“Estamos condenados a ser livres” de Jean-Paul Sartre

Em cada amanhecer, há um ritual silencioso de resignação. Nosso despertar não é ditado pelo canto dos pássaros ou pelo acariciar do sol, mas pelo grito estridente de um relógio que marca não o tempo, mas nossa servidão. Nos vestimos não para nós, mas para o mundo, um mundo que nos avalia mais pelo que fazemos do que pelo que somos. A roupa de trabalho, como uma armadura, nos protege e ao mesmo tempo nos aprisiona na expectativa alheia.
As ruas, cheias de rostos anônimos, são veias por onde corre o sangue frio do capitalismo. Cada pessoa, uma célula pulsante de desejo e necessidade, movendo-se não por vontade, mas por necessidade. O trabalho, essa entidade onipresente, nos define. Somos o que fazemos, dizem eles. Mas o que resta de nós quando o fazer é apenas um meio para sobreviver? Esta realidade segue-nos até os cubículos de trabalho.
Sentamos, olhando para telas que piscam com promessas de eficiência e sucesso. Mas em cada clique, uma parte de nossa alma se perde, dissipada na infinita rede de obrigações e expectativas. Esta perda contínua da essência de quem somos nos impulsiona a um ritmo de vida onde tudo é acelerado.
Comemos rápido, vivemos rápido, amamos rápido. O tempo, essa moeda preciosa, é gasto não em nossos sonhos, mas em metas e objetivos que nos foram impostos. Nestes momentos fugazes, percebemos a finitude da vida.
Retornamos aos nossos lares ao final do dia, cansados, desgastados, consumidos. Nosso amor, nossos filhos, nossos sonhos – todos esperando por um momento que nunca chega.
E então, em um breve instante de silêncio, nos perguntamos: para quem vivemos? Para nós ou para o sistema que nos consome?
O dinheiro, esse deus moderno, rege nossas vidas com mão de ferro. Ele compra nosso tempo, nossa energia, nossa paixão – e nos deixa vazios, famintos por algo mais.
Nos vendemos em pedaços, hora após hora, dia após dia. E o que recebemos em troca? O suficiente para continuar existindo, mas nunca o suficiente para realmente viver.
Continuamos, presos em um ciclo de consumo e trabalho, onde o único vencedor é o sistema que nos domina.
Nossos momentos de felicidade são breves, fugazes, como estrelas cadentes em uma noite nublada. Vemos, desejamos, mas antes que possamos alcançar, desaparecem.
Em nosso íntimo, sabemos que há algo errado, algo profundamente injusto nesse mundo que construímos. Mas o medo da mudança, do desconhecido, nos mantém em nossas cadeias.
E então, enquanto a lua se ergue e as estrelas brilham com indiferença, sussurramos para nós mesmos uma promessa de rebelião, de busca por um caminho diferente – um caminho que nos levará não apenas à sobrevivência, mas à vida.
Chega um momento em nossa jornada, quando a verdade se revela em sua forma mais crua: somos passageiros temporários nesta terra. A descoberta de que nossa vida é uma chama fugaz no vasto universo acende uma sede urgente de viver, uma fome de experiências que sabemos ser maior do que o tempo que nos resta.
Confrontamos uma realidade solene: somos apenas um sopro no vento da história, uma onda que se quebra na imensidão do oceano do tempo. O mundo, com sua indiferença imemorial, seguirá seu curso, inalterado pela nossa ausência. Essa percepção de nossa insignificância é um despertar, um chamado para buscar significado e propósito nos dias que nos são concedidos, não para deixar uma marca no mundo, mas para encontrar paz e realização em nossa própria existência.
Operação Surpresa, a verdade

Operação Surpresa, a verdade

Depois de mais de 40 dias de guerra, e após extensas pesquisas em sites como da Al-Jazeera, BBC e artigos e posts publicados por jornalistas de grande credibilidade como Breno Altman, já é possível ter uma ideia clara do que aconteceu.

Depois de meses de planejamento para uma oferta de paz a Israel, o Hamas deu inicio a “Operação Surpresa” na madrugada de 7 de outubro. Drones cegaram as torres de vigilância e no início da manhã, cerca de 3 mil voluntários do grupo, atravessaram a fronteira munidos de flores.

Todos estavam incumbidos de entregar flores aos habitantes das comunidades vizinhas na fronteira e explicar que era um gesto de boa vontade. Infelizmente, segundo o porta voz do grupo, as coisas não saíram como esperado.

Numa festa que ocorria próximo a cerca de separação, os participantes confundiram as flores com armas e desataram a correr. Em meio ao caos que se instaurou no local, alguns jovens atiraram neles próprios, outros causaram acidentes de carros com vítimas fatais e quando o exército chegou, atirou em todo mundo.

Nas comunidades próximas da fronteira, não foi diferente. Ao tentarem ser cordiais, as pessoas se assustaram e se trancaram nas casas. Como estavam esquentando o café de manhã, o fogão continuou aceso e ato contínuo, causou incêndios que por sua vez, infelizmente, levaram a morte muitos habitantes destas localidades. Uma verdadeira tragédia. Para evitar que os pobres cães destas famílias ficassem desamparados, eles foram sacrificados num ato de amor aos animais.

Entre os que aceitaram as flores, todos foram convidados para uma festa comemorativa da oferta de paz em Gaza. Infelizmente aconteceram alguns incidentes, não previstos no caminho, mas a maioria chegou a Gaza onde foram recepcionados pela população em festa.

Infelizmente, segundo o Hamas, os sionistas não compreenderam o gesto de boa vontade e começaram a realizar bombardeios em Gaza direcionados a matar mulheres e crianças. Segundo o porta-voz do grupo, Israel sabia exatamente onde se encontravam as mulheres e crianças palestinas e que também outros civis acabaram mortos.

Felizmente, segundo o ministério da saúde do Hamas, nenhum membro do grupo foi morto. Isto se deve ao fato de que estavam preparados para qualquer evento desta natureza e estão confortavelmente instalados nas estações do Metro de Gaza, um segredo cuja existência seria informado durante as comemorações. Também explicam que os sionistas colonialistas imperialistas, não aceitam a paz porque desejam tomar Gaza, a Jordânia, o Líbano e a Síria no seu plano de uma limpeza étnica e genocídio. Sim, genocídio e limpeza étnica.

O Hamas também informa que continua chamando a atenção do mundo através de fogos de artificio que são disparados eventualmente por eles. Que infelizmente, alguns destes fogos, podem eventualmente cruzar a fronteira, mas que não é intencional. Acrescentam que a maior parte destes fogos já haviam sido distribuídos nas creches, escolas, hospitais e outros lugares de concentração de público para festejarem o que imaginaram seria um dia histórico de um possível acordo de paz. Por esta razão é que manifestantes pedem um cessar fogo somente a Israel.

Se você não acredita no que escrevi, procure no WhatsApp, está tudo lá. O único lugar onde a verdade pode ser escrita sem a interferência da grande mídia dominada pelos judeus, digo, pelos sionistas.

Uma notícia de última hora: os convidados do Hamas que estão em Gaza disseram que não desejam voltar vivos para Israel. Isto explica os dois corpos encontrados no dia de ontem. Confrontados com a realidade, preferiram tirar suas próprias vidas.

Este é o mundo em que vivemos. A verdade pode ser manipulada à vontade e sempre vai existir quem acredite numa realidade paralela. Um mundo onde um movimento terrorista é chamado de heróis da resistência. Um mundo onde este movimento declara a homossexualidade uma perversão que deve ser exterminada e possui adeptos homossexuais. Um mundo onde seus membros retiram das mulheres seus direitos básicos e encontramos mulheres em sua defesa. Um mundo onde a “constituição” do Hamas diz que Israel e os judeus de todo o mundo devem desaparecer e encontramos judeus nas manifestações a favor do grupo.

Isto me traz a mente aquela cena de “Independence Day”, de 1996. Nela, centenas de pessoas se reúnem no telhado de um prédio em Los Angeles, esperando que uma nave alienígena que paira sobre a cidade os salve. No entanto, a nave alienígena abre fogo contra a multidão, matando centenas de pessoas instantaneamente. A nave representa o Hamas e as pessoas são esta massa de manobra transloucada.

 

Acorda para a vida real – real! Um texto simples, muito simples, e honesto

Acorda para a vida real – real! Um texto simples, muito simples, e honesto

Sobre a vida, a vida real, aprenda algo, algo que vai te salvar da tristeza, da frustração, dos sentimentos baixos, das angústias, dos aborrecimentos e da fraqueza emocional…
 
Vamos lá! Atenção!
 
De tudo o que você vê nas redes sociais (facebook, instagram, grupos de whatsapp, twitter, blogs, plataformas digitais, podcasts, meet, zoom etc), 90% (NOVENTA POR CENTO) são de mentiras. Das postagens das pessoas, postagens pessoais, 95% (NOVENTA E CINCO POR CENTO) são mentiras.
 
O que parece (repito: O QUE PARECE) não é a verdade, é apenas como uma pessoa quer que você a veja. A vida, a VIDA REAL, não aparece nas redes sociais (dívidas, traições, desvio financeiro, estelionato, violência doméstica, frustração sexual, violência sexual, desespero, abandono, solidão, filhadaputice, tristezas, equívocos, erros, desemprego etc… não aparecem nas redes sociais – repito: NÃO APARECEM NAS REDES SOCIAIS).
 
Portanto, quando você vê alguém muito feliz (na imagem) não se iluda. Essa pessoa não é tão feliz assim na vida real, nem você é tão derrotado quanto parece diante de uma imagem de uma pessoa falsamente feliz. Muitos usam as redes para enganar o outro – e nada mais!
 
Enfim, a sabedoria, o discernimento, a inteligência, a bondade, os atos de justiça, a ética, os princípios, o conhecimento, a vida econômica real, o direito etc, não estão nas redes sociais. ´Tudo isso só aparece na VIDA REAL, quando há encontros reais, abraços reais, solidariedade na tristeza, compartilhamento na alegria. Um milhão de fotos de pessoas sorrindo não representam a vida da pessoa, pois o sorriso não é a foto, nem uma postagem…
 
Entenda tudo isso, e você se encontrará como pessoa real, não como fake, perfil, imagem morta e assombração!
 
(Pietro Nardella-Dellova)
Sim, sou Sionista (histórico) e sou Judeu (daquele Judaísmo)

Sim, sou Sionista (histórico) e sou Judeu (daquele Judaísmo)

Faz alguns anos eu até discutia “academicamente” os conceitos de antissemitismo e antissionismo como diferentes em vários aspectos. Atualmente, porém, foco, não no conceito, mas na pessoa ANTISSIONISTA e, vejo que 99,9% das vezes trata-se de uma pessoa ANTISSEMITA.
 
O termo SEMITA (embora possa se referir aos povos semitas) foi cunhado para o JUDEU, e, assim, o ANTISSEMITA e ANTISSEMITISMO designam, independentemente do seu étimo, apenas um ANTIJUDEU e um ANTIJUDAÍSMO!
 
O termo SIONISMO jamais poderia ser utilizado no singular, pois há vários movimentos sionistas que vão da Esquerda anarquista e originalmente kibutziana, até a ortodoxia religiosa ou simplesmente um modus político. O antissionismo é, não apenas uma oposição ao Estado de Israel, mas uma oposição ao POVO DE ISRAEL e seu legítimo direito de ter e manter um Estado.
 
NOTAS:
 
1. Defender Israel não é, e nunca será, defender o governo de Israel, muito menos, o de Netanyahu e seu grupo schifoso!
 
2. Defender Israel não é, e nunca será, pretender esmagar Palestinos. Os Palestinos têm igual direito a um Estado!
 
3. Ser sionista legítimo, histórico e digno, é buscar a construção de uma Pátria para Judeus. Isso nunca pressupôs destruir Árabes ou, hoje, Palestinos. Há outros “sionismos”, inclusive “evangélicos”, absolutamente desprezíveis.
 
4. O sionismo HISTÓRICO se fortaleceu exatamente para se opor ao ANTISSEMITISMO e ganhou energia e foco na luta ANTINAZISTA e ANTIFASCISTA (nazismo e fascismo são regimes de EXTREMA-DIREITA).
5. Assim, quando um grupo de políticos Israelenses (tendo Netanyahu à testa) adota o modus da extrema-direita são eles que se tornam realmente “antissionistas” e, em boa medida, também, “antissemitas”. No primeiro caso, se colocam contra o sionismo histórico; no segundo, contra o Judaísmo essencial. Por quê? Porque o Sionismo histórico e o Judaísmo não têm nada a ver com extrema-direita.
 
6. Sigo sendo SIONISTA (HISTÓRICO!!!!). Sigo sendo JUDEU (daquele Judaísmo dos Patriarcas, de Moisés, dos Profetas, de Hilel, de Luzzatto, de Landauer, de Buber, de Primo Levi, de Heschel etc). Sigo sendo sionista histórico, judeu e defensor de DOIS ESTADOS para DOIS POVOS: ISRAEL E PALESTINA!
 
(Pietro Nardella-Dellova)
Mídia digital, extremismo e regulamentação

Mídia digital, extremismo e regulamentação

A imprensa–cujo objetivo é reportar os fatos, verificá-los a fim de transmiti-los ao público– e sua liberdade só são garantidas quando não ferem os princípios da ética jornalística. A ruptura desse princípio não pode ficar impune tampouco o veículo que a perpetrou. Dois casos mostram como o abuso da liberdade de imprensa está sendo contido no Brasil. No entanto, a falta de regulamentação das plataformas de mídia digital faz com que canais digitais se transformem em multiplicadores de um fenômeno da contemporaneidade chamado ‘a crise da verdade’.(Hoggan e Kloubert, 2022) Este fenômeno se calca na difusão da distorção dos fatos e tem como consequência a divisão quase pela metade dos indivíduos numa dada sociedade sobre a percepção objetiva e histórica dela. Essa divisão é promovida pela velha máxima de Júlio Cézar “dividir e conquistar”, foi estratégia de Joseph Goebbels durante o nazismo e é ainda utilizada pelos governos de ultradireita para fomentar o ódio e polarizar a população. Isso tem que ser contido.

A Jovem Pan News é um exemplo desse acervo de fake news, propaladas para consolidar o governo de extrema direita de Bolsonaro entre 2018 e 2022. Em 1942, Antônio Augusto Amaral de Carvalho funda a Jovem Pan, uma radiodifusora que hoje faz parte do histórico jornalístico do país, contando com sua expansão em 100 emissoras, entre canais de notícias e plataformas, espalhadas pelo território brasileiro. Dois programas são o carro-chefe da emissora: “Morning Show” e Os Pingos nos Is Estreado em 2012, “Morning Show”, inspirado no formato americano de shows de matinê, no início contava com a com a chefia do jornalista Zé Luiz que um ano após deixou o programa por desavenças com a produção. O “Morning Show” foi progressivamente se transformando em canal proliferador de lorotas quando em 2021 ajudou a impulsionar desinformação sobre a pandemia de Covid-19. O negacionismo sobre os efeitos letais do vírus se deu ao mostrar entrevistas com médicos no YouTube, defendendo drogas sem eficiência comprovada e com críticas ao uso de máscaras. Uma das comentaristas do programa, a influenciadora digital Zoe Martinez, é investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) por incitar o golpe no dia 08 de janeiro na invasão dos três poderes. Martinez defendeu que as Forças Armadas destituíssem os ministros do Supremo Tribunal Federal. A caribenha naturalizada brasileira cresceu e enriqueceu às custas das plataformas digitais e na alocação de vídeos e comentários contra o comunismo. Sem nenhuma sustentação teórica e sem bases históricas, a influenciadora ratifica o mito de uma falência comunista em Cuba sem apresentar nenhum outro contraponto; produzindo, assim, uma visão tendenciosa sobre esse cenário. Uma pergunta fica. Por que a Jovem Pan só a demitiu quando o MPF foi acionado?

O mesmo aconteceu com os comentaristas da corporação Paulo Figueiredo e Rodrigo Constantino. Figueiredo e Constantino ambos residentes nos EUAs, utilizam o mesmo apelo da primeira emenda constitucional americana para defender a liberdade de imprensa no Brasil e instituir a indecência e antiética jornalísticas. Figueiredo é neto do último presidente militar e ex-sócio de Donald Trump na rede de hotelaria, seguidor do já defunctus guru Olavo de Carvalho. Além do processo de investigação do MPF da Jovem Pan, o ardil é réu de um esquema corrupto apelidado de Operação Circus Máximo em que Figueiredo responde por falcatruas de 20 milhões de reais entre propinas de diretores do Banco de Brasília e a empresa dele na construção da Trump Tower no Rio de Janeiro. De novo, a Jovem Pan só o despediu depois que o MPF se manifestou.

Já Constantino foi taxativo ao afirmar que houve golpe do Supremo Tribunal Federal no resultado das eleições de 2022 que elegeu o candidato Luís Inácio da Silva. Constantino, detentor de uma fortuna de 50 milhões de reais, já passou pela Veja, O Globo, Valor Econômico como colunista e comentarista de economia. Como escritor, seus títulos revelam o perfil de extrema direita na atuação de sua carreira. Um deles é Esquerda Caviar (2014) cujo nome manifesta a posição pejorativa com a qual Constantino trata a oposição no Brasil. Outras produções em palestras denotam a tese central que circunda o seu trabalho, replicando o cerne da ideologia neoliberal no século XXI expressa na seguinte equação: o aumento da produtividade de uma dada sociedade é igual ao aumento da inequidade social, retirando desta sociedade os pobres e idosos. A mesma estratégia da Jovem Pan sobre a demissão se aplica ao infrator.

Tanto em formato radiofônico como digital, Os Pingos nos Is começam com o jornalista Reinaldo Azevedo em 2014, visando oferecer um panorama geral de notícias políticas com comentaristas e críticos. Azevedo, envolvido num suposto áudio comprometedor com a irmã de Aécio Neves, pede demissão em 2017 e o programa se delineia, então, como ultraconservador. Entre 2020 e 2022, Os Pingos nos Is têm em seu quadro os comentaristas Augusto Nunes, Ana Paula Henkel, Guilherme Fiuza e Guga Noblat. Os três primeiros foram responsáveis pela defesa do bolsonarismo, e, diretamente, pelo crescimento do homicídio, feminicídio e de todo potencial destruidor de uma sociedade, corroborado pela fome, miséria, doenças, baixa qualidade na educação, e sistema de saúde pauperizado, etc. Nunes foi demitido porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impedi-o de chamar o atual presidente de “ex-presidiário”. Henkel se demitiu, Fiuza teve seus perfis sociais suspensos por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Guga Noblat, no modelo fake copiado da Fox News americana, tinha o papel mediador no debate, apresentando contra-argumentos aos temas como forma de equilibrar o rol altamente faccioso do show. Pediu demissão da Jovem Pan News em 2022.

Nunes é o exemplo de um extremista latente em que os princípios e atos ultraconservadores se manifestam na medida em haja uma liderança que os avalizam. Com uma carreira longa no jornalismo, Nunes trabalhou como repórter no Estado de S. Paulo e revista Veja, mediou entrevistas no Roda Viva e na TV Cultura, dirigiu as revistas Veja, Época e a Forbes brasileira, os jornais Jornal do Brasil e Zero Hora, for fim, foi amplamente premiado na sua função. No entanto, pelo menos na aparência, sua conduta muda justamente quase um ano após a vitória de Bolsonaro quando Nunes esbofeteia o jornalista Glenn Greenwald ao vivo no show Pânico da Jovem Pan. Greenwald, assumidamente casado com o deputado federal David Miranda e os dois sendo pais adotivos de dois filhos, investigava o imbróglio que colocou o presidente Lula na cadeia. A redação da Pan liberou uma nota se desculpando sobre o comportamento do jornalista. Contudo, nenhuma advertência ou punição mais severa veio da emissora, muito pelo contrário, ela só se pronunciou no momento em que o TSE se manifestou contra a retórica vilipendiosa do jornalista contra Lula.

Surpreendentemente, Fuiza é neto do jurista Sobral Pinto e com uma carreira difusa no jornalismo e na literatura tombou para a ultradireita, defendendo o discurso do ódio e tomando uma postura antidemocrática.

A resposta à negligência da Jovem Pan face à responsabilidade de seus profissionais reside no que é conhecido como capitalismo predatório. Neste sistema, o foco central é o lucro e notadamente o ganho que a veiculação da imagem e da notícia trazem no índice de audiência da corporação comunicativa junto com a influência política e o poder que geram. Neste tipo de comunicação, não cabe nenhum comprometimento ético do profissional e nem da empresa que o representa, muito menos as consequências em que esse veículo produz direto na população (a desinformação elevando o número de vítimas da Covid-19, etc.), ou seja, sua capacidade em provocar mortes. Como representação latente, esta máquina de poder comunicativo funciona conforme a teoria freudiana da psique. O Id social é um depositório das forças inconscientes contra tudo o que é progressista e diferente do padrão de ideias e comportamentos da época e encontra um superego (líder) que lhe escancara a porta para se manifestar. A Jovem Pan serviu de canal para todos aqueles que cultivaram o ódio da diferença se expressarem e só foi barrada agora por pais disciplinadores (STF e TSE). Neste país, precisamos mais desses pais em formas de leis e decretos que impeçam as plataformas digitais de lesionarem a ética com que o jornalismo se compromete. Precisamos desenvolver a consciência de que este é o fio condutor que o capitalismo usa para continuar empreendendo suas desumanidades.

O malévolo Jo Soares

O malévolo Jo Soares

Porto Alegre, 18 de maio de 2004.

 

Caro Jô

 

 

Venho por meio desta solicitar que a entrevista concedida no dia de ontem (17/05), não vá ao ar pelas razões que vou descrever.

Antes de tudo permita-me te agradecer pela entrevista concedida ao Jô Onze e Meia, no SBT, no ano de 1999. Naquela ocasião buscastes compreender o funcionamento da tecnologia que recém surgia no mercado. Tivemos uma parte séria e depois brincamos com o pessoal da banda. Esclarecemos ao seu público como funcionava esta revolucionária tecnologia explicando desde o surgimento do Polígrafo até a invenção israelense.

Infelizmente desta vez, parece-me que tudo que podia dar errado aconteceu. A Lei de Murphy triunfou.

Há cerca de um mês através do teu site um e-mail contando que pela primeira vez no Brasil, uma pessoa tinha sido inocentada em um tribunal com a ajuda de um laudo meu. Explicava o ineditismo deste fato num país que nunca conheceu o Polígrafo. Duas semanas depois, recebi um telefonema da tua produção perguntando-me se eu gostaria de participar do programa. Aceitei e na sequência a menina da pré-entrevista me contatou. Expliquei a ela quem eu era, o que fazia, as diversas histórias que eu colecionava ao longo destes anos atuando com o equipamento, e que dispunha de um novo produto chamado Detector do Amor. Também expliquei a ela que tenho um contrato com a Rede Bandeirantes para me apresentar semanalmente no Programa Boa Noite Brasil com exclusividade. Importante aqui ressaltar que só fui ao seu programa depois que devidamente autorizado pelo diretor do programa em consideração a sua pessoa, visto que nunca, apesar de constantemente assediado, fui autorizado a isso.

Com relação ao Detector do Amor, expliquei que este programa (assim como toda esta tecnologia), só funciona no mundo real. Seria preciso conversar com pessoas realmente apaixonadas para poder se fazer alguma demonstração. Ela então sugeriu aproveitar a campanha da namorada no maestro, para convidar algumas delas para falarem ao vivo.

Concordei e disse a ela que seria perfeito.

A data inicial que foi marcada teria sido na quarta-feira passada. Tudo certo liguei na segunda-feira pela manhã para confirmar. Tudo certo, me disseram. Então, como costumo fazer nestas ocasiões, marquei uma série de compromissos em São Paulo. No início da noite me ligaram para passar os dados do voo, e logo a seguir para desmarcar tudo. Como resultado disso, tive de ir a São Paulo de qualquer forma, pois alguns compromissos ficaram impossíveis de serem adiados.

Durante a semana, foi então definido que a gravação seria nesta segunda-feira que passou. Inicialmente me comunicaram que a gravação iria ao ar no mesmo dia. Por educação avisei alguns familiares e amigos próximos. Pouco tempo antes do início me avisam que a gravação não iria mais ao ar nesta segunda-feira, e que provavelmente ficaria para dentro de 20 a 30 dias. Novamente por educação, liguei para os familiares e amigos comunicando o ocorrido.

Tudo isso seria perfeitamente compreensível e até relevável se não fosse o que ocorreu durante a gravação. Para minha surpresa não tivestes sequer a delicadeza de me apresentar de forma condizente. Te voltaste diretamente para o Detector do Amor e fizestes justamente o que não podias fazer. Pedistes ao convidado anterior tendo presente na plateia sua esposa para fazer uma declaração de amor para a primeira convidada! Não obstante minha insistência de que não funcionaria assim, insististes em chamar pessoas que nada tinham para ser testado deixando no ar a impressão de que o programa não funciona.

Ao retornares quisestes testar o Detector de Mentiras sem ao menos perguntar o que era, como funcionava, quem havia inventado etc. Eu tive de provocar isso. Ao perceber que irias tratar o programa com o mesmo desdém tomei o cuidado de te informar que o programa não detectava bobagens. Ainda assim continuastes querendo que o programa desse algum resultado. Para coroar a noite forçastes uma mentira e ficastes discutindo comigo que não se tratava de uma história mentirosa. Neste ponto não estava mais ocorrendo uma entrevista, mas um bate-boca.

Na sequência cometestes a primeira grande indelicadeza. Ao te informar que esta tecnologia já era utilizada no mundo inteiro, colocastes deliberadamente em dúvida minha afirmação para na sequência repetir a pergunta para que eu respondesse no microfone ligado ao programa. Estavas me chamando de mentiroso. Sabias que era necessário calibrar o programa e mesmo assim dissestes no ar que minha resposta não era verdadeira, tendo eu que explicar que o programa não estava calibrado para a minha voz.

O pior ainda estava por vir. Ao informar por intervenção do convidado anterior, que já tinha um laudo desde o ano de 2001 em meu site, dizendo que Paulo Maluf mentia ao dizer que não tinha contas no exterior, e que suas contas não eram superfaturadas, tratasse disso com desprezo como se todos os políticos fossem corruptos e este dado nada significava. Tentei te mostrar que estavas sendo indelicado e falei do laudo do Gil Rugai que também não destes maior importância. Contei sobre o uso pela primeira vez no Brasil, durante um tribunal do júri que absolveu um réu acusado de ter mandado sequestrar e matar sua noiva (a razão de toda a entrevista) e para coroar a noite tu dizes que seria uma leviandade da justiça levar isso em consideração, ou seja, que eu estava sendo leviano em buscar fazer justiça.

Para tua informação, cerca de 20% dos presos brasileiros pagam por crimes que não cometeram. O uso desta tecnologia pode ajudar a polícia a trabalhar de forma mais inteligente. Pessoas inocentes poderiam ser logo dispensadas e os verdadeiros suspeitos melhor investigados. Isso faria com que os inquéritos fossem mais bem elaborados e concluídos em menos tempo aumentando a eficiência da polícia.

De toda forma gostaria de deixar claro que na minha opinião fostes extremamente agressivo durante o programa (pegaste pesado na opinião dos outros entrevistados), desrespeitoso para comigo na condição de teu convidado (inconveniente na opinião dos meus amigos presentes na plateia) o que tornou o que poderia ter sido uma boa entrevista, num enorme bate boca que não prestigiam a mim e muito menos a ti.

Por tudo isso estou esclarecendo que não autorizo o uso de minha imagem ou voz gravadas para aparição em seu programa.

Em havendo interesse de sua parte em refazer a entrevista de forma a esclarecer as pessoas do uso desta tecnologia, como o fizemos há 5 anos, pode contar comigo, de outra forma declino.

Com apreço,

Mauro J. Nadvorny