por Mauro Nadvorny | 12 abr, 2019 | Israel, Política
Eleições em Israel, mais do mesmo.
As eleições em Israel chegaram ao fim com a contagem final dos votos e o Likud de Binyamin Nethanyau é o grande vencedor com 36 cadeiras (30 na Knesset anterior). Como o partido Kulanu com 4 mandatos (10 na Knesset anterior) se integrou ao Likud no dia de ontem, eles terão 40 cadeiras no parlamento.
A antecipação das eleições foi uma decisão do primeiro ministro depois que o partido Israel Beiteinu do ex-ministro da Defesa Avigdor Liberman, decidiu sair da coalizão deixando o governo com uma maioria apertada de 61 cadeiras. O partido dele recebeu agora 5 mandatos (6 na Knesset anterior).
Os religiosos saíram em massa para votar. Cerca de 82% dos votantes nesta comunidade foram as urnas e deram aos dois partidos deles, Shas 8 mandatos e Yadut Hatorá mais 7 (tiveram 13 na Knesset anterior).
Se alguém estiver contando, a direita já chegou a 60 cadeiras. Quem se soma a eles é o Yadut Haiemin com mais 5 mandatos (formado por dois partidos, um deles, Ha Bait Haieudi, com 8 mandatos na Knesset anterior, o outro não tinha representação) para formar uma coalizão com 65 cadeiras.
Do outro lado, a oposição com 55 mandatos formada pelo Kachol Lavan com 35 mandatos, o Avodá com 6 (24 na Knesset anterior), o Meretz com 4 (5 na Knesset anterior) e os dois partidos árabes com mais 10 (13 na Knesset anterior quando concorreram unidos). A maioria da comunidade árabe não foi votar.
Quem ficou de fora foi o novo partido do ex-ministro da Educação Naftali Bennett e da ex-ministra da justiça, Ayelet Shaked, o Haiemin Hachadash. Menos dois fascistas no parlamento.
O atual primeiro ministro vai ser em breve réu em diversos processos que correm na justiça. Portanto existe uma probabilidade muito grande de que aconteçam novas eleições no ano que vem. Este governo, se não acabar antes do indiciamento formal dele, tem um prazo de validade já conhecido.
Neste momento vão começar as negociações para a formação do novo governo. Nestes casos, partidos com uma pequena representação se tornam gigantes, uma vez que sem os votos deles não existe governo. Se o Likud não consegue formar o governo, provavelmente vamos a novas eleições, uma vez que o centro esquerda não tem mandatos suficientes.
Uma outra possibilidade é de em um desacordo político entre os membros da coalizão, um dos partidos abandonar o governo como aconteceu agora. Qualquer um que o faça, leva a novas eleições antecipadas.
Uma coisa é certa, o Bibi não terá vida fácil. A oposição já promete infernizar o atual governo de todas as formas possíveis e não lhe dar trégua até que ele caia.
O maior partido da oposição é o Kachol Lavan com apenas dois meses de existência. Formado por 3 ex-generais e um ex-apresentador de TV, é o resultado da união de 3 partidos. Ele atraiu os votos tanto da esquerda como da direita que não queriam a reeleição do Bibi. Se dizendo de centro, tem entre os deputados eleitos, gente de ambos os campos. É muito provável que o Bibi use isso para minar o partido e tentar levar a sua desintegração.
O grande vitorioso foi o primeiro ministro. Mesmo com fortes acusações de aceitação de propinas e ganhos financeiros escusos através do uso do cargo, seu carisma continua inabalável e levou seu partido a uma grande vitória. No entanto cabe ressaltar que o Likud se tornou dependente dele. Em uma eleição sem Bibi, dificilmente vão receber este número de cadeiras.
O grande perdedor, para quem não conhece a história, foi o Partido Avodá, que já foi o maior partido de Israel, o de Bem Gurion, o pai do Estado. Hoje, com apenas 6 mandatos, parece que chegou ao fundo do poço. Seu líder atual, Avi Gabay, anunciou sua renúncia para depois da Páscoa. Talvez com uma nova liderança o partido consiga se reerguer.
O cenário a frente é bastante confuso e ainda um pouco nebuloso até a formação do novo governo. Será preciso muita habilidade por parte do Bibi para agradar a todas as partes envolvidas, não que lhe falte alguma. Mas as demandas em alguns casos se chocam. Por exemplo, o partido Israel Beiteinu quer que os religiosos sirvam ao exército, o que o Yadut Hatorá, um dos partidos religiosos, não admite.
Transporte público no Shabat vai continuar não existindo e casamentos civis nem pensar. O divórcio continua sendo uma regalia do homem a mulher, se, e quando ele quiser. Milhares de mulheres vão continuar não podendo se casar novamente até o receberem.
Em relação ao processo de paz, ele fica como está, ou seja, parado. O Bibi chegou a dizer antes das eleições que pensa em anexar partes da Cisjordânia, o que elevaria a temperatura e teria o mesmo resultado de uma faísca em um tanque de gás.
Nada vai mudar na política externa e este governo vai continuar procurando companhia junto a outros países com governos de direita e alinhado com os Estados Unidos.
A esquerda israelense parece que compreendeu rapidamente o que a levou a este resultado e vários grupos já começam a falar em começar a trabalhar desde agora com vistas às próximas eleições. Um alento em meio a tristeza.
por Mauro Nadvorny | 29 mar, 2019 | Brasil, Israel, Política
Bolsonaro em Israel
Bolsonaro vem aí. Neste domingo chega a Israel para uma curta visita. Na verdade, é um gasto de dinheiro público para nada já que vamos ter eleições para o parlamento dia 9 de abril e, em tese, seu amigo Bibi pode não ser reeleito para primeiro ministro.
Estamos também em meio ao problema de Gaza. As coisas esquentaram novamente depois que um segundo foguete foi lançado contra o centro do país “por engano”. Desta vez tropas e tanques de guerra estão posicionados na fronteira e os ministros de extrema direita querem sangue.
Nem a troca da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém ele vai anunciar. Ao que tudo indica vai dizer que o Brasil terá um Escritório Comercial na cidade. Bibi vai ter que se contentar com esta notícia.
Várias manifestações estão sendo agendadas por onde ele passar. Orgulhosamente participo da organização de algumas e posso dizer que além de brasileiros e latino americanos, muitos israelenses vão estar presentes.
Aqui em Israel, aqueles mais politizados sabem da nossa história de uma ditadura militar, da injusta condenação do Presidente Lula, do golpe contra a Presidente Dilma e da desgraçada eleição de Bolsonaro. Até mesmo o assassinato de Marielle é do conhecimento e indignação aqui.
Preciso explicar que em Israel o voto não é obrigatório. O parlamento possui 120 cadeiras e o presidente escuta todos os partidos eleitos em quem eles apoiam para primeiro ministro. Quem tiver recebido 61 ou mais apoios tem a incumbência de tentar formar o governo. Ou seja, nem sempre o partido com mais deputados eleitos formará o governo.
Basicamente existem 4 blocos de afinidades. O primeiro é formado pelos partidos árabes com os quais nenhum partido judaico aceita se coligar. Uns usam a desculpa de que não são sionistas e outros dizem descaradamente por serem árabes.
Temos também os religiosos. Estes partidos costumavam ser o fiel da balança em vários governos e por conta deles, por exemplo, até hoje não temos transporte público aos sábados. Geralmente eles querem a pasta da educação para garantirem dinheiro para as suas escolas. Graças a eles, quem se dedica ao estudo da Torá não precisava servir ao exército. Esta lei está para ser reformada.
Depois temos o bloco da direita e a extrema direita. Este é o bloco liderado pelo Likud, o partido de Bibi, ou do Bibi. Ele é quem carrega o partido nas costas e sem ele podem vir a ser um partido com muito menos representatividade.
Finalmente o bloco de centro e esquerda. A esquerda em Israel, como conhecemos, tem hoje o Meretz com uma representatividade em torno de 5 cadeiras. O centro esquerda é o Avodá, ou o que restou do Partido Trabalhista israelense. Dependendo da pesquisa eleitoral vai receber entre 5 e 10 cadeiras.
Em toda eleição surge um novo partido chamado de centro. Este ano temos o Azul e Branco, o partido dos generais. É incrível como os generais de pijama adoram entrar para a política. Cada partido tem o seu. Seu líder, Beny Gantz é chamado de esquerda pelo Likud e de direita pelo Avodá. Vale tudo por um voto.
As pesquisas de opinião em Israel são um caso a parte. Cada uma mostra números totalmente diferentes uma da outra. Alguns determinados partidos passam a cláusula de barreira em uma pesquisa, em outra não. Partidos ganham e perdem cadeiras diariamente. Percentual de erro de algumas delas é de mais de 4%. Este percentual muda uma eleição.
Atualmente o partido Azul e Branco deve ser aquele mais votado, mas não necessariamente quem vai formar o governo. Hoje teriam junto com os partidos de centro esquerda e esquerda algo em torno de 42 a 48 mandatos. Vão precisar do apoio dos partidos árabes com quem dizem que não conversam e dos religiosos que dizem que não sentam com eles. Isso, antes da abertura das urnas, depois passa a ser uma mesa de negociações.
Bibi teria o apoio natural de toda a direita e dos religiosos. Basicamente é o seu governo de hoje. O problema é que com um número de 61 ou 62 mandatos. Foi por conta deste baixo número de apoio que ele convocou novas eleições.
Alguns falam de um governo de coalizão nacional entre os maiores partidos. No momento eles se acusam uns aos outros de ladrões, traidores, incompetentes, fanáticos etc. Passada a eleição vem a realidade e o desejo do poder costuma falar alto. Meu desafeto de hoje pode ser meu melhor amigo amanhã, afinal a política é a arte de engolir sapos. Tudo é possível.
Sim, comecei este artigo falando do Bozo e preciso acabar informando aos que me leem que na minha opinião a visita dele a Israel é só para ter mais tempo de brincar no Twitter. De prático mesmo não espero nada. Pelo visto a presença, ou ausência dele no Brasil, dá no mesmo. Um inepto na presidência.
por Mauro Nadvorny | 8 mar, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
A Natureza dele
Novos tempos em que o vice-presidente da nação precisa ficar o dia todo explicando que a fala do presidente foi mal compreendida. E tem que fazer isso todos os dias!
Aos poucos parece que o país começa a se acostumar que elegeu um incompetente para o cargo. Muitos de seus eleitores estavam convencidos que aqueles discursos preconceituosos eram coisas de campanha. Que o que ele defendeu no passado, como ser contra a reforma da previdência, por exemplo, era sério. Ops, não era.
Durante a campanha eu e muitos companheiros passamos horas fazendo vídeos e postando mensagens explicando a verdadeira natureza do coiso. Dissemos com todas as letras que o sujeito era um energúmeno, um troglodita que não tinha a menor capacidade de ser presidente do país. Tentamos explicar aos mais humildes que estavam criando um monstro que se voltaria contra eles mesmos. Até a fábula do sapo e do escorpião eu contei. O escorpião pede ao sapo que o leve para o outro lado do Rio. O sapo diz que não o fará porque não quer ser picado mortalmente. O escorpião argumenta que se fizer isso os dois morrem. Então o sapo concordou e no meio da travessia sente a picada mortal. Antes de morrer pergunta ao escorpião porque ele fez isso e escuta sua resposta: desculpe, mas é a minha natureza.
Infelizmente fomos vencidos pelas fake news. Preferiram acreditar nas Mamadeiras de Piroca e Kits Gay. Agora nós todos somos obrigados a aguentar um ignorante que passa o dia nas redes sociais postando uma merda atrás da outra. E quando achamos que não podia ser pior, eis que ele se supera e nos surpreende com uma merda maior ainda.
A verdade é que ele está só começando. Provavelmente vamos ter saudades quando ele só postava besteiras já que com o tempo vai piorar muito. A pergunta é quem vai presidir o país enquanto o cara eleito fica arrumando intrigas nas redes sociais. O cargo parece que continua vago.
Se o chefe do clã já é um incapaz, o que dizer de sua prole. Já repararam que eles não o chamam de pai? Se referem a ele somente como Bolsonaro, mas se tratam por seus nomes. Que família esta. Nunca tivemos uma família eleita para governar o país desde os tempos da monarquia.
Diferentemente das fake news do filho de Lula, aquelas do tipo ser dono da Friboi (e deve ter gente acreditando nisso até hoje), os filhos do incapaz são investigados por crimes mesmo. O Flávio, por exemplo, amissímo de milicianos, parece que recebia pelo menos a metade do salário dos que trabalhavam para ele. Usava o Queirós para arrecadar e fazer os depósitos na sua conta.
O filho de Lula foram procurar para tentar encontrar alguma coisa criminosa, não acharam nada e por isso inventaram até um carro de ouro de sua propriedade. Já Huguinho, Zézinho e Luizinho nos brindam diariamente com suas estrepolias. As vezes parecem mandar mais do que o Pato Donald.
E nesta semana de carnaval quando tudo parecia ser apenas Festa de Momo, que as pessoas estavam apenas brincando e se divertindo, eis que o maldito posta no seu Twitter um vídeo com cenas chulas. Uau, o chefe da nação expondo ao mundo inteiro seu ponto de vista sobre o nosso Carnaval, uma festa mundialmente conhecida que atrai turistas de todo lugar.
Repórteres internacionais que acompanham presidentes das nações de todo o planeta acharam inicialmente que poderia ser um erro, uma conta hackeada, um assessor que exagerou, qualquer coisa, menos que fosse um post do Chefe da Nação Brasileira. E era dele mesmo.
E lá estava o vídeo de um homem massageando seu ânus com o dedo e depois tomando um banho de urina. Visível para crianças, seus seguidores de todas as cores e para o mundo todo ver. Nem o presidente das Filipinas, o tresloucado Rodrigo Duterte seria capaz de uma proeza destas. E olha que o cara também é maluco de atar. Que mico.
O buraco parece não ter fundo e a cada dia caímos mais um pouco neste abismo que se transformou o Brasil. Sou um cara otimista, mas hoje não vejo luz no fim do túnel. Espero, talvez em breve, quando finalmente o povo sair as ruas para dar um basta ao nosso martírio e o Congresso tirar esta coisa do cargo, assistir ele descer a rampa do palácio. Quem sabe neste dia a gente escute algo do tipo: não fiz nada diferente do qual vocês não tivessem conhecimento desde o princípio. Essa sempre foi a minha natureza.
por Mauro Nadvorny | 1 mar, 2019 | Israel, Política
Finalmente chegou o dia tão esperado aqui em israel. Ontem a tarde (28/02). O Procurador Geral de Israel, Avichai Mandelblit, indiciou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu por crimes em todos os três inquéritos de corrupção contra ele.
Cada caso recebeu um número, 1000, 2000 e 4000, como ficaram conhecidos. No caso 1000, Netanyahu é acusado do recebimento de benefícios de amigos bilionários em troca de favores políticos. No caso 2000 a acusação envolve um suposto acordo dele com Arnon Mozes, editor do jornal Yedioth Hachronot, para reduzir a circulação do jornal rival, chamado Israel Hayom, em troca de uma cobertura mais favorável no Yedioth Hachronot. No caso 4000, considerado o mais sério dos três, Netanyahu é acusado de suborno. Ele é suspeito de ter tomado decisões regulatórias que beneficiaram o empresário israelense Shaul Elovitch, acionista controlador da Bezek, maior empresa de telecomunicações de Israel, e dono do site de notícias Walla, também em troca de coberturas positivas.
Logo após o anúncio, um Netanyahu arrogante e prepotente, como lhe é característico, foi a TV e fez um pronunciamento atacando a esquerda em geral, a polícia, o procurador e seus oponentes políticos. Na sua visão, tudo isso é um complô para afastá-lo do poder e substituí-lo por partidos de esquerda aliados aos partidos árabes.
Diferentemente dos processos contra o presidente Lula, as acusações contra ele estão bem documentadas e comprovadas com áudios, documentos e testemunhas do estado. Foram dois anos de investigações que culminaram pela primeira vez na história de Israel, em indiciamento de um primeiro ministro por crimes cometidos durante seu mandato.
Ele sabia o que estava por vir. Talvez não imaginasse que fosse tão grave. Foram 57 páginas onde estão detalhados todos os malfeitos. Tudo muito bem explicado para que não houvessem dúvidas.
Seu principal oponente político que aparece a frente das pesquisas também foi a TV. Beni Gantz pediu que Netanyahu renuncie e vá cuidar da sua defesa. Foi elegante o chamando de um patriota, mas disse que é preciso pensar no país e não em si mesmo. Todos os líderes de partidos de oposição seguiram pelo mesmo caminho pedindo a sua renúncia.
Do bloco da atual coalizão se escutou o contrário. Todos os partidos da direita foram solidários e seus líderes apelaram para o clichê de que uma pessoa só é culpada depois de condenada sem mais recursos apelatórios judiciais. Aqui uma curiosidade. Netanyahu em uma entrevista dada alguns anos atrás disse que todo primeiro ministro acusado de crime deveria renunciar pelo bem do país.
Em sua defesa Bibi, como é mais conhecido, diz que tudo não passa de fumaça. Que ele nunca recebeu dinheiro de ninguém e qualquer um pode receber presentes de amigos. Que os meios de comunicação antes e depois dos supostos encontros dele com seus dirigentes, publicaram muito mais notícias contra do que favoráveis ao seu governo. Segundo ele, estes indiciamentos deveriam ter sido divulgados somente depois das eleições. É o famoso “júris esperneantes”.
Todos aguardamos pelas pesquisas que devem sair a qualquer momento. Qual será o efeito das acusações sobre o Likud? Provavelmente vão sofrer um baque, tanto assim que apelaram a Suprema Corte momentos antes da divulgação dos indiciamentos, para que ela fosse transferida para depois das eleições. Não tiveram sucesso.
Os fatos são muito claros e Bibi, se condenado, pode ter de cumprir pena de prisão. Ele se apega ao poder de uma maneira quase doentia, obsessiva e obstinada. Não existe outro lugar para ele no mundo se não for na cadeira de primeiro ministro. Diz que ele, e somente ele, pode cuidar de Israel, da segurança de seus cidadãos, da economia, dos assuntos externos e do nosso futuro. Praticamente um Rei.
Para continuar reinando ele fez com que pequenos partidos de direita, que não teriam votos suficientes para entrar no parlamento, se unissem. Entre eles o partido do Poder Judeu, que sucedeu ao partido do Rabino Kahane que foi impedido de concorrer nas eleições de Israel por sua plataforma racista e obrigado a se dissolver.
Como forma de enfraquecer a Europa ele tentou criar um bloco dos países governados pela direita. Assim, ele se aliou, entre outros, ao líder húngaro Viktor Orban, notório antissemita e ao líder polonês Mateusz Morawiecki, que passou uma lei no parlamento polonês que ameaça com prisão quem disser que poloneses apoiaram nazistas na segunda guerra.
As eleições em Israel estão marcadas para o dia 9 de Abril. Nada está decidido ainda. Os votos que o Likud pode vir a perder com o indiciamento de Bibi podem ser transferidos para outros partidos de direita mantendo na soma geral um número maior de parlamentares, o que daria a eles a maioria para formarem o governo.
Talvez parte dos votos seja transferido para o centro e neste caso, os partidos de centro esquerda somados aos votos dos partidos árabes, possam finalmente tirar a direita do poder.
O problema, por enquanto, é que nenhum bloco terá uma maioria confortável. Estas eleições foram convocadas depois que o governo ficou com apenas 62 apoios no parlamento. Um número que praticamente impede a tomada de grandes e importantes decisões. As pesquisas, por enquanto, apontam para algo muito parecido. Somente depois de abertas as urnas vamos saber o que elas disseram e o real tamanho de cada bloco. Enquanto isso, tudo continua sendo especulação.
por Mauro Nadvorny | 25 jan, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Quando o Estado de Direito não existe, a sociedade como um todo se torna refém de um regime de exceção cujo poder está alheio aos princípios constitucionais e a lei se torna uma mera referência legal para perseguir seus opositores e perpetuação do regime.
Quem pensou que eu me referia a Venezuela, se enganou. Me refiro ao Brasil, onde não existe mais estado nem direitos. O que aconteceu com Jean Wyllys não é a ponta do Iceberg. É o Iceberg saindo fora d’água.
Um parlamentar eleito ter que deixar o país por falta das garantias constitucionais ao seu direito ao exercício do cargo por temos a sua vida escancara para o mundo o que está acontecendo no país. Com sua atitude, que muito nos entristece, Jean está dizendo em alto e bom tom: socorro!
Creio que uma vez resolvida a situação na Venezuela, o Brasil tem tudo para ocupar o seu lugar. Talvez não cheguemos aos níveis de verdadeiro desespero econômico que passam seus cidadãos com mais de dois milhões deles já tendo abandonado o país. Mas é certo de que com este governo e esta justiça atual, aquilo que conhecemos como democracia, direitos constitucionais, cidadania etc, deixarão de existir tal.
A esquerda precisa urgentemente reavaliar sua atuação neste novo cenário. Não é preciso muito conhecimento político para perceber que não haverá uma paridade de armas neste Congresso e tudo será feito de forma a mostrar clara e indubitavelmente quem são os novos donos do poder. Aos amigos a complacência e a benesse, aos inimigos o rigor do estatuto.
Já se nota uma guerra nos bastidores dos serviçais midiáticos. A rede de comunicação hegemônica não aceita ser relegada ao lugar que antes ocupavam seus concorrentes. Não são mais eles os donos de entrevistas exclusivas, tampouco os que recebem em primeira mão, ou com exclusividade as melhores notícias. Ainda esperneia mostrando que é capaz de colocar o dedo nas feridas da família real, mas também mostra o quanto pode ser subserviente se o rei assim o desejar, desde que lhe dê de volta seu lugar ao sol.
Para quem ainda não percebeu a gravidade da situação, eu sugiro abrir bem os olhos enquanto é tempo e podemos acessar informações livremente. Até isso pode mudar em breve e as informações disponibilizadas serão aquelas que agradam ao poder. Existem meios de bloquear sites e serviços na Internet e inúmeros regimes totalitários, ou muito próximo disso, já o fazem. Todos têm uma boa desculpa para isso.
A ida deste energúmeno a Davos foi risível de um lado, mas trágico de outro. O cara fez um discurso de mensagem de WhatsApp, ou de Twitter, como queiram. Fugiu da imprensa como o Diabo foge da cruz e seu melhor momento foi convidar todo mundo para passar férias no Brasil. Eis aí de presente cenas para filmes de comédia.
Eu não gosto de fazer prognósticos, aquelas previsões do que vai acontecer. Prefiro fazer uma leitura do que está acontecendo e mostrar onde isso pode levar. Desta maneira, ainda é possível tentar reverter alguns avanços fascistas e montar trincheiras para as batalhas que virão.
Nem tudo é só desgraça e o Carnaval está chegando. Nossa maior festa popular onde ainda é possível expressar nossa arte e nossa alegria. Esta é uma verdadeira festa do povo e todos ainda podem participar sem preconceito. Tomara continue assim.
por Mauro Nadvorny | 22 jan, 2019 | Israel, Política
Eleições em Israel
Estamos há menos de 90 dias das eleições gerais em Israel e o clima de inverno, bastante chuvoso, não convida as pessoas para comícios de rua por enquanto.
Tivemos esta semana a primeira assembleia do Partido Trabalhista Israelense, que nem de longe lembra mais aquele partido responsável pela criação do Estado e que já teve 44 mandatos dos 120 da Knesset, como o nosso Congresso é mais conhecido. As pesquisas dizem que deve receber entre 5 e 9 mandatos.
Do outro lado, o Likud que com Nethanyau já está há 20 anos no poder, as pesquisas apontam entre 28 e 32 mandatos. Porém, o Procurador Geral deve indiciá-lo por diversos crimes no mês que vem. Este indiciamento pode não mudar os votos de seus seguidores, mas certamente pode mudar o ânimo de outros partidos para não entrarem em uma coalizão com ele.
Esta semana ele chamou a imprensa para a sua residência e no horário da maioria dos noticiários televisivos, entrou ao vivo com o que seria um discurso dramático. depois de alguns minutos a maioria dos noticiários o deixou falando sozinho e voltaram a transmissões de seus estúdios. De dramático não havia nada além de ataques a polícia, a procuradoria, testemunhas etc. Seria um amplo complô contra ele. Pedia uma acareação ao vivo pela TV com as testemunhas do estado, num ataque ao sistema legal processual. Recebeu uma chuva de críticas por conta disso.
O efeito real do que acontecerá com o seu indiciamento ainda é uma grande interrogação. Uma coisa é seus eleitores responderem hoje que vão votar nele mesmo assim. Outra é terem de responder desta maneira depois que ele for indiciado. Na minha opinião, ele vai perder votos e com certeza alguns aliados.
É preciso reconhecer que Nethanyau é uma raposa. Com certeza a melhor delas na política israelense. Ninguém sobrevivi tanto tempo como líder sem conhecer profundamente o sistema e o manipular de acordo com o que lhe favorece no momento certo.
Assim ele aponta para o Irã, o Hezbola e o Hamas como os grandes monstros que estão a ponto de nos destruírem a qualquer momento e somente a liderança dele vai nos salvar a todos. Estes monstros precisam ser alimentados na medida ideal e assim, ataques pontuais as suas bases nos lembram deles.
Bem, se todos sabem disso, como é que ele continua lá e com chances de continuar Primeiro Ministro?
Existem várias respostas para isso. Algumas delas é de que não aparece nenhum outro líder com o seu carisma. Os cidadãos de Israel se preocupam muito com a sua segurança, e não entregam suas vidas nas mãos de qualquer um. A economia está estável, temos pleno emprego e a população se sente de bem com a vida.
Isto não quer dizer que não existam problemas. Sim existem e são muitos. O custo de vida vai subir com a alta anunciada do Gás que faz o preço de uma longa cadeia aumentar em efeito dominó, como a eletricidade e a água, por exemplo. Por enquanto os salários vão continuar os mesmos e isso é sempre crítico para os que recebem o salário mínimo, hoje em torno de R$ 5.000,00 reais. Não se sabe o impacto disso nos eleitores.
Para estas eleições, vários partidos vão se apresentar. O bloco de centro-esquerda, por enquanto está recebendo em torno de 48 mandatos. Vamos aguardar os acontecimentos e torcer por más notícias para o bloco de direita e extrema-direita.