por Mauro Nadvorny | 21 ago, 2018 | Brasil, Comportamento, Justiça
Sabem aquela criança que colocou o dedo no fogo da vela para ver se queimava? Que botou o dedo na tomada para ver se dava choque? Aquela criança fui eu. Aliás, fui, não, sou eu.
Desde sempre tive certa dificuldade em aceitar verdades absolutas sem uma boa explicação. Infelizmente algumas delas exigiram também dolorosas comprovações físicas. Fazer o que? Eu precisava ter certeza.
Provavelmente por conta disso que a religião nunca foi a minha praia. Digo que sempre fui a favor da tradição, mas nunca uma pessoa de crença religiosa. Em vista disso, eu me sinto perfeitamente bem fazendo uma reza do vinho no Shabat Judaico, e nem por isso acreditando na entidade a qual a reza menciona. Pode parecer estranho para um crente, mas na minha cabeça isso está perfeitamente resolvido. Eu acho bonita a tradição do ascender das velas no final de tarde da sexta-feira, da reza do vinho, do pão especial etc., da cerimônia passada de geração a geração. Mas isto não me faz acreditar em nenhum ser superior. Enfim, este sou eu e, contudo, respeito e admiro inúmeros amigos queridos que seguem a sua religião.
Uma das questões que envolvem a fé é a crença radical e dogmática sobre certos acontecimentos. Por exemplo, existem inúmeros relatos da aparição de Nossa Senhora, ou a Virgem Maria para diversas pessoas, inclusive crianças. Fátima e Lurdes são as mais famosas. Em todos estes casos o que existe em comum é alguém dizendo que viu e acreditem. Nunca foi possível uma análise científica por razões óbvias.
O Sudário de Turin, no entanto é uma história completamente diferente. Ele é uma peça de linho onde existe uma imagem de um homem que aparentemente sofreu traumatismos físicos de maneira consistente com uma crucificação. Nada demais se não fosse atribuído a ele ser o manto que envolveu o corpo de Jesus depois da crucificação.
Neste caso específico a ciência pode fazer o seu trabalho e constatou que não se tratava do corpo de Jesus por se tratar de um manto com idade menor do que aquela atribuída a morte de Jesus e porque a distribuição do sangue no tecido não é compatível com os ferimentos. Portanto uma falsificação. Não sei se foi este o propósito desde o início, mas o fato é que muita gente ganhou dinheiro com o Sudário.
Com todas as evidências científicas, ainda assim, muitos cristãos acreditam se tratar do manto que envolveu Jesus, portanto na santidade da relíquia. Nada fará com que mudem de ideia. A fé é muito mais forte e esta crença é inabalável.
Mas afinal de contas o que tem Lula a ver com isso? É que eu acredito que a analogia entre o fato de a despeito de toda ciência dizer o contrário, as pessoas seguirem acreditando no Santo Sudário, explique o fato de apesar de todas as provas em contrário, ou justamente a falta delas, fazer com que ainda existam pessoas que acreditem que Lula é ladrão.
Eu quero acreditar que a maioria das pessoas tem bom senso, mas isso não é uma verdade absoluta já que possuímos discernimento para algumas coisas, e a falta dele para outras.
Neste sentido eu diria então que boa parte de nós sabe distinguir o certo do errado e que aqueles que não sabem são os chamados perturbados de conduta, ou sociopatas. Vou dar o desconto para o que possa ser certo em determinadas culturas, ser errado para outras, me atendo ao que seria comum em todas elas.
Em qualquer país civilizado onde vigora o estado de direito e o exercício pleno da democracia, nenhum ser humano pode pagar por um crime que não cometeu e a presunção de inocência prevalece até prova em contrário. Eu disse PROVA em contrário. Pode-se acreditar que determinada pessoa cometeu um crime, mas é preciso provar que de fato foi ela. Até prova em contrário esta pessoa é inocente.
Na religião não existe a necessidade de uma prova. A fé religiosa e a crença são mais do que suficientes. Assim sendo, em cada uma das religiões de uma forma ou de outra, como distintos nomes e atribuições, a existência de um ser superior é fato.
Será que nós poderíamos trazer esta fé para nossa vida diária e fazer dela um fato? A gente poderia acabar com a medicina e viver da cura pela fé? A gente poderia acabar com a ciência e viver dos dogmas religiosos?
Acho que seria muito difícil e por isso a convivência deve ser harmoniosa. Ao homem o que é do homem e a Deus o que é de Deus.
Sendo assim, posso afirmar que no mundo real o julgamento de uma pessoa acusada de um crime deve ser baseado em provas cabais. A privação da liberdade de um ser humano precisa estar baseada na inabalável convicção de que o legítimo processo transcorreu em ordem e que todas as provas e fatos trazidos a ele mostraram sem a menor dúvida que tal pessoa cometeu o crime. Isso vale para todos.
Aqueles que ainda querem acreditar que Lula cometeu um crime são as mesmas que ainda creem no Santo Sudário.
Não importa que não existam provas, não importa que a defesa fosse cerceada, que o julgamento se baseou no testemunho de uma pessoa em contra outras dezenas. Lula já estava condenado muito antes de entrar no plenário porque a crença de seu juiz na sua culpa era de uma fé celestial inabalável, assim como daqueles que ainda acreditam nesta farsa.
Apesar disso tudo, escutamos algumas vozes do bom senso e uma delas acaba de vir do Comitê de Direitos Humanos da ONU. Um grupo de homens de diferentes países, de diferentes culturas acaba de dizer que, independente do fato da culpa ou não de Lula, ele tem direito a concorrer à presidência enquanto existirem recursos em andamento e que os mesmos devem ser julgados com isenção. O Brasil é signatário de uma convenção que torna as resoluções deste comitê aplicáveis acima da lei brasileira neste assunto, qual seja os direitos humanos.
É compreensível a demanda, uma vez que não podendo concorrer e vindo a ser o vencedor, ficando provada sua inocência, não haveria como reparar o mal causado a ele. Todas as causas que precederam a de Lula neste mesmo sentido, tiveram ganho favorável nas cortes nacionais.
E agora, vamos ter uma decisão baseada na convicção celestial ou na fé dos homens?
por Mauro Nadvorny | 13 ago, 2018 | Comportamento, Israel, Política
O fascista mora aqui.
O mal que Netanyahu faz a Israel, talvez só venha ser percebido dentro de alguns anos. Mas as consequências deste mal já se fazem sentir no nosso dia a dia.
É da democracia que um determinado grupo ideológico suba ao poder. É perfeitamente compreensível que este grupo ponha em prática a sua política alinhada ao seu grupo ideológico. Aos da oposição resta espernear e suportar até às próximas eleições.
Quando um partido ganha a eleição e consequentemente seu líder assume o posto de Primeiro Ministro, ele está assumindo um cargo onde outros já estiveram, e com certeza outros estarão.
Existe a honra do cargo que está acima das disputas ideológicas. O cargo é o que representa a democracia e em tese, seu ocupante é quem representa o país dos vencedores e dos vencidos.
Por esta razão, é que se pode distinguir grandes estadistas de meros ocupantes do cargo. Bem Gurion foi um estadista, assim como seu maior opositor, Menachem Begin. O primeiro por ter criado o estado e o segundo por ter alcançado a paz com o Egito. Netanyahu jamais o será.
Bibi, como é mais conhecido, não governa em favor de Israel, governa em favor do poder. Ele saboreia cada momento dele, e como político é um gênio. Conseguiu a façanha de perder uma eleição e ainda assim ser nomeado primeiro ministro. No parlamentarismo, quem ganha de fato é quem consegue montar um governo com a metade mais um do parlamento. Ele já tinha o governo montado, antes mesmo das urnas serem abertas.
Liderando um governo de extrema direita, ele vem diariamente incitando o ódio no seio do povo israelense. Assim, ele agride as minorias e destila seu veneno contra a esquerda. O faz contumazmente.
O fato mais recente, que mostra esta face vil, foi sua resposta à manifestação da minoria árabe com seus simpatizantes, que ocorreu neste último sábado onze de agosto. Nela um grupo compareceu com bandeiras palestinas (contrariando pedido dos organizadores), nada de mais, já que os Drusos uma semana antes também vieram com suas bandeiras. As bandeiras tremularam junto com bandeiras de Israel na mais perfeita ordem. Um pequeno grupo em meio a 100.000 outros.
Esta teria sido apenas mais uma manifestação conta a Lei da Nacionalidade como tantas que vem ocorrendo. Mas Bibi precisava mostrar a sua face e apontando uma foto de um jornal com o grupo das bandeiras palestinas, disse que aquelas bandeiras da OLP na Praça Rabin eram a razão da Lei da Nacionalidade. Sua ministra da Cultura, Miri Regev, disse que Rabin estaria dando voltas no caixão.
Uma pausa para o passado. A praça que leva o nome de Rabin foi onde o assassinaram. A sua morte de deve em muito ao incitamento promovido por Netanyahu e seus partidários que chamavam Rabin de traidor. Ele discursou de um balcão com a foto de Rabin no corpo de um oficial nazista dizendo que Rabin estava traindo o povo. Seu assassino, Yigal Amir, cometeu o crime porque compreendia que Rabin era um traidor e sua morte era justificável. As mãos de Bibi estão sujas com o sangue de Rabin.
Pois bem, este mesmo ser, tem a ousadia de usar o nome de Rabin em proveito próprio.
Felizmente, ele vem se desgastando com vários setores da sociedade que começam a enxergar que sua política de segregação social, sua falta de capacidade para o diálogo com quem não se alinha a suas posições, e especialmente o fato de que os inúmeros inquéritos contra ele estão se avolumando, indicam a possibilidade de uma virada nas próximas eleições.
Entretanto, de Bibi pode-se esperar tudo. Até mesmo uma nova guerra. Pode ser contra Gaza, contra o Irã, contra a Síria, o Líbano, não importa. Tudo para se manter no poder, afinal, nada une mais os israelense com seu governo, que uma boa guerra.
por Mauro Nadvorny | 8 ago, 2018 | Brasil, Comportamento, Política
A democracia é um sistema político com muitas falhas, mas ainda assim é o melhor sistema que existe.
Eu escuto de muitos amigos que estão horrorizados com as chamadas alianças partidárias, que segundo eles, são abomináveis, inexplicáveis, nojentas etc. Neste rol entram as alianças nacionais e estaduais que muitas vezes colocam partidos nacionalmente inimigos, estadualmente melhores amigos.
Uma das razões para isto é o número absurdo de partidos existentes hoje no Brasil, Só nesta eleição são 35 partidos.
O nome do jogo é política e nesta arte aprende-se a engolir sapos com uma grande facilidade. Inimigos de ontem, são os amigos de hoje. Fotos e discursos em favor de aliados vão sendo descartados porque hoje não mais se falam.
Neste jogo existe o pragmatismo, e a ideologia vai sempre ficar em segundo plano. Numa disputa política pela governabilidade, vale tudo, ou quase tudo. Vale até mesmo elogiar oponentes e menosprezar aliados, dependendo do estado da nação.
Durante a ditadura, os milicos resolveram o problema permitindo dois partidos. Todos que eram a favor pertenciam a Arena (Aliança Renovadora Nacional) e todos que eram contra, pertenciam ao MDB (Movimento Democrático Brasileiro).
Com 35 partidos, não existe ideologia para tanto partido. Por mais que a esquerda se divida, quantos partidos ideológicos pode haver? E na direita a mesma coisa. Até mesmo no centro, que são os que acham que ideologia não serve pra nada, quantos partidos seriam aceitáveis?
Com esta profusão, é lógico que o apelo televisivo, e me refiro ao tempo de TV, tem um alto custo. Cada segundo, conta e aí é preciso vender a alma ao diabo para ter mais um “aliado” com tempo disponível, e a venda. Sim, venda, porque o custo desta entrega vai ser cobrado depois com juros e correção monetária.
Se o jogo é este, quem quiser participar, vai ter que aceitar as regras, sob o risco de ficar sem representação. E vejam que não basta ganhar a presidência, é preciso fazer maioria para poder governar e tentar impor minimamente um plano de governo. Este é o segundo tempo deste jogo, e nele tudo pode mudar. Aliados da corrida a presidência ou ao governo dos estados podem ser substituídos por novos aliados, aqui vale tudo.
O sistema democrático, seja ele presidencialista ou parlamentarista, funciona quando certos limites são colocados em nome do bom funcionamento do sistema. É claro que diferentes pensamentos, nem sempre ideológicos, precisam ter voz. É claro que as minorias precisam estar representadas. Mas tudo isto pode acontecer dentro de, dois, três, talvez cinco partidos. Mais do que isso, é escancarar as portas para o que estamos assistindo, ou seja, uma representatividade puramente pessoal, onde os Tiriricas se elegem em qualquer sigla carregando consigo um número elevado de correligionários com menos votos que aqueles com formação política em partidos de formação ideológica.
É justamente esta incoerência no sistema que está deixando o país ingovernável. É ela que permite um Impeachment político sem qualquer escrúpulo, onde qualquer presidente pode estar sujeito a execração pública, mesmo sem haver cometido qualquer crime.
Esta distorção não será fácil de ser corrigida, pois na medida em que se instalaram, estes partidos nanicos jamais darão seus votos para um aumento do percentual de votos necessários para terem representatividade política. O mal já está feito.
A única saída seria uma consciência política por parte da população. No atual estágio em que o país se encontra, eu não vejo isto acontecendo nos próximos anos. A reboque, além da instabilidade política vamos continuar tendo uma redução da qualidade de vida fruto de uma economia em frangalhos com milhões de desempregados.
Estas eleições, por tudo o que está acontecendo, serão históricas. Infelizmente para o mal.
por Mauro Nadvorny | 14 abr, 2018 | Judaísmo
A história do Sionismo Socialista não estaria completa sem mencionar a figura de Moses Hess , um filósofo franco-judeu e um dos fundadores do Sionismo Trabalhista. Nascido em 1812 e morto em 1875, influenciou dois dos maiores personagens da história do comunismo e com eles conviveu, Marx e Friedrich Engels com quem acabou entrando em conflito.
O pai de Hess era um rabino, mas nunca exerceu a profissão. Recebeu uma educação religiosa de seu avô e foi estudar filosofia na Universidade de Bonn, não concluindo o curso.
Ele se casou com uma pobre costureira católica, Sibylle Pesch, “para corrigir a injustiça perpetrada pela sociedade”. Apesar de permanecerem felizes no casamento até a morte de Hess , ela teria tido um suposto caso com Friedrich Engels quando ele a contrabandeou da Bélgica para a França para se reunir com o marido. O incidente pode ter sido uma das razões para Hess se separar do movimento comunista .
Hess foi um dos primeiros proponentes do socialismo e precursor do que mais tarde seria chamado sionismo. Como correspondente do Rheinische Zeitung, um jornal radical fundado por empresários liberais renanos (Renania), morou em Paris. Como amigo e colaborador de Karl Marx (que também trabalhou no Rheinische Zeitung) e Friedrich Engels. Foi Hess quem introduziu Engels, no comunismo no início da década de 1840.
Mas Marx e Engels se tornariam bem conhecidos por sua abordagem inconstante e combativa de colegas socialistas que demonstraram insuficiente concordância com sua própria forma de socialismo. No final da década de 1840, eles haviam rompido com Hess. Eles zombaram dele, primeiro pelas costas e depois abertamente. O trabalho de Hess também foi criticado em parte pela The German Ideology por Marx e Engels.
Este rompimento teve como origem o fato de Hess relutar em basear toda a história nas causas econômicas e na luta de classes (como fizeram Marx e Engels), e ele passar a ver a luta das raças, ou nacionalidades, como o fator primordial da história. Hess seguiu contemporizando com Marx em várias questões.
Entre 1861 a 1863, ele viveu na Alemanha, onde se familiarizou com a crescente onda de antissemitismo alemão. Foi então que ele voltou ao seu nome judaico Moses (Moisés), depois de aparentemente ter adotado o nome de Moritz Hess em protesto contra a assimilação judaica. Ele publicou Roma e Jerusalém em 1862, onde interpreta a história como um círculo de raça e lutas nacionais. Ele contemplou a ascensão do nacionalismo italiano e a reação alemã a ele, e a partir disso chegou à ideia do renascimento nacional judaico e ao seu entendimento precavido de que os alemães não seriam tolerantes com as aspirações nacionais de outros e seriam particularmente intolerantes com os judeus. Seu livro pede o estabelecimento de uma comunidade judaica socialista na Palestina, alinhada com os movimentos nacionais emergentes na Europa como única maneira de responder ao antissemitismo e afirmar a identidade judaica no mundo moderno.
Apesar de previsão de Hess, a imensa maioria dos judeus alemães estava empenhada na assimilação cultural e não atendeu aos seus avisos. Seu trabalho não estimulou atividade política ou discussão.
Quando Theodor Herzl leu Roma e Jerusalém pela primeira vez, escreveu que “desde Espinosa que os judeus não tinham um pensador maior do que aquele esquecido Moses Hess”. Ele disse que talvez não tivesse escrito Der Judenstaat (O Estado Judeu) se tivesse conhecido Roma e Jerusalém de antemão.
Causa espécie o fato da esquerda desconhecer Hess. Até mesmo o recente filme “O Jovem Marx” não o menciona.
Depois de ter escrito sobre o inicio do Sionismo Socialista e alguns de seus precursores, como Ber Borochov, Nachman Sirkyn e Moses Hess, é preciso contar um pouco da vida e da obra de Berl Katznelson, um dos fundadores intelectuais do Sionismo Socialista, que instrumentou o estabelecimento do moderno Estado de Israel.
Nasceu em 25 de janeiro de 1887 em Babruysk, Império Russo (atualmente Belarussia) e faleceu em 12 de agosto de 1944 em Israel vítima de aneurisma. Filho de um membro de Hovevei Sion (Amantes de Sion), ele sonhava em se estabelecer na pátria judaica desde cedo. Na Rússia, ele era bibliotecário em uma biblioteca hebraico-iídiche e ensinava literatura hebraica e história judaica. Acabou fazendo aliá (termo hebraico que significa subida) para a Palestina Otomana em 1909, onde trabalhou na agricultura e assumiu um papel ativo na organização de federações operárias baseadas na idéia de “trabalho comum, vida e aspirações”.
Juntamente com seu primo, Yitzhak Tabenkin, Katznelson foi um dos fundadores do sindicato dos trabalhadores israelenses, a Histadrut. Nesta função, juntamente com Meir Rothberg do Kibutz Kinneret, fundou em 1916 a cooperativa de consumidores conhecida como Hamashbir (que anos mais tarde viria a se tornar uma rede de lojas do movimento kibutziano) com o objetivo de suprir as comunidades judaicas da Palestina com alimentos a preços acessíveis durante os terríveis anos de escassez no mercado durante a Primeira Guerra Mundial. Ele ajudou a estabelecer o Serviço de Saúde Klalit que provia as necessidades médicas para a população (algo similar ao INSS no Brasil) que se tornou um importante dispositivo na rede de medicina socializada de Israel. Em 1925, juntamente com Moshe Beilinson, Katznelson estabeleceu o jornal diário Davar, e tornou-se seu primeiro editor, cargo que ocupou até a sua morte, além de se tornar o fundador e primeiro editor-chefe da editora Am Oved.
Katznelson era bem conhecido por seu desejo de coexistência pacífica entre árabes e judeus em Israel. Ele era um opositor declarado do plano de partição da Comissão Peel para a Palestina. Disse ele:
“Eu não desejo ver a realização do sionismo na forma do novo estado polonês com os árabes na posição dos judeus e dos judeus na posição dos poloneses, o povo governante. Para mim, isso seria a completa perversão do ideal sionista … Nossa geração tem sido testemunha do fato de que nações aspirantes à liberdade que se livraram do jugo da subjugação apressaram-se em colocar este jugo sobre os ombros dos outros. Ao longo das gerações em que fomos perseguidos, exilados e massacrados, aprendemos não apenas a dor do exílio e do domínio pela força, mas também o desprezo pela tirania. Isso era apenas um caso de uvas azedas? Estamos agora alimentando o sonho de escravos que desejam reinar?”
Katznelson também falou de auto-ódio judaico, dizendo:
“Existe outro povo na Terra tão emocionalmente distorcido que eles consideram tudo o que sua nação faz desprezível e odioso, enquanto todos os assassinatos, estupros, roubos cometidos por seus inimigos enchem seus corações com admiração e reverência?”
Muito do que foi realizado por Katznelson moldou a sociedade israelense até 1977 quando a direita assumiu o poder e ali permanece até os dias de hoje.
Quando a esquerda sionista fala de Israel, fala com conhecimento e direito a manifestação. Como aqueles no passado, defendemos a coexistência com os palestinos e lutamos pelo estabelecimento de seu estado nas linhas de fronteira de 1967.
Somo favoráveis a um acordo de paz que traga justiça e convivência pacífica entre nossos povos e apoiamos os companheiros palestinos que têm a mesma visão.
A esquerda sionista desafia a esquerda tradicional nos países em que vivemos a se libertar do ranço antissionista e nos ajudar a combater o antissemitismo em todo espectro político, compreendendo finalmente que somos uma força política considerável.
Nossa luta é travada no dia a dia contra todos aqueles que desrespeitam a existência de Israel e confundem, seja por ignorância, seja por convicção a política de estado atual com a existência política do estado que está fazendo 70 anos.
Conclamamos todas as forças de esquerda a se unirem sem discriminação na luta contra o golpe, pelo exercício pleno da democracia e o fim da politização no judiciário que atropela a constituição e exerce um quarto poder.
Nós estamos na luta independentemente dos grupos sectários e radicais que tanto mal causam a esquerda.
Ao falar dos precursores do movimento sionista socialista tive em mente esclarecer os fatos históricos e demonstrar de uma vez por todas que nem todo sionismo corresponde à doutrina religiosa ou de direita. Que o sionismo como movimento nacional judaico, sempre teve suas diversas correntes de pensamento, como todo movimento nacionalista.
Nós não somos nem melhores, nem superiores aos nossos pares da esquerda, somos iguais e como iguais exigimos sermos tratados.
Nós somos sionistas! Nós somos socialistas! Eleição sem Lula é Fraude!
por Mauro Nadvorny | 14 abr, 2018 | Judaísmo
Recentemente, ao responder a um artigo de um jornalista e membro do PSOL do RS sobre o sionismo socialista, percebi o enorme desconhecimento daqueles que, mesmo convivendo na mesma trincheira conosco, insistem em nos menosprezar, duvidando da nossa existência. A partir daí, resolvi escrever um artigo divido em 2 partes para contar de onde viemos, o que somos e o que representamos. Esta é a primeira parte.
Ao contrário do que muita gente imagina, o sionismo não surgiu com Theodor Hertzl, o sionismo teve inicio em 1881, com o inicio do movimento chamado de Primeira Aliá (aliá significa subir e é como os judeus denominam aqueles que imigram para Israel).
O que levou estes primeiros jovens judeus de origem russa e iemenita a partirem para a Palestina Otomana, um lugar até então apenas conhecido por eles pela ligação judaica histórica com Israel? A resposta não é outra senão o forte antissemitismo do século XIX.
É sabido que, desde a destruição do Segundo templo de Jerusalém pelos Romanos em 70 DEC, teve início a Diáspora (dispersão) com a maioria dos judeus passando a viver fora de Israel, conhecida também como Palestina, embora continuasse havendo ali uma constante presença de judeus também.
Saltando para o século XIX, em 1850, a Palestina tinha cerca de 350.000 habitantes. Aproximadamente 85% eram muçulmanos, 11% eram cristãos e 4% apenas eram judeus.
Em 1854, Judah Touro, um negociante e filantropista judeu deixou, após a sua morte,uma quantia em dinheiro para financiar assentamentos residenciais para judeus na Palestina. Sir Moses Montefiore (um banqueiro italiano naturalizado britânico, que foi considerado um dos mais famosos judeus do século XIX) foi nomeado executor de sua vontade e usou os fundos para uma variedade de projetos, incluindo a construção do primeiro assentamento residencial judaico e um asilo fora das muralhas da cidade de Jerusalém em 1860, que é hoje conhecida como Mishkenot Sha’ananim.
No Império Russo, as ondas de pogroms (palavra russa que significa “causar estragos, destruir violentamente”, mas que historicamente refere-se aos violentos ataques físicos da população em geral contra os judeus, tanto no império russo como em outros países) de 1881-1884 (alguns supostamente patrocinados pelo Estado), bem como as Leis de Maio antissemitas de 1882, introduzidas pelo czar Alexandre III da Rússia, tiveram um efeito devastador nas comunidades judaicas russas. Mais de 2 milhões de judeus fugiram da Rússia entre 1880 e 1920. A grande maioria deles foi para os Estados Unidos, mas alguns decidiram realizar aliá.
E foi assim que em 1882, um grupo de Hovevei Tsion (Amantes de Sion) fundaram Rishon Le Tsion (Primeiro Tsion), o primeiro assentamento sionista na então Palestina, apesar dos obstáculos colocados pelo governo turco, que impediam a compra de terras.
Um outro grupo do Movimento Bilu formado por quatorze estudantes universitários de Kharkov na Rússia, liderados por Israel Belkind, que mais tarde se tornaria um proeminente escritor e historiador, também chegaram a Palestina Otomana. Depois de uma curta estadia na escola de agricultura judaica em Mikveh Israel, eles se juntaram aos membros de Hovevei Tsion na criação de Rishon LeTsion (Primeiro Sion), uma cooperativa agrícola em terras compradas da aldeia árabe de Ayun Kara.
Atormentados por escassez de água, doenças e dívidas financeira, o grupo abandonou o local em poucos meses. Eles então buscaram ajuda do Barão Edmond James de Rothschild e Maurice de Hirsch, que forneceram os fundos necessários para o estabelecimento da primeira indústria vinícola local. Em 1886, começou a construção de uma vinícola em Rishon LeTsion, que se tornaria uma empresa de sucesso exportadora de vinho.
No inverno de 1884, um outro grupo de pioneiros Bilu fundou Gedera que foi estabelecida num terreno comprado da aldeia árabe de Qatra por Yehiel Michel Pines, do Hovevei Tsion, sob os auspícios do cônsul francês em Iafo.
Desta forma a primeira aliá que teve início em 1881 e durou até 1903, levou algo entre 25.000 e 35.000 judeus para a Palestina.
A maioria dos que chegaram pertenciam aos movimentos Hovevei Tsion e Bilu. Esses imigrantes criaram muitas comunidades agrícolas, assentamentos, e cidades como Petach Tikva, Rishon Letsion , Rosh Pina e Zihron Yaakov. Nenhuma delas em terras invadidas ou expropriadas.
Enquanto chegavam os primeiros imigrantes na Palestina em 1881, nascia na Ucrânia, Ber Borochov. Sua mãe e pai eram ambos professores. Quando adulto, ingressou no Partido Trabalhista Social-Democrata da Rússia, mas foi expulso quando formou uma União Sionista de Trabalhadores Socialistas em Yekaterinoslav. Depois de ser preso pelas autoridades russas, ele partiu para os Estados Unidos. Posteriormente, ajudou a formar o partido Poalei Tsion e dedicou sua vida à promoção do partido na Rússia, Europa e América. Quando O Partido Operário Social Democrata russo chegou ao poder, Borochov retornou à Rússia em março de 1917 para liderar o Poalei Tsion. Ele ficou doente e morreu em Kiev de pneumonia em dezembro de 1917.
Borochov tornou-se altamente influente no movimento sionista porque explicou o nacionalismo em geral e o nacionalismo judaico em particular sob a ótica da luta de classes marxista e do materialismo dialético. Ele via a si mesmo como um marxista, e expôs sua filosofia em sua primeira grande obra publicada em 1905, “A Questão Nacional e a Luta de Classes”. Borochov previu que as forças nacionalistas seriam mais importantes na determinação de eventos do que considerações econômicas e de classe, especialmente no que se referia aos judeus. Ele argumentou que a estrutura de classe dos judeus europeus se assemelhava a uma pirâmide de classes invertida onde poucos judeus ocupavam as camadas produtivas da sociedade como trabalhadores. Para ele, os judeus que até então migravam de país para país quando eram forçados a sair de suas profissões escolhidas por um “processo estético” acabariam sendo forçados a imigrarem para a Palestina, onde formariam uma base proletária para levar adiante a luta de classes marxista.Em novembro de 1905 ele se juntou e logo se tornou um líder do movimento Poalei Tsion (Trabalhadores de Sion). Ele se tornou um ávido defensor de um sionismo baseado na Palestina após o VI Congresso Sionista, durante o qual foi debatida a questão de Uganda como um possível refúgio temporário para os judeus.
Uma parte fundamental da ideologia de Borochov era que as classes trabalhadoras árabes e judias tinham um interesse proletário comum e participariam juntas da luta de classes quando os judeus retornassem à Palestina. Em seu último discurso gravado, ele disse:
“Muitos apontam os obstáculos que encontramos em nosso trabalho de colonização. Alguns dizem que a lei turca dificulta nosso trabalho, outros argumentam que a Palestina é insignificantemente pequena, e ainda outros nos acusam do odioso crime de desejar oprimir e expulsar os árabes da Palestina .
Quando as terras devastadas são preparadas para a colonização, quando a técnica moderna é introduzida e quando os outros obstáculos são removidos, haverá terra suficiente para acomodar tanto os judeus quanto os árabes. As relações normais entre os judeus e os árabes prevalecerão e deverão prevalecer”.
Após a morte de Borochov o movimento russo Poalei Zion dividiu-se em duas facções sobre que atitudes tomar em relação à Revolução Bolchevique de outubro de 1917. O Poalei Sion Esquerda formou a “Brigada Borochov” que se uniu ao Exército Vermelho durante a Guerra Civil Russa e, por fim, se separou do partido principal Poalei Sion para se tornar o Partido Comunista Judeu em 1919 e se unindo à seção judaica (Yevsektsiya) do Partido Comunista da União Soviética, enquanto a chamada direita social-democrata do Polalei Sion foi proscrita.
Outro expoente do sionismo socialista foi Nachman Sirkyn, nascido em 11 de Fevereiro de 1868 e morto em 6 de Setembro de 1924 na cidade de Mogilev, Império Russo (atual Belarussia). Ele foi influenciado na sua juventude pelo Movimento Hovevei Zion e pelo socialismo e se dedicou a sintetizar os dois conceitos. Nesta tarefa ele foi acompanhado por Ber Borochov, embora, ao contrário de Borochov, Syrkin não fosse um marxista ortodoxo. Ele foi um dos líderes da facção sionista socialista no Primeiro Congresso Sionista em 1897 e foi um dos primeiros proponentes do Fundo Nacional Judaico. Ele também foi a primeira pessoa a propor que os emigrantes para a Palestina formassem assentamentos coletivos. Estes assentamentos foram a origem dos Kibutzim (fazendas coletivas), cuja ideologia propunha que cada membro trabalhasse de acordo com as suas possibilidades e recebesse de acordo com as suas necessidades.
Ao contrário de muitos outros pensadores socialistas da época, Syrkin estava bastante à vontade com sua herança judaica e, embora ele não o diga explicitamente em seu ensaio “O Problema Judaico e o Estado Socialista Judaico” (1898), alguns pensadores acham ele tinha em mente a ênfase bíblica na justiça social estrita, independentemente de riqueza, poder ou privilégio. No entanto, ele viu o sionismo como um substituto para o judaísmo tradicional:
“O novo judaísmo sionista está em total contraste com o judaísmo do exílio … O sionismo arranca o judaísmo religioso de uma forma mais forte que a reforma ou assimilação, criando novos padrões de “judaísmo” que constituirão uma nova ideologia que pode ser elevada ao status de uma religião”.
Syrkin trabalhou para estabelecer grupos sionistas socialistas em toda a Europa Central. Depois de estudar e trabalhar na Alemanha e na França e depois de ser banido da Alemanha em 1904, retornou à Rússia após a Revolução Russa de 1905. Ele participou do Sétimo Congresso Sionista de Basileia em 1905 como delegado do novo Partido Sionista dos Trabalhadores Socialistas. Em 1907 ele se mudou para os Estados Unidos, onde se tornou um dos líderes do partido Poalei Sion na América.
Em 1919, Syrkin foi membro da delegação judaica americana na Conferência de Paz de Versalhes. Ele também foi uma figura importante na conferência Mundial do Poalei Sion naquele ano e recebeu a tarefa de visitar a Palestina para desenvolver um plano para o assentamento de kibutzim. Ele pretendia se mudar para a Palestina, mas morreu de um ataque cardíaco em 1924 na cidade de Nova York.
Em 1951, seus restos mortais foram enterrados no Kibbutz Kinneret, ao lado dos outros fundadores do Sionismo Trabalhista. Kfar Sirkin (fundado em 1933) perto de Petach Tikva tem o nome de Nachman Syrkin.
A experiência das fazendas coletivas em Israel, talvez tenha sido o mais próximo do socialismo utópico que a humanidade já conheceu. Estes assentamentos, além do acolhimento de novos imigrantes revolucionaram a forma como os judeus eram vistos desde muitos séculos. Esta imagem estava associada a usura, religião e todas as formas de trabalho mais elitista. Com o Kibutz, um judeu proletário e ligado a terra tomou forma.
Todas as decisões nestas fazendas eram tomadas em assembleias gerais das quais tinham direito a palavra e ao voto qualquer um dos seus membros, homens e mulheres. Desde a aprovação de novos membros até a compra de bens para serem distribuídos, tudo era discutido nas assembleias.
O Partido Poalei Sion em Israel se dividiu em duas correntes, o Mapan que era marxista e o Mapai que era socialista não marxista. O mesmo aconteceu com o movimento kibutziano que se dividiu para cada lado. Alguns Kibutzin se dividiram ao meio, indo cada parte para um lado.
Esta experiência nunca foi copiada pelos árabes de Israel, nem por qualquer outro país árabe da região.
por Mauro Nadvorny | 23 jul, 2016 | Antissemitismo, Comportamento, Israel, Judaísmo, Política
O antissemitismo não é nenhuma novidade no Brasil, mas ele tem sido mais contundente a partir de grupos e partidos que supostamente deveriam combatê-lo com mais vigor. Estou falando da esquerda brasileira.
Um recente artigo publicado e logo retirado no site Vermelho, do PC do B, com um pedido de desculpas, de autoria de Thomas de Toledo, é o fato mais recente que reascendeu o questionamento de parte dos judeus de esquerda, e causou a ira dos judeus de direita.
O texto em questão muito lembra o conhecido Protocolos dos Sábios de Sião, um livro apócrifo que atribui a dominação do mundo pelos judeus. Os protocolos serviram de inspiração para gerações de antissemitas, tanto de direita como de esquerda.
Thomas de Toledo possui belas credenciais: historiador formado pela USP, com mestrado em desenvolvimento econômico pela Unicamp, secretário geral do Cebrapaz e membro do PC do B.
Não é nenhuma novidade a associação ente Judeus/Israel/Sionismo, como se fossem tudo a mesma coisa quando se deseja atacar o Estado de Israel, e a associação Judeus/Religião/Brasileiros, quando se pretende justificar o não antissemitismo.
Quando afirma que Israel passou a controlar três ministérios chaves do governo golpista de Temer, nominando os ministros com sobrenomes supostamente judeus, Toledo está flertando com os Sábios de Sião. Ele não se distingue daqueles que afirmavam que na Páscoa os judeus faziam a Matzá (pão ázimo) com o sangue de crianças cristãs e os consequentes pogroms e mortes de judeus.
O Estado de Israel não somente foi criado por sionistas-socialistas, como sobreviveu inicialmente graças a ajuda da União Soviética. A representação de esquerda em Israel e os movimentos pacifistas pela criação de um Estado Palestino são formados em sua maioria por pessoas de esquerda. Este mesmo quadro praticamente não existe nos demais países do Oriente Médio. No entanto os movimentos e partidos de esquerda no Brasil são, em sua maioria, favoráveis a destruição do Estado de Israel. Não se contentam posicionar-se contra o atual regime político, claramente fascista e combatido pela esquerda israelense. Muito menos serem solidários com esta esquerda duramente combatida, não apenas pelo regime, como por inúmeros movimentos de extrema direita que os tratam como traidores da pátria.
O conceito de uma conspiração judaica para dominação mundial, como já disse antes, não é novo, tampouco no Brasil. Nos anos 80 e 90 até mesmo uma editora de livros antissemitas se estabeleceu no RS. Chamava-se Editora Revisão (sic) e tinha como proprietário Siegfried Elwanger, um notório revisionista que dizia possuir inúmeros amigos judeus.
O posicionamento contrário a Israel por parte da esquerda também não é novidade no Brasil. O que sim vem surgindo como uma novidade é o famigerado antissemitismo disfarçado de uma política anti-Israel.
Quando um Partido Político de esquerda dá guarida a um texto inequivocadamente antissemita, ele fere de morte todo o preceito básico da ideologia socialista. Ele se contradiz em si mesmo e se assemelha ao fascismo e todas as suas matizes.
Ironicamente os judeus sempre estiveram ligados a esquerda em nosso país mantendo intensa atividade política com movimentos e partidos de esquerda.
A participação nos anos 20 e 30 foram significativas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte. No Rio de Janeiro a esquerda judaica se reunia em torno da Biblioteca Scholem Aleichem (que mais tarde se transformaria na ASA), na Brazkcor, Sociedade Brasileira Pró-Colonização Judaica na União Soviética, e no Centro Operário Morris Vinchevsky. Em São Paulo eram conhecidos os grupos Cultura e Progresso e, já em 1954, o Instituto Cultural israelita Brasileiro (Icib), a Casa do Povo, de tendência comunista, junto ao Teatro de Arte Israelita Brasileiro (Taib). Por curiosidade, a língua e a cultura idiche foram um aglutinador importante destes movimentos.
Na era Vargas os judeus participaram intensamente dos movimentos sindicais, universitários, organizações populares e centros culturais comunitários. Haviam judeus membros da Aliança Nacional Libertadora e no Partido Comunista Brasileiro. Um nome não pode deixar de ser mencionado: Olga Benário.
Nos dias de hoje existem judeus em todo o espectro partidário de esquerda. Portanto em nada se justificaria no Brasil a intrínseca associação entre esquerda e antissemitismo, no entanto ela existe.
Eu concluo que independentemente de ideologias, a esquerda tem em seus quadros pessoas preconceituosas que diferentemente do que se poderia esperar, afrontam os preceitos ideológicos de sua formação. Não creio que a esquerda brasileira seja antissemita, mas acredito que em seu seio existem militantes que em dada diferem dos membros de organizações fascistas quando o tema é o judeu.
O antissemitismo, muito mais do que ideológico, é um estado doentio de natureza humana e de ordem privada.
OBS: Alguns dados foram obtidos em A História dos Judeus no Brasil – CONIB e no Livro de Maria Luiza Tucci Carneiro, O anti-semitismo nas Américas: memória e história.