Um piromaníaco no poder

Um piromaníaco no poder

Onde há fumaça, há fogo. Escutei isso muitas vezes na minha infância e desta vez foi muita fumaça, muita mesmo.

Todos os anos nesta época agricultores fazem queimadas. Estados do Norte e Centro Oeste são os mais atingidos. Os governos passados atuaram muito contra este fenômeno. O INPE fazia varreduras diárias e satélites apontavam os locais para os fiscais no solo autuarem os infratores. Sempre foi uma guerra diária no final do inverno.

Desta vez as coisas foram diferentes. O INPE foi literalmente castrado e seu trabalho, reconhecido mundialmente, menosprezado pelo novo poder do Brasil. Seu presidente afastado e seus dados que mostravam um aumento das queimadas acima do normal, totalmente desprezado.

A mensagem foi captada pelos criminosos e o fogo aumentou como não se tinha notícia há uma década pelo menos. A Floresta Amazônica chorou, o mundo se escandalizou com a total apatia dos órgãos governamentais. Nada foi feito para combater o fogo ou diminuir o ímpeto criminoso de conhecidos infratores. Os incendiários entraram em êxtase.

Com um presidente sem noção da gravidade do momento e das consequências que este crime contra o país e a humanidade pudessem trazer, passou a atacar as ONGS que protegiam a floresta. Só faltou acusar o Saci Pererê. O fogo é uma invenção da mídia.

Noruega e Alemanha já haviam cortado os fundos amazônicos quando perceberam as reais intenções de Bolsonaro, que com um desdém típico de sua ignorância sugeriu que estas nações fizessem uso deste dinheiro para reflorestarem seus próprios países. Não parou aí, ele e sua prole atacaram violentamente o presidente da França.

Existe hoje uma preocupação sobre o aquecimento global e as questões ambientais. Estas questões já são percebidas até pelo cidadão comum. Ações em prol do planeta já são um imperativo e aqueles que não contribuem, ou que de alguma forma prejudicam o meio ambiente, são imediatamente identificados e boicotados. O nome do Brasil foi jogado na lama e pedidos de boicote a produtos brasileiros já surgem em diversos países.

O Brasil está se encaminhando para se tornar um pária ambiental. O país do futebol e do carnaval vai ficando conhecido como o assassino da floresta que corresponde por 20% do oxigênio que o mundo respira. As coisas não vão ficar em boicotes a produtos nacionais, sanções governamentais podem vir a ser tomadas pelas maiores potências mundiais, e serão pesadas.

Bolsonaro se supera a cada dia e já disse que quem manda é ele. O cara é o dono da bola e age de maneira infantiloide. Praticamente todas as suas decisões são coisas de criança mimada. Quero correr nas estradas, então tirem estes radares e me deixem em paz. Quero estacionar onde quiser e passar em sinais vermelhos, então dobrem o número de pontos da carteira de motorista. Meus filhos são o máximo, então parem de investigar suas façanhas e meu rebento vai ser embaixador nos EUA. Os ambientalistas são uns “ecochatos”, então que se libere as queimadas.

Eu realmente não sei se é caso de impeachment, de interdição, ou os dois. O mal que ele está causando ao país é imensurável, isso que este piromaníaco ainda não completou ainda um ano no poder. Se o que vimos até agora é só o “esquenta” para o rol de maldades que ainda estão por vir, pobre do Brasil.

Não temos mais tempo a perder. É preciso começar a pensar agora como tirar este inepto da presidência o quanto antes. O tempo urge e nada é mais importante do que salvar o país deste desastre. Tarde já é e a recuperação será difícil. Não existe outro caminho.

 

O Ignorante Feliz

O Ignorante Feliz

Como muitas coisas na vida, existem alguns tipos de ignorantes. Um deles é o que reconhece a sua ignorância e busca se informar, ou cercar-se de quem pode suprir o conhecimento que necessita O outro tipo, o que mais me assusta, é aquele que não obstante a sua ignorância, ele acha que nada lhe faz falta.

Ninguém é ignorante em tudo. O ser humano tem suas limitações normais sobre o conhecimento, até porque temos assuntos que nos interessam mais, outros menos, e até alguns que nada nos interessa saber.

Ao longo da vida vamos nos defrontando com ignorantes. No trabalho, por exemplo, as vezes temos um chefe que sabe menos do que nós e somos obrigados a aturar isso. Na saúde, uma boa razão para se procurar uma segunda opinião, é porque até mesmo médicos eventualmente fazem diagnósticos equivocados, não raro, por ignorância. Ninguém vai passar pela Terra sem se defrontar com ignorantes.

Tomara todo ignorante ficasse no seu lugar e não tivesse em mãos poderes que são incapazes de lidar. Imaginem um médico recém-formado realizando uma cirurgia de alto risco sem nenhum acompanhamento. Um recém-formado engenheiro construindo uma Usina Atômica. Sim, sempre podem existir exceções, mas deu para entender o que eu quero dizer.

O que está acontecendo com o nosso presidente e o seu ministério de notáveis ignorantes em geral, e o seu ministro da justiça, em especial, é o pior dos cenários. Todos ali acham que não precisam de nenhuma assessoria porque sabem tudo sobre tudo. São de dar vergonha a uma enciclopédia.

O Bolsonaro e o Moro não fazem merda porque sejam más pessoas, eles fazem acreditando que estão agradando e com a convicção de que agem de boa fé no interesse do povo. Não se trata de um complô maquiavélico premeditado, se trata da união entre a ignorância e a soberba do poder.

Qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, sabe que não devemos ser mal-educados e que as piadinhas maldosas devem ser contadas em fóruns íntimos ou desprezadas de vez. Ninguém deve fazer bullying com outra pessoa, uma regra básica da boa convivência. Temos um presidente que por pura ignorância, ignora todas estas regras. Não vê mal algum em chamar os nordestinos de “paraíbas”. De visitar um museu judaico em memória dos seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas e dizer na saída que devemos perdoá-los.

Quando Moro diz que não existe nada nos seus comentários com os procuradores que seja comprometedor, ele não está sendo cínico, ele está dizendo o que realmente sente. Do alto da sua ignorância ele é incapaz de reconhecer que tenha agido de má fé. Ter ajudado a acusação no processo que julgou não tem nada de mais. Adentrar em uma investigação que corre em segredo de justiça, avisar as pessoas que supostamente tiveram sido importunadas e dizer a elas que não se preocupem, todas as provas serão destruídas, é perfeitamente normal.

Bolsonaro, Moro e o resto dos ministros deste governo são o expoente do pior pesadelo que o Brasil já teve na sua história republicana. Parecem aquele cara que só terminou o primário, conseguiu entrar na academia de polícia, vestiu o uniforme e na rua vai peitando todo mundo que encontra pela frente. O cara é polícia e sempre tem razão. Quando não tem, ele vai plantar uma prova que parecer que tinha. E na boa, ele acha que está agindo corretamente.

Eu quero confessar que de informática me encontro entre aqueles que têm algum conhecimento um pouco acima do básico. Leio bastante, tenho interesse, mas não domino linguagem de computador. Por isso, para falar do Hacker de Araraquara, só posso argumentar até onde a razão me permite.

Em Israel existe uma empresa chamada NCO que ficou conhecida mundialmente, no ano passado, depois que o seu programa de clonagem de celulares, chamado Pegasus, foi utilizado pela Arábia Saudita para atrair o jornalista Jamal Khashoggi para sua embaixada na Turquia, onde foi morto e feito em pedacinhos, literalmente.

O custo deste programa chega a centenas de milhares de dólares. Normalmente é vendido somente para órgãos de segurança governamentais e, segundo dizem, vale cada dólar investido. Agora temos de aceitar que a empresa vai quebrar, já que um Hacker brasileiro consegue a mesma proeza com a maior facilidade.

Para um órgão governamental obter o número do celular de alguém, não é uma tarefa muito difícil, legal ou ilegalmente. Mas para um indivíduo como nós, a história é outra. A não ser que o celular do Moro fosse de domínio público e pudesse ser encontrado em qualquer site ou mídia social, a pergunta inicial é como o Hacker de Araraquara conseguiu o seu número?

Para acessar o celular, estão informando de que se pode obter nas lojas do Google e da Apple um aplicativo que assume qualquer número de celular que desejarmos. Assim, foi possível “colocar” o mesmo número do celular do Moro no aparelho do Hacker. Fácil assim, se for procedente.

Agora bastaria baixar o Telegram no aparelho que o aplicativo puxaria o número indicado pelo outro aplicativo, neste caso o do Moro e enviaria uma senha para o celular original. Como não se trata de um clone, a senha chega no celular dele e é preciso obtê-la. Para isso, pede-se ao Telegram que também envie a senha por voz. Usa-se um outro aparelho para fazer a ligação e torcer para que seja atendida pela caixa-postal, se existir uma. A ligação do Telegram também vai cair na caixa postal. A seguir, uma ligação através do aparelho que está com o número do Moro faz a ligação para o celular original dele. Por se tratar do mesmo número, ele consegue entrar na caixa postal, e escutar a senha enviada. Com ela ele completa a instalação. Finalmente ele tem acesso ao Telegram do Moro.

Vamos admitir que tenha conseguido, mas o Telegram já estava desativado desde 2017, e segundo o que é informado pelo aplicativo, todo o seu conteúdo é perdido para sempre e não pode ser recuperado. Informam também que se o usuário não utilizar o programa por seis meses, a mesma coisa acontece.

Talvez eu esteja duvidando dos méritos e da capacidade tecnológica do Hacker de Araraquara. Talvez eu esteja sendo muito cético com relação a dificuldade de se obter o número dele. Posso estar exagerando com relação a existência de um aplicativo nas lojas que permite o celular se passar por outro número escolhido por mim. Admito que acredito nas informações dadas pelo Telegram de que ele não guarda o passado de quem o desinstala. Estou de fato tendo muitas dúvidas com relação a forma banal com que ele obteve todo o material.

Na minha humilde ignorância sobre esta incrível proeza tupiniquim, se confirmada como verdadeira, só posso dizer que preciso aprender muito para chegar aos pés do tal Vermelho do DEM, o Hacker de Araraquara que me fez rever meus conceitos sobre o ET de Varginha.

O Universo está de sacanagem

Me chamou atenção atitudes de políticos de 3 países nesta semana. São coisas que me fazem pensar se o Aquecimento Global estaria afetando a humanidade, não apenas na questão do clima, mas na nossa maneira de pensar e de agir em relação ao próximo.

No Brasil, Bolsonaro resolveu que seu filho será o próximo embaixador do Brasil em Washington. Atitude que já faz a imprensa americana se referir ao nosso país como uma República das Bananas. Para quem é mais jovem e não sabe o que isso significa, saibam que foi utilizado nos anos 70 para se referir aos países Latino Americanos onde proliferavam ditaduras e a lei era a dos mais fortes.

Nos EUA, Trump durante um comício em Minnesota disse: “Essas congressistas, seus comentários estão ajudando a alimentar a ascensão de uma esquerda militante perigosa. Tenho uma sugestão para as extremistas cheias de ódio que constantemente tentam dividir nosso país. Elas nunca têm nada de bom para dizer… Sabe o quê? Se não o amam, digo a elas para deixá-lo.” No que foi acompanhado por um coro de apoiadores gritando que as mandem de volta sob seu olhar complacente.

Em Israel, o Ministro da Educação (provisório até as novas eleições), Rafi Peretz, disse em uma entrevista a um canal de TV que era a favor da anexação dos territórios ocupados por Israel. A entrevistadora questionou sobre cidadania e direito a voto, no que ele respondeu, sem estes direitos. Ela então pergunta se não seria um Apartheid, e ele então diz que é complicado. Na mesma entrevista ele sugere a Terapia da Cura Gay e aí o mundo veio abaixo.

Muito provavelmente coisas parecidas devem estar ocorrendo em outros países no que eu já classifico como um Show de Horrores Mundial. Aquela coisa de que se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. Tá parecendo um daqueles filmes apocalípticos com um excesso de anticristos.

Para completar a semana, no dia 17, completaram 25 anos do Atentado da Amia (um centro comunitário judeu, a Associação Mutual Israelita-Argentina, que deixou 85 mortos. O ataque foi atribuído ao Irã e ao Hezbollah com a ajuda de políticos argentinos numa linha direta que chegaria à presidência, na época exercida por Carlos Menem. Um atentado hediondo contra pessoas inocentes. Os culpados seguem impunes.

Se somar a isto tudo as últimas revelações da Vaza a Jato e a decisão do Ministro Toffoli de liberar o Flávio Bolsonaro das acusações com provas do COAF, aí só mesmo com Rivotril na veia, ou de canudinho.

Não está fácil viver no Planeta Terra. Principalmente para quem é militante das causas sociais. Parece que o universo resolveu nos sacanear e pegou gosto. É uma notícia pior que a outra sem parar.

Felizmente não há mal que perdure para sempre. Esta fase vai passar, como sempre aconteceu na história da humanidade. Tivemos alguns períodos de escuridão e também de muita luz. Estamos vivendo um pesadelo, mas em breve vamos poder voltar a sonhar.

Poderia escrever diversas páginas para comprovar de que tenho razão, mas não tenho a intenção de convencer os que pensam que não existe solução. Não vale a pena esta discussão. Para vocês eu digo que o tempo é senhor da razão.

Enquanto existirem eleições podemos sair disso pela via democrática. Em Israel elas ocorrem em dois meses, nos EUA no ano que vem e no Brasil dentro de três anos. Para quem já está gritando mais 3 anos com Bolsonaro, eu digo que os americanos, apesar de tudo, estão sobrevivendo ao governo Trump que também é de 4 anos.

Claro que eu gostaria de que Bolsonaro não cumprisse o mandato. Razões para isso não faltam e quem sabe até aconteça. Mas de toda forma ele tem prazo de validade.

Sentindo na pele todos estes retrocessos humanitários, a gente precisa lembrar que a humanidade como um todo avançou muito e que mesmo diante dos piores acontecimentos da história do homem, sobrevivemos e demos a volta por cima. No final a lista de grandes seres humanos é muito maior do que a lista dos piores vilões da humanidade.

Os maus ficaram marcados na história por seus atos, os bons por seus ideais.  E foram sempre os grandes ideais que nos fizeram avançar e chegar até aqui. Eles não podem ser destruídos porque se encontram dentro de nós e são passados de geração para geração. O mundo vai ser melhor porque somos nós que semeamos a terra com nossas ideias para um mundo melhor, mais justo e igualitário, aqueles que seguramos as mãos e não abandonamos ninguém no campo de batalha.

Continuamos de pé na luta.

 

Justiça, que justiça?

Toda vez que perdemos um companheiro de trincheira, uma enorme tristeza se abate sobre todos nós. Ninguém é perfeito e obviamente cada um de nós tem seus defeitos, para o bem e para o mal. Nesta hora isso perde relevância e nosso sentimento de perda é como de um elo da corrente que se abre e precisa ser preenchido novamente. Paulo Henrique Amorim, descanse em paz sabendo que seguimos na luta.

Desde que o terror deste governo chegou ao poder, com todas as consequências de ter na chefia do poder um mentecapto disfuncional, que a cada dia traz uma nova surpresa nos matando de vergonha, é preciso repensar como acabar com isso.

Em um estado democrático eu diria que bastaria aguardar as próximas eleições. Este é o caminho natural das coisas. Quem não deseja dar continuidade a isso que está aí, vota em outro candidato. Simples assim.

Nosso problema é que não existe um estado de direito. Assim sendo, vivemos uma meia democracia. Visto de fora, temos eleições livres onde cada cidadão representa um voto. Visto de dentro, vivemos um pesadelo eleitoral onde uma presidente é retirada do poder sem nexo causal, e um candidato a presidência é impedido de concorrer para dar a vitória para seu concorrente.

Tenho acompanhado o Glenn Greenwald em sua passagem pela Câmara e o Senado explicando o trabalho do The Intercept na divulgação das trocas de mensagens entre o ex-Juiz Sergio Moro e promotores do MP que acusam o Presidente Lula de receber propinas.

O interessante não é escutar os deputados e senadores que estão do nosso lado, é escutar os que estão a favor de Moro. É um exercício de parcimônia. São necessários paciência, contenção, medicação para pressão alta, taquicardia etc., tudo a mão.

Eles perguntam porque não entregar o material para perícia de órgãos de segurança como a PF do Brasil, ou o FBI e a CIA americanos (como se eles não tivessem mais o que fazer) e o Glenn explica que em nenhuma democracia do mundo um jornalista entrega material para qualquer órgão de segurança antes de publicar. E os caras insistem que é tudo falso.

Eles dizem que o material poderia ser falso, ou meio falsificado para atender o que desejam os inimigos de Moro. O Glenn explica que outros meios jornalísticos também periciaram o material e encontraram, por exemplo, diálogos que eles jornalistas trocaram com os promotores, palavra por palavra. Que procuradores que fizeram parte de alguns dos grupos e mantiveram as conversas em seus celulares, também encontraram os diálogos exatamente como estão sendo publicados, palavra por palavra. E os caras insistem que é tudo falso.

Alguns argumentam que Moro não poderia se lembrar de tudo e que já não possui os originais consigo. O Glenn explica que outros promotores têm consigo os originais. Que Moro até hoje não disse que o material era falsificado e que não se reconhecia neles. Tanto assim que até pediu desculpas ao MBL por tê-los chamados de tolos. Que o Moro parece ter uma estranha amnésia com relação aos fatos. E os caras insistem que tudo é falso.

Outros dizem que o conteúdo, mesmo que fosse verdadeiro não desabona o trabalho da Lava Jato. Glenn explica que em qualquer democracia do mundo, um juiz que confabulou com uma das partes de um processo seria imediatamente afastado, os casos julgados anulados e ele processado. Não se trata do trabalho da Lava Jato, mas de um caso específico contra uma pessoa específica. E os caras insistem que tudo é falso.

Em resumo, o nível de alguns parlamentares que estão neste congresso faz o Tiririca pensar como era feliz como palhaço. Tem gente ali com sérios problemas de concatenação lógica.  Tico e Teco não se falam. Sinopses neurais queimadas.

Não existem argumentos que os faça compreender o que está acontecendo, ou que os convençam de que seu herói talvez tenha cometido atos que o desabonem, condenáveis em qualquer cenário democrático no Planeta Terra.

Ainda existe muito material para ser divulgado. A cada vazamento as coisas ficam mais claras e mostram desnudando o que de fato aconteceu. Um conluio sinistro, fora da lei, com objetivos claros de interferência política de acordo com as convicções dos envolvidos.

O que mais se faz necessário para mudar alguma coisa? Realmente a Vaza Jato será capaz de fazer mudanças? Até que ponto se deseja fazer justiça, quando a única opção é a de anular os julgamentos do Presidente Lula?

Todo sistema judiciário está sendo colocado a prova. É um dos seus, desta casta de deuses superprivilegiados que está mostrando que o cumprimento da lei pode ser relativizado de acordo com interesses políticos.

Esqueçam da lei, esqueçam da justiça e não criem falsas esperanças. Este STF fez parte do golpe e dele não se pode esperar nada. E como nada está tão ruim que não possa piorar um pouco mais, vem aí o Ministro Terrivelmente Evangélico.

Otto, o Comunista

A boa da semana foi a homenagem do Exército Brasileiro ao oficial do exército alemão de nome pomposo, Eduard Ernest Thilo Otto Maximilian von Westernhagen, mais conhecido como Otto Maximilian, provavelmente por serem os únicos nomes pronunciáveis em português.

O militar, que havia lutado na II Guerra Mundial pelo Exército Nazista, estava no Brasil fazendo uma espécie de intercâmbio em 1968, quando foi pego e justiçado pela Colina (Comando de Libertação Nacional). Até aí um efeito colateral do combate à ditadura militar.

Não podemos afirmar com certeza absoluta de que pelo fato dele lutar com os nazistas, ter sido ferido em combate com os nazistas e recebido uma medalha de Hitler, o Fuhrer Nazista, que ele fosse nazista. Mas algumas coisas podem ser ditas.

Muitos soldados alemães, que não eram nazistas, desertaram, ou se entregaram as forças aliadas. Não foi o caso dele.

Muitos soldados alemães, que não compactuavam com os nazistas e também foram feridos em batalha, não quiseram ser condecorados, ou jogaram a medalha no lixo. Não foi o caso dele.

Ainda assim, a contragosto, talvez o Otto não fosse um nazista, admito esta possibilidade. No entanto ele lutou por um regime que o Exército Brasileiro combateu e contra o qual 443 pracinhas perderam a vida.

Para quem não percebeu, a homenagem se deu única e exclusivamente pelo fato de que um grupo de esquerda que lutava contra a ditadura militar, matou o soldado alemão. Se o diabo em pessoa tivesse sido morto por um grupo de esquerda naquela época, o Exército brasileiro estaria hoje homenageando o Inferno, simples assim.

Convenhamos que depois do Chefe das Forças Armadas ter batido continência para a bandeira americana, homenagear um suposto nazista que foi inimigo de guerra do Brasil, se torna plausível.

A fruta não cai longe da árvore. Este mentecapto que assumiu a presidência do país foi um militar. Tão ruim que o desligaram por transgressão grave ao Regulamento Disciplinar do Exército. Ainda assim sempre se comportou como aqueles seguranças de festa de aniversário que nunca passaram no concurso para policial. Idolatrava torturadores militares, exaltava a ditadura esse achava o maior milico da tropa.

Mesmo sabedores da vida militar pregressa desta anta, generais aceitaram fazer parte do governo dele se subordinando a um capitão. Quando se olha para isso, compreende-se a homenagem ao Otto. São iguais.

Quem perde com esta sandice são os combatentes brasileiros que tem sua honra manchada, sua importância diminuída, sua memória maculada e sua história achincalhada.  Para o Exército Brasileiro fica a imagem de que um soldado inimigo tem mais valor do que os nossos caídos que lutaram contra ele.

Claro que a comunidade judaica também não recebeu esta notícia com muito gosto. Sem entrar no mérito da maior ou menor convicção nazista do Otto, ainda assim ele havia combatido na guerra pela Alemanha Nazista, a mesma que assassinou seis milhões de judeus. Os grupos progressistas pularam da cadeira, e a CONIB (Confederação Israelita do Brasil) emitiu uma nota.

Existe nisso tudo uma enorme ironia. Este governo já chegou a dizer que o nazismo era de esquerda, algo repetido pelo inepto ao visitar o Museu do Holocausto deixando a direção do museu na obrigação de fazer um esclarecimento negando este absurdo. Bem, se o nazismo era de esquerda, logicamente o Otto combateu por um exército de esquerda. Sendo assim, o Exército Brasileiro homenageou um combatente comunista que foi morto por comunistas. Podem rir, é cômico. O mundo Bolsominion é assim mesmo.

Falando sério, o país não tem governo. O que existe é uma caricatura mal desenhada. Ele precisa ser afastado por sua total incapacidade de exercer a presidência. Seus primeiros seis meses são uma tragédia nacional e uma vergonha internacional. Não existe plano para nada, objetivos a serem alcançados, metas a serem atingidas, nada de coisa nenhuma.

Enquanto isso, o Presidente Lula, preso político, de dentro da cadeia, tem mais soluções planos para tirar o país da crise sem prejudicar os trabalhadores, do que todo o ministério governamental.

Pensando bem o único brasileiro feliz nestes dias é o ministro astronauta que vive no Mundo da Lua. Acho que ele está lá escondendo o Queirós.

Moro, tua hora chegou

Sergio Moro é o resumo de um Brasil que a gente teima em dizer que não existe, mas que se faz presente no nosso dia a dia. É o país que se imaginava no passado, aquele da Casa Grande e Senzala. Mera ilusão, Moro está aí para provar que são os medíocres do andar de cima quem realmente mandam.

Eu conheço muitas pessoas que deixaram de advogar. A principal razão deles é a decepção com o sistema jurídico. Receberam seu diploma, passaram no exame da Ordem e pensaram que estariam ajudando a sociedade a fazer justiça. No seu imaginário os maus pagavam por seus crimes e os inocentes eram absolvidos. Idealistas, eles ainda tinham em conta o Código de Ética dos Advogados, e por ele pautavam suas ações. Infelizmente a realidade logo se fez presente e com ela a desilusão com a profissão. Uma lástima que sejam eles a pularem fora abrindo mais espaço para os maus advogados.

Moro não perdeu a pose ainda. Para ele tudo pode ser relativizado. Como juiz ele nunca errou, quando muito pode ter cometido um pequeno descuido, um mero deslize, nada que possa comprometer sua ilibada conduta. Os que o acusam de conluio com o MPF exageram e deveriam estar procurando o verdadeiro criminoso, aquele que obteve suas conversas e as vazou. Matem o mensageiro.

Não há dúvidas de que a conduta de Moro não é a exceção. Como ele, juízes e desembargadores agem da mesma forma. Alguns em benefício da acusação, outros em benefício da defesa. A venda de sentenças é pratica incomum, mas existente no sistema judiciário. Toda esta sujeira sempre foi varrida para baixo do tapete. Eis que surge o The Intercept, levanta o tapete e sacode a poeira.

Agora a conduta pouco republicana de Moro precisa ser contida o mais rapidamente possível sob o perigo de se alastrar para outros membros do judiciário. Moro precisa ser sacrificado em nome do sistema e isso é o que vai acontecer. Uma vez esclarecida a má conduta dele, Lula poderá sair livre pela porta da frente. Isto vai provar que o sistema funciona e que a sujeira pode, discretamente, voltar para baixo do tapete.

Afastar Moro não muda em nada como a justiça brasileira se comporta. Os mesmos anódinos que hoje sentam no STF e no STJ, lá vão permanecer. As mesmas decisões esdrúxulas vão continuar acontecendo e isto é apenas o reflexo do que acontece na base. Cidadãos da Senzala são condenados e penas de prisão por roubarem um chocolate e assaltantes do dinheiro público, membros da Casa Grande, saem livres desfilando suas tornozeleiras eletrônicas.

Foi dado a Moro um crédito que representa bem o poder que a elite do país dispõe. Cansados de perder eleições, desta vez eles entraram para ganhar. Para isso não fizeram economias e não conferiram diplomas nem pediram atestado de bons antecedentes para ninguém. Jogaram sujo, muito sujo. Contudo, venceram.

Quando a Lava a Jato teve início em 2009, ela teve a repercussão normal de um caso de polícia. Um doleiro era preso por lavagem de dinheiro. Mas em 2013, fica-se sabendo que o dinheiro lavado vinha de propinas da Petrobrás. Em 2014 o número de envolvidos e os valores manejados já eram um assombro. Dilma cumpria seu segundo ano do primeiro mandato com as leis anticorrupção já vigentes.

Enquanto se tratou de uma investigação puramente criminal, a Lava a Jato levou a prisão inúmeros malfeitores. Mas quando em 2015, ela se politizou definitivamente, a Casa Grande viu a sua oportunidade de voltar ao poder. Tinham tudo para vencer a eleição e colocar Aécio Neves na presidência, um filho da elite, um digno representante dos interesses dos Neoliberais, aquele que acabaria com a festa da ralé. Finalmente aeroportos deixariam de ser rodoviárias aéreas, fim das filas em restaurantes e o trabalhador voltaria para o lugar de onde nunca deveria ter saído.

Foi por muito pouco, mas Dilma venceu e o sonho virou pesadelo, e o pesadelo se transformou em uma obsessão. O PT precisava ser esmagado e Dilma tinha que de ser deposta. Um plano B foi armado. Um Impeachment destituiu a presidente eleita e o vice-presidente assumiu a nação. Temer era um deles, uma raposa política que sabia tratar de política como um balcão de mordomias. Agora era a hora de terminar de vez com qualquer pretensão de entregar o poder para um trabalhador novamente.

Não foi preciso procurar muito. Ele já estava lá. Só foi preciso convencer delatores a dizerem o que queriam escutar. Se delatassem conforme o script, poderiam deixar aquelas celas e voltar para suas mansões. Até parte do dinheiro roubado poderiam ficar com eles. E assim foi. Uma denúncia de pouca relevância em 2014 contra Lula começou a ser requentada. Leo Pinheiro, preso, passa a delatar qualquer coisa que os procuradores desejassem escutar. Aceita inclusive mudar seus depoimentos de maneira a ficarem coadunados com a necessidade de envolver Lula com o triplex.

Moro ia bem no projeto de poder da elite brasileira, mas já produzia disparates que logo eram saudados e encobertos pela mídia. Assim sendo, levar Lula para depoimento de coercitivo sem nenhuma razão legal e vazar o fato para a imprensa, foi visto como um pequeno exagero sem maiores consequências, uma vez que a população acompanhava tudo pela TV em êxtase.

Tivesse naquele momento o judiciário tomado uma atitude não contemplativa, mas menos tolerantes, talvez não tivessem ajudado a alimentar o monstro. Não o fazendo, foi fácil desprezar o vazamento dos grampos envolvendo não apenas conversas familiares de Lula, mas até mesmo aquelas envolvendo a Presidenta Dilma. Eles seguiam fazendo ouvidos moucos as denúncias contra Moro.

A grande mídia, abraçou a causa. A elite agora estava com a faca e o queijo na mão, com supremo, com tudo. Lula estava preso e encarcerado. Moro o herói nacional era um juiz medíocre útil e aquela rapaziada do MPF, perfeitos para o que estava por vir.

O processo eleitoral começou e logo se viu que o povo não aceitava Alckmin, o preferido deles. Almoedo, nem com camiseta do Itaú emplacava. Só restava uma chance e ela se chamava Bolsonaro. Não seria tarefa fácil emplacar um racista, homofóbico e misógino para presidente do Brasil. Só havia uma maneira: produção de notícias falsas, fake News como ficaram conhecidas. Empresas especializadas foram contratadas a peso de ouro e logo surtiram efeito. Os ataques ao PT fizeram Bolsonaro disparar nas pesquisas e deram a ele a vitória.

Com a ajuda das Fake News de um lado, e o afastamento de Lula da corrida presidencial, graças a Moro, o caminho da presidência foi conquistado com uma diferença de 10 milhões de votos no segundo turno. Agora era hora de cumprir promessa de campanha e Moro assume o Ministério da Justiça.

Mesmo ministro, ele não deixou de ser o que sempre foi. Sua medida anticrime não emplacou no Congresso. Fez vistas grossas para o decreto sobre armas, das medidas de alteração das regras de trânsito e para completar, gostaria de baixar o imposto sobre o cigarro.

Moro e Bolsonaro se merecem. Um vai cair logo, o outro é uma questão de tempo. Ambos são produto da nossa elite. O que esta elite fez para o Brasil não pode ser esquecido, tampouco perdoado.