O novo ciclo do terrorismo

O novo ciclo do terrorismo

A população civil israelense está sendo vítima de uma onda de atentados sem precedentes em termos de espaço de tempo. Até agora em pouco mais de um mês já fizeram 14 vítimas.

Começou com um ataque na cidade de Beer Sheva em 22 de março. Um terrorista com uso de uma faca matou 4 cidadãos. Depois disso, menos de uma semana depois em 27 de março, novo atentado, desta vez em Hedera, cidade onde vivo, com dois mortos. Apenas 2 dias depois, outro atentado, desta vez em Bnei Brak com 5 mortos. Por fim, o de ontem em Tel Aviv com 3 mortos.

Entre as vítimas destes atentados, um policial árabe israelense, um soldado druso, dois ucranianos, mulheres e jovens. Acrescento as vidas dos 5 terroristas, e são 19 vidas humanas perdidas.

Os terroristas de Beer Sheva e de Hedera eram ligados ao ISIS e eram cidadãos israelenses. Os demais, palestinos dos territórios sem vínculos com organizações extremistas.

Todos os atentados foram comemorados pelo Hamas e a Jihad Islâmica em Gaza com farta distribuição de doces nas ruas da cidade de Gaza. O atentado de ontem foi comemorado em Jenin, um campo de refugiados nos territórios ocupados, onde vivia o terrorista. O que se pode esperar de gente que comemora o assassinato de seres humanos a sangue frio?

Mahamud Abbas, o presidente da Autoridade Palestina condenou os ataques, uma luz de bom senso.

O que estamos vendo acontecer, e se continuar assim, é uma mudança incrível no modus operandi do terrorismo tradicional, e tremendamente complicada de se lidar. Jovens que nunca estiveram no radar dos órgãos de segurança, estão cometendo estes crimes e são muito difíceis de serem identificados antes que o cometam.

Desde o primeiro atentado, as forças de segurança foram capazes de impedir quase uma centena de atentados, se antecipando a ação dos terroristas. Um deles onde três terroristas, também de Jenin, foram mortos em confronto com o exército quando já estavam a caminho de seus alvos. Não tivessem sido descobertos, um grande atentado teria ocorrido.

O uso do terror contra uma população civil é sempre um ato de covardia. As vítimas são cidadãos, normalmente, sem nenhuma chance de defesa. São pegos de surpresa e muitas vezes nem viram quem as atacou. Gente como a gente que tem suas vidas interrompidas por conta de alguém que nunca conheceram e nada tinham contra ele.

Uma consequência direta do momento que estamos vivendo é o fato de que qualquer árabe israelense, ou não, pode ser o próximo terrorista. Este é o legado destes últimos atentados. A população de Israel está assustada, indignada e os mais radicais pedem vingança. Os extremistas dos dois lados estão em êxtase, e o governo nos informa que não há indícios de que tenhamos chegado ao final do ciclo. A roda da violência ainda está girando. O próximo atentado está por acontecer a qualquer momento.

A população palestina nos territórios e de Gaza necessitam de trabalho. Onde vivem ele não existe e muitos atravessam a fronteira para obter seu sustento. Estes atendados causam um aumento de postos de checagem, quando não acabam impedindo a chegada destes trabalhadores em seus postos de trabalho. Aos terroristas, nada disto importa.

A falta de conversas entre o governo de Israel, atual e passado, com a Autoridade Palestina visando encontrar soluções para o conflito de mais de 70 anos, é uma das causas para o que estamos vivendo. A violência não contribui em nada para mudar este quadro.

No fundo, todos queremos viver e deixar viver em paz. Trabalhar, criar nossos filhos e sermos felizes. Este é o desejo da maioria da população palestina e israelense. Estes radicais que incitam e promovem a violência são uma minoria que faz refém a grande maioria.

Nós, judeus sionistas de esquerda sempre apontamos o caminho da convivência pacífica e da reconciliação entre os dois povos. Um Estado Palestino convivendo em paz com justiça e segurança, lado a lado ao Estado de Israel, sempre foi nossa bandeira. Nenhum extremista, de qualquer lado, vai nos impedir de seguir trilhando este caminho.

Envie para todos da sua lista de amigos

Envie para todos da sua lista de amigos

Quase todo mundo já escutou falar de estelionatários, popularmente chamados de 171. São sociopatas com a capacidade de tirar o que desejam de pessoas sem uso de armas de qualquer tipo, apenas com sua persuasão.

São muitos os golpes conhecidos aplicados por eles. O que existe em comum, não importa a modalidade, é o fato deles oferecerem algo muito importante, muito valioso, em troca de algo relativamente muito menos considerável. Por exemplo, um prêmio da Sena de um milhão de reais, em troca de dez mil reais. Quem entregar os dez mil, nunca vai ver uma única nota do milhão.

Este é também o modus operandi de quem fabrica uma Fake News. Ele oferece uma grande notícia, daquelas que todos os meios de imprensa do mundo estão tentando esconder de você, e em troca, pede apenas que a passe adiante. Você se sente especial, único, o escolhido e imediatamente envia aquela bobagem para toda sua lista de amigos.

Existe também o estelionato jornalístico. Ele acontece quando, por exemplo, um jornalista publica uma entrevista com alguém que nunca falou com ele. Também é chamado assim quando o jornalista comete plágio, simplesmente copia e cola o trabalho de um colega substituindo seu nome pelo dele.

A pergunta aqui é simples: você confiaria em um estelionatário?

Bem, então vamos falar de um. Este é famoso na esquerda e conhecido por manifestações antissemitas. Não é o único, não será o último, mas é preciso destacar em virtude do texto que vamos tratar.

Esta semana, aqui no Brasil247 foi publicado um artigo com um título interessante de engrandecer novamente o nazismo. No momento em que se escuta falar de nazistas na Ucrânia, com o Batalhão Azov e na Rússia com o Batalhão Sparta, um artigo destes chama nossa atenção. Neste caso ele se ateve, por objetivos óbvios, que vou destacar mais adiante, apenas ao primeiro.

Antes de adentrar ao artigo, preciso falar algumas palavras sobre o autor. Confesso que me é custoso usar de argumentos da linha de raciocínio dele, mas terei de fazê-lo em nome da coerência intelectual.

Explico: o autor aceitou a fala de um deputado do partido neonazista alemão AfD para justificar a invasão russa a Ucrânia. Ele também louvou as palavras de um general americano de extrema direita, em uma entrevista na Fox News, a mídia mais fascista dos Estados Unidos.

Neste caso, me mantendo na mesma linha, vou usar dois documentos mencionados na Wikipédia que o mencionam produzidos pelo Departamento de Estado Americano.

O primeiro documento em que Escobar é referenciado, chamado Pillars of Russia’s Disinformation and Propaganda Ecosystem (‘Pilares do Ecossistema Russo de Desinformação’), é uma análise detalhada do esquema desinformacional e propagandístico russo, suas principais mídias e participantes – incluindo Escobar, que é citado quatro vezes. Dos sete sites de análise geopolítica citados no dossiê como propagadores de mentiras à mando do Kremlin – The Strategic Culture Foundation, Global Research, News Front, SouthFront Katehon, Geopolitica.ru e New Eastern Outlook -, Escobar escreve, já escreveu ou é republicado em seis deles. Mesmo sem publicá-lo, já que é um jornal acadêmico e não jornalístico, o New Eastern Outlook rasga elogios ao brasileiro (“analista geopolítico perspicaz”).

Ainda de acordo com o mapeamento feito, narrativas falsas seriam geradas pelo governo russo, desenvolvida por analistas e jornalistas em publicações financiadas por eles e posteriormente disseminadas por um ecossistema midiático composto de meios mais populares como RT, Sputnik, publicações locais nos países alvo e perfis falsos em redes sociais. O mesmo argumento seria desenvolvido em mais profundidade em um segundo dossiê, Kremlin-Funded Media (‘Mídia financiada pelo Kremlin’), no qual Escobar também é citado. A análise é corroborada pelo Centre for the Analysis of the Radical Right (Centro de Análises da Direita Radical).

Tal rede teria grande influência em narrativas desenvolvidas no campo político da extrema-direita mundial. Refletindo essa ligação, Escobar torna-se amigo pessoal do filósofo ultradireitista Aleksandr Dugin, conselheiro do mandatário russo Vladimir Putin e principal ideólogo por trás da anexação da Crimeia e do recente expansionismo russo. “Somos amigos, nos encontramos. Quando em Moscou, vou ao escritório do Dugin. Quando ele não está, falo com a sua filha, Daria, que é bárbara e me põe a par de tudo que acontece”, diz o jornalista.

Foi preciso mencionar estes trechos da Wikipédia para explicar parte do teor do artigo. Assim vai ficar mais fácil compreender o que o autor tentou dizer em seu artigo. Ele dá a entender que a Ucrânia se tornou nazista depois que o Batalhão foi incorporado as forças de segurança do país.

Este Batalhão teria sua base ideológica em Stepan Bandera, um ultranacionalista ucraniano que se aliou aos nazistas para tentar libertar a Ucrânia do jugo soviético durante a segunda guerra. Seus discípulos e atuais comandantes desta milícia seriam, consequentemente todos nazistas.

A Rússia, por sua vez, estaria em uma missão na Ucrânia para libertar o país destes nazistas. Sim, uma vez que este grupo foi aceito, de alguma forma, todos se tornaram nazistas e eles precisam ser libertados deles mesmos.

Para o autor, agora um compreensível adepto da russofilia, que serve aos interesses de Putin, é preciso deixar claro que seu patrão está tentando desnazificar a Ucrânia. Está mesmo? Incrivelmente ele mesmo confessa com suas palavras de que isto não existe: “O nazismo, portanto, não é exatamente a mesma coisa que o fanatismo banderanista: trata-se, na verdade, de ideologias rivais.

Portanto, quando Putin e as lideranças russas falam de nazismo ucraniano, eles talvez não estejam sendo 100% corretos em termos conceituais, mas o fato é que esse termo cala fundo em todos os russos.”

Em outras palavras o autor diverge dele mesmo.

O autor menciona cerca de 20 pessoas em seu artigo por seus nomes. Mas apenas 3 delas são qualificadas, e como judias:

Quando Putin denunciou que “um bando de neonazistas” estava no poder em Kiev, o comediante respondeu que isso era impossível porque ele era judeu. Bobagem. Zelensky e seu patrono Kolomoysky, para todos os fins práticos, são sio-nazistas.

Juntamente com o agente secreto da OTAN Dmitro Yarosh, Biletsky fundou o Pravy Sektor, financiado pelo chefão da máfia ucraniana e bilionário judeu Ihor Kolomoysky (que mais tarde apadrinharia a meta-conversão de Zelensky de comediante medíocre a presidente medíocre).

Foi ninguém menos que a sinistra distribuidora de biscoitos em Maidan, “F*da-se a UE” Nuland que sugeriu a Zelensky – ambos, por sinal judeus ucranianos – que nomeasse o nazista Yarosh como consultor do Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Ucranianas, o General Valerii Zaluzhnyi”

De quem vem essas ilações antissemitas sugerindo que estes judeus seriam nazistas? Vamos voltar a Wikipédia. Lá ficamos sabendo que o autor foi demitido de vários órgãos de imprensa por plágio! Mais ainda, a gente descobre que ele escreveu aqui mesmo no Brasil247 a favor da Hidrocloroxina tecendo elogios ao infectologista francês Didier Raoult. Nas palavras dele: “Ninguém conhece mais sobre doenças transmissíveis no mundo do que ele [Raoult]. Se ele está dizendo que [a cloroquina] funciona, você pode aplicar isso no mundo inteiro”

Guardei o melhor para o fim. Lembra do fabricante de Fake News, uma forma de estelionato: ele escreveu textos insinuando que os Estados Unidos seriam a origem do vírus da COVID-19, que teria saído do Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército dos EUA, em Fort Detrick, Maryland, sendo posteriormente levado à China nos Jogos Mundiais Militares de Wuhan de 2019. Copie e cole no seu WhatsApp e mande para todos seus amigos esta informação super, ultra secreta. Já viu isto em algum lugar?

Quando ele traz o termo sio-nazistas quer dizer que sionismo e nazismo sejam a mesma coisa. Esta é uma ofensa inominável a qualquer judeu. Todos nós carregamos a lembrança do Holocausto. Somente antissemitas fazem uso desta expressão.

O general inverno

O general inverno

Eu não sei quem mais, mas eu sinto a dias como se estivesse carregando um peso. As informações atualizadas do que acontece na Ucrânia chegam aqui em Israel a todo minuto. Como não poderia deixar de ser, trazem consigo as desgraças que se abateram sobre as pessoas. Me causam uma dor enorme.

Para cada foto de um veículo militar destruído, são dezenas de imagens de casas e prédios destruídos. Civis mortos, ou aqueles que com alguma sorte e a roupa do corpo conseguiram escapar deixando a vida que tinham para trás.

Em meio a destruição de lares, se vão as memórias junto com eles. Se a guerra terminasse neste momento, milhões de ucranianos já não teriam para onde voltar. A vida como ele era, acabou para sempre. Reconstruir vai levar muito tempo e exigir um esforço monumental da população e do governo. Algumas cidades foram arrasadas. E para que? Que ganho militar isto representa?

A humanidade continua se comportando como na Idade da Pedra em se tratando de guerra. O desrespeito a vida é total e absoluto. Militares e cidadãos são tratados da mesma maneira. Mulheres e crianças, idosos e animais domésticos são alvos legítimos, não importa os tratados internacionais que foram assinados. Nem a Máfia faz isso.

Ainda é cedo para se saber o número de mortos até agora. Quando as armar silenciares vamos ter inicialmente uma ideia aproximada, e mais tarde, a realidade. As vidas perdidas, os sonhos destruídos e junto com eles a falta de perspectiva para o futuro. A recuperação será lenta e gradual e vai depender em grande parte de ajuda internacional.

Neste momento as forças russas não conseguem avançar além de onde já chegaram. A resistência do exército ucraniano, a despeito de sua inferioridade, não era esperada, mas está sendo eficiente dentro do possível. Os generais russos foram surpreendidos no que acharam que seria uma Blitz que estaria resolvida em poucos dias com a ocupação do país. Muitos deles já foram destituídos de seus cargos, outros presos. Putin não perdoa.

O fato é que a cada dia que passa, a situação piora para Putin. O general inverno venceu Napoleão e mais tarde Hitler quando invadiram a Rússia. Ao que parece ele não aprendeu a lição e suas tropas encontram enormes dificuldades para se locomoverem em meio a neve e o barro em um terreno desconhecido. Se tornam presas ideais para emboscadas e armadilhas plantadas pelas forças ucranianas. Alguns já dizem que a Ucrânia se tornou o Afeganistão Europeu para os russos. O general inverno mudou de lado.

Prisioneiros russos entrevistados dizem que só ficaram sabendo do que iriam fazer, poucas horas antes de atravessarem a fronteira. A maioria deles não tem nenhuma motivação para esta guerra. Na primeira oportunidade se entregam ou se deixam capturar. São jovens recrutas metidos em fardas enviados para a batalha com pouca ou nenhuma formação militar. Os oficiais não conseguem elevar a moral das tropas, nada faz sentido para elas.

As cidades russas permanecem intactas. Boa parte da população nem sabe do que está acontecendo. A censura é implacável e os meios de comunicação impedidos de usar a palavra guerra. No máximo algumas poucas linhas sobre uma missão na vizinha Ucrânia. Nenhuma sobre o número de baixas e fracassos. Contudo as pessoas se perguntam porque ficaram sem a vida que estavam acostumados de um dia para o outro.

Centenas de companhias internacionais abandonaram a Rússia. Imagine sua vida se de uma hora para outra seu cartão de crédito deixasse de funcionar. Sua moeda não valesse mais nada. Seus produtos preferidos desaparecessem das gondolas dos supermercados, sua lanchonete preferida, sua loja preferida fechasse suas portas. Seu conforto, ao qual seu cotidiano existia, terminasse. É assim que os russos estão vivendo. Muitos estão abandonando o país levando o que podem. Alguns já compreenderam o que está acontecendo e passam a duvidar do seu futuro no país.

Com dificuldade para efetuarem pagamentos no exterior, já começam a faltar produtos. Cenas de uma batalha campal por açúcar já foram mostradas. E isto é só o começo. O racionamento de itens básicos é só uma questão de tempo enquanto durarem os estoques. Depois disso, ninguém sabe. Normalmente nestes tempos de escassez, a inflação dispara. Para uma moeda já totalmente desvalorizada, é um pesadelo para a economia. Uma hiperinflação pode ser vista no horizonte.

Ninguém sabe o que Putin realmente deseja, nem mesmo se já alcançou algum de seus objetivos. O que já se sabe é todo o mal que ele já causou aos dois povos, e ainda pode causar se esta guerra não tiver fim.

O inimigo mora ao lado

O inimigo mora ao lado

E segue o banho de sangue na Ucrânia protagonizado por Putin. Na falta de alvos militares nas cidades cercadas, o exército russo atira e esmo em bairros residenciais. Prédios de moradia, hospitais, escolas, o grau de destruição é amplo. Quando a guerra acabar, milhares de refugiados não vão ter para onde voltar.

Não existe guerra limpa. Muitas vezes o chamado efeito colateral, aquele que leva um míssil para um alvo errado, ou o bombardeio de uma zona próxima ao alvo desejado, acontecem. É parte do esperado. No entanto, quando as bombas caem propositadamente em locais que estão fora deste espectro, trata-se de crime de guerra.

Putin subiu na árvore e não sabe como descer. As sanções contra seu país aumentam todos os dias. O fechamento e a saída de dezenas de empresas da Rússia deixaram milhares de cidadãos desempregados. A moeda derreteu e com a incapacidade dos bancos de realizarem pagamentos para o exterior, o desabastecimento de matéria prima e outros bens é só uma questão de tempo enquanto durarem os estoques.

Se vai ficar ruim para o povo em geral, muito pior já ficou para os oligarcas que sustentam Putin no poder. Seus bens e seus investimentos no exterior estão sendo apreendidos e congelados. Perderam acesso a eles. A guerra chegou ao bolso destes milionários também.

Sim, a nossa gasolina ficou mais cara. Em muitos países, o custo do combustível vai trazer aumento de preços e uma consequente inflação. Isto tende a se acomodar na medida que os países busquem alternativas. O que não tem volta são as milhares de perdas em vidas na Ucrânia.

Poucas vezes vimos o mundo em sintonia contra uma guerra. Tivessem estes mesmos países se unido em outros momentos, talvez outros conflitos já tivessem terminado e o planeta respirasse melhor.

Talvez a maior surpresa seja sem dúvida a união dos extremos em prol de Putin. Finalmente, depois de tanto ódio e de tantas separações, extremistas de esquerda e de direita confraternizaram apoiando o açougueiro de Moscou. Nunca antes tinha visto uma união destas em torno de um ditador desta estirpe.

Eu sempre acreditei que os extremos se tocam, mas isto sempre foi uma teoria. Finalmente chegou à prova desta minha hipótese. Os apoiadores de Putin, os bajuladores do tirano são os que apoiam Bolsonaro de um lado, e apoiadores de Lula de outro. Nenhuma surpresa aqui, a motivação desta gente é exatamente a mesma.

Como muitos, eu também fiz uma limpeza nas minhas relações quando da eleição de Bolsonaro. Não se tratou de política, sempre convivi com as diferenças, afinal de contas nem todo mundo é gremista. Da mesma maneira, sempre respeitei quem vota em partidos de centro, ou de direita. A alternância de poder é sempre saudável.

O que nunca aceitei, nem jamais aceitarei é ter junto a mim racistas, antissemitas, homofóbicos, misóginos, gente que promove o ódio, ou quem os apoia. Não me importa suas convicções políticas, se são de esquerda ou de direita. Este tipo de gente é o lixo da humanidade. Representam a barbárie contra a civilização.

Até os dias de hoje eu achava que ao ficar na minha bolha, com relações e amigos que não votaram em Bolsonaro, majoritariamente companheiros de esquerda, eu tivesse finalmente podendo ter junto a mim, humanistas, combatentes contra o racismo, contra o antissemitismo, a homofobia e a misoginia. Putin, mostrou que eu estava equivocado.

Agora vou precisar limpar do meu círculo, apoiadores de mais um fascista. Só não fazia ideia de que eles estavam aqui ao lado. Confesso que não me surpreende, mas ainda assim, me dói. É a dor da constatação de que certas coisas podiam ser diferentes, poderiam ter tomado outro caminho, de que a escuridão que existe neles, ainda afasta a luz que existe em mim.

Convicções são mais fortes que ideologias. Princípios de vida sempre nortearam meu caminho e procurei nunca me afastar deles. Já me reciclei diversas vezes. Compreendi meus erros e meus equívocos para crescer como ser humano e contribuir para a humanidade. Não volto atrás no caminho da civilização.

Ave Putin

Ave Putin

Alguém lembra do termo “Cortina de Ferro”? Ele foi criado criada pelo escritor russo Vasili Rozanov, e se referia à separação estabelecida no Leste Europeu, região controlada pelo antiga União Soviética ao final da Segunda Guerra Mundial.

Nem todos os seus membros concordavam em fazer parte deste bloco, países como Alemanha Oriental, Polônia, Hungria, Tchecoslováquia, Bulgária, Romênia, Ucrânia, Armênia, os países bálticos (Estônia, Lituânia e Letônia) e Cazaquistão, tiveram seus governos impostos pelos respectivos Partidos Comunistas alinhados com Moscou.

Não havia nada parecido com uma democracia. Eleições foram suprimidas e todos estes países foram forçados a se submeterem ao regime comunista com partido único. As tentativas de liberdade foram suprimidas com o uso da força. Assim foi, por exemplo a Primavera de Praga.

A Primavera de Praga ocorreu em 1968. Alexander Dubček afastou, Chefe de Estado e Secretário Geral do Partido Comunista da Tchecoslováquia, afastou as lideranças autoritárias do poder e adotou medidas reformistas que visavam uma abertura política do país. Este movimento contou com o apoio de grande parte da população da Tchecoslováquia, principalmente de estudantes, intelectuais e operários.

O objetivo de Dubček era o de ampliar as liberdades individuais e os direitos civis da população tchecoslovaca. Assim, ele descentralizou parcialmente a economia, democratizou a política, incentivou as ciências e as artes, e aumentou as liberdades de imprensa e de expressão. Tratava-se de uma tentativa de criar uma “social-democracia”, ou um “socialismo com rosto humano”.

A então União Soviética reage e exige o fim das reformas de Dubček. Invade a Tcheco Eslováquia utilizando o exército do Pacto de Varsóvia. Meio milhão de soldados e sete mil tanques de guerra reprimem o movimento.

Alexander Dubček é sendo afastado do Partido Comunista e Gustáv Husák assume o governo. Ele acaba com as reformas e reinstaura um sistema político fechado, burocrático e autoritário.

Menos conhecido, mas não por isso menos importante foi o levante na Hungria em 23 de outubro de 1956. Uma manifestação organizada pelo Círculo Petofi. Estudantes e intelectuais húngaros, contrários as condições de vida e contra o governo comandado pelo Partido Comunista, liderado por Ernö Gerö, pedem a volta de Imre Nagy, figura que representava um distanciamento da URSS e a possibilidade de adoção de algumas medidas democráticas no país.

Nagy é nomeado primeiro-ministro com o objetivo de acalmar os ânimos. O partido comunista passa a ser liderado por Janos Kadar, que fora reabilitado após sofrer pena por crimes políticos.

Porém, os estudantes, operários e soldados não se contentaram com as mudanças. De uma luta política, a revolução passa a ser também uma luta econômica e social.

A liderança do movimento não estava satisfeita e fábricas foram ocupadas com comitês formados por operários para geri-las. Surgiram conselhos revolucionários em Budapeste e em outras cidades, nos dias seguintes, para organizar a população contra a reação soviética que se fazia sentir.

A “Revolução Húngara” era uma clara ameaça para a União Soviética pois poderia alastrar-se para os demais países, ameaçando o Pacto de Varsóvia. Os soviéticos não podiam aceitar a ameaça a seu poder, e em 04 de novembro, os tanques do Exército Vermelho entram em Budapeste, reprimindo brutalmente a revolução. Cerca de 20 mil húngaros foram mortos, contra pouco mais de 700 soldados soviéticos. Era o fim da Revolução Húngara.

Vladimir Putin foi oficial da KGB, o serviço secreto da União Soviética, por 16 anos, chegando à patente de tenente-coronel. Em 1991 se aposenta das atividades militares e ingressa na política, em sua cidade, São Petersburgo. Ele se muda para Moscou em 1996, para fazer parte da administração do então presidente Boris Iéltsin, tornando-se presidente interino em 31 de dezembro de 1999, quando o presidente Iéltsin renunciou ao cargo inesperadamente. No ano seguinte ele vence a eleição e torna-se Presidente da Rússia, sendo reeleito em 2004. Impedido de concorrer para um terceiro mandato em 2008, uma vez que a Constituição russa só permitia dois mandatos consecutivos, ele consegue com que seu aliado Dmitri Medvedev seja eleito e é nomeado primeiro-ministro do país. Em setembro de 2011, Putin anunciou que concorreria a um terceiro mandato nas eleições do ano seguinte e acaba sendo eleito. Muda a Constituição para acabar com o limite de reeleição e permanece no poder até hoje.

Putin, assim como a Rússia, nunca conheceu uma democracia. Os russos saudosos da Grande Rússia jamais aceitaram a perda de seus satélites do Pacto de Varsóvia e suas repúblicas associadas a União Soviética. Putin é o expoente desta linha e se comporta com um Imperador Romano.

Os países que conseguiram sair do jugo russo sabem que não podem confiar no antigo algoz. Não possuem os meios, nem as condições para se defenderem sozinhos, se um dia o antigo império desejar retomar seus dias de glória os incorporando, um a um ao seu jugo.

Cada um à sua maneira, e no seu tempo, tentam fazer parte da Comunidade Econômica Europeia e da OTAN. Desta maneira, em 2004 a união europeia avançou sobre o leste europeu com a adesão de mais dez países, cuja maioria esteve vinculada ao mundo socialista até o final da década de 1980. São eles Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Eslovênia, Chipre e Malta. Em 2007, 50 anos após a assinatura do Tratado de Roma, Bulgária e Romênia entraram na UE, ao mesmo tempo em que a Eslovênia passou a integrar a Zona do Euro.

Em 1991, a Otan incorporou a Polônia e República Checa, em 1999, Romênia, Bulgária, Eslováquia, Eslovênia, Estônia, Lituânia e Letônia, em 2004, Albânia e Croácia, em 2009, Montenegro, em 2017, e Macedônia do Norte, em 2020.

Todos estes países são regimes democráticos que em nada se parecem com a Rússia. Todos conheceram no seu passado recente o significado de conviver sob a mira de um canhão russo sobre eles. Fizeram suas escolhas como países independentes e assim devem ser respeitados.

A falácia de que a OTAN, através destes países, representa um perigo para a Rússia não se sustenta. Nenhum deles possui armamento dela capaz de permitir um ataque a ela, muito menos um exército capaz de invadi-la. A OTAN não possui mísseis nestes territórios que possam ameaçar a Rússia. Todos eles pensaram no óbvio, que é justamente o que acontece com a Ucrânia, se garantirem de uma invasão russa contra seus territórios.

Esta guerra absurda que consome vidas inocentes a cada hora, tem um único culpado e ele se chama Vladimir Putin. Nenhum democrata do espectro político que vai da esquerda à direita, pode concordar com esta invasão absurda que aconteceu sem qualquer justificativa plausível. A Ucrânia foi escolhida justamente por não pertencer a União Europeia e nem a OTAN. Uma covardia típica de tiranos.

Tentar encontrar desculpas e culpados, outro que não Putin, para o que estamos vendo, é procurar pelo em ovo. Nem vou me dar ao trabalho de contestar os absurdos como desnazificar a Ucrânia, a culpa dos é dos EUA, da OTAN e outras teorias conspiratórias que sequer merecem ser mencionadas.

Nenhum humanista pode apoiar esta guerra, muito menos encontra justificativas para ela, eu me nego a fazê-lo.

Foram consultados para este artigo os sites Quero Bolsa, História do Mundo, Wikipédia e Valor Econômico.

A esquerda volver

A esquerda volver

Todos sabem que como sionista de esquerda sou contra a ocupação dos territórios palestinos. Condeno todos os atos do governo israelense contra a população palestina e contra o lento e inexorável roubo de terras, mantendo um regime próximo de Apartheid onde deveria existir um Estado Palestino.

Como socialista defendo valores de justiça para um mundo melhor. Entre eles a autodeterminação dos povos, os direitos humanos, a igualdade social, a busca por justiça igual para todos, a liberdade de pensamento e outros.

Como socialista sou contra as guerras, as ditaduras, o colonialismo de nossos dias, a imposição da força das armas sobre o direito internacional, a injustiça social, a falta de medidas para salvar o clima no planeta e mais.

Como ser humano, penso no próximo, no mundo que minha geração recebeu, e no mundo que vou deixar para nossos netos. Desejo um Planeta Terra sem fronteiras, sem bandeiras, um mundo único onde humanos, animais e a natureza vivam em harmonia.

Tento levar minha vida o mais próximo destes princípios sem dois pesos e duas medidas. Luto pelo que acredito, sou antifascista e luto contra este regime onde ele existir. Não posso me permitir um regime que vai contra tudo aquilo pelo qual sempre me manifestei contra.

Vivo em um pequeno país do Oriente Médio onde inúmeras guerras já aconteceram e a próxima, dizem alguns por aqui, não é onde, mas quando. Israel conhece a morte em batalhas que deixaram muitas famílias enlutadas. Não temos soldados desconhecidos, temos túmulos com nomes de soldados que perderam a vida.

Muitos destes soldados perderam suas vidas desempenhando funções nos territórios ocupados. O exército deveria ser uma força militar de defesa do Estado, mas há muito que se tornou uma força de ocupação.

O que assistimos neste momento na Ucrânia é exatamente o mesmo que aconteceu com Israel. A Rússia invade uma nação democrática e independente, de encontro com o direito internacional. Ocupa um território que não lhe pertence e que não oferece nenhuma ameaça a sua existência.

E é claro que na esquerda já aparecem os defensores da invasão. O inimigo (Rússia) do meu inimigo (EUA) é meu amigo. Mesmo tratando-se de uma ditadura, mesmo tratando-se de uma violação dos direitos humanos, a livre determinação dos povos, nada disso os demove da apoiar os russos.

Mas aí a pergunta que não quer calar: porque a Rússia tem o direito de ocupar a Ucrânia e Israel não tem o direito de ocupar a Palestina? Claro que vão dizer que são coisas diferentes, Israel apoia os EUA, portanto a luz do “direito socialista” (sic), ele não pode ocupar o território de outro povo.

Israel afirma que os territórios ocupados são parte da Grande Israel e seus nomes bíblicos provam isso. A Rússia está dizendo que a Ucrânia foi parte da União Soviética, lugar onde nasceu o que hoje conhecemos como Rússia e, portanto, lhe pertence.

Então vamos a um pequeno exercício teórico. Se Israel renunciar seu apoio aos EUA, pode então anexar os territórios palestinos e ficam vocês, ditos socialistas, aplaudindo esta ação.

Em outras palavras, o famoso dois pesos e duas medidas que mencionei anteriormente. Parte da esquerda surfa na onda do que lhe convém, não de princípios éticos e morais. Se Bolsonaro deixar de apoiar os EUA e cuspir na bandeira americana, eles abraçam o Capitão.

Bem, eu como socialista tenho uma só medida. O que não é certo para um, não é certo para ninguém. Israel deve entregar os territórios ocupados para o futuro Estado Palestino. Da mesma maneira, os russos devem ser condenados por todos nós, pela invasão e ocupação da Ucrânia.

Toda a extrema direita europeia apoia Putin. Partidos xenófobos, que odeiam imigrantes e homossexuais. Esta parte da esquerda brasileira está bem acompanhada. Hipocrisia é teu nome.

Vejo que até encontraram uma justificativa, como se fosse possível, para Putin invadir uma nação soberana. Falam que a Ucrânia é um regime nazifascista. Mostram vídeos de anos atrás de um grupo ucraniano com bandeiras e símbolos nazistas. Tudo sempre acompanhado da famosa teoria conspiratória do WhatsApp de que a mídia escondeu esta informação. Ora se fosse assim, ele já deveria ter invadido o Brasil há muito tempo. A quantidade de grupos nazistas ativos passa de 100 e se formos falar do governo então, não faltam exemplos claros de enaltações para com esta ideologia.

Assisto as manifestações, fortemente reprimidas na Rússia, contra a guerra. Ainda não vi uma única manifestação de ucranianos saudando a invasão russa, a não ser nas autoproclamadas duas repúblicas rebeldes. Deve ser outra combinação da mídia internacional para esconder a verdade.

Não existe uma guerra limpa. Todas elas acontecem com os famosos “efeitos colaterais”, assim chamados, para justificar a morte de civis e a destruição de prédios e instalações não militares. Enquanto escrevia este artigo, assisti pela TV um tanque russo, sem nenhuma razão plausível, passando por cima de um automóvel civil. O motorista, milagrosamente, parece ter sobrevivido.

Esta turma deveria escutar Lula que disse: “É lamentável que, na segunda década do século 21, a gente tenha países tentando resolver suas divergências, sejam territoriais, políticas ou comerciais, através de bombas, de tiros, de ataques, quando deveria ter sido resolvido numa mesa de negociação”. Sábias palavras.