Ele não

Estamos assistindo dentro da comunidade judaica do Rio de Janeiro o descalabro de mais uma instituição que ao contrário da Hebraica que é apenas um clube social, desta vez tem a autoridade representativa da comunidade carioca, a FIERJ (Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro).

No Brasil, a entidade máxima da comunidade é a CONIB (Confederação Israelita do Brasil), e a ela estão filiadas as federações israelitas dos estados, que por sua vez representam as comunidades locais.

A CONIB achou por bem encaminhar um documento aos dois concorrentes à presidência da república, onde em resumo, fazia a defesa do respeito à democracia. Em nenhum momento, como era de se esperar, a CONIB expressou qualquer agravo, ou desagravo a nenhuma das candidaturas.

Eis que, o Sr. Ary Bergher, presidente da FIERJ, encarregado de fazer a entrega da manifestação ao representante do PSL, faz disso um ato de apoio da comunidade judaica ao candidato do partido.

Esta atitude combina um ato de falsidade ideológica com apropriação indébita. Ele não recebeu mandato da CONIB para apoiar um candidato e tampouco era o dono do manifesto. O que assistimos foi o mensageiro se assumindo o responsável pela mensagem.

Como nada está tão ruim que não possa piorar este mesmo senhor em meio a um evento na já famigerada Hebraica-RJ, agride uma senhora de 88 anos por banalidades e ofende outros tantos membros da comunidade que lá estavam.

De certa forma já estamos assistindo no Brasil atos de violência inomináveis, inclusive com mortes e todos relacionados com a campanha política do PSL.

O que ainda não havia acontecido, e talvez seja esta a grande novidade, é que eis que nas nossas próprias instituições, a violência já bate a porta vinda justamente daquele que foi eleito para representar toda uma comunidade.

O Sr. Ary Bergher é apenas o primeiro a colocar as mangas de fora, mas certamente não será o último, principalmente se a comunidade carioca não tomar as providências cabíveis dentro do que está previsto no estatuto da federação.

Também é preciso que a CONIB não se omita e se manifeste em favor do respeito à democracia, objeto de seu manifesto, e da dignidade que dirigentes comunitários precisam ter respeitando a todos.

Nós, judeus brasileiros agradecemos.

 

 

 

 

Precisamos falar sobre Bolsonaro

Atualmente estou vivendo em Israel. Acreditem quando eu falo que não precisamos de ninguém para nos dizer o nome da nossa Capital, principalmente quando são pessoas que não estão interessadas no fim do nosso conflito com os Palestinos. Nós precisamos de líderes de países amigos que contribuam para a paz.

Mas as eleições são no Brasil e são os problemas nacionais que precisam de atenção. Neste momento estamos diante de uma escolha que vai determinar se o país retoma o seu crescimento, ou se ele se torna um pária entre as nações.

A escolha é entre a civilização e a barbárie.

Eu tenho na família duas familiares gays, uma sobrinha de sangue e outra de coração. Ambas são pessoas maravilhosas e já estão vivendo um pesadelo nas ruas. Eu acho que vocês vão concordar comigo que o que importa não é o gênero do ser humano, mas o seu caráter. No entanto, não isso que o Bolsonaro pensa. Ele prefere um filho morto, do que um filho gay.

Tenho muitos amigos negros, um deles juiz aposentado por quem tenho a maior admiração. Eles já estão sentindo os olhares nas ruas de desdém, vendo as pichações contra os negros e se sentem temerosos. Acho que todos nós pensamos da mesma forma, a cor do ser humano não significa nada, somos todos iguais. Bolsonaro não pensa assim, ele acha que os negros são inferiores e pouco adeptos ao trabalho. Nem para procriar servem.

Tenho uma esposa e duas filhas. Todas elas mulheres que contribuem para a sociedade, cada uma a sua maneira. Minha esposa como nutricionista, uma das filhas como advogada e a outra como Chef de Cozinha Vegana. Todos temos mãe e muitos também são pais de filhas tenho certeza de que concordamos que elas não foram fruto de uma fraquejada, ou que mereçam um salário menor do que os homens. Bolsonaro não pensa assim. Ele também tem uma filha e disse que ela foi fruto de uma fraquejada e que as mulheres, como trabalham menos por serem as portadoras da vida, merecem ganhar menos. Dona Olinda Bonturi Bolsonaro, a mãe do candidato deve estar envergonhada das palavras de seu filho.

A humanidade condenou o Nazismo e não esquece o Holocausto, o assassinato de seis milhões de judeus sendo um milhão e meio de crianças. Não é de admirar que Bolsonaro tenha dito em um programa de TV que se tivesse vivido naqueles dias teria se alistado no exército alemão.

Tudo isso está documentado e pode ser escutado e visto em vídeos pela Internet.

Talvez a sua preocupação seja com o Partido dos Trabalhadores, com a corrupção ou o comunismo.

Bem, me permitam argumentar o seguinte: mesmo o PT governando o país por cerca de 14 anos continuamos sendo uma democracia presidencialista com eleições livres. Corruptos de todos os partidos estão sendo processados e muitos já estão cumprindo sentenças nas prisões graças às leis contra a corrupção criadas em um governo do PT.

A Venezuela de quem tanto falam, teve um militar eleito chamado Hugo Chaves, admirado por Bolsonaro. Foi um militar que levou aquele país a situação em que ele se encontra hoje. Bolsonaro é um militar e seu vice também. Estamos mais próximos de nos tornar uma Venezuela com eles no poder do que com um civil na presidência.

Todos devem lembrar ou estudaram sobre Ditadura Militar e aqueles anos sombrios quando não existia liberdade de expressão e a censura nos mostrava um país que não era a nossa realidade. Não existe nada melhor do que a democracia e ela precisa ser preservada. Não será um presidente preconceituoso e inexperiente que trará paz ao Brasil, pelo contrário, só podemos esperar dele mais ódio entre irmãos e uma ruptura democrática para se manter no poder indefinidamente.

Nosso país precisa de paz, de empregos, de mais segurança e melhor sistema de saúde. Convenhamos que um professor, administrador experiente tem muito mais capacidade de lidar com estes problemas do que um militar que foi expulso do exército por ato de insubordinação e que nunca administrou nada em sua vida.

O Brasil já está vivendo nestes dias um exemplo do pesadelo em que pode mergulhar com a eleição de Bolsonaro. Homossexuais, negros, judeus e simpatizantes da candidatura Haddad e Manuela estão sendo atacados e já ocorreram mortes. Ao invés de uma condenação veemente de Bolsonaro contra estes atos, ele apenas lava as mãos dizendo que não pode ser responsabilizado pela atitude agressiva e assassina de seus partidários. Eu penso que nenhum de vocês gostaria de ver uma pessoa assim presidindo o país.

Entendo que muitos de vocês possam ter votado nele no primeiro turno. Mas agora é a hora de refletir sobre tudo o que eu disse, se informar melhor e mudar o seu voto. Vem para Frente Democrática.

Vamos votar em quem respeita as mulheres, respeita a diversidade e abraça os brasileiros de todas as cores e de todas as religiões. Não aceitem o fascismo. Vamos continuar sendo um país democrático e com eleições livres elegendo Haddad e Manuela. Vote 13.

Nós somos a resistência

Como é difícil a gente acreditar que o fascista mora ao lado, ou que dormimos com um. Não se preocupe, você é uma pessoa normal. Para todos nós demora até cair à ficha.

Como eu disse em outro vídeo, eu me pego escutando antigos amigos tentando justificar o impossível. Gente que acha que votar em um esquerdista vai tornar o Brasil uma Venezuela. Eles acham que durante a ditadura nada de ruim aconteceu para a família deles e a maioria dos brasileiros, que não havia corrupção. Eles pensam que se o PT assumir o governo, as crianças vão aprender na escola a se tornarem gays. Nos seus sonhos a bandeira nacional vai ser vermelha e o regime o comunismo. Gente, eu tenho uma má notícia para vocês. Se fosse isso, eu até podia argumentar com fatos que desmentem estas fakenews. O furo é mais embaixo.

Preciso contar para vocês que até os nazistas, que na nossa imaginação representam todo o mal conhecido, tinham famílias, tinham filhos. Eles rezavam nas igrejas, eles torciam para um time de futebol e quando retornavam do trabalho beijavam suas esposas e brincavam com seus filhos. Acho que todos nós temos pessoas assim no nosso círculo de amizades.

No entanto, pessoas assim podem ter o seu lado sombrio e é este lado que está vindo à tona neste momento e nos faz duvidar de que seja possível. Mas é, e estas pessoas são aparentemente normais. Lamento informar.

Toda esta ladainha de que eles falam, ela é apenas a ponta do Iceberg, aquele pedacinho de gelo que esconde a montanha gelada abaixo da linha d’água. O pior está escondido ali.

Estas pessoas acreditam que este fascista tem razão em dizer que sonegava impostos porque eles também sonegam, com a justificativa de que se os políticos roubam, porque dar dinheiro para eles?

Estas pessoas acreditam que este fascista tem direito a receber auxilio-moradia da câmara, mesmo tendo uma residência própria em Brasília e que isto não configura nenhuma contradição moral, porque eles acham que isso é ser esperto.

Estas pessoas acham que não importa o fato dele estar na política há 30 anos sem nunca ter feito um único projeto em benefício de seus eleitores, tampouco que tenha levado todos os seus filhos para o mesmo caminho, porque no fundo gostariam de ser como ele, ganharem dinheiro sem precisar trabalhar muito.

Estas pessoas acreditam que este fascista tem direito de se apropriar de bens e valores de sua ex- esposa e que isso não é crime nenhum, porque para eles não é justo que a mulher fique com a metade de tudo, muito menos com os presentes que recebeu em caso de separação.

Estas pessoas acreditam que este fascista pode falar mal dos negros, dos LGBTs, dos índios e outras minorias, porque na verdade são tão preconceituosos como ele e agora estão à vontade para colocarem isto para fora.

Estas pessoas acreditam que as mulheres devem receber menos e ter menos dias de licença maternidade, porque acham que não é justo pagar para alguém que está em casa.

Estas pessoas acreditam que o estado deve ser cristão, porque são cristãs ou porque assim teremos um país mais “família”.

E o mais terrível de tudo, o que eu sei que é o mais doloroso de dizer, estas pessoas acreditam que não há nada de mal em se torturar alguém, em se colocar os filhos para assistirem suas mães serem barbaramente espancadas e violentadas, porque eles têm prazer com isso, eles são os maiores assinantes de canais de lutas de vale tudo para verem sangue.

Esta gente não vai ser convencida de não votar no fascista. Só podemos convencer aqueles que estão indo na onda do já ganhou, aqueles que não compreendem o que de fato está em jogo. Aqueles que só enxergam a ponta do Iceberg. São eles que precisam mudar o voto.

Temos de dizer a eles que:

Nenhuma pessoa laica pode achar que votar em um fascista que despreza os direitos humanos vai fazer do país um lugar mais seguro de se viver.

Nenhum judeu que perdeu familiares no Holocausto pode achar que votar em um fascista que prega a morte de oponentes estará respeitando a memória de seus entes queridos.

Nenhum muçulmano que segue as palavras do profeta pode achar que votar em um fascista que desdenha o Islã estará ajudando na compreensão da sua fé.

Nenhum cristão que acredita em Jesus Cristo pode achar que votar em um fascista que prega tudo o que Cristo combateu e pelo qual foi torturado e morto estará próximo da salvação.

O fascismo não é laico, nem Judaico, não é Muçulmano e muito menos Cristão. O fascismo é o oposto de todas as crenças, ele é a personificação dos piores pesadelos da raça humana. Não podemos minimizar o mal.

Todos nós nascemos iguais e morremos da mesma maneira. A forma como passamos por esta vida é o que nos define perante a história. Podemos ser meros espectadores, coadjudantes ou podemos ser aqueles que fazem história.

Eu, escolhi estar ao lado dos que desejam fazer história, dos que desejam um mundo melhor para todos. Um mundo de justiça social, de oportunidades iguais para todos e de respeito aos direitos humanos. Só a educação pode transformar o mundo.

Eu quero estar com cada um de vocês que acreditam na humanidade e na nossa capacidade de superar os maiores obstáculos. Nós não desistimos, nós somos a resistência.

Por isso, minhas amigas e meus amigos eu estou com vocês para impedirmos que o fascista ganhe esta eleição. Haddad é o nosso candidato a partir de agora.

Não a barbárie! Nós somos a esperança!

Sim a vida! Sim ao amor! Nós venceremos!

Unidos o Fascismo não Passará

Esta eleição serviu a um propósito. Ela despertou sentimentos os quais eu nunca tinha imaginado. Talvez por inocência, talvez por ingenuidade, talvez por nunca haver presenciado, sei lá. O fato é que eles estavam ali e eu simplesmente não os percebia.

Sim, tive de me desfazer de amigos de longa data, ou de congelar velhas amizades. Até de parentes eu me afastei, coisa maluca. Estou com 60 anos e convivi com eles toda uma vida. Alguns me viram nascer, alguns eu vi nascer, outros fui conhecendo ao longo dos anos. E não estou falando de pouca gente.

Chega a ser melancólico falar sobre isso, mas talvez o que mais tenha doído foram os que tentaram me convencer a voltar em um fascista, principalmente os judeus. Disseram-me que ele era o único amigo de Israel, como se isso fosse melhorar a vida de alguém. Que ele iria mudar a embaixada brasileira para Jerusalém, como se isso fosse trazer mais empregos. Que ele vai fechar a embaixada palestina em Brasília, como se isso fosse trazer mais segurança. Que sua primeira viagem internacional seria para Israel, como se isso fosse melhorar a saúde dos brasileiros.

Tudo isso para encobrir o mais terrível de tudo, a realidade de que eles todos compartilham o que o fascista prega aos quatro ventos. Eles concordam que suas esposas e filhas merecem serem tratadas com desrespeito. Eles não gostam de negros e muito menos de homossexuais, mesmo tendo filhos gays, e que gostariam de ter uma arma para matar bandidos impunemente. Que o Brasil deve ser um país cristão e que as minorias devem se adequar ou deixar o país. Eu convivi com eles todos estes anos!

Talvez os sinais estivessem lá e eu não os tenha visto, ou não desejava vê-los. Olhando para trás percebo as piadas preconceituosas que eram contadas, mas eu achava que eram apenas piadas, só isso. O quanto desprezavam a esquerda em geral e o PT em particular, mas eu achava que eram somente opiniões, e nem todo mundo precisava concordar politicamente. O quanto concordavam com o impeachment de uma presidente, mas eu achava que eles não estavam percebendo o golpe por trás de tudo.

Eu também sofri bullying e fiz bullyng numa época que ninguém ligava para isso. Também fui preconceituoso e tive de compreender o quanto estava errado e mudar. Nunca é tarde para isso. Infelizmente naquele tempo não se ensinava na escola a respeitar as diferenças.

Ao que parece nem todos do meu círculo aprenderam com a vida de que somos todos iguais, merecemos as mesmas oportunidades e temos os mesmos direitos e deveres numa sociedade civilizada.

Eu sou bastante aberto quando se trata de respeitar diferentes opiniões políticas. Posso aceitar quem não seja de esquerda, quem não seja sionista e tenha uma visão diferente da minha em relação ao que seja melhor para a humanidade. Acho mesmo que estas diferentes visões são o que nos fazem pensar e repensar as nossas próprias convicções e por isso a alternância do poder é importante.

Alguns pensam que o estado deve estar o menos presente possível na vida dos cidadãos, outros acham o contrário enquanto o país tiver uma grande diferença de classes. Pode-se pensar que menos intervenção estatal trará mais empregos e mais riqueza para ser distribuída, ou que a intervenção estatal é necessária exatamente para impedir a exploração dos menos favorecidos e melhorar a distribuição de renda. Tudo isso é válido para ser discutido.

Estas diferenças do que pode ser o melhor para o país estão distribuídas dentro do espectro ideológico que compõe os diversos partidos políticos na sociedade brasileira. Desta forma a opinião do Partido Novo se contrapõe ao do Partido da Causa Operária, e entre um e outro temos todos os demais, a exceção de um, o PSL de Bolsonaro.

Normalmente a expressão máxima de um partido é o seu projeto baseado na sua ideologia que pode ser de esquerda, de direita ou de centro, mas no Brasil se abriu a possibilidade da existência de siglas de aluguel. Partidos sem nenhuma ideologia, de ideias aleatórias que cedem espaço para estranhos disputarem eleições. É o Partido Genérico.

Assim temos hoje um fascista disputando uma eleição por um destes partidos, o Partido Social Liberal, ou o que for que isso signifique. Ele não só tomou conta da sigla, mas impôs a ela todos os predicados do fascismo conhecidos. E ele se apresenta justamente quando o país está fragilizado a ponto de aceitar suas propostas, que, diga-se de passagem, ele nunca escondeu de ninguém.

Não acho que exista muita gente a ser convencida do perigo que ele representa para mudar seu voto. Não vejo como convencer nenhum dos meus amigos e parentes de que eles estão por cometer o maior erro de suas vidas e que o mal que podem vir a causar se voltará contra eles. Se judeus podem votar no mesmo candidato que estão votando os neonazistas, é porque não se trata mais de argumentos, mas de falta de caráter. Só não sei quem pode estar mais errado, se os judeus ou os neonazistas.

A única coisa que me resta fazer é desejar a todos com quem permaneço ligado que votem com convicção em seu candidato para que tenhamos um segundo turno. E quando soubermos quem estará disputando contra o fascismo, não se omita, não vote em branco ou nulo, vote contra Bolsonaro porque nada pode ser pior.

Esta eleição não é entre Bolsonaro e o PT como dizem eles. Ela pode ser entre o PSL e o PT, ou entre Bolsonaro e Haddad, mas na realidade se trata de votar na barbárie ou na civilização, no obscurantismo ou na luz, no retrocesso ou no progresso, no desengano ou na esperança, na indiferença ou na solidariedade.

Enquanto eu tiver voz não me calarão. Por cada judeu e judia que perderam suas vidas combatendo o fascismo e por cada judeu e judia que perderam suas vidas combatendo a ditadura militar eu digo que o fascismo não passará!

 

 

 

Judeus contra Bolsonaro

Quando criei este grupo no Facebook a menos de uma semana, imaginei que na melhor das hipóteses ele poderia chegar a uns 200 membros. Para minha grata surpresa estão entrando cerca de 1000 judeus e judias ao dia já passando hoje dos 6100 membros, quando escrevo este texto. Nosso abaixo assinado com o mesmo nome já chegava a 3000 assinaturas em 24 horas.

Claro que a inspiração veio de grupos similares como o das Mulheres contra Bolsonaro e outros já existentes que se somam aos que foram criados nos últimos dias. Todos com o mesmo objetivo, mostrar que as minorias atacadas pelo preconceito do candidato não se deixam intimidar.

Quando criamos um grupo desta natureza, recebemos todos que se colocam ao lado da democracia, e aqui não importa a preferência política nem a afinidade ideológica. A beleza disso reside em dar espaço igual a todos que tem em comum o fato de não aceitarem que um fascista possa chegar à presidência da república.

Neste universo de judeus e judias, se encontram brasileiros de todo o Brasil e até de fora dele, como é o meu caso. Não importa onde o destino nos levou, nosso amor pelo país, nossa ética e nossa moral elevada contra todo tipo de preconceito nos acompanham onde quer que estejamos.

Dentro do grupo existem diversas visões para o futuro do Brasil. Todos desejam o melhor e querem uma mudança. Todos percebem o difícil momento que o país atravessa e sofrem com isso. Ninguém aceita que as coisas continuem como estão e procuram apontar uma solução. O grupo acolhe a todos e a todas.

Numa democracia é preciso compreender que em uma eleição pode-se ter votado no candidato vencedor, ou naquele que foi preterido pelas urnas. Isso faz parte do jogo e vai se repetir em quatro anos novamente. O importante é saber distinguir entre os candidatos àqueles que aceitam participar do jogo conforme estas regras.

O povo judeu é o único povo mencionado na Bíblia que continua entre nós. Não foram poucas as perseguições, tentativas de conversão forçada e até sua aniquilação total. Sobrevivemos a tudo isso e chegamos até aqui. Não somos meros espectadores da história, fazemos história.

No dia de hoje, o mais importante do nosso calendário, o Yom Kipur (Dia do Perdão), eu preciso trazer uma mensagem de paz e de solidariedade. Hoje também é preciso repensar o que fizemos, e aprendermos com nossos erros cometidos ao longo do ano que passou.

Não somos perfeitos, somos um povo como todos os outros. Entre nós existem diferenças, existem distintas maneiras de encarar o mundo e quais as soluções para um mundo melhor. No entanto, o que sempre nos uniu, independentemente de qualquer coisa foi nossa união em torno do perigo a nossa existência, perigo este que nos tempos modernos sempre veio na forma de salvadores que diziam ter vindo para salvar o mundo, que se ungiam de um fanatismo contra todas as minorias e semeavam o ódio entre irmãos. Este é o fascista, este é Bolsonaro, esta é lição que aprendemos.

Nós chamamos a todas as minorias a cerrarem fileiras contra este candidato e a todos os Brasileiros a se unirem a nós contra o que ele representa. O Brasil precisa de amor, de educação e de justiça social. Esta é a mensagem de paz.

Todos por todas e todas por todos. Esta é a mensagem de solidariedade.

#elenão

Cai na real

Todos nós temos nossos temores. Medo de alguma coisa, o que é perfeitamente normal, já que não deixa de ser uma maneira de aprendermos o bom senso.

Eis que agora surge nestas eleições a possibilidade de que um sujeito com tendências racistas, homofóbicas, misóginas e totalitárias chegue ao poder como presidente da república. Parece pesadelo, mas é verdade. Este é um daqueles temores só comparáveis ao bicho papão da nossa infância. Tudo bem, talvez ao lobo-mau também.

O que eu quero dizer é que existe um temor maior dentro de nós e este é muito mais real do que a chance deste cara ser bem sucedido na sua empreitada. Este temor é o que está realmente nos tirando do sério, nos arrasando como pessoas do bem, nos remoendo as entranhas e nos fazendo viver um verdadeiro pesadelo a luz do dia e bem despertos.

Eu gostaria que pudesse ser diferente e não sei se devo agradecer a este candidato, ou atribuir a ele mais um adjetivo pelo que está me causando e acredito que em muitos de vocês também: a descoberta de que temos parentes, amigos ou conhecidos que são exatamente como ele.

Esqueçam esta balela de que alguém vai votar no dito cujo porque ele não é corrupto, vai salvar o Brasil dos verdadeiros ladrões, é o cara para botar a bandidagem para correr e todas as besteiras do mesmo gênero. Elas vão votar nele porque ele as representa.

A gente podia até não saber, podia até nunca ter notado ou percebido antes, mas a verdade nua e crua é uma só: seu parente, seu amigo ou conhecido teria apoiado a ditadura e provavelmente te denunciado ao DOPS como subversivo. Ele é racista e odeia gays. Ele concorda que lugar de mulher é da cozinha para o tanque e que se quiser trabalhar tem que ganhar menos que um homem. Ele acha que se alguém nasceu pobre, mereceu isto, tipo Deus quis assim.

Eu sinceramente não aguento mais estas postagens de amigos nas redes sociais tentando explicar quem este cara é realmente. As melhores piores frases dele. Os melhores piores vídeos dele. As 1001 ofensas dele a tudo que não for branco, cristão e macho. Na boa, entendam de uma vez por todas que seus parentes, amigos e conhecidos para quem vocês supostamente dirigem este material, quando leem estas coisas, ou quando assistem a estes vídeos têm um verdadeiro orgasmo e se identificam perfeitamente com o cara. Vocês não estão convencendo eles de não votarem nele, vocês estão somente fornecendo mais argumentos para isso. Deu para compreender?

Eu já caí na real há muito tempo e venho tentando limpar a minha rede destes apoiadores. Não estou ainda rompendo amizades reais, mas estou deixando de seguir qualquer um que mencione que vai votar neste cara. Não quero mais que leiam o que eu publico e não quero mais ler o que eles publicam. Aliás, já pedi educadamente que me excluam também.

Sim é difícil de aceitar que quase 20% da população pretenda votar nele no primeiro turno. Isto significa que mais ou menos 20% das suas relações vão votar no Bozo porque são como ele. Esta é a dura realidade.

Acho lindo quem diz com a maior ternura do mundo, como aquelas postagens em meio a flores e passarinhos, que respeitam a opinião dos amigos e que jamais romperiam uma amizade por causa de divergência política. Nossa que coisa linda, que amor.

Eu fico pensando que o cara deve estar dando risadas dessa gente. Na boa, se ele ler isso vai te meter um adjetivo na hora. E você achando que ele te representa. Que coisa linda, que amor.

O fato é que a vida é feita de escolhas. Tem uma frase ótima para isso: “diga-me com quem andas, e te direi quem és”. Nem o Google sabe de onde ela vem, mas é perfeita. Eu não consigo andar com gente preconceituosa. Posso até dialogar alguns minutos, mas vai parar por aí.

Em resumo, desculpe se estraguei o dia de alguém que leu até aqui. Eu sei que derrubei um balde de água fria na cabeça de alguns, mas precisava desabafar um pouco e falar algumas coisas que me parecem importantes no atual momento.

O mais importante é que se alguém ainda não fez a conta, 80% das pessoas não pretendem votar no coisa ruim no primeiro turno!