Agora, o que acontece em Israel

Agora, o que acontece em Israel

A situação da guerra está se encaminhando para um tipo de desfecho que pode surpreender muita gente. Certamente vão trazer consequências políticas inevitáveis. As peças do tabuleiro estão se movendo e as apostas estão sendo feitas.

A situação dos reféns continua sendo um espinho na garganta de todos os israelenses. De um lado temos manifestações diárias de familiares e simpatizantes por algum tipo de acordo que os libertem. De outro, começam as manifestações de familiares dos soldados caídos e simpatizantes pela continuidade da guerra até o desaparecimento do Hamas em nome de seus entes queridos que deram suas vidas com esta finalidade.

Netanyhau sabe que independentemente de como a guerra chegará ao fim, ninguém vai esquecer como ela teve início. O povo não vai perdoar a vergonhosa incapacidade das forças de segurança sob o seu comando, de terem impedido a invasão e tudo que ela trouxe consigo.

Os EUA, o principal aliado e avalista da guerra, está certo de que Israel não está perto de acabar com o Hamas e que o preço em vidas inocentes perdidas em Gaza, está se tornando um incômodo com o qual não podem concordar e continuar fazendo vista grossa. Até agora pressionavam pelo aumento da ajuda humanitária, mas já começam a pressionar Israel para não entrar em Rafiah, o último baluarte do Hamas, onde estão mais de um milhão de civis. Em Rafiah é se encontra, muito provavelmente, a direção da ala militar do Hamas e os reféns ainda com vida. Israel já começou a realizar bombardeios pontuais com efeitos colatterais.

Sinuwar, quem liderou a invasão no dia 7 de outubro, está incomunicável há cerca de 10 dias. É a ala política do Hamas quem está a frente de um possível acordo para a libertação dos reféns e um cessar fogo. Acontece que eles estão trazendo exigências que dificilmente podem ser aceitas por Israel e os dois lados precisam começar a relevar pontos importantes de suas demandas se realmente querem chegar a um acordo.

O Hamas aposta que a pressão interna em Israel para libertar os reféns vai fazer com que o governo atenda suas exigências. Israel aposta que a pressão militar intensa sobre o Hamas vai fazer com eles atendam as suas exigências. Os dois lados estão certos de suas pretensões.

Neste momento, delegações de ambos os lados se encontra no Cairo para tentarem uma aproximação. Existe uma pressão enorme de parte dos negociadores dos EUA, Qatar e Egito para que um acordo seja alcançado e as partes estejam dispostas a pagar o preço, incluindo um cessar-fogo permanente.

Netanyhau diz por um lado de que não aceita nada que não seja a destruição completa da capacidade militar do Hamas e sua exclusão de Gaza, além da libertação dos reféns. Por outro lado, já conversa com o líder da oposição Yair Lapid por apoio, no caso de ter de ceder as pressões. Ele sabe que é mais provável um acordo para libertar os reféns se um cessar-fogo permanente acontecer. Neste caso, os extremistas de direita devem abandonar o governo e Lapid daria a ele uma sobrevida temporária para o seu governo.

Também é preciso levar em conta o que está acontecendo no Norte com o Hizbalah. A cada dia que passa a situação vai se complicando e o que até agora vem sendo uma guerra de desgaste dentro das fronteiras, pode se transformar em uma guerra de fato com a invasão do Líbano para empurrar o Hizbalah para o Norte.

Os EUA também começam a se ver a cada dia, mais envolvidos no conflito. Milícias pró-iranianas na Síria e no Iraque declararam guerra as forças americanas que possuem bases militares nestes países. Soldados americanos já morreram e a situação está se escalando rapidamente com ataques de parte a parte.

E não posso deixar de falar no problema Houthi no Iêmen ameaçando a navegação no Mar Vermelho. Os EUA e aliados tentam combater estes rebeldes com ataques diários as suas bases de lançamentos de foguetes contra navios e o sul de Israel. Ainda assim, os rebeldes continuam disparar mísseis fornecidos pelo Irã.

Algo está para acontecer nos próximos dias, para o bem ou para o mal de todas as partes envolvidas neste imbróglio que se formou. Espero que possa surgir uma luz no fundo do túnel que ilumine um caminho para algum tipo de entendimento que cesse as hostilidades, mesmo que temporariamente pelo período que for.

Lula deu um tiro no pé

Lula deu um tiro no pé

No último dia 10, o presidente Lula apoiou oficialmente a denúncia por genocídio contra Israel, de autoria da África do Sul, na Corte Internacional de Haia. 14 países seguiram o mesmo caminho. Desse total, 13 não respeitam os direitos humanos nem podem ser chamados de democráticos. Mas aparentemente este tipo de reflexão não é levado em consideração; nas relações internacionais o que conta são os interesses de cada um, tanto os nacionais quanto os pessoais. É o caso do Brasil de Lula, que não está nem um pingo preocupado com a verdade e menos ainda com o aumento do antissemitismo, que cresceu “apenas” 1.000% no país, desde o início da guerra entre Israel e o Hamas.
O governo não tem hesitado em jogar no lixo o tradicional equilíbrio da sua política externa, a moderação que tantos elogios e respeito trouxeram à diplomacia do Itamarati nos tempos pré-Bolsonaro.
Talvez sem nem sequer se dar conta, Lula, ao aderir à denúncia, abriu a porteira para que a sua boiada passasse aos berros, distilando antissemitismo. Foi o aval que faltava.
Representando o Brasil na ONU, Celso Amorim foi o primeiro, ao acusar Israel de genocídio muito antes de Pretória; seguiram a presidenta do PT, Gleisi Hofman, Janja, a primeira-dama, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o ex-presidente do PT, José Genoino.
Gleisi defendeu quem chamou os judeus de ratazanas, numa alusão às perseguições sofridas na Idade Média, quando foram acusados de espalhar a peste, e ainda acusou a Conib, entidade representativa dos judeus brasileiros, de traição por agir “em nome de Israel”. Uma acusação que lembra a condenação do capitão Dreyfus pela Justiça francesa, pelo simples crime de ser judeu.
Quanto a Genoino, teve a ousadia de propor o boicote de empresas de judeus, fato que em 1938 precedeu a tristemente célebre Noite dos Cristais, em que sinagogas e negócios de judeus foram destruídos.
O ministro Mauro Vieira publicou uma nota na qual explica a posição brasileira, porém, provavelmente envergonhado, evita afirmar que Israel comete genocídio.
Mesmo assim, alguns judeus de esquerda, que como eu passaram dias e noites a fazer campanha pró Lula (e que militam pela solução de 2 Estados), ainda acreditam na boa fé do presidente, que talvez esteja sendo mal orientado e que precisaria portanto ouvir o que essa parcela do seu eleitorado tem a dizer.
Quanto à primeira-dama, lançou um manifesto em defesa das mulheres palestinas, sem nem uma palavra sequer sobre o pogrom sexual sofrido pelas israelenses no dia 7 de outubro: mulheres estupradas, esquartejadas, mutiladas, que chegaram a ter seus fetos arrancados de dentro do ventre materno e assistiram a monstruosidade de ver seus filhos assados vivos num forno. Nada disso parece tê-la sensibilizado. Janja só viu violência de um lado. Mesmo assim o presidente, apaixonado, declarou: – Ela é o meu farol.
A verdade é que a política externa derrapou e que Lula optou por acariciar a pseudo esquerda pró Hamas, que talvez seja o grosso de seu eleitorado, sobretudo no sul do país.
Tudo isso provoca antissemitismo, é lenha na fogueira do ódio. A memória da Shoah foi banalizada.
Lula parece não estar nem aí com o antissemitismo que se espalha pelo país, como se não lhe dissesse respeito. Se o Brasil optou pela adesão à denúncia sul-africana parece ter sido por duas razões: a primeira, eleitoral, óbvia; a segunda, uma jogada de política externa, uma espécie de ação de força do Sul Global, tão caro ao presidente. Que a denúncia tenha sido feita por Pretória, país membro dos BRICS, foi uma dádiva para o fortalecimento do grupo que teve o Brasil na linha de frente. O Sul Global, mais a Turquia, o Irã, a Arábia Saudita, enfim os países que querem desempenhar um papel na futura ordem mundial, como é o caso do Brasil – e de Lula, só podiam apoiar a denúncia de genocídio, que atinge os Estados Unidos e seu amigo, o “Israel colonial”.
A gesticulação faz parte da guerra contra o Ocidente. O presidente brasileiro escolheu o seu campo e espera tirar benefício, inclusive pessoal, de sua opção. Lula certamente ainda sonha em vir a ser uma liderança mundial, por isso seu caminho será pautado pela Rússia, China, Índia, pelo Sul Global, não por Washington nem por Bruxelas. Nessa nova ordem mundial pouco importa a ideologia, os valores, a democracia, os direitos humanos, o estado de direito. Vale tudo e não são mil por cento a mais de atos antissemitas, uns pogroms aqui outros lá, a invasão de um país (a Ucrânia), que vão atrapalhar a construção em andamento desse novo mundo em que nós, judeus, corremos o risco de ser, uma vez mais, bodes expiatórios.
A existência de Israel está ameaçada, por razoes externas e internas. E a nossa existência como judeus da diáspora (incluindo os brasileiros), também.
Em contrapartida, a pseudo esquerda e a extrema-direita exultam.
Navegando entre Identidades: Ser um Judeu Sionista de Esquerda em Tempos Desafiadores

Navegando entre Identidades: Ser um Judeu Sionista de Esquerda em Tempos Desafiadores

Ao longo dos últimos meses, tenho enfrentado um desafio constante como judeu sionista de esquerda. Em um mundo político cada vez mais polarizado, tenho me deparado com ataques antissemitas vindos até mesmo daqueles que compartilham muitos dos meus valores de esquerda. Apesar das dificuldades, acredito que é possível manter-se fiel aos princípios do socialismo, mesmo como defensor do sionismo.

Em primeiro lugar, é crucial compreender que o sionismo não é sinônimo de apoio inquestionável às políticas do governo de Israel. O sionismo, em sua essência, é o movimento político que buscou o estabelecimento de um Estado judeu e hoje luta por sua preservação. Acreditar no direito à autodeterminação do povo judeu não implica concordância irrestrita com todas as ações do governo israelense de ocasião.

A esquerda, historicamente defensora da justiça social e igualdade, não deveria excluir automaticamente aqueles que são sionistas-socialistas. Pode-se ser crítico das políticas específicas de Israel e, ao mesmo tempo, apoiar o direito do povo judeu à autodeterminação. Manter um diálogo aberto e construtivo é fundamental para encontrar soluções que promovam a paz na região, sem perder de vista os valores socialistas. A solução para o conflito com os palestinos é uma das bandeiras de luta do sionismo-socialista e deve levar em consideração que somente as partes envolvidas serão capazes de chegar a um acordo. Nosso dever é encorajar o diálogo na busca de uma solução pacífica.

Os ataques antissemitas que tenho enfrentado vêm de uma visão simplista que associa automaticamente o sionismo ao colonialismo e à opressão. No entanto, é possível ser um judeu sionista de esquerda e lutar contra a ocupação ilegal de terras palestinas, buscando uma solução justa e duradoura para o conflito. A complexidade do conflito israelense-palestino não deve ser reduzida a rótulos simplistas que apenas perpetuam o ódio e a incompreensão.

Como judeu sionista de esquerda, encontro força na história de lutas sociais judaicas. Muitos judeus estiveram na vanguarda de movimentos por direitos civis, justiça social e igualdade ao longo dos anos. Ser parte de uma tradição que busca justiça e equidade me orgulha e motiva a continuar defendendo os princípios socialistas, enquanto também reconheço a importância do Estado de Israel como meu lar.

Acredito que é possível conciliar a identidade judaica, o sionismo e a esquerda. Isso envolve rejeitar generalizações simplistas e promover um diálogo construtivo. À medida que enfrento desafios, mantenho-me firme na crença de que ser um judeu sionista de esquerda não é apenas possível, mas é uma expressão valiosa de diversidade de pensamento e identidade no panorama político atual.

É desconcertante observar como a esquerda, que tradicionalmente tem sido uma defensora incansável dos direitos das minorias, pode, em alguns casos, manifestar comportamentos antissemitas que discriminam os judeus. Essa contradição aponta para a necessidade urgente de uma autorreflexão dentro dos próprios movimentos de esquerda, a fim de compreender e corrigir as raízes desse problema.

A história da esquerda está intrinsecamente ligada à luta contra a opressão e a discriminação. No entanto, em alguns círculos, a crítica legítima às políticas do governo israelense degenerou em generalizações injustas que culpam toda a comunidade judaica. Essa generalização prejudicial transforma-se em antissemitismo quando questiona a lealdade dos judeus à causa progressista ou utiliza estereótipos negativos associados à comunidade.

O antissemitismo disfarçado de crítica política é particularmente perigoso, pois pode alienar aqueles que compartilham valores progressistas. O desafio é discernir entre uma crítica fundamentada às políticas de Israel e o perpetuar de estereótipos antissemitas. A esquerda, ao promover a diversidade e a inclusão, deve se esforçar para evitar cair em armadilhas que contribuam para a discriminação de qualquer comunidade, incluindo a judaica.

A polarização política global também desempenha um papel significativo nesse fenômeno. À medida que o conflito israelense-palestino se torna cada vez mais polarizado, alguns setores da esquerda adotam posições extremas que podem facilmente resvalar para o antissemitismo. É imperativo reconhecer que as divergências em relação à política externa de Israel não justificam generalizações prejudiciais sobre os judeus como um todo, ou mesmo em parte.

É fundamental promover uma compreensão mais profunda do sionismo, reconhecendo sua diversidade de interpretações, e distinguir entre a crítica legítima e o preconceito infundado. Além disso, é importante criar espaços seguros para que os judeus de esquerda possam expressar suas opiniões sem receio de serem alvo de discriminação, o que está ocorrendo sistemáticamnte.

Ao abordar o antissemitismo dentro da esquerda, é possível fortalecer os movimentos progressistas, tornando-os mais inclusivos e verdadeiramente comprometidos com a defesa dos direitos de todas as minorias. Essa autorreflexão é crucial para garantir que a esquerda permaneça fiel aos seus princípios fundamentais de justiça, igualdade e respeito, sem cair nas armadilhas do preconceito.

A recente convocação de boicote às empresas de judeus feita por figuras conhecidas, como José Genoino, levanta uma preocupação legítima sobre a possibilidade de trazer o bom senso de volta à esquerda. A questão torna-se mais premente diante de atitudes que alimentam o antissemitismo e questionam a própria essência dos valores progressistas.

É crucial questionar se ainda estamos no ponto em que o diálogo construtivo e o respeito à diversidade de opiniões podem prevalecer dentro dos movimentos de esquerda. A convocação de boicote a empresas de judeus, além de ser moralmente condenável, contradiz os princípios fundamentais da esquerda, que historicamente lutou contra a discriminação e pela inclusão de todas as minorias.

O desafio reside em como lidar com casos como esse sem comprometer a integridade dos movimentos progressistas. A esquerda, ao se deparar com declarações e ações que promovem o antissemitismo, deveria agir de maneira assertiva para desvincular tais atitudes de sua causa. Isso envolve a autocrítica e a pronta correção de comportamentos que vão contra os princípios da justiça e da igualdade. Infelizmente não é o que vem acontecendo.

O desafio de conciliar minhas identidades como judeu sionista de esquerda torna-se ainda mais complexo diante do inadmissível apoio de alguns setores da esquerda ao Hamas, uma organização terrorista que, em seus estatutos, declara abertamente sua luta pelo fim do Estado de Israel e, chocantemente, pela morte de todos os judeus do mundo. Esta postura extrema vai além de uma crítica política legítima e transcende qualquer discussão sobre o conflito israelense-palestino.

É inconcebível que a esquerda, que historicamente defendeu a justiça, a igualdade e os direitos das minorias, possa dar respaldo a uma organização terrorista que prega a destruição de um Estado soberano e a aniquilação de um grupo étnico específico. O apoio a movimentos com tais ideologias não apenas compromete os valores fundamentais da esquerda, mas também perpetua um ambiente hostil que intensifica o antissemitismo.

A defesa dos direitos humanos e a busca por soluções justas no Oriente Médio não devem ser desculpas para endossar agendas que promovem a violência e a eliminação de uma comunidade. É vital que a esquerda se distancie de qualquer movimento que adote posturas extremistas, rejeitando veementemente discursos que incitam ao ódio e à violência.

O diálogo aberto e a crítica construtiva são pilares da esquerda, mas é preciso discernir entre a promoção de soluções justas e a legitimação de ideologias que desejam a aniquilação de um povo. A esquerda deve ser um espaço de inclusão e respeito, repudiando movimentos que contradigam esses princípios fundamentais.

Ao enfrentar a complexidade de ser um judeu sionista de esquerda, é crucial não apenas questionar as atitudes antissemitas dentro do movimento, mas também confrontar de maneira inequívoca qualquer apoio a organizações que propaguem a violência e o preconceito. A verdadeira força da esquerda reside na coesão de seus valores e na rejeição firme da intolerância em todas as suas formas.

A possibilidade de trazer o bom senso de volta à esquerda está intrinsecamente ligada à capacidade do movimento de se autorregular e de rejeitar práticas que prejudicam sua própria credibilidade. O repúdio claro a atitudes discriminatórias e o apoio a organizações terroristas são passos essenciais para corrigir desvios e fortalecer a coesão dentro do espectro progressista.

É fundamental destacar que a esquerda não é homogênea, e as ações de indivíduos ou grupos específicos não devem ser generalizadas para toda a corrente ideológica. No entanto, é responsabilidade coletiva dos progressistas rejeitar atitudes que comprometem os valores essenciais do movimento.

No final, a questão central é se a esquerda está disposta a se autoavaliar e a corrigir rumos quando necessário. Se a resposta for positiva, ainda há esperança de trazer de volta o bom senso e a coesão interna. Caso contrário, a esquerda corre o risco de perder a legitimidade em suas lutas por justiça e igualdade, minando sua própria força transformadora.

Não estou revendo meus conceitos, estou revendo minhas amizades. Denunciando, tirando da minha vida e rejeitando todos aqueles que, mesmo tendo sido  companheiros de lutas por um mundo melhor, se revelaram antissemitas. Isto não me é agradável, mas necessário por um mundo melhor.

Neo-judeus: judeus que se tornaram antissemitas

Neo-judeus: judeus que se tornaram antissemitas

Há muito que procuro um termo que possa definir judeus antissemitas. São como as bruxas, não acredito que um judeu possa ser antissemita e antissionista, mas que eles existem, existem.

Passo a utilizar o termo “neo-judeu” para me referir a estes judeus Eles geralmente não são religiosos (sim, existe a seita Naturei Karta, um caso à parte), assumem uma estranha identidade judaica, e acreditam que os sionistas são uma ameaça para o mundo.

Existem várias razões pelas quais os judeus podem se tornar neo-judeus. Alguns são influenciados por ideologias antissemitas, como o nazismo, o comunismo, o fascismo ou até mesmo o islamismo radical. Outros são desiludidos com o Estado de Israel e acreditam que ele é uma força maligna no mundo. Ainda outros simplesmente se sentem alienados da comunidade judaica e procuram um novo lugar para pertencer. Neste caso, encontram geralmente grupos de esquerda onde podem se expressar mais facilmente e onde recebem abrigo fácil quando se identificam como judeus que odeiam outros judeus.

Os neo-judeus são uma minoria dentro da comunidade judaica, mas eles têm sido cada vez mais vocal nos últimos anos. Eles têm publicado livros e artigos atacando o judaísmo e o sionismo, e têm participado de protestos contra o Estado de Israel. Vários deles usam o fato de terem perdido parentes no Holocausto para terem mais visibilidade.

A ascensão do neo-judaísmo é uma preocupação para a comunidade judaica. Apesar de que os neo-judeus não representarem uma ameaça à continuidade da identidade judaica, eles contribuem para o aumento do antissemitismo na sociedade.

Os neo-judeus geralmente apresentam as seguintes características:

  • Em sua grande maioria, eles rejeitam a religião judaica (raramente são religiosos). Eles podem ser ateus, agnósticos ou descendentes de famílias mistas ou convertidas a outra religião.
  • Eles assumem uma identidade judaica própria. Se identificam como judeus conforme a conveniência.
  • Eles são antissemitas. Não participam da comunidade judaica onde vivem, e geralmente atacam as entidades judaicas constituídas.
  • Eles são antissionistas. Eles acreditam que o Estado de Israel é um estado colonialista fruto do imperialismo com um regime de Apartheid.
  • Eles consomem e divulgam com avidez todo tipo de teoria conspiratória que elenque atitudes judaicas ou sionistas com supostos fins espúrios.
  • Eles acreditam que entidades judaicas os perseguem e se colocam como vítimas dos sionistas.

As motivações para o neo-judaísmo são variadas. Alguns se tornam neo-judeus por causa de suas crenças políticas. Outros por causa de suas experiências pessoais, por terem sofrido algúm tipo de bullying na infância e/ou adolescência, e ainda por terem experimentado antissemitismo. Alguns neo-judeus simplesmente se tornam alienados da comunidade judaica. Eles podem sentir que não pertencem à ela ou que a comunidade judaica não os aceita.

O neo-judaísmo tem várias consequências negativas. Ele contribui para o aumento do antissemitismo, pois fortalece as ideologias antissemitas e seus divulgadores. Ele também mina a continuidade da identidade judaica, pois de certa forma, desencoraja judeus de se identificarem como tal.

Por outro lado, o neo-judaísmo é prejudicial para os próprios neo-judeus. Eles acabam sendo isolados da comunidade judaica, e ficam sem um lugar para pertencer. Eles também sofrem de ansiedade e depressão, pois estão constantemente lutando contra sua identidade judaica. São obsessivos quando se trata de condenar Israel, buscando diariamente se associar a tudo e a todos que pregam o fim do estado judeu. Nada mais do que acontece no mundo tem muita importância, nenhum outro conflito, massacres, genocídios, apenas o que acontece em Israel.

Eles são uma minoria dentro das comunidades judaicas, mas tem seu ódio amplificado por antissemitas em geral, sejam ideológicamente identificados como de esquerda ou de direita.

Na história

Ao longo da história, houve judeus que se opuseram ao judaísmo e ao sionismo. Essas pessoas foram motivadas por uma variedade de fatores, incluindo ideologia, religião, política e experiência pessoal.

Alguns exemplos de judeus antissemitas incluem:

  • Judeus convertidos ao cristianismo: Quando se trata de judeus antissemitas, alguns exemplos notáveis incluem convertidos ao cristianismo durante a Inquisição Espanhola ou em outras épocas de perseguição religiosa na Europa. Alguns desses convertidos, chamados de “conversos” ou “marranos”, por vezes adotaram atitudes antissemitas como uma maneira de se integrar à sociedade dominante e evitar perseguições. Durante a Idade Média, muitos judeus convertidos ao cristianismo adotaram as crenças antissemitas de sua nova religião. Por exemplo, o padre judeu convertido Johannes Pfefferkorn foi um dos principais defensores da perseguição aos judeus na Alemanha do século XV.
  • Judeus assimilados: No século XIX, muitos judeus começaram a se assimilar às sociedades não-judaicas. Alguns desses judeus adotaram as atitudes antissemitas de suas sociedades anfitriãs. Por exemplo, o filósofo judeu francês Émile Durkheim foi um dos principais defensores do antissemitismo científico.

Alguns exemplos de judeus que se dizem apenas antissionistas:

  • Lazar Kaganovich: Após a Segunda Guerra Mundial, muitos judeus se opuseram à criação do Estado de Israel. Eles acreditavam que a criação de um Estado judeu seria prejudicial para os judeus em todo o mundo. Por exemplo, o líder judeu soviético Lazar Kaganovich foi um dos principais oponentes do sionismo. Lazar Kaganovich desempenhou um papel importante no estabelecimento do território autônomo judeu de Birobidjan na União Soviética. Birobidjan foi fundado em 1934 como uma resposta oficial do governo soviético ao movimento sionista judaico. O objetivo era criar uma região autônoma judaica na União Soviética como uma alternativa à criação de um Estado judeu independente na Palestina.
  • Norman Finkelstein: É um autor e cientista político conhecido por suas críticas ao sionismo e às políticas de Israel em relação aos palestinos. Ele é filho de sobreviventes do Holocausto e se tornou uma figura proeminente nas discussões sobre Israel e o conflito na região.
  • Rabino Brant Rosen: É um rabino americano que se identifica como antissionista. Ele é conhecido por seu ativismo em questões relacionadas à justiça social e pelos direitos dos palestinos.
  • Sara Roy: É uma acadêmica e pesquisadora conhecida por seus estudos sobre a economia política de Gaza. Ela é filha de sobreviventes do Holocausto e expressou críticas às políticas israelenses em relação aos palestinos.
  • Ilan Pappé: É um historiador israelense conhecido por seu trabalho crítico sobre a história de Israel e o conflito com os palestinos. Embora não seja descendente direto de sobreviventes do Holocausto, ele é filho de pais judeus que fugiram da Alemanha nazista.

No Brasil temos alguns expoentes, assim como em outros países.

Contextualização Histórica:

Ao longo da história, a comunidade judaica tem sido caracterizada por uma diversidade de opiniões e correntes de pensamento. Discordâncias ideológicas, políticas e religiosas sempre foram parte integrante da rica tapeçaria cultural do judaísmo. Desde debates teológicos até dissensões sobre sionismo e política, a pluralidade de vozes sempre foi uma marca distintiva.

Diversidade de Opiniões:

É vital reconhecer que a comunidade judaica abriga uma multiplicidade de opiniões sobre o judaísmo, o sionismo e as políticas israelenses. Em meio a essa diversidade, é crucial cultivar um ambiente que promova o diálogo construtivo e respeitoso, onde diferentes perspectivas possam coexistir, enriquecendo a comunidade como um todo e dando um sentido de pertencimento a cada indivíduo.

Abordagem Sensível ao Holocausto:

Os neo-judeus fazem uso enfático do Holocausto, como judeus que tiveram familiares mortos pelos nazistas. Desta maneira, tentam provar especialmente para sim mesmos de que s’ao aut”enticos judeus. É imperativo abordar com cautela o uso do Holocausto por parte de alguns neo-judeus para fundamentar suas opiniões. O Holocausto é uma tragédia inegável e sensível, e seu uso em debates contemporâneos merece uma reflexão cuidadosa para evitar interpretações equivocadas e garantir um ambiente de respeito histórico.

Diálogo Construtivo:

Incentivar um diálogo construtivo entre membros da comunidade judaica com opiniões diversas é fundamental. Esse diálogo pode servir como uma ferramenta valiosa para compreender preocupações individuais, construir pontes e fortalecer a coesão com base na diversidade de pensamento. No entanto, é imperativo que a comunidade combata este tipo pernicioso de neo-judaísmo.

Enfrentamento do Antissemitismo:

É crucial distinguir entre críticas legítimas a políticas específicas e discursos antissemitas. Ao fazê-lo, podemos promover discussões construtivas, abordando preocupações específicas sem recorrer a generalizações prejudiciais que possam minar a unidade da comunidade.

Como lidar com o neo-judaísmo

Não há uma solução fácil para o problema do neo-judaísmo. No entanto, existem algumas coisas que podem ser feitas para lidar com esse problema.

Não vamos mudar o que já deu errado, mas podemos tentar evitar ao máximo o surgimento de novos neo-judeus.

Empoderamento da Identidade Judaica:

Iniciativas que fortaleçam positivamente a identidade judaica, destacando a diversidade de tradições culturais, históricas e religiosas, podem contribuir para uma comunidade mais robusta e coesa.

Recursos Educacionais:

Recomendar recursos educacionais equilibrados que abordem questões relacionadas ao sionismo, judaísmo e conflitos no Oriente Médio pode promover uma compreensão mais completa e informada, capacitando os membros da comunidade a formar suas próprias opiniões bem embasadas.

Incentivo à Aceitação e Compreensão:

Fomentar uma cultura de aceitação e compreensão dentro da comunidade judaica, onde as diferenças são respeitadas e debatidas saudavelmente, é fundamental para construir pontes e fortalecer a coesão interna.

É importante apoiar todos os judeus que estão questionando sua identidade judaica. Isso pode ajudar essas pessoas a superar suas dúvidas e a se aceitarem como judeus.

Como judeus, temos um passado, um presente e um futuro comum. Não somos diferentes de nenhum outro povo que habita o planeta, temos nossos bons e maus elementos.

Entre todas as nações, existe apenas um Estado Judeu e ele tem que ser respeitado e preservado. Os governos passam, o estado permanece.

Aos neo-judeus, lhes resta o mesmo fim de todos os seres similares de outros povos na história, a solidão e o esquecimento.

Carta aberta ao presidente Lula,

Carta aberta ao presidente Lula,

Caro presidente,

Meu nome é Mauro Nadvorny, brasileiro de nascimento e israelense por opção natural, sendo judeu e sionista-socialista. Sou seu eleitor desde sua primeira campanha.

Diante de sua manifestação de apoio a demanda sul-africana na corte de Haia, gostaria de levantar algumas questões que talvez ajudem a fazer justiça.

Na nota do governo brasileiro, está declarado o apoio do país nos termos:

“À luz das flagrantes violações ao direito internacional humanitário, o presidente manifestou seu apoio à iniciativa da África do Sul de acionar a Corte Internacional de Justiça para que determine que Israel cesse imediatamente todos os atos e medidas que possam constituir genocídio ou crimes relacionados nos termos da Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio”.

Muito se fala em Genocídio e o termo está sendo banalizado. O que a maioria das pessoas quer dizer, é que estão “matando muita gente”, mas “Genocídio é um termo utilizado para descrever a destruição deliberada, parcial ou total, de um grupo étnico, racial, religioso ou nacional específico. Este ato é caracterizado por ações que têm como objetivo eliminar completamente ou diminuir substancialmente a presença desse grupo, incluindo assassinatos em massa, perseguições, deslocamentos forçados, entre outras formas de violência intencional.”. Isto é exatamente o que o Hamas fez e o que consta em seu Estatuto.

Meu presidente, o Hamas declarou guerra a Israel em 07 de outubro quando atacou e matou 1200 israelenses sem chance de defesa e sequestrou outros 240 para Gaza, incluindo mulheres e crianças. Israel não está destruindo deliberadamente os cidadãos de Gaza, nem tem como objetivo eliminar a presença deles na faixa. Israel não está cometendo assassinatos em mass. A luta é contra o Hamas e seus combatentes. Sim, existe o pedido de deslocamento de civis, mas é a única maneira de evitar mortes.

É por isto que o governo americano, assim como potências europeias, se recusam em falar na possibilidade de um genocídio em Gaza.

Na nota do governo consta que você: “recordou a condenação imediata pelo Brasil dos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023”. “Reiterou, contudo, que tais atos não justificam o uso indiscriminado, recorrente e desproporcional de força por Israel contra civis”.

Meu presidente, não se pode falar desta maneira com a vítima. O que seria, na sua opinião, o uso de força proporcional? Olho por olho, dente por dente seria aceitável? Israel não está se vingando, Israel está decidido a terminar com um regime terrorista que aplicou toda a ajuda que recebeu até hoje para criar uma máquina de terrorismo. Todos aqueles túneis que estão sendo descobertos, poderiam abrigar a maior parte da população durante os bombardeios. E quando se trata de bombardeios, estou falando de residências-militares, escolas-militares, mesquitas-militares, hospitais-militares e até mesmo cemitérios-militares. De todos estes locais, partem disparos de foguetes contra as cidades israelenses. O Hamas transformou a população em escudos humanos e os abandonou a própria sorte. Até mesmo boa parte da ajuda humanitária que entra em Gaza é imediatamente sequestrada por eles e vendida no mercado negro. Pense nisso.

Segundo o governo na sua nota, “já são mais de 23 mil mortos, dos quais 70% são mulheres e crianças, e há 7 mil pessoas desaparecidas”. Sério que você acredita em números divulgados por um grupo terrorista que não diferencia entre civis e combatentes, e que não podem ser comprovados por nenhuma organização independente? Não quero dizer com isso que não existam vítimas inocentes, existem e eu lamento por cada uma delas. No entanto seja coerente, sabemos que todas elas poderiam ser evitadas, e ainda podemos evitar mais mortes se o Hamas depuser as armas e entregar os reféns. Pense nisso.

Fico feliz quando você diz que “reitera a defesa da solução de dois Estados, com um Estado Palestino economicamente viável convivendo lado a lado com Israel, em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas, que incluem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital”, sem dúvida é uma boa solução que cabe as partes discutir e chegar a um acordo.

Todos pedem um cessar-fogo e foi exatamente o que Israel ofereceu em troca de reféns há cerca de 30 dias, mas o Hamas não aceitou. Eles não dão a mínima importância ao povo de Gaza, povo este que tinha trabalho em Israel, recebia água e eletricidade de Israel, até mesmo tratamento médico em casos especiais. Nada disso teve nenhum valor na hora de realizar o maior massacre de judeus desde o Holocausto.

Por fim, Caro Lula, é muito fácil apresentar críticas quando não se trata das suas filhas que foram estupradas, abusadas e assassinadas. E se tivesse acontecido com a Lurian? Israel não pode mais conviver com um vizinho que prega, não apenas a sua destruição, mas a de todo povo judeu. Nenhum país poderia, nem mesmo o Brasil. Pense nisso.

Se o Brasil realmente deseja acabar com todo este sofrimento de parte a parte, lidere uma campanha para a rendição do Hamas e o fim da guerra.

 

Uma guerra justa

Uma guerra justa

Existe muita destruição na Faixa de Gaza. A maior parte dela, prédios de uso militar do Hamas: centros de comando militar, unidades governamentais militares, prédios de residência de militares, mesquitas de uso militar, escolas de uso militar, cemitérios e hospitais de uso militar. O grupo terrorista transformou quase todo o ambiente de vida civil para uso militar.

Quando Israel diz que cumpre a lei internacional, está dizendo a verdade. Prédios e instituições civis não podem ser transformadas para uso das forças militares para ataques e é exatamente o que fez o Hamas. Com isto, legitimou o uso de força contra estes prédios.

Estamos lidando com psicopatas que não se importam com a vida dos habitantes em Gaza. Para eles o importante são as manchetes e as fotos de morte e destruição. Quanto mais, melhor. Mais apoio dos Inocentes uteis a sua causa. O que não falta são todo tipo de apoiadores numa corrente antissemita que vomita ódio aos judeus e prega a destruição do Estado de Israel.

A quantidade de túneis em Gaza, é um caso único. São de todo tipo, curtos ou extensos, estreitos ou largos a ponte de se poder transitar com um automóvel, tudo para abastecer o terror, nada para proteger a população. Milhões de dólares empregados com a finalidade de armazenar armas de destruição, nenhum para armazenar comida.

Desde o fenômeno da Terra Plana, não se via tantos idiotas juntos como nas manifestações pró-Hamas. Nunca se imaginou que um ser humano pudesse duvidar do formato do planeta, o que dirá das centenas de milhares que depositaram sua fé e sua crença em um planeta achatado. Da mesma maneira, custa acreditar que mulheres possam ser a favor de um regime que as oprime e manda seus soldados cometerem estupros. Difícil de compreender LGBTs elogiando o regime que os enforca em praça pública. Complicado quando esquerdistas, ditos humanistas, defendem um regime teocrático, neste caso, impondo a Sharia, uma interpretação radical do Corão.

Toda esta gente exigindo da vítima um cessar fogo, quando o mais sensato seria exigir do agressor que deponha as armas e dê fim à guerra. Mas, é preciso dizer que este não é o único conflito em andamento no planeta. Eles não se importam com a invasão da Ucrânia, menos ainda com os últimos massacres de cristãos na Nigéria. “No Jews, no News” (se não há judeus, não existem notícias – em tradução livre).

É fato comprovado de que o ponto de convergência da esquerda com a direita é o antissemitismo. Se ainda havia dúvidas, o massacre cometido pelo Hamas contra uma população pacífica e indefesa, acabou com elas. Ironicamente, muitos dos assassinados eram militantes de esquerda a favor de uma solução de dois estados. Todos saíram em defesa do grupo terrorista com todo tipo de justificativa, a vítima fez por merecer.

Felizmente o povo judeu em geral, e nós judeus israelenses em particular aprendemos da forma mais dolorosa que se não formos por nós, ninguém mais será. Nenhuma guerra é boa, nenhuma guerra passa sem traumas, mas esta é uma guerra justa, acabar com qualquer possibilidade de que eles possam vir a cometer algo parecido no futuro, e nós vamos vencer. A despeito de todo este antissemitismo que saiu do esgoto, nós vamos vencer. Mesmo com toda esta corja de imbecis bradando por nossa destruição, nós vamos vencer. Desta vez, judeus, cristãos, muçulmanos, drusos e beduínos, todo israelense está irmanado com um único objetivo, poder viver em paz e deixar viver em paz.