Lógica

Certo dia um pacifista passeava pela beira mar em Israel quando encontrou uma lamparina. Ao esfregá-la surgiu um gênio. Para seu espanto o gênio disse a ele que poderia atender a um único pedido, apenas um. Saudoso da família o pacifista pediu que o gênio construísse uma ponte entre Israel e o Brasil a fim de que seus pais, que temiam viajar de avião, pudessem vir de carro visitá-lo. O gênio ponderou que isto era impossível, seriam necessários milhões de toneladas de cimento, ferro e areia; centenas de milhares de pilastras para sustentar tal ponte etc. Nem ele seria capaz de uma proeza como esta. Conformado o pacifista pediu então ao gênio que fizesse com que israelenses e palestinos vivessem em paz. O gênio pensou bem e perguntou a ele para qual cidade brasileira desejava que a ponte fosse construída.

Esta piada existe com várias versões. Todas têm em comum nos fazer acreditar que nunca será possível uma convivência pacífica entre os dois povos. Está lógica cruel não é verdadeira.

Existem todas as condições para que o conflito possa ser encerrado. Todos conhecem as premissas necessárias para isso. A criação do Estado Palestino em Gaza e nos territórios ocupados da Cisjordânia com a retirada dos colonos, o reconhecimento dos dois estados a viverem em paz e segurança, a divisão de Jerusalém como capital dos dois estados e o combate ao terrorismo, entre as mais importantes.

A lógica da guerra faz com que se coloque acima de qualquer dúvida, que todas as ações tomadas pelo lado contrário, são na realidade formas de implementar a supremacia de um deles sobre o outro. Para os palestinos, Israel pretende na realidade criar Cantões palestinos entre suas colônias inviabilizando a criação de um estado nacional. Prova disso são a permanência das colônias e a construção de um muro que se apropria de terras palestinas em favor das colônias israelenses. Para os israelenses está claro que os palestinos querem o fim do Estado de Israel e sua substituição por um Estado Palestino do Mediterrâneo até o Rio Jordão. Uma prova disso é o fato de não combaterem os grupos terroristas que pregam esta visão.

A lógica da paz diz que não existem formas mágicas de se acabar com um conflito desta magnitude, que envolve nacionalismo, religião e política. Segundo está forma de pensamento os dois povos podem se reconciliar se forem afastados os medos e os ódios do passado. O primeiro passo nesta direção é se acreditar na impossibilidade lógica da permanência do conflito pelo fato de que os dois estão condenados a conviverem no mesmo território, sendo impossível o desaparecimento de um deles.

Neste conflito em particular não bastam as assinaturas dos dirigentes num tratado de paz. Se não houver reconciliação, nunca haverá uma paz de verdade. E para que ocorra uma reconciliação é necessário se romper com a lógica da guerra. É preciso se pensar num futuro sem violência com prosperidade para ambos os povos. Os dois precisam aceitar a lógica da paz.

No momento em que os dois lados se preocupam em assegurar vantagens no campo de batalhas, quando um continua com os assassinatos seletivos, e o outro não consegue impedir que seus seguidores interrompam os atos de terror, nada pode ser feito. O sangue continuará sendo derramado enchendo o rio da revanche. Um círculo vicioso que prejudica a maioria das populações que já não suportam mais a perda de inocentes.

Enquanto este círculo não for quebrado, deixando-se de lado o passado e pensando somente no futuro, as cosias vão continuar como estão. As atuais lideranças não conseguem transmitir confiança e são incapazes de darem os passos na direção correta. A desconfiança é o pilar de sustentação do Mapa da Paz. Enquanto ele não for substituído por uma sustentação de verdadeiras boas intenções que fortaleçam a confiança entre os dois lados, não existem forças capazes de impedir a continuidade da carnificina.

Não muito distante dali o Campo da Paz perdeu um de seus maiores filhos, Sérgio Vieira de Mello. Um brasileiro que fez da busca pelo entendimento dos homens a razão de sua vida. Alguém que sempre acreditou no diálogo como única forma de superar as diferenças e se chegar a um acordo aceitável por todas as partes. Um homem que perdeu a vida pela força da intransigência e da insanidade covarde do terrorismo suicida.

Espero que a mesma determinação na busca incansável pela paz, continue norteando a todos nós que seguimos acreditando nela, como única forma de coexistir como seres humanos neste imenso planeta azul chamado Terra.

Direita Cega e Raivosa

Ontem em uma lista de discussões na Internet fui chamado, entre outras coisas de: ter dois pesos e duas medidas, ser parcial, ser injusto, mentiroso, ter falta de caráter, ser excessivamente canalha, entreguista, conformista, covarde e ter vergonha de ser judeu.

Não eu não participo de listas nazistas, anti-semitas, islâmicas fundamentalistas. Esta é uma lista de interessados em assuntos judaicos, e tudo o que está acima foi proferido por um bom judeu.

Tudo teve inicio quando fiz referências à biografia de Ariel Sharon. Enviei de uma fonte escolar (poderia ser qualquer outra) um texto que dizia entre outras coisas que em 1953, ele se tornou líder da Unidade 101, criada para combater os exércitos árabes, comandando uma operação que massacrou civis na aldeia de Kibya na Cisjordânia. Em 1956 foi acusado por seus superiores de insubordinação e desonestidade na campanha do Canal de Suez. Segundo o historiador militar israelense Martin Van Cheveld, da Universidade de Hebraica de Jerusalém, os soldados de Sharon avançaram “da forma mais incompetente possível, resultando em uma batalha totalmente desnecessária que se tornou a mais sangrenta da guerra”. Em 1973 cruzou o Canal do Suez desobedecendo a ordens, cercando o 3º exército egípcio. Partiu rumo ao Cairo mas teve de parar no km 101, onde seria assinado o acordo de armistício. Também fiz referência a Sabra e Shatila onde ele foi condenado por uma comissão do governo israelense a renunciar ao cargo de Ministro da Defesa devido a sua omissão no massacre perpetrado pela Falange Libanesa.

Muito mais poderia ser escrito para mostrar que se trata de um homem que não mede conseqüências para atingir seus objetivos. No entanto, o simples fato de que um judeu (e israelense) fale o que todos já sabem sobre ele, causa uma celeuma na mente de alguns “bons judeus”. Uns exigem retratações, outros lançam todo tipo de impropérios e buscam desesperadamente formas de me desqualificar como articulista, homem e judeu.

A primeira vez que isto aconteceu foi logo após a publicação de um artigo intitulado “Não Somos Sharon”, publicado pelo jornal gaúcho Zero Hora, após o lançamento de uma bomba sobre um edifício em Gaza que vitimou inocentes juntamente com o “alvo”. Naquela ocasião eu dizia que nem todos os judeus concordavam com a política de assassinatos seletivos e seus conseqüentes “efeitos colaterais”.

Para a direita judaica, que a despeito de qualquer atrocidade que possa ser cometida pelo lendário exército de Israel, tudo se justifica em se tratando de combater o terror. Para ela a ocupação dos territórios, a destruição de casas como punição coletiva, o aprisionamento de suspeitos sem acusação ou julgamento, o impedimento de deslocamento pela população civil palestina, os toques de recolher por dias seguidos, a manutenção de colônias que ocupam mais terras etc, são conseqüências do terror e não a causa. Por isso, a forma de se acabar com o terrorismo seria eliminando o seu fato gerador, ou seja o povo palestino (que para muitos sequer existe, ou já possui seu estado, a Jordânia).

Muitos exigem que todo artigo deve lembrar as ações criminosas dos grupos fundamentalistas. Acham que é uma forma de ser imparcial. Pois bem, eu acredito que não possa existir um ser mais desprezível e covarde, do que um terrorista que deixa uma bomba num local público ou que seja a própria bomba num ato suicida. Isto no entanto não muda meu discernimento entre o certo e o errado. Não altera meu juízo sobre a forma como se deve combater esta gente sem que nos transformemos nelas.

Toda a minha preocupação reside nisso. Não posso admitir que um povo com 3000 anos de história, que chegou até os dias de hoje devido aos seus preceitos de ética, moral e respeito pela vida, acabe agindo em contra tudo isso. Fazendo-o estaríamos nos comparando aos povos nossos contemporâneos que já desapareceram. Seria admitir o inicio de nosso fim. É como admitir que é preciso se tornar um terrorista para se combater o terror.

O lar pelo qual tanto lutamos em retornar nos foi devolvido pela comunidade internacional em respeito ao nosso passado e sofrimento (principalmente o Holocausto). No entanto lá estavam outros moradores que também tem o direito a um lar nacional. Quis o destino, com a ajuda dos futuros vizinhos, e ao custo de uma guerra, que apenas nosso estado fosse estabelecido. O problema continua atual. Este povo que lá está despedaçado em campos de refugiados por mais de uma geração, espalhados como parias em outras nações, deseja reparar o erro histórico. Cabe a nós ajudá-los nesta reparação.

Por qualquer ângulo que se olhe, sabemos que a única solução são dois estados lado a lado. Cada dia sem que se concretize esta situação, significa mais mortes e desgraças de todo tipo. Economias arrasadas, desemprego em alta e um sentimento de incerteza que acaba com qualquer desejo de investimentos.

Ao chegar ao poder, Ariel Sharon trouxe a esperança de paz e segurança que seus antecessores não foram capazes de alcançar. A sociedade israelense deu a este homem um voto de confiança imaginando que para combater o terror somente um entendido nesta prática. Passados 3 anos de Intifada, nem paz e nem segurança. Incapaz de cumprir com o Mapa da Paz, fica adiando suas obrigações esperando pelo próximo atentado que justifique suas ações. A paz não vai acabar com o terrorismo da noite para o dia. Todos sabem disso. Não existe força natural ou sobrenatural capaz de impedir um suicida decidido. O que vai acabar com o terror são as conseqüências do acordo de paz e da criação do estado palestino. A prosperidade econômica, o emprego, a reconciliação e principalmente o desejo de progresso e prosperidade tão ansiado pelos dois povos.

Antes de criticar os outros devemos olhar para nós mesmos. Temos de fazer nossa “mea culpa”. É preciso nos envergonhar de certas atitudes e pedirmos desculpas por elas. Isto nos fará seres humanos melhores e fará com os povos do mundo voltem a nos respeitar como o povo do livro. Trará orgulho para nossos profetas que tanta falta nos fazem nos dias de hoje. Nunca é tarde para se recomeçar e a hora já tarda.

A todos aqueles que pensam de outra forma, peço que expressem suas opiniões sobre os fatos e não sobre mim. Que escrevam em relação a eles e não em relação aos autores que os descrevem. Se expressem com educação e principalmente com respeito.

Sem ressentimentos, shalom.

Sociedade Doente

O acordo de paz agoniza. O cessar fogo que trouxe um pouco de alento para as duas sociedades, israelense e palestina, apesar de não estar sendo cumprido a risca, diminuiu muito o estado de violência e mortes diárias.

Três anos de Intifada acabaram com os últimos resquícios de confiança que haviam sido conquistados em Oslo. Os dois lados não conseguem cumprir com o que acordaram. Não por que não possam fazê-lo, mas por que não acreditam que o outro vá cumpri-lo. E neste estado de vamos ver o que “vocês”, fazem primeiro, ambos deixam de implementar os passos mais importantes.

Sharon depois de um pequeno show televisivo onde mostrava centenas de soldados retirando uma dúzia de colonos de alguns postos ilegais, não foi adiante. Nenhuma colônia foi desmantelada até agora. A flexibilização da vida nos territórios continua na retórica e a libertação de prisioneiros parece uma novela sem fim. Centenas de prisioneiros detidos sem acusação formal que já poderiam ter sido soltos, permanecem presos. Os postos de checagem continuam infernizando a vida das populações palestinas.

Abbas por seu lado, tenta manter um frágil acordo com os grupos militantes evitando a confrontação a todo custo. Tentar o desarme como exige Israel seria o estopim de uma guerra civil. Evitar ataques terroristas depende dos serviços de inteligência que por sua vez precisam da ajuda de Israel. Esta ajuda esta sendo dada a conta gotas. Abbas depende das benesses de Sharon para se manter e até conquistar mais poder.

Enquanto isso, o número de desempregados em Israel já se aproxima de 200.000 pessoas. O número de cidadãos vivendo abaixo da linha de pobreza cresce a cada dia. Os serviços sociais de ajuda foram extintos ou tiveram cortes deixando milhares de pessoas sem qualquer provento. Justamente as mais necessitadas.

Tudo isto não tem impedido a construção do muro de separação que tenta “envelopar” Jerusalém, a futura capital dos dois estados e outras regiões, erguendo um novo muro da vergonha. A um custo de quase U$ 1.000.000,00 de dólares por km (serão 115 km), este dinheiro poderia ser empregado nos programas sociais e na retirada dos colonos dos territórios. O cessar fogo já demonstrou o quão inútil será esta obra. A paz irá por fim derrubá-lo.

Não bastasse a deterioração econômica e todos os males que dela advém, a sociedade israelense vai deteriorando seus valores morais de tolerância e grandeza cultural. Recentes informes de Organizações de Direitos Humanos chocam a todos. Entre julho de 2002 e julho de 2003, a ACR em seu relatório conta que os militares assassinaram 80 palestinos. Em vinte casos eles aceitaram sua responsabilidade. Nas operações durante este período 90 mulheres, crianças e homens inocentes (normalmente passantes) foram mortos e mais de 300 ficaram feridos.

O relatório que também condena os atentados terroristas, fala dos problemas que a ocupação trouxe. O incremento de atos de sadismo e barbárie como o de um soldado que cravou uma Estrela de David na mão de um palestino num bloqueio. A grande maioria dos casos não é punida, e poucos sequer são investigados. Por esta razão, os elementos anormais dentro do exército se sentem livres para continuar agindo desta maneira, aumentando o ódio e a desconfiança por parte da população palestina sob ocupação.

A paz deixa de ser apenas uma ambição mas passa a ser uma necessidade para uma sociedade doente. Os israelenses precisam deste remédio para curar não apenas suas feridas, seqüelas de toda esta tragédia, mas principalmente para ajudar a curar suas almas.

Neste domingo último, dia 22, aconteceram encontros entre as comunidades árabes e judaicas ao redor do mundo. Foram palestras, piqueniques, bate papos, ou simples encontros para se conhecerem melhor. Um exemplo de civilidade e esperança que demonstra a todos que o diálogo ainda é o melhor caminho.

Porto Alegre que já foi pioneira nestas atividades, ficou de fora. Talvez por que tudo o que já havia para ser dito o foi. Talvez por que as pessoas tenham cansado umas das outras, ou simplesmente por que começaram a perder a fé no fim do conflito. Uma pena que desta vez tenhamos ficado na contra mão da história. Justo agora quando começam a se colher os frutos de nossa perseverança, e mais e mais pessoas se juntam na corrente pela paz.

Paz e Segurança

Toda paciência tem limite e a minha, assim como a de muitos outros com relação a Ariel Sharon já se esgotou. A cada tentativa do combalido gabinete palestino de tentar suspender o terrorismo contra Israel, ele pratica mais uma ação de terrorismo de estado. Exige ações contra o terrorismo, mas o incentiva de todas as formas.

Sharon vai ser lembrado como o maior estelionatário da paz que nossa história já teve. Estelionatário é aquela pessoa que oferece algo de muito valor em troca de um pequeno favor. Normalmente este favor, representa muito pouco em relação ao que está sendo oferecido e por isso muita gente cai em seus golpes. Eles jogam com o fato de que o ser humano gosta de levar vantagem, e assim, apenas com o dom da palavra, ludibriam os incautos.

Desta forma ele prometeu paz e segurança para uma nação cansada de guerras, Em troca pedia apenas um voto de cada cidadão. Pouco mais de 30% da população acreditou nele,e como sempre acontece com os estelionatários, depois de receber o que pedem, eles mostram sua verdadeira face. Nem paz e nem segurança. Israel recebeu mais terror e total insegurança.

Sharon se move como um ser ardiloso. Destruiu completamente toda a estrutura administrativa e de segurança palestina. Arrasou o aeroporto e o porto, sedes de governo e órgãos de ajuda humanitária. Até mesmo as prisões foram arrasadas. Impede o ir e vir da população nos territórios numa rotina de humilhação sem fim. Exigiu a criação do cargo de primeiro-ministro com um novo gabinete e apesar de tudo foi atendido. Em troca, dizia, haverá paz e segurança.

Permitiu o estabelecimento de dezenas de colônias e as incentivou financeiramente a ida de mais e mais moradores para as áreas ocupadas. Distribuiu verbas para os assentamentos enquanto a economia arrasada levava milhares de israelenses a miséria. Tudo isso, repetia ele, trará paz e segurança.

Ariel Sharon diz que vai acabar com os “postos ilegais” (montanhas ocupadas por colonos radicais sem autorização oficial), que fazem com que ao seu redor permaneça uma unidade militar de proteção e afasta os donos da terra (palestinos) de se aproximarem por razões de segurança. Para isso envia soldados desarmados para enfrentamentos cinematográficos. Um dia inteiro para se retirar meia dúzia de colonos. Dois pesos e duas medidas. Quando necessita destruir uma casa palestina, envia unidades armadas e tanques de apoio que invadem uma cidade e não se importam sequer em se certificar que não haja mais habitantes na residência antes de explodi-la. Para afastar militantes pacifistas desarmados permite o uso de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e o uso livre dos cassetetes. Até mesmo o atropelamento e morte de uma pacifista por um trator foi defendido por seu governo.

Ninguém pode defender o terrorismo, muito menos o de estado. O terror é uma praga mundial. Nem mesmo a Europa conseguiu se livrar dele. A pratica da violência contra populações indefesas em nome de uma causa, já não encontra respaldo no mundo de hoje. Terroristas suicidas que se explodem em locais públicos são algo abominável e condenável sob qualquer circunstância.

O que aprendemos nestes anos todos é que para acabar com o terrorismo não se pode usar de meios iguais. O terrorismo termina quando cessam as causas que os sustentam, sejam elas de origem moral, histórica ou econômica. Sharon vem ao longo de seu governo alimentando o terrorismo. Como numa fogueira, joga água sobre o fogo ao invés de mirar na base que o alimenta. Para concretizar suas sentenças de morte contra militantes palestinos não se importa de matar os que estiverem ao seu redor. Lembra os perpetradores de chacinas em favelas brasileiras – para eliminar um marginal, matam todos os que os estiverem com ele.

Sharon até já imita Arafat. Diz ao mundo que vai respeitar os acordos, pousa para as fotos apertando as mãos de Bush e de Abbas, mas diz ao seu gabinete que “podemos seguir colonizando os territórios mas não precisamos alardear isso”. Arafat também tem um discurso para o seu povo e outro para o mundo. Dizem que não se deve acreditar no que ele diz em Inglês, apenas o que fala em Árabe.

Como esperar que Sharon vá trazer paz e segurança? Pura perda de tempo e o pior, de vidas humanas. Enquanto ele estiver como primeiro-ministro, infelizmente, mais e mais inocentes vão morrer. Os dois povos vão continuar sofrendo uma guerra de desgaste mantida por duas minorias que se apóiam mutuamente com suas ações: os terroristas palestinos suportados por Arafat de um lado, e os colonos israelenses asuportados por Sharon de outro.

O que se poderia esperar de um Mapa da Paz apoiado pelo maior mentiroso do planeta? Será que o homem que criou uma rede de mentiras e intrigas para se lançar numa guerra, possui qualificações éticas e morais para patrocinar um acordo de paz? Quem pode acreditar em suas intenções?

E desta maneira, o cenário do Oriente Médio permanece sombrio. Mesmo com a esperada decisão dos grupos radicais em suspenderem por 90 dias seus ataques terroristas, não parece haver chance de uma paz. Sharon já se apressou em dizer que o “real” motivo do cessar fogo é para que estes grupos possam se reestruturar e planejar novos ataques. Mostra com isso que irá continuar praticando seus assassinatos seletivos sem se importar com as conseqüências. Assim, diz ele, “vou trazer paz e segurança” para Israel.

Sharon cometeu um estelionato eleitoral para se eleger. Hoje ele tenta continuar iludindo a todos com sua falácia típica de golpistas. Mantém todo um povo refém de sua esperança de poder viver em paz, cuidar de suas vidas e prosperar. Arrasou a economia do país e teremos este ano um dos menores índices de imigrantes para Israel de todos os tempos.

Os Iamim Norahim (período do calendário judaico que relembra várias desgraças na história do povo judeu), será acrescido de mais uma data: o dia em Ariel Sharon foi eleito. Triste dia para a história do povo judeu e do Estado de Israel.

Não existe outra saída senão a criação de um Estado Palestino e o inicio da reconstrução do caminho que leve a reconciliação dos dois povos. Somente a paz e a conseqüente prosperidade dos dois povos irá calar a voz do terror e sufocar os sonhadores da Grande Israel. Sharon está fazendo o possível para adiar este sonho. Está tentando destruir toda esperança de convivência pacífica entre os dois povos. A cada dia vai criando mais intolerância e mais violência. Ele não é o pior inimigo dos palestinos, é o pior inimigo de Israel.

Tudo isso um dia será passado. Nosso clamor por justiça é mais forte do que ele. Nossa certeza de que somos capazes de superar nossas diferenças fala mais alto. Apesar dele, e de todos que o seguem, venceremos.

Dois Estados para dois povos, vivendo em paz e em segurança.

Desgraçados

Somos dois povos desgraçados. O mundo nos perseguiu e continua a nos perseguir através dos séculos da história. Nós judeus, que muitos dizem sermos o povo escolhido, somos recordistas em sobrevivência. Foram tantas tentativas de extermínio que nossa presença no seio das nações é um exemplo de perseverança. Os palestinos, também sentem o significado da discriminação, principalmente em sua história mais recente. Utilizados como joguetes de acordo com os interesses do momento no Oriente Médio, são outro exemplo de perseverança.

Não obstante este passado em comum, travam uma sangrenta batalha entre si. Se o mundo os despreza, eles tratam de desprezar-se ainda mais entre si. Invocam atrocidades cometidas no passado contra sua população, mas não temem perpetrá-las um contra o outro. Neste quesito, se esforçam bastante – num dia assassinam indiscriminadamente homens, mulheres e crianças, no outro relembram pogroms e o setembro negro.

Nem mesmo um acordo de intenções de paz é capaz de dar fim ao morticínio. Desde a sua assinatura, 24 israelenses e 36 palestinos já foram mortos. Tanta desgraça seria pouco se não fosse óbvio que ambos estão condenados a compartilhar o mesmo espaço de terra que disputam. Dois povos desgraçados que se culpam mutuamente por sua desgraça.

Neste clima sombrio, sobram cenas grotescas de pura barbárie. Um helicóptero israelense ataca um automóvel numa rua cheia de transeuntes. O resultado é a morte do procurado, sua esposa e filhos pequenos além de dezenas de feridos. Um avô passeia com suas netas por uma estrada quando uma saraivada de balas disparadas por um palestino, acerta o carro tirando a vida de uma menina de 7 anos e ferindo sua irmã de apenas 5.

Numa tentativa de manter as aparências, soldados de Israel enfrentaram uma turba de colonos que se negam a abandonar mais um posto ilegal habitado. Dezenas de feridos e detidos foram o saldo da ação em apenas uma das centenas de localidades que deverão ser abandonadas. Incentivos de desobediência civil se fizeram ouvir até mesmo de um deputado da Knesset. Entre os despojos, Coquetéis Molotov que não chegaram a serem utilizados, mas que demonstram, até onde já estão dispostos a chegar um bando de radicais extremistas, que sob o manto da religião, se proclamam defensores do solo sagrado da Grande Israel.

Do lado palestino as coisas também não são menos trágicas. Impossibilitado de impor a força sobre os grupos extremistas palestinos para um cessar fogo, Abbas, o primeiro-ministro palestino tenta de um lado impedir uma guerra civil e de outro salvar seu mandato e o mapa da paz. Tarefa mais difícil de ser concretizada quando nem mesmo as milícias que seguem as ordens de Arafat, parecem lhe dar ouvidos. Em nome da sua fé, querem libertar o solo sagrado dos infiéis.

Neste cenário dantesco, onde a razão não se faz escutar e a paixão associa-se a religião para jogar um povo contra o outro, o terror continua reinando sobre todos. Numa inversão de valores a morte passou a ser a razão para manter o conflito, enquanto a vida passou a ser um empecilho para se alcançar à paz. Os generais reinam soberanos enquanto os diplomatas são relegados a um segundo plano. A lógica da guerra vai cobrando sua dívida.

Em maio a tanta sandice, arautos do apocalipse tentam demonstrar direitos divinos e históricos para merecerem todo o território em disputa. Teorias risíveis que merecedoras de algum crédito fariam com que o outro povo simplesmente deixasse de existir, ou seriam capazes da remoção de milhões de pessoas para o limbo do além.

De nada adianta o choro e a dor das famílias enlutadas. Enquanto israelenses e palestinos não combaterem juntos o terror e os extremistas de ambos os lados com acordos de trabalho conjuntos e com ações em direção a paz, cada vez mais a violência se fará presente. Todo passo em direção a reconciliação é um retrocesso para os belicosos. Eles somente podem ser vencidos pela determinação em se encontrar um “modus vivendi” para israelenses e palestinos reconstruírem suas vidas longe dos dias intermináveis de violência que os acompanham há anos.

A voz da esperança continua bradando contra todos os gritos dos pessimistas que querem condenar estes povos a um confronto “ad eternum”. A paz vai se impor não obstante o desejo de uma minoria raivosa que tenta se sobrepor ao desejo da imensa maioria que não suporta mais a continuidade do conflito.

Este deverá ser mais um triste capítulo na história destes povos desgraçados. Mais um dos tantos obstáculos que tiveram de superar para sobreviverem. O último talvez, como inimigos, e o primeiro como povos livres convivendo lado a lado em paz e prosperidade.

Venceremos.

Estelionato

Toda paciência tem limite e a minha com relação a Ariel Sharon já se esgotou. A cada tentativa do combalido gabinete palestino de tentar suspender o terrorismo contra Israel, ele pratica mais uma ação de terrorismo de estado. Exige ações contra o terrorismo, mas o incentiva de todas as formas.

Sharon vai ser lembrado como o maior estelionatário da paz que nossa história já teve. Estelionatário é aquela pessoa que oferece algo de muito valor em troca de um pequeno favor. Normalmente este favor, representa muito pouco em relação ao que está sendo oferecido e por isso muita gente cai em seus golpes. Eles jogam com a idéia de que o ser humano gosta de levar vantagem, e desta forma, apenas com o dom da palavra, ludibriam os incautos.

Desta forma ele prometeu paz e segurança para uma nação cansada de guerras, Em troca pedia apenas um voto de cada cidadão. Pouco mais de 30% da população acreditou nele,e como sempre acontece com os estelionatários, depois de receber o que pedem, eles mostram sua verdadeira face. Nem paz e nem segurança. Israel recebeu mais terror e total insegurança.

Sharon se move como uma cobra traiçoeira. Destruiu completamente toda a estrutura administrativa e de segurança palestina. Arrasou o aeroporto e o porto, sedes de governo e órgãos de ajuda humanitária. Até mesmo as prisões foram arrasadas. Exigiu a criação do cargo de primeiro-ministro com um novo gabinete e até nisso foi atendido. Em troca, dizia, haverá paz e segurança.

Permitiu o estabelecimento de dezenas de colônias e a incentivou monetariamente a ida de mais e mais moradores para as áreas ocupadas. Distribuiu verbas para os assentamentos enquanto a economia arrasada levava mais e mais israelenses a miséria. Tudo isso, repetia ele, trará paz e segurança.

Ariel Sharon diz que vai acabar com os “postos ilegais” (montanhas ocupadas por colonos radicais sem autorização oficial), que fazem com que ao seu redor permaneça uma unidade militar de proteção e afasta os donos da terra (palestinos) de se aproximarem por razões de segurança. Para isso envia soldados desarmados para enfrentamentos cinematográficos. Um dia inteiro para se retirar meia dúzia de colonos. Dois pesos e duas medidas. Quando necessita destruir uma casa palestina, envia unidades armadas e tanques de apoio que invadem uma cidade e não se importam sequer em se certificar que não haja mais habitantes na residência antes de explodi-la. Para afastar militantes pacifistas desarmados permite o uso de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e o uso livre dos cassetetes. Até mesmo o atropelamento e morte de uma pacifista por um trator foi defendido por seu governo.

Ninguém pode defender o terrorismo, nem mesmo o de estado. O terror é uma praga mundial. Nem mesmo a Europa conseguiu se livrar dele. A pratica da violência contra populações indefesas em nome de uma causa, já não encontra respaldo no mundo de hoje.
O que aprendemos nestes anos todos é que para acabar com o terrorismo não se pode usar de meios iguais. O terrorismo termina quando cessam as causas que os sustentam, sejam elas de origem moral, histórica ou econômica. Sharon vem ao longo de seu governo alimentando o terrorismo. Como numa fogueira, joga água sobre o fogo ao invés de mirar na base que alimenta o alimenta. Para concretizar suas sentenças de morte contra militantes, não se importa de matar os que estiverem ao seu redor. Lembra os perpetradores de chacinas em favelas – para eliminar um marginal, matam todos os que os acompanhavam.

Sharon já imita Arafat. Diz ao mundo que vai respeitar os acordos, pousa para as fotos apertando as mãos de Bush e de Abbas, mas diz ao seu gabinete que “podemos seguir colonizando os territórios mas não precisamos alardear isso”. Arafat também tem um discurso para o seu povo e outro para o mundo. Dizem que não se deve acreditar no que ele diz em Inglês, apenas o que fala em Árabe.

Como esperar que Sharon vá trazer paz e segurança? Pura perda de tempo e o pior, de vidas humanas. Enquanto ele estiver como primeiro-ministro, infelizmente, mais e mais inocentes vão morrer. Os dois povos vão continuar sofrendo uma guerra de desgaste mantida por duas minorias que se apóiam mutuamente com suas ações: os terroristas palestinos apoiados por Arafat de um lado, e os colonos israelenses apoiados por Sharon de outro.

O que se poderia esperar de um Mapa da Paz apoiado pelo maior mentiroso do planeta? Será que o homem que criou uma rede de mentiras e intrigas para se lançar numa guerra, possui qualificações éticas e morais para patrocinar um acordo de paz? Quem pode acreditar em suas intenções?

E desta maneira, o cenário do Oriente Médio permanece sombrio. Mesmo com a esperada decisão dos grupos radicais em suspenderem por 90 dias seus ataques terroristas, não parece haver chance de uma paz. Sharon já se apressou em dizer que o “real” motivo do cessar fogo é para que estes grupos possam se reestruturar e planejar novos ataques. Mostra com isso que irá continuar praticando seus assassinatos seletivos sem se importar com as conseqüências. Assim, diz ele, “vou trazer paz e segurança” para Israel.

Sharon cometeu um estelionato eleitoral para se eleger. Hoje ele tenta continuar iludindo a todos com sua falácia típica de golpistas. Mantém todo um povo refém de sua esperança de poder viver em paz, cuidar de suas vidas e prosperar. Arrasou a economia do país e teremos este ano um dos menores índices de imigrantes para Israel de todos os tempos.

Os Iamim Norahim (período do calendário judaico que relembra várias desgraças na história do povo judeu), será acrescido de mais uma data: o dia em Ariel Sharon foi eleito. Triste dia para a história do povo judeu e do Estado de Israel.

Não existe outra saída senão a criação de um Estado Palestino e o inicio da reconstrução do caminho que leve a reconciliação dos dois povos. Somente a paz e a conseqüente prosperidade dos dois povos irá calar a voz do terror e sufocar os sonhadores da Grande Israel. Sharon está fazendo o possível para adiar este sonho. Está tentando destruir toda esperança de convivência pacífica entre os dois povos. A cada dia vai criando mais intolerância e mais violência.

Tudo isso um dia será passado. Nosso clamor por justiça é mais forte do que ele. Nossa certeza de que somos capazes de superar nossas diferenças fala mais alto. Apesar dele, e de todos que o seguem, venceremos.

Dois Estados para dois povos, vivendo em paz e em segurança.