por Mauro Nadvorny | 14 jun, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Que semana foi esta? O The Intercept na voz de seu cofundador, Glenn Greenwald, conseguiram trazer a luz tudo aquilo que já se sabia, mas ainda não se tinha provas. Ao contrário do Triplex, que havia muita convicção e prova nenhuma, agora se tem os diálogos que mostram de maneira inequívoca o conluio entre Moro e os procuradores da Lava a Jato para condenarem Lula.
Até domingo passado, o que já foi mostrado já serviu para mostrar o que nos aguarda. Se este tira-gosto fez tremer a República, imaginem o que ainda está por vir. Eu imagino e me delicio com isso. Nós que estamos na resistência desde o golpe, e que antes dele sofremos pela injustiça cometida contra Lula, pela primeira vez em muito tempo, podemos sorrir. É aquele sorriso de vitória, de deboche mesmo, de escárnio contra estes golpistas que venderam o país. A hora de vocês está chegando.
O senso de impunidade é o que derruba os corruptos. Chega um momento em que eles se acham tão poderosos, que a lei é para os outros. Vivem em mundo próprio, em uma realidade paralela. Nela são heróis dos simples mortais. Não aquele herói contra a injustiça, mas aquele que se diverte com a capacidade de ingenuidade do povo brasileiro. Aquele que depois de perceber da capacidade intelectual de uma massa que acredita que Lula era dono de um Triplex, compreende que qualquer coisa pode ser aceita como verdadeira, inclusive uma Mamadeira de Piroca.
Vou recordar que o golpe branco no Brasil foi orquestrado dentro do país e recebeu apoio logístico de fora. Dilma não era uma líder simpática, mas a crise não foi culpa dela. A crise começou no dia em que ela foi reeleita e Aécio Neves não aceitou a derrota. Este foi o momento em que entramos no caminho que nos levou até aqui.
Moro foi um achado neste caminho. Um juiz de primeira instância que chegou a Ministro da Justiça e tinha até domingo passado, cadeira garantida no STF. Não se enganem, o cara tem mérito. É incrível como um juiz medíocre como ele, foi aclamado por milhões de brasileiros sob a bandeira da luta contra a corrupção. Percebam que tudo já estava errado. Quem supostamente estava lutando contra a corrupção era o MPF. São eles que supostamente estavam levando a cabo as investigações juntamente com Polícia Federal. Eram eles que supostamente encontraram as provas que levaram corruptos para serem julgados por Moro, que por sua vez, diante delas os condenou. O que faria qualquer juiz que tivesse em mãos provas cabais de culpabilidade.
Tudo estava errado desde o início. O Impeachment da Dilma, todos sabiam que era uma injustiça. Até mesmo os que a derrubaram que de tão constrangidos, ao contrário de Collor, permitiram que ela mantivesse os seus direitos políticos. Mas não bastava calar Dilma, era preciso acabar com o PT e para acabar com o Partido dos Trabalhadores, somente se provando que Lula era corrupto.
Para tentar acabar com o PT, empurraram o país para uma crise econômica sem precedentes. Empresas Multinacionais Brasileiras que faziam concorrência com empresas estrangeiras foram acusadas de corrupção. Não seus donos, as empresas. Eles fizeram a festa das concorrentes levando as empresas brasileiras a bancarrota. O desemprego foi aumentando exponencialmente, chegando hoje a 13 milhões.
Diante do culpado pela crise, o PT, agora era hora de acabar com seu maior nome, o Presidente Lula. Primeiro foi tomada a convicta decisão de que ele era “ladrão”. Sua vida pregressa e corrente, assim como de seus familiares e muitos amigos, foi revirada de cima a baixo. Nada foi encontrado, ou quase nada. Um apartamento que virou um Triplex foi a única coisa que acharam que podia colar. Uma cota de compra de um apartamento com uma cooperativa que quebrou, levando uma construtora, mais tarde envolvida com corrupção, a assumir a obra. Dona Marisa visitou o imóvel, conheceu o que seria um Triplex, e com isso se abriu uma fresta.
A coisa era tão absurda que os próprios desembargadores acharam meio forçado. A ideia era dizer que o tal Triplex era do Lula como pagamento por contratos obtidos por aquela nova construtora junto a Petrobrás.
Sem qualquer prova de que o Triplex era de propriedade de Lula e tendo escrito no processo que não havia relação com os contratos da Petrobrás, ainda assim o condenaram. O tal Triplex era do Lula, Lula era “ladrão” e vai para a cadeia.
Então surge um problema, Lula vai participar das eleições e vai ganhar. Faltava o julgamento de segunda instância no TRF-4. O que seria impossível para o cidadão comum que aguarda anos pela justiça, o tribunal não só adiantou o julgamento para impedir que ele participasse da eleição, como aumentou a pena na medida exata que levaria um cidadão com mais de 70 anos a cumprir sua pena em regime fechado. Somente a leitura do processo demandaria mais tempo para um julgamento real, mas a realidade era outra.
Tenho muita esperança que a troca de favores envolvendo o TRF-4 apareça nas reportagens do The Intercept num futuro próximo. O que eles fizeram não pode ficar impune.
Eu sei que o judiciário foi cúmplice do golpe. Não vou entrar no mérito do que os levou a compactuarem com isso. Jucá já disse com todas as letras, “com Supremo, com tudo”. Acontece que esta casta vive de aparências. Quando vestem aquela toga, se outorgam poderes divinos. Uma mesma lei serve para absolver um amigo, e condenar um inimigo. Tudo é relativo.
Acontece que Moro desnudou a justiça ao fazer justiça com as próprias mãos apertadas com as de Dellagnol. Ele trouxe a luz, o que já se sabia, acontecia nas sombras. E ao fazê-lo ofendeu a todos os juízes do Brasil. Aquela auréola de imparcialidade, de escutar as partes no processo, de fazer justiça de acordo com a lei, tinha de ser preservada. Ela é a base do sistema jurídico, pelo menos no papel. Agora a porca torceu o rabo.
Eu analisei profissionalmente o esclarecimento de Deltan Dallgnol e o resultado pode ser lido clicando aqui. O resultado fala por si mesmo.
A informação comprovada de que um juiz e um promotor se acomunaram para condenar uma pessoa sem provas, foi ironicamente, a melhor notícia que a resistência democrática poderia receber. Antes a gente dizia que havia um Brasil antes do golpe, e outro depois. Hoje podemos dizer que havia um Brasil antes das denúncias e outro que vai surgir depois delas. Finalmente a esperança acordou e sorriu para nós. Obrigado The Intercept.
por Mauro Nadvorny | 31 maio, 2019 | Israel, Política
Pela primeira vez na história de Israel, o parlamentar que recebeu a incumbência de formar o governo, não conseguiu fazê-lo. Bibi fracassou e está, do alto de toda sua arrogância, atacando seu algoz. Avigdor Lieberman, por todos os meios possíveis.
O resultado das eleições deu ao Bibi um suposto apoio de 65 parlamentares. Aí incluídos além do seu próprio partido, os religiosos, a extrema direita e o partido de Lieberman. Importante lembrar que estas eleições foram antecipadas justamente porque o partido de Lieberman abandou a coalizão. Bibi agora o chama de em tradução livre “o detonador dos governos de direita”.
Muitos devem estar se perguntando porque Lieberman se negou a fazer parte de um governo de direita, afinal seu partido e ele próprio assim se definem. Mais do que isso, dizem que nunca participariam de um governo de esquerda.
Antes de tudo é preciso que se saiba que o número de deputados do Israel Beiteino, o partido de Lieberman, vem perdendo cadeiras no parlamento desde sua primeira eleição onde tiveram 18 deputados, até esta última, quando chegaram a 5 apenas. Mesmo com este número, se tornaram o fiel da balança, sem eles a direita teria um governo de apenas 60 membros, ou seja, ficariam praticamente reféns da oposição.
Bibi e seu partido deram como certo a continuação do seu governo. Continuou desempenhando seu papel de primeiro ministro como se nada tivesse acontecido. Conhecedor dos meandros da formação de uma coalizão, sabia exatamente o que cada partido pediria, o que receberia de fato e sobretudo, sabia do desejo deles de serem governo com todos os benefícios que acompanham.
Desde o início, as negociações não se mostraram fáceis, mas com Lieberman, se mostraram especialmente difíceis. Dentre muitas demandas, uma em especial era inegociável, a Lei do Alistamento que havia sido aprovada em primeira leitura e determinava como os jovens ortodoxos das escolas religiosas seriam alistados nos próximos anos. Lieberman exigia o compromisso de que a lei seria aprovada em segunda e terceira leitura sem nenhuma modificação. Os religiosos não concordaram. Sabiam que poderiam fazer alterações em seu benefício.
Pode parecer algo muito pequeno para impedir a formação de um governo. Bibi também achou e este foi o seu erro. Tentou de todas as formas propostas alternativas, ofereceu tudo que era possível e impossível, pressionou de todos os lados, mas Lieberman não arredou pé. E sem o seu partido não haveria governo.
Haviam duas saídas possíveis. Uma seria Bibi devolver o mandato que recebeu do presidente para formar um governo e outro parlamentar ser escolhido para esta tarefa sem a necessidade de novas eleições. Outra, que foi o que aconteceu, o parlamento votou a sua dissolução e novas eleições foram convocadas para o dia 17 de setembro.
Em uma sociedade sadia, em um país realmente republicano, aquele que não conseguiu formar o governo teria a honradez de ir ao presidente, admitir seu fracasso e devolvido o mandato para que outro pudesse tentar formar uma nova coalizão. Isto nunca passou na cabeça de Bibi e é por conta dele, única e exclusivamente, que Israel se encaminha para uma nova eleição com um custo de quase quinhentos milhões de dólares.
Uma pesquisa realizada ontem, 30 de maio, perguntando em resposta a pergunta em quem votaria se a eleição fosse hoje, os partidos do atual governo chegariam a 58 cadeiras, e a oposição teria 54. Lieberman teria 8, ou seja, 3 a mais do que recebeu agora. Se isso acontecer teremos um novo impasse. Um dos partidos religiosos já afirmou que se nega a participar de qualquer governo que inclua Lieberman e sem eles a direita não consegue maioria.
Claro que a esta altura alguém já deve ter se perguntado se os religiosos são de direita. A resposta é não, eles são apenas religiosos. Praticamente nunca deixaram de fazer parte de nenhum governo desde a criação do Estado de Israel. Dos governos exigem apenas muito dinheiro para poderem manter os ortodoxos nas escolas religiosas, uma vez que não trabalham, não servem ao exército, apenas passam o dia rezando e estudando a Torá. Pedem também a manutenção do status quo no que se refere a abertura do comércio e transporte público no Shabat e nos feriados. O que já funcionava, continua funcionando, o que já abria, continua abrindo, mas nada pode ser acrescentado.
Atualmente os partidos de esquerda levantam a bandeira da liberação geral do comércio e do transporte público e por esta razão os religiosos se alinham com o Likud que prefere ser governo a qualquer preço. Uma questão de prioridades e pragmatismo.
Os ataques de parte a parte, entre Bibi e Lieberman, vão continuar por mais um tempo. Tudo agora está em aberto. Até mesmo os partidos que não conseguiram passar a cláusula de barreira sem votos suficientes para entrar no parlamento, vão tentar novamente. Tudo voltou à estaca zero.
Quem será realmente beneficiado, quem vai perder com esta nova eleição ainda é cedo para saber. Muita coisa vai acontecer. As peças deste complicado jogo político ainda não começaram a se mover e quando o fizerem vamos poder compreender melhor o que se avizinha no futuro próximo.
Como em Game of Thrones, com alianças e traições, todos queremos saber quem vai se sentar na cadeira de primeiro ministro de Israel. Quem será capaz de criar um Dragão e quem será aquele que poderá superar o impasse, assistam nos próximos capítulos.
por Mauro Nadvorny | 26 maio, 2019 | Brasil, Política
Pode-se continuar escrevendo sobre a quantidade impressionante de idiotices que este governo nos comtempla no dia a dia. É tanta coisa que as vezes me pergunto se são reais. Como se o que é normal fosse Fake News e vice-versa.
O que eu estou assistindo é um cara que comprou carteira de motorista para presidente dirigindo uma jamanta sem freio ladeira abaixo e ainda ver a família dele, hora ajudando a empurrar, hora querendo tomar a direção.
Se eu que estou fora do Brasil me sinto apavorado com a total e absoluta falta de rumo, planejamento zero e desmantelamento do que funcionava, imagino vocês que vivem este pesadelo diário.
Vejo muita gente divulgando os nomes dos deputados que estão votando a favor da reforma da Previdência pretendida pelo governo. Reforma esta que eles dizem vai salvar o futuro do Brasil como se o nosso presente fosse alguma maravilha. Eu não me surpreendo com estes deputados, são conhecidos pelo que são e ainda vão levar R$ 40,0 milhões em agradecimento. Para gente que rouba metade dos salários de seus funcionários de gabinetes, querem o que?
O que eu acho que temos de divulgar é os nomes dos que ajudam a eleger esta gente. Por incrível que pareça eles são eleitos com os votos de muita gente. Que criaturas são estas que presenteiam ladrões com cargos onde podem se locupletar às custas dos seus eleitores?
Tá tão bizarro que tem gente elogiando a Rede Globo quando fala mal do presidente e praguejando contra ela quando fala a favor da reforma na Previdência. As mesmas pessoas! O que está acontecendo com vocês?
A coisa está tão maluca que já vejo amigos elogiando o Mourão. O Mourão! O general que aceitou ser subalterno do capitão e que não cala a boca. Um vice-presidente que não sabe o seu lugar e não tem a menor ideia do cargo que ocupa. Um sujeito desprezível em um governo caótico. Pelo visto desprezível é uma virtude onde ele se encontra.
Calma, que ainda tem mais. Os filhos do presidente são um caso a parte. Disparam impropérios contra o vice-presidente e fazem rodízio para atacar tudo e todos que supostamente estão contra o pai deles. Usam de um português sofrível e pouco compreensível. Tuitam coisas sem nexo, ou na melhor das hipóteses besteiras contumazes. Uma família em ordem unida.
Vejo a bolsa caindo e o dólar subindo dia a dia. Gasolina a R$ 5,00 reais quando pela metade disso uma dondoca fez um escândalo nacional em um posto. Os empregos sendo perdidos, negócios quebrando e o governo perdoando dívidas de sonegadores amigos. Tudo isso num clima de Alice no País das Maravilhas onde o coelho é o grande intelectual das ações governamentais.
E como não falar do nosso Rasputin, um projeto mal-acabado de filósofo que não serve nem para astrólogo de contracapa de jornal. Este Olavo de Carvalho é a síntese do que estamos vivendo, aquele brasileiro que se dá bem porque é esperto. A personificação da Lei do Gerson. Um medíocre que conseguiu se tornar o guru de um bando de incapazes que foram premiados com bons cargos no governo.
E a nossa justiça? É uma piada pronta. O supremo tribunal da nação resolve determinar investigações sobre quem fala mal dela. Infringem a Constituição que deveriam salvaguardar contra aqueles que tentam usar do seu poder para proveito próprio. É a raposa tomando conta do galinheiro.
Não posso dizer que eu estou incrédulo com o que estou vendo. Tudo isso não começou de uma hora para outra, foi se somando aos desmandos causados desde o Impeachment da presidente Dilma. De lá para cá, todos os limites da lei foram rompidos sem que ninguém pagasse por isso, a não ser o Presidente Lula, que hoje é o um preso político nas mãos de seus algozes.
Como a Índia o Brasil é um país de castas. A casta superior vive das benesses que o estado lhe oferece. E com um povo que aceita calado tudo isso, fica bem mais fácil. Quando saem as ruas não é para reclamar dos que roubam, mas para terem o direito de poder roubar também. Para isso são capazes de adorar um Jesus numa Goiabeira e denunciar mamadeira de piroca enquanto queimam Kits Gay.
Isto não vai terminar bem. A questão é apenas de quanto tempo mais será preciso para a população sair para as ruas e demonstrar sua insatisfação. Não estou falando dos frustrados com seus votos, estes vão permanecer escondidos atrás de suas panelas. Estou falando dos que sempre foram contra e agora sofrem as consequências como os demais. Despertem!
Só as ruas podem acabar com este tormento e cada dia perdido só vai tornar mais difícil e doloroso a recuperação. É nas ruas que nascem as grandes transformações, onde toda revolução popular começa e termina.
É chegada a hora de ir para a rua revoltar-se.
por Mauro Nadvorny | 17 maio, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Nunca ofenda os estudantes. Principalmente em um país onde eles já saíram as ruas por causa de um aumento de R$ 0,20 centavos na passagem do ônibus. Regra básica para bons entendedores.
As manifestações que se realizaram em todo o Brasil, as primeiras organizadas depois das eleições, mostram que quebrar aquela regra não foi uma boa ideia. Melhor, conseguiram unificar estudantes com professores, pais com filhos, até mesmo quem já foi universitário um dia, todos que compreendem a importância das universidades no desenvolvimento de uma nação.
Primeiro quiseram fechar os cursos de humanas. Depois cortaram verbas essenciais a manutenção das universidades e dos projetos de pesquisa. Quiseram provar que 35 é igual a 3,5 em termos percentuais “chocolatais”. Aí foi demais, a água ferveu.
Eu venho dizendo há tempo que as ruas precisavam ser ocupadas e preciso agradecer ao bando de incompetentes que compõe este governo pela ajuda prestada. É incrível a capacidade deles de irritarem todo mundo.
As ruas de todas as capitais e outras dezenas de cidades foram tomadas por manifestantes. Na minha opinião, ainda de forma tímida. Precisamos do efeito avalanche e ele vai acontecer. Na medida em que novas convocações sejam feitas, mais gente vai se somar e logo teremos números nunca antes vistos no Brasil.
Estamos diante de uma revolução que não utilizará armas de fogo, esta será a Revolução dos Livros. Nenhum país do mundo pode melhorar a vida de sua população se não melhorar o nível da educação para todos os seus cidadãos.
O conhecimento é o pilar do desenvolvimento. Lula percebeu isso desde o primeiro dia como presidente. Não apenas apoiou as universidades existentes, como criou novas. Permitiu que estudantes de baixa renda chegassem a elas. Especializações no exterior com bolsas de estudo, cotas e tudo que era necessário para melhorar o nível dos nossos estudantes, Lula não mediu esforços. Reservou parte da riqueza do Pré-sal para a educação.
Este governo, sem nenhum projeto em nenhuma área, resolveu atacar a ciência, a pesquisa e toda forma de produção de conhecimento. Querem um país de empregados subordinados a classe dominante. Pessoas inteligentes podem se tornar um perigo.
A inépcia dos ministros já é conhecida. Bizarrices e trapalhadas diárias produzem o efeito esperado, economia estagnada, aumento do desemprego, menos segurança nas ruas, queda nas vendas, aumento de falências, fechamento de negócios, enfim tudo em que é possível piorar, estamos liderando.
Contudo faltava uma faísca para dar ignição ao processo de desencantamento amplo, geral e irrestrito. O grito que estava preso nas gargantas foi libertado e o povo gritou, gritou muito, e foi lindo escutar.
As mãos que nunca se soltaram, vieram para as ruas. Os que resistiram ao choque da perda da eleição e nunca desistiram, vieram para as ruas. Os que nunca deixaram de denunciar os descalabros, vieram para as ruas. Enquanto estavam destruindo nosso presente, suportamos a dor, mas quando quiseram destruir nosso futuro, fomos todos para as ruas.
A revolução mal começou, existe um longo caminho a ser percorrido. Cada dia mais gente vai se somar, mais pessoas vão acordar desde pesadelo, mais indivíduos vão dar as mãos. Nossa arma são os livros e com eles vamos recuperar o Brasil para todos os brasileiros.
por Mauro Nadvorny | 9 maio, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Nem todas pessoas se preocupam com a política. Algumas nem se importam com os outros. Aos outros me refiro aqueles além delas próprias. Eu sei, é chato de dizer, mas existem um monte de gente assim.
Entre aquelas que se importam com os outros, e aquelas que compreendem a importância da política, existem os ideológicamente engajados. Pessoas que desejam um mundo melhor. Tudo bem, isso soa como um clichê, se parece com um clichê e portanto é mesmo um clichê. No entanto é aquele tipo de clichê que os que se alinham a esquerda no espectro político compreendem muito bem.
Quando a gente fala de um mundo melhor de se viver, estamos falando de um mundo mais justo, com as mesmas oportunidades para todos, mais humano, que respeita a natureza, os direitos dos animais, que entende os cientistas que falam do aquecimento global, que sabem que a Terra é redonda e principalmente acima de tudo, tem plena consciência de que não existe mamadeira de piroca e nem Kit Gay.
Somos aquele tipo de gente que adora discutir projetos políticos, inclusive projetos diferentes dos nossos. Não temos problema em argumentar e discutir nossos pontos de vista, sempre respeitando o direito de outros discordarem.
O nosso grande problema atualmente é que não temos como contrapor nosso projeto ao outro projeto porque ele não existe. O cara que elegeram presidente não tem projeto nenhum para coisa nenhuma. Não é possível oferecer outra opção, porque a primeira não está acontecendo.
A ação do cara é apenas destruir tudo que foi construído até hoje sem colocar nada no lugar. Não é novidade já que quando estava no exército sua grande ideia foi colocar uma bomba para destruir tudo. Deve ser alguma coisa mal resolvida da infância. Ele devia ser aquele idiota da praia que destruiu nossos castelos de areia.
Existem dois tipos de destruidores, o que destrói por prazer e o que destrói por compulção. Bolsonaro destroi por compulção. O importante é por abaixo sem medir as consequências. Não fosse uns poucos lúcidos que não sei o que estão fazendo neste governo, a destruição já teria atingido níveis muito mais alarmantes. Na verdade eles tentam segurar a onda por um tempo sabendo que não vão ser capazes de fazê-lo para sempre.
Neste quadro, não existe solução senão substituir o presidente. Ele deveria ser declarado incapaz para o cargo. É um elefante numa loja de cristais balançando o rabo e abanando as orelhas. O desastre não é mais uma previsão, é visível, é realidade.
Se o povo não tomar as ruas, o tamanho do buraco vai levar décadas para ser fechado. Só um movimento solidário do campo progressista com aqueles que se arrependeram do voto será capaz de produzir uma mudança de rumo. É o momento de afastar as nossas diferenças, de encontrar o que temos em comum e lutar ombro a ombro pela mudança já.
Preparar a Greve Geral, explicar sua importância em todas as rodas, em todos os lugares é imperativo. A greve será o termômetro da nossa capacidade de aglutinar forças. De unir os movimentos sociais da cidade e do campo, de somar com os estudantes e todos os trabalhadores. Unidos somos fortes.
Nós temos um projeto.
por Mauro Nadvorny | 3 maio, 2019 | Brasil, Comportamento, Política
Muita coisa já foi escrita sobre o Holocausto. Um evento desta magnitude, quando uma máquina estatal foi criada para aniquilar um povo, deixou marcas de todo tipo. Existem heróis e covardes, combatentes e apoiadores, erros e acertos. Tudo já foi escrutinado.
Um acidente da natureza como um terremoto, um tsunami deixam marcas visíveis. Vidas perdidas, casas destruidas, quase o efeito de uma guerra. A diferença é que são eventos naturais e por mais dor e destruição que causem, existe uma explicação, o que se não serve como conforto, ao menos compreendemos a inevitabilidade do que aconteceu.
Quando falamos do Holocausto estamos falando de um evento acontecido em meio a uma guerra mundial. Uma guerra declarada por um país que culturalmente se encontrava em um nível acima da maioria das nações vizinhas. Que possuía um sistema de governo democrático e que supostamente havia aprendido os erros da guerra anterior.
Havia desemprego e uma crise econômica herdada da guerra e dos acordos assumidos com os vencedores. Judeus conviviam em harmonia dentro da sociedade e muitos casamentos mistos aconteciam juntamente com uma boa parcela de assimilação (judeus não praticantes que nem mais se reconheciam como tal).
A Alemanha, apesar da primeira guerra, ainda era um país plenamente desenvolvido. Nada disso foi suficiente para evitar o que aconteceu e a transformação para um sistema militarizado, antidemocrático, xenófobo, homofóbico e antissemita foi uma consequência do desejo do povo alemão daquela época.
Mas foi principalmente o cidadão comum, aliado com uma elite burguesa, que viram naquele líder carismático e pouco simpático, a oportunidade de ascensão social e econômica. Inicialmente não estavam tão preocupados com os judeus. Os socialistas e comunistas eram o principal inimigo. A democracia um regime a ser substituído por um autoritário.
A sociedade alemã fez então a sua escolha, assim como a brasileira o fez agora. Todos os sinais de que era um erro, de que nada deveria substituir a democracia, de que uma nova guerra viria eram visíveis. Nada foi capaz de mudar o destino. A Alemanha sucumbiu ao canto da sereia, as promessas de uma grande nação, de um futuro brilhante, livres do comunismo e também dos judeus. Uma Alemanha de alemães puros.
Hitler se mostrava um orador brilhante. Sua oratória aliada ao magnífico espetáculo cenográfico levava as pessoas ao delírio. Tudo era bem coordenado e muito bem executado para criar o máximo efeito visual possível. E deu certo. Líder nato ele sabia exatamente o que deveria ser feito e executou seu plano metodicamente. As consequências para o mundo em geral e os judeus em particular, foi catastrófica. Sem falar para a Alemanha.
Ao contrário do líder alemão Bolsonaro se fosse um orador, já seria alguma coisa. Para nossa sorte ele nem chega a isso. Elevado a presidência também por uma elite burguesa, ele não tem a menor ideia do que isso representa. Parece o novo rico, um cidadão humilde que ganha na loteria e se torna milionário da noite para o dia. Pode fazer qualquer coisa, mas não tem a menor ideia de como fazer.
Bolsonaro não tem classe para ser presidente do Brasil. Não tem envergadura, não possui as mínimas condições que o cargo exige. Nem sabe o que o cargo significa, o que exige e o que pode fazer como presidente. Está brincando de novo rico.
Usa os filhos como uma extensão de seu cargo. Distribui medalhas para seus amigos. Coloca gente em cargos totalmente fora de suas áreas de atuação e faz do Twitter seu palanque. O cara é um verdadeiro debiloide. Não o digo com a intenção pejorativa que a palavra carrega, mas como forma de definir com mais precisão o tipo de pessoa que ele é.
Felizmente Bolsonaro nunca será um Hitler. Mas em comum possui a mesma arrogância, a mesma fantasia homofóbica, o mesmo discurso de atribuir os males da nação a um grupo específico, no caso o Partido dos Trabalhadores. Ao contrário da besta alemã que subjugou povos para baterem continência a bandeira nazista, Bolsonaro é uma besta que voluntariamente bateu continência a bandeira americana.
Hitler destruiu a Alemanha. Foi o responsável pela divisão do país, de todo o sofrimento causado as nações que se envolveram na guerra e principalmente pelo assassinato de 6 milhões de judeus, entre eles inúmeros familiares meus. O que ele fez é imperdoável.
Bolsonaro vai destruir apenas o Brasil. Diariamente de uma maneira atarantada, ele vai derrubando os pilares das conquistas sociais que ajudaram a diminuir as diferenças sociais, que acabaram com a fome, que levaram a mais educação, que aprimoraram o respeito aos direitos humanos, que tornaram o Brasil um pais respeitado no cenário mundial. Em breve, possivelmente vai cobrar proteção da população como todo bom miliciano.
Nesta data de recordação do Holocausto, não podia deixar de continuar alertando meus leitores das consequências de uma má escolha. A maioria assim o quis e todos vão pagar por ela. Enquanto não for dado um basta, o país vai continuar ladeira abaixo e diferentemente da Alemanha que teve ajuda para sua reconstrução, o Brasil vai custar muito a se recuperar.