Lula e o Santo Sudário

Sabem aquela criança que colocou o dedo no fogo da vela para ver se queimava? Que botou o dedo na tomada para ver se dava choque? Aquela criança fui eu. Aliás, fui, não, sou eu.

Desde sempre tive certa dificuldade em aceitar verdades absolutas sem uma boa explicação. Infelizmente algumas delas exigiram também dolorosas comprovações físicas. Fazer o que? Eu precisava ter certeza.

Provavelmente por conta disso que a religião nunca foi a minha praia. Digo que sempre fui a favor da tradição, mas nunca uma pessoa de crença religiosa. Em vista disso, eu me sinto perfeitamente bem fazendo uma reza do vinho no Shabat Judaico, e nem por isso acreditando na entidade a qual a reza menciona. Pode parecer estranho para um crente, mas na minha cabeça isso está perfeitamente resolvido. Eu acho bonita a tradição do ascender das velas no final de tarde da sexta-feira, da reza do vinho, do pão especial etc., da cerimônia passada de geração a geração. Mas isto não me faz acreditar em nenhum ser superior. Enfim, este sou eu e, contudo, respeito e admiro inúmeros amigos queridos que seguem a sua religião.

Uma das questões que envolvem a fé é a crença radical e dogmática sobre certos acontecimentos. Por exemplo, existem inúmeros relatos da aparição de Nossa Senhora, ou a Virgem Maria para diversas pessoas, inclusive crianças. Fátima e Lurdes são as mais famosas. Em todos estes casos o que existe em comum é alguém dizendo que viu e acreditem. Nunca foi possível uma análise científica por razões óbvias.

O Sudário de Turin, no entanto é uma história completamente diferente. Ele é uma peça de linho onde existe uma imagem de um homem que aparentemente sofreu traumatismos físicos de maneira consistente com uma crucificação. Nada demais se não fosse atribuído a ele ser o manto que envolveu o corpo de Jesus depois da crucificação.

Neste caso específico a ciência pode fazer o seu trabalho e constatou que não se tratava do corpo de Jesus por se tratar de um manto com idade menor do que aquela atribuída a morte de Jesus e porque a distribuição do sangue no tecido não é compatível com os ferimentos. Portanto uma falsificação. Não sei se foi este o propósito desde o início, mas o fato é que muita gente ganhou dinheiro com o Sudário.

Com todas as evidências científicas, ainda assim, muitos cristãos acreditam se tratar do manto que envolveu Jesus, portanto na santidade da relíquia. Nada fará com que mudem de ideia. A fé é muito mais forte e esta crença é inabalável.

Mas afinal de contas o que tem Lula a ver com isso? É que eu acredito que a analogia entre o fato de a despeito de toda ciência dizer o contrário, as pessoas seguirem acreditando no Santo Sudário, explique o fato de apesar de todas as provas em contrário, ou justamente a falta delas, fazer com que ainda existam pessoas que acreditem que Lula é ladrão.

Eu quero acreditar que a maioria das pessoas tem bom senso, mas isso não é uma verdade absoluta já que possuímos discernimento para algumas coisas, e a falta dele para outras.

Neste sentido eu diria então que boa parte de nós sabe distinguir o certo do errado e que aqueles que não sabem são os chamados perturbados de conduta, ou sociopatas. Vou dar o desconto para o que possa ser certo em determinadas culturas, ser errado para outras, me atendo ao que seria comum em todas elas.

Em qualquer país civilizado onde vigora o estado de direito e o exercício pleno da democracia, nenhum ser humano pode pagar por um crime que não cometeu e a presunção de inocência prevalece até prova em contrário. Eu disse PROVA em contrário. Pode-se acreditar que determinada pessoa cometeu um crime, mas é preciso provar que de fato foi ela. Até prova em contrário esta pessoa é inocente.

Na religião não existe a necessidade de uma prova. A fé religiosa e a crença são mais do que suficientes. Assim sendo, em cada uma das religiões de uma forma ou de outra, como distintos nomes e atribuições, a existência de um ser superior é fato.

Será que nós poderíamos trazer esta fé para nossa vida diária e fazer dela um fato? A gente poderia acabar com a medicina e viver da cura pela fé? A gente poderia acabar com a ciência e viver dos dogmas religiosos?

Acho que seria muito difícil e por isso a convivência deve ser harmoniosa. Ao homem o que é do homem e a Deus o que é de Deus.

Sendo assim, posso afirmar que no mundo real o julgamento de uma pessoa acusada de um crime deve ser baseado em provas cabais. A privação da liberdade de um ser humano precisa estar baseada na inabalável convicção de que o legítimo processo transcorreu em ordem e que todas as provas e fatos trazidos a ele mostraram sem a menor dúvida que tal pessoa cometeu o crime. Isso vale para todos.

Aqueles que ainda querem acreditar que Lula cometeu um crime são as mesmas que ainda creem no Santo Sudário.

Não importa que não existam provas, não importa que a defesa fosse cerceada, que o julgamento se baseou no testemunho de uma pessoa em contra outras dezenas. Lula já estava condenado muito antes de entrar no plenário porque a crença de seu juiz na sua culpa era de uma fé celestial inabalável, assim como daqueles que ainda acreditam nesta farsa.

Apesar disso tudo, escutamos algumas vozes do bom senso e uma delas acaba de vir do Comitê de Direitos Humanos da ONU. Um grupo de homens de diferentes países, de diferentes culturas acaba de dizer que, independente do fato da culpa ou não de Lula, ele tem direito a concorrer à presidência enquanto existirem recursos em andamento e que os mesmos devem ser julgados com isenção. O Brasil é signatário de uma convenção que torna as resoluções deste comitê aplicáveis acima da lei brasileira neste assunto, qual seja os direitos humanos.

É compreensível a demanda, uma vez que não podendo concorrer e vindo a ser o vencedor, ficando provada sua inocência, não haveria como reparar o mal causado a ele. Todas as causas que precederam a de Lula neste mesmo sentido, tiveram ganho favorável nas cortes nacionais.

E agora, vamos ter uma decisão baseada na convicção celestial ou na fé dos homens?

O fascista mora aqui

O fascista mora aqui.

O mal que Netanyahu faz a Israel, talvez só venha ser percebido dentro de alguns anos. Mas as consequências deste mal já se fazem sentir no nosso dia a dia.

É da democracia que um determinado grupo ideológico suba ao poder. É perfeitamente compreensível que este grupo ponha em prática a sua política alinhada ao seu grupo ideológico. Aos da oposição resta espernear e suportar até às próximas eleições.

Quando um partido ganha a eleição e consequentemente seu líder assume o posto de Primeiro Ministro, ele está assumindo um cargo onde outros já estiveram, e com certeza outros estarão.

Existe a honra do cargo que está acima das disputas ideológicas. O cargo é o que representa a democracia e em tese, seu ocupante é quem representa o país dos vencedores e dos vencidos.

Por esta razão, é que se pode distinguir grandes estadistas de meros ocupantes do cargo. Bem Gurion foi um estadista, assim como seu maior opositor, Menachem Begin. O primeiro por ter criado o estado e o segundo por ter alcançado a paz com o Egito. Netanyahu jamais o será.

Bibi, como é mais conhecido, não governa em favor de Israel, governa em favor do poder. Ele saboreia cada momento dele, e como político é um gênio. Conseguiu a façanha de perder uma eleição e ainda assim ser nomeado primeiro ministro. No parlamentarismo, quem ganha de fato é quem consegue montar um governo com a metade mais um do parlamento. Ele já tinha o governo montado, antes mesmo das urnas serem abertas.

Liderando um governo de extrema direita, ele vem diariamente incitando o ódio no seio do povo israelense. Assim, ele agride as minorias e destila seu veneno contra a esquerda. O faz contumazmente.

O fato mais recente, que mostra esta face vil, foi sua resposta à manifestação da minoria árabe com seus simpatizantes, que ocorreu neste último sábado onze de agosto. Nela um grupo compareceu com bandeiras palestinas (contrariando pedido dos organizadores), nada de mais, já que os Drusos uma semana antes também vieram com suas bandeiras. As bandeiras tremularam junto com bandeiras de Israel na mais perfeita ordem. Um pequeno grupo em meio a 100.000 outros.

Esta teria sido apenas mais uma manifestação conta a Lei da Nacionalidade como tantas que vem ocorrendo. Mas Bibi precisava mostrar a sua face e apontando uma foto de um jornal com o grupo das bandeiras palestinas, disse que aquelas bandeiras da OLP na Praça Rabin eram a razão da Lei da Nacionalidade.  Sua ministra da Cultura, Miri Regev, disse que Rabin estaria dando voltas no caixão.

Uma pausa para o passado. A praça que leva o nome de Rabin foi onde o assassinaram. A sua morte de deve em muito ao incitamento promovido por Netanyahu e seus partidários que chamavam Rabin de traidor. Ele discursou de um balcão com a foto de Rabin no corpo de um oficial nazista dizendo que Rabin estava traindo o povo. Seu assassino, Yigal Amir, cometeu o crime porque compreendia que Rabin era um traidor e sua morte era justificável. As mãos de Bibi estão sujas com o sangue de Rabin.

Pois bem, este mesmo ser, tem a ousadia de usar o nome de Rabin em proveito próprio.

Felizmente, ele vem se desgastando com vários setores da sociedade que começam a enxergar que sua política de segregação social, sua falta de capacidade para o diálogo com quem não se alinha a suas posições, e especialmente o fato de que os inúmeros inquéritos contra ele estão se avolumando, indicam a possibilidade de uma virada nas próximas eleições.

Entretanto, de Bibi pode-se esperar tudo. Até mesmo uma nova guerra. Pode ser contra Gaza, contra o Irã, contra a Síria, o Líbano, não importa. Tudo para se manter no poder, afinal, nada une mais os israelense com seu governo, que uma boa guerra.

Uma orgia democrática

A democracia é um sistema político com muitas falhas, mas ainda assim é o melhor sistema que existe.

Eu escuto de muitos amigos que estão horrorizados com as chamadas alianças partidárias, que segundo eles, são abomináveis, inexplicáveis, nojentas etc. Neste rol entram as alianças nacionais e estaduais que muitas vezes colocam partidos nacionalmente inimigos, estadualmente melhores amigos.

Uma das razões para isto é o número absurdo de partidos existentes hoje no Brasil, Só nesta eleição são 35 partidos.

O nome do jogo é política e nesta arte aprende-se a engolir sapos com uma grande facilidade. Inimigos de ontem, são os amigos de hoje. Fotos e discursos em favor de aliados vão sendo descartados porque hoje não mais se falam.

Neste jogo existe o pragmatismo, e a ideologia vai sempre ficar em segundo plano. Numa disputa política pela governabilidade, vale tudo, ou quase tudo. Vale até mesmo elogiar oponentes e menosprezar aliados, dependendo do estado da nação.

Durante a ditadura, os milicos resolveram o problema permitindo dois partidos. Todos que eram a favor pertenciam a Arena (Aliança Renovadora Nacional) e todos que eram contra, pertenciam ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro).

Com 35 partidos, não existe ideologia para tanto partido. Por mais que a esquerda se divida, quantos partidos ideológicos pode haver? E na direita a mesma coisa. Até mesmo no centro, que são os que acham que ideologia não serve pra nada, quantos partidos seriam aceitáveis?

Com esta profusão, é lógico que o apelo televisivo, e me refiro ao tempo de TV, tem um alto custo. Cada segundo, conta e aí é preciso vender a alma ao diabo para ter mais um “aliado” com tempo disponível, e a venda. Sim, venda, porque o custo desta entrega vai ser cobrado depois com juros e correção monetária.

Se o jogo é este, quem quiser participar, vai ter que aceitar as regras, sob o risco de ficar sem representação. E vejam que não basta ganhar a presidência, é preciso fazer maioria para poder governar e tentar impor minimamente um plano de governo. Este é o segundo tempo deste jogo, e nele tudo pode mudar. Aliados da corrida a presidência ou ao governo dos estados podem ser substituídos por novos aliados, aqui vale tudo.

O sistema democrático, seja ele presidencialista ou parlamentarista, funciona quando certos limites são colocados em nome do bom funcionamento do sistema. É claro que diferentes pensamentos, nem sempre ideológicos, precisam ter voz. É claro que as minorias precisam estar representadas. Mas tudo isto pode acontecer dentro de, dois, três, talvez cinco partidos. Mais do que isso, é escancarar as portas para o que estamos assistindo, ou seja, uma representatividade puramente pessoal, onde os Tiriricas se elegem em qualquer sigla carregando consigo um número elevado de correligionários com menos votos que aqueles com formação política em partidos de formação ideológica.

É justamente esta incoerência no sistema que está deixando o país ingovernável. É ela que permite um Impeachment político sem qualquer escrúpulo, onde qualquer presidente pode estar sujeito a execração pública, mesmo sem haver cometido qualquer crime.

Esta distorção não será fácil de ser corrigida, pois na medida em que se instalaram, estes partidos nanicos jamais darão seus votos para um aumento do percentual de votos necessários para terem representatividade política. O mal já está feito.

A única saída seria uma consciência política por parte da população. No atual estágio em que o país se encontra, eu não vejo isto acontecendo nos próximos anos. A reboque, além da instabilidade política vamos continuar tendo uma redução da qualidade de vida fruto de uma economia em frangalhos com milhões de desempregados.

Estas eleições, por tudo o que está acontecendo, serão históricas. Infelizmente para o mal.

Antissemitismo, quando os extremos convergem

O antissemitismo não é nenhuma novidade no Brasil, mas ele tem sido mais contundente a partir de grupos e partidos que supostamente deveriam combatê-lo com mais vigor. Estou falando da esquerda brasileira.

Um recente artigo publicado e logo retirado no site Vermelho, do PC do B, com um pedido de desculpas, de autoria de Thomas de Toledo, é o fato mais recente que reascendeu o questionamento de parte dos judeus de esquerda, e causou a ira dos judeus de direita.

O texto em questão muito lembra o conhecido Protocolos dos Sábios de Sião, um livro apócrifo que atribui a dominação do mundo pelos judeus. Os protocolos serviram de inspiração para gerações de antissemitas, tanto de direita como de esquerda.

Thomas de Toledo possui belas credenciais: historiador formado pela USP, com mestrado em desenvolvimento econômico pela Unicamp, secretário geral do Cebrapaz e membro do PC do B.

Não é nenhuma novidade a associação ente Judeus/Israel/Sionismo, como se fossem tudo a mesma coisa quando se deseja atacar o Estado de Israel, e a associação Judeus/Religião/Brasileiros, quando se pretende justificar o não antissemitismo.

Quando afirma que Israel passou a controlar três ministérios chaves do governo golpista de Temer, nominando os ministros com sobrenomes supostamente judeus, Toledo está flertando com os Sábios de Sião. Ele não se distingue daqueles que afirmavam que na Páscoa os judeus faziam a Matzá (pão ázimo) com o sangue de crianças cristãs e os consequentes pogroms e mortes de judeus.

O Estado de Israel não somente foi criado por sionistas-socialistas, como sobreviveu inicialmente graças a ajuda da União Soviética. A representação de esquerda em Israel e os movimentos pacifistas pela criação de um Estado Palestino são formados em sua maioria por pessoas de esquerda. Este mesmo quadro praticamente não existe nos demais países do Oriente Médio. No entanto os movimentos e partidos de esquerda no Brasil são, em sua maioria, favoráveis a destruição do Estado de Israel. Não se contentam posicionar-se contra o atual regime político, claramente fascista e combatido pela esquerda israelense. Muito menos serem solidários com esta esquerda duramente combatida, não apenas pelo regime, como por inúmeros movimentos de extrema direita que os tratam como traidores da pátria.

O conceito de uma conspiração judaica para dominação mundial, como já disse antes, não é novo, tampouco no Brasil. Nos anos 80 e 90 até mesmo uma editora de livros antissemitas se estabeleceu no RS. Chamava-se Editora Revisão (sic) e tinha como proprietário Siegfried Elwanger, um notório revisionista que dizia possuir inúmeros amigos judeus.

O posicionamento contrário a Israel por parte da esquerda também não é novidade no Brasil. O que sim vem surgindo como uma novidade é o famigerado antissemitismo disfarçado de uma política anti-Israel.

Quando um Partido Político de esquerda dá guarida a um texto inequivocadamente  antissemita, ele fere de morte todo o preceito básico da ideologia socialista. Ele se contradiz em si mesmo e se assemelha ao fascismo e todas as suas matizes.

Ironicamente os judeus sempre estiveram ligados a esquerda em nosso país mantendo intensa atividade política com movimentos e partidos de esquerda.

A participação nos anos 20 e 30 foram significativas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte. No Rio de Janeiro a esquerda judaica se reunia em torno da Biblioteca Scholem Aleichem (que mais tarde se transformaria na ASA), na Brazkcor, Sociedade Brasileira Pró-Colonização Judaica na União Soviética, e no Centro Operário Morris Vinchevsky. Em São Paulo eram conhecidos os grupos Cultura e Progresso e, já em 1954, o Instituto Cultural israelita Brasileiro (Icib), a Casa do Povo, de tendência comunista, junto ao Teatro de Arte Israelita Brasileiro (Taib). Por curiosidade, a língua e a cultura idiche foram um aglutinador importante destes movimentos.

Na era Vargas os judeus participaram intensamente dos movimentos sindicais, universitários, organizações populares e centros culturais comunitários. Haviam judeus membros da Aliança Nacional Libertadora e no Partido Comunista Brasileiro. Um nome não pode deixar de ser mencionado: Olga Benário.

Nos dias de hoje existem judeus em todo o espectro partidário de esquerda.  Portanto em nada se justificaria no Brasil a intrínseca associação entre esquerda e antissemitismo, no entanto ela existe.

Eu concluo que independentemente de ideologias, a esquerda tem em seus quadros pessoas preconceituosas que diferentemente do que se poderia esperar, afrontam os preceitos ideológicos de sua formação. Não creio que a esquerda brasileira seja antissemita, mas acredito que em seu seio existem militantes que em dada diferem dos membros de organizações fascistas quando o tema é o judeu.

O antissemitismo, muito mais do que ideológico, é um estado doentio de natureza humana e de ordem privada.

OBS: Alguns dados foram obtidos em A História dos Judeus no Brasil – CONIB e no Livro de Maria Luiza Tucci Carneiro, O anti-semitismo nas Américas: memória e história.

 

 

 

Diplomacia de balcão

Ninguém nasce odiando. O ódio é ensinado, aprendido e propagado. Infelizmente são os seres humanos que ensinam outros seres humanos a odiar.
Como o ciúme, o ódio cega a razão. A pessoa fica incapacitada de sentir simpatia, empatia ou qualquer sentimento racional pela outra.
O ódio vai desde um simples, não me importo com o que lhe aconteça, até o desejo de que o outro morra.
Assim, em maior, ou maior grau ele se acomoda e gera todo tipo de disfarce moral  para justificá-lo.
Ninguém no mundo moderno, mais do que nós judeus, conhecemos o ódio. Sofremos agressões, humilhações, perda de direitos, expulsões e a morte. Foram 6 milhões somente no Holocausto.
Todos mortos por serem judeus.
Sendo assim, parece estranho, para dizer o mínimo, que judeus propaguem o ódio. Não é o que acontece.
Assistimos nas ruas de Israel centenas de pessoas se manifestarem com palavras de “Mavet la Haravim – Morte aos àrabes”. Claro que são uma minoria, evidentemente que são uns idiotas etc, mas não é isso o que importa. O que surpreende é não haver punição. Muitas destas pessoas postaram em suas páginas do FB mensagens com estas palavras. Não existe lei contra isso.
Ao contrário de Israel, no Brasil onde também é livre a manifestação do pensamento, é crime o incitamento ao ódio racial Talvez esta seja uma lição que Israel pudesse aprender deste “anão diplomático”
No Brasil condenamos um editor de livros revisionistas. Em Israel, autoridades propagam o ódio racial e ficam impunes. Talvez a luta para criminalizar o racismo devesse ser aprendida com este parceiro irrelevante.
Claro que não somos perfeitos no Brasil. Também podemos aprender muito com Israel, mas definitivamente enxergar as coisas dentro de sua real proporcionalidade não é uma delas. Se Israel acha perfeitamente normal a  morte de mais de 800 palestinos, sendo 155 crianças (e seguem contando) de um lado, e 35 soldados e dois civis do outro, esta não é a perspectiva brasileira.
Algumas guerras podem ter sua justificativa para iniciar, mas seguramente todas têm sua hora para encerrar. Esta na hora de Israel do alto de sua diplomacia que possui o apoio incondicional de um único país no mundo se dar conta que a hora é agora.
O ódio está se espalhando como fogo em palha e já está chegando as portas dos lares judaicos do mundo afora. Todos vamos pagar o preço.

Feliz 2013

E vem aí 2013


Como o mundo não acabou, e estamos encerrando apenas mais um ciclo de vida, desejo que:


Se encerre o ciclo das guerras e comece o ciclo da PAZ!
Se encerre o ciclo das doenças e comece o ciclo da SAÚDE!
Se encerre o ciclo da pobreza e comece o ciclo da PROSPERIDADE!
Se encerre o ciclo da fome e comece o ciclo da FARTURA!
Se encerre o ciclo da inveja e comece o ciclo da GENEROSIDADE!
Se encerre o ciclo do abandono e comece o ciclo do ACOLHIMENTO!
Se encerre o ciclo do ódio e comece o ciclo do AMOR!


Um Feliz Natal e um 2013 maravilhoso para todos!