Se por “sionista” entendemos ser a favor do Estado de Israel, sou sionista. Se, entretanto, e concomitantemente, for contra o direito dos Palestinos a um Estado, sou antissionista.
Se por “sionista” entendemos ser a favor de direitos iguais dos (e para os) vários grupos (árabes, drusos, cristãos, judeus, religiosos, ateus, brancos, negros etc) que vivem em Israel, sou sionista. Se, entretanto, for a defesa de um Estado Judeu, exclusivo para Judeus, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos o pensamento dos primeiros líderes dos Kibutzim anarquistas e socialistas, de 1870 a 1948, sou sionista.
Se por “sionista” entendemos a existência de dois Estados: Israel e Palestina, vivendo soberanamente e com autonomia, sou sionista. Se, entretanto, for a defesa de Israelenses com a eliminação dos Palestinos, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos a invasão, esbulho e ocupação ilegal, imoral e violenta da Cisjordânia por “colonos” Israelenses, e a inviabilidade da Palestina, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos a plena Democracia em Israel, sou sionista. Se, entretanto, for autoritarismo e fascismo do netanyahismo e respectivos grupos neofascistas ou religiosos, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos um sistema jurídico laico em Israel que proteja a diversidade religiosa, sexual e cultural dos vários grupos, sou sionista. Se, entretanto, for um sistema religioso fundamentalista, autoritário, obtuso, bíblico e ultrapassado, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos a filosofia do século XIX, defendida por Landauer, Buber, Einstein como resposta histórica e proteção contra o antissemitismo, sou sionista. Se, entretanto, for islamofobia, racismo, apartheid, profetismo, anticonstitucionalismo e teologização do Direito, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos a diversidade sexual e pluralidade de ideias políticas, com direitos políticos positivos e negativos de todos e todas em Israel, sou sionista. Se, entretanto, for repressão sexual, pensamento uniforme e excludente, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos chorar pelos mortos israelenses nas muitas vezes em que Israel foi atacado, sou sionista. Se, entretanto, for zombar, rir e gargalhar sobre mortos Árabes e Palestinos, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos o pensamento de David Ben-Gurion, Golda Meir, Shimon Peres etc, sou sionista. Se, entretanto, for o pensamento de Ariel Sharon, B. Netanyahu, dos ortodoxos, entre outros, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos um pensamento progressista, liberal, socialista ou social-democrata, humanista, antifascista e voltado aos Direitos Humanos, sou sionista. Se, entretanto, for o pensamento da extrema-direita, religiosa ou não, sou antissionista.
Se por “sionismo” entendemos os valores os valores mais caros do Judaísmo subterrâneo dos Profetas humanistas de Israel, e dos Ensinamentos da Escola de Hilel (e respectivos), e da filosofia de Luzzatto, Buber, Heschel, entre outros, então, sou sionista.
Enfim, ser por “sionismo” entendemos a defesa atual de Israel e seu direito inegociável de existir (ao lado de um Estado da Palestina), sou sionista. Se, entretanto, for simplesmente ataque à população de Gaza, sem critérios nem inteligência, sou antissionista!
O antissemitismo é o preconceito mais antigo conhecido. O ódio aos judeus remonta a Bíblia. Os judeus são o único povo mencionado neste Livro Sagrado que permanece vivo com sua religião, sua cultura, seu idioma e restabelecido no que foi sua pátria ancestral, Israel.
Entre os vários povos bíblicos que desapareceram ou deixaram de existir como entidades distintas ao longo da história posso destacar:
– Amalequitas – Povo nômade do deserto que atacou os israelitas no Êxodo. São mencionados pela última vez no livro de Ester.
– Cananeus – Povos que habitavam Canaã antes da conquista pelos israelitas. Foram assimilados ou expulsos.
– Hititas – Poderoso império na Ásia Menor que entrou em declínio por volta de 1200 a.C. e desapareceu.
– Jebusitas – Habitantes originais de Jerusalém antes da captura pelo Rei Davi. Foram absorvidos pelos israelitas.
– Medianitas – Povo que habitava parte da Mesopotâmia. Foram conquistados pelos persas e babilônios.
– Moabitas – Povo semítico aliado dos amonitas, inimigos de Israel. Desapareceram após invasões no século VI a.C.
– Filisteus – Povo do mar que dominou parte de Canaã. Foram conquistados por Babilônia e desapareceram.
Esses são alguns dos povos proeminentes mencionados na Bíblia que se fundiram com outros grupos ou simplesmente desapareceram ao longo dos séculos seguintes. A ascensão e queda de impérios e reinos levou ao desaparecimento de muitas dessas antigas identidades tribais e nacionais.
Nós aqui estamos e justamente na Bíblia é onde encontramos alguns dos primeiros acontecimentos antissemitas. Aqui vão 3 deles.
O primeiro acontecimento de antissemitismo conhecido na história ocorreu no antigo Egito, por volta de 1650 a.C., durante o reinado de Ramsés II. Os judeus, que eram escravos no Egito, foram acusados de conspirar contra o faraó e foram perseguidos e mortos.
Esse acontecimento é relatado no livro do Êxodo, que faz parte da Bíblia hebraica. Segundo o livro, os judeus foram libertados do Egito por Deus, que enviou Moisés para guiá-los para a Terra Prometida e é hoje lembrada no Pessach.
O segundo acontecimento, que hoje é lembrado em Purim comemora a salvação do povo judeu da Pérsia da trama de Haman, o primeiro-ministro persa, de exterminá-los. A história de Purim é contada no Livro de Ester, que é um dos livros da Bíblia hebraica.
O terceiro acontecimento bíblico que é frequentemente citado como um exemplo de antissemitismo é o da crucificação de Jesus. De acordo com os Evangelhos, os judeus foram responsáveis pela condenação de Jesus à morte. Essa narrativa foi usada por alguns cristãos para justificar o antissemitismo, argumentando que os judeus são responsáveis pela morte de Jesus.
No Império Romano, o antissemitismo surgiu devido a diferenças religiosas entre judeus e romanos pagãos, bem como alguns fatores políticos e econômicos. Restrições foram impostas às práticas judaicas e eventos como a destruição do Segundo Templo em 70 d.C.
Na Idade Média, o antissemitismo se intensificou na Europa. Os judeus eram frequentemente acusados de crimes e heresias, e eram frequentemente perseguidos e mortos. Um dos exemplos mais notáveis de antissemitismo na Idade Média foi a Peste Negra, que matou milhões de pessoas na Europa no século XIV. Os judeus foram acusados de espalhar a peste, e muitos foram mortos em pogroms.
Ainda neste período, na Europa medieval, o antissemitismo foi frequentemente motivado por questões religiosas. Os judeus foram alvo durante as Cruzadas, vistos como “assassinos de Cristo” e sujeitos à violência. As acusações de libelo de sangue também surgiram. Os judeus enfrentaram expulsões da Inglaterra, França e Espanha durante este período.
O antissemitismo continuou a existir na Europa na Idade Moderna. No século XVI, o papa Paulo IV estabeleceu o gueto de Roma, onde os judeus eram forçados a viver. No século XVII, os judeus foram expulsos da Espanha e de Portugal. A Espanha foi unificada sob a Coroa de Aragão e a Coroa de Castela, e a Inquisição espanhola buscou a unidade religiosa.
No século XVIII, a Revolução Francesa trouxe esperança de liberdade para os judeus, mas o antissemitismo continuou a existir.
O caso Dreyfus foi um escândalo político que dividiu a França de 1894 a 1906. Em 1894, o capitão Alfred Dreyfus, um judeu, foi acusado de traição por fornecer informações militares secretas ao Império Alemão. Dreyfus foi julgado e condenado à prisão perpétua na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa.
No entanto, surgiram dúvidas sobre a culpa de Dreyfus. Em 1896, um documento secreto foi descoberto que indicava que outro oficial, Charles-Ferdinand Walsin Esterhazy, era o verdadeiro traidor.
Apesar das evidências, o governo francês continuou a defender a condenação de Dreyfus. Isso levou a uma onda de protestos, tanto na França quanto em outros países.
Em 1898, o escritor Émile Zola publicou um artigo no jornal L’Aurore, intitulado “J’accuse!”, no qual acusou o governo francês de conspiração para incriminar Dreyfus. Zola foi condenado por difamação e exilou-se na Inglaterra.
Em 1903, um novo julgamento foi realizado para Dreyfus. Dessa vez, ele foi absolvido e readmitido no exército.
O caso Dreyfus teve um impacto profundo na França e no mundo. Ele expôs o antissemitismo profundamente enraizado na sociedade francesa .
Os pogroms foram ondas de violência antissemita na Europa entre os séculos 19 e 20, perpetrados com a conivência ou encorajamento das autoridades. Na Rússia Czarista, centenas de pogroms ao longo de décadas vitimaram milhares e forçaram a emigração em massa de judeus. Na Alemanha nazista, a Kristallnacht em 1938 destruiu propriedades judaicas em todo o país, um prenúncio do Holocausto. Na Ucrânia, Polônia, Romênia e outros locais, pogroms levaram a milhares de mortes, ataques a comunidades inteiras e destruição generalizada, manifestando o ódio antijudaico pré-Holocausto. Foram um dos capítulos mais sombrios da história europeia.
O Holocausto, o assassinato de seis milhões de judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, foi o exemplo mais extremo de antissemitismo na história.
O uso do termo “Holocausto” especificamente relacionado ao genocídio dos judeus pelos nazistas surgiu na década de 1950. Foi popularizado pelo historiador judeu Leonard Dinnerstein em seu livro de 1955 “O Holocausto Americano”, sobre antissemitismo nos EUA.
Em 1959, o escritor e sobrevivente do Holocausto Elie Wiesel usou “Holocausto” em seu livro “Noite” para se referir à sistemática destruição dos judeus europeus. A partir daí, o termo ganhou amplo uso internacional.
A escolha de “Holocausto” remete à escala industrial do extermínio de 6 milhões de judeus pelos nazistas, retratando sacrifícios humanos em massa. Transmite a noção de incineração e aniquilação total que ocorreu nos campos de concentração durante o regime hitlerista.
Atualmente, “Holocausto” é o termo histórico padrão em inglês para o genocídio nazista contra os judeus. Ele carrega todo o peso e significado singular desse evento sem paralelos na história da humanidade.
O antissemitismo permaneceu após a Segunda Guerra Mundial. Na União Soviética, houve ondas de repressão. O conflito árabe-israelense também alimentou o antissemitismo no Oriente Médio. Grupos neonazistas e da supremacia branca continuaram a promover teorias conspiratórias antijudaicas e ódio.
No século XXI, houve uma série de ataques antissemitas, incluindo o assassinato de 11 pessoas em um ataque terrorista à sinagoga Tree of Life em Pittsburgh, EUA, em 2018.
As motivações do antissemitismo são complexas e variadas. Os fatores religiosos, econômicos, políticos e sociais desempenharam um papel na propagação do antissemitismo ao longo da história. Em comum que sempre foram usadas para justificar a perseguição e o assassinato de judeus.
Fatores religiosos
O antissemitismo religioso é baseado na crença de que os judeus são um povo inferior ou culpado por crimes ou heresias.
Fatores econômicos
O antissemitismo econômico é baseado na crença de que os judeus são ricos e poderosos e que controlam a economia.
Fatores políticos
O antissemitismo político é baseado na crença de que os judeus são uma ameaça à ordem social ou política.
Fatores sociais
O antissemitismo social é baseado na discriminação e no preconceito contra os judeus. Essa discriminação pode ser baseada em estereótipos ou crenças falsas sobre os judeus.
Nesta onda atual aparecem os antissionistas, judeus e não judeus, que de pronto se declaram que não são antissemitas. Alguns por sua chamada “ascendência” judaica, e os demais com a tradicional justificativa do estado colonial, imperialista etc.
No que se refere aos judeus, existe o conceito do “self-hate judeu” ou “judeu auto odiador”, que se refere a um judeu que supostamente tem atitudes, crenças ou políticas antissemitas, demonstrando falta de identificação com o judaísmo e até mesmo ódio contra o próprio povo judeu.
Algumas características comumente atribuídas ao self-hate judeu:
– Rejeição ou negação da própria identidade e herança judaica, quando lhe convém.
– Sentimentos de vergonha, culpa ou inferioridade em relação ao judaísmo, as vezes relacionado a traumas de bullying na infância.
– Adoção de estereótipos e preconceitos antissemitas contra judeus como forma de destacar entre os antissemitas não judeus.
– Suporte a políticas ou ideologias antijudaicas e antissionistas, neste caso se intitulando judeu como forma de aceitação entre os não judeus.
– Desejo de assimilação total na sociedade não judaica, encerrando assim seu problema com o judaísmo.
– Ódio irracional ou generalizado contra Israel e o sionismo, como forma de enfrentar seu auto ódio.
– Colaboração com inimigos históricos dos judeus, como uma forma de fazê-los pagar por sua rejeição.
Já os não judeus antissemitas, em colaboração ou em separado, com outros judeus usam a retórica antissionista para disfarçar e legitimar seu preconceito contra os judeus. Eles fazem isso de algumas maneiras:
– Ao demonizar Israel, usando termos como “estado apartheid”, “genocídio” e “nazismo” de forma desproporcional e não aplicados a outros países. Isso mascara o preconceito específico contra o estado judeu.
– Ao negar o direito à autodeterminação do povo judeu, característica única ao caso israelense e que ignora a necessidade histórica de Israel como um lar para os judeus.
– Através do uso de padrões duplos, condenando Israel por ações que ignoram ou perdoam em outros países.
– Ao afirmar que o sionismo é uma ideologia racista ou imperialista, mas sem fazer as mesmas críticas a movimentos nacionalistas não-judeus.
– Utilizando teorias conspiratórias antissemitas, como acusar os judeus de controlar os governos ocidentais e a mídia para beneficiar Israel.
– Promovendo o boicote a Israel, mas não a países com piores registros de direitos humanos, o que sinaliza uma motivação específica contra o Estado judeu.
– Ao negar o direito à autodeterminação apenas do povo judeu, enquanto defende tal direito para palestinos e outros grupos.
Assim, a retórica antissionista serve para encobrir motivações mais profundas de intolerância e ódio aos judeus em geral, e não apenas críticas legítimas às políticas do governo israelense.
Já são centenas de casos de antissemitismo ao redor do mundo desde o início da guerra. Dezenas de manifestações por Palestina Livre – Do Rio ao Mar. Nelas, nenhuma menção ao massacre dos 1400 civis israelenses e o sequestro de outros 240 para Gaza.
Acho que agora já fica bastante claro que o atual conflito com o Hamas não está “criando” antissemitismo no mundo. Ele é apenas o gatilho que dispara a onda de preconceito que nunca deixou de existir e vai continuar existindo.
O pior é saber que enhuma criança nasce odiando. O ódio é ensinado.
Minha nonna, nascida no Ghetto, não era exatamente uma “religiosa”, era uma anarquista, antifascista e que se opôs muito às forças opressoras garibaldinas (do Norte).
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O tanto que ela me ensinou de Judaísmo era fundamentalmente o “Shemá Israel” (e coisas de ética e comida judaicas), e me dizia que isso, apenas isso, me ajudaria a não ser submetido ao mundo, à idolatria ou a homens (mitos, heróis, deuses fálicos etc).
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De fato, o “Shema Israel” é quase tudo o que tenho precisado no meu giro pelo mundo, é quase toda energia de que preciso para não ser submetido. O “Shema Israel” deu a ela, minha querida nonna, e dá a mim – e aos meus filhos depois de mim, um sentido de judeidade, uma alma judia (bastante anarquista) e alguma coisa que me faz ficar no alto, no bem alto.
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Enfim, todas as vezes em que ouço ou profiro o “Shemá Israel”, não escuto a voz de “D-us”, escuto a voz da minha nonna…
1. Deus (sem apóstrofe para todos e todas entenderem) condena a ingratidão (pessoas arrogantes que não sabem agradecer a quem lhes ajuda), por isso mesmo destruiu Sodoma e Gomorra. Ser ingrato é ser arrogante e esquecer de quem ajudou e isso representa iniquidade para Deus;
2. Deus condena a exploração do trabalhador e, por isso mesmo, libertou o povo judeu da servidão do Egito. Deus odeia tanto a servidão, a exploração do trabalhador, que mandou dez pragas sobre os opressores e exploradores egípcios;
3. Deus condena a avareza e a dedicação sem limites para o trabalho, e para ganhar dinheiro e adquirir coisas sem medida nem limite, por isso mesmo criou um dia, o dia do descanso, no qual não se compra nem se vende, no qual não há lufa-lufa, no qual se descansa, e vive-se para a família e coisas lúdicas. Deus deu aos homens seis dias (seis dias trabalharás e farás toda a sua obra…), e determinou que um dia, o sétimo dia, seja dedicado ao descanso. Quem trabalha dia e noite sem parar, pensando em bens e riquezas, não vê a vida passar…
4. Deus condena a idolatria, qualquer idolatria, inclusive a do dinheiro, ou a de transformar homens em deuses, em ídolos e em mitos;
5. Deus determinou que os idosos, crianças, órfãos e doentes sejam ajudados, protegidos, alimentados. Toda política pública deve ter os idosos, crianças, órfãos e doentes como objetivo primordial;
6. Toda fakenews é condenada por Deus, porque a fakenews (informação falsa ou mentirosa) viola o preceito de dar testemunho verdadeiro e de falar a verdade (emet). Qualquer pessoa que recebe informação falsa, mentirosa, e a retransmite está afrontando o preceito divino e bíblico;
7. Deus determinou que as pessoas não pratiquem “lashon hará” (língua para o mal). Mexericos, fofocas, falso testemunho, mentiras, acusações infundadas e sem provas, calúnias, maledicências etc, são exemplos de língua para o mal. A punição é que a vida de quem pratica “lashon hará” vira um lugar de lepra;
8. Deus determinou que se pagassem “dízimos”, dois “dízimos”, sendo um para os sacerdotes (ISRAELITAS) do Templo de Jerusalém. O outro para os pobres de Jerusalém. A cobrança de dízimos não é feita entre os Judeus desde o ano 70 (há 1910 anos atrás) porque o Templo foi destruído e os sacerdotes (ISRAELITAS) dispersados. Hoje, a cobrança de dízimo é prática ilícita e caracteriza estelionato (Art. 171 do CP);
9. Deus determinou que se fizesse JUSTIÇA e se agisse com BONDADE e MISERICÓRDIA sobre a terra. Toda injustiça, maldade e falta de misericórdia ofendem a dignidade de Deus;
10. Todos os homens e mulheres são iguais; sejam negros, brancos, asiáticos, de qualquer origem e diversidade. A discriminação contra negros, indígenas etc, por exemplo, ofende a Deus.
11. Os nossos Patriarcas (Abrahão, Isaque e Jacó) nunca oprimiram os outros povos por causa das suas crenças. Viveram entre entre os povos e sempre, SEMPRE, respeitaram as crenças dos outros povos. A fé dos patriarcas nunca foi impositiva para outros povos.
12. Por último, Deus determinou que seus filhos jamais se associassem aos poderosos, jamais se dobrassem para poderosos e jamais se juntassem a poderosos para oprimir o povo. Ao contrário, Deus determinou que seus filhos ficassem ao lado dos pobres e oprimidos.
No outro dia, chegamos bem cedo aos arredores da Provincia di Napoli, bem perto do nosso antigo Quartiere Ebraico e da antiga Sinagoga Scuola (Ah, a Sinagoga Scuola!). Fomos entrando e meu filho vendo aquelas construções antigas, outras modernas, com flores nas janelas iluminadas pelo sol da manhã. Já havia alguma movimentação pelas ruas e ele ficou com os olhos arregalados por chegarmos ali. Deixamos, então, o carro em determinado lugar, e saímos caminhando pela Via Appio Claudio e Piazza della Republica. Meu filho olhava tudo em redor, aqueles terraços com roupas penduradas no alto, parecendo cantinas a céu aberto, quando atravessamos a Via Giambattista Vico, meu filho parou, emocionado, e disse-me:
– Babbino, estou sentindo aquele mesmo perfume do meu nonno neste lugar – que saudade!
Abracei-o sem dizer nada, e fomos a um bar, próximo ao Castello Baronale,pois aquele momento exigia mais um caffè na Piccola Caffetteria, e nas mesinhas da calçada, deixando o frágil sol sobre nossos rostos, porque estava muito frio, pedimos nosso macchiato.
Meu filho é de expressão aberta, e se está aborrecido vê-se em sua face, e quando alegre, seus olhos verdes brilham, sua pele fica iluminada e o sorriso fica estampado! Ele estava com os olhos vívidos, a face iluminada e o sorriso marcadamente estampado, e seu café à mão, olhando-me profundamente e vocalizando ‘O Paese d’ ‘o Sole. Pus meu café sobre a mesa e minha mão sobre seu ombro:
– Ecco figlio, das sementes que plantamos, recebi flores, árvores e frutos! Porém, a maior alegria é tê-las plantado, porque a vida fica por conta da simplicidade e vale mais, bem mais, que a existência. A vida é Poesia e música, caminho, encontro, planícies, ar. A existência é poema e barulho, estrada, distância, labirinto, gases sufocantes. E a violência feita contra um ser, qualquer ser, é feita contra todos e contra o Eterno!
O amor é mesmo semear atos de bondade! A sabedoria é nunca chamá-las de semente! E o coração é o universo onde a vida é privilegiada com Shalom. Ali não há gritos, mortes, violação – somente música, e serenidade, e lealdade, e afeto, e delicadeza! Se eu falhar, filho, não importa. Faça do seu coração o lugar com terra boa, e deixe flores nele, de todas as que se encontrarem, com variados perfumes e cores. Mas, não morra entre elas! Faça caminhos delineados, com pedras que durem e espalhe muitas placas, placas grandes, imensas, expressivas, em todos os cantos:
AQUINÃOSEMATA!
Caminhos largos para pessoas, porque, afinal, um jardim não é sem pessoas. E não se aborreça se elas criarem passagens entre flores, de terra socada apenas, para irem e virem, e estarem, porque essa é a vida de ser humano, abrir passagens – mas, não destruir o jardim. Não queira mais que isso! As borboletas e anjos ficam por conta do Eterno.
Transforme a vida numa casa, mas não use material descartável. Ela deve durar e trazer saudades, deve deixar lembranças, lançar raízes profundas e dar frutos. Abra janelas em todas as direções e erga um teto alto, que acompanhe o telhado, a fim de ter bastante ar e música espalhada como unção e bênção humanas.
Na casa, filho, tenha poucas coisas – mais pessoas. Nenhum negócio e muitos encontros. Entre coisas, prefira as simples, rústicas e duradouras. Entre pessoas, as plenamente humanas. E, entre elas, as mulheres, especialmente as que cheiram Poesia e possam ser chamadas “bênção de D’us”, pois os seus sentidos são desenvolvidos mais que em pessoas, o seu cheiro é mais agradável e quando abrem a boca, levam os Poetas para todos os mundos.
E não se esqueça do café – ele é vital. Feito, nunca por empregadas, em coadores de pano, e servido, nunca para apressados, em xícaras pequenas de ferro esmaltado. Tudo deve ser demoradamente vivido e visto, cheirado, degustado, escutado, falado e compreendido – nunca amanhã! Por isso, a sua casa deve ser o encontro de pessoas boas, coração e música, muita música! E Poesia, muita Poesia!
Deixe pra fora aquele que coisifica e faz do mundo um manicômio, da floresta um deserto, do rio uma privada química, do humano um escravo, de um Rabi um ídolo, dos lugares sagrados um mercado. Deixe para fora o que pisa em formigas, o que pesca por esporte, o que mantém cachorro na corrente e não lhe tira os carrapatos, o que atira contra aves, sobretudo, os que matam pequenos passarinhos ou os exibem em gaiolas – com estes nem cumprimentos! Deixe fora, quem amaldiçoar crianças (sobretudo, no ventre) e desprezar idosos (inclusive aos asilos) e se chamar geração espontânea.
Deixe fora o que ama hambúrguer e o necrófago – que fotografa e filma demais, incessante e desesperadamente, e o que se põe à mesa como que diante do cocho – e ama maledicências e lashon hará, e ama celular e noites de Internet, e ama carros, e dinheiro, o necrófilo que ama fita pornô, principalmente, pedófilos, ainda que virtuais.
Aliás, deixe fora o que ama qualquer coisa e despreza o humano e o Eterno, sobretudo, o íncubo opressor, preconceituoso, prepotente, corporativista, agiota, banqueiro, latifundiário, traficante, legalista, pedófilo, sádico, mercenário, imperialista, nazista, fascista, antissemita, terrorista, torturador, carrasco (e qualquer vampiro e parasita) e, ainda, o súcubo covarde, invejoso, voyeur, masoquista, fanático, racista (negro ou branco), monarquista, republicano caffellatte, getulista, militarista, antiético, traidor, que abraça e ri o riso odontológico, sem razão, e não olha nos olhos. O mentiroso, carlista, malufista, congressista (e qualquer hospedeiro e escória da humanidade).
E, deixe para fora, também, aquele, com ou sem anel – angustiado, que espia e ama falar (bem ou mal) da vida alheia, seja em casamento, reunião de pais e mestres, formatura, churrasco, encontro eleitoral, beneficente e orgiástico, aniversário, dia das mães, dia dos pais, natal, ano novo, reunião pedagógica ou velório, esteja no cabeleireiro e Câmara, sinagoga, mesquita, templo e terreiro, SPA, clínica e academia, condomínio e favela, avião, ônibus, elevador, escada, portão, porta e janela, corredor e sala de espera, mercado e escola, boteco, clube, novela, TV, jornal, revista, Internet e ordem secreta (e qualquer maledicente em qualquer viela escura e sufocante da sociedade).
E deixe, também, o que ama flores – e outras coisas indizíveis de plástico, diplomas pendurados, relação solitária, artificial, virtual e via telefone, e o que suga o tempo alheio, a vida alheia, principalmente, de seus familiares, e o que não paga pensão alimentícia, e o que transforma uma mulher bonita em bibelô e trofeuzinho ou escrava e zumbi. Porque esses falam de mulher como de uma coisa ou ser inferior – ah, filho, este é o pior! É tão imbecil e inútil que não acredita em amor de pupilas, lábios, pão e umbigo; não acredita em Poesia, música, suor, intimidade e comunhão! E não sabe nem acredita que haja múltiplos vôos femininos. Para ele – que tranca a adega, o vinho é para negócios, ostentação e frescura. E não para ungir o umbigo e a boca de uma mulher. Este jamais leu cada uma das linhas do Cântico dos Cânticos nem sabe coisa alguma da Criação e, menos ainda, da Creação!
Então, abra a sua casa para poetas, músicos e mulheres-Poesia. Homens, só os de caráter humano, moderados na Torá e nos Nevi’im, porque a luz está (e virá com eles) e não criarão obstáculos para o seu crescimento diante do Eterno. Hai capito? Porém, não seja impiedoso, tenha misericórdia daquele que desconhece o céu, a terra, o mar, o inferno e o paraíso, e nunca perdeu o sono, nem contou estrelas, nem parou diante da lua, nem se deixou à brisa e nunca viu anjos e demônios nem olhou o vazio, nem riu à toa, nem chorou à toa, nem xingou à toa, e nunca viu uma casinha no campo vazia e abandonada, nem pôs as mãos à boca diante de uma cama e de um espelho antigos, nunca possuiu asas de arcanjo ou de inseto, para voar sobre oceanos nem quis escalar montanha alguma. Ele desconhece o material de que a alma é formada. Misericórdia, filho! Ele é insípido porque não amou nem foi amado, ainda!
Va bene, figlio mio, va bene, não é tudo! Por agora descanse, e quando estiver diante do Eterno, cubra-se com seu Talit e Kipá. E quando estiver com sua família, ponha sobre a sua mesa o pão feito em casa. Rasgue-o com as mãos, as mesmas que tocam a Mezuzá – nunca com faca. O pão puro sem as injustiças! O pão sem a liberdade de outrem, nem a fome, a cárie ou a privação de outrem, nem a nudez ou a dignidade de outrem, nem a opressão sobre outrem, nem a tristeza ou dor de outrem. O pão sem o corpo, a alma, o espírito e as afeições de outrem, nem o sangue ou a vida de outrem. A mesa deve ser simples. O seu pão, suado. E as suas mãos, filho, justas!
Pietro Nardella-Dellova, Ao Figlio e la Piccola Caffeteria, in A Morte do Poeta nos Penhascos e Outros Monólogos. São Paulo: Editora Scortecci, 2009, p. 35)
Faz alguns anos eu até discutia “academicamente” os conceitos de antissemitismo e antissionismo como diferentes em vários aspectos. Atualmente, porém, foco, não no conceito, mas na pessoa ANTISSIONISTA e, vejo que 99,9% das vezes trata-se de uma pessoa ANTISSEMITA.
O termo SEMITA (embora possa se referir aos povos semitas) foi cunhado para o JUDEU, e, assim, o ANTISSEMITA e ANTISSEMITISMO designam, independentemente do seu étimo, apenas um ANTIJUDEU e um ANTIJUDAÍSMO!
O termo SIONISMO jamais poderia ser utilizado no singular, pois há vários movimentos sionistas que vão da Esquerda anarquista e originalmente kibutziana, até a ortodoxia religiosa ou simplesmente um modus político. O antissionismo é, não apenas uma oposição ao Estado de Israel, mas uma oposição ao POVO DE ISRAEL e seu legítimo direito de ter e manter um Estado.
NOTAS:
1. Defender Israel não é, e nunca será, defender o governo de Israel, muito menos, o de Netanyahu e seu grupo schifoso!
2. Defender Israel não é, e nunca será, pretender esmagar Palestinos. Os Palestinos têm igual direito a um Estado!
3. Ser sionista legítimo, histórico e digno, é buscar a construção de uma Pátria para Judeus. Isso nunca pressupôs destruir Árabes ou, hoje, Palestinos. Há outros “sionismos”, inclusive “evangélicos”, absolutamente desprezíveis.
4. O sionismo HISTÓRICO se fortaleceu exatamente para se opor ao ANTISSEMITISMO e ganhou energia e foco na luta ANTINAZISTA e ANTIFASCISTA (nazismo e fascismo são regimes de EXTREMA-DIREITA).
5. Assim, quando um grupo de políticos Israelenses (tendo Netanyahu à testa) adota o modus da extrema-direita são eles que se tornam realmente “antissionistas” e, em boa medida, também, “antissemitas”. No primeiro caso, se colocam contra o sionismo histórico; no segundo, contra o Judaísmo essencial. Por quê? Porque o Sionismo histórico e o Judaísmo não têm nada a ver com extrema-direita.
6. Sigo sendo SIONISTA (HISTÓRICO!!!!). Sigo sendo JUDEU (daquele Judaísmo dos Patriarcas, de Moisés, dos Profetas, de Hilel, de Luzzatto, de Landauer, de Buber, de Primo Levi, de Heschel etc). Sigo sendo sionista histórico, judeu e defensor de DOIS ESTADOS para DOIS POVOS: ISRAEL E PALESTINA!