Terminada a eleição no Chile me deparei com mais uma comunidade judaica votando em sua maioria em um candidato de direita, ou melhor, de extrema direita. E não só isso, o cara é filho de um nazista. Sim, ninguém tem culpa de ser descendente de um nazista, mas este em especial seguiu em tudo os passos do pai. Para quem não entendeu: houve judeus que votaram em um nazista!
Na eleição brasileira, a maior parte da comunidade judaica votou em Bolsonaro. A parte que não votou nele, eu incluído, avisou com todas as letras se tratar de um fascista. Nada adiantou e até hoje encontramos quem prefira lembrar do que ele disse dentro da Hebraica, não o que escutou de nós fora dela.
Tanto no Chile como no Brasil escutei de boa parte dos que votaram nos candidatos de extrema direita que o faziam porque eles eram simpáticos a Israel, ou por demonstrações do candidato progressista de que eram contra Israel. Isto é uma falácia, ou se preferirem, um sofisma!
Para deixar bem claro, falácia um é argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. Sofisma é um argumento ou raciocínio concebido com o objetivo de produzir a ilusão da verdade, que, embora simule um acordo com as regras da lógica, apresenta, na realidade, uma estrutura interna inconsistente, incorreta e deliberadamente enganosa. Em resumo, a razão deles para justificar o seu voto não passa de uma cortina de fumaça para esconder o que realmente são: racistas, misóginos, homofóbicos e indiferentes ao sofrimento humano.
Não é plausível que um brasileiro judeu ou um chileno judeu não se importe com a saúde, a segurança, a economia, a educação etc. de seu respectivo país. Estas coisas que no dia a dia fazem toda a diferença na vida em sociedade e devem constar de um programa de governo. Cada candidato na corrida final tinha o seu. Haddad e Boric com programas de inclusão social e Bolsonaro e Kast com seu Neoliberalismo. Os primeiros preocupados em dividir o bolo com todos, os segundos em ter o bolo somente para quem merece.
Nós judeus somos um povo como qualquer outro. Temos nossos Prêmios Nobel e nossos ladrões, estupradores e assassinos. Temos quem faz e deseja o bem, e os aproveitadores que vivem de fazer o mal. Assim é em todos os países onde nos encontramos como parte da sociedade em geral.
Estes que deixaram de votar em Boric no Chile para votar em um nazista são a expressão máxima de que nós humanos e os judeus em especial não aprendemos nada com a história e que somos capazes de continuar fazendo o mal para outros seres humanos preocupados somente com nós mesmos.
Em um vídeo de uma entrevista em 2019, Boric teria dito na parte do vídeo, onde apresentador lhe pergunta: “Você disse que Israel é um estado genocida, você o mantém? Eu mantenho (…) Todos os países que estão violando tratados internacionais como Israel, China, Arábia Saudita ou Turquia têm que cumprir as regulamentações internacionais, portanto … não importa quanto poder esse país tem. Temos que defender os princípios dos direitos humanos internacionalmente a todo custo, independentemente do governo que esteja no país que é questionado. ”
Fica claro que ele se refere a todos os países que não defendem os direitos humanos. Em outras entrevistas ele inclui Cuba e Venezuela para total desconforto da esquerda, o que motivou uma carta aberta do neto de Allende para ele o criticando neste sentido.
Neste último ano novo judaico, a comunidade chilena enviou para todos os parlamentares um cartão contendo uma mensagem relacionada a sociedade chilena com um pote de mel, símbolo do novo ano. Boric publicou em seu Twitter uma foto da mensagem com o seguinte texto: A Comunidade Judaica no Chile me envia um pote de mel para o Ano Novo Judaico, reafirmando seu compromisso com “uma sociedade mais inclusiva, solidária e respeitosa.” Agradeço o gesto, mas eles poderiam pedir a Israel que devolva o território palestino ocupado ilegalmente. Foi o que bastou para ser taxado de antissemita.
Eu pessoalmente como defensor de um Estado Palestino, me solidarizo com o que pensa Boric, mas vamos convir que sua postagem não foi muito educada, diria até que deselegante para quem recebe um presente e completamente fora de lugar, afinal de contas chilenos não representam Israel, nem mesmo os chilenos judeus.
Com esta mensagem ele deu a boa parte da comunidade judaica chilena a desculpa de que precisavam para votar em um nazista e criou para eles aquela cortina de fumaça que mencionei antes.
Vejam que Boric poderia ter dito qualquer coisa relacionada ao Chile, como um pedido para que os chilenos judeus participem mais ativamente da vida política no pais, que ajudem na construção de uma sociedade mais inclusiva, solidária e respeitosa, mencionada na mensagem. Poderia até mesmo ter aproveitado o momento para desejar um Feliz Ano Novo e pedir votos.
A extrema direita judaica chilena usou das palavras dele para esconderem o fato de que são parte dos chilenos que saúdam Pinochet e tudo o que ele representou, que não se importam com o povo trabalhador e com políticas sociais, são contra direitos iguais para as minorias e acreditam que lugar de mulher é na cozinha. Nem inclusivos e nem solidários, este é o pensamento dos que votaram em Kast.
A extrema direita judaica brasileira vai utilizar argumentos semelhantes para justificarem o que são e os valores que representam. Vão trazer de volta o fato de que Lula ao visitar Israel (o primeiro presidente do Brasil que o fez), teria se recusado em visitar o túmulo de Hertzl (para muitos considerado o pai do sionismo). Não existiu recusa, na verdade a ida ao túmulo não faz parte do protocolo de chefes de estado em visitas a Israel. Nem Trump esteve lá em sua visita ao país
Também vão trazer novamente a tona uma Fake News de que ele mandou dinheiro para o Hamas. O dinheiro foi enviado para a ONU que o utilizou, juntamente com contribuições de outros países para administrar ajuda ao povo palestino de Gaza.
Enfim, a mesma tática de se esconder por trás de uma suposta adoração a Israel, de chamar todo antissionista, ou cidadão favorável a um Estado Palestino de antissemita, como desculpa para seu voto em um novo candidato da direita. No entanto a eleição é no Brasil e são as soluções para os problemas brasileiros que estão sendo discutidos. Manifestações relacionadas a Israel estão fora de propósito.
Independentemente do voto da extrema direita brasileira, Lula vai ser eleito presidente em 2022.
(Oy vey é uma expressão em ídiche que expressa consternação ou exasperação. Também escrito oy vay, oy veh ou oi vey, pode ser traduzida como “oh, ai!” ou “ai de mim!)
Semana passada escrevi sofre os massacres cometidos pelo recém criado Exército de Israel e milícias de extrema direita contra a população civil árabe durante a Guerra de Independência. Vamos agora ao outro lado da moeda.
No final de maio de 1948, a fazenda coletiva Yehiam estava sendo bombardeada. Um comboio de ajuda com ajuda médica tentou chegar ao local para socorrê-los. Próximos da vila Kabri foram atacados por milícias árabes. Dos 86 passageiros, apenas 39 sobreviveram. Muitos corpos não puderam ser identificados devido a mutilações dos corpos.
Naqueles dias Jerusalém Ocidental se encontrava sitiada. Um comboio deixou a cidade em 13 de abril de 1948 em direção ao Monte Scopus que abrigava o Hospital Hadassah e o campus da Universidade Hebraica. Era composto de ambulâncias, caminhões com mantimentos, veículos blindados e ônibus transportando médicos, enfermeiras, estudantes de medicina e acadêmicos. No caminho, próximo da vila de Sheikh Jarrah, o comboio passou por uma mina, teve de parar e foi atacado. Os ônibus transportando civis foram metralhados e incendiados deixando 80, dos 105 passageiros, mortos.
Um dia antes do fim do mandato, a fazenda coletiva Kfar Etzion caiu. Entre membros da fazenda e das milícias judaicas da Palmach e do Hish, 242 foram massacrados por combatentes palestinos depois que a batalha havia terminado. Somente quatro escaparam. Nesta mesma zona, outras três fazendas se renderam e seus membros se salvaram graças a intervenção da Legião Jordaniana que os transferiram para campos de prisioneiros na Jordânia. Todas as quatro fazendas foram totalmente destruídas.
São algumas das histórias de uma guerra cruel e sanguinária com atrocidades cometidas por todos os lados envolvidos. Muitas delas como vingança de parte a parte. Para se ter uma ideia, Israel tinha 600.000 habitantes judeus, 6.000 morreram nesta guerra.
Quando nos voltamos para aqueles dias é preciso colocar os fatos dentro do contexto no que se refere aos acontecimentos que são trazidos ao nosso conhecimento. Havia uma guerra por sobrevivência. Uma nação recém formada que graças a ajuda soviética com armas e munições através da então Tcheco-eslováquia, conseguiu vencer 6 exércitos que pretendiam sua aniquilação.
Convém lembrar que em nenhum momento, qualquer dos países árabes que participaram da guerra, pretenderam a criação de um Estado Palestino. Mesmo aqueles que ficaram com parte do território, a Jordânia com a Cisjordânia e o Egito com Gaza, aceitaram que ali fosse criado um Estado Palestino.
Campos de refugiados para a população árabe-palestina que deixaram o território espontaneamente, ou a força, surgiram nos países árabes circundantes. Nunca, em nenhum deles, até os dias de hoje, foi oferecida a cidadania a eles e seus descendentes.
Nada disso, no entanto, serve de consolo para ninguém. A questão palestina permanece viva e somente a criação do Estado Palestino pode reparar estes erros históricos. Não existe outra solução para o problema, mas como chegar a ele tem sido um caminho cheio de obstáculos.
Mesmo passando uma régua no passado, os dias presentes se mostram ainda recheados de ódio e sede de vingança. Neste ano 75 palestinos foram mortos pelas forças de Israel nos territórios ocupados. Uma série de atentados contra civis, cometidos até por menores de idade palestinos tem acontecido quase que semanalmente neste final de ano. É um círculo de violência difícil de ser quebrado.
Na minha opinião, sem uma intervenção internacional, a causa palestina é uma causa perdida. Sem entrar no mérito das consequências disto, eu vejo que a cada dia, menos importa as nações o futuro da população dos territórios ocupados e de Gaza. Nem mesmo os países árabes parecem mais querer se envolver. O planeta enfrenta desafios maiores e urgentes como o Clima e a Pandemia.
Esta semana o jornal Haaretz de Israel, publicou artigo sobre informações de assassinatos cometidos por soldados das forças armadas em 1948 durante a guerra de independência. Os relatos dão uma ideia das atrocidades e do acobertamento que se seguiu.
Até agora o que se sabia dizia respeito a alguns excessos de guerra. Aquilo que os militares costumam chamar de efeito colateral, mas não havia evidências oficiais suficientes que pudessem corroborar o que de fato havia acontecido. Tudo isso começa a ser esmiuçado e o que fica-se sabendo envergonha a todos nós.
Quero deixar claro que não existe guerra limpa. Em todas as guerras do mundo, civis são mortos, prisioneiros são assassinados, roubo, pilhagem e estupros são cometidos. Normalmente a parte vencedora tende a jogar para baixo do tapete os seus crimes de guerra e enaltecer os crimes cometidos pelo lado perdedor.
Os fatos falam por si só e documentos que só agora estão vindo a público descrevem aqueles dias em que Israel lutava contra 6 exércitos árabes para permanecer como nação. Não bastava declarar a Independência, era preciso resistir e sobreviver.
Tradução livre de trechos da matéria:
Em outubro de 1948, duas grandes operações foram lançadas, a Operação Yoav no sul e a Operação Hiram no norte. Em menos de três dias, o exército ocupou a região da Galiléia. Em um período de 30 horas, dezenas de aldeias árabes no norte foram ocupadas e dezenas de milhares de residentes fugiram de suas casas. Cerca de 120.000 árabes permaneceram da Galiléia, a grande maioria não participou dos combates.
Os relatos de soldados falam de assassinatos de homens, mulheres, idosos e crianças. Na maioria das vezes, eram colocados dentro de uma casa que depois era explodida. Os bens de algum valos eram espoliados.
Em um destes testemunhos, Shmuel Mykonis, membro do Conselho de Estado Provisório em nome do Partido Comunista, relata atos horríveis de terrorismo acontecidos. O relato de Mykonis contornou a censura em tempo real ao enviar uma pergunta ao primeiro-ministro, localizada nos arquivos do Knesset. Em seu apelo a Ben-Gurion, ele exigiu saber sobre atos cometidos, segundo ele, por membros do Irgun (uma milícia de extrema direita): “A. usou uma metralhadora para matar 35 árabes que se entregavam com uma bandeira branca em suas mãos. B. capturou moradores pacíficos – entre eles mulheres e crianças, ordenou-lhes que cavassem um buraco, depois utilizou longas baionetas francesas para os empurrar nele e atirou nos infelizes até que todos fossem mortos inclusive um com um bebê em seus braços C. Crianças árabes de 13 a 14 anos que brincavam com granadas foram todas baleadas.”
Um documento encontrado nos arquivos do Yad Yaari fala sobre um caso desconhecido ocorrido em al-Burj (agora Modi’in). Após a conquista da aldeia, alguns poucos idosos lá permaneceram. “Três deles, duas idosas e um idoso foram levados para uma casa. Seis granadas de mão foram atiradas para dentro da casa, e mataram o idoso e uma idosa. Eles mataram a terceira idosa com uma arma, depois incendiaram a casa e queimaram o corpos.”
Milhões de documentos dos primeiros anos do país estão armazenados em arquivos do governo e o público não tem acesso a eles. Soma-se a isso a censura em vigor em Israel: nos últimos anos, o Malamav (Comissário de Defesa) tem examinado arquivos em todo o país e ocultado evidências de crimes de guerra, conforme revelado anteriormente na investigação do Haaretz .
A base foi lançada na década de 1980 pelo historiador Benny Morris, que conduziu um estudo pioneiro abrangente nos arquivos. Posteriormente, outros estudos se juntaram, incluindo o trabalho do historiador Adel Manaa, que se especializou em documentação oral e pesquisou o passado dos árabes de Haifa e da Galiléia. Manaa descreveu, entre outras coisas, os esquadrões de execução que massacraram nove residentes de Majd al-Krum durante a Operação Hiram. Publicações adicionais ao longo dos anos gradualmente preenchem o quebra-cabeça que faltava.
Morris contou anteriormente 24 massacres durante a guerra. Hoje já se pode dizer que o número é maior, podendo chegar a várias dezenas de casos. Em alguns deles uns poucos mortos, em outros algumas dezenas, e também há casos em que o número de vítimas ultrapassou cem. Além do massacre em Deir Yassin, que ocorreu em abril de 1948 e causou comoção ao longo dos anos, parece que este triste pedaço da história foi suprimido e afastado do discurso público em Israel.
Entre os massacres proeminentes durante os dias da Operação Yoav e da Operação Hiram estão os eventos nas aldeias de Tslha, Tzafatzaf e Davima. No vilarejo de Tzalha, localizado próximo à fronteira com o Líbano (hoje Kibutz Yaron), a 7ª Brigada executou entre 60 e 80 moradores em uma prática que foi usada várias vezes durante a guerra: concentrar moradores em um prédio do vilarejo e explodi-lo enquanto as pessoas estão dentro.
Na aldeia de Tzafatzaf perto de Safed (hoje Moshav Safsufa), soldados da 7ª Brigada massacraram dezenas de residentes. De acordo com um depoimento, que os homens do MALMB ordenaram que ocultassem ilegalmente, eles “prenderam 52 homens, amarraram-nos uns aos outros, cavaram um fosso e atiraram neles. Mais 10 form mortos. As mulheres vieram, implorando por misericórdia. Foram encontrados 6 cadáveres antigos. Havia 61 cadáveres. Três casos de estupro ”.
Na aldeia de Davima, na região de Lachish (hoje Moshav Amatzia), soldados da 8ª Brigada massacraram cerca de 100 pessoas. Um soldado que testemunhou os acontecimentos os descreveu a um homem do Mapam: “Não houve batalha nem resistência. Os primeiros ocupantes mataram cerca de 80 a 100 árabes, mulheres e crianças. Eles mataram as crianças enquanto esmagavam seus crânios com varas. Não havia casa sem os mortos. “De acordo com um oficial de inteligência estacionado na aldeia dois dias depois, o número de mortos chegou a 120.”
No que foi publicado na revista “Ner” imediatamente após a guerra por um soldado anônimo, foi dito que o fenômeno de matar pessoas inocentes se espalhou no exército. O escritor contou como um membro da unidade assassinou uma mulher árabe que ficou para trás durante a ocupação da aldeia de Lubia, que se localizava na baixa Galiléia: “Isso virou uma espécie de moda.” E quando reclamei com o comandante do batalhão sobre o que estava acontecendo e pedi que parasse com essa violência, que não tem justificativa militar, ele deu de ombros e disse: “não há ordem de cima para impedir isso”. E desde então o batalhão está em declínio. “Suas conquistas militares continuaram, mas as atrocidades abundaram.”
Em novembro-dezembro de 1948, quando a pressão da guerra cedeu, o governo aproveitou a oportunidade para discutir os relatos dos massacres, que chegaram aos ministros de várias formas. O exame das transcrições das discussões não deixa margem para dúvidas: a elite política soube em tempo real das atrocidades que muitas vezes acompanharam a ocupação das aldeias árabes.
Embora as atas das reuniões tenham sido abertas para revisão já em 1995, as seções dedicadas ao “comportamento militar na Galiléia e no Negev” – como foram chamadas na agenda do governo – permaneceram censuradas até hoje. A publicação agora é possível após solicitações do Traces Institute for State Archives para divulgar totalmente as discussões do governo de 1949-1948. Mas embora grandes seções tenham sido liberadas para publicação, outras seções permaneceram censuradas. É claro que as referências diretas a crimes de guerra ainda estão entre as seções censuradas. Mas a discussão entre os ministros sobre a investigação ou não dos crimes, que estão ocultos há 73 anos, agora está à disposição de investigadores, jornalistas e cidadãos curiosos.
As conclusões dos comitês criados após a guerra para investigar os excessos e suas recomendações não foram implementadas. Poucos foram julgados e condenados. Mesmo estes poucos que não gostaram do silêncio e do acobertamento e foram condenados por crimes de guerra, finalmente receberam a isenção da punição. Em fevereiro de 1949, um perdão retroativo geral foi concedido para crimes cometidos durante a campanha. Aqui é importante notar que os massacres ocorreram nos dias em que o Judiciário das FDI foi formado.Talvez por isso uma cultura organizacional foi assimilada no exército que facilita a matança de palestinos em condições operacionais.
Uma publicação como esta deveria trazer comoção em qualquer país moderno e democrático dos nossos dias. Não é o que acontece em Israel. Fora o Haaretz, nenhuma outra mídia deu voz as novas descobertas. Existem muitas razões para isso, mas entre elas os mais recentes ataques contra civis judeus. Foram cinco nas últimas duas semanas, dois deles perpetrados por menores de idade.
No último, uma menina palestina de apenas 14 anos, esfaqueou com uma faca de cozinha uma vizinha judia de seu bairro. O ataque aconteceu na rua a luz do dia quando ela empurrava o carrinho de bebê junto com seus dois filhos pequenos.
Os exércitos árabes também cometeram atrocidades durante a guerra, mas este é um tema para outro artigo no futuro.
A notícia de que Bolsonaro afirmou em uma Live que pessoas no Reino Unido estavam contraindo AIDS depois de receberem duas doses da vacina contra covid-19. “Recomendo que leiam a matéria. “Não vou ler aqui porque posso ter problemas com a minha live”, disse o presidente, foi manchete hoje no site de um dos maiores jornais aqui de Israel, o Maariv.
A notícia fala da recomendação da CPI e agora da determinação do STF em investigar o presidente em vista de tal descalabro. O jornal ainda menciona que Bolsonaro foi o único líder do G-20 a comparecer ao encontro sem estar vacinado. Só faltou dizer que Bolsonaro está sendo chamado de “Noivinha do Aristides”.
Tudo o que já se disse sobre Bolsonaro ainda não explica como ele recebeu 57 milhões de votos. Será que temos esta quantidade de imbecis na população? Podemos crer que toda esta gente acredita nestas baboseiras e por isso o elegeram? Temos mesmo este déficit de inteligência e bom sendo em tanta gente? Sim e não.
Sim, não foi por falta de aviso. Eu e milhares de outros brasileiros esbravejamos nas redes sociais quem era a figura. Fiz um vídeo sobre a civilização e a barbárie que viralizou. Escrevi artigos e postei vários vídeos desenhando quem era Bolsonaro. Outros tantos fizeram a mesma coisa e até mais do que eu. Tudo que ele representava e tudo o que ele faria está lá publicado. Quem votou nele sabia em quem estava depositando seu voto.
Não, nem todo mundo que votou no inepto acreditava no que ele seria capaz. Se o sujeito foi um deputado medíocre, na presidência seria do mesmo naipe e pelo menos a esquerda não voltaria a governar o país. Melhor uma besta de direita do que um professor de esquerda, pensaram muitos deles. E assim foi.
Muito bem, posso aceitar que muita gente se enganou. Não leu tudo o que foi exposto aos quatro ventos. Pensou que não era sério tudo o que estavam apregoando sobre o homem. Confiavam que no poder ele seria comedido nas ações e nas palavras. Fizeram coro com as Fake News e assim chegamos ao que temos hoje como presidente.
Da Internet trago a seguinte adaptação de uma fábula.
Não Discuta com um Burro O burro disse ao tigre:
– ′′A grama é azul.”.
O tigre respondeu:
– ′′Não, a grama é verde.”.
A discussão aqueceu, então, ambos decidiram buscar um parecer do leão que era o juiz da floresta.
Antes mesmo de chegar aonde o leão estava, o burro começou a gritar de tal modo, que despertou o interesse do gado que insatisfeito comia a grama verde, enquanto assistia aquela cena patética:
– ′′Sua excelência, não é verdade que a grama é azul?!”.
O leão respondeu:
– ′′Certamente, a grama é azul.”.
O burro se apressou e continuou tentando argumentar, porque afinal de contas era burro e seu vocabulário tinha poucas palavras:
– ′′O tigre discorda de mim, me contradiz e me incomoda. Quero que ele se cale e seja castigado!”.
O leão declarou:
– ′′O tigre será punido com 5 anos de silêncio.”.
O burro deu um salto e saiu dali seguido pelo gado eufórico que gritava:
– ′′A grama é azul, a grama é azul!”.
O tigre aceitou a sua punição, mas perguntou ao leão:
– ′′Excelência, por que fui castigado se a grama é verde?”.
O leão respondeu:
– ′′De fato, a grama é verde “.
O tigre insistiu, respeitosamente:
– ′′Então, por que fui punido?”.
O leão respondeu:
– ′′Isso não tem a ver com a grama ser azul ou verde. O castigo aconteceu, porque não é possível que uma criatura inteligente como você, perca tempo discutindo com um burro e, ainda por cima, venha me incomodar com essa pergunta insana.”.
Moral dessa narrativa:
Jamais perca tempo em discussões que não fazem sentido. A pior perda de tempo é discutir com um tolo que não se importa com a verdade, mas apenas com a vitória de suas crenças e ilusões acima de tudo.
Há pessoas que não têm capacidade para compreender, mesmo que muitas evidências e provas lhes sejam apresentadas. Por estarem cegas pelo ego, ódio, vaidade etc., a única coisa que desejam é ter razão acima de todos, mesmo que não a tenham.
Quando a ignorância grita, a inteligência cala. Acredite, a sua paz e tranquilidade valem muito mais.”
Um dos sinais de inteligência, como disse o Leão na Fábula, é não discutir com um burro. Nada o fará mudar de ideia. Não existem argumentos, bom senso e apelos científicos que demovam um burro de acreditar no que quiser. Portanto, esperar de Bolsonaro uma luz a razão, um lampejo de raciocínio, um cintilar de humildade e reconhecimento de algum erro, é crer no impossível, ou seja, é discutir com um burro.
Bolsonaro é o Papai Noel de uma imensa parcela de brasileiros. Eles acreditam que ele seja bondoso, que vai trazer presentes e fazer a vida parecer melhor. Seus filhos são as renas que puxam sua carruagem e ajudam o bom presidente a chegar em todas as casas de seus apoiadores.
Assim como não se pode tapar o sol com uma peneira, a realidade não pode ser escondida de todos. Os fatos falam por si e a popularidade de Bolsonaro é a pior de um presidente em toda história da República. Seus apoiadores já são cerca de 30%, aqueles que rezam sua cartilha e são fascistas de carteirinha. Gente que acha que a TFP – Tradição Família e Propriedade é uma instituição comunista, como comunista são tudo e todos que atacam o presidente.
Na verdade nem é preciso acrescentar mais nada ao que já se sabe de Bolsonaro. Basta deixar o cara falar e ele vai se enforcando sozinho. Raros líderes mundiais lhe cumprimentam. Um pária com quem somente os garçons de eventos internacionais conversam por força da profissão.
Por outro lado, superando todas as adversidades, todas as mentiras, perdas familiares e injustiças, um ex-presidente ressurge para liderar o Brasil. O único nome capaz de trazer o Brasil de volta para o seio das nações respeitadas. Aquele que ainda nem foi eleito, mais já é recebido como chefe de Estado.
O burro, digo, Bolsonaro bem que tentou, mas não conseguiu matar a esperança. Lula vem aí!
No inicio desta semana, dois homens que não se conheciam, foram protagonistas de um evento em Jerusalém. Um jovem judeu israelense imigrado da África do Sul chamado Elyahu David Kaie, conhecido pelos amigos como Ely K, e Fadi Abu Shkhaydam, um palestino, pai de 3 filhos.
Eliyahu David Kay chegou em Israel sozinho em 2016 para estudar na escola religiosa do Chabad-Lubavitch em Kiryat Gat. Depois de completar seus estudos, ele serviu como pára-quedista no exército de Israel onde se tornou sargento. Trabalhou a seguir em um kibutz (fazenda coletiva) perto da fronteira de Gaza e, em seguida, como um guia turístico para a Western Wall Heritage Foundation. Sua família recentemente se juntou a ele em Israel.
Fadi Abu Shkhaydam, um professor de 42 anos do campo de refugiados de Shuafat em Jerusalém, pai de família era conhecido pela polícia como membro do braço político do Hamas, mas não era considerado uma ameaça terrorista. Ele ia todos os dias orar no Monte do Templo.
No domingo último, cerca de 9:00h da manhã os dois se cruzaram. Ely se encaminhava para mais um dia de trabalho como guia no Muro das Lamentações. Fadi recém havia concluído suas preces no Monte do Templo. Armado com uma metralhadora, abriu fogo matando Ely instantaneamente e ferindo outras 4 pessoas antes de ser morto pelas forças de segurança.
Descrito por seus amigos como um “estudioso islâmico”, Fadi era um pregador conhecido nas mesquitas de Jerusalém Oriental, incluindo a mesquita de Al-Aqsa onde costumava fazer sermões.
Um amigo de Ely o elogiou no funeral, dizendo: “Lutei com Ely pela minha vida, pela minha saúde mental e física. Ele era um cara que não dizia “não” a nada. Ele se curou de feridas milagrosamente, e acima de tudo, ele amava as pessoas.”
Segundo a imprensa palestina, Fadi supostamente teria deixado uma mensagem a sua família onde teria escrito “Desde a primeira vez que caminhei e bebi do Alcorão … sonhei em encontrar Deus como um mártir”.
Duas vidas perdidas que mostram o que movem dois lados quando se trata de uma causa. Ely deixou sua família para vir para Israel. Foi um judeu ortodoxo que abandonou a ortodoxia religiosa para se dedicar a vida como um cidadão comum de Israel. Ele estava com casamento marcado para daqui a seis meses.
Fadi era um excelente professor,segundo seus alunos. Muito religioso dizia que “Devemos dirigir o navio com nosso sangue e servir com o exemplo prático do caminho da jihad.” Com sua atitude deixou uma viúva e três filhos sem o pai.
O efeito prático do que aconteceu é nenhum. Famílias enlutadas, tristeza e consternação são o único resultado do evento. Nenhum benefício a nenhuma causa, apenas lamentos dos amigos e familiares com a perda. Logo será um caso esquecido.
A família de Fadi será aquela que mais vai sofrer. Pela lei de Israel, terá sua casa destruída. Sem o marido, sua esposa terá muita dificuldade em sustentar a família que vai passar a depender de ajuda para sobreviverem.
A vida vai seguir sem a presença destes dois homens que se cruzaram em uma ruela de Jerusalém num domingo pela manhã. Naquele momento venceu o ódio, prevaleceu a barbárie. Sem chance de defesa morreu Ely, e sem razão morreu Fadi.
A lição que fica é de que ainda somos incapazes de apontar uma solução que leve a criação do Estado Palestino. Uma solução aceita pelos dois lados que permita a reconciliação entre os dois povos e a construção de um futuro melhor para todos, sem ódio, sem guerras, com paz e justiça.
Enquanto nossos governantes não encontrarem o caminho, vamos continuar assistindo a perda de vidas em vão, seres humanos iguais com tanto para contribuir para a sociedade tendo seu futuro ceifado. Hoje Fadi matou Ely, amanhã será um Ely a matar um Fadi.
Precisamos romper este ciclo de violência. O extremismo só trouxe dor e sofrimento para milhares de famílias. Basta!
Algumas coisas interessantes aconteceram aqui em Israel nestas últimas semanas e valem ser relatadas.
A NSO, a companhia que desenvolveu o programa spiware Pegasus, sofreu um baque quando o governo americano decidiu que ela é um perigo para a segurança nacional. Finalmente!
O Pegasus uma vez instalado em um celular, transmite tudo o que é feito nele, além de manter a câmera e o microfone disponíveis. É como ter um celular clonado, só que o cara que clonou, na verdade espelhou o seu celular e pode acessar e fazer o quiser sem que você fique sabendo.
O spyware é uma arma magnífica no combate ao crime, não há dúvidas quanto a isso. O problema é que a definição do que é crime, muda de país para país. Nas ditaduras, por exemplo, é crime falar contra ela e aí está o xis da questão. Inúmeros países pouco democráticos, por assim dizer, adquiriram o spyware para monitorar, prender e até matar seus oponentes.
A empresa se coloca como os fabricantes de armas, e repete o mesmo que elas. Não tem culpa se a utilização é para o mal. De fato, quem vende esta tecnologia para uma Arábia Saudita, Azerbaijão, Cazaquistão, Bahrein, Hungria, Marrocos e Ruanda imaginando que o uso será restrito no combate ao tráfico de drogas e a criminalidade, precisa rever seus conceitos urgentemente. Sua atuação agora fica muito prejudicada.
O fato seguinte que merece ser relatado é que o governo da mudança, uma Frente Ampla de partidos de esquerda, centro e direita, continua firme e forte depois da aprovação do orçamento pela Knesset, como é chamado o parlamento. Com uma coalizão de 61 membros, apenas um a mais do que o necessário, tudo fica difícil.
O que mais chama atenção nesta coalizão é a presença do Partido Árabe Raam. Este é um partido religioso que diferentemente dos partidos religiosos judaicos, não se colocam a direita. Eles estão integrados ao governo e dele participam ativamente sempre com olhos em benefícios para o setor árabe da população.
A oposição é formada pelo Likud, partidos religiosos, extremistas de direita e a Lista Unida, a Frente Ampla de partidos árabes. Juntos, votam contra tudo que o governo propõe, não importa a natureza da proposta. Lembram daquela expressão “Hay gobierno, estoy en contra” (existe governo, sou contra). São eles.
Neste caso, eles acusam o atual governo de ser submisso ao Raam que de fato seria quem governa o país, ou seja, estamos sendo governados pelos árabes. O interessante é que por de trás deste ranço racista existe o fato de o Likud ter oferecido mundos e fundos para o Raam formar governo com eles depois das eleições. Não aceitaram. E claro, nada dizem sobre estar votando juntos com a Lista Unida, o partido árabe que mais criticavam quando foram governo.
Um exemplo do que acontece com uma oposição que ainda não entendeu que perderam as eleições e perdeu o senso do ridículo, é o último fato que desejo relatar, o aprisionamento de um casal de turistas israelenses na Turquia e sua libertação.
O casal Oknim, ambos motoristas de ônibus foram para a Turquia passar férias. Milhares de israelense fazem isto atraídos pela cultura, natureza, comida, preços baixos etc., fazendo da Turquia o lugar preferido para curtirem suas férias.
Um dos locais de visita é a Torre de TV que permite uma visão da casa de Erdogan, o presidente do país. Como todos que sobem na torre, eles fotografaram tudo, inclusive a tal casa e postaram nas redes sociais. Nada de mais, mas não foi o que achou um funcionário do serviço secreto que estava por perto. Avisou seus superiores e o casal recebeu voz de prisão por espionagem, crime que poderia, se condenados, receber uma pena de muitos anos de prisão.
Foi uma comoção em Israel. Não preciso nem falar do desespero da família. O governo se manteve discreto e trabalhou por vias diplomáticas até conseguir a libertação do casal que imediatamente embarcou de volta para casa. Tudo isto levou cerca de 10 dias. Neste período o ministro do interior turco dizia se tratar de um caso de espionagem militar e a justiça turca havia prorrogado a prisão do casal por 20 dias até que fossem apresentadas as acusações contra eles. A situação surreal estava se transformando em um caso sério, mas que teve um final feliz.
Com o casal de volta, o presidente de Israel e o Primeiro Ministro, telefonaram para Erdogan para agradecer sua intervenção no caso. Ressalto aqui, que nossas relações diplomáticas com a Turquia não são das melhores e este fato, talvez, traga um novo alento e permita uma reação que possa beneficiar as negociações de um futuro Estado Palestino, quando acontecerem.
Relatei tudo isso para chegar na reação do Likud da oposição: eles criticaram o governo por ter agradecido Erdogan, aquele que havia de fato sido o “sequestrador” do casal. Temos aqui partidos que se beneficiaram de 20 anos de governos com Netanyahu e que agora se encontram totalmente perdidos fazendo uma oposição ridícula com atitudes vergonhosas.
Por fim o inusitado. A mídia mostrou que a esposa durante as últimas eleições apoiou abertamente o Likud. Mais do que isto, fez postagens chamando o atual primeiro ministro de traidor e usurpador dos votos da direita dados a ele para que formasse um governo de direita. Questionada, se desculpou e se disse agora uma apoiadora incondicional do atual governo. O que não faz uma viagem de férias na Turquia e as voltas que o munda dá.