Na sexta-feira, 04/08/22, um jovem palestino de 19 anos foi assassinado por terroristas judeus colonos, que vieram com seu rebanho para terras privadas da vila de Baraka para criar anarquia, sabendo que haveria uma reação dos palestinos. Eles vieram com armas de fogo, como parte da estratégia de tomar terras privadas palestinas.
No sábado, 05/08/22, um jovem judeu foi assassinado em Tel Aviv por um terrorista palestino que veio a Tel Aviv para criar anarquia e desafiar a existência de Israel.
Me interessa analisar como a mídia “esquerdista ” (assim definida pela direita) reage a esses eventos. A manchete principal de um dos jornais dizia: “Flores e elogios no local do ataque em Tel Aviv, o IDF invadiu a casa do terrorista, o comandante da unidade do falecido Chen Amir: “Ele era um amigo pessoal e próximo ” , incluindo uma descrição detalhada do incidente, do comportamento heróico do assassinado em salvar vidas e proteger Tel Aviv, um artigo sobre a personalidade dele, sua família, seus amigos, sua contribuição para a comunidade e a defesa de Israel. O rádio e a televisão também dedicaram tempo significativo à sua vida. Ele merece. Merecemos saber quem ele é, e o que o conflito nos causa na perda de pessoas queridas e amadas. Jovens que sonham com o futuro, com viagens, profissão, casa, relacionamento, família. Jovens que têm pais, irmãos e famílias. É importante nos mostrar do que eles (os palestinos) e nós (os judeus israelenses) estamos perdendo.
Eu também esperaria que uma imprensa não mobilizada contasse a história do jovem palestino, sobre sua vida, sua família, seus sonhos, sua contribuição para a comunidade. Para saber quem ele é e o que o conflito está causando ao povo palestino – perda de pessoas amadas. Os jovens que sonham com o futuro, com viagens, profissão, casa, relacionamento, família. Jovens que têm pais, irmãos e família. É importante nos mostrar o que nós (judeus israelenses) e eles (palestinos) estamos perdendo.
Mas, não é assim. Nossa mídia de “esquerda” está mobilizada. Um é um herói, o protetor de Israel. O outro é um provocador que veio perturbar os judeus que estavam pacificamente com seus rebanhos nas terras particulares dos palestinos. Um objeto palestino, sem personalidade, sem vida e sonhos para contar. Sem família. Apenas um palestino
Se fosse um evento único, eu poderia perdoar a mídia esquerdista. Falhou. Mas essa narrativa se repete todos os dias. Cada vez que há um ataque terrorista em Israel por parte de um palestino, tudo para e muitas páginas, minutos e horas são dedicados ao assassinato e ao assassino, para provar o quanto somos heróis e nossa causa justa e o quanto eles são sanguinários e só querem a nossa destruição.
Mas, todos os dias há eventos nos territórios ocupados. Corte de oliveiras, matança de rebanhos, queima de carros, profanação de igrejas e mesquitas e ataques a palestinos inocentes, a ponto de queimar casas e matar. Procurei na imprensa, nos noticiários, em dezenas de conversas diárias de programas de rádio e televisão, em canais nas redes alguma referência a esses acontecimentos. Noticias. Nada!
A mídia é mobilizada para o ethos israelense – sionista. Críticas de esquerda? Só até certo limite. Há um sinal vermelho pelo qual não pode passar. A comparação do assassinato de um israelense contra o “assassinato” de um palestino. Esta é a linha vermelha. Não compare a dor de um judeu ou judia com a dor, se é que existe, de um palestina ou palestino.
Esta narrativa recebeu apoio e aprovação do Ministério da Educação na semana passada, quando proibiu a Family Circle, organização de famílias enlutadas israelenses e palestinas, de realizar encontros nas escolas. “O assassinato de um judeu não deve ser comparado com o assassinato de um palestino. A dor judia com a dor palestina”.
Este governo encurralou ainda mais a mídia, com a tentativa de revolucionar a mídia e controlá-la. Este governo está nos levando, não a uma revolução constitucional, mas a uma mudança na narrativa judaico-sionista. A narrativa em que acreditamos há 75 anos
Trarei apenas três regras que estão a caminho. A primeira, já aprovada há vários anos, a lei da nacionalidade, que diz que há um cidadão de primeira classe – judeu e um cidadão de segunda classe – não judeu. Segunda lei, punição dupla pelo estupro de uma judia por motivos nacionalistas. Como provar que a violação foi de uma forma ou de outra, ou ainda mais grave, como provar que em uma relação voluntária não houve estupro, principalmente quando o Ministro da Segurança Nacional, Ben Gvir, fazia parte da Organização Lehava que luta contra relações de casais de judeus e árabes, a ponto de ameaçar de assassinato? Terceira lei, uma pessoa pode escolher a quem prestar serviços, incluindo médicos. O dono de uma loja ou negócio, um profissional liberal ou até mesmo um funcionário público pode decidir não prestar serviço a um não judeu, a uma pessoa pertencente a um setor que julgue inadequado (como LGBT) ou, mulheres com roupas definidas por ele como não modestas.
Até o momento são mais de 100 leis que estão sendo encaminhadas ,voltadas para setores vistos pelos partidos religiosos e pela extrema direita como ilegítimos – LGBT (proibição de adoção ); Mulheres em espaço público (separação de sexos em espaços públicos e praias); Movimento reformista e Conservativo ( Lei do Muro das Lamentações) e leis de proteção a populações judias ultra-ortodoxas, como a lei que compara o estudo da Tora com a convocação ao exército,
Leis que definem a supremacia do povo judeu, como povo escolhido e o único que tem o direito de viver nesta terra de acordo com as leis da Halachá. Leis que transformarão nosso sonho de ressurreição depois de dois mil anos na destruição do “3º Estado”.
Se o povo judeu, vivendo em Israel e na diáspora (e aqui incluo os movimentos progressistas, o movimento reforma e conservativo, os movimentos juvenis, as organizações sionista clássicas, as representações de Meretz e Avoda, Shalom Achshav), não acordar, veremos o fim do sionismo humanista, pluralista, democrático, que criou o Estado de Israel e o surgimento de um novo Israel, baseado no sionismo fascista, messiânico, no Na-zi-onismo.
Escrevi esta primeira parte do artigo a uma semana atrás. Pensei em re-escrever, mas decidi deixar assim para o leitor poder ver a dinâmica e a velocidade dos acontecimentos em Israel.
19/07/2023
Quando pensamos se seria possível uma guerra civil em Israel, nossa imaginação nos leva a ver uma guerra entre judeus e árabes palestinos. Mas a realidade vai muito mais além de nossa imaginação.
A Guerra civil em Israel já existe. Ela iniciou-se em 4 de novembro de 1995, quando Igal Amir, sob influência de rabinos extremistas e da extrema direita, assassinou ao primeiro-ministro Itzhak Rabin.
A guerra civil vem se desenvolvendo desde lá com o apoio de judeus multimilionários americanos, que criaram a organização Kohelet, que define quais devem ser os passos para um “Novo Israel”, enterrando as origens do sionismo socialista laico humanista democrático e criando um Estado sionista messiânico, influenciado cada vez mais pelas leis da halacha e pela anexação dos territórios palestinos.
A guerra civil, com um só morto, foi comandada pela direita, durante os 13 anos do governo de Bibi Nataniahu, Likud e seus “parceiros naturais”, os partidos do sionismo messiânico, ultra ortodoxos e a extrema direita do Rabino Kahane.
Em janeiro deste ano subiu ao poder, principalmente por um erro grave da esquerda, que não se uniu e assim 2 partidos minoritários não alcançaram a porcentagem mínima , perdendo de 3-5 bancas, dando assim o poder de mãos beijadas a direita e a extrema direita, partido do terrorista judeu de Bem Gvir (ministro da segurança nacional) e do racista Smotrich (ministro das finanças) – a favor da imposição religiosa no pais (halacha), a favor da anexação dos territórios palestinos, homofônico, cuja plataforma política é o extermínio da comunidade LGTBQ+, contra igualdade de direitos a mulher, aos árabes e finalmente contra o pluralismo judaico e as correntes reforma e conservativa.
Mas, este governo abriu a caixa de Pandora, colocando todos os fantasmas temidos para fora. Mas, sem saber que junto com os fantasmas a caixa de Pandora também continha a Esperança. A reação a Guerra Civil da direita.
Prof. Yuval Noah Harari declarou há dois dias que “O Estado de Israel como o conhecíamos está morto. Este governo está determinado a avançar em apenas uma direção – a ditadura, mesmo à custa de quebrar o contrato israelense “.
O ex-primeiro-ministro Ehud Barak afirmou na quinta-feira que a política liderada pelo atual governo liderado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu levará a um levante dentro das IDF e do Shin Bet – “A agenda liderada pelo governo mais direitista da história de Israel causará uma revolta e resistência civil, e recusas de ordens por altos oficiais das IDF e pessoal do Shin Bet”.
“O contrato foi quebrado, não podemos continuar assim. Chegamos ao momento da verdade, a um ponto em que sentimos que é tudo ou nada”. Continua Yuval Harari.
Em 1980 foi criado o movimento “Yesh Gvul” (tem fronteira). Soldados da reserva se recusavam a servir além das fronteiras de 67. Eu também assinei a carta de Yesh Gvul. Meu filho nasceu em 1983. 18 anos mais tarde, em 2011 ele se recusou a servir no exército de opressão e domínio dos territórios palestinos. Com ele estava o sobrinho do Bibi Nataniahu. Ambos foram presos por 6 meses, até serem liberados. Naquela época éramos uma minoria, e a causa era o conflito com os palestinos. Ninguém poderia imaginar o que aconteceria 40 anos mais tarde.
Está claro para todos nós que este governo quer eliminar todos os freios e contrapesos do regime democrático, obter poder ilimitado para si e, assim, transformar Israel em uma ditadura. A princípio o governo tentou fazer isso por meio de uma rápida blitz legislativa. Nós a paramos e esperamos que ela ficasse sóbria. Queríamos acreditar que o governo percebeu seu erro e abandonou seu plano destrutivo. Demos uma chance de negociação na casa do presidente, com muita desconfiança, mas também com muita esperança. Infelizmente, todas as suspeitas foram confirmadas e a esperança foi completamente destruída .
O contrato que manteve nosso país unido por 75 anos está morto . A extrema direita o matou em novembro de 1995 e o governo de Netanyahu fez “vidui ariga” (comprovante de morte) [1] a partir de janeiro de 2023 e o enterrou em julho.
É preciso entender que não estamos falando só de revolução judiciaria, esvaziando o Supremo Tribunal, permitindo ao governo tomar decisões em contra das Leis Básicas de Israel [2] , demissão e admissão de funcionários públicos e contrato de serviços sem concursos, desconectando os ministérios dos assessores judiciais independentes dos ministérios. O poder executivo já está totalmente conectado com o poder legislativo. O que quer este governo é conectar o poder judiciário ao executivo e assim ter o poder total das decisões no País. Desta forma poderá o governo, com 25 % de membros ultra-ortodoxos aprovar leis religiosas em base a halacha, lei que permita a não convocação ao exercito de “avrachim” (jovens que estudam em Yeshivot – no momento foram exentos 170 mil jovens), lutar contra a comunidade LGTBQ+, reduzir os espaços públicos de mulheres, eliminar os movimentos reforma e conservativo. Um Israel “à la Irã”. Por outro lado, os 2 partidos sionistas messiânicos, de extrema direita, 25% do governo, poderão anexar os territórios da Palestina, conquistados em 1967, transformando Israel em uma África do Sul, com uma população judia previlegiada e sem direito de voto aos palestinos.
O governo não pensava que haveria uma resistência tão grande da população. Apesar de que receberam 64 cadeiras na Knesset, a maioria da população é contra a revolução judiciaria. Se houvesse eleições agora, a oposição receberia 64 cadeiras mais 5 do partido da Frente Árabe e o governo somente 51 cadeiras.
Mas, no momento, o governo caminha a toda velocidade e sem freios para mudar o País e implantar a ditadura. Mais ainda, agora que eles sabem que perderão as próximas eleições.
E quem vai se opor e resistir a esse golpe e revolução judiciaria? Será que as manifestações, que já vão a sua 30ª semana, são suficientes? Claro que não.
Cerca de 4.000 reservistas, oficiais e pilotos já declararam: Deixaremos de se voluntariar se a legislação unilateral continuar. O protesto nas FDI aprofunda-se e espalha-se por mais e mais unidades em todas as forças • A coligação continua a decretar a eliminação da lei da razoabilidade – e mais reservistas ameaçam abertamente que não se reportarão às suas unidades se a lei for aprovada. Reservistas pilotos e navegadores, Shaldag e Shayetet 13 a veteranos de oficiais do Corpo de Inteligência. A previsão do ex-primeiro-ministro Ehud Barak se concretiza.
O contragolpe virá de dentro do exército, dos serviços de segurança e informação, do setor de high tech, do sistema médico-hospitalar (mais de 400 médicos do sistema já declararam que se demitiram, caso as leis sejam aprovadas).
25/07/2023
Em apenas menos de uma semana, mais de 10 mil reservistas declararam que não servirão mais no exército. Há 3 dias atrás saiu de Tel Aviv a caminhada contra a reforma. Iniciou com 50 pessoas e chegou a 10 mil em Jerusalém. A ela se uniram mais de 150 mil pessoas. Entre elas, pela primeira vez, o setor religioso ortodoxo moderado, que até então não havia se manifestado. Em minha opinião elas são mais de 30% da população religiosa.
Durante o dia de domingo, o ex-chefe do serviço de informação fez uma declaração avisando do perigo da lei a ser aprovada. A Histadrut (Organização dos sindicatos) junto com a Organização das empresas particulares reuniu com representantes do governo, prevenindo pela centésima vez do perigo da quebra da economia de Israel. Entregaram uma proposta de mediação. Resistencia total.
Ontem, apesar das várias tentativas de mediação, com proposta de abrandar a Lei da razoabilidade, foi aprovada a lei em sua forma mais extremista, impedindo o Supremo tribunal de intervir e cancelar qualquer decisão do governo, seja de ordem política ou administrativa. Pressionado pelo lado extremista do governo (Bem Gvir, Smotrich, Levin), que ameaçaram romper a coalisão, Bibi cedeu e permitiu que a lei fosse votada sem nenhuma mudança. 64 a favor, 0 contra. A oposição não votou à lei.
Desta forma, está aberto o caminho para a ditadura. Ontem mesmo, já houve atos de violência por parte da população mais extrema, atos que já se vem manifestando a tempo sem nenhuma resposta do exército ou da polícia – queima de cultivos agrícolas e corte de oliveiras em campos palestinos e queima de carros e casas em aldeias palestinas por extremistas nacionalistas, ataques a igrejas por extremistas religiosos ultra-ortodoxos.
A comemoração de vitória por parte dos partidos extremistas de direita e messiânicos, abre as portas, as populações extremistas de agirem.
A pergunta que para mim é a central, é como agirão as lideranças da oposição e a população que até agora saiu as ruas de forma pacífica. População que envolve extrema esquerda (uma minoria quase sem expressão), esquerda, centro (a grande maioria), os religiosos moderados e árabes.
Será que isto levará a um aumento de grupos de esquerda militantes? Será que isto levará a que a população que até agora soube brecar nos faróis vermelhos de atravessá-los? Será que a revolta civil pacifista até agora, tomará forma de violência?
Não acredito na resistência pela violência. Na revolta civil pacífica existe muito mais força e impacto. Recusar a servir no exército, deixar de pagar imposto, boicote, manifestações pacíficas, greves, etc. Ações que paralisam o país, mas não geram mais violência.
Para evitar um incremento de violência necessitamos também do apoio de fora. Do governo americano e das diásporas. É hora do Levante diaspórico. Deixar de contribuir com o Fundo Comunitário, enviar manifestos de apoio a revolta civil, boicotar Israel. Sim, boicotar àqueles setores extremistas nacionalistas e religiosos. Manifestar-se em atos contra o atual governo e as medidas tomadas por eles. E não, não é uma questão só dos israelenses. E sim, sim a diáspora tem o direito de interferir. Ela já está interferindo a anos através da Organização Kohelet e outras organizações ultra-religiosas, que querem mudar o rumo do Estado de Israel. É hora dos judeus progressistas se levantarem e gritarem “Dai”, chega. Manifestar em frente da embaixada de Israel. Juntar-se a nós, lembrando que estamos há dois dias de 9 de Av, estamos diante de um “déjà vu” histórico de extremistas assumindo o poder e instigando o ódio gratuito – os principais motivos da destruição do 1º e 2º templo e da autonomia judaica em Israel.
[1] no exercito depois de atirar em um “terrorista” o soldado se aproxima e atira mais uma vez para comprovar a morte
[2] Israel não tem constituição, mas uma série de leis básicas que resguardam os direitos humanos e a declaração da independência, na qual está escrito que todos são iguais perante a lei, independente de sua religião, cor, sexo e raça.
Semana passada memoramos o dia do Holocausto, ontem a noite e hoje memoramos Yom Hazikarom (o dia da memória), no qual lembramos os mortos caídos nas guerras e no conflito com os palestinos. Hoje a noite comemoraremos Yom Haatzmaut, o dia da Independência, da criação do Estado de Israel, sonho de 2000 mil anos do povo judeu. São dias de muita emoção e reflexão, uma práxis de minha caminhada pessoal e coletiva. Há 18 anos participo do Yom Hazikaron Alternativo, no qual memoramos os mortos judeus e palestinos caídos nas guerras e no conflito entre os dois povos. https://youtu.be/gxbkR9_ZTrw
Ao acordar hoje, como sempre, coloco músicas especiais de Yom Hazikaron. Cada uma das músicas me leva a um lugar no meu coração de tristeza, dor e esperança. Tristeza e dor pelos caídos, pelo medo de meus netos terem que continuar a servir, ou recusar a servir no exército de domínio a Palestina, antigo exército de defesa de Israel. Tristeza em pensar quantos mais terão que morrer…Bob Dylan. E ao escutar as músicas, dois pensamentos me vieram a mente.
Yamim Noraim (Days of Awe, dias de espanto) é o período de 10 dias entre Rosh Hashana (o primeiro dia do ano judaico) e Yom Kipur (o dia do perdão). São 10 dias nos quais o povo judeu pede slichot (perdão) e se reconcilia com Deus, mas principalmente e antes de tudo com os seres humanos. Vindo de uma família religiosa, Yom Kipur era um dia muito especial, de jejum, com uma áurea e energia especial, no qual rezamos uma reza na qual pedimos perdão por uma série de erros (no original pecados) que cometemos “lefaneicha” (na sua frente). Como criança e adolescente inquieto não entendia por que tenho que pedir perdão a Deus por algo que não cometi. Hoje, esta reza é a que mais me emociona, e que representa a minha metamorfose e o entendimento dela. Em primeiro lugar a reza não se dirige a Deus. Em nenhum momento está escrito “Al hachet she chatati lefaneicha elochim” (sobre o pecado que pequei em sua frente, Deus”. A Palavra Deus não consta no texto, somente “Lefaneicha” (na sua frente). חייב האדם לבקש מחילה מחברו ורק אחר כך מאלוהיו. O homem deve pedir perdão ao seu amigo e só então ao seu Deus. Sendo assim, “lefaneicha” é seu amigo, outro Ser Humano. E não só pedir perdão, mas o mais importante reconciliar. Em segundo lugar, eu sei quais foram os meus erros cometidos de proposito a outro ser humano, mas não sei se ofendi, machuquei, feri a um outro ser humano sem querer. Assim que pedir perdão específico é um sinal de humildade e de respeito pelas diferenças e pelos direitos humanos do OUTRO.
Como escrevi no artigo “Israel é importante demais para deixar somente nas mãos dos israelenses”, foram cometidos muitos erros, alguns premeditados e outros resultados da dinâmica do processo. O pior de todos a Nakba, a Desgraça, dos palestinos. 600 mil refugiados. O Segundo maior erro foi ficar com os territórios da Cisjordânia e de Gaza, conquistados na Guerra dos 6 dias em 1967. Não é hora de analisar quem é o culpado da Nakba, se os próprios palestinos, se Israel, se os lideres árabes dos países vizinhos. A Nakba é a desgraça do povo palestino, que se segue com a conquista dos territórios da Cisjordânia e de Gaza. Também não é o lugar para perguntar porque Egito e a Jordânia não incentivaram a criação do Estado Palestino nestes territórios entre 48 e 67, quando estavam em seu poder.
E, assim como em Yamim Noraim, me veio a ideia de que esta semana entre o Dia do Holocausto e Yom Hazikarom podíamos fazer um segundo Yamim Noraim, e pedir perdão aos palestinos e reconciliar-se com eles. Como em Yamim Noraim, não nos perguntamos sobre os erros (pecados) cometidos pelos outros, aqui também não questionamos os erros do outro lado, dos palestinos. O processo de perdão é um processo de introspeção, seja ela individual ou coletiva. O foco está em nossas ações, independente se foram motivados de forma premeditada, por que nos obrigaram a agir desta forma ou mesmo que não nos demos conta que estávamos fazendo mal ao outro. Desta forma quem sabe o outro lado agirá da mesma forma, criando a dinâmica da reconciliação.
O segundo pensamento surgiu já ontem a noite no Ato de Yom Hazikaron Alternativo. 10 mil pessoas presentes e outras centenas de milhares online, judeus e palestinos, escutamos a tragedia de judeus e palestinos que perderam seus entes queridos, pais, mães, irmãos, irmãs, filhos e filhas. Não existe tristeza maior ou menor, não existe dor maior ou menor. O luto é o mesmo, as memorias são as mesmas, de amor ao caído, apesar de que cada vida é uma vida individual, única.
Fora do espaço ao ar livre, no qual se realizou o ato, 20 extremistas gritavam com megafones “traidores”, cheios de odio a todos os que lá estavam, judeus e palestinos. Em meu livro “Psicopedagogia do amor”, descrevi que o mundo, hoje, se divide em dois. Àqueles que se apegam ao problema e àqueles que se apegam a solução. Os primeiros estão cheios de medo, odio e violência. Medo de perderem o poder, os valores do passado, que já não condizem com o mundo em que vivemos, com o sec. XXI. Enraizados em seus dogmas passados, desenvolvem um processo de desumanização do outro, definindo-os como traidores, ratos. Os segundos, estão cheios de amor e esperança, acreditando em um mundo melhor, no qual se pode perdoar, reconciliar e viver juntos.
O ato de ontem representa bem a sociedade israelense. Uma minoria de extremista, cheia de medo, odio e violência que por usarem “megafones”, sejam eles físicos ou virtuais, nos dá a impressão de que são a maioria. Mas, não. Não são a maioria. A maioria se cala, a maioria está confusa. A maioria não tem respostas, não tem caminho. Estão vivenciando o “bezerro de ouro” moderno, o consumo de bens materiais, o consumo das Mídias, o consumo da religião. Estes se calam, não vem e não escutam. Ou melhor não querem ver, não querem escutar para poder calar-se.
E, finalmente, os participantes do Ato. Cheios de amor e esperança, crescendo a cada dia. Me lembro que no primeiro ato havia algumas dezenas ou talvez centenas de participantes. Ano a ano fomos crescendo até tornarmos milhares, centenas de milhares a manifestar sua esperança à Paz, à reconciliação. Vemos isto também nas manifestações, que se iniciaram como protesto a futura possível ditadura, a favor da democracia judaica, da antiga ordem. Mas, assim como no Ato Alternativo, o número de pessoas e cartazes com os dizeres de “Não existe democracia com o domínio a Palestina”, “Fim do domínio, inicio da democracia” e outros foram crescendo de semana a semana, durante os últimos quatro meses.
Yuval Harari em seu livro Sapiens, escreve que uma narrativa passa a ser valida quando uma massa critica de pessoas passa a aceitá-la. Neste Yom Hatzmaut quero ser e ter esperança de que estamos caminhando para uma massa critica e que finalmente o povo de Israel entenda, através deste governo de extrema-direita e de sionistas messiânicos, de que a liberdade do povo judeu somente será quando o povo palestino tiver sua própria liberdade.
Que no ano que vem Jerusalém, em vez de ser repartida, seja compartida entre judeus e palestinos.
Hoje memoramos o Holocausto Judaico. Hoje memoramos a memoria de 6 milhões de almas que se foram, 1.5 milhões de crianças. Quem não conhece história e não leu sobre o holocausto e não falou com testemunhas que vivenciaram guetos e campos de concentração não podem imaginar a brutalidade animalesca do nazismo. Não era loucura, não era desumana, a ideologia nazista e a solução final foram resultados de um processo de pensar do pior que o ser humano pode realizar. Mas, que esteja bem claro, não foi loucura de um homem ou de uma nação. A História Humana está cheia de Holocaustos. Circassiano, o primeiro holocausto da era moderna, pelos russos, no qual 90% do povo foi aniquilado e expulso de seu território; Arménio, pelos turcos, no qual 1.5 milhões foram assassinados; Ruanda, 1 milhão em 3 meses; Camboja, 2 milhões. Estes são só alguns exemplos da crueldade humana, não dá loucura. Se fosse loucura, não teríamos o que fazer. Mas, maldade e odio, temos que seguir as palavras de Mandela – “Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser ensinadas a amar”.
Hoje, em Israel e nas diásporas nos 4 cantos do mundo, o povo judeu memoriza, o que foi o maior e mais planejado cientificamente holocausto. Em uma semana mais se comemora a criação do Estado de Israel. O movimento sionista messiânico, pregando a volta a origem sempre existiu, desde o exilio nos anos 70 D.C. “Beshana habaa beYerushalaim” (no ano que vem em Jerusalém) é a reza diária dos judeus, voltados para Jerusalém. Mas, o movimento sionista político, movimento de libertação do povo judeu, como movimento de ação, surge somente nos finais do sec. XIX. Muito antes do Holocausto.
Após o Holocausto, o povo judeu ansiava por um Lar seguro, um lugar no qual poderia sobreviver sem depender de outros, local que surgisse das origens do povo judeu, mas adaptado a nova era. Assim era o movimento sionista socialista, dos kibutzim e moshavim, da igualdade entre homens e mulheres. Um novo judeu para o novo Estado. Judeu laico, liberal, enraizado em sua história, seu calendário, sua cultura e língua renovada após 2000 anos, ação única em toda história da humanidade.
Mas, algo deu errado. Algo que a teoria não era compatível com a prática. A nova velha Eretz, Terra, não era uma terra sem povo para um povo sem terra. Era uma terra compartilhada com outros, que também queriam a sua libertação, seja através da Grande Síria ou da Palestina. O Mundo árabe nos hostilizava, e tínhamos que nos defender. O mundo árabe manipulou ao povo palestino, para obter seus objetivos políticos. O resto é história, que conhecemos. O conflito de movimentos de libertação de dois povos – judeu e palestino.
A teoria não era compatível com a prática também no plano interno do povo judeu. O Novo judeu, ocidental, laico, liberal, socialista impôs a outros setores do povo, o que hoje chamamos de “tribos”, o novo modelo de judeu. Mas, eles judeus orientais refugiados dos países árabes e judeus religiosos ortodoxos e haredim (ultra-ortodoxos) não se encaixavam neste “Novo Judeu”. O resto é história, que conhecemos. O conflito étnico entre judeus ashkenazim (ocidentais) e mizrachim (orientais) e o conflito religioso entre judeus laicos-liberais e judeus ortodoxos e haredim.
Os conflitos internos, que definem a identidade nacional-religiosa-étnica de Israel, foi superado, pela união para enfrentar o conflito externo. Os conflitos internos estavam encobertos pelo conflito externo. Mas, estes foram se acentuando, ganhando energias, como uma panela de pressão prestes a explodir. E chegou o momento – explodiu!!!
Israel vivenciou várias crises em sua curta vida. Crise de sobrevivência nas guerras da Independência e de Yom Kipur. Guerras em que sua existência foi ameaçada. Mas, nunca Israel passou uma crise como a atual. Uma crise de identidade.
Israel não possui uma constituição, mas em sua fundação, foi assinada a Carta da Independência, que se tornou a base das leis do país. Israel um país democrático e judaico. Durante 75 anos vivemos uma tensão entre estas duas identidades. Até quanto elas podem conviver? Como pode ser democrático se existem leis que favorecem aos judeus e descriminam outras populações com diferentes etnias, religiões e nacionalidade? Como pode ser judia e o que significa ser judia? Quem definirá esta identidade judaica?
O sionismo humanista, liberal, democrático dominou a identidade israelense desde a criação do movimento sionista político até os anos de 1967. Quase cem anos. Os kibutzim e moshavim com ideologia laica e socialista, os partidos políticos de centro-esquerda e esquerda dominavam a Knesset com maioria absoluta.
Até a Guerra dos 6 dias, Israel era o David lutando a Goliath. 100 milhões de árabes nas fronteiras contra o pequeno Estado com alguns milhões. Era uma minoria que via ao povo palestino e a Nakba como um fator a ser considerado. O Pais e o povo estavam em luta pela sobrevivência. Não havia dilema em relação ao povo palestino e nem em relação ao dilema Judaico-Democrático.
A Guerra dos 6 dias, a conquista da Cisjordânia, Gaza, Golan e Sinai transformaram o Pais. O movimento sionista messiânico e revisionista pregavam a ordem religiosa-nacionalista de anexação dos territórios “liberados” de acordo com eles. O partido do Avoda (esquerda) cedeu as pressões e começou o processo de colonização judaica, principalmente na Cisjordânia, que era tida como território da Grande Israel, território bíblico. Golan e Sinai eram vistos mais sob o aspecto de segurança.
A partir deste momento Israel começa a perguntar-se sobre sua identidade, dividindo o país em duas correntes – a democrática e a judaica. A esquerda assumiu a democracia e a direita a judaica. Na ocasião Yeshaiahu Leiboviwitz declarou “A tomada de Gaza e da Cisjordânia foi uma calamidade, não um milagre. Devido a isso, o chamado estado judeu se tornaria um regime colonial e as FDI um exército de ocupação, corrupto, degenerado e fraco, prendendo ou deportando os árabes que resistiam e alistando traidores entre os outros enquanto canalizava os melhores jovens israelenses para o polícia secreta.” Zvi Lam, o maior filosofo da educação em Israel, escreveu um livro “educação para a guerra”, prevendo todo o processo de socialização para a guerra e para um pais de domínio a outro povo, justificando isso através de desumanização do inimigo (todo palestino é um terrorista) e da postura de vitima perseguida por antissemitas e antissionistas, sendo o holocausto o fator primordial nesta “lavagem cerebral” da consciência coletiva. Zvi Lam, definiu que se o processo de socialização da consciência coletiva e do sistema escolar suceder, principalmente o do sistema escolar religioso, teremos em 4 décadas um processo ditatorial de direita messiânica no Pais. A revolução da identidade judaica e sionista do Pais.
Este processo iniciou-se em 1967, mas somente a partir de 1977, com a queda do governo de esquerda, causado pela crise da Guerra de Yom Kipur e pela corrupção, é que ela passou a ser parte da estratégia governamental. O novo governo formando pelo partido Liberal (anti socialista, capitalista) unido ao partido Herut (sionismo revisionista, expansionista-colonizador) e os partidos religiosos, Mafdal (sionismo messiânico) e Agudat Israel (anti-sionista a favor da Halacha , leis judaicas ortodoxas) deu inicio a revolução da identidade judaica israelense.
A politica de “tribalizar” o pais, dividir para governar foi a estratégia central do governo do Likud , durante 40 anos de poder. Beguin em seu famoso discurso dos “Tchachtchahim” (termino pejorativo sobre a população oriental, usada por um propagandista da esquerda) e o discurso “das piscinas dos kibutzim” (acusando os membros dos kibutzim de se aproveitarem das populações orientais enquanto passavam o tempo em suas piscinas) deu inicio a manipulação politica do problema social entre a classe dominante de ashkenazim (judeus ocidentais) em relação a classe desprivilegiada de sfaradim-mizrachim (judeus orientais de países árabes). O problema existia, mas durante 40 anos de poder o Likud e a direita não fizeram nada para solucioná-lo, usando-o como arma política, sempre culpado o governo de esquerda pela segregação.
A outra divisão tribal foi entre religiosos ortodoxos e ultraortodoxos e a população laica, que são a maioria. As Provocações podem ser exemplificadas, quando em vésperas de eleições Bibi Nataniahu em encontro com o Rabino Ovadia Yossef, líder do partido religioso de judeus orientais, declara, sem perceber que estava sendo gravado, de que a esquerda esqueceu o que é ser judeu, pedindo a ele o apoio eleitoral.
E a última divisão, logicamente, é contra a população árabe-palestina. De novo exemplificando, nas eleições de 2015, Bibi faz um apelo a população de votar pois “os árabes estão galopando as urnas”.
Em 2012 foi criado o Forum Kohelet de extrema direita por judeus americanos, com o objetivo de transformar a identidade judaica e sionista do País, influenciando e patrocinando a direita e extrema direita em Israel. O primeiro passo foi a Lei do Estado-Nação definindo que o estado de Israel é o estado do povo judeu, segregando outras etnias, nacionalidades e religiões (como os palestinos cidadãos israelenses, drusos, cristãos, muçulmanos etc.).
O segundo passo estamos enfrentando agora. A revolução do sistema judiciaria, dando total controle do governo sobre esta. Através da reorganização da Comissão de eleição de juízes, com maioria de representantes do governo; a lei da Superação (lei que permitirá a 61 membros do Parlamento cancelar qualquer decisão do Supremo Tribunal); Lei da Incapacitação (o Supremo Tribunal não poderá interferir e somente por motivos de saúde o primeiro ministro poderá ser afastado); Lei das Razões de razoabilidade (o tribunal não pode usar os fundamentos da razoabilidade contra decisões tomadas por funcionários eleitos, apenas em decisões tomadas por funcionários); Lei Deri 2 (permitindo ao líder do partido Shas retornar ao governo, apesar de que para conseguir um acordo com a justiça declarou que n’ao voltaria a vida politica).
Mas, isto é só o topo do Iceberg. Entrementes já foram aprovadas 141 leis. Entre elas alei de kashrut, do kotel, leis anti-feministas, leis homofóbicas. A caminho estão leis para fechar o canal nacional de radio e TV; interferir no sistema educacional proibindo ONGs de DDHH, Género, feministas e de esquerda de darem oficinas e palestras nas escolas; lei contra o transporte público no sábado; leis contra o guiur alternativo das correntes ortodoxa liberal, conservativa e reforma.
O ministros das finanças Bezalel Smotrich declarou que o povo palestino não existe e que Hawara deveria ser destruída e queimada (aldeia na qual foi realizada pogrom por 100 colonos, depois que terroristas mataram 3 judeus) e que na plataforma politica declara a expulsão dos palestinos por livre vontade. E, o Ministro de Segurança Nacional Bem Gvir exigiu uma polícia particular de 1800 policiais. O ministro tem como ideólogo ao Rabino Cahana e a Goldstein (terrorista judeu que assassinou mais de 30 muçulmanos em uma mesquita em Hebron) e era parte do grupo de Igal Amir, assassino do 1º ministro Rabin.
O judeu da diáspora tem que entender que o processo atual não é só uma questão israelense. O processo que está ocorrendo em Israel vai afetar ao povo judeu, em sua identidade, na relação entre diáspora e Israel, na vida comunitária judaica, no sistema educacional, nas sinagogas e nas organizações sionistas e não sionistas da comunidade.
85% do povo judeu no Mundo são laicos, reformistas ou conservadores. 15% são ortodoxos e ultra- ortodoxos. Israel está breve a se tornar uma ditadura de 15% do povo judeu. Aprendemos, ou melhor não aprendemos da historia, que odio gratuito levou a destruição do 1º e do 2º Templo e levará a destruição do 3º Estado Judeu. Dizer que isto é um problema dos israelenses é tapar o sol com a peneira, uma vez que judeus americanos, no Forum Kohelet, são àqueles que estão a 10 anos atuando neste processo e apoiando os grupos extremistas de direita e messiânicos em Israel. Ausentar-se é dar a eles a oportunidade de atuar sozinhos, sem contra-partida.
E, por fim, e apesar de eu tratar neste artigo do conflito interno de identidade do Estado de Israel, não haverá nenhuma solução se não cuidarmos e solucionarmos o terceiro conflito, o externo, com o povo palestino, com o domínio de outro povo. A nossa liberdade só será total com a liberdade do povo palestino, com a criação do estado da Palestina ao lado do Estado de Israel. Para a extrema-direita, o sionismo religioso e messiânico sua identidade também está definida através da conquista e anexação dos territórios do Estado da Palestina, e se possível da expulsão dos palestinos da Grande Israel, entre o Rio Jordão e o Mar Mediterrâneo. O sionismo liberal, de centro e de esquerda, tem que entender que não existe democracia para o povo judeu. A democracia é de todos os cidadãos que vivem entre o Jordão e o Mediterrâneo, judeus e palestinos, em Israel e na Palestina. E, sim, os palestinos terão que passar um processo muito parecido com o que estamos passando hoje, 75 anos após a fundação do Estado de Israel. Mas, isto ocorrerá no futuro e não podemos exigir maturidade de identidade nacional de um povo que ainda não tem seu próprio estado.
Os judeus da diáspora não podem deixar Israel para os israelenses, pois o que acontecerá nesses próximos 4 anos terá influência direta na identidade judaica mundial. Afetará a todo o povo judeu, seja aonde estiver. Mais de um milhão de israelenses saíram as ruas durante mais de 14 semanas, entendendo que não podem omitir-se e assim como eles a diáspora, ou melhor dito os judeus liberais-reformas-conservativos, representando 85% do povo judeu tem que sair as ruas e não pode se omitir, pois os judeus de direita já se manifestam através do Forum Kohelet e influenciam em todos os setores da vida em Israel. A nossa identidade está em jogo, em crise e como disse Dante
“No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise.”