Para discernir coisas diferentes em vinte tópicos

Para discernir coisas diferentes em vinte tópicos

1. Fé é uma coisa; abuso malafaísta, outra!
 
2. Liberdade de expressão é uma coisa; apologia e prática de crime, outra!
 
3. Política é uma coisa; bolsonarismo, outra!
 
4. Sexo livre é uma coisa; crime sexual, outra!
 
5. Ética é uma coisa; moral, outra!
 
6. Justiça é uma coisa; lavajatismo, outra!
 
7. Jornalismo é coisa; JP, outra!
 
8. Esquerda é uma coisa; PCO e similares, outra!
 
9. Autoridade monetária é uma coisa; camposnetismo, outra!
 
10. Dignidade militar é uma coisa; villasboasismo, braganettismo, maurocidismo…, outra!
 
11. Israel é uma coisa – Estado; Netanyahu, outro – governo de extrema-direita!
 
12. Palestina é uma coisa; Hamás e similares, outra!
 
13. Amor é uma coisa; amar, outra!
 
14. Enamorar-se é uma coisa; assediar, bem outra!
 
15. Judaísmo é uma coisa; Cristianismo e Islamismo, outras!
 
16. Ser Professor é uma coisa; ser biqueiro, outra!
 
17. Ser Estudante é uma coisa; estar matriculado, bem outra!
 
18. Amar a mulher do próximo é uma coisa; amar a mulher do distante, bem outra!
 
19. Relação conjugal afetiva é uma coisa; casamento, bem outra!
 
20. Amizade é uma coisa; contato, coleguismo e perfil, bem outra!
 
(© Pietro Nardella-Dellova)
O amar o próximo, o estrangeiro e a solidariedade com os inimigos como ética (não moral)

O amar o próximo, o estrangeiro e a solidariedade com os inimigos como ética (não moral)

Moisés, na Torá, estabelece como “cláusulas pétreas”:

1) amar o próximo como a si mesmo;

2) amar o estrangeiro e;

3) ser solidário com seu inimigo.

Jesus, um Mestre do Judaísmo da Escola de Hillel, relembra o “amar o próximo como a si mesmo” também como cláusula pétrea e fundamento da Torá.

Nem Moisés nem Jesus sugerem um amor com carga “moral”, mas um amor com carga “ética”, isto é, o amor como “ethos”, “modus” de convivência social. Não é um amor ao próximo “hétero”, “gay”, “mulher” etc, mas o amor que não nasce nem se justifica em moralidade e, sim, em eticidade. A mesma coisa ensinou o grande Rabino Hillel, anterior a Jesus, sendo ambos da mesma Escola.

Mas, depois de muitos anos, vêm Trump, Bannon e Bolsonaro, e ensinam algo muito diferente de Moisés, Hillel e Jesus: “ame apenas os que são iguais a nós, isto é, os fascistas, e odeie os outros, odeie os gays, odeie as lésbicas, as trans, os esquerdistas, os democratas, os constitucionais”.

Voltando à origem, Moisés, Hillel e Jesus nunca se preocuparam com a orientação sexual de qualquer pessoa, mas os trumpistas e bolsonaristas, sim!

NOTA

Eu não sou Negro, eu não sou Gay, eu não sou Palestino, eu não sou Mulher, eu não sou Indígena, eu não sou Locatário, eu não sou Morador em situação de rua, eu não sou Umbandista, eu não sou Candomblecista, eu não sou dependente químico, eu não tenho deficiência física…

Tenho “apenas” EMPATIA com todas essas pessoas e respectivas lutas e, embora não sejam meus lugares de fala, fico ali, no banquinho, ao lado delas em plena solidariedade ativa!

Pietro Nardella-Dellova

Concurso Público, quer? Quer mesmo?

Concurso Público, quer? Quer mesmo?

Quer ser um Juiz de Direito, um brilhante Advogado, um Delegado de Polícia, um Defensor, um Professor ou um combativo membro do MP?
Quer? Quer mesmo?
Então, deixe de ser patife, perfumadinho, engomado tipo brilhantina, churrasqueiro, alegrinho e babaca de bunda erguida. Rasgue todo e qualquer resumo e sinopse e não seja um típico “repetidor”. Abra o cérebro para entender e criticar o sistema e, abra, também, o coração, de modo pródigo, para não deixar de ser humano.
E, assim, vá fazer estágio na favela, no morro, na rua, no cortiço, no metrô e ônibus lotados, na fábrica, nas filas do hospital, na encosta do barranco onde seres humanos habitam, abandonados completamente.
Vá conhecer o sistema prisional, animal, irracional, onde seres humanos são desfeitos em carne e ossos!
Vá às fazendas mais distantes conhecer escravizados de verdade e, ainda, freqüente aldeias indígenas e deixe que eles, os índígenas, falem ao seu coração!
É para isso que precisamos de Juízes, Advogados, Delegados, Defensores Públicos, Professores e Promotores de Justiça, e este é o exame, ou seja, o quanto você consegue, neste estágio, manter-se humano, consciente, portas abertas, coração vivo e, após tudo, descobrir que não existe um cargo à sua disposição, com um salário confortável, mas, uma possibilidade para atuar na porra deste mundo desumano e injusto e, com isso, fazer algo, algo substancial, algo humano que, finalmente, não lhe deixe sentir vergonha de si mesmo e, sobretudo, não lhe permita ficar correndo, de porta em porta, atrás das tetas públicas!
© Pietro Nardella-Dellova, in “Palestra Sobre Direito Crítico”, PUC/SP, 1998
Judias e judeus sionistas de esquerda repudiam discurso pró-nazista de Monark e Kataguiri 

Judias e judeus sionistas de esquerda repudiam discurso pró-nazista de Monark e Kataguiri 

As horas que seguiram às declarações perversas de Bruno Monteiro Aiub, vulgo Monark, e do deputado Kim Kataguiri, do Podemos, em defesa da legalização de um partido nazista no Brasil e do direito dos nazistas expressarem livremente as suas ideias, foram marcadas por uma ebulição social raramente vista. E isso é positivo, pois mostrou quem é quem.

Monark colocou a culpa na cachaça, como se alguém passasse a fazer apologia do nazismo por ter bebido uma a mais. Implorou compreensão e disse que estava bêbado. Foi desligado do Flow Podcast. O deputado Kataguiri, apoiador de Sérgio Moro, por seu lado, usou o argumento raso de sempre: “sua fala foi tirada do contexto e mal interpretada, afinal, ele seria o maior defensor de Israel no Parlamento”.

A temperatura subiu tanto que o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, saiu de seu berço esplêndido, prometeu investigar Monark e Kataguiri e, célere como nunca, abriu uma apuração por possível apologia do nazismo. Ao instaurar as investigações, o PGR lembrou que “todo discurso de ódio deve ser rejeitado, para que a tolerância gere paz e afaste a violência do cotidiano.”

A embaixada da Alemanha no Brasil comentou que “defender o nazismo não é liberdade de expressão, pois quem defende o nazismo desrespeita a memória das vítimas”.

A comunidade judaica em peso se manifestou, seja através de suas Instituições, seja por meio de grupos militantes como nós, Judias e Judeus de Esquerda, que reclamamos a cassação do mandato do deputado federal Kim Kataguiri.

Os Ministros do STF, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, qualificaram o episódio de criminoso.

Apologia do nazismo é crime e não tem discussão. Em nome da supremacia racial, o nazismo instaurou uma indústria da morte, inclusive com métodos de gestão para aumentar a produtividade dos assassinatos em massa em campos devidamente estruturados para este fim.

No episódio desta terça-feira, uma vez mais, os judeus estiveram na linha de frente. Inevitável, pois o tema fala da morte de seis milhões de judeus. Houve manifestação de ONGS de defesa dos direitos humanos, do povo negro, dos LGBTQI+, das pessoas com deficiência, mas outros ainda não se manifestaram da mesma maneira, pois é bom lembrar que o nazismo foi o terror de todos aqueles que, aos olhos dos genocidas de Hitler, tinham alguma “anormalidade”. Ou seja, não representavam a pureza da raça ariana.

Seria salutar que todas as entidades que militam pela igualdade de gênero, pela igualdade racial, contra o capacitismo e contra a ideologia supremacista, se levantassem. O combate é de todos. O nazismo, que tem no bolsonarismo a versão brasileira, deve ser repudiado por todos que são diuturnamente discriminados e pelos defensores dos direitos humanos. Sem exceção!

A prática do racismo, pois é disso que se trata, constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão. O Artigo 3°, inciso IV, da Constituição de 1988, estabelece como objetivo fundamental da República  “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.

Mesmo assim, dos presentes na plataforma, só se salvou a deputada Tábata Amaral, que saiu em defesa do bom senso.

A defesa do nazismo por um youtuber com quase 4 milhões de seguidores e um deputado federal eleito com 465.310 votos mostra que a sociedade está doente. Monark e Kataguiri não estiveram sós na loucura. Expoentes da esquerda, como Glenn Greenwald e Rui Costa Pimenta, do PCO, se manifestaram contra a ilegalidade do nazismo, sempre em nome da liberdade de expressão irrestrita. A eles se juntaram os apresentadores neofascistas da Rádio Jovem Pan, que compararam o nazismo ao comunismo, pedindo a criminalização deste, a exemplo do que fez o regime polonês de extrema-direita.

Ou ainda aqueles que compararam os campos de concentração e extermínio à privação da liberdade de quem não quer se imunizar contra o coronavírus. Sem falar em Adrilles Jorge, que aproveitou a ocasião para fazer uma saudação nazista ao vivo, pelo que foi demitido.

O fato é que a defesa da criação de um partido nazista no Brasil não é um fato isolado, soma-se a uma onda de declarações despudoradas e descomplexadas de racismo, que encontram eco e espaço em um país onde o neonazismo se instalou e é legitimado pelo Presidente da República e seus asseclas.

Segundo a antropóloga Adriana Dias, professora da Unicamp, que se dedica à pesquisa do tema no Brasil desde 2002, existem hoje pelo menos 530 células neonazistas atuantes, sobretudo nos Estados do sul-sudeste, congregando 10 mil pessoas. Isso representa um aumento de 270% de janeiro de 2019 a maio de 2021. São grupos majoritariamente masculinos, que negam o Holocausto, têm ódio do feminino, do negro, dos nordestinos, dos judeus, do LGBTQIAP+, dos imigrantes, das pessoas com deficiência.

É preciso lembrar que o flerte de Bolsonaro com o nazismo não data daquela recepção calorosa da deputada alemã de ultradireita, Beatrix Von Storch, neta de um ministro de Adolf Hitler, em julho de 2021. Os vínculos com a ideologia autoritária e mortífera são antigos. A pesquisadora descobriu uma carta, assim como um banner com a foto de Bolsonaro, publicadas em três sites neonazistas, em dezembro de 2004. A foto tem um link que levava ao site, que o então deputado federal tinha na época.  Na carta que Bolsonaro envia aos neonazistas, tratados como “eleitores cativos e prezados”, o presidente agradece o apoio e acrescenta: “Todo retorno que tenho dos comunicados se transforma em estímulo ao meu trabalho. Vocês são a razão da existência do meu mandato”.

O material que compromete Bolsonaro foi recuperado pelo marido da pesquisadora nos seus arquivos, e depois garimpado por ela no Internet Archives, um depositório da memória da WEB, quando ela preparava uma palestra. A carta constava do principal site nazista em língua portuguesa e nesse portal havia ainda um banner para o site do deputado. O material é de 2004.

Bolsonaro gosta de brincar de nazista, tendo posado para fotos ao lado de um sósia de Hitler e de manter um discurso ambíguo em relação ao assunto, elogiando o desempenho estratégico do ditador na II Guerra Mundial. Chegou a dizer, em 2019, após uma visita à Yad Vashem, “que o nazismo era de esquerda”, no que foi desmentido, inclusive pelo Museu do Holocausto.

O flerte de Bolsonaro com o nazismo vai muito mais longe, tendo se manifestado na década de 1990, quando declarou que seu bisavô foi soldado de Hitler. Em um discurso na Câmara Federal, em 1998, parabenizou oito alunos do Colégio Militar de Porto Alegre que elegeram Hitler como o personagem histórico mais admirado em um levantamento feito pela revista Hyloea. Hitler ficou à frente de Jesus Cristo, Tiradentes e Mahatma Gandhi. Na ocasião, os jovens argumentaram que escolheram o líder nazista por causa de sua “inteligência e audácia”, “dom da palavra” e “poder de indução”.

Como Judias e Judeus de Esquerda, somos comprometidos com a Democracia, a Justiça Social e os Direitos Humanos, seja na luta contra o bolsonarismo, na defesa do direito dos Palestinos a um Estado próprio, como, também, na condenação de todos os preconceitos e discriminações.

Em outubro, os eleitores deverão virar esta página sombria, mas muito trabalho ficará por fazer. A mediocridade, a boçalidade e a perversidade que permeiam a internet vão exigir a regulação efetiva da midia. É uma das condições para a reconstrução do Brasil.

Procuram-se Estudantes, Advogados, Juízes, Promotores, Procuradores e Delegados que não sejam fakes nem zumbis

Procuram-se Estudantes, Advogados, Juízes, Promotores, Procuradores e Delegados que não sejam fakes nem zumbis

Procuram-se Estudantes (urgentemente) que não sintam tesão e irresistível atração por resumos, sinopses, colagem, celulares, e que não estejam esvaziados de inteligência e criticidade. Estudantes que não babem em festas alienadas sem fim!
 
Estudantes militantes – procuram-se! Que consigam, a um só tempo, devorar livros e fazer sexo, beijar de língua e falar de política, e gozar gozos multifacetados, com a liberdade de quem conhece História, Direito, Filosofia, Antropologia, Sociologia, Economia, Literatura e Geografia!
 
Estudantes de quaisquer áreas que sintam, ao menos, vergonha, por não conhecerem
 
História,
Direito,
Filosofia,
Antropologia,
Sociologia,
Economia.
Literatura,
Geografia
e Direitos Fundamentais!
 
Procuram-se Estudantes que não sejam “fakes” nem zumbis!
 
Procuram-se Advogados para o Brasil (de hoje) que não olhem para aqueles que precisam deles como se fossem “frango assado” (tipo papa-léguas e coyote);
 
Procuram-se Advogados que, inicialmente, conheçam – e muito bem – o Sistema Jurídico, inclusive nas entrelinhas, mas que tenham deixado páginas e páginas de Direito, História, Filosofia, Antropologia, Sociologia, Economia, Literatura, Geografia e Direitos Fundamentais, reviradas, riscadas, anotadas, marcadas – e que jamais tenham lido quaisquer resumos, esquematizados, sinopses e outras porcarias!
 
Procuram-se Advogados que saibam ler – e escrever, e nunca tenham plagiado alguém, nem usado o nome de alguém. Advogados que saibam, não apenas teoricamente, mas na prática, a diferença entre “Lei” e “Direito”, entre seres humanos e clientes, entre desespero e necessidade, entre injustiça e tempo, entre vida e morte!
 
Procuram-se Advogados que não sejam “fakes” nem zumbis!
 
Procuram-se Juízes que saibam tudo o que estes Advogados souberem, e nunca, nunca mesmo, tenham medo do CNJ ou do Comando do Exército! Juízes que saibam a diferença entre “amanhã” e “hoje”, e nunca, nunca mesmo, permitam aos cartorários redigirem suas Sentenças! Juízes que não sejam “fakes” nem zumbis.
 
Procuram-se, desesperadamente, Juízes que não sejam “fakes” nem zumbis!
 
Procuram-se Promotores, Procuradores e Delegados de Polícia que saibam tudo o que estes Advogados souberem, e saibam, ainda, tudo o que estes Juízes pensarem, além de terem a exata noção entre o “público” e o “privado”!
 
Procuram-se Promotores, Procuradores e Delegados de Polícia que não frequentem tanto lojas de ternos, mas entrem, constante e insistentemente, nas favelas, ocupações, prisões, cadeias e setores de licitações!
 
Promotores, Procuradores e Delegados de Polícia que não sejam “fakes” nem zumbis.
 
A diferença entre os Estudantes, Advogados, Juízes, Promotores, Procuradores e Delegados de Polícia, que se procuram, urgentemente, e os “fakes” e zumbis que existem aos montões, é que aqueles conhecem profundamente Direito, História, Filosofia, Antropologia, Sociologia, Economia, Literatura, Geografia e Direitos Fundamentais, e amam, com certeza, Mário Quintana – e sabem algo sobre a dor do mundo – enquanto estes, os “fakes” e zumbis, dominam bem – e “invejavelmente”, resumos, sinopses, colagens, celulares e outras tecnologias, e, lógico, esquematizados, aplicativos. Estes desconhecem a dor do mundo!
 
[© Pietro Nardella-Dellova, 2012]
Sabes o que é a miséria?

Sabes o que é a miséria?

Sabes o que é sofrimento?

Sabes o que é choro, dor, fome, sede, peste, sujeira, mosca, abandono, rato, exclusão, morte emocional e intelectual, violência doméstica?

Sabes?

Sabes o que é começar um dia, manter-se nele e terminá-lo como escravo, sem nenhuma perspectiva?

Sabes?

Sabes mesmo o que é estar – e existir – em um país que jura pelos seus deuses, pelos seus demônios, pelas suas trindades, pelas suas macumbas, pelos seus grupos de oração, pelos seus exorcismos, pelas suas passarelas, pela sua Constituição, enfim, por tudo, formalmente, que não é preconceituoso nem injusto, nem racista, nem bairrista, nem colonial, nem provinciano, quando, por desgraça, salta aos olhos, escorrega por entre os dedos, pelos cantos da boca, pelos botecos, pelas cotas universitárias, pelas condenações, prisões e vias públicas que é, vergonhosamente, preconceituoso, injusto, racista, bairrista, colonial e provinciano?

Sabes?

Sabes o que é favela? Porrada policial? Despejo? Reintegração de Posse? Enchente? Homofobia? Clínica clandestina de aborto? Macas nos corredores hospitalares?

Sabes?

Sabes o que é dente cariado, quebrado, carcomido?

Sabes?

Sabes o que é – e o que deveria ser – a justiça social?

Enfim, sabes alguma coisa para além da tua estultícia cotidiana e acima – além – da tua mediocridade pós-graduada? Sabes algo além das tuas babaquices teológicas e religiosas, das tuas troquinhas de mensagens virtuais no meio das aulas e congressos, das tuas colinhas entre as pernas, das tuas conversinhas de vento no corredor universitário, dos teus encontros maledicentes, do teu “cansaço e irritação” por ficar meia hora no congestionamento dos grandes centros urbanos (enquanto milhões esperam – e esperam – a sorte de um trem fedorento)? Sabes alguma coisa para além deste teu real desprezo pelo social e pelas pessoas?

Sabes?

Sabes o que é trabalho escravo, hoje? Sabes o que é dívida histórica com os negros? Sabes o que é povo indígena destruído a cada avanço dos devastadores da floresta? Sabes o que é desmatamento? Sabes o que é transporte coletivo, onde todos esmagam – e fodem – todos? Sabes o que é trabalho infantil? Exploração infantil?

Sabes?

Não? Não sabes?

Va bene, és um merda, um fake, o adubo dos opressores, a garantia dos corruptos, a razão dos ditadores, um boneco sem começo nem fim, cuja voz aborrece até mesmo os espíritos do universo…

Pietro Nardella-Dellova, 2012