por Gustavo Perez Pereira Andrade | 2 ago, 2022 | Brasil, Literatura, Poesia
Trago uma mala velha,
Cheia de boas lembranças,
amigos, conversas, músicas, fé,
e canções do Belchior.
Trago uma mala velha,
Nela carrego toda saudade
que palpita dentro do peito,
Nela trago fotos na memória, a saudade que dói,
E os nossos sonhos para o pôr-do-sol da bela manhã.
Trago uma mala velha,
Sou um navegante de muitas léguas
Viajante entre tantos mundos
Não me julgue pelo sorriso
Nem pela lágrima,
Por tantas partidas sem despedidas …
Trago uma mala velha
Nela tenho um jornal
Com notícias bonitas
Mensagens de ano novo
e boas festas também.
Tenho,
Tudo aqui bem guardado
Na mala velha da esperança,
Os sonhos da infância, os medos de criança,
O manifesto pela paz mundial
e amor entre os povos,
O bálsamo para toda dor.
Na minha mala velha da esperança,
Trago os muitos planos
e toda incerteza do futuro,
E as angústias de um rapaz latino-americano
do interior .
Nela também trago o verbo amar:
Eu amo a vida, as pessoas,
dois dedos de prosa no bar
O abrir das flores,
Pétala a pétala abrindo na primavera,
As mariposas, as pernas das moças,
De todas as crônicas a mais bela é a vida,
De todas as poesias, a mais bela é a vida,
É um amor matreiro, é um conto ligeiro,
É um desaguar de boas lembranças,
É um rebento de saudade….
por Gustavo Perez Pereira Andrade | 27 jul, 2022 | Poesia

Foto de uma roseira do jardim pessoal do autor.

Foto de uma roseira do jardim pessoal do autor.
Após o inverno vem o verão
Após o outono vem a estação das flores
Passado o tempo nublado
Vem o sol ao raiar da aurora
Já não haverá mais guerras,
Nem vis tiranias de outrora
As crianças brincarão pelas ruas

Foto de uma roseira do jardim pessoal do autor.

Foto de uma roseira do jardim pessoal do autor.
O poeta declamará ao ar livre seus versos de amor
O pintor registrará a felicidade estampada
das faces antes empalecidas,
A ciência servirá ao bem
Os sonhos serão outra vez possíveis,
Sonhos alegres, sonhos incríveis !
Toda inquietação cederá lugar à vida
E os passos cerrados do dia a dia
Já não serão contados pelo ponteiro do relógio.
A fome, a guerra e a pobreza,
A dor e toda tristeza cederão espaço às flores,
Ao perfume da vida, às mariposas de pétala em pétala,
Aos sorrisos das crianças, e aos beijos dos amantes!!
por Gustavo Perez Pereira Andrade | 19 jun, 2022 | Poesia
Paçoca, pipoca e cocada;
Criança peralta, moça bonita e catraca;
A fumaça que abate os pobres pulmões
Invade o ar
Como estes perfumes de moça.
Pessoas afadigadas entram e saem
Em grandes caixotes de metal
Com seus corpos cambaleantes
E ossos cansados,
Amontoa-se todos nestes caixotes motorizados
Umas chegam de muito longe
Outras não vão a lugar nenhum
Neste vaivém do terminal urbano
O homem da cocada passa gentilmente
Oferecendo os seus doces
Para os paladares amargos dos passageiros
Cada qual ao seu modo diz não
E talvez sim,
Cada qual carregando seus sentimentos
Quem saiba segredos, sonhos,
E talvez sorrisos disfarçados.
por Gustavo Perez Pereira Andrade | 22 mar, 2022 | Brasil, Poesia
Hoje estou a embebedar-me
No vinho do teu amor fagueiro
que não canso de provar-me
Mergulho-me
na tua dorna
para ser pisado
pelos teus pés
O flâmeo que teu rosto
adorna!
estás a despir
então conheço
a tua verdadeira e bela forma
Na alcova do teu amor
fagueiro
aproveito o repouso
Aos teus lábios
provo o mais puro mosto
Ah o nosso fado amor
garboso!
Não és mesmo dócil?!
Na verdade és a edil
Que dá as ordenanças
A duquesa que está a eclipsar
As donzelas mais belas
do nosso universo
nem há palavras
para exprimir
e falar de ti
é preciso suprimir
o verso
Ou desaguar-me
no teu infinito
amor perverso
no qual
estou preso
acorrentado e
submerso!
por Yeshayahu Ben Ovadiah | 6 fev, 2022 | Poesia
No azul
destes céus do rosto risonho,
rasgados os véus,
eu crio o sonho – o sonho é branco
e um jardim de flores perfumadas,
os amores da amada
(do rosado, às vezes, cor de trigo)
(e ela me envolve em abrigo feito seda clara)
tão rara, tão alva e transparente de fios azuis,
que me guiam ao peito e aos seus rios e risos,
insinuantes e graciosos,
em que sou navegante pelos céus azuis da amada
que vem como brisa,
porque o seu Poeta tem o amor mais doce,
o amor mais puro, o amor mais delicado,
o amor mais inocente,
o amor mais liberto e intenso – amor-suavidade!
E este
amor não me faz pedinte,
não faz de mim
um homem triste,
este amor me faz completo:
um Homem-Poeta!
Sou, então,
homem livre
livre para voar e estar,
e andar:
livre para viver
e receber da natureza a Poesia
e ter
liberdade para respirar
o ar que se me entrega
e não quero destruir notas tais,
maravilhosas.
Sou
homem livre
para pensar
e não pensar
e seguir
o caminho que seguir
e rir com voz alta,
livre para estar
além da pauta…
Sou homem livre
da humana morte
e não espero ser forte
espero
ser.
O amor do Poeta é amor que humaniza
porque
aquela mulher
bebeu do amor,
sentiu
todos os poros
e converteu-se
em Mulher-Poesia
na experiência de terra-céu-encanto….
Adiante estou leve,
pois levo comigo a certeza de que tenhas sido amada,
muito amada, amada plenamente na leveza…
agora, trago-te uma vez mais a gratidão
por ter amado mulher, assim, tão única, tão linda, tão vida…
Vai agora, amor – vou também,
abre bem as tuas asas
e voe como águia nas alturas,
e sejam tantos os mundos,
tantas serão as criações do amor
com a mulher amada,
cujas faces trazem a lua e a descoberta!
© Pietro Nardella-Dellova
Conversa de Corredor, in “A Morte do Poeta nos Penhascos e Outros Monólogos”. São Paulo: Ed. Scortecci, 2009, p. 73-86
por Gustavo Perez Pereira Andrade | 1 fev, 2022 | Poesia
Carlos Drummond de Andrade na sala de seu apartamento em 1982, prestes a completar 80 anos Foto: Rogério Reis / Tyba / Rogério Reis / Tyba
No son palabras, el dolor o grito
O cansancio,
¡Que traigo conmigo en mi pecho!
Lo que me trae, lo que traigo,
¡Es el sentimiento del mundo!
Hay sonrisas y abrazos,
Más traigo sólo la sensación del mundo,
Tampoco son las noticias de las guerras en el este…
¡¡No!!
deseos de la revolución
o la poesía de Drummond,
Hay gritos a medianoche o al mediodía de la humanidad….
Más, lo que traigo conmigo en mi pecho,
Es sólo el sentimiento del mundo
Hay CDs o viejos libros polvorientos en el estante…
Lo que traigo,
¡No! ¡No es una dolor tardia!
Tampoco se trata de una flor para mi amor
¿Lo qué llevo conmigo en mi pecho? ¿Lo que llevo en mis manos?
Es sólo la sensación del mundo
À Carlos Drummond de Andrade, inspirado no poema “Sentimento do Mundo” .