a lei e a ordem no sul do Líbano precisa ser composta com capacidade de usar a força necessária para isso, até que o governo libanês tenha as condições políticas para ocupar a região e desarmar o Hizbolláh. Síria e Irã precisam ser responsabilizados pelo imediato retorno dos soldados seqüestrados e Israel precisa fazer um gesto de boa vontade libertando prisioneiros libaneses.
Infelizmente vamos seguir assistindo a guerra pela televisão por mais algum tempo. A razão demora a prevalecer sobre a paixão. Muita dor e muito sofrimento vão ser necessários até que se calem ar armas. Algumas vozes já se fazem ouvir. Muitas mais vão ser necessárias. Eu já estou começando a gritar.
por Mauro Nadvorny | 25 out, 2005 | Sem Categoria
(e o nazista venceu)
O processo contra Elwanger foi intenso, longo e doloroso. Todos nós do Movimento Popular Anti-Racismo colocamos nosso tempo e disposição na luta por sua condenação exclusivamente movidos por um ideal. Nunca buscamos agradecimentos ou qualquer tipo de recompensas.
Durante o processo, que a bem da verdade foi provocado por nós, mas movido pelo Ministério Público tendo a mim, representando o Mopar, e a Federação Israelita do RS como assistentes de acusação, tivemos momentos de trabalhos em conjunto e momentos de divergências.
No entanto, ao final do julgamento, quando foi finalmente alcançada a condenação do nazista, a FIRGS publicou um jornal onde não obstante autoproclamar-se como única entidade a trabalhar na sua condenação utilizou um artigo para atingir desnecessariamente a honra de membros do MOPAR.
Solicitamos o direito de resposta, o que nos foi negado. Pedimos uma retratação e nos mandaram procurar nossos direitos. Como última alternativa entramos na justiça pedindo uma reparação contra a jornalista responsável pelo jornal, conforme exige a lei. Nunca solicitamos qualquer pagamento em dinheiro, e o propósito sempre foi o de buscar a reparação da verdade sobre o caso Elwanger.
Na defesa da jornalista responsável pelo jornal atuou Helena Noiman Santana, juntamente com seu pai Hélio Noiman Santana, responsável pela assessoria jurídica da FIRGS. Julgado o mérito, a justiça decidiu que fomos de fato ofendidos, mas que a ofensa não merecia reparação. Mais do que isso determinou o pagamento de R$ 14.000,00 (catorze mil reais) para Helena e Hélio, nenhum centavo a jornalista e nenhum centavo aos advogados dela que não quiseram receber seus honorários. Mas o que mais surpreende é o fato de Helena renunciou a causa antes do seu término. Ao saber do resultado na justiça entrou com uma ação de cobrança penhorando meus bens em consignação ao pagamento.
Nesta situação estamos diante de uma enorme ironia: os únicos que pretendem ter um ganho financeiro com a condenação de Elwanger serão eles, nossos detratores já que o artigo em questão foi escrito, dizem, por Hélio Noiman Santana. Como nos parece estarmos diante de uma grande injustiça, e a fim de preservar nossa dignidade e a correção de todos nossos atos no caso, informo aos amigos que não pretendo pagar e prefiro ir para a cadeia. Assim sendo, para que a ironia do destino seja completa e para alegria do nazista serei eu a única pessoa a ser realmente presa no caso Elwanger.,
Assim termina este capítulo da luta contra o racismo. O condenado livre, e o denunciante preso.
PS: quem desejar se manifestar, por favor, envie e-mail para a Federação Israelita do RS: firgs @firgs.com.br aos cuidados de seu presidente: Abrahâo Finkestein.
por Mauro Nadvorny | 8 out, 2005 | Sem Categoria
Venho acompanhando com atenção as opiniões a favor e contra a proibição do comércio de armas e munição no Brasil. Acho que muita gente vem fazendo o mesmo e gostaria de expressar aqui o que penso sobre isso.
Uma arma não custa barato. É um produto que legalmente poucos podem adquirir. Em se tratando de homens de bem existem dois tipos de pessoas que possuem hoje armas em nosso país: os ricos que podem se dar a este luxo por que dispõe dos meios para isso, e os que adquirem no comércio ilegal por falta de condições. Mesmo assim representam talvez um ou dois por cento da população.
Os fora da lei vão continuar adquirindo armas por seus próprios meios, seja através de contrabando, seja roubando ou comprando no comércio ilegal. O plebiscito não vai fazer nenhuma diferença para eles.
Resta pensar que diferença fará para nós, a maioria da população que não anda armada e não pensa em comprar uma arma.
A primeira pergunta que me fiz foi quando é que li em um jornal a última vez em que um cidadão de bem, que possuía uma arma, conseguiu impedir um crime, por que atirou no marginal. Não pude localizar no tempo próximo, portanto acredito que faça muito tempo. Entretanto me lembrei de inúmeros episódios em que donos de mercados tentaram reagir ao assalto e foram mortos ou feridos pelos assaltantes.
A segunda pergunta que me fiz foi quando é que li em um jornal a última vez em que um adolescente foi morto ou ferido por arma de fogo de um amigo, sobre crimes passionais e outros do gênero. Imediatamente me lembrei de inúmeros episódios de acidentes que vitimaram jovens que haviam apanhado a arma do pai, ou de um parente, causando uma tragédia.
Fazendo uma conta simples de cabeça, acredito que foram muito mais acidentes com armas, além de casos de fatalidades por brigas e desavenças que vitimaram pessoas inocentes, que aqueles em que alguém matou um agressor em legítima defesa.
Seria fantástico um mundo sem armas, mas isso é uma utopia ainda distante. No entanto cada passo nesta direção me parece um passo de civilidade. Acredito que ao impedir o comercio de armas, estaremos dando um passo adiante no caminho de nos tornarmos seres humanos melhores.
Infelizmente o mundo não vai mudar tão rapidamente. Seres humanos com perturbação de conduta vão continuar nascendo e existindo. Pessoas vão continuar sendo assaltadas e assassinadas. Os psicopatas não se perguntam se suas vítimas estão, ou não armadas antes de agirem, tampouco os bandidos. Por isso precisamos de leis para reger nosso comportamento e de policiais para afastarem da sociedade aqueles que não se submetem a elas.
Eu já me decidi. Se puder contribuir de alguma forma para salvar uma única vida, vou fazê-lo. Por isso voto SIM.
Não tenho a pretensão de convencer quem quer que seja a concordar com minha opinião. Quero apenas contribuir com a discussão e deixar que cada um julgue por si mesmo como votar. Deixo aqui uma pequena contribuição de um velho pacifista cansado de guerra.