por Mauro Nadvorny | 15 fev, 2020 | Brasil, Comportamento, Política
Os membros do atual governo não têm mais a menor vergonha em dizer para que tipo de gente eles governam e quais são seus objetivos em relação a classe social para a qual se importam. Quando Guedes diz que o dólar baixo só serve para a felicidade das domésticas, que podiam ir para a Disney, me vem a lembrança a foto daquela menina nos ombros do pai, em uma manifestação contra a Dilma, segurando um cartaz, onde dizia que não estava podendo viajar para Disney.
Relembrando aqueles dias, também me volta a memória a foto de um casal com um carrinho de bebe sendo empurrado por uma doméstica, também em uma manifestação contra a Dilma. Fica claro, para mim ao menos, de que aqueles manifestantes dominicais da classe média e alta, toda de verde amarelo da seleção, foram as ruas como grande massa de manobra. E continuam com seu comportamento de gado até os dias de hoje.
Quando o governo se propõe a deixar de construir escolas, vejo que finalmente batemos no fundo do poço, ou em outras palavras, chegamos de maneira clara e objetiva, onde eles queriam estar. Quem precisar de educação, que pague por ela. O mesmo vai acontecer em breve com a saúde e depois com a segurança. Tudo privatizado a serviço de quem puder pagar pelo serviço.
Nesta mesma direção, vamos ter as mesmas políticas nos estados e municípios. Quer que a sua rua, ou o seu bairro seja patrulhado por policiais, pague por isso. Precisa de saneamento na sua rua, pague por isso. Iluminação pública, pague por isso. O lixo precisa ser retirado, pague por isso. No seu bairro as pessoas podem pagar? Que bom, sua vida será ótima, mas não saia dele e não vá para os lugares onde as pessoas não podem pagar.
O Brasil solidário, o Brasil de todos, aquele que tinha saído do mapa da fome, que investiu em educação, saúde e segurança com respeito aos direitos humanos, acabou! Ele está realmente sob nova direção e ela aponta para o neoliberalismo assentado na meritocracia. Os bancos sempre lucraram, mas agora seus lucros vão superar todas as expectativas. E quando isso acontece, é sinal de que a Casa Grande está feliz.
O dólar alto significa que exportadores estão podendo vender mais para fora. O mesmo dólar que antes comprova um Kg de carde brasileira, agora compra dois. Tudo ficou mais barato para ser mandado para fora do país.
Por outro lado, o dólar alto, causa um grande problema para os importadores. Não é de produtos supérfluos que estou falando, para eles o governo compensa baixando os impostos. O problema são as máquinas, insumos para a indústria, medicamentos e tudo aquilo de que necessitamos para modernizar nosso parque industrial e tecnológico.
Vamos aos poucos voltar a ser exportadores de commodities e importadores de manufaturados, exatamente onde estávamos há 50 anos atrás. O terceiro mundo está recebendo o Brasil de volta ao seu lugar. Todo o esforço para desenvolver o país e melhorara a qualidade de vida da população está sofrendo um enorme retrocesso.
Estamos perdendo também nossas melhores mentes. Pesquisadores, engenheiros, médicos e cientistas estão abandonando o país. Este processo silencioso de profissionais gabaritados e brilhantes em seu campo de atuação em direção a outros países, tem um custo enorme para o desenvolvimento do país.
Quando vejo pesquisas de opinião afirmarem que Bolsonaro ganharia as eleições contra qualquer oponente, se elas fossem realizadas hoje, me pergunto o que está faltando para este povo se dar conta do que está acontecendo. Qual o nome desta apatia generalizada que tomou conta da população que permanece fiel a este governo? É como aceitar que eles devem estar fazendo alguma coisa muito boa, estão certos em tudo e por isso a felicidade geral da nação.
Eu sei que nada acontece até depois do Carnaval. Que somente em março começa o ano realmente, mas o que já aconteceu até aqui é desanimador. A esquerda não consegue mobilizar a militância que não consegue mobilizar as massas. Aqui de fora, lamento ter de dizer, o que se enxerga é que eles, não somente venceram as eleições, como estão sendo muito bem sucedidos em seu planejamento de poder.
Nem mesmo a imprensa e jornalistas, achincalhados diariamente, menosprezados e agredidos pelo presidente, reagem de maneira condizente. Vergonhosamente se omitem, ou se muito, se contentam em dizer que o presidente está errado, que foi muito feio o que ele fez, ou que esperam que ele compreenda a necessidade de serem imparciais… Covardes!
Obviamente que resistimos. Nós que colocamos nossa cara a tapa, nós que não nos calamos e fazemos nossa voz chegar longe nas redes sociais. Que denunciamos e mostramos a realidade do que está acontecendo. Aqueles que não soltaram a mão de ninguém e não saíram da trincheira. Nós que nunca vamos deixar de ser a consciência do povo mais humilde. Estamos aqui!
Use a sua voz, ajude a denunciar, mostre o que está sentindo, seja mais um a lutar por um Brasil mais solidário e mais igualitário. Nos dê a sua mão.
por Mauro Nadvorny | 7 fev, 2020 | Brasil, Comportamento, Política, Protesto
Como não amar estas duas mulheres? Seus nomes combinam e suas atitudes são uma luz que nos norteia neste momento de tantas trevas no mundo. Mulheres de atitude que nos dão uma injeção de ânimo quando as assistimos confrontando os poderosos.
Greta Thumberg nasceu em Estocolmo, na Suécia e tem hoje 17 anos. Militante pelo clima, esta jovem tocou na consciência dos líderes mundiais. Disse na cara deles o que nunca quiseram escutar. Colocou neles a culpa pelo que está acontecendo hoje, e principalmente pelo futuro do planeta que está ameaçado pela falta de atitudes contundentes para interromper o aquecimento global.
Petra Costa é de Belo Horizonte, brasileira, hoje com 36 anos. Cineasta, ela procura fazer filmes que documentam a realidade vivenciada por ela mesma. Vem de uma família de esquerda e foi marcada pela perda de sua irmã mais velha que cometeu suicídio. Petra é também uma militante das causas femininas como o direito ao aborto. Seu mais recente filme, Democracia em Vertigem foi o escolhido para representar o Brasil no Oscar.
A indicação foi duramente criticada pelo governo atual e seus apoiadores porque retrata o golpe que derrubou a presidente Dilma e os acontecimentos que se seguiram e levaram a eleição de Bolsonaro. Depois de atacarem o filme, atacaram a própria Petra que pode mostrar ao mundo como seu filme fez jus a indicação. A história continua na vida real.
Tanto Greta como Petra, são uma inspiração para todos nós. Elas provam que o mundo continua extremamente preconceituoso em relação as mulheres com atitudes. Seus agressores expressam toda sua inconformidade com o fato delas, como mulheres, serem bem sucedidas em suas atividades e terem sido capazes de mobilizar tanta gente a seu favor. Tentam detratá-las de todas as maneiras possíveis, mas só conseguem com que tenham mais e mais apoiadoras e apoiadores. Quando atacadas elas demonstram seu valor e sua coragem enfrentando a tudo e a todos.
Existem muitas outras mulheres como elas. Talvez desconhecidas do grande público, elas estão presentes na resistência contra o fascismo. Basta se olhar para as mídias que acompanham os grandes acontecimentos. Seja nas manifestações ao redor do mundo por mais liberdades, por mais justiça, seja no engajamento por questões sociais, e claro na luta contra este governo no Brasil, lá estão elas. Na maioria das vezes na linha de frente.
No Grupo “Resistência Democrática Judaica”, nos coletivos “Judeus pela Democracia” do RJ e de SP, e no coletivo “Judias e Judeus com Lula”, elas estão presentes em grande número. E fazem bonito, engajadas e atuantes. Nos partidos de esquerda, lá estão elas, sempre vibrantes e contundentes nas suas atitudes.
Quanto orgulho de poder presenciar este momento tão importante na história. Por mais que o fascismo tenha sido capaz de se estabelecer pela via democrática em tantos países, já é possível escutar a voz da mudança e ela é feminina. São as mulheres que vão ajudar a devolver o fascismo para a lixeira de onde ousaram sair. São as mulheres que vão salvar o clima no planeta.
Assistir pela TV a Nancy Pelozi rasgar o discurso do Donald Trump não tem preço. Mais uma vez, foi uma mulher que lavou a nossa alma. Quem entre nós não gostaria de ter feito o que ela fez? Quem vai lembrar do que Trump discursou depois disso. A imagem dela ficou para a história.
Que bom saber que elas estão ao nosso lado na resistência. Todos os dias incomodando a extrema direita com novas ações e novas proposições. Sua presença é tão intimidadora para certas pessoas, que tentaram calar uma voz assassinando Marielle. O tiro saiu pela culatra e serviu somente para trazer outras milhares de Marielles para a luta.
Companheiras, continuem fazendo o que fazem de melhor, nos apontando sempre o caminho. Vocês são fantásticas, vocês são a revolução.
por Mauro Nadvorny | 31 jan, 2020 | Brasil, Comportamento, Política
Ontem 30 de Janeiro aconteceu o aguardado ato de entrega de uma carta de apoio ao presidente Lula. Seria mais uma, entre tantas, que ele tem recebido, não fosse o detalhe de que esta vinha de um grupo judaico que se tornou um coletivo.
O acontecimento que teve a participação de inúmeras pessoas, lotou o auditório do Sindicato dos Químicos. Companheiros da esquerda judaica, políticos, artistas, amigos e convidados prestigiaram a festa.
Tudo transcorreu em um clima familiar. Foi como assistir a um encontro fraternal de amigos de sempre, unidos na resistência a este governo fascista, que vieram prestigiar aos companheiros judeus na entrega de uma carta simples, com um conteúdo de amor ao presidente Lula, reconhecendo a perseguição e a injusta condenação sofrida por ele.
Quando Lula pegou o microfone no final, Lula foi Lula, o sindicalista, o presidente, o estadista que todos aprenderam a admirar e que a direita nunca aceitou, nunca vai aceitar. Contou suas passagens relacionadas ao Oriente Médio. Suas tentativas de fazer um acordo nuclear com o Iran e ajudar a mediar o conflito entre israelenses e palestinos. Explicou como as nações europeias e os EUA não quiseram aceitar o Brasil como igual entre as nações, como um país emergente que pudesse ter um papel preponderante nos grandes conflitos mundiais.
Também contou dos 580 dias que esteve detido. De como escutava de dentro de sua cela todos os dias o Bom Dia, Boa Tarde e Boa Noite presidente Lula. Do quanto foi gratificante para ele saber que todas aquelas pessoas estavam lá por ele.
Lula foi implacável em dizer com todas as letras que Moro e todos aqueles que o condenaram são parte de uma quadrilha que estão entregando as riquezas nacionais. Disse que a Globo é responsável pelo ódio que está disseminado pelo Brasil. Falou tudo aquilo que todos gostariam de ter escutado antes.
Eu aqui de longe, tenho orgulho de todas e todos que lá estiveram e cumprimento os organizadores na pessoa do Jean Goldenbaum que tornou possível tudo isso. Uma prova de como uma atitude de amor ao próximo, contra a injustiça e pela democracia pode ajudar a aproximar todos aqueles que mantém a resistência e a esperança.
Claro que uma atividade como essa não poderia passar sem despertar uma ira doentia nos Bozojews. Uma parcela da comunidade judaica que segue apoiando o atual presidente a despeito de todos os sinais de atitudes nazifascistas que se somam dia a dia. Parcela esta que irá para o lixo da história juntamente com todos aqueles que ainda apoiam este governo.
Entre frenesis, mimimis, xingamentos e ameaças típicas desta gente, judias e judeus progressistas mostraram que a comunidade judaica não é aquela que estava dentro da Hebraica do Rio de Janeiro, mas a que estava do lado de fora protestando.
Nesta última semana, publiquei nas redes sociais diversas postagens relacionadas a esta atividade e outras que diziam respeito ao Holocausto pela passagem do dia Internacional de Memória pelos 6 milhões de judeus que foram assassinados pelos nazistas. Sem dúvida alguma, a imensa maioria das manifestações nas postagens foram de solidariedade e apoio. Poucas foram de antissemitas de esquerda, o que mostra que estamos desmontando a ideia incutida de que os judeus elegeram Bolsonaro.
A Carta ao presidente Lula entregue em mãos foi a mostra definitiva de somos parte de uma comunidade plural, inserida na sociedade brasileira, e que sofre, todos os dias, juntamente com ela, as mesmas mazelas que são impostas ao povo por este governo.
Mais do que tudo, o ato mostrou que judias e judeus continuam na trincheira da resistência até o fim, por justiça e democracia.
por Mauro Nadvorny | 24 jan, 2020 | Brasil, Política
Por ocasião da cerimônia que marca o 75º aniversário da libertação soviética do campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia, venho me fazendo a pergunta se uma pessoa pode ser nazista desconhecendo o mal que este regime causou para a Alemanha e o mundo.
Como judeu, nazismo está associado a morte. O regime matou seis milhões de judeus e nunca vamos esquecer disso. Temos uma palavra que define nossa tragédia: Holocausto. Somente agora a população judaica no mundo chegou ao mesmo número de antes da segunda guerra, o que dá uma ideia do genocídio causado por eles.
Quando aprendemos sobre nazismo, nós judeus, praticamente esquecemos quem mais foi perseguido, morto e todo o mal que eles causaram ao mundo. Tentamos justificar com o fato de que fomos caçados e mortos por sermos judeus, onde nos encontrávamos, de forma metódica. Achamos que os demais morreram em consequência das batalhas militares ou em consequência dos efeitos colaterais dos bombardeios. Nenhuma bomba tinha um endereço para alguém específico, mas os nazistas foram nos nossos endereços, um a um para nos exterminar.
Estima-se às mortes de outros grupos perseguidos em 11 milhões. As vítimas incluem gays, padres, ciganos, portadores de deficiências mentais ou físicas, comunistas, sindicalistas, testemunhas de Jeová, anarquistas, poloneses e outros povos eslavos, e combatentes das resistências.
Portanto, é preciso compreender que os nazistas perseguiam uma limpeza étnica, onde os arianos seriam a raça superior. Algumas raças poderiam ser toleradas, sempre que abaixo dos arianos, mas não os judeus que deveriam ser dizimados. Dois terços dos mortos na guerra eram civis. O número total de
perdas em vidas fica entre 65 e 75 milhões.
Mas os nazistas não chegaram ao poder apenas desejando dominar o mundo a sua maneira. O Partido Nacional-Socialista tinha propostas para a Alemanha, e uma delas definia quem era considerado cidadão: “Apenas um membro da raça pode ser um cidadão. Um membro da raça só pode ser aquele que é de sangue alemão, sem consideração de credo. Consequentemente nenhum judeu pode ser um membro da raça.”
Uma vez definido quem era cidadão, destaco entre as propostas:
O direito de determinar as questões relativas à administração e ao direito pertence apenas
ao cidadão. Por isso exigimos que todos os cargos públicos, sejam quais forem, tanto no Reich quanto no condado ou na municipalidade, sejam preenchidos apenas pelos cidadãos. Nós combatemos a economia parlamentar corruptora, a distribuição de cargos somente de acordo com as inclinações partidárias, sem considerações de caráter ou habilidades.
Todos os cidadãos devem ter direitos e obrigações iguais.
A primeira obrigação de cada cidadão deve ser trabalhar tanto espiritualmente quanto fisicamente. A atividade dos indivíduos não deve contrariar os interesses da universalidade, mas deve ter seu resultado no contexto do todo para o benefício de todos. Consequentemente, exigimos:
A abolição de rendimentos indevidos (de trabalho e emprego). Quebra da escravidão de aluguel.
Exigimos a nacionalização de todas as indústrias (previamente) associadas (trusts).
Exigimos uma divisão dos lucros de todas as indústrias pesadas.
Exigimos uma expansão em larga escala do bem-estar na velhice.
Exigimos a criação de uma classe média saudável e a sua conservação, comunalização imediata dos grandes depósitos e o seu aluguel a baixo custo para pequenas empresas, a máxima consideração de todas as pequenas empresas em contratos com o Estado, condado ou município.
Exigimos uma reforma agrária adequada às nossas necessidades, a provisão de uma lei para a livre expropriação de terras livres para fins de utilidade pública, a abolição dos impostos sobre a terra e a prevenção da toda especulação de terra.
O Estado deve cuidar da elevação da saúde nacional protegendo a mãe e o filho, criminalizando o trabalho
infantil e encorajando o preparo físico, por meio do estabelecimento legal de uma obrigação de ginástica e esporte, e pelo máximo apoio a todas as organizações ocupadas com a instrução física dos jovens.
Quem desconhece os crimes nazistas e tivesse acesso a estas propostas, poderia de boa-fé, imaginar que estas propostas partidárias fizessem sentido nos dias de hoje, mesmo que datando de 1928.
Aí é que está o grande problema. Não existe uma educação para este passado sombrio. A maioria das pessoas desconhece o que foi o nazismo e o mal que ele causou para todo o mundo, não somente para os judeus.
Sendo assim, a ideia de que um secretário da cultura apresente uma proposta de um ministro nazista para o Brasil, não é de todo intrigante. Podemos ficar estupefatos a primeira vista, mas logo devemos buscar as causas para algo tão surpreendente.
A proposta foi feita a forma e semelhança do que fez Goebbels. Tudo ali foi premeditado e cuidadosamente preparado. Falar em coincidência é risível, para dizer o mínimo. Alvin se preparou para trazer a público o que ele realmente acredita, por exemplo, o Brasil ser o país da Ópera!
Ele se soma aos casos recorrentes de simpatizantes nazistas que já começam a se mostrar ostentando a Cruz Suástica, o que é proibido por lei.
O mundo em geral, e o Brasil em particular, precisam educar as próximas gerações para o terror que representou o regime nazista. O governo brasileiro está muito próximo das mesmas ideias. Trocam judeus, por comunistas, e apresentam o mesmo discurso.
Não há mais tempo a perder. É preciso cortar o mal pela raiz, afinal de contas,nunca se sabe com certeza quem mora ao lado.
O que é certo é que eles estão no poder!
por Mauro Nadvorny | 17 jan, 2020 | Brasil, Política
Temos na presidência um elemento que não conhece os limites do cargo. Pior, desconhece até mesmo qual é a função do chefe de estado de uma nação, do significado de ser o presidente do país, não de uma agremiação estudantil.
O sujeito tenta viver em sua zona de conforto e diante de qualquer sopro de questionamentos, perde completamente a compostura e parte para cima com uma virulência descabida e desproporcional. Este
comportamento é conhecido de longa data, muito antes de sua eleição. O linguajar de sarjeta, os ataques a desafetos e o uso da imunidade para poder exercer toda sua truculência e se manter impune eram suas características como parlamentar.
A todo momento somos tomados por um sentimento de vergonha que é superado a cada dia por mais uma desfaçatez. Não existem limites para esta pessoa emocionalmente instável, incapaz de fazer juízo de valor de suas atitudes. Sinceramente não sei o que o Congresso Nacional está esperando que aconteça para o remover do cargo. O que é que pode acontecer de pior que já não tenha acontecido.
Sim, podemos acreditar que nada que está ruim, não possa ficar pior, no caso de um Impeachment, seu vice, o General Mourão, assume o cargo. Neste caso, não que fique pior, é que o ruim pelo ruim, ao menos uma pessoa no cargo de presidente com um mínimo de compostura.
Pode-se dizer que o Mourão não preenche os quesitos políticos necessários para exercer a presidência. Vamos admitir que seja verdade, mas não estamos mais diante de uma eleição onde é possível fazer uma escolha. Estamos diante de um desastre anunciado eminente. Não existe institucionalmente dentro da democracia outra alternativa.
Enquanto os danos fossem apenas de credibilidade nacional, as Filipinas também possuem um presidente folclórico. Se fosse apenas pela guinada a direita, a Hungria também possui seu nazistinha. Nosso caso é muito pior. Ele está vendendo o país no varejo. Nossas riquezas estão sendo entregues de mão beijada. O país já criou um abismo entre os mais ricos e os mais pobres. Mas não é apenas a
distância entre eles que aumentou, são as condições que estão sendo impostas para que nunca mais possa diminuir.
A imensa informalidade criada, com o pomposo nome de empreendedorismo, é a formalização do surgimento de uma casta social incapaz de ascender socialmente pelas próximas gerações. Ao institucionalizarem a meritocracia, acabaram com as chances de um Brasil com menos desigualdades sociais. Agora sim estamos nos tornado uma pequena Suíça dentro de uma enorme Índia.
Com a maioria da população sendo incapaz de poupar e de receber uma aposentadoria condizente no futuro, existe todas as condições de uma bomba relógio que vai explodir lá adiante. A classe média de hoje são os pobres de amanhã. E os pobres já estão caindo na miséria a olhos vistos.
O cara na presidência não possui a menor condição de compreender o que está acontecendo. Ele não tem cultura e nem intelecto capaz de enxergar o que se passa. É uma marionete na mão dos capitalistas que estão assaltando a nação pouco se importando com as consequências futuras.
O inimigo não está lá fora, ele está dentro de casa. Ele se tornou o inútil que é útil para os que tomaram o poder. Serve aa milícias e aos bancos. É bom para os pentecostais e os militares. É adorado pelos neoliberais e a ultradireita. Todos se divertem enquanto ela passa o seu tempo nas redes sociais adulando a si mesmo ou batendo boca com jornalistas nas esquinas do palácio de governo.
Impeachment agora, por que já é tarde demais.
“Se não eu por mim, quem por mim? Se eu for só por mim, quem sou eu? Se não for agora, quando?”. Hillel, o Ancião. Foi um rabino famoso que viveu no tempo de Herodes.
por Mauro Nadvorny | 10 jan, 2020 | Comportamento, Política
Dizem que todo antissemita tem um amigo judeu de estimação, real ou imaginário. Acredito que seja uma verdade, ao menos em parte.
Recentemente o tema do antissemitismo vem aparecendo na mídia mais do que devia. Não é para menos, episódios deste cunho vem assombrando uma das cidades mais cosmopolitas que conhecemos, Nova York, com episódios quase diários. O mesmo em Londres e Paris.
No entanto não precisamos ir tão longe. Em recente episódio em que fui envolvido, comentários de cunho antissemitas foram postados em profusão sem qualquer arbítrio. Alguns exemplos:
“Nadvorny, além de Ashkenhazy, caucasiano, é também SIONISTA. SIONISMO é um movimento FASCISTA DE JUDEUS ASHKENHAZY…”
“Ele é apenas um CRIMINOSO COMUM, MENTIROSO, QUE POSA DE VÍTIMA QUANDO NA REALIDADE É UM CARRASCO SANGUINÁRIO E CRUEL, como a maioria dos seus correligionários israelenses!!”
“Comportamento do Governo Judeu de Israel com o Povo Palestino é similar às barbáries
cometidas por Hitler durante a Segunda Guerra Mundial!”
Eu sempre soube separar a crítica ao governo de Israel que alguns se referem como antissionismo, do antissemitismo. Mesmo assim, é bastante claro a existência de uma linha tênue entre eles. Muita gente que se declara antissionista ataca o Estado Judeu como sendo um país que deve desaparecer, ou
nunca ter sido criado. São os antissemitas clássicos que tentam permanecer numa zona cinza.
A questão do Brasil é muito interessante. Seus habitantes nativos foram as tribos indígenas que habitavam o território. Os europeus dizem que “descobriram a América”, quando o correto seria dizer a verdade, eles invadiram a América. Portanto, todos os habitantes da América descendem destes invasores, ou aqui chegaram para completar o trabalho iniciado por eles. Como resultado disso,
centenas de milhares de indígenas foram mortos, outros escravizados. Os verdadeiros donos desta terra foram dizimados e os que restaram são tratados com desdém.
Os invasores, quando perceberam que os índios preferiam a morte, que a escravidão, precisando de mão de obra, foram buscar na África. A população negra brasileira não invadiu o território de ninguém. Foi trazida em acorrentada para trabalhos forçados. O Brasil foi o último país das Américas a abolir a
escravidão que durou praticamente 300 anos. Lula foi o primeiro e único presidente do Brasil a pedir desculpas pela escravidão dos negros africanos.
Quando vejo brasileiros defendendo a causa palestina, me solidarizo com eles. Eu também defendo a criação de um Estado Palestino. Mais do que isso, acredito que os Tibetanos tem direito a recuperarem sua independência e os Kurdos o direito ao Kurdistão, só para ficar nos povos mais conhecidos e com tragédias similares.
No entanto, não posso deixar de chamar atenção para o fato de que nunca neste país se fez um pedido de desculpas para os índios, os que tiveram suas terras invadidas por nossos ancestrais. Pior, continuamos invadindo o pouco de terras que restam para eles, com o pomposo nome de Reservas Indígenas,
e que este governo fascista deseja acabar. O correto teria sido o contrário, nós vivermos em Reservas de Descendentes de Europeus.
Portanto, seria interessante que a história do Brasil, as tragédias que foram causadas por nossa invasão para que tivéssemos um lugar para chamar de lar, saíssem da sombra onde se encontram e assumirmos nossa responsabilidade. Sim, vamos defender os direitos de outros povos, mas não podemos esquecer os direitos daqueles que vivem ao nosso lado.
O povo judeu tem uma história milenar. O que hoje constitui o Estado de Israel já foi parte do Reino de Israel no passado. Não é que tenhamos retornado para um território qualquer, retornamos para o mesmo lugar de onde saímos. A tragédia causada com este retorno é um problema que discutimos mesmo antes do dia da nossa independência. Este retorno foi construído por um ideal Sionista, que desejava recriar o Lar Nacional Judaico, voltar a Sião.
O objetivo foi alcançado, mas trouxe consequências. Uma delas é a questão palestina. Um povo que habitava o território e com o qual não houve acordo para dividir o território. A criação de Israel trouxe uma guerra e as consequências são conhecidas. O povo judeu teve seu país reconstruído e os palestinos viraram refugiados.
A segurança de Israel é constantemente ameaçada por países que até os dias de hoje não aceitam sua criação e pregam diariamente sua destruição. Como democracia parlamentarista, o país vem sendo governado por coalizões de partidos de direita nos últimos 20 anos. Pode-se discordar de sua política, como eu discordo, mas não se pode concordar com o fim que querem dar seus inimigos.
Os antissionistas existem tanto na direita como na esquerda brasileira. Se existe alguma coisa que una os dois extremos, é o antissionismo radical. Este tipo de antissionismo que serve como disfarce para o antissemitismo. Este que me ataca como judeu, como sionista e como socialista. Boa parte deles é formada por gente que desconhece sua própria história e que até hoje, absolutamente, nada fez para recompensar o mal causado no lugar onde vivem.
O ódio aos judeus é um preconceito que existe há milhares de anos. É tão conhecido que até em países onde a presença judaica não existe, ou é mínima, ele se faz presente. Talvez por nossa presença desde os primórdios da humanidade, seja este o precursor de todos os preconceitos humanos. Não faltam
explicações que vão desde assassinos de Cristo até, pasmem, dependendo do lado, de sermos capitalistas ou comunistas, etc.
Para conhecimento, somos um povo igual aos outros. Nem melhor, nem pior, apenas humanos como todo mundo. Como humanos também somos imperfeitos. Em nosso seio existe gente de toda espécie, como em qualquer outro povo.
E como dizem por aí, se o judeu não existisse, o antissemita inventaria um.