Nasce um Estado Judeu e um conflito de dor e sofrimento

Para que se possa compreender a luz da realidade atual o projeto de dois estados para a solução do conflito israelense-palestino, é preciso se voltar para o passado a luz da realidade dos acontecimentos que levaram a ONU a autorizar a partilha da palestina.

Qualquer tentativa de relacionar os acontecimentos do final do século XIX,  inicio do século XX sem se colocar no tempo e no espaço da época, é uma tentativa de falsear a história para proveito próprio.

Antes de tudo é preciso esclarecer o surgimento de dois movimentos nacionalistas, o judaico através do sionismo e o palestino, através também do sionismo.
O movimento sionista surge oficialmente com seu primeiro congresso em 1897 na Basiléia, mas já em 1882 judeus russos, diante da onda de pogroms iniciados um ano antes, lançavam um manifesto conclamando os judeus do mundo a regressarem a Israel, conhecido como “Manifesto Bilu”. Foram eles que deram inicio ao retorno a terra prometida criando a cooperativa de Rishon le Tsion neste mesmo ano.
No ano de 1896, Theodor Hertzl escrevia seu livro o “Estado Judeu” depois de ser influenciado por inúmeros casos de antissemitismo, entre eles o Caso Dreyfus na França. O que era até então um nacionalismo embrionário, tomava agora forma e força.
Até este momento, por maiores que sejam as tentativas de se encontrar um nacionalismo palestino para a criação de uma nação, ele não existia. O mais próximo disso era o pan-arabismo, e vínculos com um islã ligado ao Egito, ou a Síria dependendo da corrente muçulmana que pertenciam. Nunca, até este momento existiu qualquer organização que tivesse algo próximo de uma atividade nacionalista visando a formação de uma nação palestina.
A bem da verdade, a diáspora judaica sempre foi organizada. Inúmeras entidades de cunho religioso, assistencial e recreativo sempre existiram. Os judeus em todos os países onde vivem estão organizados, ao contrário dos palestinos que não viveram uma diáspora até 1948 e mesmo nos dias de hoje, não possuem o grau de organização e identidade que os judeus.
A partir do segundo congresso sionista em 1896 surge o sionismo socialista,  inicialmente oriundo da Rússia e minoritário, mas que viria a se tornar majoritário a partir do 16º  congresso.
A região da Palestina estava sob o controle árabe muçulmano desde 638 D E.C. Em 1517 foi incorporada pelo Império Turco-Otomano até o inicio do século XX. Os judeus sempre foram uma minoria, mas presentes durante todo este período.
Sempre houveram escolas religiosas (Yeshivot) financiadas por organizações filantrópicas, mas no final do século XIX, algumas destas organizações passaram a investir na fundação de cidades e fazendas coletivas dentro do espírito socialista secular. Em 1870 foi fundada a Mickveh Israel, logo a seguir Petach Tikva em 1878, Rishon Letsion em 1882. Ao mesmo tempo surgiam as comunidades agrícolas fundadas por membros do Bilu e do Hovevei Tsion.
Com esta nova leva de imigrantes a demografia na Palestina sofre uma grande mudança. Estas imigrações provenientes principalmente da Rússia e do Iêmen, geram novas cidades e comunidades agrícolas. Elas foram a ponta de lança das imigrações seguintes sob o estímulo da Organização Sionista. Com isto em 1909, os judeus já representavam cerca de 10% da população, quando é fundada a cidade de Tel Aviv, a primeira cidade judaica surgida desde a antiguidade.
No inicio, os locais escolhidos para o estabelecimento dos recém chegados, eram zonas desabitadas compradas com recursos de doações, ou por grandes filantropos judeus, como o Barão Edmond Rothschild que adquiriu para este fim, 125 mil acres de terras.
Um dois pais do Sionismo Socialista, Dov Ber Borochov, nascido na Ucrânia em 1881 e falecido em 1917, fez parte do Partido Trabalhista Russo Social-Democrata de onde foi expulso depois de formar o Sindicato dos Trabalhadores de cunho Sionista Socialista em Ekaterinoslav. A seguir ajudou a formar o partido Poalei Tsion.
Autodidata, pois não era permitido aos judeus estudarem nas Universidades, ele logo se tornaria muito influente no movimento sionista onde explicava o nacionalismo em geral, e o judaico em particular em termos marxistas de luta de classes e através do materialismo dialético. Sua previsão de que as forças nacionalistas seriam mais importantes que as forças econômicas foi correta especialmente no que dizia respeito aos judeus.
Segundo Borochov os judeus ocidentais se assemelhavam dentro da divisão de classes como uma pirâmide invertida e dizia que devido ao fato deles serem forçados a mudar constantemente de país, abandonando suas profissões,  que finalmente acabariam por imigrar para a Palestina onde formariam uma classe proletária. Ele se opunha terminantemente a ideia de uma Lar Nacional Judaico em qualquer outro lugar que não fosse a Palestina.
Dentro da ideologia de Borochov as classes trabalhadoras, árabes e judaicas tinham um interesse proletário comum e acabariam por participar juntos na luta de classes marxista quando os judeus tivessem retornado a Palestina. Em um de seus últimos discursos antes de sua morte disse:
Muitos apontam, os obstáculos que encontraremos no nosso trabalho para a colonização. Alguns dizem que a lei turca dificulta o nosso trabalho, outros afirmam que a Palestina é insignificantemente pequena, e outros ainda nos cobram pelo crime odioso de que desejamos oprimir e expulsar os árabes da Palestina…
Quando as terras baldias forem preparadas para a colonização da Palestina uma técnica moderna for introduzida, e os obstáculos forem removidos, haverá terra suficiente para acomodar tanto judeus como árabes. As relações entre judeus e árabes irá prevalecer”.
Contemporâneo de Borochov, foi Nachman Syrkin (1868-1924) quem levou a ideia da criação de Kibutz (fazendas coletivas) a Palestina. Não era marxista, mas foi o responsável por sintetizar o movimento Hovevei Tsion com o socialismo contando com a ajuda de Borochov.
Ao contrário de outros pensadores sionistas seus contemporâneos, Syrkin não tinha problemas com sua herança judaica, e mesmo sem dizer isso explicitamente em seu ensaio “O Problema Judaico e o Estado Socialista Judeu” (1898), fica claro que ele tinha em mente a ênfase bíblica sobre estrita justiça social, independentemente de riqueza, poder ou privilégio. Para ele o sionismo iria substituir o judaísmo tradicional:
“O novo Sionismo Judaico está em contraponto ao judaísmo do exílio…o sionismo se sobrepõe a religião de uma forma mais forte do que a Reforma ou a assimilação através de novos padrões de judaísmo que constituirão uma nova ideologia que pode ser elevada ao status de uma religião”.
O Poalei Tsion foi a base dos partidos de esquerda de Israel, dividido em vária tendências, cada uma formando um novo partido, Mapam, Mapai etc.
O aumento do antissemitismo na Rússia só fazia aumentar o número de imigrantes. Quando em 1903 o Pogrom de Kishinev vitimou dezenas de judeus, mostrou aos sobreviventes que era necessário buscar um lar nacional judaico.
Com o fim da primeira guerra mundial a Palestina ficou sob domínio britânico. Foi o fim do Império Otomano. O Oriente Médio é redesenhado. Além da Palestina, os britânicos dominaram o Egito, o Sudão, a Jordânia, o Iraque e o sul do Iêmen. Já a França ficou com a Síria e o Líbano. E assim foi até o final da segunda guerra mundial.
Em 1917, o então secretário britânico para assuntos estrangeiros, Arthur Balfour escreve uma carta para o Barão Rothschild, líder da comunidade judaica do Reino Unido para ser transmitida a Federação Sionista da Grã-Bretanha. Nela ele escreve que o governo de sua majestade aprova a criação de um lar nacional judaico na Palestina. Na carta também está expressa o desejo de que sejam respeitados os direitos civis e religiosos dos povos não judeus que lá vivem. O que parecia o prenuncio da realização de um sonho para os judeus ainda levaria muito tempo para se tornar realidade.
Durante a década de 30, principalmente com o ressurgimento da Alemanha e ascensão de Hitler, milhares de judeus tentaram sair da Europa. A maior parte emigrou para as Américas, outra para a Palestina até que o mundo fechou os portos.
O fechamento dos portos pode ser contado pelo que aconteceu com o navio St. Louis. Saindo da Alemanha em 1939 em direção aos EUA foi impedido de aportar. Percorreu diversos países e todos recusaram sua entrada. Não tendo outra saída retornou a Alemanha. Hoje se sabe que cerca de 30% dos passageiros morreram no Holocausto. A bem da verdade, Inglaterra, França, Bélgica e Holanda aceitaram o desembarque de alguns passageiros.
Um acordo feito em 1933, que durou até 1938, entre a Federação Sionista da Alemanha e o governo Nazista permitiu que 60.000 judeus fossem para a Palestina. Este acordo é mostrado por alguns segmentos da esquerda como um acordo entre os sionistas e os nazistas como forma de demonstrar que o Estado de Israel foi formado por judeus que apoiavam o nazismo. Havia se passado quatro anos desde a maior crise econômica vivida pela Alemanha (um dos fatores que ajudou na ascensão do Nazismo ao poder) e a Noite dos Cristais acontece em 1938, ano do rompimento do acordo. A conferência de Wanasse em janeiro de 1942 foi quem ordenou a Solução Final, ou seja, ninguém em sã consciência poderia imaginar que um regime determinaria a aniquilação física de todo um povo. O uso deste acordo como prova da relação sionista / nazista que levaria a criação do Estado de Israel não corresponde aos fatos e se trata de uma leviandade.
Para impedir que os judeus fossem para a Palestina o parlamento Britânico criou em 1939 o “Papel Branco” que restringia a  possibilidade de entrada na Palestina. Apenas 1.500 pessoas por ano eram aceitas legalmente. Por causa disso que 17.000 judeus foram parar em Xangai, que na época estava sob domínio Japonês.
Durante a segunda guerra e mesmo com o fim dela, apesar das restrições, diversos navios se lançaram ao mar em direção a Palestina no que ficou conhecido como “Aliát Bet”. Nem todos chegaram. Muitos foram levados para Chipre. Um dos casos mais conhecidos é o navio Exodus. Em 1947, a Haganá tentou receber 4.554 sobreviventes do Holocausto. O navio chegou rebocado bastante avariado devido a um ataque de navios ingleses em águas internacionais para Haifa, mas seus ocupantes não foram autorizado a permanecer na Palestina, muitos foram levados de volta para a Alemanha.
Voltando um pouco no tempo é preciso recordar dos distúrbio de 1920 e 1921 quando grupos árabes atacaram a população judaica na Palestina. Isto deu origem a Haganá, um grupo que seria o embrião do IDF para proteger as comunidades judaicas. Dali, em 1931 dissidentes que não concordavam em apenas proteger as comunidades sem revidar, criaram o Irgun, grupo ligado a Menachem Begin que viria a se tronar primeiro ministro e assinar o primeiro tratado de paz de Israel com um país árabe, o Egito em 1979.
Entre 1936 e 1939 quando ocorreu a revolta árabe, a Haganá serviu aos interesses britânicos com quem coordenaram ações e de quem chegaram a receber treinamento militar. Com a segunda guerra mundial tudo iria mudar.
A revolta árabe foi uma iniciativa nacionalista e se deu principalmente contra o domínio colonial britânico e a imigração judaica. Primeiro contra a Alta comissão Árabe que foi sepultada através de concessões políticas contando com a ajuda dos governantes do Iraque, Arábia Saudita, Transjordânia e Iêmen, além da ameaça da lei marcial. A segunda fase, no final de 1937 liderada por camponeses se voltou contra as forças britânicas e foi sufocada pelo Exército Britânico e a Polícia Palestina.
A Alta Comissão Árabe, criada em 1936, reunia os diversos clãs árabes palestinos e tinha como seu líder o Mufti Amin al-Husayni. Foi ela que convocou neste ano uma greve geral dos trabalhadores e empresas árabes contra o pagamento de tributos e contra a imigração judaica. Com isto, em 1937 teve proibida sua ação.
Em setembro de 1948, a Comissão reunida em Gaza , proclamou o Governo Árabe de toda a Palestina, o que pode ser considerado a primeira tentativa de criação de um Estado Palestino independente. Foi criada uma Assembleia Constituinte que elegeu como presidente o Mufti Amin al-Husayni. A assembleia passou a se chamar Conselho Nacional Palestino e votou uma constituição provisória.
As operações contra os britânicos e contra a população árabe for realizada pelo Irgun e pelo Lechi, ambos obedientes a Menachem Begin, até 1945 quando concordaram em se submeter a um comando único com a Haganá e evitar uma guerra civil.
A segunda guerra chegava ao fim e o Julgamento de Nuremberg expunha ao mundo as atrocidades do regime nazista e o alcance do Holocausto com seis milhões de judeus assassinados.
No inicio da segunda guerra a Inglaterra pediu a cooperação da Haganá, mas em 1942 com Rommel perdendo a batalha na África voltou atrás. Ainda assim em 1943 foi criada a Brigada Judaica e pela primeira vez na história moderna, judeus lutariam sob a bandeira judaica. Entre os judeus que se alistaram no exército britânico, e os membros da Brigada Judaica, foram mais de 30.000 combatentes.
Na Europa o Plano Marshall de 1947 propunha reerguer o continente dos escombros. Era o momento do movimento sionista cobrar a carta de Balfour e a participação judaica ao lado da Inglaterra no combate ao nazismo.
Assim, sob o estarrecimento do Holocausto e da situação de milhares de judeus sobreviventes, a ONU através da resolução 181, faz a partilha da Palestina criando dois Estados, um Judeu, outro Palestino, ficando Jerusalém sob controle internacional.
A divisão de 53% do território para os 700 mil judeus que lá viviam e 47% para os 1.400.00 árabes aconteceu por duas razões: a primeira de que 65% das terras já haviam sido adquiridas pelos judeus do Império Turco-Otomano. A segunda porque o Estado Judeu não se destinava somente aos judeus que lá se encontravam, mas visava atender a perspectiva de uma onda massiva de imigração de refugiados para a segurança de um lar nacional judaico.
Portanto é preciso destacar que a resolução 181 criou um Estado Judeu para judeus e um Estado Palestino para os palestinos prevendo inclusive o deslocamento de populações de uma área para outra, acordos econômicos, compartilhamento de moeda etc.
A partilha foi prontamente aceita pela Agência Judaica, mas rechaçada pelo Conselho Nacional Palestino e diversos países árabes. Enquanto nascia o Estado de Israel, o Conselho Nacional Palestino, o Egito, Síria, Iraque, Jordânia, Líbano e Arábia Saudita sepultavam o Estado Palestino declarando guerra e invadindo o território. A guerra foi vencida por Israel, os judeus viram chegar ao fim a sua diáspora, os palestinos começavam a sua. Para o povo judeu um Lar Nacional, para o povo palestino a Nakba – Catástrofe.
Ao final da guerra de independência, cerca de 600 mil palestinos tinham se tornado refugiados nos países árabes vizinhos e aproximadamente o mesmo número de judeus imigrantes chegou a Israel. Do território originalmente destinado ao Estado Palestino, nada restou. Parte dele, Gaza ficou sob dominação egípcia e a Cisjordânia sob o domínio Jordaniano. No território restante, o Estado de Israel. Nenhum destes países jamais teve qualquer iniciativa para entregar estes territórios aos palestinos enquanto dominaram estas terras.
Em 1950, dois anos depois da declaração da independência, a Knesset (Parlamento Israelense) promulgava a Lei do Retorno. Na declaração de independência está escrito que “o Estado de Israel permanecerá aberto para a imigração judaica e para o regresso dos exilados”. Desta maneira, o princípio da Lei do Retorno, estabelecia o direito de qualquer judeu de “retornar” para Israel. A lei dá a qualquer judeu “no exílio” o direito de voltar para sua histórica terra natal e de receber prontamente a sua cidadania. Ela não discrimina cidadãos não judeus em Israel, que têm seus direitos assegurados como tais, mas se aplica apenas aos judeus que têm outra nacionalidade, mas que desejam se naturalizar israelenses, tornando essa naturalização legalmente aceita a priori. A lei não impede que pessoas de origem não judaica também se naturalizem, essa possibilidade é prevista em outras leis.
Apesar dos acordos de armistício assinados, o confronto entre a nova nação e o mundo árabe estava estabelecido e várias guerras iriam se seguir: 1956, 1967 e 1983.
Em 1964 é criada a OLP – Organização para Libertação da Palestina durante o 1º. Congresso Nacional Palestino ocorrido em Jerusalém. O objetivo de acordo com a Carta Nacional Palestina era a destruição do Estado de Israel e sua substituição por um Estado Palestino, os meios eram a via armada. Aglutinando diversas organizações, a principal liderança era a Fatah de Yasser Arafat.
Apesar de ter como inimigo o Estado de Israel, seus membros foram expulsos da Jordânia em 1970 no que ficou conhecido como Setembro Negro com algo entre 5.000 e 15.000 guerrilheiros mortos (os números variam de acordo com as fontes) e foram para o Líbano. Em 1982 foram expulsos do Líbano depois da invasão israelense levando seu quartel general para Túnis.
A OLP tornou-se mundialmente conhecida por seus ataques terroristas a civis. Em 1967, após a guerra dos 6 dias foram 61 ataques dirigidos contra escolas, cinemas e restaurantes. Um destes foi o ataque a escola de Maalot que matou 20 crianças. A OLP também se uniu a outros grupos extremistas, entre eles, vale destacar as Células Revolucionárias da Alemanha para o sequestro do avião da Air France levado para Entebbe, Uganda em 1976, quando morre o comandante da ação e irmão  do atual primeiro ministro Benjamim Nathaniau, Yonatan Nathaniau, durante o resgate dos passageiros pelas forças israelenses, e o massacre do aeroporto de Lod perpetrado pelo Exército Vermelho Japonês em 1972. Todos visavam exclusivamente civis.
A guerra mais importante para o conflito israelense-palestino é a dos 6 dias em 1967. Nesta guerra Israel conquista as Colinas do Golan no norte, hoje anexadas ao seu território, a Cisjordânia e Gaza. A partir deste momento Israel passa a ser um país ocupante de territórios que não lhe pertencem e onde vivem atualmente cerca de 4 milhões de habitantes.
Nestes territórios Israel iniciou um colonização que hoje abriga dezenas de colônias agrícolas e cidades de pequeno porte. Também entrou em cidades palestinas como Hebron onde ocupam um grande número de casas. Estes assentamentos são hoje o maior entrave para uma solução pacífica.
Foram muitas as tentativas de acordo entre as partes, mas todas terminaram em frustração.
Em 1982 ocorreu o Massacre de Sabra e Chatila, dois campos de refugiados palestinos que eram guardados pelo exército de Israel que tinha à época como Ministro da Defesa Ariel Sharon (que viria mais tarde a se tornar primeiro ministro) pela milícia maronita liderada por Elie Hobeika. O genocídio foi uma retaliação ao assassinato do presidente eleito do país e líder falangista, Bashir Gemayel. Ariel Sharon foi demitido do cargo por conta de sua responsabilidade em permitir o massacre.
Em 1988, a OLP proclamou o Estado Palestino, uma espécie de governo no exílio  nos termos da Resolução 181 da Assembleia Geral das Nações Unidas. Mais tarde no mesmo ano Arafat declarou aceitar a Resolução 242 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, prometendo  futuramente reconhecer Israel e renunciar ao terrorismo (o que só viria acontecer em 1996 com a retirada do termo destruição de Israel da Carta Palestina). Em 1989 Arafat foi eleito pelo Conselho Central do Conselho Nacional Palestino presidente do Estado Palestino. Esta foi a primeira vez que o maior líder palestino falou em dois estados para dois povos, um Estado Judaico dentro das fronteiras de 1967 e um Estado Palestino na Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
Em 1991 a comunidade internacional tentou um novo processo de paz. Idealizado pelo governo da Espanha e sob os auspícios dos EUA e da URSS. A conferência colocou as delegações árabes e Israel, uma de cada vez, frente a frente, e instituiu comissões multilaterais relativas a tópicos gerais como o controle do armamento e a segurança, desenvolvimento econômico e regional, a política da água e do ambiente e a problema dos refugiados. Esta mesma fórmula de negociação foi depois seguida durante as negociações que desembocaram nos Acordos de Oslo. 
Depois de Madrid, seguiram-se novas conversações formais em Washington no mesmo ano e depois em 1994. Já as negociações multilaterais prosseguiram em Moscou em 1992.
Em 1993 foi assinado o Acordo de Oslo, este talvez o mais importante acordo que poderia ter levado a um tratado final de paz e reconciliação. Foram muitas negociações secretas entre as duas partes. Durante as eleições de 1992, o Partido Trabalhista pediu a paralisação dos assentamentos como uma política de boa vontade que permitisse aos palestinos vislumbrar seu estado. Como tudo foi feito a margem da ONU, mesmo tendo como ponto de partida as resoluções 242 e 338, a correlação de forças tão desiguais acabou por levar ao fracasso o processo de paz.
Em 1998 foi assinado o memorando Wye River mediado pelos EUA apara implementar um acordo provisório de 1995. Foi Clinton quem pressionou Netanyahu e Arafat a superarem seus obstáculos e chegarem a um acordo. Até mesmo o Rei Hussein da Jordânia foi chamado para ajudar. A negociação quase terminou quando Netanyahu exigiu a libertação do espião Pollard, que foi negado por Clinton.
O acordo acabou sendo assinado  na Casa Branca, tendo Clinton como testemunha. No mesmo ano a Knesset aprovou o memorando, mas as metas daquele acordo não puderam ser implementadas.
Em 2000 aconteceu a Cúpula de Camp David entre Ehud Barak e Yasser Arafat, novamente mediados por Bill Clinton. Foi a última tentativa real de se chegar a um acordo final para o conflito.
Desde então o número de colonos nos territórios vem aumentando. De 1995 para 2008 o número de colonos passou de 130.000 para 270.000. Em 2009 já eram 400.000 e hoje já se fala em 600.000. A ocupação que está chegando há 50 anos, vai ganhando terreno dia a dia.
Em 2005 Israel se retira unilateralmente de Gaza e transforma o território na maior prisão a céu aberto do mundo.
Em 2006 acontece a primeira invasão através da Operação Chuvas de Verão que visava libertar Gilad Chalit sequestrado por um comando do Hamas. Já choviam foguetes lançados de Gaza em território israelense.
Em 2007 o Hdamas expulsa o Fatah de Gaza e se torna o único poder no território, mas é reconhecido como um  grupo terrorista por Israel e a comunidade internacional. Uma guerra não declarada prossegue até que em 2008 os dois lados aceitam um acordo de cessar-fogo por 6 meses. Durante este tempo Israel deveria amenizar o bloqueio, o que não aconteceu e o acordo não foi renovado.
No inicio e 2009 Israel invade Gaza por terra. Era a Operação Chumbo Fundido. Depois de 22 dias o número de palestinos mortos chegou a 1300 com mais de 5000 feridos. Do lado israelense foram 13 mortos e 55 feridos.
Tudo continuou da mesma maneira nos anos seguintes e uma nova invasão a Gaza ocorreu em 2014, mas esta trouxe um nível de destruição e mortes nunca vistos. Foram 2500 mortos do lado palestino, sendo 500 crianças e 70 baixas pelo lado israelense. Toda infraestrutura do território foi destruída deixando cerca de 500.000 pessoas sem casa. Até mesmo escolas, hospitais e abrigos da ONU foram bombardeados por Israel.
Em 2005, 171 organizações representativas dos três segmentos do povo palestino, refugiados, habitantes dos territórios ocupados e cidadãos de Israel, entre eles partidos políticos, sindicatos, associações e outras organizações lançaram o BDS: Boicote, Desinvestimento e Sansões.
O BDS está baseado em três premissas:
1. O fim da ocupação e colonização de todos os territórios árabes e o desmantelamento do Muro.
2. Reconhecimento dos direitos fundamentais dos cidadãos Árabes-Palestinos de Israel à plena igualdade.
3. Respeitar, proteger e promover os direitos dos refugiados ao seu regresso às suas casas e propriedades como estipulado na resolução 194 da ONU.
A resolução 194 da ONU do final de 1948 (portanto ao final da Guerra de Independência), por mais estranho que possa parecer não teve o voto favorável dos países árabes, os maiores interessados, e Israel ainda não era um estado membro. Esta resolução determinava o retorno dos refugiados árabes aos seus lares e também a desmilitarização  de Jerusalém. Nada disso foi  obedecido.
A ocupação se aproxima perigosamente de meio século. Uma geração inteira já chega a meia idade, parte como ocupante, parte como ocupada. Os efeitos nefastos sobre as duas sociedades são visíveis e suas consequências trágicas. Muito tempo será necessário para a reconciliação, mas este caminho já vem sendo pavimentado por inúmeras ONGs.
Este pequeno texto mostra os fatos mais importantes do conflito e tenta resolver algumas questões costumeiramente levantadas pela esquerda, sempre retratando Israel como agressor e os palestinos como vítimas. Minha intenção foi unicamente trazer luz a linha de tempo para mostrar que muitos destes fatos quando vistos durante os acontecimentos na sua época, nos esclarecem e nos fazem compreender a razão deles assim terem se passado.
Minha conclusão, que não é obrigatoriamente a mesma dos que leram o texto, é de que Israel nasceu para ser um Estado Judeu, com tudo que isso traz de bom e de ruim para uma democracia de múltiplas etnias que ali convivem.
A grosso modo, poderia comparar com as reservas indígenas, onde os homens brancos são expulsos, não importando por quantas gerações lá estavam, e todo o território é destinado única e exclusivamente a uma etnia indígena. Podemos considerar uma reserva indígena um território racista onde se pratica o apartheid?
Os palestinos, hora comportam-se como agressores, hora como vítimas. O BDS, por mais que tentem comparar com o movimento internacional que levou a queda da África do Sul, nada tem em comum com ele. Ao tentarem boicotar os movimentos judaicos e israelenses que lutam pela criação do Estado Palestino, pregando a volta dos refugiados baseados numa resolução de 1948, colocando todos os judeus em uma vala comum, parecem estar mais interessados na substituição de Israel por um Estado Palestino do que propriamente na criação de seu estado nos territórios ocupados.
A esquerda festeira prefere se aliar as organizações mais retrógradas do campo palestino do que as organizações progressistas do campo israelense. Ao invés de serem parceiros para a paz, se tornam um entrave para este objetivo quando nomeiam um lado seu inimigo.
Eu acredito que a Paz e a Reconciliação são possíveis e estão mais perto de acontecer do que jamais estiveram. Os passos que estão sendo dados pelas sociedades civis dos dois povos apontam para este caminho e creio que vão poder contar com ajuda internacional muito em breve. 
OBS: Todos os fatos aqui relatados foram pesquisados na maior biblioteca do mundo, o Google e podem ser confirmados por quem quer que seja.

 

O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos – Martin Luther Kink

Escutamos a exaustão que o Hamas é um grupo terrorista que ameaça destruir Israel, o que está em seus estatutos e portanto não há dialogo possível. Dito assim, quem não seria simpático a Israel?

O Hamas já lançou mais de 3.000 foguetes contra a população civil de Israel. Como não ser simpático ao legítimo direito de defesa?

Se alguém estivesse em coma e acordasse com estas notícias, certamente pularia da cama para se alistar e ajudar a defender a única democracia do Oriente Médio, o lar nacional dos judeus tão perseguidos durante a história e agora diante de um inimigo implacável.

Tudo o que foi dito é verdade, mas apenas um aparte dela. O que não é dito, aquilo que é omitido propositadamente, manipulado como algo que deve ser menosprezado, é a origem de tudo isso.

Se o que estamos assistindo hoje, estivesse acontecendo há 47 anos atrás, hordas de voluntários de todo o mundo estariam chegando a Israel para ajudar no esforço de guerra. Milhares de judeus, e não judeus estariam levando sua solidariedade a Israel. Na verdade foi justamente o que aconteceu em 1967.

Ainda em 1973, na guerra de Yom kipur, quando Egito e Síria nos atacaram durante os festejos do dia mais sagrado do calendário judaico, o Dia do Perdão, recebemos ajuda. As laranjas precisavam ser colhidas, os homens estavam nas frentes de batalha, então milhares de voluntários acudiram Israel.

Desde então, lentamente um processo de ocupação teve inicio. Um kibutz aqui, uma colônia ali e hoje cerca de 400.000 colonos judeus ocupam terras palestinas na Cisjordânia. O mundo assistiu e consentiu enquanto os palestinos através da OLP executavam atos terroristas para tomarem de volta não somente a Cisjordânia, mas toda Israel para a criação de seu estado.

As coisas mudaram, a OLP reconheceu Israel e se dispôs a aceitar seu Estado na Cisjordânia e em Gaza. Israel não mudou. Ano a ano, mais colônias, mais usurpação de terras, mais exigências intermináveis. Desta vez o mundo não se calou e as mesmas hordas que acorreram a Israel para ajudar, agora pedem que Israel se retire dos territórios e permita a criação do Estado Palestino.

Israel se retirou de Gaza em 2005. Uma retirada unilateral, ou seja, sem nenhum acordo, sem negociação. Gaza foi se transformando em uma terra de ninguém. Em 2007, o Hamas expulsou o Fatha e tomou o poder. Uma resposta ao golpe do Fatah na Cisjordânia depois de terem ganho as eleições.

Desde então um território com 1,8 milhão de habitantes em 360 Km quadrados foi transformado em uma prisão a céu aberto . Nada entra, nada sai. Ninguém, entra ninguém sai. Seja por terra, mar ou ar sem o consentimento de Israel. Assim começaram os túneis.

O Hamas tem um braço armado e um braço político. Assim como o IRA na Irlanda. A Inglaterra negociou com o Ira, portanto não seria nenhuma afronta a dignidade se Israel negociar com o Hamas.

Vamos ser honestos. Esta guerra é como colocar um anão para lutar com o Minotauro no Octagonal. O Hamas não tem a menor capacidade de ameaçar Israel. Sim eles já jogaram mais de 3000 foguetes. Qual foi o estrago? Quantas mortes? Claro que nenhum país, por mais pacífico que seja vai suportar ataques diários destes sem reagir. Mas como reagir?

Uma maneira seria atacar a causa de tudo isso, a ocupação dos   Entrar em negociações que levem a criação do Estado Palestino. Outra é despejar bombas de 1 tonelada sobre esta área densamente populosa, matar mais de 1600 pessoas, 80% civis e entre eles cerca de 300 crianças (e os números continuam subindo).

Infelizmente Israel fez a sua escolha. Deste governo eu não poderia esperar nada diferente. Seus pares não acreditam que ocupam os territórios, eles habitam o que nos foi dado por Deus.

Eu espero que desta vez o mundo não se omita. Que as pessoas não se omitam. Que ao calar dos canhões todos pressionem por negociações já! De outra forma, o cronômetro da Senhora Morte  será ligado e será só uma questão de tempo para o próximo conflito.

 

Segue o rufar dos tambores da guerra

O que pareceu um alento, um cessar fogo de 72 horas com negociações marcadas para acontecer no Cairo, se dissipou em 2 horas. Os dois lados se acusam de terem violado os termos acertados, o que provavelmente significa que ambos têm razão e ninguém falou sério em parar as hostilidades.
O número de vítimas não para de crescer, principalmente o de civis palestinos. Além da perda de vidas, a destruição material é imensa. Os dados apontam que 25% da população de Gaza não terá para onde voltar quando as armas silenciarem.
Do lado israelense, além de 3 civis, agora já são 61 soldados que perderam a vida e um desaparecido. Israel diz que ele foi aprisionado, mas o Hamas nega.
Eu creio que já estamos assistindo ao fenômeno da revanche. O soldado desaparecido fazia parte de um grupo de três soldados atacados por um suicida. Dois morreram, e o terceiro por não ter sido encontrado, acredita-se que tenha caído em mãos do Hamas. Acontece que não mais somente o Hamas e a Jihad Islâmica que estão combatendo. Pessoas sem filiação a qualquer grupo estão se somando a luta para vingarem seus mortos. Logo vão aparecer mais suicidas. Não é mais o Hamas que defende Gaza, é a sua população que luta pela vida.
Israel vai ganhar esta guerra perdendo. Afirmação estranha, mas é o cenário mais provável. Militarmente a vitória vai ser incontestável ara onde se quiser olhar. A maioria dos túneis, senão em sua totalidade, serão destruídos. O inimigo terá sofrido um número de baixas considerável em combatentes, e a perda de armamento de difícil e lenta reposição.
No mais, a vitória será do Hamas. Com a finalização do número de vítimas civis, principalmente de mulheres e crianças e a destruição de milhares de moradias, os tribunais serão inundados por pedidos de condenação por crime de guerra e indenizações, cujo resultado desta vez, pode ser bastante doloroso para Israel.
Mais ainda. O fim do bloqueio a Gaza, principal demanda do Hamas poderá ter de ser atendida, ou os túneis voltarão a ser construídos um a um. E ainda é preciso lembrar que no cenário político, são poucos os países que ainda apoiam Israel incondicionalmente. Na ONU o quadro é desolador.
Existe também o componente sociológico oriundo desta guerra.  De um lado o aumento formidável do antissemitismo. Todo judeu passou a ser um israelense e como Israel é visto como o agressor, nós judeus estamos recebendo a parte que nos toca. No entanto, nunca se viu antes as comunidades judaicas tão divididas como agora. Se antes qualquer atitude agressiva de Israel era compreendida como um ato de sobrevivência contra um mundo árabe que desejava sua destruição, agora não mais. O número de judeus que declaram “não em meu nome”, cresceu exponencialmente. Não são judeus que passaram a apoiar o Hamas, mas judeus que disseram que não aceitam este massacre desproporcional.
De outro, o fenômeno da xenofobia israelense. Pacifistas, membros de partidos de esquerda e árabes em geral passaram a ser hostilizados e agredidos fisicamente sob o olhar complacente da  polícia. É verdade que foram anunciadas algumas prisões, mas a falta de leis que impeçam o racismo se faz ais do que necessária. Uma lei que impeça além destes grupos fascistas continuarem agindo, que autoridades se pronunciem incitando a sociedade contra as minorias.
Agora nos resta torcer para que as lições das falhas deste cessar fogo tenham sido absorvidas e sirvam para balizar um novo entendimento que proporcione uma nova trégua. Uma parada que permita aos diplomatas fazerem seu trabalho enquanto a população dos dois lados possa ter uns dias de alívio.

Diplomacia de balcão

Ninguém nasce odiando. O ódio é ensinado, aprendido e propagado. Infelizmente são os seres humanos que ensinam outros seres humanos a odiar.
Como o ciúme, o ódio cega a razão. A pessoa fica incapacitada de sentir simpatia, empatia ou qualquer sentimento racional pela outra.
O ódio vai desde um simples, não me importo com o que lhe aconteça, até o desejo de que o outro morra.
Assim, em maior, ou maior grau ele se acomoda e gera todo tipo de disfarce moral  para justificá-lo.
Ninguém no mundo moderno, mais do que nós judeus, conhecemos o ódio. Sofremos agressões, humilhações, perda de direitos, expulsões e a morte. Foram 6 milhões somente no Holocausto.
Todos mortos por serem judeus.
Sendo assim, parece estranho, para dizer o mínimo, que judeus propaguem o ódio. Não é o que acontece.
Assistimos nas ruas de Israel centenas de pessoas se manifestarem com palavras de “Mavet la Haravim – Morte aos àrabes”. Claro que são uma minoria, evidentemente que são uns idiotas etc, mas não é isso o que importa. O que surpreende é não haver punição. Muitas destas pessoas postaram em suas páginas do FB mensagens com estas palavras. Não existe lei contra isso.
Ao contrário de Israel, no Brasil onde também é livre a manifestação do pensamento, é crime o incitamento ao ódio racial Talvez esta seja uma lição que Israel pudesse aprender deste “anão diplomático”
No Brasil condenamos um editor de livros revisionistas. Em Israel, autoridades propagam o ódio racial e ficam impunes. Talvez a luta para criminalizar o racismo devesse ser aprendida com este parceiro irrelevante.
Claro que não somos perfeitos no Brasil. Também podemos aprender muito com Israel, mas definitivamente enxergar as coisas dentro de sua real proporcionalidade não é uma delas. Se Israel acha perfeitamente normal a  morte de mais de 800 palestinos, sendo 155 crianças (e seguem contando) de um lado, e 35 soldados e dois civis do outro, esta não é a perspectiva brasileira.
Algumas guerras podem ter sua justificativa para iniciar, mas seguramente todas têm sua hora para encerrar. Esta na hora de Israel do alto de sua diplomacia que possui o apoio incondicional de um único país no mundo se dar conta que a hora é agora.
O ódio está se espalhando como fogo em palha e já está chegando as portas dos lares judaicos do mundo afora. Todos vamos pagar o preço.

A raça humana


Geralmente grandes catástrofes são responsáveis por um número elevado de vítimas humanas. É a natureza que se rebela e de repente um furacão, um tsunami, um vulcão em erupção causa inúmeras mortes.

Como explicar quando os humanos são a causa de catástrofes? Em poucos dias tivemos a derrubada de um avião de passageiros com quase 300 pessoas a bordo por um ser humano. Na Síria, 270 mortes causadas por seres humanos. Em Gaza já estamos próximos de 500 mortes causadas por seres humanos. Nem vou falar do número diário de assassinatos, atentados a bomba etc, ao redor do mundo.


Como é possível que tenhamos feito tanto progresso nas mais variadas tecnologias que nos permitem viver mais e melhor, e ao mesmo tempo não termos criado ainda condições de impedir que humanos matem humanos?


Somos capazes de cometer os atos mais hediondos contra nossos semelhantes, não importa a idade ou o sexo. Matamos indiscriminadamente em nome de Deus, e/ou da pátria, e/ou de uma ideologia e/ou pelo prazer de matar.


Será que a natureza nos criou com tamanho defeito? Será que nunca vamos ser capazes de nos negar a cometer homicídios, sejam eles individuais, coletivos, com ou sem a chancela do estado?

Enaltecemos direitos de uns, sobre os direitos de outros vencendo a lei do mais forte, não a justiça.

Louvamos os gritos de guerra e morte aos outros sobre a voz da paz e da convivência pacífica entre os povos.


Nos solidarizamos com a vingança sobre a razão.


Gratificamos o terror sobre a ternura.


Ainda assim acredito na nossa capacidade de superar tudo isso. De acordo com a tradição judaica 36 justos mantém o mundo. Seja lá onde estiverem, tragam luz sobre esta período de trevas.

Na moral

Todos nós temos necessidade de justificar moralmente nossas
ações quando compreendemos perfeitamente que elas não são justificáveis. tudo
que fazemos de maneira correta, evidentemente que não necessita de nenhuma
justificativa, ou explicação.

Isto é que está ocorrendo com muitos judeus atualmente. Eu
leio postagens e mais postagens com  desenhos, vídeos e todo tipo de arte para
justificar porque estamos matando em Gaza mulheres e crianças, bombardeando
prédios de apartamentos, hospitais e escolas. Todos tentam convencer o leitor
de que o Hamas esconde seu armamento junto com estas pessoas, ou nestes locais,
e que ele o Hamas é o verdadeiro e único responsável por esta destruição e
estas mortes. Esta é portanto a justificativa moral para as atrocidades.

Vamos imaginar, apenas para fins de exercício mental, que um
vizinho de um apartamento do prédio onde você reside, ou do seu condomínio,
seja um dos maiores traficantes do mundo. Um sujeito responsável pelo tráfico
internacional de drogas e junto com as drogas, armas de todo tipo. Vamos imaginar
que na casa dele, ele esconda um verdadeiro laboratório de refino de drogas. Que
ele também esconda armas e possui um verdadeiro exército de homens que o
protegem. Então o estado resolve tomar uma atitude.

Para enfrentá-lo chama a Força Nacional de Segurança. Eles
invadem seu prédio, seu condomínio e atiram em tudo e em todos. Atiram primeiro
e perguntam depois. Tudo que se mexe é alvo de tiros. No final da operação, o
traficante e seus homens foram mortos. Junto com eles você descobre que também
mataram os seus filhos, a sua mulher, os seus pais, os seus amigos e o seu
cachorro que infelizmente lá estavam.

O estado justifica a ação dizendo que retirou das ruas o
inimigo número um da sociedade. Responsável pela morte de milhares de jovens
que tinham suas vidas destruídas pelas drogas e que o preço pago é aceitável.

Você aceitaria isso? Sua vida foi destruída. Seu único crime
foi morar no mesmo lugar que aquele bandido. Então as vidas perdidas para
eliminar um criminoso justificam as mortes colaterais da operação policial?

Esta é a pergunta que me faço todos os dias. A força
empregada para eliminar o Hamas e parar com o disparo de foguetes justifica as
mortes dos civis e a destruição de seus lares porque alguém deste grupo morava
naquele local, ou escondia lá seu armamento? E todos os dias eu continuo
respondendo que não.

A única solução é política. É o fim da ocupação e a criação
de um Estado Palestino.

Não existe, e nunca existirá justificativa moral para estas
mortes. Nós dizemos que quem salva uma vida, salva toda a humanidade. Eu digo
que aqueles que justificam moralmente quem tira uma vida inocente, mata nossa
humanidade.