Um dos argumentos preferidos dos antissemitas, de esquerda ou de direita, quando se trata dos judeus, é dizer que eles são apenas parte de uma religião, que não existe um povo judeu, muito menos com direito a uma nação. Na mesma linha de pensamento, os palestinos seriam o povo com direito ao que hoje é Israel.
Claro que neste caso teríamos de admitir a existência de tal povo palestino. Mas será que eles existem? Para poder esclarecer este fato é preciso voltar na história e vamos começar perguntando e eles próprios.
Em 1977, em uma entrevista concedida pelo líder da OLP Zuheir Mohsen, ao jornal holandês Trouw ele declarou: “O povo palestino não existe. A criação de um estado palestino é apenas um meio para continuar a nossa luta contra o Estado de Israel em nome da unidade árabe. Na realidade, hoje não há nenhuma diferença entre jordanianos, palestinos, sírios ou libaneses.”
Em novembro de 2017, a TV oficial da Autoridade Palestina mostrou uma entrevista com o famoso historiador Abd Al-Ghani Salameh sobre os cem anos da Declaração Balfour. Durante a entrevista Salameh explicou que em 1917 não havia um povo palestino. Disse ele: “Antes da Declaração Balfour, quando o governo Otomano terminou (1517-1917), as fronteiras políticas da Palestina como as conhecemos hoje não existiam, e não havia nada chamado de povo palestino com uma identidade política, como conhecemos hoje. As linhas de divisão administrativa da Palestina se estendiam de leste a oeste e incluíam a Jordânia e o sul do Líbano. Como todos os povos da região, (os palestinos) foram libertados do domínio turco e imediatamente passaram para o domínio colonial (britânico e francês), sem formar uma identidade política”.
A razão para esta afirmação parece estar bem clara se voltarmos no tempo. Enquanto os ingleses dominaram o território denominado por eles de Palestina, entre 1920 e 1947, todos os habitantes da região eram denominados de Palestinos; no entanto, os árabes não aceitavam serem chamados desta forma. Em 1919, durante um Congresso de Associações Muçulmanas e Cristãs da região realizado em Jerusalém, foi declarado: “Consideramos a Palestina como parte da Síria árabe, da qual nunca se separou em nenhum momento. Estamos conectados com ela por laços nacionais, religiosos, linguísticos, morais, econômicos e geográficos”.
No ano seguinte em outro Congresso, mas desta vez em Damasco, de cidadãos árabes da Palestina, foi defendida a unidade Pan-Síria. Na verdade, todos os nascidos durante o período do Mandato Britânico da Palestina entre 1923 e 1948 tinham o termo “Palestina” carimbado nos passaportes. Acontece que os árabes ficavam extremamente ofendidos quando chamados de palestinos: “não somos palestinos, somos árabes. Os palestinos são os judeus”.
Em 1920, o Príncipe Faisal, que era simpático à presença de judeus na Palestina, tentava sem sucesso governar a Síria, e terminou por receber de presente o Iraque. Assim nasciam futuros países que não obedeciam a fronteiras naturais, nem mesmo populações afins.
Nesta linha aparece um Mufti radical em Jerusalém que dá início à violência na Palestina. Mohammad Amin al-Husayni, filho de uma importante família muçulmana da cidade, se constituiu em um violento oponente dos ingleses na sua luta pela autonomia da Palestina. Ele se opunha ao estabelecimento de um Estado Judeu no território.
Durante a revolta árabe entre 1936 e 1939, foi um grande instigador de ações contra os ingleses e os judeus. Com o fim da revolta em 1937, perseguido pelos britânicos, fugiu da Palestina, refugiando-se inicialmente no Líbano, depois no Iraque, Itália e por fim chegando na Alemanha Nazista. Lá ele se encontrou com Hitler em 1941 tentando, o apoio dos Nazistas para o pan-arabismo contra o estabelecimento de um estado nacional judaico. Promoveu o recrutamento voluntário de muçulmanos para a SS. Mesmo assim, não teve sucesso.
Finda a revolta, surge um nacionalismo árabe na Palestina, não com a intenção inicial de terem seu próprio país, mas de serem parte da Síria.
Em 1937, o secretário-geral do Alto Comissariado Árabe, Auni Bey Abdul‐Hadi, informa a comissão Peel a respeito da disputa entre judeus e árabes na Palestina que: “Não existe um país chamado Palestina. ‘Palestina’ é um termo inventado pelos sionistas. Não há Palestina na Bíblia. Nosso país foi durante séculos parte da Síria. O termo ‘Palestina’ nos é estranho. Foram os sionistas que o introduziram”.
Anos depois, em 1947, o representante sírio na Assembleia Geral das Nações Unidas, El–Khouri, disse a mesma coisa: “Eu acho que a maioria de vocês, se não todos, sabem que a Palestina era uma Província Síria. Temos laços geográficos, históricos, religiosos e raciais. Não há qualquer distinção entre os palestinos e os sírios”.
Com a partilha da Palestina e a saída dos Ingleses, eclode a guerra em 1948. Após os exércitos árabes invasores serem derrotados, uma parcela de árabes locais que haviam fugido da guerra queria voltar, mas eram considerados quinta coluna pelos que haviam resistido, não sendo, portanto, bem-vindos. Os árabes que permaneceram em Israel durante a guerra e seus descendentes ainda estão em Israel, representando hoje um quinto da população do país. Eles são conhecidos como árabes israelenses. Eles têm os mesmos direitos de judeus e cristãos, com a exceção de que não são obrigados a servirem o exército, podendo fazê-lo se assim o desejarem.
Vejam como é simples resolver o problema do conflito entre palestinos e israelenses. Basta “provar” que o outro não existe. Melhor ainda quando dito por eles próprios, afinal todos temos nossos “Sérgio Camargos”. Esta é a linha de parte da esquerda e da direita em geral. É o que vimos assistindo nestas últimas semanas. Supostos entendidos do judaísmo, antissemitas clássicos, antissionistas e ignorantes da história vem tentando provar a inexistência de um povo judeu. Inexistindo, eles não têm direito a um Lar Nacional. Assim sendo, aquilo que se chama Israel deve ser entregue aos palestinos para formarem seu Estado Nacional.
Todas as informações a respeito da inexistência de palestinos foram obtidas na Wikipédia e em artigos publicados e encontrados na Internet. A pergunta é: e daí?
Exatamente isso. O conflito não vai se resolver com a negação do outro. O conflito só pode ser resolvido com o reconhecimento do outro. É o que vem se tentando fazer há muitos anos, sem sucesso. O processo de Paz está parado há mais de 10 anos. Os lados não se entendem.
Todos aqueles que propagam ideias de destruição do Estado de Israel são inimigos dos dois povos, judeu e palestino. São parte da mesma escória nazista com quem possuem grande afinidade, sejam eles de direita ou de esquerda.
Os dois povos precisam encontrar uma liderança capaz de alcançar um acordo final. Uma solução que beneficie os dois povos. Um projeto que, por mais doloroso que seja, implique em concessões das duas partes. Um plano que permita a reconciliação e a convivência pacífica.
Nós reconhecemos o povo palestino e seu direito a um Estado.
Este é o pensamento de Judias e Judeus Sionistas de Esquerda.
Mauro Nadvorny, Milton Blay, Tania Baibich, Jean Goldenbaum e Pietro Nardella
Mais uma vez é necessário que venhamos a público denunciar um caso de ódio antissemita. Desta vez envolve o sr. Rui da Costa Pimenta, um reincidente, que disse em sua live de 12.02.2022 no canal Causa Operária TV, ao defender a “liberdade de expressão irrestrita”, e apoiar a defesa de Monark acerca da permissão de se fundar um partido nazista no Brasil, que: “(os judeus) tiraram da maleta o seu patrimônio de sofrimento, que é a questão do Holocausto nazista.” Não parou aí e continuou sarcasticamente: “Uma vez que você sofreu uma coisa deste tipo, justifica tudo até o fim dos tempos, né? Serve para encobrir todo tipo de picaretagem”. E prosseguiu com os mais vulgares e tradicionais motes: “O lobby judeu é um dos mais poderosos do mundo capitalista, um dos maiores de tudo” e “Nenhum presidente norte-americano é eleito sem a aprovação deste lobby”. E teve mais: “É o lobby que apoia o Estado de Israel. Um poder no mundo que em grande medida se escora para defender os seus interesses na questão do Holocausto.” “O Holocausto serve como justificativa para os atos políticos do presente.”
Após destilar seu primitivo antissemitismo, Pimenta volta seu ódio aos – como ele mesmo depreciativamente nomeia – “os identitários”. E em uma salada de argumentos que transitam entre a fantasia e o revisionismo, diz: “Os identitários criaram o Holocausto histórico que teria acontecido séculos atrás. Estão tentando construir este patrimônio de sofrimento para impor às pessoas qualquer coisa que passe pela cabeça deles.”
Por fim conclui afirmando que o lobby israelense se une aos empresários e arruína “o programa do rapaz (se referindo ao Monark)”: “Enquanto este pessoal sinistro e perigoso se movimentava, a Esquerda nacional seguia aplaudindo.”
O líder do PCO maldosamente, confunde israelense com judeu, pois assim ataca simultaneamente Israel e os judeus. Em resumo, ele usa de argumentos antissemitas para dizer que apoia a criação de um partido nazista, numa tentativa de evitar que amanhã o alvo seja o comunismo. Poderia ter simplesmente explicado que não há comparação possível entre nazismo e comunismo. Mas fazendo isso teria perdido a oportunidade de expor todo seu antissemitismo.
O negacionismo se vale de desacreditar fatos cientificos, históricos, apoiados em metodologias consagradas por décadas de estudiosos e pesquisadores de inúmeras universidades, para questionar o que denominam o “valor da verdade”. Apoiados em ressentimento, noções validadas por pseudociências, fake news, e impressões tidas como pós-verdade se esmeram em produzir fatos alternativos para confundir e disseminar ódios.
Queremos recordar aqui da obra de Pierre Vidal-Naquet, “Os assassinos da memória”, que elaborou como a “anatomia da mentira” (Vidal-Naquet, 1988, p. 11) se estrutura: ela parte da conclusão e busca fatos que possam fundá-la, e se necessário asfixiará os dados até que confessem o desejado.
Para o adepto do “método revisionista” segundo Vidal-Naquet, não interessa os meios utilizados para garantir suas conclusões: “A mentira pura e simples, o falso, o apelo a uma documentação completamente fantástica”.
Lamentável, Sr. Pimenta. A Causa Operária não merece a liderança de um antissemita que defende um Partido Nazista. Com certeza os companheiros comunistas que foram assassinados por este regime estão dando voltas em seus túmulos.
15 de fevereiro de 2022
Assinam:
Amigos Brasileiros do PAZ AGORA
Associação Cultural Moshe Sharet
Coordenação Apoio Women Wage Peace Brasil
Instituto Brasil-Israel
Judias e Judeus Sionistas de Esquerda
Judias e Judeus com Lula
Judeus pela Democracia
Meretz Brasil
Observatório Judaico dos Direitos Humanos do Brasil
Hélio Schwartsman, membro do Conselho Editorial do jornal Folha de S. Paulo, voltou em sua coluna do último dia 10 ao tema da liberdade irrestrita de expressão, para relativizar a manifestação de Bruno Monteiro Aiub, aliás Monark, em defesa da legalização de um partido nazista. Limitou-se a ver no YouTuber « bêbado » uma « assustadora inabilidade argumentativa, além de ignorância em relação a nazismo e antissemitismo ».
Provavelmente em tom de ironia ou para tornar o texto mais leve, o colunista da Folha escreveu que enfim podia comentar um assunto em que, por ser judeu, tinha « lugar de fala ». Errou. O nazismo não entra nessa categoria, pois apesar dos 6 milhões de vítimas judaicas, não se trata de um assunto exclusivamente judaico. Negros, ciganos, homossexuais, comunistas, pessoas com deficiência e outras minorias foram perseguidas e assassinadas por não serem arianos puros. Por isso o nazismo deu criação à figura jurídica do « crime contra a humanidade ».
O primeiro julgamento por crimes contra a humanidade foi o Julgamento de Nuremberg, no qual foram sentenciados os líderes da Alemanha Nazista.
O parágrafo 6 da carta do Tribunal Militar Internacional assim definiu os crimes contra a humanidade:
« Assassinato, extermínio, escravidão, deportação e outros atos desumanos cometidos contra a população civil, antes ou durante a guerra, assim como perseguições por motivos políticos, raciais ou religiosos em execução ou relacionados com qualquer crime dentro da jurisdição do Tribunal, com ou sem violação da legislação nacional do país onde foi perpetrado.”
Portanto, por ser o nazismo crime contra a humanidade, a vítima é a humanidade como um todo. O nazismo diz respeito a todos, a começar por aqueles que sofreram e sofrem na própria carne a discriminação.
Schwartsman se diz judeu ainda que relapso, não acredita em Deus e não deve ter entrado numa sinagoga mais do que meia dúzia de vezes em toda a vida, mas gosta de literatura iídiche e de “guefilte fish » (carpa recheada que se come nas festas judias). Mais importante, perdeu grande parte da família no Holocausto.
Em outras palavras, ele é exatamente como eu, você e outros muitos milhões de nós. De tão banal, essa descrição nem merecia estar na coluna do jornalista.
Mas de qualquer forma o essencial não está aí. Está no fato do articulista ver nas palavras de Monark e na chancela do deputado Kim Kataguiri simples ignorância. Se assim fosse, poderíamos, por que não, ver apenas ignorância nos comentários nazifascistas do presidente da República, seus filhotes e asseclas. E desta maneira, desclassificar seus crimes.
Defender a legalização de um partido nazista, com direito à verba pública, captação de recursos e acesso aos meios de comunicação para convencer eleitores de que a democracia deve ser amputada e os direitos civis negados aos negros, pessoas com deficiência, judeus, muçulmanos, LGBTQIA+, nordestinos não constitui crime na visão dos que defendem a liberdade de expressão irrestrita. Mesmo se esse partido, como todos os demais, lute pelo poder, com a diferença de que os de extrema-direita têm por objetivo acabar com a democracia (o que aliás tenta fazer Jair Bolsonaro).
Devemos admitir a existência legal de um partido que ataca a democracia? Se a resposta for sim, onde fica o Estado de Direito, razão primeira da própria democracia?
Não podemos admitir a legalização de um partido que tenha em seu programa a discriminação e o extermínio.
Na França, François Mitterrand, para não levar uma lavada eleitoral histórica, adotou o sistema de voto proporcional. Isso fortaleceu o Front National, de extrema-direita, que entrou no Congresso e nunca mais saiu da cena política francesa, chegando por duas vezes ao segundo turno da eleição presidencial. Agora, Marine Le Pen tem chances de repetir o feito e tentar, no próximo 24 de abril, se eleger presidenta da República. Enquanto isso Eric Zemmour, com um programa discriminatório, islamofóbico, xenófobo e revisionista, entra na disputa eleitoral diante do espanto dos democratas. Tarde demais, a República abriu a caixa de Pandora e hoje não sabe como fechá-la.
Na Alemanha, o AfD, Alternativ für Deutschland, de orientação neonazista, está presente do Bundestag. Na Grã-Bretanha, o partido de Nigel Farage, Independência do Reino Unido, de extrema-direita, conseguiu impor a sua pauta anti-imigração, que desembocou no Brexit, do qual hoje os britânicos sofrem as consequências e se arrependem amargamente.
Na opinião de Schwartsman ou até de outros comentaristas esquerdistas, o Estado não tem o poder de decidir quais são os discursos aceitáveis e quais não são. Isso cabe à sociedade, através do voto. Esses ignoram, propositalmente ou não, que o voto é a percepção que o eleitor tem naquele momento e não a realidade. São contra a democracia representativa.
Fazem verdadeiras acrobacias para explicar que defender a legalização de um partido nazista não significa defender a ideologia nazista. Como se fosse possível uma agremiação nazista não ser nazista. Compara-se o “direito de defender a legalização do nazismo” com o “direito de defender a legalização das drogas”.
Na tentativa de explicar o inexplicável, chegam a lembrar o absurdo de Ionesco ao reconhecerem o direito de um indivíduo de legitimar e patrocinar o antissemitismo.
No que a proposta de legalização de um partido nazista seria diferente da defesa de criação de um partido da pedofilia, da violência doméstica, da homofobia, da misoginia ou até do genocídio?
Embora aqueles que defendem a liberdade irrestrita se digam anti-Bolsonaristas, eles estão de fato com Jair Bolsonaro, pois em nome de um mínimo de coerência teriam de reconhecer o direito do presidente da República declarar-se a favor da cloroquina no combate à Covid 19, mesmo sendo responsável indireto por dezenas de milhares de mortes (inclusive segundo estudos da Universidade de Cambridge), ou ainda no direito à defesa de um torturador, da ditadura, do fechamento do Congresso, do assassinato de 30 mil pessoas, da desobediência à Corte Suprema.
Um absurdo!
Num outro artigo publicado na mesma Folha de S. Paulo em novembro de 2002, sob o título “O nazista e o pedófilo”, Schwartsman afirmava que, pelo mesmo princípio da liberdade irrestrita de expor ideias, não ficaria constrangido em defender também um pedófilo que resolvesse manifestar publicamente sua tara, desde que não tentasse colocá-la em prática.
Os defensores da liberdade irrestrita de expressão negam assim o poder avassalador da propaganda, que no caso do Monark deve ser chamada de apologia. Talvez considerem Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda de Hitler, « inocente” porque nada mais fez que defender uma ideia chamada nazismo.
Ora, a palavra circula e influencia as pessoas.
Aqueles que defendem a liberdade de expressão irrestrita não reconhecem o peso da palavra, assim cantada por Zeca Baleiro:
O peso da palavra dita, escrita
O peso da palavra grita
Palavra até parada, agita
Qual o peso da palavra?
Qual o peso da palavra?
Amor pra quem se sente só
Carinho pra quem abandona
Respeito pra quem teve dó
Luz pra quem te trouxe à tona
Telhado pra quem tava na chuva
Dois palitos pra quem vive de lona
Auto-domínio pra quem não se curva
E chave pra quem tá na redoma
Qual o peso da palavra?
Liberdade pra quem vive o vício
Destruição pra quem construiu
Ódio pra quem viu o míssil
Vida pra quem resistiu
Qual o peso da palavra?
Vagabundo pro trabalhador
Burro pro analfabeto, esperto pra quem estudou
Sabedoria pra quem sabe viver e nada pra quem desperdiçou
Qual o peso da palavra?
Divisão pra quem tem muito, pouco pra quem tem nada
Salário pra quem vigia a riqueza inalcançado
Calma pra quem controla a plebe tão conformada
O direito de defender a legalização do nazismo deve ser tratado como o direito de defender a legalização do racismo. Não faz o menor sentido, não é possível tolerar esse tipo de disparate.
JUDIAS E JUDEUS SIONISTAS DE ESQUERDA
Tânia Maria BAIBICH, Milton BLAY, Milton, Adriana DIAS, Michel GHERMAN, Jean GOLDENBAUM, Mauro NADVORNY, e Pietro NARDELLA-DELLOVA.
Muitos antissemitas acusam os judeus de tentarem monopolizar o Holocausto, como se outros não tivessem perecido na segunda grande guerra mundial. Quem faz esta afirmação não tem a menor ideia do está falando. Por isso, hoje, vou tentar colocar um pouco de ordem nesta história.
Sim é verdade que os nazistas mataram também ciganos, comunistas, LGBTs, deficientes e membros de outras minorias. Também é verdade que o número total de mortos é algo entre 70 e 80 milhões. Neste número estão incluídos mais de 20 milhões de soviéticos. Estes números incluem soldados, civis e outros em decorrência da guerra. Em todos os países envolvidos no conflito existem vítimas.
Aqui a primeira lição: a guerra envolveu países, Israel não era um país. Os mortos eram soldados e/ou cidadãos de países que combateram os alemães, ou se aliaram a eles. Foram 2000 brasileiros que perderam a vida. Sim, o Brasil entrou na guerra.
Os nazistas criaram vários tipos de campos: de prisioneiros, de concentração e de extermínio. Os campos de prisioneiros, como o próprio nome diz, abrigavam combatentes capturados em batalhas, ou que se renderam. Os campos de concentração abrigavam civis para trabalhos forçados. Já os campos de concentração serviam para exterminar pessoas.
Os nazistas resolveram que os judeus do mundo inteiro teriam o que denominaram de “Solução Final”. Criaram uma indústria para exterminá-los da face da terra. Tudo foi planejado para funcionar metodicamente de maneira a matar o maior número possível de homens, mulheres e crianças no menor tempo possível. Havia o transporte, chegada, preparação, entrada nas câmaras de gás, recolhimento dos corpos e sua incineração. Isto é o que acontecia nos Campos de Extermínio. Trabalho industrial.
Ao final da guerra, 6 milhões de judeus haviam sido mortos, entre eles, 1,5 milhão de crianças. Parte da minha família entre eles. Se salvaram antes da guerra, minha avó materna com seu marido e um de seus irmãos. Depois da guerra encontram um sobrinho e ninguém mais.
Nunca antes na história da humanidade houve algo assim. Nunca um regime criou uma máquina de matar voltada a extinguir da face da terra uma população dispersa pelo mundo. Os judeus não tinham seu país, eram parte das populações de diversos países e onde se encontravam foram perseguidos para abate pelos nazistas.
Para este acontecimento, único e indescritível não existia uma palavra que o pudesse descrever. Assim foi denominado de Holocausto. Ela significa tudo o que aconteceu, ela não pode ser utilizada para nenhum outro acontecimento pela simples razão de que nada se iguala a ele. Não dizemos Holocausto Judeu, a simples menção da palavra significa a tragédia judaica na segunda guerra.
Os alemães se achavam uma raça superior, mas não pretendiam exterminar outros povos além dos judeus. Não havia uma máquina trabalhando para aniquilar membros de outras minorias. Ao invadirem um país, os alemães perseguiam os judeus e não membros de outras minorias.
Outra grande mentira disparada pelos antissemitas é de que o Holocausto foi a razão da criação do Estado de Israel. Ora o movimento sionista surgiu no século XIX, antes ainda da primeira grande guerra mundial. O Holocausto ajudou na luta pela criação e independência do Estado de Israel, sim contribuiu também, mas não foi o acontecimento derradeiro.
É por tudo isto que nós não apreciamos quando se tenta banalizar o Holocausto. Praticamente não existe família judaica no mundo que não tenha perdido parentes mortos pelos nazistas. Não aceitamos que o termo seja comparado a outros acontecimentos, pelas razões expostas acima. Holocausto nunca mais.
Existe uma prática abominável de antissemitas tentarem equiparar o termo com a tragédia de outros povos, como a do povo palestino com a qual me solidarizo completamente. Alguns comparam sionismo a nazismo e gritam sobre o Holocausto Palestino. No fundo é o ódio aos judeus, o mesmo ódio que levou um idiota ao poder e depois a uma guerra com todas as consequências conhecidas.
Nestes últimos dias houve um surto de manifestações antissemitas por influencers e políticos. Em comum a defesa de uma pessoa ser nazista. Todos tentaram remediar o que disseram. Alguns negando que sejam nazistas ou antissemitas, outros alegando seu apoio incondicional ao Estado de Israel. Para um deles a culpa foi do álcool. Em comum o fato de que suas manifestações foram amplamente combatidas por entidades judaicas e não judaicas. A sociedade já consegue discernir o que existe por trás de tais afirmações.
O Holocausto nos trouxe muitas lições, a maior delas é de que sabemos reconhecer o preconceito de longe e não compactuamos com ele. Somos solidários com os negros e todas as minorias perseguidas.
Não existe meio nazista. Quem acredita que dar voz a eles é liberdade de expressão é um sem noção do que seja democracia e do que diz a constituição brasileira, como a de centenas de outros países. Todas condenam a apologia ao nazismo por representar um regime que não aceita a democracia nem a liberdade de expressão. Dar voz a um idiota, sempre acaba mal.
Por isso, vale a pena chamar atenção para as próximas eleições no Brasil. Já vimos o que acontece quando elegemos um idiota tupiniquim. Felizmente os tempos são outros, no entanto, as consequências para o país serão difíceis de serem reparadas. Que ele seja varrido de volta para o esgoto de onde nunca deveria ter saído.
Palestinos nos veem como inimigos, judeus de direita, que defendem incondicionalmente os governos israelenses conservadores, nos acusam de traição, e os nossos próprios irmãos de esquerda têm dificuldade em nos entender. Em nome do antissionismo, por vezes escorregam para o antissemitismo. E isso é o mais doloroso.
Dói ver grupos de um partido de esquerda queimarem a bandeira de Israel em nome do socialismo, um chargista comparar os palestinos aos judeus gazeados de Auschwitz, um colega jornalista escrever que não existe “solução para a crise no Oriente Médio que não inclua o fim do Estado de Israel”, a mídia progressista abrir espaço para pessoas que vomitam seu ódio aos judeus. Dói ver nossas lideranças condenando o bombardeio de Gaza por solidariedade aos familiares das vítimas palestinas, sem uma palavra sequer sobre as famílias israelenses, sobre o necessário reconhecimento de Israel e de uma paz justa, com dois Estados dentro de fronteiras seguras.
Somos judeus progressistas.
Nosso posicionamento é transparente, não hesitamos quando se trata de combater o presidente brasileiro e seus asseclas nazifascistas, de denunciar as consequências nefastas do neoliberalismo, de denunciar o extremismo de direita que se espalha pelo mundo, de defender a justiça social, a democracia e os direitos humanos. Não há discussão possível, somos límpidos e pensamos merecer ser tratados como tal. No entanto, a cada vez que o assunto é Israel, o olhar dos outros muda. De repente somos apontados, dedo acusatório em riste, por enxergarmos no conflito médio-oriental uma situação muito mais complexa do que a dicotomia fácil que coloca o carrasco, Israel, contra a vítima, palestinos, maus de um lado, bons do outro. Isto é maniqueísmo.
Não somos torcida uniformizada. Somos todos, ou quase, a favor de uma solução de dois Estados, vivendo lado a lado em paz e segurança, conforme o estabelecido pela ONU em 29 de novembro de 1947, em sessão presidida por Osvaldo Aranha. Nenhum de nós quer o extermínio do povo palestino. Ao contrário, queremos ver os seus direitos a uma terra, a uma nação, reconhecidos.
Amos Oz, o escritor pacifista israelense, descreveu este processo como sendo um divórcio contencioso, penoso porém necessário.
É verdade que hoje a solução de dois Estados parece um sonho quase impossível, tanto assim que alguns defendem a criação de um Estado binacional. Na prática talvez ainda mais impossível. Na Cisjordânia vivem cerca de 430 mil colonos israelenses em 132 assentamentos. Mesmo assim, vale citar André Malraux, para quem em política só a utopia é verdadeiramente interessante. É ela que deve guiar nossas ações.
Essas colônias são ilegais pela lei internacional. Em pelo menos sete ocasiões, desde 1979, o Conselho de Segurança da ONU reafirmou que elas são “uma violação flagrante do direito internacional”.
Não é possível continuar indefinidamente como está.
Os judeus de esquerda militam pela paz, muitos fazem ou fizeram parte do movimento Paz Agora, pela coexistência, por um lar para uns e outros. Quando uma bomba explode num ônibus escolar israelense, choram as crianças mortas, da mesma forma como choram as crianças de Gaza, vítimas dos bombardeios de Tsahal. Para qualquer mãe a morte de um filho é uma perda irreparável, seja ela israelense ou palestina. A dor no peito é a mesma.
Nos meios progressistas, frequentemente Israel é chamado de Estado genocida. O que os governos israelenses efetivamente não são. Não se pode comparar o que acontece na região com o genocídio tutsi em Ruanda, o armênio pelos turcos, o de Samudaripe, no Camboja, o massacre de Srebrenica, o extermínio dos índios, nem sequer com as vítimas da “imunidade de rebanho” arquitetada pelo governo federal.
Israel não é um Estado genocida, mas isso não impede que seja um país colonizador de terras que não lhe pertencem pelo direito internacional, um país expansionista, em nome de um pseudo destino bíblico.
Com Ariel Sharon, Israel deu o passo que faltava para privilegiar a segurança em detrimento da paz. As negociações foram quase abandonadas e a solução de dois Estados arquivada. Foram implantadas colônias populosas na Cisjordânia, para onde seguiram milhares de fundamentalistas religiosos e extremistas de direita, tornando impossível a imprescindível continuidade territorial palestina.
Israel é responsável e culpado. Sua atitude, indefensável. As colônias têm de cessar e as negociações precisam ser retomadas. Só que aqui entra uma questão fundamental: quem seriam os interlocutores? Os palestinos estão divididos, o Fatah, que controla a Cisjordânia e a Autoridade Palestina, não dialoga com o Hamas, que tem o poder em Gaza. O Fatah reconhece o direito de Israel à existência, enquanto o Hamas, em seus estatutos, jura combater Israel até o seu desaparecimento do mapa. Do lado israelense, a população se acomodou com a situação relativamente estável, com conflitos episódicos que os sucessivos governos de direita consideram administráveis. É sintomático o fato ocorrido durante um recente confronto com o Hamas. Enquanto os aviões israelenses bombardeavam o prédio ocupado pela imprensa internacional, em Gaza, os habitantes de Tel Aviv estavam nas ruas festejando a vitória no concurso Eurovision, como se a população israelense estivesse vacinada contra a guerra.
Durante mais de dez anos, o status quo foi conveniente tanto para Ismael Haniyeh quanto para Benyamin Netanyahu e agora o é para Naftali Bennet (que tem se mostrado ainda mais à direita que seu predecessor).
Então surge alguém dizendo que se Israel é colonizador é porque seu lugar não é ali, no Oriente Médio. E assim entramos na intrigante questão do ovo e da galinha. Quem nasceu primeiro? Quem estava lá antes?
Os judeus foram expulsos daquela região? Sim, ali foi escrita parte da história de seu povo, fato que justifica amplamente o retorno e a decisão da comunidade internacional, de consciência pesada por ter fingido que não via o holocausto. Na Antiguidade Oriental (Oriente Médio), os hebreus, também chamados judeus ou israelitas, habitavam Canaã (território do atual Estado de Israel). As raízes do judaísmo estão ali, fincadas naquele solo. Isso ninguém pode negar.
No entanto, os palestinos ali estavam nos séculos XIX e XX , tendo sido expulsos de suas casas, de suas terras, famílias foram separadas, muitos tornaram-se refugiados. Originalmente, os palestinos se estabeleceram em uma área entre a Jordânia e o atual Estado de Israel. A dominação deste território, que no fim do século XIX contava com cerca de 500 mil habitantes, remete à crise do Império Otomano, que anteriormente controlava a região.
As colônias agrícolas de palestinos começaram a ser fundadas no ano de 1862.
Isso tampouco se pode negar.
Muitos judeus europeus, influenciados por pensadores do final do século XIX, começo do XX, pensaram em se assimilar, inspirados nos valores da Revolução Francesa, que pregava a igualdade de direitos para todos. Até mesmo o jovem Theodore Herzl (antes de se tornar o pai do sionismo político) chegou a defender a conversão ao cristianismo, antes de se dar conta, ao cobrir o caso do capitão Dreyfus, acusado de espionagem por ser judeu, que o antissemitismo não tinha sido abolido na “pátria” dos direitos humanos.
O jornalista israelense Ari Shavit, em Minha Terra Prometida, descreve magistralmente esse nó que está no cerne do conflito israel-palestina. Os dois povos têm razão e, assim sendo, não há solução satisfatória. Por isso, as concessões precisam ser imensas, mexendo em sentimentos profundos de injustiça. Porém, assim deve ser.
Os palestinos sofrem ainda mais por verem seus ex-amigos árabes lhes virarem as costas. Hoje, os habitantes, sobretudo de Gaza, só podem contar com os apoios do Qatar e do Irã xiita, este interessado em se impor como líder regional em contraposição à Arábia Saudita wahabita. Teerã financia o Hezbollah, no Líbano, o Hamas e a Jihad Islâmica, movimentos armados que nunca aceitaram a partilha da região nem a existência de Israel.
A tragédia palestina também é político-religiosa, na medida em que o Hamas tentou impor a sharia, a lei islâmica estrita, em que meninas e meninos não podem frequentar as mesmas escolas, as mulheres não têm seus direitos nem sua segurança reconhecido, são vítimas da violência doméstica, o desemprego entre as mulheres chega a 71 %, muitas meninas são obrigadas a se casar ao chegar à puberdade, homossexuais são presos.
Os moradores de Gaza são miseráveis, têm eletricidade duas horas por dia, o desemprego atinge metade da população, só 10 % têm acesso à água potável e, para piorar ainda mais, o Hamas acusa a Autoridade Palestina de se aliar à Israel e Egito no bloqueio à Faixa.
Muitas doações da União Europeia para obras de infraestrutura são desviadas para outros fins.
Israel é responsável pela situação em Gaza? Claro que é, mesmo se os seus soldados saíram de lá em 2005. Mas não é o único. Uma análise objetiva (na medida que isso é possível) deve responsabilizar todos os integrantes do puzzle, inclusive lideranças palestinas, algumas das quais acumularam fortunas de origem nem sempre transparente.
Israel é um país segregacionista? Sim, os árabes não têm os mesmos direitos dos judeus, mesmo se um partido árabe israelense, muçulmano, hoje faça parte da coalisão governamental. Há de se reconhecer que existe uma espécie de apartheid em Israel. Prova, como se necessário fosse, que Israel não é para amadores e não deva ser visto com olhos apaixonados da arquibancada de um Fla X Flu.
Somos judeus de esquerda. Talvez seja difícil para quem não o é entender por que Israel é fundamental para nós, e ainda por cima somos majoritariamente pouco religiosos, ateus ou agnósticos, cem por cento laicos (conceito diverso de ateu, e que significa dizer: somos a favor do Direito, e não da Religião, organizando a política e a estrutura do Estado, aliás, do Direito dando a todos, religiosos e irreligiosos, a faculdade de viver em pluralismo e diversidade), muitos casados com não judeus.
Israel é criticável e criticado. Porém, que o seja “só” por seus erros, que não são poucos.
Israel é o nosso seguro de vida. Estamos intimamente convencidos de que se Israel desaparecer, como querem os antissionistas, nós também desapareceremos, mais cedo ou mais tarde. Por quê? Porque sempre foi assim; a história nos ensina. Todos conhecem a Shoá e seus 6 milhões de judeus assassinados. O que alguns talvez não saibam – ou finjam não saber, é que a perseguição aos judeus é muito, muito anterior a Hitler. Historicamente, o judeu é o «outro», o bode expiatório, que deve ser discriminado, varrido do mapa.
Os judeus fazem questão de ter seu próprio país porque passaram milênios ameaçados de extermínio.
Israel não nasceu da necessidade de celebrar ser judeu, mas do direito de existir sem perseguição.
Nunca os judeus foram tão assimilados quanto no primeiro terço do século XX, na Alemanha; deu no que deu.
Somos ao todo 14 milhões de judeus, representando 0,2% da população mundial. O mínimo que se pode dizer é que o barulho é desproporcional ao que representamos. E isso tem nome: antissemitismo. Com certeza, cada um de nós tem histórias a contar sobre atos de discriminação sofridos durante a vida, relembrando que somos todos, sem exceção, filhos, netos, bisnetos de refugiados, de perseguidos, de expulsos.
Muitos migraram da Europa central e do leste para o Brasil, após a Primeira Guerra, vítimas dos pogroms na Europa.
“Meus avós”, conta o Blay, “migraram da Polônia e Bessarabia para o Brasil, após a Primeira Guerra, vítimas dos pogroms na Europa. Paula, minha avó, quase moribunda, num gesto de derradeira vontade fez questão de se naturalizar brasileira, pois não queria ir embora polonesa, como filha de um país antissemita. Uma de suas irmãs, que queria muito estudar, negou-se a partir de Cracóvia, obteve no mercado negro uma carteira de identidade como prostituta e assim pode prosseguir os estudos, o que lhe era negado como judia. Acabou morrendo em Auschwitz, a poucos quilômetros da escola, antes da existência de Israel.”
Casos como este pontuam a nossa história.
Nosso papel, como progressistas, é tentar restabelecer a verdade e a justiça. Sem concessões, reconhecer os direitos, deveres e sofrimentos de todos – judeus e muçulmanos, palestinos e israelenses. Sem exceção. Em nome de nossa integridade, temos o direito de ser reconhecidos dessa maneira, antes de mais nada pelos companheiros com quem dividimos valores e para quem a fístula do antissemitismo ainda é – infelizmente – um abcesso a ser extraído.
Alguém me perguntou se para ser Judeu era necessário conhecer a Torá. Respondi: “é muito bom conhecer a Torá, mas não, não é preciso conhecer a Torá para ser Judeu; é preciso, contudo, não fazer ao outro o que você não quer que façam com você.”
E continuei: “para ser Judeu é preciso ter educação, e saber a diferença entre a sua casa e a casa do outro, ainda que seja uma casa virtual e, assim, na casa alheia fale pouco, não se movimente além do necessário e não dê palpites infelizes.”
E concluí: “os Patriarcas não conheciam a Torá, porque não havia Torá em sua época, mas tinham, e muito, educação, por isso transitavam entre os povos com respeito mútuo.”
Um perfil em quaisquer das redes sociais, é como uma casa (diferente de um grupo de perfis). E, assim, há critérios de etiqueta e educação para se manifestar na casa alheia. Não vá à casa alheia falar besteiras, pois isso demonstra que, além de não ter educação, você deixa, expressa e publicamente claro (e registrado), que é um sem educação!
Nunca debata qualquer assunto com alguém que sabe, sobre o assunto, mais do que você. Limite-se a perguntar e ficar no plano humilde da pergunta, pois o debate pressupõe tanto o conhecimento temático quanto o retórico: sem conhecimento, você se torna um latão barulhento; sem retórica, um ruído ininteligível.
Se, contudo, você se achar na arrogância de debater um assunto que você não domina com um Mestre (e, pior, com um Doutor) deixará publicado ao mundo que você é um asno, um asno arrogante, mas asno, e todo o seu debate parecerá ruído de cascos. Em outras palavras, as redes sociais realmente estão abertas, mas saber quando e com quem debater é sinal de sobrevivência.
Peça licença para entrar, e espere que ela seja dada. Diga “muito obrigado” ao sair, e não cuspa no prato no qual comeu. Lembre-se: você pode ser um asno, mas o mundo não precisa saber disso (guarde esse segredinho só para você...).
Se você tiver dúvida sobre o motor do seu carro, procure um mecânico; sobre construção, um engenheiro; sobre seus direitos, um Advogado; sobre saúde, um médico; sobre vacinas, um imunologista, farmacologista, infectologista (nunca os asnos da internet); sobre livros na biblioteca, uma bibliotecária; sobre sistema elétrico, um eletricista; sobre passaporte, o Consulado; sobre a Ciência do Direito, um Professor de Direito (nunca um Advogado, Promotor, Juiz ou Estagiário, pois estes são operadores do Direito, não Professores); sobre seus demônios internos, um Psicólogo; sobre como plantar, um agricultor; sobre cadáveres, um médico legista; sobre Educação, um Educador; sobre Economia, um economista e; sobre educação, seus pais; sobre Teologia, um teólogo; sobre Ciência da Religião, um cientista da Religião; sobre Israel e Palestina, procure israelenses e palestinos (que tiverem algum grau de conhecimento jurídico, político, geográfico e histórico);
NOTA FINAL
Se você entender tudo isso será bastante para viver bem, entrar em espaços alheios bem, manter-se em espaços alheios bem, sair e deixar aquela impressão de que você pode voltar. Ah, sim, se você entender tudo isso, já será um sinal de que não é um asno arrogante!