O antissemitismo nosso de todos os dias

O antissemitismo nosso de todos os dias

Se existe uma coisa capaz de unir a esquerda e a direita, é o antissemitismo. No entanto, o combate ao antissemitismo não unifica a esquerda e a direita judaica. O episódio Lúcia Helena Issa é um bom exemplo.

O negacionismo empregado pela jornalista no programa Um Tom de Resistência, em nada se difere de outros utilizados em programas de direita. São os mesmos termos, a mesma narrativa, o mesmo propósito. Só que desta vez, foi em uma mídia de esquerda.

Como os antissemitas fazem isso, está descrito no meu artigo da semana passada, onde mesmo sem nominar o antissemita de ocasião, mostrei como eles se expressam, sempre generalizando e sempre procurando meios de parecerem empáticos. O método é conhecido.

Claro que não poderia faltar a solidariedade da Fepal, uma entidade palestina que sacrifica uma postura representativa dos palestinos brasileiros em nome da defesa das teses antissemitas e conspiracionistas que foram expostas por Lúcia. Mas não foram somente eles, também houve judeus que se manifestaram a favor dela. Talvez aqui a prova maior da diversidade comunitária judaica.

Para quem não sabe, muitos judeus lamentaram a morte de Olavo de Carvalho, um antissemita notório. Ou seja, eles não são a regra, mas a exceção. Todas as entidades judaicas progressistas, ou não, até mesmo a Conib, a entidade máxima, foram unanimes na condenação do que foi ao ar.

O Brasil 247, depois de haver retirado preventivamente o programa do catálogo, manteve a decisão de não trazer de volta. Mais do que isto, além de publicarem as notas de repúdio das entidades judaicas, promoveram um programa com Michel Guerman e Beatriz Kushnir. Nele foram explicadas didaticamente as posições antissemitas que haviam sido colocadas por Lúcia no programa anterior.

Como bem explicaram os convidados, os termos utilizados pela convidada eram antissemitas. Um mix de verdades com meia verdades. Uma confusão de números sem nenhuma prova de sua veracidade. Informações descontextualizadas e pérolas do preconceito contra judeus.

O mote do programa original era uma suposta máfia judaica israelense com 150 anos de atuação no tráfico de mulheres. Aqui já se percebe onde isto vai dar. Se Israel tem 73 anos, como é que já existia uma máfia judaica israelense 77 anos antes? Tudo bem, ela se confundiu, mas onde? Na idade da máfia, na sua composição, na sua atuação, onde está a confusão? E dali em diante, tudo é uma trama conspiratória, digna dos Protocolos dos Sábios do Sião.

Pelo que disse Lúcia, uma máfia judaica israelense formada por judeus russos que receberam a cidadania em Israel, seriam responsáveis pelo tráfico de mulheres com a finalidade de as prostituírem. Assim sendo teriam enviado ao Brasil as Polacas, judias polonesas trazidas para o Rio de Janeiro. E no sentido contrário, brasileiras para Israel. Tudo acobertado pela comunidade judaica brasileira e pelo governo de Israel. Em meio a isto e aquilo, nomeou dois judeus pedófilos, um brasileiro e outro americano, para mostrar que esta seria uma característica judaica.

Fora do tema do programa, mas dentro do conceito antissemita geral, adentrou para a questão do sionismo com exemplos de atrocidades cometidas contra os palestinos, cuja crueldade seria outra característica dos judeus. Nenhum antissemita que se preze vai deixar de atacar Israel, isto é uma norma.

Claro que ela não poderia deixar de mencionar seus amigos judeus, outra norma em qualquer exposição antissemita. Também falou sobre o respeito pelos judeus mortos no Holocausto, afinal era preciso mostrar um pouco de humanidade. Pelos judeus vivos, nenhuma empatia, ou em outras palavras para quem ainda não compreendeu: judeu bom é judeu morto.

Cabe então um questionamento óbvio sobre os amigos judeus da Lúcia. Se eles não são religiosos, porque ela os chama de “judeus”? O antissemita é cheio de contradições. Elas existem por sua incapacidade de conectar suas ideias em mundo real. Seu mundo é constituído de uma visão distorcida da realidade que só faz sentido na cabeça deles. Neste mundo, os judeus são uma unidade na qual todas as mazelas humanas existem e por isso lhes deve ser negada a existência.

Mas a cereja do bolo é sua crença de que não existe uma nacionalidade judaica, judaísmo é uma religião. Este é um ponto importante na narrativa dela, pois se assim fosse, Israel não poderia existir e todos nós, judeus ateus, somos uma aberração antropológica. Fora assim e os nazistas não teriam se dado ao trabalho de tentar extirpar o povo judeu da face da terra. E como judeus, entendiam como sendo aqueles descendentes de até 3 gerações, mesmo os convertidos a outras religiões, ou totalmente agnósticos.

Somos apenas 0,2% da população mundial. Mas o antissemita nos faz parecer 99,8%. Para eles, este número ínfimo tem a capacidade e os meios para dominar o mundo. Nos atribuem uma importância desproporcional e disforme. Não existe precedente como este na história da humanidade.

Eu vivo em Israel e posso garantir que é um país como qualquer outro. Aqui existem coisas maravilhosas e outras nem tanto. Corrupção de políticos, temos. Assassinos, temos. Ladrões, temos. Pedófilos, temos. Tráfico de drogas, temos. Cidadãos de segunda categoria, temos. Racismo, temos. Extremistas de direita, temos. E a lista segue.

Mas existe muita coisa boa também. Eleições livres, temos. Preocupação com o meio ambiente, temos. Maior número de veganos no mundo por habitantes, temos. Invenções que beneficiam a humanidade, temos. Tratamento médico universal, temos. Saneamento básico e água tratada para quase toda a população, temos. Tratamento do lixo, temos. Educação gratuita, temos. ONGs e entidades civis por um Estado Palestino, temos. Judiciário independente, temos. E a lista segue.

Tudo isto para dizer que somos um povo como qualquer outro e um país com gente maravilhosa que vive e deixa viver, que se importa com o próximo, com a paz com justiça para o povo palestino e os árabes israelenses. Gente que é militante nos grupos pela conciliação e convivência entre todos os habitantes deste território.

No imaginário da maioria das pessoas, o antissemita é quele sujeito branco, de cabeça raspada, de baixa escolaridade, supremacista que ataca judeus, negros gays etc. Tudo que não esteja de acordo com a sua visão de mundo.

Escutar uma senhora letrada, que escreve para diversos jornais, viajada, escritora etc., falando dos judeus, deve ser verdade o que ela diz. No entanto, quando se presta atenção a suas falas, percebe-se que algo está errado, não se encaixa, não faz sentido.

Um bom exemplo é o que fez o Estadão há poucos dias em seu editorial atacando Lula. O jornal atacou p ex-presidente de maneira torpe, senão vejamos um trecho:

“Considerando tudo o que o PT fez e deixou de fazer ao longo de seus 40 anos de existência –muito especialmente, no período em que Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff estiveram no Palácio do Planalto–, uma nova candidatura petista à Presidência da República não deveria suscitar entusiasmo na população. A legenda que supostamente seria progressista, ética e renovadora da política percorreu um caminho muito diferente, colecionando casos de corrupção, aparelhamento do Estado, apropriação do público para fins privados e políticas econômicas desastradas” …

Vejamos agora desta maneira:

“Considerando tudo o que os judeus fizeram e deixaram de fazer ao longo de seus 3000 anos de existência –muito especialmente, no período recente em que foram aceitos para viver em diversos países–, um novo crime cometido por eles deveria suscitar repúdio na população. Os judeus que supostamente seriam progressistas, éticos e renovadores da ciência percorrem um caminho muito diferente, colecionando casos de corrupção, tráfico de mulheres, pedofilia, apropriação de bens públicos para fins privados a fim de tirarem proveito de políticas econômicas desastradas” …

Como é simples manipular as palavras em proveito próprio. O Estadão “esqueceu” tudo de bom que aconteceu nos governos petistas, e a lista é longa. Poderiam até minimizar parte delas, mas nunca poderiam deixar de mencionar dados que são fatos comprovados.

Da mesma maneira agiu Lúcia. Ela mirou em fatos por vezes verdadeiros, por vezes lendas urbanas para atacar os judeus. Não menciona o que pode ser tomado como algo positivo, e a lista também é longa, para fixar seu ódio na ação de um grupo judeu que representa todos os judeus do mundo. Ela faz com os judeus o que o Estadão fez com Lula e o PT.

Lúcia Helena Issa representa muito bem este papel de uma nova geração antissemita que se encontra na esquerda, mas que poderia muito bem estar do lado de lá. Faz muito tempo que o ódio aos judeus deixou de ser característico da direita e passou a ser parte da esquerda também. Nós, judeus de esquerda vivenciamos isto todos os dias.

Temos os mesmos ideias de mundo e ansiamos por um Brasil livre de Bolsonaro. Lutamos por justiça social, contra as políticas neoliberais que aumentam o fosso entre ricos e pobres. Sonhamos retornar o país ao seio das nações em desenvolvimento. Mas ainda assim, não somos aceitos por uma parcela da esquerda.

Existe um longo caminho ainda a ser percorrido para que o antissemitismo seja compreendido como o preconceito mais antigo do mundo.

Quando o antissionismo é antissemitismo e o sionismo é osmótico: uma reflexão!

Quando o antissionismo é antissemitismo e o sionismo é osmótico: uma reflexão!

Há um tipo de antissionismo por parte de árabes e de palestinos que, no exato contexto político, econômico e histórico (do conflito entre Árabes e Israelenses), até se explica e se compreende. É admissível para o debate (ainda que eu considere esse termo inadequado e estúpido), ou seja, dá para ser objeto de diálogo ou debate. Nesse sentido dizer-se antissionista não pode ser compreendido como se fosse “antissemita”. É forçar demais e confundir conceitos.

Mas, quando essa bandeira do antissionismo é levantada por qualquer um sem qualquer consideração crítica, especialmente por aqueles de fora do conflito, tenho visto – e parece-me muito claro, tratar-se de antissemitismo (ódio e repulsa aos Judeus e ao Judaísmo).

Há grupos que, por osmose ou falta de conhecimento, defendem e abraçam o antissionismo, e, realmente, não disfarçam mais seu antissemitismo, incluindo a fala estereotipada contra Judeus. Por isso mesmo, muitos desses antissionistas atacam Judeus em qualquer parte do mundo em nome de um antissionismo tosco e osmótico.

É muito pouco dizer-se antissionista apenas para defender palestinos. É preciso dizer, e demonstrar, que tipo de antissionista se pretende ser, qual é o objeto da fala. Ser antissionista é colocar-se contra Israel e querer que ele seja esmagado ou “afogado no mar”? Isso, então, é antissemitismo, pois não existe uma entidade política israelense sem os princípios, valores e pressupostos judaicos históricos. O antissionismo que pretende a destruição de Israel é o mesmo antissemitismo que levou, no momento anterior à criação de Israel, aos extermínios e campos de concentração: essência e modus nazifascistas.

Entretanto, se o discurso do antissionismo se refere à expansão do Estado israelense, em especial, à ocupação da Cisjordânia, dá para conversar. Os Judeus de Israel (diga-se: nem todo israelense é judeu), sobretudo, os conscientes, também se colocam contra à expansão e ocupação daquelas terras, reconhecida pelo Direito Internacional como terras pertencentes aos palestinos, e fundamental para a base territorial do Estado Palestino. Nesse caso, seria menos que antissionismo, isto é, seria movimento contra a ocupação israelense da Cisjordânia.

Por outro lado, há vários que se dizem “sionistas” ou defensores do “sionismo” e, da mesma forma, quase não conseguem esconder seu ódio e desprezo por árabes e muçulmanos. Há cristãos, em especial, batistas, pentecostais, neopentecostais e, também, os chamados “judeus messiânicos” (cristãos de teologia batista com o rebolado neopentecostal e utilização indevida de símbolos judaicos e israelenses, entre os quais, Kipá, Mezuzá, Menorá, Tefilim Sefer Torá, Bandeira de Israel etc) que se dizem “sionistas” à luz dos seus perversos e descontextualizados versículos bíblicos. Consideram-se sionistas “em o nome de Jesus“, aglomeram-se em viagens turísticas ao Rio Jordão para o batismo hollywoodiano e facebookiano, e esperam o “retorno” do seu Messias crístico para reinar em Israel, esmagando muçulmanos e transformando em montanhas de cadáveres os não salvos em Cristo. São, na verdade, tipos perigosos anti-árabes e anti-islâmicos (ódio e repulsa pelos Árabes e Muçulmanos: islamofobia). Por isso mesmo, muitos desses sionistas atacam árabes e muçulmanos, por palavras (bíblicas, trumpistas ou bolsonaristas), ou atos de violência, em qualquer parte do mundo.

É esse tipo de sionismo que foi pensado, debatido e formado no final do século XIX, e que, de resto, alimenta toda alma judia desde o antigo Cativeiro babilônico, assim como do primeiro século desta era comum? Certamente que não!

Os valores do sionismo clássico, substancial, histórico, não têm a ver com ódio a qualquer grupo ou destruição de quaisquer sociedades. Muito pelo contrário, o sionismo histórico é ato de resistência e defesa do ideal judaico. Dito com outras palavras, o sionismo histórico é a ética da humanização e solidariedade humanas.

Há, portanto, sionismos em termos históricos e políticos que podem ser trazidos para a mesa do debate. É muito pouco ser sionista apenas para defender israelenses (pois defender israelenses é um termo abstrato, tendo em vista a diversidade e pluralidade da sociedade israelense). É preciso dizer, e demonstrar, respondendo às seguintes perguntas: qual o tipo de sionista se pretende ser? Histórico, substancial, filosófico, de alma para alma judias? Ou um sionista sem qualquer substância, isto é, um sionista osmótico?

Enfim, há um limite para a criticidade proativa e construtiva, há um limite para se defender ideias, propor ações, contestar teses, e até bater na mesa, e este limite chama-se, de um lado, Dialética e, de outro, Direito Internacional (em especial, Direito Internacional dos Direitos Humanos). Ficar de um lado ou de outro, sem qualquer ponderação, demonstra apenas os ódios represados, os rancores sonoros, o antissemitismo (ódio e repulsa aos Judeus e ao Judaísmo), o anti-islamismo ou anti-arabismo (ódio e repulsa a Muçulmanos e Árabes: islamofobia) e, desde logo, em um caso ou outro, a antessala do extermínio.

Da minha parte, sou Judeu, sou Sionista (buberiano e histórico), e sou de Esquerda libertária kibutziana. Defendo a existência política e jurídica de dois Estados para dois Povos: Israel e Palestina, e mantenho-me em luta diuturna contra o antissemitismo e suas afinidades eletivas, ou seja, contra a islamofobia, contra o racismo, contra a discriminação, contra o machismo, contra a misoginia, contra a intolerância religiosa, contra a xenofobia, contra o trumpismo, contra o bolsonarismo, contra o salvinismo e contra o regime norte-coreano e agregados (todas expressões atuais do mussolinismo, hitlerismo, stalinismo), contra a especulação neoliberal, contra a destruição de direitos dos Trabalhadores, enfim, contra o neofascismo.

publicado originalmente no Blog Café e Direito

Pietro Nardella-Dellova

Por quem choras Palestina

Por quem choras Palestina

São pessoas como o colunista Sayd Marcos Tenório que afastam qualquer possibilidade de diálogo entre palestinos e israelenses. Suas teses em artigo publicado no Brasil247, recheadas de pérolas antissemitas como: “A ONU aprovou, inclusive com o voto do Brasil, em 1975, a Resolução nº 3.379, que considerou o sionismo uma forma de racismo, mas, em 1991, ela foi revogada por pressão do lobby judeu”, ou seja, os judeus foram capazes de obrigar o mundo a reconhecer que Sionismo não é Racismo. E segue: “Então, se o sionismo é uma ideologia racista e de direita, pode haver um pensamento de esquerda no seu seio?”, para atacar o Sionismo Socialista.

Todo antissemita vive com uma paranoia conspiracionista. Imaginam que nós sionistas socialistas, sionistas de direita e sionistas de todo tipo, somos aqueles caras mencionados nos Protocolos dos Sábios do Sião. Me fazem lembrar um intelectual que depois de ler “Holocausto, Judeu ou Alemão” de Siegfried Elwanger, me disse que era um absurdo tudo aquilo, mas que alguma coisa de verdadeiro devia ter. O que nos leva a Berenice Bento, notória antissemita que tenta fazer todo um exercício psicofilosófico para negar a existência do sionismo socialista, que é claro, tinha de ser mencionada.

De acordo com Sayd, a tragédia palestina tem só um culpado, os sionistas, e só pode ter uma solução, a destruição do Estado de Israel através das forças de resistência palestina. Forças que ele chama de Partidos Armados, uma nova definição na política para grupos armados que atacam civis. Seria como chamar as milícias do Rio de Janeiro, ou o PCC de Partidos Armados.

Mas tem mais antissemitismo na narrativa: “O sionismo é uma ideologia que se apropriou do judaísmo como forma de dar sustentação às suas teses racistas e supremacistas, quando sabemos que nem todos os judeus são sionistas ou apoiam as atrocidades de Israel“. Como assim? Existe Sionismo fora do judaísmo? Claro que nem todos judeus apoiam as atrocidades de Israel, assim como nem todos os palestinos aprovam as atrocidades que foram cometidas pela OLP no passado, e são cometidas pelo Hamas nos dias de hoje.

Segundo Sayd, “O sionismo se baseia na teoria defendida por Herzl no seu livro O estado judeu, de 1896, da existência de um estado nacional judaico independente e soberano no território onde supostamente teria existido o “Reino de Israel”. Para supostamente, eu imagino que ele intencionalmente tenta apagar a história do povo judeu em Israel, que a Bíblia nos relata histórias da carochinha, que todos os historiadores são comprados pelos judeus para contarem mentiras. De verdade, existe o fato de que nunca na história existiu um Estado Palestino.

Para confirmar de que não podem dialogar com a esquerda sionista ele diz: “Essas forças da “esquerda sionista” são responsáveis pela criação do estado de Israel em 1948 e pelos desdobramentos da Nakba (tragédia), pois foram eles que pressionaram a antiga União Soviética a fornecer armas às milícias paramilitares sionistas, como Haganah, Irgun e Stern, por intermédio da Checoslováquia“. De fato, a criação de Israel se deu através da ONU, assim como do Estado Palestino. Deu-se inicio a um conflito armado e um lado saiu vencedor, o Estado de Israel que tinha na época uma maioria parlamentar de esquerda. Mas dizer que a então União Soviética forneceu armas através da Checoslováquia devido a pressão da esquerda sionista é chamar seus leitores de tolos.

Sayd ataca a direita judaica, a esquerda judaica e os judeus em geral. Para ele não existe outro caminho senão o do enfrentamento armado. Poderia ser o porta voz do Hamas. Parece que a esquerda humanista e progressista não se importa quando se referem a destruição de Israel, muito diferente quando se trata de um General Iraniano.

A pergunta que não quer calar é o que de bom existe em um artigo como este. Que proposta de solução para o conflito ele traz? Como seria uma iniciativa de paz entre os dois lados? Quem se sentaria a mesa de negociações para encontrar uma solução definitiva?

Sayd faz o mesmo jogo da direita israelense quando tenta desumanizar a esquerda sionista. A direita trata todos os palestinos como terroristas, ele trata todos os sionistas como iguais, de direita. É incrível como os extremos opostos se tocam.

Eu não preciso que me digam o que sou, ou como devo me definir. Tenho passado, tenho história e sei diferenciar um parceiro para a paz de um antissemita que se passa por antissionista. Os palestinos não merecem a situação em que se encontram. Talvez quando olharem para si mesmos e se perguntarem: “o que fizemos para nos encontramos assim“, comece haver uma luz no final do túnel. Mas enquanto os Sayds continuarem a colocar a culpa nos sionistas, nada vai mudar.

Não é o sionismo que está destruindo a Palestina, são os radicais e extremistas dos dois lados que não permitem aos dois povos uma conciliação e convivência pacífica com dois Estados lado a lado. Vocês sobrevivem do conflito, se alimentam do ódio e são incapazes de aceitar a paz.

Que tal uma Live ao vivo com debatedores sionistas socialistas e vocês?

Precisamos falar sobre o Antissemitismo na Esquerda

Depois de um artigo publicado a cerca de 20 dias, “Meu amigo judeu”, para instigar o debate sobre o antissemitismo na esquerda, fui mencionado em uma publicação apócrifa no site www.causaoperaria.org.br. O linguajar do autor não deixa dúvidas de que se trata de um pretenso comunista de biblioteca burguês. De operário não tem nada. Aquele tipo que a direita chama de comunista caviar.

O artigo é um festival de clichês que me remeteu aos anos 70. De inicio uma foto do que seriam soldados israelenses prendendo um jovem palestino. Existem milhares de fotos como esta, mas o autor escolheu justo uma que não é o caso. Os soldados em questão não são israelenses, e o preso provavelmente não é palestino. Seria um erro involuntário, mas ele continua errando quando diz que o grupo que administro no Facebook, “Resistência Democrática Judaica” é de sionistas socialistas. Agora já não se trata de erro, mas de interesse na crítica. Na verdade trata-se de um grupo judaico com membros de todo espectro político que em comum são antifascistas e portanto antibolsonaro. Nele existem membros até mesmo antissionistas.

Já de início o autor chama o Estado de Israel de Nazista, uma ofensa inominável a qualquer judeu. Todos nós perdemos familiares no Holocausto. O nazismo pretendeu nos exterminar da face da Terra. Montou uma indústria de morte com esta finalidade que chamaram da “Solução Final”. Israel comete crimes de guerra, mas dizer que se trata de um regime nazista é encerrar qualquer debate viável e civilizado.

Ele distorce minhas palavras em relação as vítimas do recente conflito de Gaza. Usa dos mesmos números que menciono, mas monstruosamente trata as mães que perderam seus filhos de forma diferente. Para ele as mães das 66 crianças palestinas são diferentes das duas mães israelenses. Talvez ele não tenha ouvido falar do atentado de Maalot. Em 15 de maio de 1974, três palestinos da Frente Democrática para Libertação da Palestina se infiltraram vindos do Líbano, tomando de assalto a escola de Maalot, uma pequena cidade ao Norte de Israel. No caminho para a escola os três palestinos mataram duas árabes israelenses, entraram em um apartamento de um prédio e mataram o casal e seu filho de 4 anos. Deixaram o prédio e foram para a escola Netiv Meir fazendo lá 115 reféns, entre eles 105 crianças. O resultado desta ação foi de 25 reféns assassinados, sendo 22 crianças e 68 feridos. Os três palestinos foram mortos pelas forças de segurança. Neste caso, as mães palestinas também eram diferentes das mães israelenses?

A extrema direita israelense tenta sempre desumanizar os palestinos, uma tática que dá ao opressor uma justificativa moral para manter a ocupação. Parte da esquerda faz a mesma coisa com os israelenses, mas neste caso trata-se de uma justificativa moral para expressar seu antissemitismo.

A intenção do autor não foi discutir o antissemitismo de esquerda proposto por mim.

Para ele o Estado de Israel não deveria existir. Para os nazistas não deveriam existir judeus. Percebem a semelhança? Eu utilizei o conflito recente em Gaza para mostrar como os antissemitas na esquerda se aproveitam do conflito para externar seu preconceito. Ele, vestindo a carapuça, se aproveitou do conflito para demonstrar que tenho razão.

Ele desdenha minha solidariedade, como sionista socialista, a causa de um Estado Palestino  e exalta os milhões de árabes que seriam solidários. Um momento de reflexão: além do Qatar, quem mais se preocupa com eles atualmente? O Irã que não é árabe e pensa como o autor, em destruir Israel. A União Europeia que não é árabe, e é a favor de uma solução de dois Estados. Em que país árabe os refugiados palestinos receberam cidadania? Vamos ser realistas, a tragédia palestina está perdendo o trem da história e isto não pode acontecer. Para constar, esta parte doentia da esquerda tem culpa neste processo.

E por fim temos o Hamas. Eu menciono em minha tréplica ao artigo inicial, que o Hamas é um regime totalitário onde não existe o menor respeito aos direitos humanos e que em muitos outros países árabes, não é diferente. Como um bom cidadão do mundo ele concorda com estes fatos, mas na sua ótica, tais desrespeitos são menos importantes no momento, afinal estão lutando contra o inimigo sionista e toda violência é justificável, inclusive contra seu próprio povo em Gaza. Diferentemente dele, eu acho que são parte do problema. O Hamas é uma organização que, diferentemente da Autoridade Palestina, não aceita a existência do Estado de Israel. Sua pretensão é a mesma do Irã, exilar os israelenses, trazer de volta os refugiados palestinos e criar um Estado Palestino em substituição ao Estado de Israel. Ainda assim, temos de encontrar uma maneira de sentar com eles a mesa de negociações.

Dado a um problema de interpretação de texto, ele me acusa de comparar Bibi e o Hamas, como Lula e Bolsonaro. Coisas incomparáveis. Eu concordo, tanto que não foi o que eu escrevi. Não há comparação em meu texto. Na verdade, digo e repito que o recente conflito foi do interesse de Bibi e o Hamas, serviu aos interesses de ambos.

Eu me permito aqui sugerir ao autor do artigo alguns temas para novos artigos: por exemplo, a invasão da Criméia e sua anexação ao território da Rússia. Outro tema , não menos importante para nós de esquerda são os Campos de Concentração na China, ou de Reeducação, como eles preferem, em que milhares de muçulmanos da etnia Uigur são mantidos. São fatos também recentes que parecem não sensibilizar a esquerda em geral e especialmente a parte antissemita, talvez por não envolverem judeus.

Ao contrário desta parte da esquerda, a direita é mais explícita em seu antissemitismo. Não se importa em desfraldar a bandeira nazista, de publicar obras antissemitas como os Protocolos dos Sábios do Sião, de apontar os judeus como donos da mídia internacional, de dominarem o sistema financeiro mundial e há entre eles quem diga, inclusive, serem os judeus os verdadeiros criadores do Covid-19 para ganharem dinheiro com as vacinas. Claro que não soa nada estranho algumas pessoas de esquerda que pensam a mesma coisa, afinal de contas, em matéria de antissemitismo, eles concordam uns com os outros.

Que tal vocês saírem deste mundinho e ajudarem de fato famílias palestinas que necessitam? Ajudem famílias palestinas clicando aqui.

Israel, Palestina e minha resposta ao meu amigo não judeu

Israel, Palestina e minha resposta ao meu amigo não judeu

Caro Martonio Mont’Alverne Barreto Lima, antes de tudo, muito obrigado por sua resposta ao meu artigo “Meu Amigo Judeu”, publicado no Brasil 247. É sempre um prazer conversar com alguém que antes de tudo procura mostrar o que temos em comum, e depois apresentar o que discorda. Tudo de maneira respeitosa, e mesmo assim contundente.

Faço também questão de dizer que nós os dois, apesar dos inúmeros casos citados de falta de manifestações da esquerda, ainda estamos longe de mostrar tudo o que acontece e fica restrito a poucas linhas de um jornal, ou em sites que precisam ser acessados por quem se interessa pelo que verdadeiramente acontece em nosso planeta. Infelizmente a maioria destes tristes episódios da vida real não transita nas redes sociais.

Concordamos plenamente de que Bibi e o Hamas são um obstáculo para a paz. De que se deve criticar as atitudes do governo israelense com relação à ocupação e ao tratamento desigual que dá aos árabes israelenses. Da mesma forma o tratamento que o Hamas e o mundo árabe em geral, dá aos LGBTs e tantas outras minorias.

Eu estou ao lado da esquerda que critica Bibi desde sempre. Por tudo que ele fez e principalmente pelo que deixou de fazer. Me é trágica a visão da situação em que nos encontramos, especialmente sabendo que a violência traz mais violência e o ciclo se renova a cada par de anos. Não discordo em nada. Saliento ainda que mesmo tendo sido o Hamas o responsável por este último ciclo com o lançamento de foguetes contra Jerusalém, não concordo com o uso desproporcional da força. Mas que fique claro que a dor da morte, da perda de entes queridos é a mesma dos dois lados da fronteira. As lágrimas derramadas pelas mães palestinas são iguais as lágrimas derramadas pelas mães israelenses.

Em nenhum momento do meu texto escrevi que toda a esquerda é antissemita. Jamais diria uma coisa destas porque não é verdade. O que eu disse e reafirmo, é que parte da esquerda é antissemita. Infelizmente o preconceito é um flagelo humano, independe de ideologias e abrange todo o espectro político.

Eu o convido, caro Martonio a uma simples reflexão. Vamos imaginar, apenas para fins desta conversa, que Israel não existisse, aliás que nunca existiu. Concordamos que a esquerda silencia, ou quase não se manifesta contra as tragédias humanas que acontecem ao redor do mundo. Neste caso seria correto supor então que não existiriam mais manifestações contra Israel? Sim e não. Explico: não contra Israel que nesta nossa reflexão não existe, mas parte da esquerda continuaria se manifestando contra os judeus que “querem dominar o mundo, que dominam a economia mundial, a imprensa internacional” etc.

Mas então vamos um passo adiante e vamos imaginar que não existissem judeus também. Então, sim, o silêncio seria quase completo. O problema nunca foi Israel, o problema são os judeus. A isto eu chamo antissemitismo da esquerda.

Agora dentro deste mesmo quadro alguém poderia achar que existiria um Estado Palestino. Ledo engano. Se não existisse Israel, aquele território seria parte da Jordânia, da Síria ou do Egito. Talvez estivesse dividido entre eles. O mesmo que acontece com os curdos e o Curdistão.

Voltando à realidade eu creio que parte da esquerda que se manifesta de maneira antissemita, o faz pela simples razão de que Israel é um Estado Judaico. Tire os judeus da equação e eles passam a fazer parte da maioria da esquerda que faz ouvidos moucos às tantas mazelas humanas que já mencionamos. Outra parte faz as críticas certas e com razão sobre o que acontece aqui.

Eu hoje estou com 63 anos. Sempre militei na esquerda. Trafeguei sem problemas nos mais diversos fóruns antissionistas. Tenho o bom senso de diferenciar um antissionista de um antissemita. Já fui alvo de ataques dentro da comunidade judaica em discussões sobre isso. Já me acusaram de traidor, de antissemita, de anti-israelense, esquerdista e me chamaram de tudo que possas imaginar. Ser de esquerda na comunidade judaica não é fácil. Por outro lado, parte da esquerda me chama de imperialista, de assassino, de genocida, sionista. Ser judeu na esquerda não é fácil. Da direita não chegam menos desaforos.

O fato é que sempre fui um sionista socialista e aprendi a conviver com isso. Vivi o socialismo no Kibutz (fazendas coletivas) e hoje vivo na cidade. Não compactuo com o sionismo religioso, nem mesmo com o sionismo da direita. Algo muito parecido com o Peronismo na Argentina. Como se sabe, lá sempre existiram Peronistas de esquerda, de centro e de direita. Ser antiperonista lá é quase como ser anti-Argentina.

Nós, judeus sionistas socialistas somos a linha de frente na luta por um Estado Palestino. A nossa voz é necessária, é o contraponto às ambições das facções fascistas da sociedade israelense que desejam anexar todo o território ocupado.

Eu acredito que ninguém melhor que um negro para me explicar o que é o racismo. Ninguém melhor que um homossexual para me explicar a homofobia. Assim sendo, ninguém melhor que uma mulher para me explicar o que seja a misoginia. Por que seria diferente com relação aos judeus? Por que não pedir a um judeu que explique o que é antissemitismo? Por que as pessoas se acham no direito, e digo isso sabendo que muitos o fazem de boa vontade, de me dizer o que de fato é uma agressão à minha condição como judeu e o que é de fato uma agressão restrita a Israel? Acham realmente que depois de todas as perseguições, de todas as tentativas de sermos varridos do mapa, do Holocausto, chegamos até os dias de hoje sem saber quem é um antissemita?

Meu querido Martonio, nunca vais escutar de minha pessoa que toda crítica a Israel é antissemitismo. De fato, seria muito comodismo e uma falta de bom senso de minha parte. Sempre fui muito cuidadoso neste sentido. Tenho mais de 45 anos de militância nas costas para saber que quando estamos diante de uma pessoa que odeia judeus, se comporta como antissemita, fala como antissemita, ela é antissemita. Simples assim.

Tenho um amigo de infância que faz parte da ABJD e nutro o maior respeito pela instituição e seus membros. Sei que ali ao seu lado se encontram pessoas progressistas, muitas de esquerda com alta envergadura intelectual e uma enorme preocupação com o Brasil, sua gente, suas instituições e a democracia. Apreciei muito suas palavras e agradeço muito por ter nos colocado na posição de dialogar.

O Brasil247 dá não só a mim, como ao meu amigo e companheiro Jean Goldenbaum, também um judeu sionista socialista a oportunidade de publicar nossos textos no portal conhecendo nossa vida de lutas por um mundo melhor. O Jean inclusive possui um programa na TV247. Invariavelmente recebemos comentários antissemitas e até de baixo calão de parte de leitores. Todos se dizem de esquerda, humanistas, progressistas e alguns até pedem o nosso banimento. Não estou me referindo a comentários com sugestões, cumprimentos, discordâncias, críticas etc. Algo normal para se ler em relação ao que escrevemos e que todo autor de um texto precisa receber. Estou falando de ataques virulentos e às vezes contendo ameaças a ponto de solicitar que sejam retirados. Isto faz do Brasil247 um portal antissemita? Claro que não.

Não podemos tapar o sol com a peneira e acreditar que toda a esquerda é de paz e amor. O preconceito também existe do lado de cá. Quem transita nas redes sociais conhece bem isso. Mulheres são assediadas em grupos de esquerda. Homossexuais são humilhados em grupos de esquerda. Negros são maltratados em grupos de esquerda. Porque seria diferente com os judeus, não é verdade?

Bem meu caro amigo, mais uma vez obrigado por sua resposta a minha instigação. Fico muito honrado com o que escrevestes e em saber que concordamos na maioria das coisas, podendo respeitosamente discordar de outras. Isto nos faz pensar e mostra que o assunto não se esgota nesta troca de textos, podendo ser discutido honestamente quando cada um percebe qual é a percepção do outro para o tema e pode, mesmo que por alguns instantes, se colocar no lugar dele.

 

Joga pedra nos judeus

Joga pedra nos judeus

Caro companheiro Moisés Mendes, posso chamá-lo assim? É que de uma certa forma, somos militantes do mesmo lado que combate Bolsonaro, mas como judeu de esquerda, me surpreende sua publicação para os Jornalistas pela Democracia, sobre o silêncio dos judeus diante dos insultos neonazistas de simpatizantes de Bolsonaro. Felizmente, não é verdade.

Antes de tudo, caso não seja de seu conhecimento, os judeus brasileiros são hoje cerca e 100 mil almas. Uma massa insignificante diante do apoio de 57 milhões de brasileiros que votaram em Bolsonaro. Ainda que todos tivessem feito isso, hás de convir que nosso voto não representou nada. Agora, admitindo que apenas uma parcela dos judeus ajudaram a eleger Bolsonaro, eu concordo que um judeu que se alia a extrema direita é sob a minha ótica, uma aberração e nunca vão existir pedidos de desculpas suficientes que justifiquem esta posição.

Os judeus brasileiros nunca foram majoritariamente de esquerda, mas este alinhamento com Bolsonaro não foi, e não é uma unanimidade. Ele soube explorar muito bem a ligação com Israel fazendo uma promessa que dificilmente será capaz de cumprir, a mudança da embaixada para Jerusalém. Ganhou até mesmo o apoio incondicional do ex-embaixador de Israel. A cegueira destes judeus e do embaixador foi tamanha, que não prestaram atenção que público para quem estava endereçada esta promessa eram os evangélicos, estes sim, poderiam render, e de fato renderam os votos necessários para sua eleição. Os judeus que o apoiaram, foram a cabresto. Idiotas úteis.

A sua indignação contra a eleição de Bolsonaro é a mesma que a nossa, judeus de esquerda. Por isso, quando dizes que: “Quando setores progressistas passaram a denunciar o conluio de judeus com Bolsonaro, a direita do judaísmo brasileiro e até uma certa esquerda decidiu atacar os ‘inimigos’ como antissemitas e antissionistas”, estás me atacando também, e usas a justificativa mais baixa, aquela de que todos os que atacam as atitudes extremistas de Israel, são chamados de antissemitas. E aí eu me pergunto, onde é que isto se enquadra neste texto? O assunto não era judeus e Bolsonaro? Agora estamos falando de ações extremistas do Estado de Israel? Acredito que tenha sido um deslize, mormente algo que muitos antissemitas usam para dizerem que não são antissemitas. Sem ofensa.

Tu cometes uma grande injustiça quando falas do episódio da Hebraica-RJ. Não mencionas que havia uma enorme manifestação de judeus na porta da Hebraica em 2017 contra a sua presença. Te esqueces de dizer que esta foi a primeira manifestação pública contra Bolsonaro. Preferes cometer uma falácia dizendo que os judeus cariocas são amigos de Bolsonaro. Ao invés disso poderias ter dito que não foi a primeira vez que o então deputado debochou de índios e negros, que ele repetiu o que já vinha pregando há muito tempo.

O voto antiPT não veio somente dos judeus, isto é óbvio. A maioria dos brasileiros caiu no canto da sereia e elegeram este genocida. Uma mancha para a nossa história. Uma tragédia da qual nunca esqueceremos.

Claro que não gostamos do gesto de Filipe Martins. Reprovamos com veemência assim como reprovamos o gesto do Ex-Secretário da Cultura Roberto Alvim e mais recentemente da postagem de Roberto Jefferson. Nós não nos calamos e o Observatório Judaico pelos Direitos Humanos, por exemplo, é uma prova disso. O grupo Resistência Democrática Judaica com 6.000 membros é outra. Articulação Judaica, Juprog, Judeus pela Democracia, JPD-Coletivo Democrático, Judias e Judeus com Lula etc, todos são a prova viva da militância judaica contra o Fascismo em geral e Bolsonaro em especial.

Nenhuma outra minoria brasileira possui proporcionalmente ao seu número, tanta militância organizada e combativa como nós. Sempre estivemos na linha de frente, desde antes da eleição e seguimos combatendo este inepto junto as forças progressistas. Quem prefere dar voz a direita judaica é tu e teus colegas de trabalho, não nós.

Nós os denunciamos desde o princípio e seguimos na luta a despeito de textos como o teu, que insiste em dar destaque a minoria da minoria, quando todos sabem que Bolsonaro foi eleito majoritariamente pelo voto neopentecostal, pela mídia tradicional e o apoio da maior parte do empresariado, com supremo e tudo.

Quem mais, além de nós, ataca Bolsonaro como neonazista? Podemos contar nos dedos quem faz isso. De fato somos uma exceção, somos a voz da resistência judaica quando nesta mesma época, no Pessach de 1943, lutou até o último suspiro enquanto a besta nazista destruía o Gueto de Varsóvia. Nunca nos acovardamos.

Bolsonaro segue tendo seus aliados, 99% deles compostos por não judeus. Sejamos francos, teu artigo não serve a nenhum propósito, outro que não seja Joguem Pedras nos Judeus, não na Geni.